sábado, 22 de novembro de 2014

ARTE GRÁFICA GLOBAL


No Jornal GGN, Pablo Villaça, via Facebook, indaga: "Não sei, não, mas este gráfico da GloboNews parece ter algo errado em sua proporção, concordam?".

Não existe nem sequer 4,7% de dúvida. 

DELAÇÃO EM VOGA


Zop.

DELAÇÃO EM VOGA


Jader.

O CURIOSO TRÂMITE DE CERTAS DROGAS

Crist.

Vitaminas, anfetaminas e o valor de pi

Por Carlos Orsi

O caso da proibição-liberação das anfetaminas e da sibutramina no Brasil desencadeou uma discussão sobre o papel do Estado na regulação do mercado de drogas e medicamentos. Seguindo o exemplo dado pelos Estados Unidos, hoje em dia as autoridades de várias partes do mundo, incluindo o Brasil, exigem, primeiro, que o fabricante que pretende lançar uma nova droga revele do que ela é feita; em seguida, que ofereça prova científica de que o medicamento é seguro; por fim, de que realmente funciona contra a doença ou condição que pretende combater. Há algumas exceções a esses princípios, principalmente em relação ao último, no que diz respeito a suplementos alimentares, vitaminas e medicamentos homeopáticos mas, no geral, a regra é essa.

Por razões óbvias, os governos que seguem esses princípios estabelecem órgãos próprios para avaliar se as provas de segurança e eficácia oferecidas pelos fabricantes são válidas, já que esse tipo de decisão requer uma competência técnica  que não está presente na população em geral. A ação desses órgãos, não raro, gera atritos. Não só porque os técnicos podem se enganar (errar é humano, etc.) ou afrontar interesses econômicos poderosos, mas também por razões ideológicas: afinal, alguém poderia dizer, quem esses burocratas pensam que são para dizer o que uma pessoa pode tomar ou não?

A história da regulação do mercado de medicamentos pelo Estado se confunde, na origem, com a história do jornalismo científico. O início do século 20 viu o auge  da era do "remédio de patente", misturas misteriosas, muitas vezes à base de álcool e drogas pesadas, vendidas livremente com a promessa de operar curas milagrosas. Se você acha que os pais de hoje exageram na ritalina, em 1900 as mães americanas ou britânicas que precisavam trabalhar fora davam a seus filhos o Xarope Calmante da Senhora Winslow, uma mistura de morfina, álcool e amônia. Bastava uma colher de sopa para nocautear os pequerruchos por várias horas.

              O xarope calmante da Senhora Winslow.  EUA, 1900.

A situação começou a mudar graças a um conjunto de reportagens publicado, em 1905, na revista Collier's. Intitulada "A Grande Fraude Americana"  e assinada pelo repórter Samuel Adams, a série -- na qual o jornalista enviava amostra de medicamentos do calibre do Xarope Winslow a químicos, e publicava o resultado das análises -- levou à proposição de uma lei que obrigaria os fabricantes de remédios a declarar a fórmula de seus preparados no rótulo, e proibiria a venda de drogas narcóticas sem receita.

A gritaria, que hoje talvez pudesse ser chamada de "libertária", foi enorme. Os fabricantes disseram que uma lei assim traria o caos para a indústria, e a proposta morreu. Mas, em 1906, uma versão atenuada da lei foi sancionada pelo presidente Ted Roosevelt, exigindo que o conteúdo dos remédios viesse declarado no rótulo. Essa lei viria a gerar a FDA, a Administração de Remédios e Alimentos, que hoje é o principal órgão de regulamentação sanitária do mundo. Graças a essa lei, o primeiro dos três pontos do marco de regulação atual -- o da transparência -- foi adotado.

O passo seguinte foi dado no fim da década de 30, quando uma fábrica de remédios, também nos Estados Unidos, resolveu criar uma versão do antibiótico sulfanilamida que fosse agradável ao paladar infantil. A mistura incluía açúcar, caramelo, essência de amora -- e dietilenoglicol, um éter anticongelante e tóxico. Mais de cem pessoas morreram, e a lei americana foi reformada para exigir que os laboratórios, a partir daí, passassem a ter de demonstrar que suas drogas são seguras, antes de vendê-las. Aí temos o segundo item dos três princípios da regulação, o da prova de segurança. Que só se tornou obrigatória em 1938.

Foi necessária uma terceira tragédia, desta vez em escala internacional -- a da talidomida --  para que o terceiro princípio, o da prova de eficácia, se tornasse obrigatório. Curiosamente, a talidomida não fez vítimas nos Estados Unidos, porque a FDA não a considerou segura, e os problemas da droga não estavam relacionados a sua eficácia. Mas o caso teve o efeito político de ampliar o poder dos órgãos reguladores.

A grande reação contra a crescente regulamentação dos produtos de saúde veio na década de 70, quando a FDA apertou o cerco sobre o mercado de suplementos alimentares e vitaminas. Várias empresas vendiam (como ainda vendem) cápsulas de suplementação que contêm várias vezes as necessidades mínimas diárias desses nutrientes, prometendo (ou insinuando) que essas overdoses podem evitar ou curar vários problemas, de fadiga e resfriado a câncer. A FDA desejava que os fabricantes de suplementos tivessem de oferecer as mesmas provas de segurança e eficácia que o restante da indústria farmacêutica.

A medida foi rechaçada no Congresso americano que, sob forte influência de um poderosos lobby da indústria de suplementos vitamínicos, desautorizou a agência de interferir no mercado de vitaminas e suplementos.

As mãos da FDA foram ainda mais fortemente atadas na década de 90, também graças a um poderoso esforço de lobby da indústria de "produtos naturais", e que incluiu um comercial de TV em que agentes do FBI invadiam o apartamento de Mel Gibson (!!) para confiscar um frasco de vitaminas. Esse lobby levou o Congresso americano a definir uma categoria especial de produto farmacêutico, a de "suplemento alimentar", que foi deixada fora da jurisdição da FDA.


              O ator Mel Gibson: comercial de vitaminas.

Como disse um especialista, citado no livro Do You Believe in Magic?, do médico Paul Offit, "ponha cérebro de carneiro num remédio ou num alimento e você terá de gastar milhões de dólares e alguns anos provando que ele é seguro e eficaz; ponha num suplemento e tudo bem, nenhuma prova é necessária".

Comparar a decisão do Senado brasileiro, que passou por cima de medida da Anvisa a respeito dos inibidores de apetite, ao desmonte do poder da FDA sobre vitaminas e suplementos alimentares pode soar exagerado, mas seria mesmo? Em ambos os casos, um órgão legislativo restringiu o exercício da função mais básica de uma agência de regulamentação sanitária,  a de estabelecer a segurança e eficácia dos produtos farmacêuticos.

O que é uma questão técnica, não política. O Senado brasileiro tem tanta competência para decidir que os inibidores de apetite são seguros e eficazes, em 2014, quanto a Assembleia Legislativa de Indiana tinha para definir que pi deveria valer 3,0, em 1897. (Fonte: aqui).

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O texto não é tão recente - mas o conteúdo será sempre atual.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

A COISA VEM DE LONGE (AGORA, FINALMENTE, HÁ CHANCE DE MUDAR)


Jarbas.

PHILAE: LUZ SOLAR, GAROTO, LUZ SOLAR


Zop.

SOBRE O MAL DO BRASIL E SEU PROCESSO DE CURA


"Não sendo petista, e sim tucano, sinto-me à vontade para constatar que essa onda de prisões de executivos é um passo histórico para este país

Nossa empresa deixou de vender equipamentos para a Petrobras nos anos 70. Era impossível vender diretamente sem propina. Tentamos de novo nos anos 80, 90 e até recentemente. Em 40 anos de persistentes tentativas, nada feito.

Não há no mundo dos negócios quem não saiba disso. Nem qualquer um dos 86 mil honrados funcionários que nada ganham com a bandalheira da cúpula.

Os porcentuais caíram, foi só isso que mudou. Até em Paris sabia-se dos "cochons des dix pour cent", os porquinhos que cobravam 10% por fora sobre a totalidade de importação de barris de petróleo em décadas passadas.

