sexta-feira, 31 de outubro de 2014

DERROTADOS FRACASSAM TAMBÉM NO TAPETÃO


Bira.

ECOS DO PLEITO: COMENTANDO O COMENTÁRIO


Zop.

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O óbvio é óbvio, mas não é ululante: Quem perdeu não levou - mas está depreciando a conquista da adversária e investindo na divisão do país.

Para completar, o perdedor ingressou no TSE com pedido de "auditoria especial" no resultado das eleições, o qual foi desde logo considerado insubsistente pelo corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro João Otávio de Noronha - aqui.

A expectativa era de que o TSE somente se manifestaria sobre o assunto a partir do início da próxima semana. A inesperada manifestação do corregedor-geral provavelmente levará a revista Veja a dar tratos à bola para substituir a matéria de capa da próxima edição. Ou não.

ECOS ELEITORAIS: MANIPULAÇÃO, VEJA, VERITÁ, TAPETÃO...

 
1. "Informações de uma pesquisa de intenção de voto do instituto Veritá usadas na propaganda de segundo turno do tucano Aécio Neves são comprovadamente enganosas.

Quem confirma é o próprio dono do instituto que fez o levantamento, Adriano Silvoni. E também o estatístico responsável pelas pesquisas do Veritá, Leonard de Assis.

A informação infundada era a liderança de Aécio em Minas Gerais com 14 pontos de vantagem sobre Dilma Rousseff (PT): uma pesquisa que o mostrava com 57% ante 43% da petista.

O enredo que levou o PSDB a propagar esses números começa em 6 de outubro, logo após o primeiro turno, quando o Veritá conclui uma pesquisa nacional para presidente com 5.161 entrevistas, estudo registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com o código BR-01067/2014.

Tanto o número de entrevistas quanto os municípios de coleta de dados foram definidos pelo Veritá para retratar a disputa eleitoral no Brasil como um todo.

O total de eleitores ouvidos em Minas era suficiente para compor o quadro nacional, mas insuficiente para retratar a realidade local.

Assim, a pesquisa apontou Aécio com 54,8% em todo o Brasil contra 45,2% para Dilma, diferença de 9,6 pontos.

Segundo Assis, dias após a divulgação desse placar, o publicitário Paulo Vasconcelos, responsável pela propaganda de Aécio, pediu para que o Veritá fornecesse os dados das entrevistas feitas só em Minas.

"O estudo não foi feito com essa finalidade", diz. Silvoni, o dono do Veritá, confirma: "Para Minas, foram 561 questionários. Não é confiável".

Mesmo assim, eles acabaram autorizando o envio dos dados. "Eu falei: pode pegar, mas cite, por favor, que não representam a realidade de Minas'", afirma Assis.

Se fez mesmo o alerta, não adiantou. No dia 14 de outubro, às 17h06, o site do jornal mineiro "Hoje em Dia" publicou que, segundo o Veritá, Aécio tinha 57% dos votos de Minas contra 43% de Dilma, uma vantagem de 14 pontos." (Ricardo Mendonça, Folha de São Paulo - Para continuar, clique aqui).

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2. Quando se espera que os sobressaltos da campanha eleitoral tenham chegado ao fim, eis que surge denúncia como a acima. Como diria aquele velho personagem humorístico televisivo: Esse pessoal é um espanto!

A fraude da pesquisa vem juntar-se à inacreditável manobra da Veja, que continua na berlinda.

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3. Para completar, o partido derrotado pleiteia ao TSE a realização de auditoria especial de apuração dos votos da eleição presidencial - aqui.

Pincei um dos inúmeros comentários expostos na fonte (a maioria esmagadora condenando a atitude do 'recorrente'):

"O que o PSDB quer é manipular a insatisfação gerada com a derrota legítima do seu candidato para insuflar a desordem no país. É claro o clima de guerra e ódio separatista. Qualquer político sério e coerente tentaria apaziguar a situação respeitando a democracia e o TSE, mas o PSDB faz ao contrário. Finge falar em nome do povo, mas o que deseja mesmo é desrespeitar o resultado. Usa o discurso da moralidade para cometer a imoralidade. Nada irá mudar, mas o clima de ódio vai aumentar. Quem ganhará com isso?" (Do leitor Kadetti).

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4. (Na Colômbia, a lei estipula que o vencedor da eleição será aquele que obtiver ao menos 50%  mais um dos votos. Em junho passado, o presidente Juan Manoel Santos se reelegeu com 50,8%, derrotando Óscar Ivan Zaluaga, que contava com o apoio do ex-presidente Álvaro Uribe, notório, digamos, conservador radical. E na Colômbia não se teve notícia de recurso judicial, auditoria, qualquer jus sperniandi...).

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5. Talvez, ao final, de consistente só reste o juízo externado por Aécio Neves, no começo do ano: "Se eu não vencer em Minas, não mereço ser presidente." - Coluna Radar, de Lauro Jardim, aqui.

Aécio foi derrotado. Perdeu em 608 dos 853 municípios mineiros (note-se que o 'nordestino' Vale do Jequitinhonha conta com algo em torno de 80 municípios).

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6. AP 470 antecipada e adequadamente 'formatada'... Petrobras programada e milimetricamente dosada... Pesquisas camaradas (Veritá, Sensus...)... Mídia amiga... Veja atuando na hora precisa, coonestada pelo JN na véspera do dia fatal... É, a certeza do êxito era completa. Mas, desfez-se qual sorvete ao sol.

De início, perplexidade; presentemente, inconformismo, jus sperniandi e investimento na divisão do país. Triste.

EUA E OTAN SAEM DO AFEGANISTÃO

              - Obrigado, meu Deus! Finalmente caímos fora!
                  (Americano e Inglês se retiram da terra arrasada - notadamente por eles).

Luojie.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

ECOS DA CAMPANHA: A CARTA DE J. CARLOS DE ASSIS A JORNALISTAS DA ABRIL E DA GLOBO


"Caríssimos,

Vocês perderam a eleição. Protagonizaram a campanha mais sórdida jamais realizada por órgãos de imprensa em toda a história da República, e assim mesmo perderam. Tentaram envenenar a opinião pública brasileira contra uma candidatura, distorceram fatos, inventaram outros, e orquestraram no mesmo diapasão uma opinião seletiva sobre inquéritos policiais  em andamento, atropelando todos os protocolos de comportamento ético de uma imprensa que, mesmo não sendo nunca imparcial na opinião, deveria ao menos tentar sê-lo no noticiário.

Entretanto, não escrevo para celebrar a sua derrota. Muitos já o tem feito. Ao contrário, tomo a liberdade de lhes escrever pelo cuidado que tenho com o seu destino. Gosto da alta qualidade material dos produtos que oferecem à sociedade. As novelas da Globo são sem paralelo no mundo. Os casos de ficção e mesmo as reportagens especiais são de categoria internacional. O mesmo se aplica às revistas não ideológicas da Abril. Contudo, tudo isso está sendo colocado em risco pelo jornalismo sórdido que vocês praticam.

Tenho idade para ter visto muitos impérios jornalísticos  brasileiros que se destruíram, ou que foram destruídos pela concorrência. O seu pode ser o próximo. Vocês, nessa campanha presidencial, ao escolheram um lado com o sectarismo principista de um Estado Islâmico, foram além da crítica ao governo para atacar as próprias bases do Estado democrático. Vocês foram ao extremo de subverter o processo judicial envolvendo o poder da República que deveria ser o mais respeitado, a Justiça, em maquinações eleitoreiras rasteiras e macabras. Não fosse a internet, depurando o noticiário, e vocês teriam ganho.

Sei que o caminho suicida que escolheram era uma aposta na candidatura que lhes parecia a mais adequada para tirá-los das dificuldades empresariais e afastar o risco de uma regulamentação mais democrática da mídia. No primeiro caso, o fato de ambas as organizações serem os beneficiários das duas maiores contas de publicidade do governo parece não lhes ser satisfatório. Ou querem mais ou tem medo de perder o que tem. No segundo caso, o risco é um marco regulatório que quebre o monopólio de algumas mídias.

Sim, porque os verdadeiros democratas brasileiros não querem muito mais do que aquilo que os norte-americanos têm. Não me consta que a NBC, a ABC ou a CNN sejam proprietárias de jornais e revistas nos Estados Unidos. Por outro lado, não me consta que o New York Times ou o Wall Street Journal sejam donos de televisões e rádios. Quebrar o monopólio jornalístico da Globo no Brasil não seria diferente do que Cristina Kirchner fez com o Clarín na Argentina, e isso, é preciso reconhecer, simplesmente segue o padrão americano e não tem nada a ver com violação da liberdade de imprensa.

Esta é uma questão política da mais alta relevância, e se alguém, de um ponto de vista imparcial, analisa a campanha presidencial que acaba de ser encerrada encontra amplas justificativas para querer a busca de um marco regulatório adequado. Entretanto, isso é também uma questão econômica, tendo em vista a concorrência no mundo da mídia. A articulação de jornal, televisão e rádio traz óbvias vantagens comerciais monopolísticas para seu dono, além de um inequívoco poder político que pode ser manipulado contra concorrentes, mas também contra a democracia.

