sábado, 20 de dezembro de 2014

REPLAY DE NATAL


L. F. Veríssimo.

A MÍDIA E O AVANÇO DA WEB


Brasileiro passa mais tempo na web do que vendo TV

Por Luana Lourenço

A televisão ainda é o principal meio de comunicação no Brasil, mas os brasileiros já passam mais tempo navegando na internet que na frente da TV. A informação está na Pesquisa de Mídia Brasileira 2015, divulgada (...) pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.

De acordo com a pesquisa, os brasileiros passam, em média, 4 horas e 59 minutos por dia usando a internet nos dias de semana e 4 horas e 24 minutos/dia nos fins de semana. Já a média de tempo assistindo a TV é de 4 horas e 31 minutos/dia nos dias de semana e 4 horas e 14 minutos aos sábados e domingos.

"A diferença ainda é pequena, mas mostra uma tendência importante e que deve ser analisada. O tempo [de uso das redes] dá um parâmetro de como o brasileiro está migrando de forma consolidada para os meios de comunicação digitais", avaliou o ministro da Secom, Thomas Traumann.

De acordo com a pesquisa, a internet é o terceiro meio de comunicação mais utilizado pelos brasileiros, atrás da TV e do rádio e à frente dos jornais e revistas. O levantamento, que ouviu 18 mil pessoas e traçou um perfil do consumo de informações nas diferentes mídias, apontou que 43% dos brasileiros usam a rede como meio de comunicação.

Entre os usuários da internet no Brasil, 76% acessam a rede todos os dias. O pico de uso é às 20h, tanto nos dias úteis quanto nos fins de semana. De acordo com a pesquisa, 67% acessam a rede em busca de informações ou notícias, mesmo percentual dos que dizem entrar na internet para buscar entretenimento (pergunta de múltiplas respostas).

Em relação ao grau de confiança no meio, 27% dizem confiar "sempre ou muitas vezes" nas notícias da internet, ante 58% de confiança nos jornais e 54% na televisão.

A pesquisa da Secom revela que uso da internet é mais influenciado pelas características sociodemográficas que os outros meios de comunicação. "Renda e escolaridade criam um hiato digital entre quem é um cidadão conectado e quem não é. Já os elementos geracionais ou etários mostram que os jovens são usuários mais intensos das novas mídias", disse Traumann.

Entre os jovens com até 25 anos, 63% acessam a internet todos os dias. O percentual cai para 4% na faixa etária de 65 anos ou mais. No recorte por renda, a pesquisa constatou que entre os que têm renda familiar superior a cinco salários-mínimos, 76% acessam a internet pelo menos uma vez por semana. Por outro lado, entre os que têm renda familiar até um salário-mínimo por mês, 20% acessam a internet com a mesma frequência.

O grau de escolaridade também influencia a frequência de acesso à rede: apenas 8% dos entrevistados que estudaram até a 4ª série acessam a internet pelo menos uma vez por semana, percentual que aumenta para 87% entre os que têm ensino superior.

A Secom identificou baixo nível de participação dos internautas em consultas públicas, fóruns, enquetes e outros canais de participação promovidos pelo governo em plataformas online. "É baixo o contato direto entre o cidadão e governos ou instituições públicas. Apenas 25% dos usuários entraram em contato por e-mail, formulários eletrônicos, chats, redes sociais, fóruns de discussão ou de consultas públicas nos últimos 12 meses", de acordo com o levantamento.

A pesquisa também constatou baixos percentuais de grau de conhecimento dos usuários da internet sobre as formas oficiais de comunicação do governo federal na web: o Portal Brasil, o site do Palácio do Planalto e o Blog do Planalto. Na pergunta estimulada, 77% dos entrevistados responderam que não conhecem o Portal Brasil "mesmo que só de ouvir falar" e 81% não conhecem o site do Palácio do Planalto. O Blog do Planalto é ainda mais desconhecido, com 85% de respostas negativas.

Segundo Traumann, o levantamento é a maior pesquisa de mercado sobre o tema e é importante para que o governo defina estratégias de comunicação e publicidade. "Temos obrigação legal e formal de usar os recursos da melhor forma, da forma mais eficiente, isso é fundamental para a nossa estratégia de comunicação". ponderou. (Fonte: aqui).

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Duas observações: a) O governo federal continua atuando de forma deficiente na web, haja vista o baixíssimo grau de conhecimento de seus canais pelos usuários;  b) É completamente distorcida e equivocada a política de destinação de recursos para a mídia tradicional adotada pelo governo federal.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

OLD CHRISTMAS


Saul Steinberg. (Décadas atrás).

SOBRE VERBAS ESTATAIS E A AVIDEZ DA MÍDIA


"O recente levantamento publicado pela “Folha de S.Paulo” sobre despesas de publicidade do governo federal, nos últimos 14 anos, 12 dos quais sob o comando do PT, é, ao mesmo tempo, um espanto estatístico e um desalento político.

Foram 15,7 bilhões de reais despejados, prioritariamente, em veículos de comunicação moralmente falidos e explicitamente a serviço das forças do atraso e da reação. Quando não, do golpe.

O mais incrível é que 10 entre 10 colunistas cães de guarda da mídia não perdem a chance de abrir a bocarra para, na maior cara de pau, acusar blogueiros de receber dinheiro do governo para falar bem do PT.

Ainda que fosse verdade (99% dos blogueiros não recebem um centavo de ninguém), ainda assim, não seria injusto.

Isso porque somente a Globo recebeu 5 bilhões de reais dos cofres públicos para, basicamente, falar mal do PT. Nada menos que 1/3 de todo dinheiro gasto com publicidade pelo governo federal.

E se pode, ainda, colocar mais 1 bilhão de reais por fora, valor atualizado da sonegação de impostos com a qual a Globo está envolvida.

Sem falar na Editora Abril, responsável pelo esgoto da revista Veja.

Apesar do histórico de invencionices, o balcão dos Civita faturou quase 300 milhões (!!) de reais de grana do contribuinte para produzir lixo tóxico disfarçado de jornalismo.

Isso significa que o negócio do jornalismo no Brasil, sempre tão ávido em apontar o dedo para o governo, simplesmente, não vive sem o dinheiro da Viúva.

Esse levantamento reforça a tenebrosa impressão de que os governos do PT foram definitivamente dominados pelos oligopólios da mídia de forma a garantir-lhes renda líquida e necessária, mesmo que a contrapartida seja a fatura conhecida de todos: calúnia, difamação, injúria, mentiras, boatos, assassinatos de reputação e ataques editoriais.

Por essa razão, tornou-se imperiosa a necessidade de se fazer, imediatamente, uma revisão geral dos critérios de aplicação de publicidade oficial nessas máquinas privadas de sucção de dinheiro público.