Agora tem gente fazendo passeata pela volta dos militares ao poder e uma elite escandalizada com os desvios na Petrobras. Santa hipocrisia. Onde estavam os envergonhados do país nas décadas em que houve evasão de R$ 1 trilhão --cem vezes mais do que o caso Petrobras-- pelos empresários?

Virou moda fugir disso tudo para Miami, mas é justamente a turma de Miami que compra lá com dinheiro sonegado daqui. Que fingimento é esse?

Vejo as pessoas vociferarem contra os nordestinos que garantiram a vitória da presidente Dilma Rousseff. Garantir renda para quem sempre foi preterido no desenvolvimento deveria ser motivo de princípio e de orgulho para um bom brasileiro. Tanto faz o partido.

Não sendo petista, e sim tucano, com ficha orgulhosamente assinada por Franco Montoro, Mário Covas, José Serra e FHC, sinto-me à vontade para constatar que essa onda de prisões de executivos é um passo histórico para este país.

É ingênuo quem acha que poderia ter acontecido com qualquer presidente. Com bandalheiras vastamente maiores, nunca a Polícia Federal teria tido autonomia para prender corruptos cujos tentáculos levam ao próprio governo.

Votei pelo fim de um longo ciclo do PT, porque Dilma e o partido dela enfiaram os pés pelas mãos em termos de postura, aceite do sistema corrupto e políticas econômicas.

Mas Dilma agora lidera a todos nós, e preside o país num momento de muito orgulho e esperança. Deixemos de ser hipócritas e reconheçamos que estamos a andar à frente, e velozmente, neste quesito.

A coisa não para na Petrobras. Há dezenas de outras estatais com esqueletos parecidos no armário. É raro ganhar uma concessão ou construir uma estrada sem os tentáculos sórdidos das empresas bandidas.

O que muitos não sabem é que é igualmente difícil vender para muitas montadoras e incontáveis multinacionais sem antes dar propina para o diretor de compras.

É lógico que a defesa desses executivos presos vai entrar novamente com habeas corpus, vários deles serão soltos, mas o susto e o passo à frente está dado. Daqui não se volta atrás como país.

A turma global que monitora a corrupção estima que 0,8% do PIB brasileiro é roubado. Esse número já foi de 3,1%, e estimam ter sido na casa de 5% há poucas décadas. O roubo está caindo, mas como a represa da Cantareira, em São Paulo, está a desnudar o volume barrento.

Boa parte sempre foi gasta com os partidos que se alugam por dinheiro vivo, e votos que são comprados no Congresso há décadas. E são os grandes partidos que os brasileiros reconduzem desde sempre.

Cada um de nós tem um dedão na lama. Afinal, quem de nós não aceitou um pagamento sem recibo para médico, deu uma cervejinha para um guarda ou passou escritura de casa por um valor menor?

Deixemos de cinismo. O antídoto contra esse veneno sistêmico é homeopático. Deixemos instalar o processo de cura, que é do país, e não de um partido.

O lodo desse veneno pode ser diluído, sim, com muita determinação e serenidade, e sem arroubos de vergonha ou repugnância cínicas. Não sejamos o volume morto, não permitamos que o barro triunfe novamente. Ninguém precisa ser alertado, cada de nós sabe o que precisa fazer em vez de resmungar."




(De Ricardo Semler, empresário, sócio da Semco Partners, na Folha de São Paulo. "Nunca se roubou tão pouco" - aqui).

PENSAMENTOS CONSTRUTIVOS


Kayser.

ENCONTRO SURREAL: HITCHCOCK E OS SONHOS PINTADOS POR DALÍ


A vertigem surrealista de Alfred Hitchcock

Por Roberto Acioli de Oliveira

O que chamou atenção de Hitchcock foi o “ultra-realismo” das imagens de sonho de Dalí, muito diferentes da maneira como o cinema costumava representar estados alterados da percepção

A premissa de Quando Fala o Coração (Spellbound, 1945) afirma que uma experiência reprimida gera neurose. Embora na opinião de Sarah Cochran esta pareça uma abordagem datada, na época foi suficiente para levar o longa-metragem a receber uma indicação de melhor filme no Oscar de 1946 – mas ganhou na categoria trilha sonora. David O. Selznick, o produtor de Alfred Hitchcock e de Quando Fala o Coração, era ele próprio um psicanalisado e contratou um terapeuta como consultor técnico. O caráter “científico” da obra foi bastante promovido pela propaganda, como se pode ver inclusive na abertura do filme: “Nossa história é sobre a psicanálise, o método pelo qual a ciência moderna trata os problemas emocionais (...)”. Quando Fala o Coração foi o primeiro mergulho de Hitchcock sobre as repercussões neuróticas ou psicóticas de um choque psicológico, tema que voltaria a inspirá-lo em Um Corpo que Cai (Vertigo, 1958), Psicose (Psycho, 1960) e Marnie, Confissões de Uma Ladra (Marnie, 1964). Chamou muito a atenção de Hitchcock o fato de que os sonhos pintados por Dalí forçariam uma mudança da forma como o cinema representava os sonhos – com imagens borradas ou fora de foco.

              Salvador Dalí: Tesoura no olho.

Hitchcock desejava até mesmo filmar ao ar livre, como eram as imagens da maioria dos quadros de Dalí. Mas seu produtor cortou os custos e tudo seria feito em estúdio, mesmo as sequências de sonhos tiveram seu número reduzido. A cena do homem cortando um olho com uma tesoura certamente é uma citação de Um Cão Andaluz (Un Chien Andalou, direção Luis Buñuel e Salvador Dalí, 1929). Mas ao contrário do que possa parecer, esta cena já estava no roteiro antes do envolvimento de Dalí na produção. Sua maior contribuição, de acordo com Cochran, foi a criação da atmosfera inquietante da sequência do pesadelo. Depois do trabalho terminado, Selznick se preparou para montar o filme quando percebeu que problemas com a iluminação e outras questões técnicas implicariam na remontagem da sequência do sonho – sem a participação de Dalí. No final, os créditos do filmes se referem à sequência como “baseada nos desenhos de Salvador Dalí”. (,,,).

              'Quando fala o coração': Ingrid Bergman, Gregory Peck - 1945.

Foi o próprio Hitchcock que desejou trabalhar com Dalí. Embora Selznick acreditasse que era por causa do nome do famoso surrealista, Hitchcock explicou que gostava da maneira como Dalí desenhava os sonhos, com longas perspectivas e sombras negras. Selznick reclamou da exigência de Dalí para ficar com a propriedade de todo o material que ele produzisse. Mas só até depois de saber que o artista catalão já havia feito o mesmo tipo de contrato com a rival Twentieth Century Fox, para a sequência de pesadelo em Brumas (Moontide, direção Archie Mayo e Fritz Lang [não creditado], 1941) – embora o estúdio tenha desistido de utilizar o trabalho de Dalí. Outra questão foi o quanto Selznick estava disposto a gastar; o pagamento proposto inicialmente estava muito abaixo do valor do nome de Dalí na época. Mas eles sabiam muito bem que o nome de Dalí era boa propaganda, mesmo que o problema com Brumas fossem os questionamentos a respeito da posição política do artista: a Segunda Guerra estava em curso e Dalí era visto como um simpatizante do Fascismo, o que levou Hollywood a repensar seu interesse pelo artista. Mas tudo o que parecia interessar Selznick era que Dalí havia sido capa da revista Life. (Fonte: aqui).

A FOTO


Neil Perrin. Grã Bretanha. Concurso de fotografias Faith Through a Lens (A fé através das lentes), novembro 2014.

QUANDO OS RITUAIS DA CHUVA DANÇARAM

                 Thor, mesmo sob a forma de sapo, controla chuvas e tempestades.

