terça-feira, 29 de julho de 2014

SMART MANIA


Jota A.

ECOS DA SABATINA


"Relevado o fato de que a presidenta Dilma Rousseff fala aos arranquinhos, e não há fonoaudiólogo que dê jeito nisso, talvez por precisar encenar um papel diante das câmeras que quem a conhece não a poderia imaginar mais diferente do que é de fato, no cotidiano, sua entrevista nesta segunda-feira ao diário conservador paulistano Folha de S. Paulo foi ilustrativa para que o eleitor pudesse perscrutar a candidata do PT à reeleição, em uma de suas raras aparições. Além das minguadas conversas com jornalistas, para a chefa de Estado de um país do tamanho do Brasil, Dilma somente falou até hoje para os veículos da conhecida mídia conservadora, formada por veículos de comunicação ligados ao capital internacional, como a Folha e o portal UOL, do mesmo dono; o canal de TV SBT, do empresário Silvio Santos, integrante da ultradireita brasileira; e a rádio Jovem Pan, que segue no mesmo bojo. Isso sem considerar as demais, que se contam nos dedos, para a revista semanal de ultradireita Veja, da qual foi capa no início deste mandato; para as emissoras e demais empresas das Organizações Globo, que apoiou a ditadura militar e deve perto de R$ 1 bilhão em impostos ao fisco; e outros satélites menos cotados, mas igualmente letais para produzir um coro como aquele no Estádio do Itaquerão, durante a abertura da Copa do Mundo. Poupo os leitores do refrão.

Submete-se a mandatária até à grosseria de uma pergunta sobre os R$ 150 mil que guarda escondidos em um cofre, dentro de algum armário ou atrás de um quadro, sabe-se lá – e não é da conta de ninguém – o que faz como mania, coisa própria de quem é “de outra geração”, como admite, ou por viver em sobressaltos com uma possível quartelada, tipo relâmpago em céu aberto, coisa típica da cultura golpista que os patrões de seus entrevistadores cultivam, desde sempre. Parece até uma relação sadomasoquista na qual ela, a presidenta eleita pela maioria dos brasileiros, apanha de mão aberta, diariamente, nos meios de comunicação para os quais escolhe falar, em caráter exclusivo, e ainda lhes destina bilhões de reais do Erário em forma de publicidade, sem contar os mimos de “meus queridos” pra lá e sorrisos pra cá.

Inocente, parece que não enxerga a intenção dos interlocutores de interrompê-la, se a resposta é positiva para o perfil da estadista que é, na dissertação sobre o Programa Mais Médicos, por exemplo, ou até estourar o horário do programa, se for preciso, ao perceberem que patinou nos reais que guarda no colchão. As perguntas dos jornalistas, que deveriam ser destinadas a ajudar na elucidação dos problemas brasileiros, mais parecem ‘pegadinhas’ nas quais apostam se a ‘vítima’ conseguirá sair ilesa ou “cairá na esparrela”, como costuma dizer a economista Maria da Conceição Tavares sobre as tentativas do governo de atender aos ditames de seus algozes. Vide a recomendação do banco espanhol Santander aos clientes da Classe A, de trabalhar para a derrota da candidata petista sob pena de o Brasil falir, ou coisa parecida.

Entrevista como esta que Dilma concedeu à mídia capitalista, na tarde desta segunda-feira, equivale a contribuir para sua desmoralização muito mais do que para mostrar a pessoa que passou os melhores anos da juventude na luta por um ideal. Significa impedir que mostre ao país que governa o modelo de sociedade, mais justo e fraterno, pela qual empenhou-se a ponto de ser presa e torturada, sem que lhe mostrem um pingo de respeito por isso. Ao contrário, chegaram a sugerir que ela possa estar planejando uma fuga do país, na qual levaria os R$ 150 mil na mala, em cash.

Se Dilma pretendia gastar sal grosso no pequeno retalho podre da sociedade paulistana, que lhe vaia e xinga, a ponto de originar a reflexão de um dos inquisidores sobre o nível “radical” de enfrentamento nas ruas, entre ricos e pobres, então acertou em cheio. Embora tenha conseguido driblar a maioria das armadilhas à qual se submeteu, nessa inquisição, o esforço não parece que tenha valido a pena. A repercussão da entrevista de mais de uma hora, no elegante salão do Palácio do Planalto, aos borra-botas do capitalismo tupiniquim, será inversamente proporcional ao seu sucesso.
Mas ela insiste."



(De Gilberto de Souza,  jornalista, editor-chefe do jornal Correio do Brasil - aqui.
Divirjo do analista. É do jogo democrático a concessão de entrevistas a quaisquer interlocutores, mesmo em se tratando de ardilosos opositores, mesmo tendo-se presente que armadilhas serão acionadas e que os entrevistadores cuidarão de ressaltar, posteriormente, eventuais deslizes da entrevistada, como fez, por exemplo, o Uol. 
Seria interessante que a presidente concedesse mais e mais entrevistas, inclusive para os Blogs Progressistas).

DILMA: SOBRE UMA PARTE DA SABATINA

              À esquerda, a manchete da Folha em 12 de junho.

Para Dilma, pessimismo com economia é igual à Copa: mídia ajudou a criar

A presidente Dilma Rousseff (PT) comparou o pessimismo disseminado em relação à política econômica de seu governo ao que aconteceu no período pré-Copa do Mundo no Brasil. Na visão da petista, mais do que análises de especialistas, endossou o sentimento negativista a cobertura encampada pelos grandes grupos de comunicação.

A avaliação de Dilma foi feita a jornalistas da Folha de S. Paulo, UOL, Joven Pan e SBT, durante sabatina promovida no Palácio do Planalto na tarde dessa segunda-feira (28). A candidata a reeleição chegou a citar, pedindo desculpas pela saia-justa, uma reportagem da Folha, na qual o jornal sugere que o mundial de futebol teria mais condições de ter sucesso dentro de campo que fora dele.

“Há no Brasil um jogo de pessimismo inadmissível, veja por quê: vamos discutir a Copa entre nós. Eu lembro, e me desculpa dizer isso aqui, que no dia que começou a Copa, vocês botaram assim no jornal, que a Copa está resolvida nos gramados, e não está resolvida de forma alguma fora dos gramados.

Houve quem dissesse que não teríamos aeroportos, organização, que estávamos aquém de tudo, que deveríamos ter vergonha do país. Não teríamos estádios, aeroporto decentes, estrutura de comunicação. Que seria um desastre. Que além de todo o caos, teria uma epidemia de dengue. Isso é uma conspiração contra o país. Isso é muito grave”, disse a presidente, se dirigindo, em parte, ao jornalista da Folha, Ricardo Balthazar, editor do caderno Poder. “Está havendo o mesmo pessimismo que ocorreu com a Copa, com a economia brasileira”, pontuou.

Durante todo o primeiro bloco da sabatina, Dilma foi questionada sobre os motivos pelos quais a economia brasileira não tem crescido conforme o esperado. Na maior parte das perguntas, pautas utilizadas pelos adversários políticos da petista foram colocadas à mesa, como inflação perto do teto da meta, aumento do desemprego nos setores que servem à indústria, risco de colapso na área energética, possibilidade de uma crise cambial, entre outros pontos.

Crise internacional
Os jornalistas também questionaram se Dilma mudou de discurso e usa a crise internacional de 2008 para minimizar a puxada de freio no crescimento econômico nacional. A presidente rebateu as questões afirmando que quando o assunto é a política econômica de seu governo, há “dois pesos e duas medidas”. “A inflação não está descontrolada. Ela está no centro da banda, no teto. Nós vamos ficar nesse teto. O Brasil só ficou quatro anos no centro da meta”, comentou, após comparar o índice atual à inflação deixada para Lula em 2003, pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), de 12,5%.

Para a chefe do Executivo, deveria receber destaque que “estamos enfrentando de forma corajosa a maior e mais grave crise econômica que o mundo enfrenta desde 2008.” Para ela, o presidente Lula não poderia prever os impactos futuros desse fenômeno quando afirmava que a crise era, para o Brasil, há alguns anos, uma “marolinha”.