Em um mundo virtual, onde a comunicação de rede trabalha com audiência de milhões de pessoas em torno de um único post nas redes sociais, tornou-se totalmente obsoleto o tal “critério técnico”, seguido como evangelho pelo governo federal.

Está bem claro quem são os beneficiários dessa armadilha burocrática mantida intacta pelo Palácio do Planalto.

E, é bom que se diga, isso nada tem a ver com regulação da mídia, nem se inclui em qualquer dessas falsas polêmicas relativas a liberdade de imprensa e de expressão – tão caras a moralistas e hipócritas a soldo das empresas de comunicação.

Trata-se de acabar com um sorvedouro de dinheiro público."





(De Leandro Fortes, no Diário do Centro do Mundo, post intitulado "Como o governo do PT banca a pior mídia do planeta" - aqui.

A mídia já conta com meritórios incentivos constitucionalmente previstos, notadamente na esfera tributária. Não há por que a ânsia arrecadatória de recursos públicos a título de publicidade estatal. 

Ironia escancarada: a mídia, que em sua esmagadora maioria prega o Estado Mínimo, o Executivo debilitado, não abre mão de verbas desse mesmo abominável e desprezível - segundo ela - Estado!).

ECOS DA COMISSÃO DA VERDADE


Os dois lados

Por Luis Fernando Veríssimo

Na reação ao relatório da Comissão da Verdade sobre as vítimas da ditadura, afirma-se que, para ser justo, ele deveria ter incluído o outro lado, o das vítimas da ação armada contra a ditadura. Invoca-se uma simetria que não existe. Nenhum dos mortos de um lado está em sepultura ignorada como tantos mortos do outro lado. Os meios de repressão de um lado eram tão mais fortes do que os meios de resistência do outro que o resultado só poderia ser uma chacina como a que houve no Araguaia, uma estranha batalha que — ao contrário da batalha de Itararé — houve, mas não deixou vestígio ou registro, nem prisioneiros. A contabilidade tétrica que se quer fazer agora — meus mortos contra os teus mortos — é um insulto a todas as vítimas daquele triste período, de ambos os lados.

Mas a principal diferença entre um lado e outro é que os crimes de um lado, justificados ou não, foram de uma sublevação contra o regime, e os crimes do outro lado foram do regime. Foram crimes do Estado brasileiro. Agentes públicos, pagos por mim e por você, torturaram e mataram dentro de prédios públicos pagos por nós. E, enquanto a aberração que levou a tortura e outros excessos da repressão não for reconhecida, tudo o que aconteceu nos porões da ditadura continua a ter a nossa cumplicidade tácita. Não aceitar a diferença entre a violência clandestina de contestação a um regime ilegítimo e a violência que arrasta toda a nação para os porões da tortura é desonesto.

O senador John McCain é um republicano “moderado”, o que, hoje, significa dizer que ainda não sucumbiu à direita maluca do seu partido. Foi o único republicano do Congresso americano a defender a publicação do relatório sobre a tortura praticada pela CIA, que saiu quase ao mesmo tempo do relatório da nossa Comissão da Verdade. McCain, que foi prisioneiro torturado no Vietnã, disse simplesmente que uma nação precisa saber o que é feito em seu nome. O relatório da Comissão da Verdade, como o relatório sobre os métodos até então secretos da CIA, é um informe à nação sobre o que foi feito em seu nome. Há quem aplauda o que foi feito. Há até quem quer que volte a ser feito. São pessoas que não se comovem com os mortos, nem de um lado nem do outro. Paciência.

Enquanto perdurar o silêncio dos militares, perdura a aberração. E você eu não sei, mas eu não quero mais ser cúmplice. (Fonte: aqui).

HABANOS CLUB


Manny Francisco. (Filipinas).

ECOS (LONGÍNQUOS) DO CASO DO JATINHO

              Localize o dono do jatinho.

Até de IPTU isentaram casas destruídas. Só não de se pode saber de quem era o jatinho

Por Fernando Brito

A Folha traz hoje a informação de que, com muita justiça, o prefeito tucano de Santos isentou por três anos os imóveis atingidos pela queda do avião de Eduardo Campos.

Mas, a essa altura, mais de quatro meses depois do acidente, já é o caso da gente se perguntar se o avião caiu mesmo.

Porque nossa Polícia Federal, o bravo Ministério Público e a implacável (com as contas de Dilma) Justiça Eleitoral até agora não conseguiram dizer a quem pertencia o jatinho e em que circunstâncias estava servindo ao ex-governador de Pernambuco.

As investigações foram abertas mas não são públicas ou não existem de fato.

Por quê? Qual é o segredo de Justiça que pode explicar isso?

A imprensa, que rastreia com faro de sabujo tudo o que diga respeito aos governistas, não se interessa em perguntar por que o avião não aparece nem na primeira, nem na segunda, nem na última prestação de contas da campanha Marina/PSB.

Nada, senão um silêncio ensurdecedor.

É um verdadeiro escárnio com a opinião pública e com as vítimas do acidente, que se vêem impedidas de cobrar os ressarcimentos materiais e morais dos proprietários e dos responsáveis pela aeronave.

Os empresários-fantasmas do avião-fantasma foram deixados de lado. Não existem, como parece não existir o avião.

Do famoso Apolo Santana Vieira, só o que foi publicado, este mês, foi que o Cabanga Iate Clube, do Recife, o coloca em segundo lugar na lista de espera para usar a Dársena (área de cais e de manobra portuária) Ouro de seu ancoradouro.

Talvez com um iate-fantasma. (Fonte: aqui).

NUNCA DEJEMOS DE CREER


Pito Campos.

PUBLICIDADE ESTATAL NA MÍDIA


A mão que alimenta a mídia

Por Luciano Martins Costa

Folha de S. Paulo e o jornalista Fernando Rodrigues, do UOL, venceram a ação movida contra a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), e o jornal paulista publica na edição de quarta-feira (17/12) reportagem sobre a evolução dos gastos do governo federal e empresas estatais com publicidade (ver aqui).

O tema é motivo de polêmica, não apenas pela falta de transparência na destinação desses recursos, mas também pelo questionamento da validade da propaganda oficial. Com a decisão do Superior Tribunal de Justiça, a Secom é obrigada a abrir suas contas, e o público fica sabendo que o orçamento de comunicação do Executivo e das empresas que controla teve aumentos quase ininterruptos desde o ano 2000, período alcançado pelo levantamento.

Há uma explicação simples e convincente para alguns números: nesse período, cresceu o protagonismo de instituições como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, que se tornaram grandes concorrentes no mercado de crédito. O que alimenta as polêmicas é o gasto do próprio governo com publicidade, e o critério para a distribuição das verbas.