Rituais místicos para trazer chuva: uma análise sobre as falácias

Por Carlos Orsi

Até algum tempo atrás, o escritor Paulo Coelho volta e meia dizia que, entre seus poderes mágicos, estava o de fazer chover. No entanto, em entrevista concedida à revista Veja, em 2001, o esotérico da Academia Brasileira de Letras mostrava-se bem mais blasé quanto à habilidade de manipular do clima: “Esse negócio de fazer chover, por exemplo. Pô, o que que isso vai me ajudar?”, disse ele, conforme registrado aqui. Imagino que seria de se esperar que, diante da atual crise hídrica que assola São Paulo – e que vai tomando conta do país – Coelho adotasse uma postura menos egocêntrica em mais afinada com o espírito público.

Na Bíblia, fazer chover era, como diz o historiador Geza Vermes (1924-2013), uma prerrogativa dos homens de Deus. No Primeiro Livro de Reis, o profeta Elias ameaça: "Juro pelo nome do Senhor, o Deus de Israel, a quem sirvo, que não cairá orvalho nem chuva nos anos seguintes, exceto mediante a minha palavra". Durante a ocupação romana da Palestina, um pouco depois do tempo de Jesus, surgiu uma figura carismática, Honi o Traçador de Círculos, que usava a seguinte técnica para pôr fim à seca: ele desenhava um círculo no chão e dizia a Deus que não sairia de lá até que chovesse. Vermes nota que “o comportamento caprichoso de Honi o faz parecer uma criança mimada”. Os relatos que chegaram até nós sugerem que Honi foi bem-sucedido em sua birra, o que propõe um interessante curso de ação para as dúzias de apóstolos e profetas que se acotovelam nos templos e nas esquinas, hoje em dia.

Em termos práticos, o eventual “sucesso” de rituais para fazer chover é um exemplo da falácia lógica post hoc, ergo propter hoc – latim para “depois disso, logo por causa disso”. Assim, fez-se o rito, e algum tempo depois, choveu. Daí supõe-se se a chuva foi trazida pelo ritual. No entanto, sem uma explicação convincente do mecanismo de ligação entre a cerimônia e a chuva, a suposição faz tanto sentido quanto achar que tomar leite causa gripe, porque é um fato que a maioria das pessoas que fica gripada tomou um pouco de leite – ou comeu queijo, ou manteiga, ou chocolate, ou um doce com creme – em algum momento antes dos sintomas aparecerem.

Nas superstições, a falta de conexão entre a suposta causa e o efeito constatado é suprida pelas chamadas leis do pensamento mágico. Uma delas é a lei da semelhança: coisas de aparência semelhante são capazes de afetar uma à outra, ou o que acontece à imagem acontece ao objeto. Outra é a lei do contágio: coisas que estiveram em contato no passado, ou que fizeram parte de um mesmo todo, preservam propriedades essenciais uma da outra.

Essas leis, por mais que careçam de confirmação empírica, têm raízes profundas no psiquismo humano, e ninguém escapa de usá-las, ainda que apenas num nível intuitivo. Um experimento psicológico muito citado, publicado originalmente em 2007, mostrou que pessoas adultas têm dificuldade em acertar um alvo, com dardos, quando esse alvo é a foto de uma criança, e que sentem menos simpatia por alguém que acreditam ter pisado em excremento – ambos indicadores do apelo visceral dos princípios da semelhança e do contágio.

Um fato que milita a favor da mágica para fazer chover é que, a menos que se tenha o azar de viver numa época de mudança climática radical, cedo ou tarde, toda seca acaba. Alguém que diga que vai chover assim que ele estalar os dedos está se expondo a um risco tremendo; mas alguém que diga que seu estalo de dedos cria as condições para que chova em algum momento das próximas semanas tem uma chance razoável de ver sua previsão realizada, nem que seja pela mais miserável das garoas. (Fonte: aqui).

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

DERROTADOS RADICALIZAM


Thomate.

LAVA JATO ESTÁ DECRETANDO A MORTE DO JEITINHO


Legado da crise será Petrobras mais forte

Do Portal Brasil247

No plano imediato, o furacão Lava Jato que está sacudindo a Petrobras vai resultando em punições à empresa no mercado financeiro. Nesta (semana), após a presidente  Graça Foster anunciar nada menos que 60 medidas para aprimorar os mecanismos de governança corporativa, os papeis da estatal caíram forte (na segunda-feira), em menos 5% no fechamento do pregão. No entanto, no médio e longo prazos a Petrobras está lançando as bases para um futuro de fortalecimento.

Pela primeira vez, a partir de um trabalho conjunto entre a Justiça e a Polícia Federal, o País está assistindo à prisão de corruptores, além de obter a extração de depoimentos detalhados de corruptos sobre operações criminosas. Como nunca antes, os elementos de investigação vão se somando a ações práticas apresentadas em rede nacional à Nação, na forma de prisões em série sob justificativas bastante compreensíveis ao nível popular. Pedra sobre pedra, como disse a presidente Dilma Rousseff, vão caindo para derrubar o código não escrito do 'sempre foi assim' para dar lugar ao novo momento de 'isso não será mais assim'.

A institucionalização da delação premiada está na base dessa transformação dura, porém em todos os aspectos positiva. A partir de agora, o relacionamento entre agentes públicos e privados mal intencionados não será mais o mesmo, uma vez que o medo real de prisões e processos finalmente se materializou.

O que está surgindo  em torno do escândalo da Lava-Jato é absolutamente inédito em relação ao passado. O processo de esconder escândalos em baixo do tapete, obter salvos-condutos junto à mídia e fazer, assim, a blindagem de malfeitos foi ultrapassado pelos fatos. As instituições estão se mostrando muito mais fortes do que o jeitinho de sempre.

Não é, portanto, pouca coisa que está em mudança. Dentro da Petrobras, a criação de uma nova diretoria de Governança promete mudar o padrão ético do relacionamento da companhia com o mundo de negócios que a cerca. Empresas com ficha suja não poderão mais ter negócios com a companhia. Para os corruptores, que até agora gozavam, na prática, de imunidade, os bons tempos acabaram. Caçados no Brasil, eles estarão em listas de procurados pela Interpol. Para eles, o mundo ficou menor, com chances de fuga bastante reduzidas. Ao mesmo tempo, recentes alterações nas leis financeiras e contra a lavagem de dinheiro acabaram com as contas sem identificação clara. Significa que guardar somas enormes de dinheiro sujo passa a ser cada vez mais complicado.

Esse conjunto de fatores aponta para uma espécie de refundação, em termos bem mais nobres que os anteriores, das relações entre empresários e o poder público. De inteiramente promíscuas, como se vê nas descobertas da Lava-Jato, elas terão de se tornar, queira-se ou não, de respeito e receio. Propostas sobre obter vantagens ilícitas em cima de contratos milionários vão sendo sufocadas pelo avanço da tecnologia, que a tudo escuta e vê, e, principalmente, pelo medo renovado dos agentes que potencialmente podem se envolver em problemas dessa natureza. O elemento medo de ir para a cadeia vai falar mais alto nessas horas. O maior legado da Lava Jato, ao lado de todas as recuperações de recursos que vão sendo conseguidas, está em seu efeito multiplicador sobre muitas outras tentativas de fraude que deixarão de ser consumadas ou, quando feitas, apanhadas pelas autoridades. (Fonte: aqui).

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Matéria publicada no início da semana, merecedora de reprodução, mesmo com atraso, dada a pertinência de seu conteúdo.

THE BOOK AND THE TABLET


Mahmoud Azadnia. (Irã).