“Todos nós erramos porque ninguém tinha noção ou controle de como ficaria o sistema financeiro internacional. Nós todos tivemos um trabalho danado para sair da crise. E a nossa política não foi de desempregar, arrochar salário e fazer com que população pagasse o pato. Nós impedimos isso. Nos minimizamos esses efeitos”, observou Dilma.

Auto-crítica
Incitada a responder quais correções faria na economia, após, claro, ser lembrada de que até Lula disse que mudanças são necessárias, Dilma evitou fazer uma auto-crítica, e tangenciou o apontamento do ex-presidente dando exemplos de que nem sempre “correções de rota” significa admitir equívocos.
Ela citou o Bolsa Família como um projeto do governo Lula que passou por transformações nos últimos anos, para que mais “22 milhões de pessoas pudessem sair da miséria. (...) Isso é uma mudança, não uma auto-crítica do passado”. O segundo exemplo foi a revisão do regime de concessão de rodovias.

Santander
A presidente também foi questionada sobre o último episódio envolvendo o Banco Santander. A companhia enviou carta a clientes de alta renda alegando que caso Dilma seja reeleita em outubro próximo, a economia nacional teria motivos para definhar. A repercussão da investida do Santander contra Dilma resultou na demissão dos envolvidos e no envio de um pedido de desculpas ao Planalto.

"Vou responder de modo geral: economia é expectativa. É característica de vários segmentos especular em processos eleitorais. Sempre especularam e não se deram bem. A conjuntura política passa e eles sofrem penalidades. Aconteceu com Lula em 2002."

Para Dilma, "a pessoa que escreveu a mensagem fez isso [tentou sobrepor opiniões institucionais aos interesses da democracia garantidos pelo processo eleitoral] e é lamentável e inadmíssivel para qualquer candidato, seja eu ou qualquer outro." 

Ela afirmou que terá uma conversa com o alto escalão do banco antes de decidir se levará o caso à Justiça. (Fonte: aqui).

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...“estamos enfrentando de forma corajosa a maior e mais grave crise econômica que o mundo enfrenta desde 2008.”, disse a presidente Dilma. Parece-me que ela pensou em dizer "mais grave crise econômica que o mundo enfrenta desde 1929". Trata-se do ano que deu início à chamada Grande Depressão, que dispensa comentários.

Quando, em 2008, o presidente Lula falou em 'marolinha', não podia, claro, antever a dimensão que a crise alcançaria, mas o Brasil reagiu de forma singular ao desastre financeiro global: remando contra a corrente, expandiu a oferta de crédito via bancos estatais, ampliou as parcerias comerciais do país mundo afora, manteve o perfil dos investimentos e preservou os programas sociais (os quais, associados ao salário mínimo com ajustes reais, contribuíram para o surgimento de novos mercados internos, dando ensejo à ampliação da renda e do emprego).

Presentemente, constata-se que a crise mundial mantém e até mesmo acentua seus perniciosos efeitos, e o Brasil, como ator nesse cenário, não poderia apresentar a mesma performance ascendente observada até pouco tempo atrás, visto que os parceiros comerciais, por exemplo, às voltas com desemprego e demais mazelas decorrentes da política de austeridade imposta pelos gestores mundiais, reduziram as encomendas em geral, afetando nossas exportações.

Em minha leiga opinião, 2015 certamente marcará a remodelação da política econômica brasileira, mas especialmente em função do mercado interno. A tese do apoio da economia no consumo, por exemplo, terá forçosamente de ser repensada... Afinal, como diz Stephen Kanitz, as coisas podem dar errado lá na frente, mas só se nada for feito até lá. 

PROFETAS DO CAOS MONOPOLIZAM CICLOS DE PALESTRAS


Thiago.

FAIXA DE GAZA: REAÇÃO PROPORCIONAL


Sete vencedores do Nobel da Paz pedem embargos contra Israel

Um manifesto publicado no The Guardian e assinado por 64 pensadores, políticos e outras figuras públicas pede um embargo a Israel por conta do conflito na Faixa de Gaza.

O texto diz que Israel se beneficia de acordos de cooperação militar e ajuda dos EUA e da União Europeia e afirma que tal poder de fogo conquistado está sendo usado para uma guerra contra a Palestina.

Assim, eles pedem ao mundo um embargo militar, semelhante ao imposto ao governo sul-africano nos anos de Apartheid.

Na lista, estão assinaturas de sete pessoas que já ganharam o Prêmio Nobel da Paz, entre elas o Arcebispo sul-africano Desmond Tutu.

Também assinam o manifesto pensadores de esquerda conhecidos, como o linguista Noam Chomsky, o músico Brian Eno, o ex-Pink Floyd Roger Waters, o cineasta Ken Loach e o pensador Slavoj Zizek.

Um nome brasileiro assinou o manifesto: Frei Betto, teólogo da libertação, da ala da Igreja Católica mais envolvida nos movimentos populares de esquerda. (Para ler o manifesto, clique aqui).

segunda-feira, 28 de julho de 2014

GAZA


Polo.

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Indagação lançada aos quatro ventos: Se a ONU ocupou Timor Leste, se a ONU ocupou o Haiti, por que não ocupou ainda área tão desesperadoramente conflagrada?

GERAÇÃO CORCUNDA


Alpino.

O CASO EDIFICANTE DO EX-CATADOR


Pegava livros no lixo: ex-catador conta como virou médico

Do Uol Educação

O dia seis de junho de 2014 é uma data muito importante para Cícero Pereira Batista, 33. É data da sua formatura, quando ele fez o "Juramento de Hipócrates" e jurou fidelidade à medicina. O diploma na tão sonhada carreira foi um investimento de quase oito anos da vida do ex-catador.

Natural de Taguatinga, cidade satélite a 22,8 km de Brasília, Cícero nasceu em família pobre e precisou de muita perseverança para alcançar a formação em uma das carreiras mais concorridas nos vestibulares. Ele só começou a fazer a graduação aos 26 anos.

"Minha família era muito pobre. Já passei fome e pegava comida e livros do lixo. Para ganhar algum dinheiro eu vigiava carro, vendia latinha. Foi tudo muito difícil pra mim, mas chegar até aqui é uma sensação incrível de alívio. Eu conseguir superar todas as minhas dificuldades. A sensação é de que posso tudo! A educação mudou minha vida, me tirou da miséria extrema", conta Cícero.

O histórico familiar de Cícero é complicado: órfão de pai desde os três anos e com mãe alcoólatra, o médico tinha dez irmãos. Dois dos irmãos foram assassinados.

Quando tinha 5 anos, o menino pegava o que podia ser útil no lixo. Inclusive livros, apesar de não saber ler. Com o tempo, conta o ex-catador, eles foram servindo de inspiração. Ficava mais feliz quando encontrava títulos de biologia, ciências. Certa vez encontrou alguns volumes da Enciclopédia Barsa e "descobriu Pedro Álvares Cabral, a literatura, a geografia".

Cícero é o único da família que concluiu o ensino médio e a graduação. Para ele, a educação era a única saída: "Diante da minha situação social eu não tinha escolha. Era estudar ou estudar para conseguir sair da miséria extrema". Ele terminou o ensino fundamental na escola pública em 1997 -- na época as séries iam do 1º ao 8º ano. Entre 1998 e 2001, fez o ensino médio integrado com curso técnico em enfermagem.

Ajuda dos professores e colegas

"Quando eu fazia o ensino médio técnico eu morava em Taguatinga e estudava na Ceilândia. Não tinha dinheiro para o transporte e nem para a comida. Andava uns 20 km, 30 km a pé. Muitas vezes eu desmaiava de fome na sala de aula", explica.

Ao perceber as dificuldades do rapaz, professores e colegas começaram a organizar doações para Cícero de dinheiro, vale-transporte e mesmo comida. "Eu era orgulhoso e nem sempre queria aceitar, mas, devido à situação, não tinha jeito. Eu tinha muita vergonha, mas nunca deixei de estudar", conta.