Oficialmente, a Secretaria de Comunicação Social justifica a partilha de recursos com o conceito de maior audiência, o que explica o maior volume de dinheiro destinado à Rede Globo de Televisão. Nos últimos 14 anos, a Globo recebeu R$ 4,2 bilhões dos cofres públicos. Em seguida, vêm a TV Record, com R$ 1,3 bilhão, o SBT, com R$ 1,2 bilhão, e a Band, com R$ 1 bilhão.

No grupo das empresas de mídia que não possuem emissoras de televisão como seu principal negócio, a Abril Comunicações, que edita a revista Veja, recebeu R$ 298 milhões nesse período, seguindo-se a empresa Folha da Manhã, que edita a Folha de S.Paulo, com R$ 206 milhões, e o Estado de S.Paulo, que recebeu R$ 188 milhões nesses 14 anos.

Apesar de a Secom não divulgar as quantias destinadas a cada veículo, pode-se observar que a verba para a mídia regional é pequena e que o total pago aos chamados “alternativos” não passa de 2% do que foi entregue nesse período a grandes empresas.

Claramente, essa política favorece a concentração do setor.

Uma questão polêmica
A principal mudança observada na política de comunicação do governo federal, no período mais recente, é a ampliação do número de veículos beneficiados e a maior diluição das verbas, apesar de os grandes grupos concentrarem o grosso do dinheiro. A Secom se refere a mais de 10 mil empresas, mas não especifica setores nem as regiões onde atuam. A quantidade dos destinatários desses recursos praticamente dobrou desde a posse de Dilma Rousseff, mas a concentração continua nas empresas dominantes.

Os maiores anunciantes entre as estatais são a Petrobras, que despendeu R$ 429 milhões em publicidade em 2013 e R$ 4,6 bilhões desde o ano 2000, seguindo-se a Caixa Econômica Federal, com R$ 420 milhões no ano passado e R$ 4,5 bilhões no longo prazo; o Banco do Brasil, que gastou R$ 353 milhões no ano passado e R$ 4,2 bilhões desde 2000; e os Correios, que investiram em publicidade R$ 204 milhões no ano passado e R$ 1,3 bilhão entre 2000 e 2013. Esses valores não contemplam os patrocínios a projetos esportivos ou culturais.

A reportagem permite desvincular as verbas administradas pelas empresas estatais e os gastos diretos da Presidência da República e ministérios. No ano passado, a verba oficial para propaganda chegou a R$ 2,3 bilhões, sendo que, desse total, as estatais bancaram 64%, e o governo despendeu o restante, ou seja, R$ 800 milhões.

O relatório da Secom, divulgado pela Folha, é diferente dos levantamentos do Ibope (ver aqui dados de 2013), que apontam números muito superiores porque se baseiam nas tabelas oficiais de preços dos veículos, que costumam dar grandes descontos conforme a fidelidade dos anunciantes.

Uma das questões centrais, não abordada pela Folha, se refere à utilidade do investimento direto da Presidência e seus ministérios em publicidade. Outra questão é o critério de distribuição desses valores.

Em vários grupos de debate, como o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, atualmente controlado pela CUT, discute-se a validade de verbas oficiais para a mídia hegemônica, que atua claramente contra as políticas públicas que o governo procura divulgar em sua publicidade. Em outros grupos, o centro do debate é a legitimidade dessa propaganda.

O cenário é curioso: a imprensa ataca o governo, o governo se defende com a propaganda que alimenta o caixa da mídia. (Fonte: aqui).

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Leia aqui avaliação feita pelo jornalista Paulo Henrique Amorim sobre o assunto - e aqui a de autoria do também jornalista Paulo Nogueira. 
Por sua vez, o site Carta Maior informa que irá acionar judicialmente o jornal Folha de São Paulo em face de abordagem considerada ofensiva.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

NATAL COMEDIDO


Duke.

SOBRE O REATAMENTO DIPLOMÁTICO EUA CUBA


Troca de prisioneiros, normalização das relações diplomáticas, viagens facilitadas e flexibilização do bloqueio econômico: em poucos minutos, os presidentes dos EUA, Barack Obama, e de Cuba, Raúl Castro, acabaram com 53 anos de política externa norte-americana. A notícia repercutida no mundo inteiro é o resultado de 18 meses de negociações secretas entre Washington e Havana, com a ajuda fundamental do Papa Francisco. Ela reflete também a profunda mudança do quadro político doméstico nos Estados Unidos.

“Este ano, todas as pesquisas mostraram que a opinião pública norte-americana era favorável a mudanças importantes na política cubana de Washington”, explica Julia Sweig, diretora do programa de América Latina do Council on Foreign Relations (centro de estudos da política internacional dos EUA). Mais da metade dos americanos quer uma normalização das relações bilaterais, e se o apoio é maior entre democratas e independentes, esta é também a opinião da maioria dos eleitores republicanos.

A transformação é mais sensível ainda na Flórida, que abriga a maior população cubano-americana: 63% dos habitantes do Estado apoiam a normalização, enquanto a média no país é de 56%. Mais de dois terços deles reivindicam o fim da proibição às viagens à ilha para todos os norte-americanos. Apesar da flexibilização introduzida dos últimos anos, este direito continuava reservado aos cubano-americanos.

Para Julia Sweig, “a população cubano-americana já não pode ser vista como um bloco monolítico que vota republicano e rejeita qualquer abertura em relação ao governo cubano”. Ela ressalta o fato dos políticos locais terem entendido o recado: um posicionamento mais liberal e pragmático em relação a Cuba pode ser fonte de popularidade e de votos.

A pressão dos países latino-americanos também teve um papel central. “Acho que Washington nunca entendeu a importância simbólica que sempre representou Cuba para América Latina, mas o que mudou na última década é que todos os países da região exigem uma mudança e o fim da política de isolamento de Havana”, considera Julia Sweig. “E esta pressão não vem só de Brasil, Chile também está falando alto, tal como México”, acrescenta.

Para Mark Weisbrot, co-diretor do Centro de Pesquisa Econômicas e Políticas (CEPR), “com a transição histórica dos últimos 15 anos, com governos de esquerda eleitos na maioria dos países da região, as regras e as normas mudaram, e muitos lideres latino-americanos, inclusive de direita, exigem que Cuba seja tratada de maneira igualitária”. Ele lembra a importância da presença dos representantes da ilha durante a próxima Cúpula das Américas.