GENIVAL SANTOS: PARTIU UM DOS REIS DO BREGA


O adeus de Genival

Por Mauro Ferreira

O cantor paraibano Juvenal Joaquim dos Santos (1941 - 2014) - conhecido por seu nome artístico de Genival Santos - fez parte do time de intérpretes associados à música romântica pejorativamente rotulada como brega por seu caráter sentimental. São cantores populares no Nordeste do Brasil e, não raro, desvalorizados no eixo Rio-São Paulo. Foi no Nordeste que Genival nasceu - em Campina Grande (PB) - e foi no Nordeste que saiu de cena ontem, 18 de novembro de 2014, aos 73 anos, vítima de câncer, em hospital de Fortaleza (CE), cidade para onde o artista migrou nos anos 1990. No caso de Genival Santos, contudo, ter vindo para o Rio de Janeiro - Estado aonde se radicou com a família aos seis anos e aonde viveu boa parte de seus 73 anos de vida - foi decisivo para que alcançasse visibilidade nacional no início dos anos 1970 através do programa do apresentador de TV Flávio Cavalcanti (1923 - 1986). Em sua primeira ida ao programa, foi gongado pelo apresentador e pelo júri da atração. Mas, diante da pressão do público, voltou à cena, no mesmo programa, para dar voz à música Meu coração pede paz, faixa-título de seu primeiro álbum, lançado em 1972. Ao longo de toda a década de 1970, Santos - que começara a carreira de cantor em boates da cidade do Rio de Janeiro (RJ) - manteve bem-sucedida carreira fonográfica com álbuns como Eu não sou brinquedo (1975), Vem morar comigo (1976), Se for preciso (1977) e Preciso parar para pensar (1978), que lhe renderam os sucessos Se errar outra vez, Sendo assim, Eu lhe peguei no flagra - o maior deles - e Preciso parar para pensar, respectivamente. Genival Santos gravou álbuns regularmente até a primeira metade dos anos 1980. Entre eles, Livro aberto (1980), Crise de amor (1981), Peço bis (1982), Porque será (1983) e Nossas brigas (1985). A partir da segunda metade da década de 1980, no entanto, sua carreira fonográfica entrou em progressivo declínio, embora o cantor tivesse mantido no Nordeste um público cativo e apaixonado que lhe garantiu uma agenda regular de shows até os últimos anos. (Fonte: aqui).

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"(...) também tomei muitas lapadas, quero dizer, goladas de cerveja tirando gosto com carne de sol ou galinha assada em mercearias, barzinhos e biroscas em cidades grandes e povoados do Piauí, Paraíba, Maranhão e Rio Grande do Norte, onde trabalhei um tempão no BB, com muita honra. E, claro, inúmeras vezes ao som de músicas bregas, capitaneadas por Genival e sequenciadas por Bartô Galeno (compôs e canta uma em que cada verso é o título de uma canção do Rei RC), Carlos André ("eu hoje quebro essa mesa, se meu amor não chegar"), José Ribeiro ("tens o perfume da rosa"), Reginaldo Rossi, Alípio Martins ("garota, não seja boba, não"), Fredson ("até no inferno eu vou lhe buscar) e outros monstros sagrados. Quando um cara bacana se vai, a gente fica triste. Mas, se vai o cara, os clássicos ficam. Palmas para Genival!
- (Comentário de minha lavra, feito no Jornal GGN, post de autoria de Luciano Hortêncio, intitulado "E lá se vai Genival Santos, um dos grandes do brega" - aqui).

DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

                 'Negra Maria Felipa', por Bruno Aziz.

O negro e o racismo na mídia

Por Francisco Fernandes Ladeira

Em 20 de novembro comemoramos o Dia da Consciência Negra. A escolha da data não foi por acaso. Remete à morte do líder negro Zumbi dos Palmares, ocorrida em 1695. Conforme é do conhecimento de todos, os negros foram arrancados de suas terras na África e escravizados durante mais de três séculos e meio no Brasil. Após a abolição da escravatura, os negros libertos não receberam qualquer tipo de assistência estatal, transformando-se em verdadeiros párias da sociedade brasileira. 

Segundo o sociólogo Florestan Fernandes, o afrodescendente também foi excluído da nascente “sociedade de classes” no Brasil, pois não exerceu a função de proletariado (destinada ao imigrante europeu) e muito menos ocupou posições de capitalista. Lembrando um clássico samba-enredo da Estação Primeira de Mangueira, apesar de livres do açoite e da senzala, os negros continuam presos na miséria da favela.

Sendo assim, o Dia da Consciência Negra é uma data para lembrar a resistência dos cativos à escravidão e refletir sobre a atual situação do elemento de cor em nosso país, principalmente a maneira pela qual ele é retratado na mídia hegemônica. Nesse sentido, não é preciso uma longa análise hermenêutica para constatar que nos principais meios de comunicação de massa os negros ainda continuam sendo associados a antigos estereótipos como a “mulata sensual”, o “bandido” ou o “negro malandro”; e a profissões consideradas socialmente inferiores, como empregadas domésticas e jardineiros. Nas campanhas publicitárias são raros os rostos de pele escura.

Libertação inconclusa

O nefasto estereótipo da mulher de cor associado à libido, por exemplo, encontrou nos meios de comunicação de massa um terreno fértil para a sua propagação. Nas principais telenovelas da Rede Globo, geralmente as atrizes negras interpretam a mulher de vida fácil, a “gostosona” ou a amante. Em 2004, a primeira trama protagonizada por uma atriz negra (Tais Araújo) trazia o tendencioso título de A Cor do Pecado (evidentemente que o “pecado” em questão é a luxúria). 

Conforme bem lembrou Daniel Oliveira, em artigo no jornal O Tempo, a televisão brasileira não possui um único autor de teledramaturgia negro. “Muito já foi falado sobre a quase inexistência de protagonistas e atores não-brancos nas novelas, ou a baixa diversidade dos elencos. Mas pouco ainda se discute sobre a raiz desse alvejamento: a ausência de negros roteiristas e diretores, nas posições de real controle criativo dessas produções”, enfatizou Daniel. 

Já o maior símbolo do carnaval da emissora da família Marinho é a “mulata Globeleza”, que costuma se apresentar de uma maneira extremamente sensual. Não obstante, o polêmico seriado Sexo e as Nêga, que estreou recentemente, ao exibir várias cenas de mulheres negras em situações libidinosas, só vem a corroborar a tese de que, em pleno século 21, a grande mídia brasileira ainda continua sendo norteada por um sexismo racista herdado do período escravocrata.

Além da estigmatização em telenovelas, os negros também são ridicularizados nos programas de humor (o famoso “politicamente incorreto” nada mais é do que um eufemismo para disseminar preconceitos), tratados de maneira humilhante nos programas policiais e encontram em publicações da imprensa conservadora (principalmente na revista Veja) um importante obstáculo para as suas principais causas e reivindicações (como o sistema de cotas raciais e políticas sociais para a população mais pobre). Em suma, mais de trezentos anos após a sua morte, a luta de Zumbi dos Palmares pela verdadeira libertação do negro continua atual. (Fonte: aqui).

* Francisco Fernandes Ladeira é especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e professor de Geografia em Barbacena, MG

THE FACE AND THE BOOK


Mahmoud Nazari. (Irã).

BRASIL: O DECLÍNIO DA POBREZA CRÔNICA

                Flagrante nordestino.

Pobreza crônica caiu para 1,1% da população brasileira, diz Tereza Campello

Em onze anos, a pobreza multidimensional – aquela que considera todas as dimensões, não apenas a baixa renda – caiu de 8,3% para 1,1% da população brasileira. Os dados foram divulgados pela ministra de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, nessa quarta-feira (19).

A redução foi ainda maior entre negros, nas famílias com crianças e no Nordeste brasileiro. Se antes a região concentrava cerca de 18% de pobreza, hoje ela tem 1,9%. Entre os negros, a queda brusca também foi de 12,6% para 1,7%. E nas famílias com pelo menos um filho de seis anos ou menos, esse número despencou de 13,4% para 2,1%.

Os avanços foram percebidos pelos dados de metodologia do Banco Mundial, que considera renda de até R$ 140 mensais e indivíduos privados de três entre sete necessidades como educação, saúde, habitação e acesso a bens e serviços, são caracterizados como pobreza crônica.

A ministra justifica parte dos avanços pelo Plano Brasil Sem Miséria, que hoje beneficia 14 milhões de famílias. Mas lembra que não é só. "Muita gente acaba atribuindo ao Bolsa Família, mas o programa é apenas parte de um modelo de desenvolvimento econômico inclusivo", ressaltando o conjunto de políticas públicas que geraram o aumento do salário mínimo, empregos e fortalecimento da agricultura familiar.

Os dados foram transmitidos no “I Seminário Internacional WWP - Um Mundo sem Pobreza”, que começou em Brasília nesta terça-feira (18) e terminou ontem (19).