Na época da faculdade, Cícero também recebeu abrigo de um amigo quando passou em medicina numa instituição particular em 2006 em Araguari (MG), a 391 km de Brasília. "Frequentava as aulas durante a semana em Minas e aos finais de semana vinha para Brasília para trabalhar. Era bem corrido", diz. Ele conseguiu segurar as contas por um ano e meio. "Eu ganhava cerca de RS 1.300 e pagava RS 1.400 [de mensalidade]. Até cheguei a pedir o Fies [Fundo de Financiamento Estudantil] por seis meses, mas no fim as contas foram apertando ainda mais e parei".

Ao voltar para Brasília decidiu fazer Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) para conseguir uma bolsa do Prouni (Programa Universidade para Todos). Estudou por conta própria, fez a prova no final de 2007 e conseguiu uma bolsa integral em uma universidade particular de Paracatu (MG), a 237,7 km de Brasília. Foram mais seis meses -- e Cicero voltou a Brasília mais uma vez.

No ano seguinte, fez o Enem mais uma vez. Ele queria estudar mais perto de casa por causa do trabalho -- ele era técnico de enfermagem concursado -- e da família. Com sua nova nota do Enem, ele conseguiu uma vaga com bolsa integral na Faciplac (Faculdades Integradas da União Educacional do Planalto Central), na unidade localizada na cidade satélite Gama, 34,6 km de Brasília.

"Tive que começar tudo zero novamente. Tive vontade de desistir na época. Poxa, já tinha feito um total de dois anos do curso de medicina, mas não consegui reaproveitar nenhuma matéria. Mas no fim deu certo", conta o médico que enfrentou os anos da faculdade também com a ajuda dos livros do projeto Açougue Cultural, uma iniciativa que empresta livros gratuitamente nas paradas de ônibus de Brasília.

Atualmente, Cícero é diretor clínico de um hospital municipal e trabalha em outros dois. O momento para ele agora é o de "capitalizar" [ganhar dinheiro] para melhorar de vida e ajudar a família. Cursar um doutorado fora do Brasil também está entre seus planos.

"Não há desculpa para não seguir os sonhos. É preciso focar naquilo que se quer. Não é uma questão de inteligência e sim de persistência. A educação mudou a minha vida e pode mudar a de qualquer pessoa", conclui. (Fonte: aqui).

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Bom começar a semana com um post assim!

GENTE INTRANSIGENTE


Arnaldo Branco.

SOBRE O ALGOZ DE GAZA E QUEM O CRITICA


De cegos e anões

Por Mauro Santayana

Se não me engano, creio que foi em uma aldeia da Galícia que escutei, na década de 70, de camponês de baixíssima estatura, a história do cego e do anão que foram lançados, por um rei, dentro de um labirinto escuro e pejado de monstros. Apavorado, o cego, que não podia avançar sem a ajuda do outro, prometia-lhe toda sua fortuna, caso ficasse com ele, e, desesperado, começou a cantar árias para distraí-lo.

O outro, ao ver que o barulho feito pelo cego iria atrair inevitavelmente os monstros, e que o cego, ao cantar cada vez mais alto, se negava a ouvi-lo, escalou, com ajuda das mãos pequenas e das fortes pernas, uma parede, e, caminhando por cima dos muros, chegou, com a  ajuda da luz da Lua, ao limite do labirinto, de onde saltou para  densa floresta, enquanto o cego, ao sentir que ele havia partido, o amaldiçoava em altos brados, sendo, por isso, rapidamente localizado e devorado pelos monstros que espreitavam do escuro.

Ao final do relato, na taberna galega, meu interlocutor virou-se para mim, tomou um gole de vinho e, depois de limpar a boca com o braço do casaco, pontificou, sorrindo, referindo-se à sua altura: como ve usted, compañero... com o perdão de Deus e dos cegos, ainda prefiro, mil vezes, ser anão...

Lembrei-me do episódio — e da história — ao ler sobre a convocação do embaixador brasileiro em Telaviv para consultas, devido ao massacre em Gaza, e da resposta do governo israelense, qualificando o Brasil como irrelevante, do ponto de vista geopolítico, e acusando o nosso país de ser um “anão diplomático".

Chamar o Brasil de anão diplomático, no momento em que nosso país acaba de receber a imensa maioria dos chefes de Estado da América Latina, e os líderes de três das maiores potências espaciais e atômicas do planeta, além do presidente do país mais avançado da África, país com o qual Israel cooperava intimamente na época do Apartheid, mostra o grau de cegueira e de ignorância a que chegou Telaviv.

O governo israelense não consegue mais enxergar além do próprio umbigo, que confunde com o microcosmo geopolítico que o cerca, impelido e dirigido pelo papel executado, como obediente cão de caça dos EUA no Oriente Médio.

O que o impede de reconhecer a importância geopolítica brasileira, como fizeram milhões de pessoas, em todo o mundo, nos últimos dias, no contexto da criação do Banco do BRICS e do Fundo de reservas do grupo, como primeiras instituições a se colocarem como alternativa ao FMI e ao Banco Mundial, é a mesma cegueira que não lhe permite ver o labirinto de morte e destruição em que se meteu Israel, no Oriente Médio, nas últimas décadas.

Se quisessem sair do labirinto, os sionistas aprenderiam com o Brasil, país que tem profundos laços com os países árabes e uma das maiores colônias hebraicas do mundo, como se constrói a paz na diversidade, e o valor da busca pacífica da prosperidade na superação dos desafios, e da adversidade.
O Brasil coordena, na América do Sul e na América Latina, numerosas instituições multilaterais. E coopera com os estados vizinhos — com os quais não tem conflitos  políticos ou territoriais — em áreas como a infraestrutura, a saúde, o combate à pobreza.

No máximo, em nossa condição de “anões irrelevantes”, o que poderíamos aprender com o governo israelense, no campo da diplomacia, é como nos isolarmos de todos os povos da nossa região e engordar, cegos pela raiva e pelo preconceito, o ódio visceral de nossos vizinhos — destruindo e ocupando suas casas, bombardeando e ferindo seus pais e avós, matando e mutilando as suas mães e esposas, explodindo a cabeça de seus filhos.

Antes de criticar a diplomacia brasileira, o porta-voz da Chancelaria israelense, Yigal Palmir, deveria ler os livros de história para constatar que, se o Brasil fosse um país irrelevante, do ponto de vista diplomático, sua nação não existiria, já que o Brasil não apenas apoiou e coordenou como também presidiu, nas Nações Unidas, com Osvaldo Aranha, a criação do Estado de Israel.

Talvez, assim, ele também descobrisse por quais razões o país que disse ser irrelevante foi o único da América Latina a enviar milhares de soldados à Europa para combater os genocidas   nazistas; comanda órgãos como a OMC e a FAO;  abre, todos os anos, com o discurso de seu máximo representante, a Assembleia Geral da ONU; e porque — como lembrou o ministro Luiz Alberto Figueiredo, em sua réplica — somos uma das únicas 11 nações do mundo que possuem relações diplomáticas, sem exceção,  com todos os membros da Organização das Nações Unidas. (Fonte: aqui).

OLD CARTUM


Quino. (Argentina. Década de 1970).

domingo, 27 de julho de 2014

CIENTISTAS TENTAM ENTENDER ONDE FOI PARAR O PLÁSTICO DOS OCEANOS


Cientistas tentam entender o motivo de 99% do plástico dos oceanos terem sumido

Na semana passada, notícias estranhas surgiram na internet: muito do plástico que cientistas esperavam encontrar na superfície do oceano sumiu, e ninguém sabe exatamente para onde ele foi. Agora, os cientistas por trás dessa pesquisa compartilharam um mapa inédito do plástico no oceano na National Geographic – e ele pode ser a chave para solucionar esse mistério.

Como o estudo publicado na The Proceedings of the National Academy of Sciences na semana explica, deveria ter mais plástico flutuando na superfície do oceano do que há atualmente. Mas a equipe liderada por Andres Cozar Cabañas navegou pelo mundo por nove meses coletando dados da superfície de todo o globo, e encontrou muito menos plástico do que esperava. E isso não é uma notícia boa.