Pela primeira vez na história, a próxima Cúpula das Américas, que acontecerá em abril de 2015, no Panamá, contará com a presença de Cuba. Com a expulsão da OEA (Organização dos Estados Americanos) em 1962, Havana não pode participar das edições anteriores que agruparam os 34 países membros da OEA, ou seja, todos os países das Américas menos Cuba. Em 2012, a última edição, em Cartagena, na Colômbia, provocou virulentos debates entre os Estados Unidos (apoiados pelo Canadá) e os demais Estados. “Foi decidido que seria a última reunião sem Cuba”, confiou Marco Aurélio Garcia numa entrevista exclusiva a Opera Mundi. “Agora a bola está com os EUA. Barack Obama terá que decidir se vai ou não”, continuou.

O presidente norte-americano acabou de confirmar sua participação à reunião, com a presença de Cuba. Para Julia Sweig, “não há duvida que a decisão de normalizar as relações com Havana vai ajudá-lo a melhorar as relações com América Latina”.

Weisbrot ressalta a formação de grupos internacionais, como a Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e do Caribe), que incluem Cuba, mas excluem os Estados Unidos, e da crescente influência de organizações regionais como a Unasul (União das Nações Sul-Americanas), como mais uma evidência de mudança regional. “A decisão de Obama também é uma clara derrota dos extremistas cubano-americanos que têm dominado a política dos EUA durante décadas, mais recentemente com o apoio de aliados neo-conservadores”, avalia o analista.

Weisbrot não considera, porém, que o anúncio de hoje signifique uma mudança profunda de paradigma. “Isso ajuda, mas temos que lembrar as novas sanções contra a Venezuela. A pergunta é: os EUA realmente abandonaram a estratégia que foi um fracasso durante os últimos 50 anos, ou apenas eles mudaram de adversário?”, pergunta."




(De  Por Lamia Oualalou, no site Opera Mundi, post intitulado "Decisão de Obama sobre Cuba é resultado de mudanças internas e da pressão dos países latino-americanos". 
Falcões em geral estão indignados - em plagas tupiniquins inclusive -, mas certamente se consolam na esperança de que o Partido Republicano e seus parceiros, à frente o Tea Party, bloqueiem as iniciativas jurídicas tendentes à consolidação das relações EUA Cuba. O que será difícil: sintomaticamente, é de um norte-americano a máxima: "É - também - a economia, estúpido!").

HABEMUS (UM SENHOR) PAPA


Amarildo.

NATAL LOOK


Sepideh Anjomrooz. (Irã).

A PETROBRAS E O JOGO ACIONÁRIO


As jogadas em torno da Petrobras

Por Luis Nassif

Há nos mercados o fenômeno recorrente do “overshooting”.

Trata-se de um empurrão dos especuladores em cima de tendências de alta ou baixa de determinados ativos.

O jogo é conhecido desde sempre:
  1. No mercado, existem os estoques (a quantidade total de ações de uma empresa) e os fluxos (as negociações diárias de suas ações).
  2. Em geral, negociam-se diariamente frações ínfimas do capital de uma empresa.
  3. Só que o preço registrado no final do dia é utilizado para precificar todo o estoque de papéis existentes.
O que os especuladores fazem é identificar a fase inicial de alta ou de baixa e acentuarem esses movimentos para baixo ou para cima.

Para cima, o jogo de sedução começa assim.

O especulador identifica um determinado ativo barato. Se está barato, é porque é pouco negociado, tem baixa liquidez. Portanto, bastam poucas operações de compras sucessivas para elevar as cotações, mesmo sendo inexpressivas em relação ao estoque existentes daqueles ativos. Com isso, chama a atenção de novos investidores que passam a “descobrir” o ativo.

Cria-se, então, a bolha. Cada novo investidor compra a ação achando que irá encontrar na frente outro investidor disposto a pagar mais caro ainda pelo papel.

Até o momento que os espertos julgam que o papel bateu no pico. Aí, começam a desovar as ações que compraram. O movimento se inverte e há uma corrida que termina por provocar uma queda acentuada nas cotações.

***
Na queda, o movimento é similar, mas em mão inversa.

Há um conjunto de eventos negativos em relação a determinado papel. Torna-se difícil para o não especialista avaliar o peso daqueles eventos, ou das manchetes, no futuro da companhia.

Esse lusco-fusco é o terreno ideal para o “overshooting” para baixo.

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Hoje em dia, há os seguintes fatores contra a Petrobras:
  1. Os efeitos da Operação Lava Jato.
  2. Seus desdobramentos no mercado nova-iorquino, com as ações dos escritórios de advocacia e as investigações da SEC (a Comissão de Valores Mobiliários local) com implicações sobre a captação de recursos no mercado.
  3. A indefinição em relação ao futuro da diretoria.
  4. A queda nas cotações internacionais de petróleo, afetando as petroleiras como um todo.
  5. A partir de ontem, a crise russa se agravando, trazendo dúvidas sobre o mercado cambial.
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Por outro lado, a Petrobras é uma companhia com produção crescente no pré-sal. Atualmente, grande parte do investimentos está na fase pré-operacional.

A produção do pré-sal começa a aumentar sistematicamente. As refinarias começam a produzir. A empresa já renegociou todos os investimentos que venciam nos próximos meses. O preço de equilíbrio do pré-sal suporta um nível menor de cotação de petróleo.

Além disso, a combinação de preço de petróleo em queda e de dólar em alta melhora a rentabilidade da empresa nas vendas internas.

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Todos esses fatores são ponderados pelos grandes investidores. Na balança, a relação entre a solidez e o futuro da companhia é incomparavelmente maior do que os problemas que enfrenta hoje em dia.

Ao menor sinal de que o cenário está desanuviando, as ações voltarão a recuperar o valor.

Perderão apenas os investidores que entraram em pânico e venderam seus papéis no meio do tiroteio. (Fonte: aqui).

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Pairando sobre tudo, claro, a ameaça contra os interesses nacionais em torno do pré-sal e o regime de partilha.

A GLOBO E A PESQUISA CNI/IBOPE

              Os resultados corretos da pesquisa.

Jornal Nacional altera resultados da pesquisa CNI/Ibope

A pesquisa CNI/Ibope é trimestral. Foram efetuadas pesquisas em junho, setembro e dezembro.

Pela pesquisa, a avaliação do governo passou de 31% de ótimo/bom em junho para 40% em dezembro, a maneira de governar, de 44% para 52%, e a confiança na presidente, de 41% para 51%, conforme a ilustração acima.

Mas o Jornal Nacional em sua edição de ontem, 17, divulgou resultados diferentes dos acima informados, com a agravante de atribuir aos percentuais trimestrais um declínio inexistente.

Pegou mal.

OLD CARTUM


Tasso. (Década de 1990).

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

EUA CUBA: A VITÓRIA DO BRASIL

              Porto de Mariel, Cuba.