População jovem
Durante a sua apresentação, Tereza Campello também destacou o investimento brasileiro que traz benefícios à maior faixa etária presente no país: os jovens e adultos de 16 a 45 anos. Esta informação também foi lançada no seminário pelo Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA).

 "A juventude hoje é uma das questões centrais em nossa agenda de educação", disse a ministra, citando as ações de qualificação profissional, como o Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego), o Prouni (Programa Universidade para Todos) e o Fies (Financiamento Estudantil).

Tereza Campello alertou que o Brasil precisa aproveitar melhor a produtividade dos jovens e ampliar os seus direitos, sobretudo no campo da educação.  "O principal ganho que temos com o Bolsa Família é que ele está garantindo que as crianças pobres estejam em sala de aula", completou. (Fonte: aqui).

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Boa notícia para as comemorações do dia nacional da consciência negra. 

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Folha de São Paulo:

'Maior desafio é combater preconceito contra o pobre', diz a ministra do Bolsa Família

Após uma campanha eleitoral acirrada, em que parte da sociedade brasileira vilanizou os beneficiários de programas como o Bolsa Família – muitos deles, pobres e nordestinos –, resta a necessidade de "combater o preconceito contra o pobre", na opinião da ministra do governo federal responsável pelos programas.

Há quase quatro anos à frente do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, a economista Tereza Campello encabeça iniciativas que marcaram os governos petistas na última década, entre eles o Bolsa Família e o Plano Brasil Sem Miséria.

"A gente não pode pegar esse ódio de meia dúzia de pessoas absolutamente nefastas que falam absurdos do Bolsa Família e achar que isso é o Brasil", diz a ministra, que cita dados comprovando que os brasileiros, em sua maioria, apoiam os programas sociais.

(Para continuar, clique aqui). 

EMPREGO E RENDA AVANÇAM

                  OH, YEAH!!!

O desemprego caiu a 4,7% no mês passado, menor nível para outubro desde 2002, quando o IBGE passou a adotar os critérios de aferição vigentes. Ao mesmo tempo, a renda média do trabalhador e a ocupação no mercado de trabalho cresceram.

Em setembro passado, a taxa de desemprego havia ficado em 4,9%. 

A população ocupada cresceu 0,8%  sobre setembro, chegando a 23,278 milhões de pessoas, enquanto que a desocupada caiu 3,5% na comparação mensal, atingindo 1,142 milhão de pessoas.

O IBGE informou ainda que a renda média real subiu 2,3% em outubro sobre setembro e 4% sobre um ano antes, a 2.122,10 reais.

De fato, Oh, Yeah!

ELEIÇÕES 2014: TATAME E TAPETÃO


Zop.

OS INCONFORMADOS PULULAM


Quem são os bandidos do ato golpista

Por Laura Capriglione

Acostumados a se esgueirar pela noite, sempre em bandos, em busca de homossexuais e negros andando desacompanhados (para cobrir de porradas, quem sabe matar), predadores neonazistas agora deram para exibir sua truculência à luz do dia.

Como participantes das manifestações que a direita paulistana vem promovendo para disseminar seus ideais golpistas, esses órfãos de Hitler parecem ter encontrado uma turma disposta a acolhê-los e legitimá-los, como se fossem apenas mais alguns entre os opositores do governo da presidente Dilma Rousseff, do PT, recém-eleita.

Seria apenas uma moçada jovem, careca e muitas vezes musculosa exercendo o sagrado direito democrático de manifestação e expressão.

Só que não.

Nas redes sociais, essa gente reúne-se em comunidades com nomes carregados de simbolismos de violência explícita, como Carecas do ABC, CCC (uma homenagem ao velho Comando de Caça aos Comunistas, organização paramilitar de direita que teve seu apogeu nos anos 1970), Frente Integralista Brasileira (uma contrafação de organização nazista), Confronto 72 (anti-semita e skinhead), além do Combate RAC (Rock Contra o Comunismo) e do Front 88 (a oitava letra do alfabeto é o H; HH dá “Heil, Hitler”, a saudação dos nazistas).

Trata-se de grupos que cultivam o ódio como definição existencial, como se viu no ato público realizado no sábado (15/11) pelo impeachment de Dilma.

Pois bastou a tais lobos encontrarem a repórter-fotográfica Marlene Bergamo, da “Folha de S.Paulo”, que registrava a manifestação tendo ao lado Marcelo Zelic, vice-presidente do grupoTortura Nunca Mais-SP, para começarem a salivar.

Armados de socos ingleses, muitos carecas, vestidos com camisetas ilustradas com a bandeira de São Paulo, ou com os dizeres “Fora Dilma”, ou “Hate” (Ódio), ou “Proud” (Orgulho), acharam-se no direito de urrar nos ouvidos de quem desconfiavam ser “petralha”: “Comunistaaaaa!”, “Vai pra Cubaaaaaa!”

Como hienas excitadas, e sempre em bando, prometiam “limpar a rua desses malditos”. Logo um deles desferiu cusparada no rosto de Zelic. Outro estapeou Marlene quando viu que ela filmava a agressão.

Covardes.

É claro que a direita “fina” quer parecer distante dessa turma. Não pega bem aparecer ao lado de facínoras tatuados com o número 88, ou exibindo a Cruz de Ferro com a suástica, com que se condecoravam os militares alemães, durante o Terceiro Reich.

O candidato a vice-presidente na chapa de Aécio Neves, o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), totalmente sem eixo, perspectiva e nem noção, achou de comparecer ao ato, mas sem subir nos carros de som.

Sua adesão, entretanto, foi comemorada pela malta. Que o tucano, agora, não alegue desconhecimento sobre quem seriam seus companheiros de passeata.

A última que essa gente patrocinou,no dia 1º de novembro, acabou nas portas do Comando Militar do Sudeste, o antigo Segundo Exército, no bairro do Paraíso, em São Paulo, implorando pela“Intervenção Militar Já”.

Foi, aliás, nas tristes instalações do Segundo Exército, em seu anexo mais soturno, o DOI-Codi, que o jornalista Vladimir Herzog foi assassinado em 1975, por bandidos anti-comunistas como esses que cuspiram no rosto do ativista e bateram na fotógrafa.

E o que dizer da paralisia da Polícia Militar diante das ameaças dos fascistas? Estaria inebriada com os gritos de “Viva a PM!”, entoados pela turba?

Todos se lembram quando, nas manifestações contra a Copa, a PM revistava mochilas e confiscava qualquer apetrecho “suspeito”, levando preso o seu proprietário.

Foi assim que um frasco contendo líquido amarronzado e cheirando chocolate, que depois a perícia provou ser Toddynho mesmo, custou quase dois meses de prisão a um manifestante.

No ato pelo impeachment da presidente Dilma, contudo, a polícia fez-se se de morta, enquanto rapazes com socos ingleses, canivetes e nunchakus (arma usada por praticantes de artes marciais) desfilavam impunemente, arrostando sua violência e arreganhando os dentes.

Na hora em que essa gente matar alguém, que pelo menos o senador Aloysio e o comando da PM não digam que foram pegos de surpresa. Seu silêncio e inação são cúmplices. (Fonte: aqui).

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

NADA SERÁ COMO ANTES (II)


Nani.

NADA SERÁ COMO ANTES


Amarildo.

AINDA FRANCIS E A PETROBRAS

              Paulo Francis. Foto de Paulo Garcez. O Pasquim, anos 70.

Justiça a Paulo Francis, ainda que tardia

Por Maristela Basso

Paulo Francis morreu em fevereiro de 1997, em Nova Iorque, de um enfarte fulminante causado, em boa parte, pelo desgosto e sentimento de injustiça que corroeu sua alma e seu coração, e nos privou do cara mais chato e irremediavelmente brilhante e encantador que o Brasil já teve.  Francis estava sob a enorme pressão resultante de um processo judicial ardilosamente proposto contra ele nos Estados Unidos por suposta calúnia contra a Petrobras.