Isso é muito preocupante. Não é como se o plástico jogado no oceano sumisse sozinho. Em vez disso, é provável que ele esteja se quebrando em pedaços cada vez menores e tenha virado comida para os peixes. Isso significa que, graças à mágica da cadeia alimentar, nós também estamos comendo plástico – na verdade, existe um novo ecossistema baseado nesse plástico, chamado Platisfera. (...).

Um campo completamente novo de estudo está emergindo a partir do lixo jogado no nosso oceano – incluindo dentro dele as pesquisas para entender como isso funciona. “Se não sabemos onde ele está ou como está impactando organismos,” disse Kara Lavender Law, da Associação de Educação do Mar à NatGeo, “não podemos dizer às pessoas nas ruas quão grande é o problema.”

Com esse mapa, eles procuram uma forma de conseguir explicar a questão do plástico no oceano de uma maneira completamente diferente. A questão é se seremos espertos o suficiente para ouvir o que eles têm a dizer – e agir para solucionar isso. [National Geographic]. (Fonte: aqui).

AMERICAN CARTOON


Sam Gross. (EUA).

A PARTIÇÃO PALESTINA


General Marshall era contra o reconhecimento do Estado de Israel

Por Motta Araújo

O Secretário de Estado do Presidente Truman, o lendário General George Marshall, o grande estrategista aliado da Segunda Guerra, autor do Plano Marshall - que reconstruiu a Europa devastada -, era terminantemente contra a criação do Estado de Israel e lutou tenazmente contra a decisão do Presidente Truman de aprovar o reconhecimento em 29 de novembro de 1947, atendendo a uma máxima pressão do lobby de 26 Senadores pró-Israel no Senado americano.

A decisão do reconhecimento da partição do mandato britânico da Palestina seria, segundo Marshall, um imenso erro político traria um conflito permanente no Oriente Médio. A partição entregou 56% da Palestina a 650.000 habitantes judeus e 44% para 1.300.000 árabes palestinos, dos quais mais de 30% eram cristãos.

Contra a decisão do reconhecimento não estava apenas o General Marshall. mas também todos aqueles que conheciam o Oriente Médio, a nata da diplomacia americana: Robert Lovett, Dean Acheson, Charles Bohlen, George Kennan,  eram a cúpula do Departamento de Estado, nºs 1, 2, 3 e 4, todos se reuniram com Truman em 10 de novembro de 1945 para debater sobre o tema.

David Ben Gurion, primeiro mandatário de Israel, aceitou a partilha contra a vontade, como manobra tática, pois sua intenção era ter toda a Palestina para os judeus, não somente 56%, mas preferiu aceitar na ONU a proposta na mesa, por razões táticas, segundo disse a seu circulo íntimo, detalhes no link abaixo.

Às 0 horas de 15 de maio de 1948, o Exército Britânico se retirou da Palestina e um minuto depois começaram as hostilidades entre árabes e judeus.

O registro completo dessas discussões, negociações, demarches está nas memórias do grande advogado, conterrâneo de Truman em Saint Louis,  Clark Clifford, que veio para Washington junto com Truman assim que este assumiu a Presidência, sendo nomeado muito depois por Truman Secretário da Defesa. Clifford publicou suas memórias, em parceria com Richard Holbrooke, o principal diplomata americano para o Oriente Médio no pós-guerra, memórias que foram publicadas na revista New Yorker em 25 de março de 1991.

Cifford tinha 37 anos quando chegou a Washington, viveu muito e suas memórias são um relato preciso de como se deu a criação do Estado de Israel pelas mãos de Truman, declaradamente por causa do lobby judaico na política americana.

Ao ser interpelado pelos diplomatas, com Marshall à frente, por que iria cometer esse erro, Truman declarou: "Porque eu preciso dos votos dos eleitores judeus e aqui nos EUA não tem eleitores árabes".

Quem quiser maiores detalhes, leia o relato abaixo (em inglês):
http://www.informationclearinghouse.info/article4077.htm

Fonte: aqui.

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O fato é que Israel está lá, como Estado soberano, e toda a Palestina também (embora esta ainda esteja a lutar para converter-se em Estado Pleno), e ambos têm de ser reconhecidos e tratados como tal por todos os Estados do mundo - inclusive, claro, eles próprios reciprocamente.

Pra finalizar: Estado algum deveria ter a prerrogativa de situar-se acima da ONU, a ponto de alguns, como Israel, simplesmente desconhecerem as resoluções dela emanadas (arsenal nuclear, implantação de assentamentos em território palestino...).

OLD PHOTO


Tarzan, o Rei das Selvas, e sua família, no filme O Tesouro de Tarzan (1941), estrelado por Johnny Weissmuller (Tarzan), Maureen O'Sullivan (Jane) e Johnny Sheffield (Boy) e o chimpanzé Chita, que ficou famoso devido à capacidade de levantar os ombros, ficando ereto e caminhando serelepemente.

Tarzan, criação do escritor estadunidense Edgar Rice Burroughs, animou, em meados dos anos 1960, a infância de uma turma da fuzarca em Piracuruca, interior do Piauí. Era a Sessão Vesperal, do legendário Cine Roxy, na Praça Irmãos Dantas, onde brilharam aventuras imortais hollywoodianas e clássicos brasileiros do cangaço e da chanchada.

CERTAS EXPRESSÕES

            Miguel.

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...Ao que o eleitor responde:

- Já, só que o pesquisador, inserido no contexto, usava um tablet!

(A expressão inserido no contexto, em voga nos anos 70, significava 'atual', 'moderno', 'enturmado'. A bem da verdade, a expressão é até hoje utilizada, ao menos por mim e meus parceiros de geração). 

SOBRE A FUNÇÃO DO STF


Juristas discutem função do STF na sociedade

Cerca de 95% dos processos que chegam para ser julgados no Supremo Tribunal Federal são recursos, ou seja, pedidos para o STF reexaminar decisões já tomadas pelos tribunais abaixo de sua instância.
 
Na última década assistimos o aumento da visibilidade do Supremo Tribunal Federal ao julgar casos importantes que poderiam ser decididos no Congresso Nacional, dentre os quais a delimitação da reserva indígena Raposa Serra do Sol, a liberação de aborto de fetos anencefálicos, o reconhecimento da união homoafetiva e a constitucionalidade das cotas raciais em universidades.
  
Mas por trás desse cenário se esconde a verdadeira função do STF hoje na sociedade brasileira: o julgamento de processos que poderiam ser concluídos em instâncias inferiores a sua. Segundo o professor da FGV Direito Rio, Ivar Hartmann, que coordena o Projeto Supremo em Números, os recursos representam 95% dos processos julgados pelo Supremo. O lado negativo desse cenário é que, ao invés de se ater apenas na análise de questões que ferem a Constituição Federal, o STF perde todos os anos energia analisando milhares de casos, sobretudo ligados ao direito do consumidor ou as causas trabalhistas.

Hartmann, que participou do programa de debates Brasilianas.org, na TV Brasil, destacou que os processos pelo direito do consumidor são os que mais têm crescido, desde 2006, “principalmente contra as grandes empresas de telefonia e bancos, envolvendo pessoas físicas por conta de cobranças indevidas”, explicou.

Como filtrar isso? A saída para alguns estudiosos seria o Brasil copiar o modelo judiciário norte-americano. A Suprema Corte Americana chega a analisar 200 casos por ano, em contrapartida “alguns ministros do supremo tem orgulho de dizer que têm 11 ou 20 mil processos para resolver. Só que esses processos são repetitivos e não deveriam chegar ao STF”, criticou o desembargador-presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, José Renato Nalini, também convidado do programa Brasilianas.org.

Segundo Nalini, a judicialização no Brasil se transformou em algo convencional e tradicional. “Ele [o Supremo Tribunal] é a quarta instância de todo o tipo de processos, quando deveríamos fazer com que se resumisse a uma corte constitucional”, ponderou. Por outro lado, Nalini admitiu que a Constituição atual admite muitas interpretações, dificultando o acordo entre os Ministros do Supremo do que pode ser considerado constitucional ou não.