Quantas vezes o Brasil foi criticado em face da construção do porto de Mariel em Cuba? Inúmeros artigos e editoriais condenaram as opções feitas pelo Brasil. Eis que agora cai a ficha: as perspectivas que se abrem com a reaproximação dos Estados Unidos com Cuba mostram que o Brasil agiu corretamente ao manter relações de parceria com a ilha, se revelando estratégico o financiamento concedido pelo BNDES (assunto tratado aqui neste blog em janeiro).

Mas, o que se verificava antes do começo do fim do embargo? Vejamos:

.a China patrocina o Canal da Nicarágua - bem maior que o do Panamá -, ampliando sua influência e incrementando as relações comerciais com a América Latina (a China já é a principal parceira comercial do Brasil). Essa realidade incomoda, e muito, os EUA.

.o México, que nunca rompeu relações com Cuba, mas que dela se distanciou desde a adesão ao NAFTA, há meses (em fevereiro publicamos post AQUI neste blog) se empenha em incrementar negócios - o que também deseja a União Europeia -, mas o lugar já foi ocupado por Brasil e, agora se vê, EUA (caso o embargo venha a chegar ao fim, obviamente).

.em setembro, comentando artigo de Jânio de Freitas sobre a política externa adotada pelo Brasil - AQUI -, destacávamos:

              Porto de Mariel, Cuba.

"Quando da análise da entrada, ou não, da Venezuela no Mercosul, houve forte resistência por parte de setores conservadores nacionais, mas a aceitação aconteceu. Por quê? Porque, além do empenho do Governo brasileiro, houve pressão empresarial: empresas brasileiras vislumbraram os bons negócios que poderiam advir da iniciativa. Outra particularidade: por que os EUA não cortaram definitivamente suas relações com a Venezuela? Simples: eles precisam do petróleo venezuelano (a Venezuela é dona da maior reserva de petróleo do mundo). 

Ou seja: não basta tentar impor caprichos ideológicos, é preciso considerar as carências dos países e as oportunidades negociais oferecidas. Não basta, portanto, os opositores do atual governo serem contra o Mercosul; há fortíssimos e salutares interesses comerciais em jogo, e abrir mão deles é que são elas!

Outra particularidade: os EUA (2º maior parceiro comercial do Brasil) estreitam cada vez mais sua parceria com a União Europeia, enquanto a China amplia sua influência global, inclusive na América Latina. A China é, hoje, a parceira comercial nº 1 do Brasil. Como abrir mão de um mercado de mais de 1,3 bilhão de consumidores, cerca de 20% da população do mundo?

Por que o Brasil tem tanto interesse em construir/modernizar o porto de Mariel, em Cuba? Quais oportunidades negociais surgirão a partir da abertura política cubana? E os novos negócios que advirão da abertura do Canal da Nicarágua - em fase de construção -, maior do que o do Panamá? O que poderá ganhar o Brasil com as exportações de petróleo para a Ásia, aproveitando esse canal? Por que o México e a União Europeia estão agora tentando estreitar parcerias com Cuba? Diplomacia rima profundamente com Economia...

A questão, portanto, não é tão simplória. O que talvez explique a mudez de certos candidatos à Presidência relativamente ao tema."

A propósito, clique AQUI para ler "Brasil marcou um golaço ao financiar Mariel", por Patrícia Campos Mello.

Sem dúvida, é expressiva a vitória do Brasil.

CÁLCULO PRISIONAL


Dálcio.

DA SÉRIE PETROBRAS, ESPECULADORES E ENTREGUISTAS


Os dedos sujos de óleo

Por Luciano Martins Costa

Os jornais fazem um retrato tenebroso da situação em que se encontra a Petrobras, um mês depois de revelada a extensão das negociatas que envolveram políticos, dirigentes da estatal e grandes empreiteiras que fazem parte de sua constelação de negócios. Os números são tão grandiosos que o leitor é incapaz de imaginar o volume de dinheiro desviado em negócios superfaturados.

O resultado é que, quanto mais atenção coloca no noticiário, menos capaz fica o cidadão de abranger todo o contexto. Na terça-feira (16/12), porém, surge uma ponta da meada que permite entender a lógica da imprensa: com seu valor reduzido seguidamente por conta do escândalo, sob ameaça de ações judiciais nos Estados Unidos e no Brasil, e ainda sob risco de ver seus principais fornecedores serem condenados e proscritos, analistas começam a afirmar que a estatal estaria impossibilitada de seguir explorando a reserva de pré-sal (ver aqui e aqui).

Como se sabe, os 149 mil km2 da província do pré-sal apresentam uma taxa de produtividade muito acima da média mundial e já são a fonte de quase 30% de todo o óleo extraído pela empresa. Feita a projeção de crescimento dos atuais 550 mil barris por dia em 25 poços produtores, daqui a três anos, com quase 40 poços ativos, o pré-sal deverá suprir 52% da oferta de petróleo no Brasil.

Num cenário em que o preço internacional do óleo cai abruptamente, cresce o valor estratégico da empresa brasileira justamente pelo fato de estar próxima de dar ao Brasil a oitava maior reserva do mundo, com 50 milhões de barris ou mais, qualificando o país como protagonista no setor.

Qual era a vantagem estratégica da Petrobras em relação às demais gigantes do setor? Exatamente o fato de possuir suas principais áreas de exploração em uma região sem conflitos militares, sem instabilidade política e plenamente conformada às normas e regulações internacionais. Até mesmo os riscos ambientais alardeados na década passada, quando foi anunciada a decisão de explorar as reservas de alta profundidade, foram desmentidos com o tempo.

O escândalo envolvendo a empresa a torna vulnerável a ataques de todos os tipos, mas principalmente abre caminho para as forças que têm interesse em alterar o marco regulatório do pré-sal.

Interesses poderosos

Há corrupção nos negócios da Petrobras? Certamente, muito do que tem sido noticiado nos últimos meses acabará sendo comprovado, mas há um aspecto que não vem sendo considerado pela imprensa: a corrupção é parte do processo de gestão do setor petrolífero em todo o mundo e, no caso presente, a estatal brasileira se encontra no papel de vítima. Portanto, há uma distorção no noticiário que esconde muito mais do que o propósito de expor a relação deletéria entre negócios e política.

Embora os contratos de partilha do óleo de grande profundidade sejam geridos pela empresa Pré-Sal Petróleo S.A, criada como subsidiária da Petrobras para executar o novo marco regulatório, a operadora do sistema é a Petrobras. Cabe à estatal criada por Getúlio Vargas o ônus do processo de depuração que está em curso com as investigações que ocupam diariamente as manchetes dos jornais. Embora a maior parte dos danos seja debitada na aliança que governa o país desde 2003, principalmente ao Partido dos Trabalhadores, é o modelo do negócio que corre risco.