Trabalhei  sete anos no Jornal do Brasil até pouco antes do início de sua decadência. O JB, quando lá entrei no começo dos anos 70, era dono absoluto do mercado de pequenos anúncios. Quando muitos, e esse era o caso, era a melhor fonte de receita do jornal porque o anúncio era pago adiantado na boca do caixa. Pois bem, a certa altura O Globo decidiu entrar pra valer no mercado de pequenos anúncios. Se fosse jornal contra jornal, tudo bem. Mas o Globo lançou todo o peso da televisão para anunciar seus classificados. Aos poucos, liquidou com o negócio do JB, que não tinha televisão para defender-se.

Esse pequeno incidente revela o verdadeiro poder dos monopólios midiáticos. Quando se trata de política, esse poder é multiplicado. Basta lembrar das consultas obrigatórias que os presidentes faziam a Roberto Marinho sobre iniciativas importantes no tempo em que ele estava em pleno vigor físico. Os herdeiros estão longe da habilidade política do pai, e estão entrando num terreno perigoso de oposição sistemática ao governo. Isso acontece sobretudo na Veja e, principalmente, no Jornal da Globo.

Quando William Waack, Carlos Alberto Sardenberg e Arnaldo Jabor extrapolam sua função de apresentadores e comentaristas para assumirem o papel de doutrinadores raivosos contra a política externa ou interna do governo, manipulando descaradamente o noticiário, é, em sua essência, uma violação das regras de concessão pública de televisão e põem em risco uma organização que, fora da política, é líder absoluta da produção audiovisual na América Latina. Acho que interessa a todos os brasileiros que essa liderança seja conservada e ampliada. Espera-se que o jornalismo da Globo e de Veja não ponham tudo a perder, não junto ao governo, mas junto a telespectadores, leitores e anunciantes, sendo varrido da cena pelo noticiário plural da internet."




(José Carlos de Assis - Economista, doutor pela Coppe/UFRJ, professor de Economia Internacional da UEPB. Post "Carta aos jornalistas da Globo e da Abril" - aqui.

O fato é que o § 5º do artigo 220 da Constituição Federal está lá, firme e expressamente claro, a proibir a existência de monopólios/oligopólios sobre os meios de comunicação. Desconhece-se o futuro de tal dispositivo. Pode vir a ser regulamentado, finalmente. Pode permanecer no limbo em que se encontra. E, no que seria o desfecho acalentado pelas forças do Livre Mercado e parceiros, pode até vir a ser declarado inconstitucional. Mas, que ele está na Constituição Federal, está. E mais: uma vez que o livre acesso à informação isenta é um direito fundamental, a proibição de que se trata deve - ou deveria - ser considerada cláusula pétrea, infensa, em decorrência, a qualquer ameaça).

PAPA FRANCISCO: CIÊNCIA PREVALECE SOBRE RELATO BÍBLICO


Jorge Braga.

PAPA FRANCISCO: CIÊNCIA PREVALECE SOBRE RELATO BÍBLICO


Frank.

O PORQUÊ DO NORDESTE


O que realmente explica a vitória do PT no Nordeste

Por Maurício Angelo

Novamente, após a vitória da presidenta Dilma Rousseff pela reeleição com 3,5 milhões de votos a mais que o adversário, Aécio Neves, a xenofobia e o ódio gratuito contra o Nordeste, decisivo no pleito com mais de 70% dos votos para Dilma, voltaram a aparecer nas redes sociais.

Velhas ideias elitistas de separação “norte” e “sul” e “uso político” do Bolsa Família – apesar de São Paulo ser o segundo estado que mais recebe recursos do Bolsa Família (atrás somente da Bahia) e ter se mostrado reduto absoluto do PSDB, diga-se – ecoaram. Não somos um país dividido, mas um mosaico, como mostra o gráfico das eleições presidenciais nos municípios, abaixo. Dilma também venceu em Minas Gerais, superando Aécio Neves em sua própria “casa” – uma resposta contundente do povo de MG ao seu ex-governador e atual senador – além de vencer no Rio de Janeiro e alcançar votações muito próximas no Espírito Santo e Rio Grande do Sul.

Mas o que realmente explica a massiva votação que o PT recebe do Nordeste nas últimas 4 disputas pela presidência? O Bolsa Família – programa em que 76% das pessoas que recebem trabalham com carteira formal e mais de 1,6 milhão de famílias já abriram mão espontaneamente do benefício – decifra sozinho esse “fenômeno”? Seria a popularidade absurda de Lula, um pernambucano?

Os dados e fatos abaixo, compilados por mim em reportagens diversas dos últimos 4 anos (links aqui), mostram o quanto a região se desenvolveu absurdamente na economia, na educação, na saúde, nos investimentos que atrai, na força do seu mercado, na inclusão social e mudança da pirâmide de renda. O quanto o governo do PT (2003-2014) transformou a região muito, mas muito além do Bolsa Família, beneficiando todos os extratos da população nordestina e colocando no mapa uma região historicamente negligenciada.


É claro que o Nordeste ainda tem muito para avançar, no controle da violência, nos indicadores sociais e econômicos, e cresce acima da média brasileira justamente porque passou tanto tempo esquecido e tem tanto para melhorar. Responsabilidade compartilhada entre a União, estados e municípios.

O mérito inegável do Partido dos Trabalhadores, que uma parcela felizmente minúscula da população, repleta de ódio e estupidez, prefere ignorar, é colocar a região de volta no caminho de protagonista do Brasil.

 Emprego, renda, crescimento e desenvolvimento social

  •  Em 2002, 4,8 milhões de nordestinos tinham emprego formal. No final do ano passado, eram 8,9 milhões.
  • Segundo a PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), entre 2001 e 2012, o nordestino teve o maior ganho de renda entre todas as regiões, o que fez com a participação da base da pirâmide social caísse 66% para 45% –ou seja, mais de 20 milhões de pessoas deixaram a pobreza.
  • Com mais de um quarto da população brasileira, a classe média no Nordeste foi engrossada em 20 pontos percentuais na última década, alcançando 42% dos habitantes.
  • A classe A também ganhou agregados e saltou de 5% para 9% desde 2002.
  • O poder de compra dos nordestinos já chega quase a 450 bilhões de reais, valor que corresponde à economia de países como Peru e República Checa.
  • O programa de cisternas levou mais de 1 milhão de reservatórios de água para pessoas carentes.
  • O Luz Para Todos beneficiou mais de 7 milhões de pessoas somente no Nordeste, com mais de R$6 bilhões de investimento na região.
  • Na última década, entre 2003 e 2013, o Nordeste cresceu mais do que a média nacional, com avanço de 4,1% ao ano, enquanto o país ficou na marca de 3,3%. Números divulgados pelo Banco Central (BC) apontam que a região responde por 13,8% da economia nacional.
  • Isso representa um crescimento de 41% em 10 anos, ante 33% da média nacional.
  • Em 2012, por exemplo, a economia local cresceu o triplo da brasileira.
  • Segundo cálculos do Banco Central, a economia nordestina cresceu 2,55% no segundo trimestre de 2014, na comparação com o primeiro, que já havia mostrado expansão de 2,12%.São taxas sem paralelo no restante do país. Nenhuma das demais regiões obteve dois trimestres consecutivos de alta, e as taxas, mesmo quando positivas, foram bem mais modestas. Pela medição do IBGE, a economia do Brasil encolheu 0,2% de janeiro a março e 0,6% de abril a junho.
  • O Produto Interno Bruto (PIB) do Nordeste crescerá 2,6% em 2014, muito acima da média nacional.
  • O Nordeste criou 1,04 milhão de postos de trabalho no primeiro trimestre de 2014, o que representa quase 60% do total de vagas abertas em todo o Brasil, segundo dados do IBGE.
  • Além de ter apresentado o maior resultado em termos de geração de vagas no primeiro trimestre de 2014, a formalização na região também é forte e tem colaborado para a intenção de consumo se manter em níveis elevados, avaliou Bentes. Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram alta de 2,2% no emprego formal no Brasil em 12 meses até abril. No Nordeste, o avanço é de 3,3%, com destaque para o comércio e os serviços.
  • Levantamento da Firjan aponta que, na última década, 97,8% dos municípios nordestinos apresentaram crescimento do IFDM (Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal).

 Educação e Saúde

  •  Em 2000, segundo dados do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), o Nordeste tinha 413.709 universitários. Em 2012, esse número saltou para 1.434.825. Com isso, a região ultrapassou o Sul e passou a segunda com maior número de estudantes do ensino superior –20% do total–, atrás apenas do Sudeste.
  • Nos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, 18 universidades federais foram abertas –sete delas no Nordeste, todas fora das capitais.
  • A região tem conseguido fazer subir o número de pessoas com 18 anos ou mais nas universidades. Formados, eles passarão a ganhar 15,7% a mais por ano de estudo, segundo o Data Popular.
  • O SUS [Sistema Único de Saúde] está presente em todos os municípios nordestinos, principalmente com suas equipes de PSF [Programa de Saúde da Família], e o ensino fundamental é praticamente universalizado.

 Bolsa Família

  •  Em 2013, o Bolsa Família deve repassar 25 bilhões de reais para mais de 13,8 milhões de famílias, metade delas no Nordeste. Na região, quatro em cada dez famílias recebem o benefício social, com valor médio de 152 reais por mês.
  • De acordo com estudo recentemente divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o Bolsa Família tem efeito multiplicador de R$ 2,40 sobre o consumo final das famílias, por isso setores como comércio e serviços – formado no Nordeste, principalmente por pequenos negócios -, que atendem esse consumidor final, são os mais beneficiados. Além disso, o levantamento mostra que cada real investido no programa gera um retorno de R$ 1,78 para a economia.