Assim, o desembargador compreende que a primeira mudança importante do sistema judiciário brasileiro deveria vir da cabeça dos juízes, no sentido de aceitarem mais abertamente debates que discutam o verdadeiro papel de cada instância e a implantação de medidas inovadoras.

O presidente do TJ-SP lembra que o primeiro sistema judiciário do país foi implantado em 1827, copiando o modelo de Coimbra (Portugal) que já tinha cerca de mil anos. No Brasil, o poder judiciário foi o último a aderir à máquina de escrever e ao computador. Nalini conta que a primeira sentença datilografada foi anulada porque não foi manuscrita, o mesmo ocorreu com a primeira sentença digitada (por não ter sido datilografada).

“A cultura é o principal empecilho. Em seguida é o excesso de carreiras jurídicas. Que país tem milhares de faculdades de direito – mais do que a soma de todas as faculdades de direito no mundo? Que tem um milhão de advogados, 17 mil magistrados, 15 mil promotores, 6 mil defensores? O Brasil”, responde Nalini. Para ele o volume de instituições e pessoas no poder judiciário não facilita, mas sim prejudica, elevando o grau de “judicialização da vida”. O resultado disso, continua, é a criação de uma sociedade cada vez mais infantilizada, incapaz de conversar e produzir consensos.

“Embora o processualista eufemisticamente chame a parte de sujeito processual, ela é objeto da vontade do estado do juiz. Ele [o sujeito processual] conta uma vez para o advogado e o que acontece a partir dali é destinado à vontade da cabeça do juiz”, conclui Nalini.

O STF e a Ditadura Militar
Durante a ditadura militar brasileira, de 1964 a 1985, o Supremo Tribunal Federal foi acusado de trabalhar a serviço do governo, fugindo a responsabilidade de observar os direitos democráticos. Mas, para Carlos Ari Sundfeld, presidente da Sociedade Brasileira de Direito Público e professor da Direito FGV de São Paulo, essa crítica é falha.

“É importante lembrarmos que o regime militar aposentou compulsoriamente ministros, que habeas corpus foram dados contra as decisões arbitrárias do regime. Evidentemente que, com o passar dos anos, ministros foram nomeados pelo regime militar e o Supremo se adaptou ao ambiente legislativo da época e de uma constituição muito mais autoritária do que a atual”, explicou.

Sudfeld analisou que o papel que o STF assumiu hoje, mais posicionado ao foco midiático, se deu pelo aumento da mobilização das pessoas, preparadas para chegar ao Supremo, e também aumento de demandas promovidas por partidos políticos e Ministério Público, acionando mais esse poder através de mecanismos permitidos pela nova Constituição, como as ações diretas de inconstitucionalidade. (Fonte: aqui).

sábado, 26 de julho de 2014

OLD CARTUM


Bosc. (França - Década de 1970).

VEJA E A ESCURIDÃO


"Responsável pelo primeiro voto, em 1947, pela criação de Israel, o Brasil sempre foi um aliado da causa judaica. No entanto, a política externa do Itamaraty também sempre foi pautada pela defesa dos direitos humanos. Foi exatamente neste contexto que o chanceler Luiz Alberto Figueiredo divulgou uma nota em que condenava "energicamente" a ação desproporcional de Israel no conflito da Palestina, que, em menos de vinte dias, matou mais de mil pessoas.

Neste período, o governo do chanceler Benjamin Netanyahu assassinou mulheres, crianças e foi capaz até de bombardear um hospital e uma escola da Organização das Nações Unidas, levando o secretário Ban-Ki-Moon a se dizer "estarrecido". De acordo com as Nações Unidas, Netanyahu deve ser investigado por "crimes de guerra" e até mesmo o maior aliado de Israel, o governo dos Estados Unidos, tem se mostrado desconfortável com o banho de sangue. Ontem, o secretário de Estado, John Kerry, pediu uma trégua que impedisse a continuidade da matança.

No entanto, Netanyahu tem, a seu lado, a família Civita, que edita a revista Veja, cuja capa desta semana se dedica a apontar o que seria o "apagão na diplomacia" e a "falência moral da política externa do governo Dilma". Internamente, a revista aponta o que seriam sinais de "nanismo" do Itamaraty. Um desses, curiosamente, seria até a declaração do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, numa reunião do G-20, quando chamou o ex-presidente Lula de "o cara". Ou seja: na lógica de Veja, um elogio de Obama no G-20, organismo que deve muito ao Brasil, diminuiria o País.

Com a capa desta semana, Veja se coloca à extrema direita e se isola até mesmo seus leitores. Responsável pela formulação da política externa do candidato Aécio Neves (PSDB-MG), o embaixador Rubens Barbosa concordou com a posição adotada pelo Itamaraty. Neste sábado, a jornalista Mônica Bergamo também informa que o presidente da Confederação Israelita Brasileira, Claudio Lottenberg, se disse indignado com a grosseria do porta-voz Yigal Palmor, que chamou o Brasil de "anão diplomático". Em editorial, o jornal Estado de S. Paulo condenou o que chamou de "baixaria israelense".

Veja, assim, se isola, assim como o carniceiro Benjamin Netanyahu. Os dois, na verdade, se merecem."



(Do site Brasil247, nesta data, post intitulado "Alinhada ao assassino, Veja condena Itamaraty" - aqui
Muitos críticos achavam que a Veja não conseguiria se superar. Estávamos equivocados).

CARTUM DESPROPORCIONAL


Mário.

A MULHER QUE MARCOU RUBEM BRAGA


Foi uma Senhora

Por Rubem Braga

(Resposta a uma enquete da revista Leitura:
“Qual foi o tipo que mais o impressionou?”)

Foi uma senhora – e não lhe digo o nome, senhor redator, porque na verdade não sei. Foi uma bela senhora – mas para que contar essas coisas? Seria melhor que eu falasse de outras pessoas. Sim, houve outras pessoas que me impressionaram muito; cinco ou seis ou mais, sete ou oito, deixa-me ver. Nove – lembro-me nesse momento de nove, conto-as nos dedos. Sou muito impressionável. Agora, nesse começo de velhice, parece que... Mas basta! Por que maldita inclinação hei eu de estar sempre a explicar meu temperamento? Quando me convencerei de que a ninguém interessam meus desmanchos internos? Grandes e feios desmanchos na verdade – mas vou lhe falar a respeito daquela mulher.

Abençoada eternamente seja aquela mulher. Eu a conheci dez minutos depois de minha morte. O médico e as duas enfermeiras me levaram até o elevador, mas desci sozinho. Fiz questão. Repugnava-me aquele médico, repugnavam-me as enfermeiras, três corvos brancos que tinham presidido à minha morte. Brancos, frios, vorazes, vorazes de minha carne, de minha dor física, vorazes, precisos, profissionais. Eu não sentia mais nenhuma dor aguda, mas ainda estava completamente embrulhado naquele sentimento da morte, a morte anunciada, ou pior ainda, insinuada, sussurrada – e durante 10 a 20 minutos intensamente vivida. Corvos!

Eu pensava com raiva, com uma desesperada raiva, que ia deixar a vida. Tudo o que eu podia enxergar ás vezes, e vagamente, era a cara do médico – uma cara de óculos, uma cara fria, a cara de um inimigo. Parecia exatamente um inimigo meu; a boca, o nariz, os óculos, tudo era igual à cara do meu inimigo. E ele mesmo era meu inimigo, pois me torturava ali com as mãos piedosas e tinha aqueles olhos frios. Na minha impotência sonhei em me erguer, matá-lo, depois sair à rua, tomar um automóvel, matar outro inimigo, matar torturando o patife. Desfilaram diante de mim outras caras de inimigos, caras antipáticas, frias, cruéis, mesquinhas, todos satisfeitos porque eles iam continuar vivos e eu ia morrer – eu ia morrer naquele momento, estava morrendo. Assassinei-os a todos em imaginação, assassinei-os e insultei-os mentalmente com pesados palavrões. Depois meu pensamento voltou para mim mesmo e tive pena de morrer, tive uma extraordinária pena de mim, e me dirigi palavras de amizade. Pobre Rubem, lá se vai ele! E ouvi vozes amigas de homens e mulheres, revi rostos amigos – e pensei em vós, alma querida, alma querida a que jamais servi bem. Pensei em vós, e pensei com doçura e uma espécie de remorso, e senti que a vida tinha valido a pena porque vos estimei e tive a vossa estima; pensei em vós, e vos beijei os olhos... Uma dor aguda, insuportável, me feriu; depois, através das lágrimas que formavam poças nos meus olhos, vi outra vez aquela cara fria, de óculos frios...