Pouco antes, no Programa de TV a cabo do qual participava, o Manhattan Connection, transmitido pela GNT, à época, Paulo Francis sugeriu a privatização da Petrobras e chamou atenção para o fato de que seus diretores desviavam dinheiro para contas na Suíça, e era preciso investigar. Contudo, Francis não tinha provas. Jornalistas geralmente não as têm. Suas fontes são, em geral, secretas. Elas dizem o que sabem, vivem e veem, e por temerem por suas vidas preferem ficar no anonimato. Nesses casos estamos diante das chamadas “provas diabólicas”: excessivamente difíceis de serem produzidas. A credibilidade de Francis e a solidez do Programa deveriam ser suficientes para dar sustentação à denúncia e justificar a investigação no Brasil. O que não ocorreu, e tivemos que esperar até muito recentemente para que os mandos e desmandos da Petrobras começassem a ser investigados.

Após a denúncia de Paulo Francis, os sete diretores da Petrobras, liderados pelo então Presidente, Joel Rennó, decidiram cobrar reparação judicial pelo suposto dano moral resultante da calúnia que alegaram ter sofrido e, para tanto, buscaram o Poder Judiciário dos Estados Unidos, conhecido pela receptividade desse tipo de ação e por fixar indenizações milionárias. Os diretores da estatal fizeram o que em Direito se chama de “forum shopping”, isto é, recorrer ao judiciário de um país cuja legislação é mais favorável e as decisões dos tribunais mais palatáveis ao caso que se pretende ver julgado.

E assim foi. A Justiça americana mandou Paulo Francis indenizar os diretores em 100 milhões de dólares, mais custas e honorários. Muitos brasileiros ilustres, em vão, bateram na porta do Presidente Joel Rennó para que desistisse de cobrar de Francis – que não tinha os meios necessários. Francis, em seu calvário melancólico pós-sentença, começou por transferir sua dor moral para uma simples bursite e desta migrou, definitivamente, para uma bomba no seu coração. Lá se foi a figura agridoce mais extraordinária de todos os tempos e um “gentleman” como não se viu mais.

E como seguir agora sabendo que era tudo verdade? E, o pior: a roubalheira era muito maior e que não tão poucos por tanto tempo roubaram tudo que podiam.

Paulo Francis merece ter sua memória recomposta. Sem lhe fazer justiça estamos fadados e nos igualar aos seus algozes. É o mínimo que podemos fazer por ele. Para tanto, é preciso que seus herdeiros e sucessores voltem ao Poder Judiciário americano com uma ação de recuperação da imagem e erro judicial – frente às provas de que dispomos agora. É preciso responsabilizar a Justiça americana da morte de Francis, haja vista que nenhuma sentença pode ser proferida sabendo-se que o condenado não teria os meios de pagar – e que seu cumprimento o levaria à ruína. É preciso que a Justiça americana reconheça que foi usada como “forum shopping” por litigantes de má-fé que deveriam ter ingressado com a ação na Justiça da cidade do Rio de Janeiro, sede da Rede Globo de Televisão, responsável pelo programa “Manhattan Connection”, e local onde os diretores da Petrobras viram e sentiram os efeitos e prejuízos (se houve) do que foi dito por Francis. A Rede Globo também pode tomar essa iniciativa, afinal de contas o Programa era e é dela.

Errou a Justiça americana. Deixou-se usar à época. Mas os tempos mudaram lá e cá. Não há que se preocupar com a prescrição. Esta não atinge a nova demanda nos EUA por justiça a Francis. Fatos novos apareceram e com eles um mar de provas. Sem falar que crimes contra os direitos humanos não prescrevem e aqueles do colarinho branco abrem um corredor direto para a prisão nos Estados Unidos.

Entretanto, até que isso aconteça, fica a sugestão de buscarmos consolo em uma discreta risada (mesmo sem ninguém ver) em homenagem a Paulo Francis, pois ele tinha razão.

Maristela Basso é Professora de Direito Internacional da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (Largo São Francisco). - Fonte: aqui.

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a) O caso Francis, já citado por este blog - aqui -, deixa patente que as falcatruas na Petrobras vêm de longe: meados dos anos 90, vê-se aqui, sob a gestão PSDB. O MPF, contido, em petição ao juiz Sérgio Moro, fala em '15 anos'. É mais, bem mais; há quem sustente que desde a era Sarney;

b) A articulista pondera que "A Rede Globo também pode tomar essa iniciativa (de responsabilizar a Justiça americana pela morte de Francis), afinal de contas o Programa era e é dela." A Globo acionando judicialmente a Justiça da Metrópole?! Nem pensar;
 
c) A denúncia de Paulo Francis era, hoje a realidade prova, procedente. Mas as provas, de que ele não dispunha, eram 'diabólicas' e impossíveis (a Suíça jamais quebraria o sigilo, marca daquele 'paraíso');
 
d) Já quanto a defender a privatização da maior e mais estratégica empresa brasileira se afigura, em qualquer tempo e sob quaisquer circunstâncias, baita equívoco, entreguismo puro e simples.

NO DEPARTAMENTO DE PERGUNTAS INCONVENIENTES...


Enio.

CENA DE FICÇÃO: TRENSALÃO SP


S Salvador.

O NOME DE DEUS


O nome de Deus

Por Vladimir Aras

Pessoas religiosas acreditam que não se deve invocar o nome de Deus sem propósito. É o Segundo Mandamento: “Não usar o Santo Nome de Deus em vão”.

Em três situações, três juízos distintos levaram a palavra “Deus” às barras da Justiça, quase ao banco dos réus. “Ele” já teria sido julgado um dia. Nesses três casos, quem está sob julgamento é a Justiça dos homens.

Em 2013, um tribunal da Malásia proibiu o jornal católico The Herald de usar a palavra “Alá” para se referir ao Deus cristão (aqui). Algo surreal, que atenta contra a liberdade religiosa daquela minoria num país majoritariamente muçulmano.

Os outros dois episódios se passaram no Brasil. Vamos ao primeiro.

Um júri realizado no Rio de Janeiro foi anulado pelo STJ porque o promotor de Justiça disse a expressão “Deus é bom” no plenário ao final da formação do conselho de sentença. Escolhiam os jurados para julgar um homem acusado de homicídio. E este acabou condenado.

A defesa impetrou um habeas corpus (Christi), um desses tantos HCs esquisitos que existem por aí e que servem para encontrar nulidades onde não há nenhuma e sanar pecados de quem os têm. Santo habeas corpus! Serve para tudo (“Os HCs mais esquisitos do mundo“). Transforma água em vinho. Opera milagres processuais. Muitos culpados dão graças a Deus pelo perdão que alcançam sem merecer, mas devem gratidão aos tribunais que permitem essas heresias no rito. E forma-se uma igreja ortodoxa das santas nulidades, uma teologia pagã cujos fieis repetem cegamente os mantras de certas bíblias de processo penal.

O relator do HC 222.216/RJ foi o ministro Jorge Mussi. A decisão do STJ pode ter sido proferida numa dessas salas adornadas por crucifixos em memória ao Filho de Deus, adorado pelos cristãos. Na parede principal do plenário do STF há um desses. Ateus e crentes são ali julgados. Ninguém vai à fogueira da Inquisição. E a vida segue.