 Agricultura

  •  Até 2022, segundo projeções do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o Brasil plantará cerca de 70 milhões de hectares de lavouras e a expansão da agricultura continuará ocorrendo no bioma Cerrado. Somente a região que compreende os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia terá, nesse mesmo período, o total de 10 milhões de hectares, o que representará 16,4% da área plantada e deverá produzir entre 18 a 24 milhões de toneladas de grãos, um aumento médio de 27,8%. Estamos falando do Matopiba, região considerada a grande fronteira agrícola nacional da atualidade.
  • O Matopiba é peça-chave para o desenvolvimento da agricultura e para a segurança alimentar do País. “O investimento na produção sustentável na região do Matopiba será fator de segurança alimentar para o Nordeste, assolado por secas que matam as plantas de sede e os animais de fome”, apontou o presidente da Embrapa, Maurício Antônio Lopes, que prevê com o crescimento do agronegócio um valioso desenvolvimento social para a região.
  • A agricultura familiar é responsável pela produção dos principais alimentos consumidos pela população brasileira: 84 % da mandioca, 67% do feijão; 54 % do leite; 49 % do milho, 40 % de aves e ovos e 58 % de suínos.
  • No Nordeste a agricultura familiar é responsável por 82,9 % da ocupação de mão de obra no campo. 
 Tecnologia
  •  O Porto Digital, em Recife (PE), já perdura por mais de uma década gerando cerca de 6 mil empregos em quatro centros de pesquisa de tecnologia, quatro multinacionais, além das startups que também estão sediadas ou possuem escritórios no parque. Foram aproximadamente R$ 90 milhões investidos na reforma da zona portuária da capital.
  • De acordo com um estudo feito em 2010, o Porto Digital fatura quase R$ 900 milhões por ano, engloba quase 500 empreendedores em seu parque e paga salários acima de R$ 2,5 mil. A maior parte de sua mão de obra possui ensino superior e pelo menos um segundo idioma. Atualmente, o Porto Digital se caracteriza por oferecer alta taxa de empregos ao público jovem: 35% dos trabalhadores de lá têm entre 17 e 25 anos.
  • Na maior parte, as empresas que estão instaladas no parque são voltadas para o desenvolvimento de software para gestão empresarial, soluções para o mercado financeiro e para a área de saúde, mas também há startups que desenvolvem games, sites e intranets empresariais e ainda controle de trânsito e mecanismos de segurança patrimonial.
  • Grandes empresas como Microsoft, IBM, Samsung e Motorola possuem bases instaladas no parque, sendo que a Motorola mantém o único centro de verificação e integração de teste de software para celulares da marca no mundo – um investimento de US$ 20 milhões da fabricante estadunidense.
  • No parque, a maior parte das companhias atua na oferta de serviços de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) – são 147 empresas neste setor, das pouco mais de 200 que têm base no pólo. 89% das empresas no Porto Digital são matrizes.
  • Campina Grande, na Paraíba, é um dos 74 pólos tecnológicos do país, mapeados pela Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anproteca). Concilia todos os predicados necessários: uma centena de empresas de TI, mil empregos gerados e o maior número proporcional de PhDs do Brasil – 600.
  • Nos últimos anos, o setor alavancou para 43 países as exportações de software e hardware, que vão de bancos de dados de alta complexidade às mais simples recicladoras de cartuchos. Entre seus clientes estão nomes como HP, Nokia, Petrobras e Interpol, a polícia internacional para o crime organizado. 
  • Ao menos 250 novas mentes aportam todos os anos para preencher as vagas de Ciência da Computação e Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). Nos próximos cinco anos, um contingente de quase mil cérebros inundará o mercado local de tecnologia da informação (TI).
Consumo e crédito
  •  Pesquisa do Data Popular, citada pela EXAME, aponta que o potencial de vendas no Nordeste, durante os próximos 12 meses, soma 1,2 milhão de imóveis, 1,6 milhão de carros e 1 milhão de motos. O levantamento ainda indicou que os nordestinos estão cada vez mais sofisticados. A região concentra a maior intenção de compra do país em itens como notebooks, smartphones e tablets.
  • Dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostram que a Intenção de Consumo das Famílias (ICF) caiu 7,4% na média do Brasil quando se compara junho deste ano com igual mês de 2013. Nesta mesma base, a ICF cresceu 4,3% no Nordeste, para 135 pontos, o nível mais alto entre as regiões e o único resultado ainda crescente.
  • O Nordeste foi a região em que as operações de crédito das empresas mais cresceram entre 2007 e 2011. Dados do Banco Central apontam que, enquanto que no Brasil foi registrado um aumento de 126%, chegando a R$ 1,044 trilhão, as empresas nordestinas responderam por uma expansão de 200%, somando R$ 121 bilhões.
  • No que se refere ao pequeno varejo e atacado, o Nordeste detém 27% do número de lojas do Brasil, concentradas na Bahia, Pernambuco e Ceará, que juntas somam 69% do faturamento da região.
  • Salvador ocupa a quinta posição do ranking de Potencial de Consumo, IPC MAPS 2011, ficando atrás de São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Brasília e Curitiba, com R$ 38 bilhões de potencial de consumo.
  • A indústria de bebidas também está aquecida na região, onde o consumo de cerveja cresceu 10,2% desde 2010, ante 4,9% no resto do país.

 Investimento, mercado e infraestrutura

  • A transposição do Rio São Francisco está 63% concluída, empregando 11.500 pessoas e beneficiará 390 municípios em quatro estados: Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte em 470km de canais.
  • Dezenas de empresas já estão realizando ou realizam investimentos significativos na região, com instalação de novas fábricas, polos de desenvolvimento e novos projetos.
  • Em Goiana, a 60 quilômetros de Recife, no norte de Pernambuco, um novo polo farmacoquímico deve ser concluído até 2016. Numa área de 287 hectares, estão sendo instaladas 11 empresas de remédios e biotecnologia — um investimento total de 1 bilhão de reais que criará 1443 novos empregos.
  • Entre as companhias que vão desembarcar na região estão Hemobrás, Normix, Vita Derm, Hair Fly, Rishon, Brasbioquímica, Luft Logistics, White Martins, Quantas Biotecnologia, Biologicus e Multisaúde.
  • No início do ano, a Ambev inaugurou uma nova fábrica na mesma cidade, um investimento de 725 milhões de reais que gerou 1 000 empregos.
  • Na Bahia, a Heineken amplia a operação da fábrica de Feira de Santana, enquanto o  Grupo Petrópolis, fabricante das cervejas Itaipava e Petra, abriu em novembro sua primeira fábrica nordestina em Alagoinhas e uma segunda fábrica em Itapissuma (PE). A empresa já está contratando para os 600 postos que serão criados.
  • Um dos segmentos mais favorecidos pelo aumento de renda no Nordeste foi a indústria de alimentos e bebidas, o que tem atraído empresas como Nissin Ajinomoto, Mondelez, Natto e Companhia Brasileira de Sorvetes. Só em Pernambuco, 22 grandes fabricantes desembarcaram nos últimos seis anos.
  • E oito novas fábricas ficarão prontas até o ano que vem — uminvestimento total estimado em 2,8 bilhões de reais, com a geração de mais de 6 500 empregos diretos. A pernambucana GL Empreendimentos — de massas e biscoitos — inaugura em julho sua nova indústria de alimentos, um investimento de 143 milhões de reais.
  • Com grande potencial de ventos, o Nordeste é o principal centro da produção de energia eólica no Brasil. Apesar de nova, essa é a fonte de energia que mais cresce no país. “Os investimentos só começaram há cerca de quatro anos, mas já cresceram 1 500%”, afirma Elbia Melo, presidente executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica). A região é responsável por 78,3% da capacidade de geração de energia eólica no Brasil, com 132 parques considerados aptos, em operação ou em testes. Além deles, 58 parques eólicos estão em construção e outros 263 já foram contratados nos leilões energéticos. A previsão é que a energia eólica gere 80 000 postos de trabalho em toda a sua cadeia produtiva só no Nordeste.
  • No ano passado, Camaçari recebeu a fábrica da gigante chinesa  JAC Motors, um investimento de 900 milhões de reais que permitiu a geração de 3 500 empregos diretos e 10 000 indiretos.
  • A indústria automotiva decolou no Nordeste com o anúncio da instalação da fábrica da Fiat em Pernambuco, há três anos. Para garantir a produção de 40% da demanda de peças e componentes da montadora, está sendo criado o Parque de Fornecedores no Polo Automotivo de Goiana, na região metropolitana de Recife.
  • São 16 empresas — globais e nacionais — que ocuparão 12 edifícios nos quais serão produzidas 17 linhas de componentes. Em uma área construída de 270 000 metros quadrados, o Parque de Fornecedores ficará junto à fábrica da multinacional italiana, em um modelo integrado de produção.
  • Ao todo, o Polo Automotivo vai gerar 8 000 empregos diretos até o fim de 2015. Cerca de 4 000 dessas vagas serão criadas apenas nas fornecedoras de autopeças, que reúnem empresas como Magneti Marelli/Faurecia, Lear, Adler e Pirelli. A Fiat, por sua vez, vai contratar 600 profissionais de nível superior ainda neste ano.
  • Estimativas que apontam investimentos na casa de R$ 6 bilhões no segmento de hotelaria e turismo para a região. O FNE (Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste), administrado pelo BNB (Banco do Nordeste do Brasil) programou investimento de mais de R$ 500 milhões à edificação de novos estabelecimentos do setor hoteleiro.
  • A cadeia produtiva do petróleo também está aquecida no Nordeste, e a indústria naval é uma das que mais têm contratado. Com investimentos simultâneos ocorrendo em diversos estados, o setor deverá gerar cerca de 15 000 empregos diretos na região, com boas oportunidades para engenheiros navais, cujos salários estão cotados entre 5 000 e 14 000 reais.
  • O grande símbolo do deslocamento da indústria naval do Sudeste para o Nordeste é o Estaleiro Atlântico Sul (EAS), sediado no Complexo de Suape, em Pernambuco, desde 2008 e com uma carteira de investimentos de 8,1 bilhões de dólares. O estaleiro conta com 6 200 empregados e deve chegar a 7 000 até o fim deste ano.
  • O Porto de Suape, que teve um aporte de R$ 1,2 bilhão em investimentos, cresceu 26% em 2012 e empregou 60 mil pessoas. (Fonte: aqui).