Estivera desmaiado tão pouco tempo, mas o elevador me parecia que eu tinha regressado de uma longa morte. O cabineiro me olhou com susto, queria ir buscar um táxi. Eu não quis. Consegui chegar sozinho até a rua, e me encostei a uma parede. Fazia sol, ventava, era uma bela manhã de uma beleza assanhada e feliz. Mas meus olhos ainda viam a morte, a amargura da morte ainda embrulhava meu coração – embrulhava como um sujo papel de embrulho embrulha alguma coisa. Sentia-me fraco e vazio; talvez fosse melhor ter morrido, não ter voltado. Foi então que passou aquela mulher.

Seus finos cabelos negros brilhavam ao sol e sua pele era muito branca. Por um instante deteve em mim os grandes olhos verdes ou azuis, talvez porque lesse em meus olhos o que eu acabara de passar. Aqueles olhos! Não diziam que estavam com pena, apenas me davam coragem; eram limpos, amigos; e eram tão belos, eram fascinantes; era a vida, a úmida luz da vida, a bela e ansiosa vida. Voltei-me quando ela passou. Era alta, pisava com uma graça firme, caminhava levada pela poderosa e leve energia da vida, caminhava ao sol naquela manhã de vento, naquela manhã assanhada que brilhava feliz, brilhava em seus finos cabelos negros... Desculpe, senhor redator. Estou escrevendo demais, minha resposta está enorme. Eu sou muito impressionável! Sim, de todos os tipos humanos e divinos, nenhum como aquela senhora me impressionou tanto; e quando a vi novamente, meses depois, em um bar... Mas para que falar essas coisas? (Fonte: aqui).

INSTITUTOS GARANTEM: MARGEM DE ERRO ESTÁ CADA VEZ MAIS CONFIÁVEL


Amorim.

SOBRE OS COMPROMISSOS POLÍTICOS DE ARIANO SUASSUNA


"A mídia tem feito belas homenagens ao escritor Ariano Suassuna, falecido nesta quarta-feira (23). Depoimentos sobre sua importância para a cultura popular, reprodução de minisséries baseadas em sua obra, reportagens sobre a sua longa e rica história. Talvez emocionada, Ana Maria Braga – sempre ela –, apresentadora do programa “Mais Você”, da TV Globo, até confundiu o nome do grande brasileiro, chamando-o de “Adriano” na manhã desta quinta-feira. Justas, justíssimas, homenagens! O que chama a atenção, porém, é que a mídia nativa tem evitado destacar os compromissos políticos de Ariano Suassuna, que sempre se identificou com as bandeiras nacionalistas e de esquerda.

Como escreveu o ex-presidente Lula em sua mensagem de despedida, o escritor pernambucano “era um militante das causas populares”. “É imensa a tristeza de receber a notícia de que um amigo tão querido nos deixou. Este paraibano de língua afiada, alma solidária, escrita ao mesmo tempo simples e profunda sempre nos honrou com sua amizade. Suassuna fez muito pelo povo brasileiro através de suas palavras, sabedoria popular e compromisso político. Um escritor premiado e reconhecido, que nunca se esqueceu de que era um homem do povo... Como escritor e como militante das causas populares, Suassuna continuará vivo em nossos corações”.

Já a coordenação nacional do MST, em nota oficial, lamentou “a perda do grande mestre da cultura brasileira, que nos deixou nesta quarta-feira. Mestre da cultura popular erudita, crítico do americanismo, Ariano Suassuna marcou o século passado com suas peças teatrais, seus romances e suas aulas-espetáculos... Mestre Ariano foi um apoiador da luta pela reforma agrária e um amigo do MST. Recebeu o coletivo de cultura do MST em sua casa, onde mostrou toda sua simplicidade e vitalidade ao sentar na calçada de sua casa e contar causos. Fez criticas à supremacia do modelo americano e propôs que a cultura popular fosse a mola propulsora de uma nova forma de pensar a cultura”.

Durante um comício de apoio a então candidata Dilma Rousseff em Garanhuns (PE), em agosto de 2010, Ariano Suassuna concedeu uma entrevista ao repórter Fernando Coelho, do jornal Gazeta de Alagoas, na qual reafirmou seu compromisso com o país e seu povo: “Você não sabe a humilhação que eu sentia pela dívida do Brasil ao FMI. O presidente brasileiro não tinha condições de escolher um ministro que não fosse aprovado pelo FMI. O FMI tinha o direito de vetar. Agora, o Brasil pagou a dívida e o FMI está devendo à gente. E Lula disse: 'Já pensou que coisa chique, o FMI está devendo ao Brasil.' Foi para o povo brasileiro recuperar a autoestima”.

“Lula baixou o número de pessoas que viviam na miséria. Baixou de 34% para 18%. Ele, Lula. E o percentual deve estar mais baixo ainda porque esses dados são do ano passado. Eu morria de vergonha do governo Fernando Henrique. Bastava dar um chapéu de doutor para ele entregar tudo. Eu votei no Lula em todas as vezes e não me arrependo. Escrevi, falei em comício, fiz o diabo. O que eu posso fazer eu faço. Eu não tenho poder político, nem econômico, nem nenhum outro, mas tenho uma língua afiada que só a peste, e ela está a serviço do meu país”. Este Ariano Suassuna, engajado e militante, a mídia agora tenta esconder. Reproduzo abaixo um dos seus textos, publicado no site no MST:

*****

Esquerda e Direita 
Não concordo com a afirmação, hoje muito comum, de que não mais existem esquerda e direita. Acho até que quem diz isso normalmente é de direita.

Talvez eu pense assim porque mantenho, ainda hoje, uma visão religiosa do mundo e do homem, visão que, muito moço, alguns mestres me ajudaram a encontrar. Entre eles, talvez os mais importantes tenham sido Dostoiévski e aquela grande mulher que foi santa Teresa de Ávila.

Como consequência, também minha visão política tem substrato religioso. Olhando para o futuro, acredito que enquanto houver um desvalido, enquanto perdurar a injustiça com os infortunados de qualquer natureza, teremos que pensar e repensar a história em termos de esquerda e direita.

Temos também que olhar para trás e constatar que Herodes e Pilatos eram de direita, enquanto o Cristo e são João Batista eram de esquerda. Judas inicialmente era da esquerda. Traiu e passou para o outro lado: o de Barrabás, aquele criminoso que, com apoio da direita e do povo por ela enganado, na primeira grande “assembleia geral” da história moderna, ganhou contra o Cristo uma eleição decisiva.

De esquerda eram também os apóstolos que estabeleceram a primeira comunidade cristã, em bases muito parecidas com as do pré-socialismo organizado em Canudos por Antônio Conselheiro. Para demonstrar isso, basta comparar o texto de são Lucas, nos “Atos dos Apóstolos”, com o de Euclydes da Cunha em “Os Sertões”.

Escreve o primeiro: “Ninguém considerava exclusivamente seu o que possuía, mas tudo entre eles era comum. Não havia entre eles necessitado algum. Os que possuíam terras e casas, vendiam-nas, traziam os valores das vendas e os depunham aos pés dos apóstolos. Distribuía-se, então, a cada um, segundo a sua necessidade”.

Afirma o segundo, sobre o pré-socialismo dos seguidores de Antônio Conselheiro: “A propriedade tornou-se-lhes uma forma exagerada do coletivismo tribal dos beduínos: apropriação pessoal apenas de objetos móveis e das casas, comunidade absoluta da terra, das pastagens, dos rebanhos e dos escassos produtos das culturas, cujos donos recebiam exígua quota parte, revertendo o resto para a companhia” (isto é, para a comunidade).