É pouco conhecido o fato de que a Petrobras não se tornou uma estatal com o novo marco regulatório: apenas 33% do capital pertencem ao Estado, e 67% estão em mãos privadas. O que mantém o controle da empresa em mãos do Estado é o fato de que este controla metade mais uma do total de ações com direito a voto, o que preserva a Petrobras como sociedade de economia mista.

Não é, então, a condição legal da empresa que pode mover interesses poderosos, mas o sistema de exploração do pré-sal: pelo modelo antigo, de concessão, as companhias concessionárias podiam fraudar facilmente os custos de extração, reduzindo a parcela a ser paga tanto em royalties ao Tesouro quanto em barris de petróleo a serem entregues ao sistema de refino e distribuição. O modelo de partilha, criado pelo novo marco regulatório de 2009, mantém sob controle mais rigoroso o usufruto dessa riqueza natural por parte do Brasil.

O bombardeio constante e diário de notícias sobre a corrupção esconde outros aspectos desse jogo. (Fonte: aqui).

CENA DA GUERRA DOMÉSTICA


Alpino.

CRISE MUNDIAL, O RETORNO DE QUEM NÃO PARTIU


Enquanto a partir de setembro a Arábia Saudita elevou sua oferta de petróleo, afetando Rússia, Irã e outros produtores (como Venezuela e Brasil), e os Estados Unidos também ampliam a produção, mediante a prática do 'fracking', com seus altíssimos custos financeiros e ambientais (AQUI), a crise financeira mundial dá fortes sinais de recrudescimento.

Em 2008/9, os governos injetaram capitais públicos para salvar grandes bancos e outras corporações ("grandes demais para quebrar"), que antes se haviam locupletado com os famosos derivativos e hipotecas fajutas. Agora a ameaça é de que o sacrifício para cobrir os rombos seja imposto aos depositantes em geral e fundos de pensão em particular.

(Quanto à Petrobras, espera-se que a exploração do pré-sal não seja de todo ameaçada, visto que os custos envolvidos são relativamente menores que os do 'fracking').

A seguir, análise feita - aqui - por Marco Antonio Moreno:

Colapso do petróleo e do sistema financeiro ameaçam expropriar os fundos de pensão

O otimismo do fracking e a ilusão de um preço do petróleo em 110 dólares o barril mobilizou enormes recursos financeiros para a produção de crude que acabaram por saturar o mercado. A nova bolha especulativa acabou por entrar em colapso, à luz do enfraquecimento da procura.

Os preços do petróleo caíram 40 por cento desde junho, ao ritmo do colapso dos títulos lixo do sector energético dos Estados Unidos, que apostou desmedidamente no apogeu do dispendioso fracking. Desde que, em julho de 2008, o petróleo atingiu os 145 dólares por barril, a indústria do fracking dos EUA disparou e a produção de petróleo passou de 4 milhões de barris diários (mbd) a 9 mbd, competindo, em volume de produção, com a Arábia Saudita e a Rússia (10 e 9 mbd, respetivamente). Isto foi feito com base na especulação financeira, que agora será coberta com o confisco dos fundos de pensões.

Como afirmamos em julho do ano passado, a manipulação do preço do petróleo levou o ouro negro a um nível artificialmente alto; nesse artigo afirmávamos que esse valor, se não fosse manipulado, andaria em torno dos 80-60 dólares o barril. Esta manipulação foi claramente fabricada pelos interesses financeiros que procuravam impulsionar a indústria do fracking. O excesso de oferta da indústria petrolífera está agora a levar a liquidar em 80 centavos de dólar as alavancadas posições destas empresas, instalando novamente o epicentro da crise no sistema financeiro, pela sua facilidade para especular com os preços. Desta vez, no entanto, e graças a Jean-Claude Juncker, é o dinheiro do contribuinte que vai salvar estas empresas.

A bolha do fracking
Apesar de haver uma tendência para se pensar que a queda dos preços é sinónimo de baixa dos custos de produção e que o temido "pico do petróleo" se está a afastar, a verdade é que os preços de muitos recursos básicos estão a diminuir ao mesmo tempo pela queda da procura global. As commodities caem a pique, acentuando assim os problemas deflacionários que darão uma nova estocada a esta crise, no seu sétimo ano de desenvolvimento.

Os preços do petróleo foram manipulados longamente para dar folga e permitir o auge do fracking, até que esta bolha rebentou. Enquanto o custo da extração de petróleo "normal" é de 30 dólares o barril, o custo do barril de petróleo obtido através da fraturação hidráulica é de 60 dólares.

O estouro da bolha do fracking confirma a falácia de que a fraturação hidráulica constitui uma fonte energética para cem anos, como declarou o presidente Obama em 2012. Um artigo publicado na semana passada na revista Nature põe em dúvida o desmedido otimismo desta indústria.

O otimismo do fracking e a ilusão de um preço do petróleo em 110 dólares o barril mobilizou enormes recursos financeiros para a produção de crude que acabaram por saturar o mercado. O fracking não fez mais do que criar uma nova bolha especulativa que acabou por entrar em colapso, à luz do enfraquecimento da procura. O colapso do preço do petróleo levou o seu valor ao nível mais baixo dos últimos cinco anos e a uma queda que pode arrastá-lo para os 50 dólares e até para os 40 dólares o barril, obrigando ao encerramento das extrações por fracking que operam com custos de 60 dólares.

O novo risco para o sistema financeiro
Os alavancados empréstimos semeados no período da euforia do fracking provocam agora novos temores nos mercados financeiros pelos incumprimentos de dívidas que podem afetar todo o comércio internacional. Os baixos preços que se obtêm hoje por cada barril de petróleo levam as companhias petrolíferas a terem dificuldades de pagar os juros dos empréstimos financeiros contraídos no período de auge. E como os fluxos de caixa se reduziram, esta situação também põe a banca em apuros, começando a sofrer um estrangulamento financeiro, e ver-se-á obrigada a elevar as taxas de juro destes empréstimos pelo aumento do risco, acelerando o incumprimento da dívida. Desta forma, a enorme quantidade de dívida que as companhias petrolíferas adquiriram para investir na onerosa tecnologia do fracking converteu-se no novo risco do conjunto do sistema financeiro.

No entanto, o que está em risco agora não é só o fraudulento sistema financeiro mas também as poupanças e os fundos de pensões de milhões de contribuintes em todo o mundo. Desde os resgates bancários do ano de 2008 que houve um grande debate sobre a necessidade de mudar o sistema e evitar esses monstros bancários "demasiado grandes para cair" que tinham de ser resgatados pelos governos. Agora quer-se obrigar os depositantes e os fundos de pensões a cobrir as perdas do sistema financeiro, tal como se fez no Chipre. Como advertimos na altura, o Chipre foi o laboratório para pôr à prova o confisco dos depósitos dos poupadores e dos fundos de pensões.