DA SÉRIE OS QUE NÃO QUEREM A REFORMA POLÍTICA


O notável Elio Gaspari diz, na Folha, que "Sempre que o PT não tem o que dizer a respeito de seja lá o que for, responde que o problema só será resolvido com uma reforma política" - aqui. O articulista certamente considera que instituições como OAB e CNBB, por exemplo, defendem a reforma por mero capricho.

Certos notáveis são mestres em visão seletiva. Elio passa ao largo do fato de que o ministro Gilmar Mendes trancou no STF, ao pedir vista, a norma (já com maioria de votos favoráveis da Corte) que proíbe o financiamento empresarial de campanhas políticas, um dos itens capitais da pretendida reforma. (Essa prática de obstrução de projetos é comum, mas chegou a tal despropósito que o presidente do STF recentemente se viu compelido a baixar ato fixando prazo máximo para as tais vistas, após o que o ministro 'visor' terá de submeter à Corte pedido fundamentado de prorrogação do prazo.)

O financiamento empresarial de campanhas políticas está na raiz da corrupção: em 'n' casos, as generosas  'doações' de empresas a candidatos são 'retribuídas' via licitações fraudulentas e aditivos fajutos. A excrescência, porém, é dura na queda: conta com defensores aguerridos, que alegam o seguinte: o fim do financiamento empresarial implicaria em que as campanhas passariam a depender tão somente do repasse da verba pública legalmente estipulado (comum a todos) e das doações de pessoas físicas, situação em que o montante arrecadável dependeria do poder de mobilização de cada candidato, prática com que os partidos de esquerda, especialmente o PT, são familiarizados, ao contrário dos do outro lado.    

Não obstante a óbvia importância da reforma política para que o país caminhe para a moralização das relações públicas em geral, mantém-se firme e forte a corrente contrária a seu advento - e nela, ao que parece, Gaspari está presente.

DO SEDENTARISMO


Amorim.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

ELEIÇÕES 2014: VEJA, MODUS OPERANDI

                   Capa de Veja, edição 2397: panfleto quase fatal.
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Do jornal O Globo, edição desta data:

"A Polícia Federal abriu inquérito para investigar as circunstâncias do vazamento de trechos de um depoimento em que o doleiro Alberto Youssef cita a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula. Investigadores da Operação Lava-Jato suspeitam que Youssef foi estimulado a fazer declarações sobre Dilma e Lula, numa manobra que teria, como objetivo, influenciar o resultado das eleições presidenciais.

Trechos do depoimento foram divulgados pela revista 'Veja', quinta-feira passada. Dois dia antes, Youssef prestara um depoimento, como vinha fazendo desde o início da delação premiada. No dia seguinte, um de seus advogados pediu para fazer uma retificação no depoimento anterior. No interrogatório, perguntou quem mais, além das pessoas já citadas pelo doleiro, sabia das fraudes na Petrobras.

Youssef disse, então, acreditar que, pela dimensão do caso, não teria como Lula e Dilma não saberem. A partir daí, concluiu-se a 'retificação' do depoimento. No dia seguinte, trechos do depoimento foram publicados pela revista, com a informação de que o doleiro teria dito que Dilma e Lula sabiam das fraudes na Petrobras. (...)." - Aqui.

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Imagine o impacto dessa "denúncia" sobre o eleitorado, especialmente o de São Paulo. O 'serviço', convenhamos, foi bem arquitetado e melhor ainda executado. 

Dilma Rousseff superou em 3,28% a votação de Aécio Neves. Diante de todas as ilicitudes postas em prática e dos estragos delas decorrentes, é como se tal maioria fosse de oito, dez por cento, ou até mais.

Algo me diz que, se o plano de eleger Aécio tivesse triunfado, dificilmente viríamos a conhecer a verdade. Ou a parte até aqui revelada.

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ADENDO


Dicas de leitura:

."Como a Veja surrupiou oito pontos da Dilma em SP" - Por Paulo Henrique Amorim - aqui;

."Talvez a edição 2397 de Veja tenha involuntariamente sido a esperada gota d’água que faltava para que finalmente se regulamente e se cumpram as normas da Constituição de 1988 relativas à comunicação social – que, aliás, aguardam por isso há mais de um quarto de século". - "Golpe eleitoral de Veja justifica acelerar regulação econômica da mídia" - Por Venício Lima - aqui.                                                                     

PASSARINHANDO


Regi.

2014: O PLEITO EM QUE O PSEUDOJORNALISMO NÃO TRIUNFOU


"Imagine esta história. Em depoimento, diretor de um banco internacional revelou (!) que barões da mídia embolsaram US$ 10 bilhões para derrotar Dilma Rousseff. Combinou-se mandar às favas o decoro, o ridículo. Uma parte da bufunfa, aliás, serviu para imprimir cartazes tipo "Foda-se a Venezuela", "Fora PT, queremos Cartier" etc., desde que empunhados por sobrenomes endinheirados.
Esse delator não apresentou provas –nem lhe foram pedidas!– sobre a negociata.

O advogado do meliante disse desconhecer as declarações. Esse jornalista, infelizmente, não tem condições de confirmar ou desmentir o depoimento. Pouco importa: a eleição bate às portas. Sabe apenas que, assim como um doleiro da moda, Alberto Youssef, tal diretor exibe um prontuário parecido.

O executivo internacional, segundo rumores, já havia feito uma delação premiada à época da crise de 2008. Aquela que incinerou no fogo do desespero milhões e milhões de famílias pelo mundo afora. Para salvar a pele, o diretor prometeu virar um santo. Mas o apego à roubalheira e à patifaria foi mais forte do que ele... Diagnóstico semelhante ao do Ministério Público sobre Youssef, reincidente de delações premiadas: "Mesmo tendo feito termo de colaboração com a Justiça (...), Youssef voltou a delinquir, indicando que transformou o crime em verdadeiro meio de vida." Meio de vida!

Bem, na falta de medidas populares, tal história misturando ficção, desejo e mentira explica boa parte da derrota de Aécio Neves. Lavra, ao mesmo tempo, o atestado de óbito do pseudojornalismo difusor de "notícias" sem nenhuma veleidade de investigar, apurar, checar –respeitar o leitor. Por coincidência ou não, Ben Bradlee, o célebre editor que conduziu as investigações de Watergate que derrubaram Nixon nos EUA, morreu antes de presenciar momento tão degradante. Compare-se o conjunto de reportagens daquela época e a tentativa desesperada de criar agora, no papel, um novo atentado da rua Toneleros, que levou Getúlio ao suicídio em 1954. É a mesma distância que separa o ar puro do odor de esgoto.

Nada contra liberdade total para que mídias, conservadoras ou progressistas, tragam à luz fatos comprovados e opiniões diversas. Mas não incomoda perceber que, mesmo tendo em mãos o contraditório de Lula às denúncias de Youssef, este não tenha sido levado ao ar no mesmo Jornal Nacional da TV Globo a poucas horas da eleição? A triste realidade: bandoleiros de gravata, travestidos de "bem informados", tentam dar credibilidade a histórias oriundas de porões. A forma e o conteúdo, mais uma vez, andaram de mãos dadas.

A vitória de Dilma traz outras lições. Movimentos populares despertaram na reta final para assegurar conquistas. Essa fatura tem que ser paga pelo novo governo, sob pena de esvaziar sua vitória. A política de acender velas a Deus e ao Diabo já encontrou seu limite. No campo da democracia, as desigualdades devem ser combatidas à custa dos que têm mais. Inexiste outro jeito. E, para isso, é dispensável descer a baixarias em restaurantes, espalhar boatos criminosos e a outros tantos expedientes fartamente utilizados pela turma de azul. Basta recorrer ao povo.

No que interessa à civilização, não se trata apenas de ganhar eleições. É usar a vitória para melhorar a vida dos brasileiros. O país não está dividido. Sempre esteve, e sempre o estará, enquanto predominar um sistema baseado na sobrenomecracia, no dinheiro fácil e na valorização da usura sobre o trabalho.