Concluo recordando que, no Brasil atual, outra maneira fácil de manter clara a distinção é a seguinte: quem é de esquerda, luta para manter a soberania nacional e é socialista; quem é de direita, é entreguista e capitalista. Quem, na sua visão do social, coloca a ênfase na justiça, é de esquerda. Quem a coloca na eficácia e no lucro, é de direita."





(De Altamiro Borges, post "Mídia 'despolitiza' Ariano Suassuna" - aqui).

CARTUM DA GUERRA CONJUGAL


Nani.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

DA SÉRIE NÃO BASTA TORCER CONTRA


Sucesso de Dilma deteriora economia, diz Santander a clientes ricos

Por Fernando Rodrigues

O Banco Santander enviou neste mês de julho de 2014 aos seus clientes de alta renda um texto afirmando que o eventual sucesso eleitoral da presidente Dilma Rousseff irá piorar a economia do Brasil.

A análise foi impressa na última página do extrato dos clientes na categoria “Select”, com renda mensal superior a R$ 10 mil. Diz que se Dilma melhorar nas pesquisas de intenção de voto, os juros e o dólar vão subir e a Bolsa, cair.

O texto vem sob o título “Você e seu dinheiro” e orienta os clientes do Santander: um cenário eleitoral favorável à petista reverterá “parte das altas recentes” na Bolsa.

(Para continuar, clique AQUI).

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Sem novidades no front: a 'mensagem' do Santander é a mesma propalada por rentistas em geral, e isso já há um bom tempo. Dirigente do Itaú, por exemplo, já 'cantou a pedra' em comentários feitos nos EUA; algo como "os fundamentos do Brasil são sombrios, o país ruma para o fracasso, logo, as perspectivas são boas para nós". A Veja deu até matéria de capa, indagando em letras garrafais, inocentemente, a razão por que a Bolsa sobe quando a presidente cai nas pesquisas...

O que distingue o comportamento do Santander é o fato de o 'prognóstico' haver-se revestido de caráter oficial. (Desfazer tal caráter, como o banco apressou-se em fazer, é até mesmo prevenir-se quanto a eventuais desdobramentos no âmbito jurídico...).

BRASIL REPUDIA MASSACRE EM GAZA


Frank.

ISRAEL EXIGE A CONIVÊNCIA DE TODOS

Rafael.

Brasil convoca embaixador e Israel critica duramente

O governo de Israel não gostou do Brasil ter convocado seu embaixador em Tel Aviv para consultas e por ter publicado duas notas, no prazo de uma semana, considerando a escalada de violência entre Israel e Palestina algo inaceitável.

Como reação o Ministério das Relações Exteriores de Israel soltou comunicado à imprensa, por meio do porta-voz Yigal Palmor, manifestando “desapontamento” diante da convocação do embaixador brasileiro. “Israel manifesta o seu desapontamento com a decisão do governo do Brasil de retirar seu embaixador para consultas. Esta decisão não reflete o nível das relações entre os países e ignora o direito de Israel de se defender. Tais medidas não contribuem para promover a calma e a estabilidade na região. Em vez disso, eles estimulam o terrorismo, e, naturalmente, afetam a capacidade do Brasil de exercer influência”, reza o texto.

“Israel espera o apoio de seus amigos em sua luta contra o Hamas, que é reconhecido como uma organização terrorista por muitos países no mundo”, disse Yigal Palmor. Já os jornais israelenses noticiaram críticas mais contundentes do porta-voz. O jornal The Jerusalem Post afirma que Palmor disse que “essa é uma demonstração lamentável de por que o Brasil, um gigante econômico e cultural, continua a ser um anão diplomático”, e acrescentou que “o relativismo moral por trás deste movimento faz do Brasil um parceiro diplomático irrelevante, aquele que cria  problemas em vez de contribuir para soluções”.

Na nota do Brasil foi reiterado o chamado a um “imediato cessar-fogo” entre as partes. O Itamaraty explicou que, diante da gravidade da situação, votou favoravelmente à resolução do Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas que condena a atual ofensiva militar de Israel na Faixa de Gaza e cria comissão internacional para investigar todas as violações e julgar os responsáveis.

A Confederação Israelita do Brasil (Conib) também não gostou da nota divulgada pelo Itamaraty. . “A Confederação Israelita do Brasil vem a público manifestar sua indignação com a nota divulgada pelo nosso Ministério das Relações Exteriores, na qual se evidencia a abordagem unilateral do conflito na Faixa de Gaza, ao criticar Israel e ignorar as ações do grupo terrorista Hamas”, destaca o texto.

Segundo a Conib, “uma nota como a divulgada nesta quarta-feira só faz aumentar a desconfiança com que importantes setores da sociedade israelense, de diversos campos políticos e ideológicos, enxergam a política externa brasileira”. A entidade também afirmou que a comunidade judaica brasileira compartilha da preocupação do povo brasileira e expressa “profunda dor pelas mortes dos dois lados do conflito”, além de esperar cessar-fogo imediato.

Apesar de ter sido taxado de “anão diplomático” por Israel, o Brasil e a Alemanha são os únicos países a ter relações diplomáticas com todas as nações do mundo. O Brasil foi um dos 29 países a votar a favor da resolução do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas. Houve 17 abstenções e apenas um voto contra, dos Estados Unidos. Além do Japão, todos os países europeus presentes, incluindo a França, o Reino Unido e a Alemanha, optaram pela abstenção. (Fonte: aqui).

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Um leitor arguto observa: 

"Se os guerrilheiros do Hamas se escondessem em prédios de Tel Aviv os aviões israelenses iriam bombardear esses prédios dizendo que a morte de civis e crianças é apenas um efeito colateral e que o Hamas é o culpado das mortes?

Não, claro que não. Porque eles dão valor à vida dos israelenses.

Mas não dão valor à vida dos palestinos.

Pode ser que o Hamas use os civis como escudos humanos, mas Israel usa esse fato como uma desculpa para matar civis palestinos indiscriminadamente."

Israel tem o direito de ser reconhecido como Estado pleno, e isso é muito justo, mas não tem o direito de exterminar civis encurralados, como vem fazendo em Gaza. O fato de Israel mandar nos Estados Unidos não lhe confere o direito de exigir do Brasil idêntica submissão.

DA SÉRIE COISAS QUE VI NA ÉPOCA DA COPA (VI)


Krzysztof Grzondziel. (Polônia).

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Vi o cartum por ocasião da Copa, mas ele foi produzido bem antes dela. 

ONU LOUVA MEDIDAS DE PROTEÇÃO SOCIAL DO BRASIL


Bolsa Família é exemplo de política em que todos ganham, diz estudo da ONU

Por Sílvio Guedes Crespo

O mais recente Relatório para o Desenvolvimento Humano, da Organização das Nações Unidas, defende um conjunto de medidas de proteção social e regulação estatal para combater a pobreza e a desigualdade no mundo.

O estudo afirma que os programas Bolsa Família, do Brasil, e Oportunidades, do México, são “exemplos de políticas ganha-ganha”.

Para a ONU, as iniciativas tiveram um duplo papel após 2008. No curto prazo, suavizaram os efeitos negativos da crise internacional sobre o poder de compra dos mais pobres, ajudando a manter o nível de consumo. Adicionalmente, trouxeram benefícios de longo prazo uma vez que as famílias, para receberem o benefício, precisam manter os filhos na escola.

Programas de transferência de renda, diz o estudo, foram importantes para diminuir o impacto que a população sofreu com o aumento dos preços de alimentos que se seguiu à crise de 2008.

Segundo o relatório, o Bolsa Família contribuiu com 20% a 25% da redução da desigualdade no país em 2008 e 2009, ao custo de 0,3% do PIB (Produto Interno Bruto).

Mas os programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, são apenas uma das iniciativas possíveis para combater a pobreza, reduzir a vulnerabilidade da população e construir resiliência na sociedade.