Esta nova regra foi aprovada na cimeira do G-20 realizada na Austrália no passado mês de novembro e pode ser posta em prática a qualquer momento. Por isso não devemos descartar que a violenta queda dos preços do petróleo seja uma estratégia destinada à apropriação, quanto antes, desses recursos. Se o preço foi manipulado com astúcia e precisão na subida, também pode ser manipulado na baixa para fazer uso quanto antes da nova disposição de Angela Merkel e Jean-Claude Junker. As contas bancárias e os fundos de pensões estão em risco de serem confiscados por esta nova agonia do sistema financeiro, ocasionada desta vez pela excessiva cobiça das empresas petrolíferas.

VENDAS DE NATAL COMBATEM RECESSÃO


Angel Boligan.

LEONARD PLUMER, CONSUMIDOR SORTUDO


Reinaldo.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

LUZILÂNDIA


Luzilândia. Igreja de Santa Luzia, dezembro de 2014. Aqui.

FIM DA CONTROVÉRSIA: UMBANDA E CANDOMBLÉ SÃO RELIGIÕES


Mario.

A EXPANSÃO IMPLACÁVEL DA INTERNET


Xuxa, Jô e o fim das lealdades televisivas

Por Luis Nassif

Ao lado de Arnaldo Jabor, Jô Soares foi a primeira celebridade televisiva a explorar o sentimento de preconceito da classe média alta contra a democracia social que avançava.

Narro isso em minha série "O caso de Veja", de 2008.

De repente, em seu programa Jô critica o ridículo de se tratar qualquer avanço social como "boliviarismo", refere-se de forma simpática a Fidel Castro e ao próprio Evo Morales. Na sequência, a Globo anuncia o fim do público e do conjunto musical em seu programa, como parte de uma estratégia de controle de custos.

Imediatamente, na blogosfera, Jô torna-se um herói da resistência e a redução do seu programa é atribuído a represálias da Globo.

***
Volte-se a cena e recomece-se na ordem correta:

1.    A Globo decide reduzir os custos do programa de Jô e comunica a ele.
2.    Jô rebela-se e, no seu próprio programa, emite opiniões contrárias ao padrão Globo.
3.    A notícia torna-se pública.

Há alguns meses, a Globo enviou uma comitiva para percorrer os principais grupos de mídia do mundo e definir uma estratégia para ela. As recomendações foram na linha da redução drástica de custos, para enfrentar os novos tempos.

***
Até então, o enorme poder de monopólio da Globo permitia-lhe pagar um cast de artistas não aproveitados, apenas para impedir que fossem para a concorrência. Do mesmo modo, comprava campeonatos esportivos que não transmitia como filmes que não passava.

Esse mundo acabou. Ontem, foi anunciado o final do contrato com Xuxa. Outros distratos se seguirão. Jornais e revistas passaram a abrir mão de seu elenco de jornalistas, substituindo-os por uma infinidade de colunistas ou de jovens repórteres.

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Historicamente, o maior investimento dos grupos de mídia era no seu cast. A imagem de atores, jornalistas, colunistas, cantores, era construída como celebridade. Seu perfil não era de mortais comuns. Habitavam um Olimpo e de vez em quando desciam à terra para palestras e confraternizações rápidas com os humanos.

É verdade que, de manhã, tinham que pagar as contas, brigar com os vizinhos, encrencar com as sogras como qualquer humano. Mas o modelo era suficientemente restrito para ser seletivo: poucos deuses jornalistas, poucos deuses atores.

De repente, chega a Internet não apenas colocando em xeque a fórmula financeira dos grupos de mídia, mas explodindo com seu universo de celebridades. Redes sociais, blogs dos mais variados, passam a construir seu próprio Olimpo, banalizando o modelo, que sempre foi peça chave do alcance e da influência dos grupos de mídia.

***
Décadas de investimento em colunistas, correspondentes, atores, celebridades estão sendo jogadas fora devido ao esgotamento financeiro do modelo tradicional de mídia.

Alguns jornalistas estão indo para a Internet, seguindo o caminho dos pioneiros. Outros, buscando as assessorias de imprensa - algumas delas com muito mais jornalistas do que as maiores redações.

Dia desses houve uma bela cerimônia de premiação de jornalistas que reuniu várias gerações, dos anos 70 até os dias de hoje.

Tinha todo o ar de último baile da Ilha Fiscal. Alguns dos premiados ousaram gritos de guerra contra as ameaças à liberdade de imprensa.

Deve ter sido um dos últimos episódios de solidariedade entre jornalistas e empresas. (Fonte: aqui).

CONSTATAÇÃO


Humberto.

O GUIA DE FILMES DO CINEMARDEN


Marden Machado, crítico de cinema, titular do blog Cinemarden, é o que se pode chamar de bamba em seu ofício. Sobre o Guia - a ser lançado em Curitiba-PR no dia 20 -, parafraseando o cartunista Jaguar, declaro: Não li, ainda, mas já gostei.

O OLHO GRANDE MIRA O PRÉ-SAL


Ataque à Petrobras na Bolsa tem nome: entreguem o pré-sal

Por Fernando Brito

O ataque especulativo que as ações da Petrobras estão sofrendo tem um significado muito claro.

Não corresponde, em hipótese alguma, aos “perigos” que os desvios de recursos produzidos por Paulo Roberto Costa e Cia possam ter produzido.

Mesmo que tenham atingido o bilhão de reais que a mídia acena, isso não corresponde, sequer, a um mês de lucro da companhia.

Há razões objetivas óbvias para a queda que passam muito longe deste motivo: a queda de 40% no preço do petróleo no mercado internacional.

Que só é mencionada, nas análises de nosso jornalismo econômico, muito en passant.

As perdas das petroleiras no mercado acionário são generalizadas. Chevron, Shell e BP caíram, desde outubro, algo em torno de 20%.

Claro que as da Petrobras, com ataque desfechado contra a empresa, no último mês, ultrapassaram com folga as demais.

Qual é a chance que o mercado vê?

A primeira, é óbvio, é impor uma derrota a Dilma forçando-a a entregar a cabeça de Graça Foster, em nome de deter o vórtice onde o mercado está lançando a petroleira brasileira.

Mas isso é o tático. O estratégico é…

Deixo que O Globo responda, no editorial que publicou ontem.

“A política brasileira para o petróleo, extremamente concentrada na Petrobras, terá de passar por uma revisão. Há sinais que isso começará a ocorrer em 2015. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) vai propor ao Conselho Nacional de Política Energética uma rodada de licitações no ano que vem com uma oferta que englobe de 200 a 300 novas áreas destinadas à exploração. Após tantos anos sem rodadas ou com ofertas minguadas a potenciais investidores, 2015 pode marcar uma reviravolta na política do petróleo.”