Além do combate implacável à corrupção e de uma reforma política, a tarefa de democratizar os meios de informação, sem dúvida, está na ordem do dia. Sem intenção de censurar ou calar a liberdade de opinião de quem quer que seja. Mas para dar a todos oportunidades iguais de falar o que se pensa. Resta saber qual caminho Dilma Rousseff vai trilhar."



(De Ricardo Melo, colunista do jornal Folha de São Paulo, post intitulado "Dilma 7 X 1 Mentira" - aqui -).

DIA DO LIVRO


Waldez.

DIA DO LIVRO


Alex Falco.

MARTE: VIAGEM AO FIM


Estudo prevê morte de viajantes a Marte a partir do 68º dia de missão

Os corajosos pioneiros dispostos a embarcar em uma missão a Marte, prevista pela empresa holandesa Mars One, começarão a morrer no 68º dia de missão, alerta um rigoroso estudo científico divulgado nesta terça-feira (14).

Cinco estudantes de aeronáutica do prestigioso Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês) chegaram a esta conclusão, após terem analisado os dados científicos disponíveis sobre a missão, que a empresa pretende transformar em um 'reality show'.

Segundo o informe de 35 páginas, que analisa com gráficos e fórmulas matemáticas recursos como oxigênio, nutrientes e tecnologias disponíveis para o projeto, a morte do primeiro pioneiro "ocorrerá aproximadamente aos 68 dias de missão, por asfixia".

As plantas, que teoricamente devem alimentar os colonos, produzirão oxigênio demais e a tecnologia para equilibrar a atmosfera "ainda não foi desenvolvida", afirmam os autores do estudo.

Além disso, os colonos dependerão do envio de peças de reposição em uma missão que poderá custar US$ 4,5 bilhões, uma cifra que, segundo os autores do informe, aumentará com o envio de outros equipamentos.

O Mars One é um projeto lançado pelo co-fundador da companhia, o holandês Bas Lansdorp (PDG), que pretende enviar em 2024 a primeira tripulação de quatro voluntários para colonizar Marte sem retorno à Terra, após uma viagem de sete meses.

Lansdorp rechaçou as cifras do estudo na revista Popular Science, alegando que se baseou em dados incompletos.

Mais de 200.000 pessoas de 140 países se apresentaram voluntariamente para participar do projeto, que gerou muito ceticismo, mas também o apoio de cientistas como o ganhador do prêmio Nobel de Física em 1999, Gerard't Hooft. (Fonte: aqui).

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A foto acima não guarda relação com o texto; foi incluída com o propósito de ressaltar as  controvérsias que cercam a questão envolvendo a viagem a Marte. Divulgada em novembro de 2011, é relativa à experiência conhecida como Mars500, que custou 15 milhões de dólares e envolveu seis voluntários - da Europa, Rússia e China - que ficaram 520 dias confinados em pequenos espaços sem janelas. "Nesta missão alcançamos o mais longo isolamento, de modo que a humanidade pode ir para um planeta distante, mas alcançável", disse, ao final, um dos voluntários. 
Muita água ainda vai rolar por baixo da ponte.

O PANORAMA VISTO DA CAATINGA


Amarildo.

O GLOBO E A LEITURA DO CENÁRIO ELEITORAL


A culpa não é dos nordestinos

Por Ricardo Kotscho

"A eleição presidencial mais parelha dos 125 anos de República deixa o país dividido entre os que produzem e pagam impostos e os beneficiários de programas sociais. O desenho esboçado no primeiro turno, com a divisão do país em dois grandes blocos, recebeu traços mais fortes: grosso modo, o Norte-Nordeste perfilado ao PT, o Sudeste-Sul-Centro/Oeste com a oposição. Fica evidente que o país que produz e paga impostos - pesados, ressalte-se - deseja o PT longe do Planalto, enquanto aquele Brasil cuja população se beneficia dos lautos programas sociais - não só o Bolsa Família - financiados pelos impostos, não quer mudanças em Brasília, por razões óbvias".

Engana-se quem atribuir a análise acima ao sociólogo Fernando Henrique Cardoso, na mesma linha da que o ex-presidente já havia feito ao final do primeiro turno das eleições presidenciais.

Desta vez, o pensamento único dos que dividem o Brasil entre quem produz e os vagabundos que vivem de bolsas está no editorial do jornal carioca O Globo, sob o título "A Mensagem das Urnas", publicado em sua edição desta terça-feira - de resto, é o que está na raiz das manifestações racistas e preconceituosas contra os nordestinos que invadiram as redes sociais desde que foi anunciada a vitória de Dilma Rousseff na noite de domingo.

Grosso modo, como diria o jornal, os números finais divulgados pelo TSE desmentem esta teoria. Vamos a eles.

Quem assegurou a vitória do PT foram exatamente os eleitores do Sul e Sudeste, que deram 26,6 milhões dos votos totais obtidos por Dilma, ou seja, mais de 2 milhões de votos a mais do que os obtidos por ela no Norte e Nordeste, com 24,5 milhões de votos.

Ao contrário do que afirmam o editorial de "O Globo" e dez entre dez analistas da grande mídia, isto significa que Dilma recolheu 48,8% dos seus 54,5 milhões de votos na chamada região "rica e produtiva" do Sul e Sudeste, e 45% vieram do "pobre e dependente" eleitorado do Norte e Nordeste.

Quem diz e escreve o contrário, como se fosse a verdade absoluta das coisas, é porque não conhece o Brasil e se baseia nos mapas eleitorais produzidos nas eleições americanas, em que o candidato leva todos os votos dos delegados de Estados onde venceu as eleições.

Aqui não é assim. Nos mapas publicados pela imprensa brasileira, o Rio Grande do Sul, por exemplo, onde Aécio Neves venceu, aparece em azul, mas lá Dilma conseguiu 46,47% dos votos, quer dizer, quase a metade. No Rio de Janeiro, que aparece em vermelho no mapa, aconteceu o contrário: Dilma venceu, mas Aécio teve 45,06% dos votos.

Se prestassem mais atenção nos números do TSE, editorialistas, sociólogos e analistas perceberiam que não é o país que está dividido ao meio, geográfica e socialmente, mas apenas os votos dos partidos, que se espalharam por todos os Estados, com predominância de um ou outro candidato, dando na soma final a vitória a Dilma por uma diferença de apenas 3 milhões de votos.

Assim, não se pode afirmar que quem derrotou o candidato tucano foi o Nordeste, onde o PSDB sempre foi muito fraco e o PT é hegemônico. Mais justo seria buscar as razões da derrota de Aécio em Minas Gerais, Estado por ele governado durante oito anos, que agora aparece em vermelho no mapa. Era de lá que o PSDB planejava sair com uma vantagem de três milhões de votos, exatamente o que lhe faltou para vencer as eleições. E lá Aécio acabou ficando com 548 mil votos a menos do que Dilma. "Nem na pior projeção pensamos nesse resultado, após o Aécio sair do governo com 92% de aprovação", lamentou-se Marcus Pestana, presidente do PSDB mineiro.

Não é justo, portanto, colocar a culpa nos nordestinos.

Vida que segue. (Fonte: aqui).

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Certamente irão insistir na tese da divisão do país. É o caminho para tentar dificultar e/ou minimizar a reforma política, bem como inviabilizar a obtenção da maioria no Congresso Nacional necessária para a regulamentação do § 5º do artigo 220, da CF 88, que veda o monopólio ou oligopólio dos meios de comunicação.
Nota: Quanto ao lamento do presidente do PSDB mineiro, Sr. Marcus Pestana, o que ocorre, segundo consta, é que, enquanto Aécio Neves saiu do governo com 92% de aprovação, o controle exercido sobre a mídia estadual (via publicidade) ao longo do período chegava a 100% - o que privava o povo de informações sobre a realidade real...

QUANDO AS REDES FORAM NADA SOCIAIS


Jarbas.

BRASIL DIVIDIDO, VÍRGULA


"A soma dos votos em Dilma e Aécio leva a 105,5 milhões; logo, o que está dividido são os votos, não o país

Entre as incontáveis confusões propaladas a respeito da eleição presidencial, já se tornou lugar-comum a afirmação de que o Brasil dividiu-se ao meio. Afirmação que vem de antes da votação, induzida pelas pesquisas, e dada como definitiva e comprovada pela proximidade dos 51,64% de votos em Dilma e 48,36% em Aécio, ou 54,5 milhões para ela e 51 milhões para ele. Mas o tal país dividido em dois não existe. Ao menos no Brasil.

A soma dos votos em Dilma e Aécio leva a 105,5 milhões de eleitores, equivalentes à metade da população, também em número redondo, de 200 milhões. Logo, o que está dividido ao meio, ou quase, são os votos, não o país. No qual os 51 milhões de Aécio correspondem a 1/4 da população. O mesmo se dando com Dilma. E, portanto, nenhum deles dividindo o país em dois. Cada um é apenas metade da metade dos brasileiros. Além dos totais de eleitores que se aproximam, sobra outro tanto na população do Brasil.

Mas a ideia do país dividido ao meio, rachado, metade contra metade, é necessária. Como diz o velho slogan, a luta continua --tão consagrado quanto seu companheiro de derrotas o povo unido jamais será vencido. Fora Lula, Fora PT, Fora Dilma foram levados à urna por um símbolo físico, o símbolo que foi possível arranjar, nas circunstâncias ingratas. Não sucumbem, porém, no desastre do seu representante ocasional. São uma ideia de força. E, mal a contagem concluíra, já um dublê de blogueiro e colunista político lançava, altissonante e global, o brado da beligerância: O país está dividido e a culpa é do PT. Beligerância ferida, sim, mas não de morte. Apenas no cotovelo.