Eis a fatwa da corte superior:
HOMICÍDIO QUALIFICADO (ARTIGO 121, § 2o, INCISOS I E III, DO CÓDIGO PENAL). NULIDADE DO JULGAMENTO EM PLENÁRIO. SORTEIO DOS JURADOS. RECUSA PEREMPTÓRIA. INVOCAÇÃO DE EXPRESSÃO DE CUNHO RELIGIOSO PELO PROMOTOR DE JUSTIÇA. POTENCIALIDADE PARA INFLUENCIAR O ÂNIMO DO CONSELHO DE SENTENÇA. EIVA CONFIGURADA.
1. O Ministério Público deve pautar a sua atuação durante o julgamento pelo Tribunal do Júri pela lisura e eticidade, respeitando todas as pessoas que atuam no julgamento popular e evitando a utilização de termos ou expressões que possam ofender quaisquer dos presentes.
2. O Estado brasileiro rege-se pela laicidade, vedando-se à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, nos termos do artigo 19 da Constituição Federal, “estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público
3. Embora o ordenamento jurídico faculte às partes a recusa imotivada de três jurados, não lhes dá autorização para que tal ato sirva como uma oportunidade para se externar quaisquer convicções que possam influenciar o Conselho de Sentença que se encontra em formação, sejam de cunho religioso, filosófico, moral ou até mesmo costumeiro.
4. Na hipótese em apreço, por ocasião do sorteio dos jurados o representante do Ministério Público se manifestou dizendo que recusaria homens para equilibrar os sexos dos componentes do Conselho de Sentença, tendo proferido a frase “Deus é bom” logo após a escolha da última jurada do sexo feminino.
5. Em razão da ausência de motivação do veredicto proferido pelos jurados, não se vislumbra possível aferir, com precisão, se a conduta do representante do parquet influenciou ou não o convencimento dos jurados, mas é possível afirmar, sem qualquer dúvida, que se está diante de uma intervenção que teve potencial para exercer tal influência, mormente em razão das peculiaridades do caso, em que foi atribuída ao paciente a prática do delito de homicídio duplamente qualificado contra sua enteada, de apenas 12 (doze) anos de idade.
6. Writ não conhecido. Ordem de habeas corpus concedida de ofício para anular o julgamento do paciente perante o Tribunal do Júri, determinando que outro se realize com a observância das garantias processuais constitucionais.” (STJ, HC 222.216/RJ, 5ª Turma, rel. Jorge Mussi, j. em 21/10/2014).
Espanta que algo assim aconteça num ambiente tão pleno de rituais, liturgias, símbolos e dogmas como uma corte judiciária. Não se sabe que influência a expressão “Deus é bom” pode ter tido no ânimo dos jurados. Será que teve alguma? O próprio STJ confessou que não sabia. “Não se vislumbra possível aferir, com precisão, se a conduta do representante do parquet influenciou ou não o convencimento dos jurados”, disse a CorteOs jurados eram eles ateus, agnósticos, budistas, umbandistas, indiferentes? Tampouco se sabe.

Para quem acredita, Deus está em toda a parte. Não é o caso aqui. Mas é certo que a palavra “Deus” está até no preâmbulo da Constituição, pois os constituintes que a promulgaram fizeram questão de invocar sua proteção:
“Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembleia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte Constituição da República Federativa do Brasil”.
Não precisavam pedi-la. Mesmo assim o Estado laico não ruiu. Algumas vezes é preciso acreditar em algo. Mas é melhor ter bom senso.

Caim matou Abel. Tínhamos um homicídio. As provas eram suficientes para condenar. O que faz o tribunal? Determina a excomunhão do homicida? Não! Elimina a condenação arguindo formalidades sacramentais! Deus nos ampare. Só Deus salva o Brasil desses formalismos religiosos. Disto e das saúvas.

Deve estar certo o promotor: “Deus é bom“. Muitos homens creem nisto. Mas não importa. Minha dúvida é se nossa Justiça é boa. Queira Deus que um dia melhore. É preciso ter fé, irmãos! A não ser assim, será cada um por si e Deus por todos. Um Deus nos acuda.

Anular um júri por isto? Pelamordedeus! Não há como dizer “amém”.

Vamos ao outro caso que abalou o templo de Têmis.

Como você sabe, Têmis é a deusa da Justiça. Muitas de suas estátuas adornam os fóruns e tribunais brasileiros há muitos anos.

Tudo se passou na mesma cidade, o Rio, onde uma agente de trânsito foi condenada pela Justiça cível a indenizar um cidadão, de profissão juiz. Leia aqui a decisão do Tribunal de Justiça do Estado de São Sebastião.

Em 2011, numa blitz da Lei Seca, a agente Luciana Tamburini abordou o juiz Fulano de Tal. Segundo se alega, o cidadão de profissão juiz estava num carro particular sem placas e guiava sem carteira de habilitação. Após ser parado, o cidadão-juiz, que não estava ali trabalhando, quis prender a funcionária que estava lá para fazer o seu trabalho. Ele não gostou nada quando a ouviu dizer que “Juiz não é Deus“. Apostasia gravíssima!

A cidadã-agente tentou, então, fazer-se ouvir no templo de Têmis, mas acabou condenada, em reconvenção, a indenizar o cidadão-juiz por seu pecado mortal, uma heresia nunca vista na história da Cristandade, e terá de pagar 5 mil reais ao juiz que se sentiu ofendido com tal expressão. Ai, meu Deus! Minha amiga Flávia Penido, alma caridosa e defensora ferrenha da razão jurídica, promoveu uma vaquinha para a funcionária pública que ou bem servia a Deus ou a Mamon. Vários dizimistas da igreja da igualdade cidadã contribuíram para a salvação das finanças pessoais da agente de trânsito.

Quem conhece as escrituras dos autos jura por Deus que a agente de trânsito nada fez de ilegal. Faça como São Tomé. Leia aqui a decisão da 14ª Câmara Cível do TJ/RJ. Não é à toa que a Justiça brasileira está ao Deus dará. E isso ocorreu na Cidade Maravilhosa, sob os olhos do Cristo Redentor; e não num fim-de-mundo esquecido por Deus, nem lá onde Judas perdeu as botas.

Dizem os jornais que o referido cidadão já constava dos evangelhos (aqui) e (aqui). Ainda cabe recurso ao STJ. A moça rogará a anulação da bula. Seja o que Deus quiser. Num Estado de Direito, somos todos iguais. Não há sacerdotes, beatos, santos nem súditos. Não esqueçamos desta pregação.

No meu juízo final, creio que estava certa a agente. Juiz não é Deus. Mas alguns poucos realmente acham que são. E nesta crença num sacerdócio incompatível com a democracia, quase uma fé cega, integram a mesma irmandade que servidores públicos de outras carreiras, inclusive a minha. Deus me livre de autoridades assim. Valha-nos, Deus. Deus é mais. Deus nos acuda. Deus salve a República.

Adeus. (Fonte: aqui).

MISSÃO ROSETTA: ROBÔ PHILAE, MOCHILEIRO ESPACIAL


Duke.

PETROBRAS, LAVA JATO E PAULO FRANCIS

              Luciano Martins Costa e Paulo Francis (1930-1997).

'Risco da Lava Jato está na cobertura da imprensa'

Do Portal Brasil247

O jornalista e escritor Luciano Martins Costa afirma, em artigo publicado no portal Observatório da Imprensa, que o "alto risco" da operação Lava Jato está "no fato de que sua continuidade pode depender do empenho da imprensa em dividir com equilíbrio e de forma equânime as responsabilidades, sem omitir ou dissimular as culpas conforme a filiação partidária dos acusados".

Ele lembra que o jornalista Paulo Francis já havia denunciado, em 1997, em um comentário no programa Manhattan Connection, da Globo News, que havia um esquema de roubalheira na Petrobras.

Segundo Costa, a mídia agora está num dilema: persistir em datar os fatos a partir do ano 2013 – nesse caso, o noticiário ficaria "marcado pelo partidarismo e a manipulação" – ou "investigar as origens do escândalo, completando a pauta levantada por Paulo Francis há 17 anos", reconhecendo, assim, que "a corrupção na Petrobras tem raízes mais profundas". À época, o jornalista foi alvo de processo pelo então presidente da estatal, Joel Rennó, pela denúncia.

Eis o artigo em referência:

PAULO FRANCIS NÃO MORREU

Por Luciano Martins Costa

Os jornais do fim de semana registram o que pode vir a ser o ponto de inflexão das relações viciadas entre a política e os interesses privados no Brasil. A prisão de 24 altos executivos, entre os quais quatro presidentes de grandes empresas e um ex-diretor da Petrobras, coloca nas mãos da Justiça o material necessário para aprofundar as investigações sobre a corrupção e passar a limpo o sistema de financiamento de campanhas eleitorais.