Leiloar áreas petrolíferas, numa hora de depreciação do mercado, é uma loucura que não pode ir em frente. Porque as petroleiras, que não estão dando conta de tudo o que investiram em exploração de novos campos na hora do petróleo em alta, darão o que para assumirem novos compromissos? Nada, é claro, ainda mais tendo que se submeter a políticas de conteúdo nacional e prazos. Mas, aí, para atraí-las, revogam-se as primeiras e dilatam-se os segundos, não é?

Mas tem mais, querem ver?

“O próprio pré-sal também precisa de uma revisão nas regras de exploração de futuros blocos. O governo Lula instituiu o modelo de partilha de produção no pré-sal, tornando a Petrobras operadora única desses blocos, e com uma participação de no mínimo 30% no consórcio investidor. Na prática, ressuscitou o monopólio para essas áreas. Ambas as condições são inexequíveis para a realidade financeira e gerencial da Petrobras.(…) Ainda que mantenha o modelo de partilha para o pré-sal, o governo terá então de rever a obrigação de a Petrobras ser a operadora única dos futuros blocos e ter um limite mínimo de participação nos consórcios.”

Perto do que pretendem fazer com o petróleo brasileiro, Paulo Roberto Costa era ladrão de galinhas… (Fonte: aqui).

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A alegação das companhias externas e seus parceiros internos é de que a Petrobras, com o regime de partilha e a obrigatoriedade de a produção de certos equipamentos e aquisição de outros serem exclusivamente nacionais criou como que uma reserva de mercado, para eles inaceitável. O propósito, assim, é o de derrubar tais obstáculos, e o objetivo final, que começou a ser perseguido desde o nascimento da Petrobras, em 1953, é o de privatizá-la.

FLAGRANTE IRREAL


J Bosco.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

A PREMIAÇÃO DE MARINA SILVA


Direita financista dá prêmio de consolação a Marina Silva

Por Miguel do Rosário

A notícia: Marina foi considerada uma das “mulheres do ano” pelo Financial Times.

Palmas para ela.

Agora vamos às críticas.

Os “gringos” adoram Marina Silva, isso é um fato que ficou notório após a homenagem que fizeram a ela na cerimônia de abertura das Olimpíadas de Londres.

Marina representa tudo o que eles gostariam de ver numa líder política brasileira: submissão aos ditames do mercado financeiro e a estranha determinação de apostar no atraso como estratégia de desenvolvimento.

A Inglaterra, então, ama Marina com paixão, porque é o país onde a mentalidade colonial mais se arraigou.

Origem da revolução industrial, a Inglaterra melhorou a situação de seus trabalhadores transferindo o peso da opressão para o resto do mundo.

Deu certo para os ingleses, mas ajudou a produzir miséria na África e na Ásia.

Através de sua imprensa, a elite inglesa fez campanha por Marina Silva, depois para Aécio.
Marina Silva era mais palatável, porque a sua imagem, colada à bandeira ambientalista, vai ao encontro das fantasias pós-coloniais da maioria dos ingleses.

O Financial Times pertence ao grupo Pearson, uma espécie de super Abril britânica.

O grupo começou no setor da construção civil e chegou a ser a maior empreiteira do mundo. As relações de poder entre a metrópole e suas colônias eram fundamentais, naturalmente, para o sucesso da companhia.

Hoje a Pearson atua no bilionário mercado de livros didáticos, cujos maiores clientes são governos.
Tudo isso ajuda a entender a cultura colonial da corporação.

A Pearson fez campanha para Marina Silva, através do Financial Times, que publicou ao menos duas matérias laudatórias sobre a candidata, antes do primeiro turno.

Em seguida, já no segundo turno, fez campanha para Aécio, através da Economist, que é 50% dela.

E agora a Pearson, através do Financial Times, dá um prêmio de consolação pela dupla derrota da candidata, que não apenas deixou de ir ao segundo turno, como apoiou, na segunda etapa, o candidato perdedor.

O prêmio ajuda a confirmar a teoria que sempre levantamos, sobre Marina ser a representante do mercado financeiro internacional, teoria que ela mesmo ajudou a consolidar quando passou a defender, como sua principal bandeira eleitoral, a independência do Banco Central. (Fonte: aqui).

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Algo deve ser destacado a propósito de Marina Silva: ela tem talento. Foi simplesmente inesquecível sua performance quando, num comício em Fortaleza, na campanha eleitoral, a candidata, singela, sofrida, trajes "madre-tereza", olhar perdido na distância, afirmou, voz embargada: "Eu sei o que é passar fome...". E repetiu, quase sem conseguir conter uma lágrima furtiva: "Eu sei o que é passar fome...". Comovente. Arrebatador. (Dias depois, a jornalista responsável pela biografia de Marina - um compêndio com cerca de 500 páginas, ao que consta - declarou que a candidata jamais falara em fome nas muitas entrevistas a ela concedidas para preparação do livro,  observando algo como "Marina viveu uma infância e adolescência difíceis, apertadas, mas não a ponto de passar fome").

Performance número 2: as fotos em que Aécio Neves beija as mãos da candidata derrotada no primeiro turno e que poucos dias atrás anunciara apoio ao mineiro: conjunto saia e blusa elegantes, cinto caprichado, cabelos presos por lacinho atrás, mas com madeixas descendo charmosamente pelas costas, sorriso esfuziante, olhar vivaz - a ponto de Maurício Rands, coordenador de sua campanha, observar, logo após: "Se tivesse mostrado todo esse charme desde o início, teria ganho no primeiro turno!". Deslumbrante, eis a palavra.

Talento, caros amigos, não é pra todo mundo.

CONTRASTES TEMPORAIS


Reinaldo. (Aqui).

O APERTO ECONÔMICO DO BRASIL E O IMPACTO SALARIAL 2015


A edição de hoje da Folha de São Paulo dá conta de que "Reajuste de salário de autoridades vai gerar impacto de R$ 3,8 bi" - AQUI -, em face da elevação do salário dos ministros do STF, de módicos 22% (além do reajuste de 5% por ano, desde 2012), e do efeito cascata que alcançará a todas as autoridades dos poderes.

Desconhece-se a razão por que a Folha ignorou solenemente o auxílio-moradia, que alcançaria R$ 4.700,00, isento de imposto de renda e do teto salarial do funcionalismo público. O impacto, assim, ultrapassaria os R$ 3,8 bi informados.

A ILUSTRAÇÃO


Petição online contra Bolsonaro já ultrapassa 162 mil assinaturas. Veja aqui.

ENQUANTO ISSO, NO SÉCULO XXI...


Banksy. (UK).