Há que considerar ainda, na divisão do país, a quantidade imensa de eleitores que não se manifestaram por um nem por outro candidato. Os ausentes na votação foram 30,13 milhões. Os que anularam o voto, 5,21 milhões. Somados também os que deixaram o voto em branco, totalizam-se 37,27 milhões de eleitores. Ou 27,44% do eleitorado. Excluídos os possíveis ausentes por morte, não é imaginável que esse povaréu, quase um quinto da população, seja desprovido de toda preferência com sentido político. A propaganda de divisão meio a meio os elimina do cômputo, mas existem e são comprovantes, também, do país multifacetado --como sempre.

As referências de Dilma ao diálogo aproximativo com a oposição e, de outra parte, o espírito da propaganda de país dividido são conflitantes. E não por um instante de sensibilidades contrárias de vitoriosos e derrotados. As divergências são de fundo, na percepção das necessidades e na prospecção de futuros do Brasil. A meta dos derrotados na urna continua a mesma. Os meios de buscá-la, também, se todos os recém-usados continuarem possíveis. E se não vierem a contar com outros, não menos conhecidos.

União, nem em Minas, onde foi feito o julgamento de Aécio, derrotado duas vezes por seus ex-governados. União, só a de Marina, do nome Eduardo Campos, da viúva Campos, de Aécio e do PSB para o vexame presunçoso de perder para Dilma por 70% a 30%, o 7 x 1 em versão eleitoral."




(De Jânio de Freitas, analista político, post intitulado "Conta de dividir" - aqui.
Como diria o outro, mais uma percuciente análise de mestre Jânio.
Já quanto ao massacre observado em Pernambuco, foi, de fato, de estarrecer - para usar um dos termos consagrados na finda campanha eleitoral). 

QUANDO AS REDES FORAM NADA SOCIAIS


Duke.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

ELEIÇÕES 2014: DERROTADOS ESTREBUCHAM


Propaganda de fragmentação do território brasileiro não deve ser tolerada

Por Fábio de Oliveira Ribeiro

Inconformados com a derrota nas eleições, alguns setores da sociedade brasileira começam a pregar a fragmentação do território nacional:

http://www.viomundo.com.br/denuncias/tuma-jr-propoe-muro-nas-fronteiras-de-es-minas-goias-e-mt.html
http://www.viomundo.com.br/politica/rodrigo-constantino-propoe-divisao-brasil-em-dois.html
http://www.pragmatismopolitico.com.br/2014/10/colunista-tucano-sugere-divisao-brasil.html

A CF/88 prescreve que o território nacional é indissolúvel:

“Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:”

A União pode intervir em qualquer ponto do território para evitar sua fragmentação:

“Art. 34. A União não intervirá nos Estados nem no Distrito Federal, exceto para:

I - manter a integridade nacional;”

Além de responder por crime de racismo, aqueles que pressupõe  que os cidadãos do sul-sudeste (que votaram nos tucanos) são melhores que os do norte-nordeste (que votam nos petistas), atentam contra o art. 19, III, da CF/88:

“Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:

I - estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público;

II - recusar fé aos documentos públicos;

III - criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si.”

Qualquer partido político registrado no TSE que atente contra a ordem constitucional, que faça propaganda da fragmentação do território nacional ou constitua milícia armada para atingir este objetivo pode ser dissolvido. As empresas de comunicação que operam bandas públicas de rádio e de TV que propagandeiam a divisão do território brasileiro podem perder seus direitos por decisão judicial a pedido do presidente da república (art. 223, §4º, da CF/88). As empresas jornalísticas que fizerem o mesmo estão sujeitas à dissolução judicial.

Eleições se decidem no voto. Quem perde se prepara para a próxima disputa. Numa democracia a fonte do poder é o voto popular, não havendo alternância de poder: o poder constituído é sempre exercido pelos representantes da maioria dos eleitores. Propaganda como a que tem sido feita por alguns jornalistas e políticos insatisfeitos com a derrota do PSDB não deve ser tolerada. O rigor da Lei deve ser observado, caso contrário o país pode ser levado à beira de uma guerra civil. (Fonte: aqui).

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O esperneio é livre, mas, por mais que haja choro e ranger de dentes, é preciso saber perder.
Até parece que queriam a prevalência do laissez-faire no Brasil, um país de tantos contrastes e desigualdades, e que as coisas funcionassem assim: "Mazelas sociais que se danem, cada um que se vire. Ademais, afastamos a ideia de aplicar programas sociais, uma vez que poderão ser encarados como meras jogadas eleitoreiras."
Como se os indicadores sociais não tivessem apresentado evolução na última década...

Em tempo: Marina Silva veicula mensagem em que 'exorta' a presidente a implementar o quanto antes as mudanças reclamadas pelo Brasil - como se Dilma Rousseff estivesse de braços cruzados, alheia ao assunto. A 'exortação' de Marina veio acompanhada de uma lamúria: de haver sido vítima de marketing impiedoso por parte de sua oponente. Enfim, a professoral Marina Silva tentou ministrar uma aula ao país e à presidente. A autoridade da professora, contudo, depois do que se viu nos últimos tempos, me parece algo fragilizada.

Em tempo II: Comentário sobre a atitude de Marina Silva, colhida no blog Conversa Afiada:
"A marina colocou a cabeça fora do buraco em que se enfiou nestas eleições. Veio com esta mesma tese de Brasil dividido.
Ela não se contenta em destruir dois partidos e sua carreira política numa cajadada só, quer destruir o país com esta índole separatista de sempre, que é dela." 

QUANDO AS REDES FORAM NADA SOCIAIS


Nani.

O QUE FOI DITO SOBRE A ADMINISTRAÇÃO DE SÃO PAULO


"São Paulo tornou-se um buraco negro institucional. Praticamente todos os vícios que os grupos de mídia apontam no governo federal vicejam em São Paulo com muito maior intensidade, devido à falta de vigilância tanto da mídia quanto dos demais poderes.

Por aqui consolidaram-se vícios de estados atrasados.

Por exemplo, no Ministério Público Estadual, o cargo de Procurador Geral do Estado é um trampolim para uma futura secretaria de governo. Apesar da existência de procuradores aguerridos, há uma evidente subordinação do PGE ao grupo político que controla o Estado.

No caso dos grupos de mídia, a ideia fixa em se apresentar como condutora da oposição bloqueou a fiscalização de todos os atos de governo.

***
É por isso que se chegou à iminência do maior crime já cometido contra a população de São Paulo, que será o racionamento desorganizado de água que se prenuncia.

A falta de água, especialmente em regiões menos assistidas, exporá a população a epidemias, aumento da mortalidade infantil. Se se chegar a esse ponto e as estatísticas apontarem essa letalidade, Alckmin, Mauro Arce, a Secretária Dilma Penna, o presidente da Sabesp estarão expostos a processos criminais, sim.

Quando foi depor na CPI da Assembleia Legislativa, Dilma Penna mostrou o desconforto com a situação, deixou claro que a irresponsabilidade vinha do governo do Estado, não dela. No dia seguinte, notas em jornais davam-na como demissionária por ter “perdido o comando”, sabe-se lá sobre o quê.

***
Incúria ocorreu nos últimos anos, com o descaso da Sabesp em relação a um problema anunciado desde 2004. Mas nos últimos dois anos, a crise estava posta e a falta de ação enquadra-se em crime muito mais grave.

Por conta do período eleitoral, o médico Alckmin não cuidou de planejar um rodízio preventivo, responsável. Pensasse um pouco maior, aproveitaria o momento para ser o verdadeiro líder, que não foge do problema e comanda a reação contra o adversário: a falta de água. Em vez disso, fugiu da questão e de suas responsabilidades por mero oportunismo eleitoral.

***
Nos últimos anos, São Paulo viveu a maior enchente da sua história. A razão foi a imprevidência do então governador José Serra, cortando verbas destinadas ao desassoreamento do Tietê. Essa razão básica foi sonegada dos paulistanos pela mídia.

Em nome da luta política maior, todos os demais problemas paulistanos foram varridos para baixo do tapete, o desmonte das universidades estaduais, dos institutos de pesquisa – Agronômico, Butantã -, das instituições de planejamento – Fundação Seade, Cepam, Emplasa -, do Museu do Ipiranga, do Instituto Butantã, da Fundação Padre Anchieta, o aparelhamento da estrutura cultural.

***
Além disso, o discurso viciado, preconceituoso e agressivo da mídia modelou o personagem médio mais execrável do cenário político brasileiro: o cidadão que tirou o preconceito do armário e invadiu as ruas armado da agressividade mais inaudita.

São Paulo não é isso.

Esse exército de zumbis floresce em uma sociedade organizada, com movimentos sociais de vulto, vida cultural dinâmica, uma parte da elite moderna, de ONGs que fazem trabalhos exemplares, algumas cabeças empresariais arejadas.

Esse circo de horrores foi modelado por uma mídia que perdeu qualquer noção de responsabilidade."