A última etapa da ação policial está sendo chamada de "Juízo Final". Os jornais dizem que serão citados pelo menos 70 senadores e deputados. Também está publicado que todos os partidos, com exceção do PSOL, foram financiados pelas empreiteiras acusadas no escândalo.

O evento coloca o Brasil diante da possibilidade de levar à frente uma "Operação Mãos Limpas" como a que sacudiu as instituições italianas nos anos 1990. O alto risco dessa operação reside no fato de que sua continuidade pode depender do empenho da imprensa em dividir com equilíbrio e de forma equânime as responsabilidades, sem omitir ou dissimular as culpas conforme a filiação partidária dos acusados. Deve-se lembrar também que o esquema descrito pelos jornais na segunda-feira (17/11) é uma cópia exata do "clube de fornecedores" revelado no escândalo do metrô de São Paulo.

(Para continuar, clique aqui).

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Vale registrar: Paulo Francis, então correspondente d'O Estado de São Paulo em Nova York, morreu de um ataque cardíaco em fevereiro de 1997. Dias antes, no Manhattan Connection - canal a cabo GNT  (Globo) -, defendera a privatização da Petrobras, acusando "os diretores da estatal de possuírem cinquenta milhões de dólares em contas na Suíça – acusação pela qual foi processado na justiça americana, sob alegação da Petrobras de que o programa seria transmitido nos Estados Unidos para assinantes de canais brasileiros na TV a cabo. Como Paulo Francis acusou sem provas, tinha a certeza que seria condenado e pagaria indenização milionária aos diretores da Petrobras. Com a iminência do processo milionário Paulo Francis sofre estresse profundo" (Wikipédia - aqui).

Francis, com todas as suas contradições, guinadas e idiossincrasias, despertava o interesse de muitos leitores, que acompanhavam seus artigos desde os tempos d'O Pasquim, do qual foi um dos fundadores - junho de 1969 - e em que comparecia semanalmente, o que perdurou até 1976, quando se tornou correspondente da Folha de São Paulo em Nova York, onde já estava desde 1971. De 1976 em diante, passamos a ser leitores de seu 'Diário da Corte', rotina que se manteve quando trocou a Folha pelo Estadão. Nos últimos anos, reacionário convicto, malhado pela esquerda, parecia capaz de fazer o igualmente reacionário Nelson Rodrigues dizer dele o que ele dissera sobre o igualmente reacionário Gustavo Corção: 'Eu também sou reacionário'.

De qualquer modo, vale a leitura do post "Justiça a Paulo Francis, ainda que tardia", de Maristela Basso, AQUI.

RADICALIZANDO A LEI DE GERSON (II)


Amarildo.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

RADICALIZANDO A LEI DE GERSON


Nani.

A CONJUNTURA SEGUNDO BOECHAT


"O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso veio a público para dizer que sentia vergonha do que estava acontecendo na Petrobras. Eu queria fazer a seguinte observação: Acho que ele [Fernando Henrique Cardoso] está sendo oportunista quando começa a sentir vergonha com a roubalheira ocorrida na gestão alheia. É o tipo de vergonha que tem memória controlada pelo tempo. A partir de um certo tempo para trás ou para frente você começa a sentir vergonha, porque o presidente Fernando Henrique Cardoso é um homem suficientemente experiente e bem informado para saber que na Petrobras se roubou também durante o seu governo. ‘Ah, mas não pegaram ninguém!' Ora presidente! Dá um desconto porque só falta o senhor achar que na gestão do Sarney não teve gente roubando na Petrobras. Na gestão do Fernando Collor não teve gente roubando na Petrobras. Na gestão do Itamar Franco não teve gente roubando na Petrobras. A Petrobras sempre teve em maior ou menor escala denúncias que apontavam desvios. Eu ganhei um Prêmio Esso em 89 denunciando roubalheira na Petrobras. […] A Petrobras sempre foi vítima de quadrilhas que operavam lá dentro formadas por gente dos seus quadros ou que foram indicados por políticos e por empresários, fornecedores, empreiteiras. Então essa vergonha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é sim uma tentativa de manipulação política partidária da questão policial.

Eu acho mais do que saudável que as pessoas se manifestem politicamente. Contra e a favor do Governo. Eu acho muito bom que se manifestem contra, principalmente, porque governos sob pressão tendem a ser mais claros, objetivos, focados no interesse coletivo, mas acho que pegar essas manifestações para vender a ideia de que está se trabalhando um impeachment, ou se pedindo um impeachment da presidente Dilma é tão ridículo quanto estar nessas manifestações para pedir a volta da ditadura militar. Quem está pedindo o impeachment, mesmo que não peça a volta da ditadura militar está trabalhando com o mesmo DNA golpista, o mesmo tipo de idiotice, de imbecilidade, porque a Dilma, queiram ou não, foi eleita legitimamente, não pelos nordestinos como parte deles prefere de forma neurótica e preconceituosa propagar, mas pelos mineiros que Aécio Neves governou, cariocas e fluminenses que jamais foram dados a votar em governantes da situação. Então ela foi eleita pela maioria dos votos do Brasil. Pronto, acabou, vira essa página e vamos em frente."



(Do jornalista Ricardo Boechat, em comentário no seu programa na Band News FM, na segunda-feira, 17, sobre a Operação Lava Jato, bem como acerca das recentes manifestações promovidas pela oposição, especialmente em São Paulo. Fonte: aqui).

CLIMA 2015

    
Waldez.

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Leitura incidental da cena acima: O exato momento em que integrante do Judiciário agride o salário mínimo com o percentual de aumento salarial por ele mesmo estabelecido, resultando em auferição de ganhos que ultrapassarão R$ 35 mil ao mês (estourando o teto do servidor público em mais de 20%), sem contar o auxílio-moradia ('decretado' monocraticamente por um ministro do STF), que gira em torno de R$ 4.300,00 e contemplará até mesmo aqueles que moram em imóvel próprio.

CARTUM CORPORATIVO


Amarildo.

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Entreouvido fora dos autos:

"Benesses questionáveis, aumentos salariais estratosféricos... É, as coisas já foram mais, digamos, judiciosas."

OS IRMÃOS CARA DE PAU

              Os irmãos cara de pau. Ao fundo, Ray Charles.

Os irmãos cara de pau

Por Marden Machado - No Cinemarden

Existem filmes que já nascem clássicos. Os Irmãos Cara de Pau, dirigido em 1980 por John Landis, é um deles. A mistura proposta pelo roteiro, escrito por Dan Aykroyd e pelo diretor, é explosiva. Temos aqui muita música de qualidade cantada por artistas renomados como Cab Calloway, James Brown, Aretha Franklin e Ray Charles. Junto com isso, muitas perseguições automobilísticas, com mais de cem carros sendo destruídos pelo caminho. Os irmãos do título são Jake (John Belushi) e Elwood (Aykroyd). O primeiro acabou de ser liberado da prisão. O segundo o espera com uma missão das mais importantes: evitar que o orfanato onde eles foram criados seja fechado. A ideia dos dois é montar uma banda e com isso levantar o dinheiro para a causa. Porém, ao longo da trama, eles são perseguidos por meio mundo: desde o exército, passando por membros de uma outra banda, além de policiais e até uma noiva abandonada. Landis é um diretor insano, no bom sentido. E neste filme, ele está sem freios. A dupla principal, principalmente Belushi, também não tem amarra alguma. Como é comum nos trabalhos do diretor, um sem número de cineastas faz ponta, entre eles, Steven Spielberg, que aparece bem no final. Se você não viu Os Irmãos Cara de Pau, o que está esperando? Se já o viu, que tal revê-lo?




OS IRMÃOS CARA DE PAU (The Blue Brothers - EUA 1980). Direção: John Landis. Elenco: Dan Aykroyd, John Belushi, James Brown, Cab Calloway, Ray Charles, Carrie Fisher, Aretha Franklin, Henry Gibson, John Candy, Charles Napier, Jeff Morris, Kathleen Freeman, Twiggy e Steven Spielberg. Duração: 134 minutos. Distribuição: Universal.

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Comentário do cineasta Douglas Machado: "Sensacional. Para ver e rever e se divertir uma porrada de vezes!".

Perfeito.