sábado, 8 de novembro de 2014

O SONHO DE UM BRASIL BARRA-LIMPA

              Ministro sueco capricha na limpeza . (Na Suécia, aliás, a limpeza é geral).

O corte de gastos e a Suécia

Por Fernando Brito

Prezada presidenta Dilma, caros governadores, estimados prefeitos, descobri a solução para a crônica falta de recursos para melhorar os serviços públicos no Brasil.

Distribuir o livro da Claudia Wallin, “Um país sem excelências e mordomias“, para todos os brasileiros.

Distribuir nas escolas e nas universidades.

Distribuir nas repartições públicas, especialmente naquelas do Judiciário.

Distribuir para cada um dos parlamentares.

É preciso, além disso, que a TV Brasil faça uma série de documentos com base nas informações do livro de Claudia Wallin.

Publicado, há apenas alguns meses, pela Geração Editorial, o livro é um murro na cara de uma sociedade cujos servidores públicos tornaram-se viciados em luxos e privilégios.

Nem é o caso de lembrar que a Suécia é pequena e o Brasil, grande. Isso vale para sermos um pouco mais compreensivos em relação à precariedade dos serviços públicos aqui, ok. É mais difícil dar médico para 200 milhões de habitantes do que para 9 milhões.

No entanto, sendo o Brasil infinitamente mais pobre que a Suécia, em termos de renda per capita e arrecadação per capita, as lições suecas de economia valem perfeitamente para nós.

Na Suécia, nenhum servidor público tem carro com motorista, secretária particular, exército de assessores, auxílio paletó, etc.

Todos pagam suas refeições com seus salários, que são modestos.

Os auxílios para moradia são modestos, e se a pessoa morar com o cônjuge, este paga metade.

Não há jatinhos para ninguém.

Se o servidor pegar um táxi ao invés de tomar o metrô ou ônibus, e pagar com dinheiro público, é recriminado pela mídia e pelas autoridades.

Não existe isso de deputados e juízes aumentarem seus próprios salários. Há comissões independentes para cuidar desse tipo de coisa.

Se quisermos um país melhor, teremos que discutir uma redução drástica dos luxos e privilégios de setores do Estado que parecem ver a si mesmos como uma casta à parte, superior à sociedade.

Na Suécia, ninguém é melhor que ninguém. O primeiro ministro vai para a fila de ônibus, lava e passa suas roupas e prepara a comida para seus filhos.

Não existe empregada doméstica na Suécia. Muito menos paga com dinheiro público. O Estado paga a faxina de um apartamento funcional de parlamentar apenas uma vez ao ano. O resto do tempo ele mesmo tem de limpar a sua casa.

Nas cidades, vereadores não recebem salários, apenas ajuda de custo, e continuam trabalhando em seus antigos empregos. Não tem assessores nem gabinetes: trabalham em casa.

Até alguns anos, os parlamentares da Suécia dormiam em sofás camas em seus próprios gabinetes.

Quanto poderíamos economizar, de fato, se fizéssemos uma revolução nos gastos com servidores?
Centenas de bilhões de reais por ano?

Isso não implicaria em redução da qualidade dos serviços. Ao contrário, ao invés de pagar almoço grátis para servidores, modernizaríamos o atendimento ao cliente.

Ao cabo, a qualidade de vida iria melhorar para todo mundo, até mesmo para o servidor público, que teria menos luxo, mas viveria num país muito melhor.

Temos que nos livrar, de uma vez por todas, da pecha de país onde governantes empregam parentes, tem vida luxuosa, e constroem aeroportos, com dinheiro público, apenas para uso pessoal. (Fonte: aqui).

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Enquanto se desenrolava a campanha eleitoral, um ministro do STF, em ato monocrático, sentenciou: todos os juízes do Brasil, todos mesmo, farão jus a auxílio-moradia (R$ 4.300,00 - não sei se o valor é fixo), independentemente, ao que parece, do fato de serem ou não proprietários do imóvel onde residem.
 
A Advocacia Geral da União questionou judicialmente a decisão, mas a iniciativa não prosperou (ao menos até agora).
 
A mídia, envolvida pelo burburinho eleitoral, até onde sei deixou o assunto ao largo: nenhuma coluna, nenhum editorial, nada. As entidades representativas dos magistrados, idem.

O auxílio-moradia, claro, está fora do teto salarial, livre, leve e solto.

(Não dá pra esquecer o 'diagnóstico' proferido por Armínio Fraga, de que a política de elevação do valor real do salário mínimo é inaceitável...).

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