(De Luis Nassif, jornalista, post intitulado "A tragédia política da falta de governo" - aqui.
O relato acima foi publicado na quarta-feira, dia 22. A propósito da questão do abastecimento de água, vejamos o que foi publicado hoje, 24, no UOL:

Dilma Pena, presidente da Sabesp, afirmou que "uma 'orientação superior' impediu a empresa de alertar a população de São Paulo sobre a necessidade de economizar água" - AQUI a matéria completa.

Quem afirma ter havido essa orientação impressionante é a própria presidente da estatal!

Ao que se vê, em São Paulo o interesse eleitoral prevaleceu sobre o interesse público. Gestão altamente temerária, pra não dizer o outro tipo de gestão negativa).

CARTUM ANTIGO, SEMPRE ATUAL: O SONHO DAS ELITES


Henfil.

A ENTREVISTA DE DILMA ROUSSEFF À TV RECORD


A primeira entrevista de Dilma

Por Fernando Brito

Muito melhor do que a dada ao Jornal Nacional, a entrevista de Dilma Rousseff ao Jornal de Record, hoje, é reveladora do espírito da Presidenta.

Ela vai ouvir, esperando passar a histeria de uma direita que sentou na boca o gosto da vitória e se retorce de ódio.

E também de passar a ação dos espertalhões que manipularam o mercado acionário nos últimos 60 dias.

É claro que a situação econômica do país não é uma maravilha, como não é uma maravilha em parte alguma do mundo.

Só que nós temos vantagens que os outros não têm.

Um mar de petróleo, para começar.

Um potencial mercado consumidor onde a inclusão de um décimo da população nos direitos da cidadania moderna equivale a um país inteiro na Europa.

Dilma garantiu que não vai tocar no emprego e no consumo, a não ser para ampliá-los.

Não aceitou nem mesmo especulações sobre a linha de suas escolhas ministeriais.

E aí sangrou na veia da saúde, quando se falou em corrupção.

Não tem terceiro turno.

“Ganha quem conquista a maioria e foi isso que aconteceu: eu conquistei a maioria”.

Eu sou uma pessoa com uma trajetória política e uma  integral dedicação à coisa pública. Jamais na minha vida houve uma única acusação. Eu não vou deixar que passadas as eleições esqueça-se as acusações.(…) Antes de quererem investigar, eu quero saber.

Lascou a crise hídrica em São Paulo no silêncio da imprensa.

E disse para todos o que significou o recado do eleitor a ela, na reeleição: “Olha, eu acho que você acertou numas coisas, mas você que tem de fazer mais”

"O Brasil vai ser um país que cuida de todos, mas em especial dos pobres, das mulheres, dos negros e dos jovens, que foram os grandes segmentos que emergiram nestes 12 anos”.

“Há uma ponte para fazermos isso. Qual é a ponte? É que todos nós queremos o melhor para o Brasil.”

Nós vamos defender esta ponte, contra quem quer um Brasil em ilhas.

....

(Para ir à entrevista completa de Dilma Rousseff à Record, clique aqui).

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Na entrevista ao JN, ao responder a Bonner sobre o risco instabilidade em razão de investigações de casos de corrupção irem 'longe demais', alcançando gente proeminente, inclusive de partidos da situação, Dilma Rousseff ofereceu certamente a mais incisiva resposta sobre a questão corrupção: irá fundo, doa em quem doer, e mais: o eleitor de forma alguma aceitaria que se "agisse seletivamente", ou seja, que houvesse distinção entre mortais comuns e inimputáveis.
Em resumo: Quem for corrupto que se prepare. 

Que Dilma se mantenha inflexível nessa postura.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

ELEIÇÕES 2014: O MURO FICTÍCO E A AÇÃO REAL DE MINAS

               O muro do Brasil, segundo a Folha de São Paulo - leia AQUI.

Por que a Minas de Aécio deu a vitória a Dilma

Por Kiko Nogueira

Uma das certezas desse fim de eleição é que os ignorantes de sempre culparão os nordestinos ignorantes pela derrota de Aécio Neves e proporão um racha.

Estarão errados, mais uma vez, não apenas pelo julgamento odioso. O Nordeste escolheu Dilma maciçamente - inclusive Pernambuco, onde a viúva de Eduardo Campos declarou apoio a Aécio Neves -, mas decidiu o pleito com a ajuda inestimável dos mineiros.

Em Minas, o ex-governador perdeu por 52,4% a 47,6%. São cerca de 500 mil votos.

Para quem se jactava de ter deixado o cargo com 92% de aprovação, número nunca comprovado, e falava de seu estado com um tom de apropriação, foi uma paulada.

Aécio não apenas não elegeu o candidato de seu partido em MG como apanhou de uma conterrânea que, como ele, passou muito pouco tempo por lá.

A nacionalização de Aécio, trazida pela campanha, mostrou aos habitantes de Minas um homem que eles talvez desconfiassem que não fosse grande coisa. Mas como saber ao certo com uma imprensa totalmente vendida e uma propaganda oficial diuturna?

Durante sua gestão e a de Anastasia, não foram publicadas notícias sobre o aeroporto construído em terras do tio, sobre o nepotismo, sobre as verbas publicitárias para veículos de comunicação da família etc. Isso só veio à tona nos últimos anos - e mesmo assim com uma imprensa de Rio e SP jogando a favor.

Aécio termina 2014 como um nome nacional, com um capital eleitoral forte num país dividido, recordista de votos no PSDB, mas derrotado. Terá pela frente dois concorrentes com sangue nos olhos: José Serra e Geraldo Alckmin, ambos de São Paulo.

Os dois estavam com Aécio em seu discurso pós derrota. Claramente ressentido, Aécio não dirigiu palavra à mineirada.

“Eu deixo essa campanha ao final com o sentimento de que cumprimos o nosso papel. São Paulo retrata de forma mais clara o sentimento que tenho no meu coração pelo cumprimento da minha missão: combati o bom combate, cumpri minha missão e guardei a fé”, disse, citando São Paulo numa das cartas a Timóteo.

Minas livrou o Brasil de seu filho. (Fonte: aqui).

UM DOS MOTIVOS POR QUE AÉCIO PERDEU EM SEU ESTADO NATAL


Frank.

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Outros motivos, segundo o ex-marqueteiro do candidato, estão aqui.

ELITES E MÍDIA: DELENDA PT


"O PT não é um partido perfeito, longe disso. O PT cometeu erros. Mas, se fosse derrotada hoje, Dilma Rousseff o seria pelos acertos do PT. Não pelos erros. A elite brasileira e a imprensa que a representa odeiam o PT não porque o partido esteve envolvido em denúncias de corrupção ou porque o Brasil “vai mal” economicamente. Eles odeiam o PT porque não concordam com seu projeto para o País. Querem outro, o seu.

A elite brasileira e a imprensa que a representa odeiam, em primeiro lugar, Lula. Não porque Lula despreza as famílias que são donas dos meios de comunicação. É o contrário: Lula despreza as famílias que são donas dos meios de comunicação porque sempre foi maltratado por seus jornais, TVs e revistas, porque foi vítima de seu enorme preconceito de classe. A elite e a imprensa que a representa não suportam que não seja um dos seus que esteja à frente do poder no Brasil.

Dilma achou que podia seduzir a imprensa, atraí-la para seu lado. Doce ilusão. Foi um dos maiores erros do primeiro mandato e espero que corrija no segundo. Dilma, a imprensa jamais a apoiará, simplesmente porque o projeto que você defende é considerado –pela elite e pela imprensa que ela representa– arcaico, anacrônico, ultrapassado. Presidenta, ouça o que eu digo: você só teria a mídia a seu favor se rompesse com Lula. Lembre-se das cizânias entre vocês que a imprensa semeou durante os últimos quatro anos. Você vai ver como será a partir de agora: mal foi consagrada sua vitória e já tem gente na mídia falando em impeachment.

Os jornais brasileiros nunca trataram o sociólogo Fernando Henrique Cardoso, que fez um governo pífio, muito aquém do governo Lula em resultados sociais e, inclusive, econômicos, como tratam o ex-operário Lula. A revista Veja, braço armado da oposição no Brasil, usou a palavra “apedeuta” (analfabeto, ignorante) mais de 2 mil vezes para se referir ao ex-presidente em seu site nos últimos anos. Veja fez mais de uma dezena de capas contra Lula –a última delas esta semana, em mais uma acusação sem provas.

O filho de Lula é alvo de boatos e notícias falsas desde que a revista Veja o colocou como destaque de uma de suas edições. Repare que nunca foi questionada pela revista, por exemplo, qual a fonte de renda do filho de FHC, Paulo Henrique. A Folha de S.Paulo, por sua vez, teve o desplante de publicar um artigo em que um ex-petista ressentido acusava Lula de nada mais nada menos que tentar estuprar um rapaz. A imprensa estrangeira, que pagou mico e fez mea culpa por ter copiado o terrorismo da mídia nativa em relação aos preparativos da Copa (em vez de praticar jornalismo), precisa saber dessas coisas, mostrar ao mundo que no Brasil a verdadeira oposição ao PT vem da imprensa.

Não foi o PT quem jogou “pobres contra ricos”, “negros contra brancos”. É a imprensa quem tenta jogar pobres e ricos, negros e brancos contra o PT. Não foi Lula quem criou esta divisão no Brasil ou no mundo. Ela sempre existiu –e é alimentada pela elite e pela imprensa que a representa. O PT nada mais fez que mostrar que essas diferenças estão aí e estabelecer estratégias para diminui-las. Isto é uma qualidade do PT, mas, para a imprensa, é um defeito. O Brasil não está dividido, ele É dividido. Como disse uma leitora no Facebook: só que um dos lados também passou a ter voz.