Os governos devem atuar, também, por meio de regulação financeira e de políticas macroeconômicas que possibilitem diminuição da pobreza. Ainda, o relatório da ONU defende que os países ofereçam à população acesso universal à saúde e à educação e também uma rede de proteção social.

“Todos os indivíduos têm igual valor e têm o mesmo direto de proteção e ajuda. Portanto, é preciso haver um amplo reconhecimento de que aqueles mais expostos a riscos e ameaças, as crianças ou pessoas com deficiência podem requerer apoio adicional para que suas chances na vida sejam iguais às dos demais”, afirmou o relatório.

Salário mínimo
Outro ponto defendido pelo estudo é o aumento do salário mínimo, apesar de vários economistas no Brasil afirmarem que tal política provocou redução da produtividade das empresas.

“O salário mínimo deve ser aumentado para estimular [a economia] a se mover na direção de atividades de produtividade mais alta”, afirma o texto. Essa frase remete a uma nota de rodapé que diz: “O aumento do salário mínimo foi uma resposta à crise no Brasil e contribuiu para aumentar os salários e a distribuição de renda”.

Em seguida, o texto acrescenta: “As reformas do modelo neoliberal no mercado de trabalho precisam ser cuidadosamente reavaliadas da perspectiva da redução da vulnerabilidade do emprego''.

(Para continuar, clique aqui).

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A posição da ONU, amplamente favorável aos programas sociais e à política de aumento real do valor do salário mínimo implementados pelo Brasil, já era conhecida há algum tempo, mas agora foi manifestada expressamente. Por mais que os neoliberais e seus parceiros insistam em desmoralizar tal política, o fato é que o modelo está servindo de exemplo para o mundo.

O economista Armínio Fraga, por exemplo, já anunciado como gestor da área econômica de eventual governo Aécio Neves, já teria apontado a insustentabilidade do aumento do valor real do salário mínimo, ao tempo em que defende o advento de "algum desemprego" como forma de contenção do ímpeto inflacionário. Eis aí duas das "medidas impopulares" que Aécio Neves já declarou estar pronto para anunciar.

Esperamos que o Brasil prossiga com firmeza em sua estratégia social, aprimorando-a permanentemente.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

FLAGRANTES DA VIDA DA REALEZA (I)


Thiago.

NO ORIENTE MÉDIO, AMARGAS PERSPECTIVAS


Naturei Karta: "O Judaísmo rejeita o Sionismo e o Estado de Israel"

Por Lilian Milena

Milhares de pessoas ocuparam as ruas de Nova York (...). Os protestos foram organizados em regime emergencial pelo movimento Naturei Karta, formado por judeus ortodoxos contrários à existência do Estado de Israel na Palestina.

Os manifestantes seguravam cartazes com fotos de crianças feridas pelo ataque israelense na faixa de Gaza junto à frase “O estado de Israel e sua atrocidade”, outras faixas diziam “Solução! Desmantelamento pacífico do estado israelense” e “Judaísmo rejeita o sionismo e o Estado de Israel”.

O sionismo - movimento político ideológico criado no início do século passado que defende a existência de um Estado judaico na Palestina – divide hoje a população judaica mundial. O eixo favorável se baseia nas perseguições históricas do povo judeu na Europa, defendendo, portanto, à necessidade da constituição do estado no território da Palestina, terra em que os hebreus, povo que originou a nação judia, ocupou há 2000 anos.

A esse movimento se opõe o Naturei Karta (do aramaico "guardiões da cidade"), grupo criado em 1937, a partir de um racha do movimento Agudas Yisroel, fundado em 1912, com o objetivo de combater o sionismo.

Numa carta entregue aos Palestinos da Faixa de Gaza, em julho de 2009, escrita pelo braço norte-americano do movimento, eles lamentam a existência do Estado de Israel. “Os judeus verdadeiros são contra a desapropriação dos árabes de suas terras e casas. De acordo com a Torá [livro sagrado na religião judaica], a terra deve ser devolvida a vocês [Palestinos]”.

Essa linha religiosa dos Neturei Karta, que diz seguir rigorosamente os ensinamentos do judaísmo, aponta que hoje os judeus não têm direito de ocupar em massa a “Terra Santa”, localizada na Palestina. Isso decorre de uma crença religiosa que os impede de ter domínio sobre qualquer território, mas que os orientam a viver pacificamente nos países onde tiverem que viver. A criação do Estado de Israel, descrita nos livros sagrados, na verdade, é retratada como um evento divino que deverá ocorrer após a vinda do Messias, ao mesmo tempo, não tem nada a ver com o mundo material, de um Estado criado através das mãos humanas.

“[Os sionistas] têm usado a Torá para legitimar seu roubo, alegando que eles têm direito a terra, mandando para fora os palestinos, enquanto, na verdade, a Torá proíbe explicitamente isso. Ainda mais audazes alegam que [a Palestina] era uma terra sem povo para um povo sem terra. Deveriam parar de dizer isso, porque naqueles dias não existia a cobertura suficiente dos meios de comunicação imparciais, e contavam com o apoio das potências ocidentais”, destacam na carta aberta aos palestinos da Faixa de Gaza.
                                         
Por serem contrários á constituição do Estado de Israel, os membros do Naturei Karta estão espalhados em vários países. Em 2012, eles passaram a ser mais conhecidos entre os brasileiros após o intenso compartilhamento de um vídeo do discurso do rabino e membro do grupo Dovid Weiss durante uma de suas manifestações.

“Todos os rabinos que viveram no velho Estado de Jerusalém, antes de 1948, podem lhes dizer como viviam e coexistiam pacificamente com seus vizinhos árabes, como tomavam conta das crianças, uns dos outros, durante o Yom Kippur [mês considerado sagrado no calendário judeu]”, cita Weiss no vídeo.

Weiss denuncia também que judeus ortodoxos antissionistas que vivem em Israel sofrem constantemente repreensões ou espancamentos. Eles são chamados por judeus favoráveis a constituição do Estado na Palestina de “antissemitas”. Semita é um termo que, usualmente, refere-se aos judeus, apesar de designar os povos originários de uma mesma língua na região do Oriente Médio, e isso inclui hebreus (judeus) e árabes.

Entenda o conflito mais recente
Há nove dias Israel iniciou ataques aéreos à Faixa de Gaza. O Estado afirma oficialmente que a operação é de caráter defensivo, com o objetivo de interromper o lançamento de foguetes palestinos contra o território israelense. O conflito começou após a morte de três adolescentes israelenses encontrados no dia 12 de junho na Cisjordânia. Segundo os meios de comunicação de Israel, os jovens teriam sido sequestrados enquanto pediam carona por membros do partido palestino Hamas, que nega a autoria dos crimes.

Dias após o aparecimento dos corpos dos três adolescentes, um palestino foi raptado e queimado vivo. A população da Palestina se revoltou e passou a fazer protestos locais queimando carros e fechando ruas. Paralelo a esses acontecimentos uma série de morteiros começaram a ser disparados de Gaza em direção às colônias israelenses.  Israel prendeu seis judeus extremistas que teriam participado da morte do garoto palestino, sendo que três confessaram o crime.

Ainda assim o conflito não cessou e o exército israelense iniciou uma série de ataques aéreos que mataram até o momento 208 civis. O Estado procura agora negociar o cessar fogo com o Hamas, partido que ganhou as eleições legislativas da Palestina em 2007.

Mas para que um acordo ocorra o Hamas exige não apenas a paralisação dos bombardeios, como o fim das restrições impostas aos Palestinos por Israel que dificultam a circulação de pessoas e mercadorias palestinas. A sanção foi imposta desde que o Hamas tomou o poder em 2007, atingindo profundamente a economia da nação. (Fonte: aqui).

A CHEGADA DE ARIANO


S. Salvador.

NO SERTÃO DE ARIANO


Sid.

MINHA IMPRESSÃO SOBRE SUASSUNA


Os textos, palestras e entrevistas de Ariano Suassuna espelham fielmente a máxima imortal de Leon Eliachar: humor é a arte de fazer cócegas no raciocínio dos outros.

ECOS DA LUA


Fausto.