Hoje Dilma foi reeleita contra toda a mídia brasileira. Foi reeleita com o voto de gente sofrida, dos brasileiros de todas as regiões que mais precisam da ajuda do governo, e também com os votos de brasileiros que não precisam de ajuda alguma, mas que não votam pensando só em si. Votam pensando em um Brasil mais inclusivo e menos desigual. Votamos no PT porque o projeto do partido é o que mais contempla nossa sede de justiça social. Não nos sentimos representados pelo projeto de País que a imprensa brasileira tenta nos impingir, nos empurrar goela abaixo junto com o candidato da vez.

A responsabilidade do PT e de Dilma é imensa agora. É preciso, como sempre, governar para todos, mas é preciso ter um olhar especial para os desejos dos que tornaram realidade esta reeleição. Vá em frente, Dilma. Vá em frente, PT. Pisem fundo. Seu projeto de Brasil é o que queremos. Não o da imprensa."



(De Cynara Menezes, da CartaCapital, em seu blog "Socialista Morena", post intitulado "PT derrota a elite (e sua imprensa) pela quarta vez com a força do povo" - aqui).

DUPLA CONSAGRAÇÃO


Samuca.

HAICAI DA FESTA


POVO NA RUA
A LUTA
CONTINUA

................
Mas, depois da festa, que venha o empenho pela conciliação nacional.

ELEIÇÕES 2014: QUEM VENCEU

Bira.

.Continuidade do Mercosul e do BRICS;

.Petrobras - com o Pre-Sal, é óbvio. (Ver desafio abaixo).

DESAFIOS

.Fortalecimento - pra valer! - do combate sem trégua à corrupção;

.Regulamentação do artigo da Constituição que proíbe a existência de monopólios/oligopólios de comunicação;

.Implementação de Reformas Política e Tributária;

.Sintonia entre os dois principais pilares: evolução social/educacional (saneamento básico, saúde, transporte, segurança, educação em todos os níveis) e desenvolvimento econômico (ampliação das parcerias comerciais, inovação tecnológica, redução - sem comprometer as ações sociais - do custo Brasil etc);

.Definitivo e radical saneamento da Petrobras.

(No mais, impagável o clima down entre jornalistas/analistas da Globo News e Manhattan Connection: desolação total, mas com pitadas fortes de ironia e tentativas de ridicularização. Na Globo News, depreciou-se ao máximo o papel do PT, enquanto relativamente ao PSDB a louvação foi  plena, ignorando-se até mesmo o fato de esse partido amigo vir a completar, em 2018, 20 anos de poder em São Paulo, além de ter produzido a mais irresponsável omissão no que tange à questão da água. Já no Manhattan, um sorumbático - porém 'superior' como sempre - Diogo Mainardi chegou ao desplante de dizer que só um talento como Armínio Fraga poderia resolver a crise econômica, mas que ele "não aceitaria um convite da Dilma"; Caio Blinder e Ricardo Amorim, amargurados, trataram de prognosticar o pior dos futuros para o Brasil, tudo culpa dos "da zona da mata" - é a expressão da moda para classificar quem não é do sudeste/sul -, que não elegeram o queridinho dos iluminados de ambas as atrações globais. Diogo Mainardi lançou ainda um desafio: explicar a 'enorme distância' entre a cabeça do cearense - "arcaica", como emendou Blinder - e a cabeça do paulista - "moderna" -, diante da 'brutal' votação dos primeiros no PT e dos paulistas no PSDB. O coro da turma do Manhattan contra o governo brasileiro foi contrabalançado pelo analista político Alberto Carlos Almeida, que, na lata, desmontou a maioria dos preconceitos lançados pelos doutos analistas.
Para se ter uma ideia do desapontamento reinante em face da vitória de Dilma, ao final do Manhattan Lucas Mendes, pegando como gancho o Dia das Bruxas, que nos EUA se comemora agora, despediu-se com a saudação "Feliz Dia dos Horrores" - ao que todos gargalharam.
Foi, sem dúvida, impagável o cenário observado em ambos os programas globais).

domingo, 26 de outubro de 2014

ELEIÇÕES 2014: DILMA VENCEU O ROLO COMPRESSOR


"Existem vitórias maiúsculas pela margem obtida sobre o oponente. E existem vitórias gigantescas, obtidas por estreita margem.

A reeleição de Dilma é uma vitória do segundo tipo. Gigantesca, pela onda conservadora que a candidata teve que enfrentar.

Dilma derrotou o ódio, derrotou a maior onda conservadora no Brasil desde 1964.

Muita gente comparou essa campanha de 2014 à eleição de 1989 – que opôs Collor a Lula. Concordo, apenas em parte. O grau de tensão e terrorismo midiático foi semelhante. Mas há uma diferença importante…

Collor era um líder solitário, com apoio da Globo e um discurso messiânico. Aécio representa outra coisa: a direita orgânica, com apoio dos bancos, de toda a velha mídia, da classe média raivosa, do pensamento econômico conservador, dos pastores mais reacionários, dos pitboys de academia que querem pendurar negros nos postes, do discurso antipetista, antinordestino.

Ganhar, contra uma onda desse quilate, significa uma vitória gigantesca – que precisa, sim, ser comemorada. Com serenidade. Mas também com alegria.

Dilma derrotou Aécio Neves, o típico garotão arrogante da elite brasileira. Derrotou o sorriso de deboche e a (falsa) superioridade que Aécio exibiu nos debates. Derrotou o discurso de ódio que ele ajudou a disseminar – dizendo que pretendia “libertar o Brasil do PT”.

O Brasil se libertou de Aécio e seus aeroportos privados, de Aécio e sua irmã das sombras, de Aécio e sua corja de apoiadores na imprensa mais porca que o Brasil já teve.

Dilma derrotou a revista da marginal e seus colunistas de longas e conhecidas carreiras. Nos momentos de euforia, esses colunistas enxergam-se gigantes. Mas são anões do jornalismo.

Dilma derrotou os blogueiros apopléticos e seus castelos de areia, derrotou os comentaristas gagos, as mirians, os mervais e outros quetais.

A vitória de Dilma é a derrota de ex-cineastas e ex-roqueiros que se afogam agora na baba elástica do ódio.

Mas Dilma também derrotou os neoliberais, os armínios e fhcs. Esses, talvez, os mais honestos adversários – posto que apresentaram seu programa e o debateram de forma aberta.

O Brasil rejeitou, pelo voto, o discurso de combate aos programas sociais, de redução do Estado: foi a quarta derrota seguida do liberalismo tucano – que quebrou o país nos anos 90.

Também derrotados foram a Globo e Ali Kamel. Quarta derrota seguida – apesar dos pequenos golpes e das edições malandras na véspera do voto. O JN perdeu peso. Kamel é o comandante de um império jornalístico em decadência.

O Brasil rejeitou Kamel e suas teses de negação do racismo. O Brasil apostou no combate à desigualdade, que deve seguir. O Brasil apostou num governo que enfrentou a maior crise da história, desde 1929, sem jogar o peso do ajuste nas costas dos trabalhadores.

O Brasil votou pelo planejamento e contra o privatismo que entrega até água para o mercado – matando São Paulo de sede.

Foi a vitória da razão de Estado contra o fundamentalismo do Mercado.

Foi a vitória do trabalhismo contra o moralismo rastaquera.

Foi a vitória de Vargas contra Lacerda, de Brizola contra Roberto Marinho.

De quebra, Dilma enfrentou e derrotou o oportunismo marinista. A Rede – criada como aposta na “terceira via” e na “nova política – terminou a eleição abraçada ao conservadorismo tucano.

Depois de destruir dois partidos (PSB e a própria Rede), Marina destruiu a própria imagem e o patrimônio politico acumulado.

Dilma derrotou o ódio nas urnas. Agora é preciso derrotar o ódio e o golpismo midiático.

Na última semana de eleição, já estava claro que o aparato midiático conservador apostaria num terceiro turno.

O PSDB e a velha mídia partirão para o ataque agora, porque sabem que em quatro anos terão que encarar outro osso duro de roer: Lula.

O Brasil deve dizer a eles que tenham paciência. 2018 é logo ali.

Os tucanos que se recolham às fronteiras de 1932. E façam o debate com Lula em 2018.

Dilma certamente sabe que sua vitória gigantesca só foi possível porque a campanha caminhou alguns graus à esquerda – incorporando jovens e coletivos populares que são até críticos ao governo petista, mas sabem que significa o tucanato.

Com a onda popular no segundo turno, a presidenta deixou de ser a “gerente”, a administradora escolhida por Lula. Dilma virou a líder de um projeto que só avançará se tiver coragem para colher nas ruas o apoio que talvez lhe falte no Congresso.

Alianças ao centro serão necessárias, mas o apoio popular é que vai garantir apoio verdadeiro, se o aparato conservador partir mesmo para o terceiro turno.

O Brasil ficou mais forte. O ódio perdeu. De novo."




(De Rodrigo Vianna, em seu blog "O escrevinhador", post intitulado "Dilma derrota o ódio: 2018 é logo ali" - aqui).

DA SÉRIE VEXAMES DAS ELEIÇÕES 2014


Alpino.