sexta-feira, 25 de julho de 2014

ISRAEL EXIGE A CONIVÊNCIA DE TODOS

Rafael.

Brasil convoca embaixador e Israel critica duramente

O governo de Israel não gostou do Brasil ter convocado seu embaixador em Tel Aviv para consultas e por ter publicado duas notas, no prazo de uma semana, considerando a escalada de violência entre Israel e Palestina algo inaceitável.

Como reação o Ministério das Relações Exteriores de Israel soltou comunicado à imprensa, por meio do porta-voz Yigal Palmor, manifestando “desapontamento” diante da convocação do embaixador brasileiro. “Israel manifesta o seu desapontamento com a decisão do governo do Brasil de retirar seu embaixador para consultas. Esta decisão não reflete o nível das relações entre os países e ignora o direito de Israel de se defender. Tais medidas não contribuem para promover a calma e a estabilidade na região. Em vez disso, eles estimulam o terrorismo, e, naturalmente, afetam a capacidade do Brasil de exercer influência”, reza o texto.

“Israel espera o apoio de seus amigos em sua luta contra o Hamas, que é reconhecido como uma organização terrorista por muitos países no mundo”, disse Yigal Palmor. Já os jornais israelenses noticiaram críticas mais contundentes do porta-voz. O jornal The Jerusalem Post afirma que Palmor disse que “essa é uma demonstração lamentável de por que o Brasil, um gigante econômico e cultural, continua a ser um anão diplomático”, e acrescentou que “o relativismo moral por trás deste movimento faz do Brasil um parceiro diplomático irrelevante, aquele que cria  problemas em vez de contribuir para soluções”.

Na nota do Brasil foi reiterado o chamado a um “imediato cessar-fogo” entre as partes. O Itamaraty explicou que, diante da gravidade da situação, votou favoravelmente à resolução do Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas que condena a atual ofensiva militar de Israel na Faixa de Gaza e cria comissão internacional para investigar todas as violações e julgar os responsáveis.

A Confederação Israelita do Brasil (Conib) também não gostou da nota divulgada pelo Itamaraty. . “A Confederação Israelita do Brasil vem a público manifestar sua indignação com a nota divulgada pelo nosso Ministério das Relações Exteriores, na qual se evidencia a abordagem unilateral do conflito na Faixa de Gaza, ao criticar Israel e ignorar as ações do grupo terrorista Hamas”, destaca o texto.

Segundo a Conib, “uma nota como a divulgada nesta quarta-feira só faz aumentar a desconfiança com que importantes setores da sociedade israelense, de diversos campos políticos e ideológicos, enxergam a política externa brasileira”. A entidade também afirmou que a comunidade judaica brasileira compartilha da preocupação do povo brasileira e expressa “profunda dor pelas mortes dos dois lados do conflito”, além de esperar cessar-fogo imediato.

Apesar de ter sido taxado de “anão diplomático” por Israel, o Brasil e a Alemanha são os únicos países a ter relações diplomáticas com todas as nações do mundo. O Brasil foi um dos 29 países a votar a favor da resolução do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas. Houve 17 abstenções e apenas um voto contra, dos Estados Unidos. Além do Japão, todos os países europeus presentes, incluindo a França, o Reino Unido e a Alemanha, optaram pela abstenção. (Fonte: aqui).

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Um leitor arguto observa: 

"Se os guerrilheiros do Hamas se escondessem em prédios de Tel Aviv os aviões israelenses iriam bombardear esses prédios dizendo que a morte de civis e crianças é apenas um efeito colateral e que o Hamas é o culpado das mortes?

Não, claro que não. Porque eles dão valor à vida dos israelenses.

Mas não dão valor à vida dos palestinos.

Pode ser que o Hamas use os civis como escudos humanos, mas Israel usa esse fato como uma desculpa para matar civis palestinos indiscriminadamente."

Israel tem o direito de ser reconhecido como Estado pleno, e isso é muito justo, mas não tem o direito de exterminar civis encurralados, como vem fazendo em Gaza. O fato de Israel mandar nos Estados Unidos não lhe confere o direito de exigir do Brasil idêntica submissão.

DA SÉRIE COISAS QUE VI NA ÉPOCA DA COPA (VI)


Krzysztof Grzondziel. (Polônia).

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Vi o cartum por ocasião da Copa, mas ele foi produzido bem antes dela. 

ONU LOUVA MEDIDAS DE PROTEÇÃO SOCIAL DO BRASIL


Bolsa Família é exemplo de política em que todos ganham, diz estudo da ONU

Por Sílvio Guedes Crespo

O mais recente Relatório para o Desenvolvimento Humano, da Organização das Nações Unidas, defende um conjunto de medidas de proteção social e regulação estatal para combater a pobreza e a desigualdade no mundo.

O estudo afirma que os programas Bolsa Família, do Brasil, e Oportunidades, do México, são “exemplos de políticas ganha-ganha”.

Para a ONU, as iniciativas tiveram um duplo papel após 2008. No curto prazo, suavizaram os efeitos negativos da crise internacional sobre o poder de compra dos mais pobres, ajudando a manter o nível de consumo. Adicionalmente, trouxeram benefícios de longo prazo uma vez que as famílias, para receberem o benefício, precisam manter os filhos na escola.

Programas de transferência de renda, diz o estudo, foram importantes para diminuir o impacto que a população sofreu com o aumento dos preços de alimentos que se seguiu à crise de 2008.

Segundo o relatório, o Bolsa Família contribuiu com 20% a 25% da redução da desigualdade no país em 2008 e 2009, ao custo de 0,3% do PIB (Produto Interno Bruto).

Mas os programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, são apenas uma das iniciativas possíveis para combater a pobreza, reduzir a vulnerabilidade da população e construir resiliência na sociedade.

Os governos devem atuar, também, por meio de regulação financeira e de políticas macroeconômicas que possibilitem diminuição da pobreza. Ainda, o relatório da ONU defende que os países ofereçam à população acesso universal à saúde e à educação e também uma rede de proteção social.

“Todos os indivíduos têm igual valor e têm o mesmo direto de proteção e ajuda. Portanto, é preciso haver um amplo reconhecimento de que aqueles mais expostos a riscos e ameaças, as crianças ou pessoas com deficiência podem requerer apoio adicional para que suas chances na vida sejam iguais às dos demais”, afirmou o relatório.

Salário mínimo
Outro ponto defendido pelo estudo é o aumento do salário mínimo, apesar de vários economistas no Brasil afirmarem que tal política provocou redução da produtividade das empresas.

“O salário mínimo deve ser aumentado para estimular [a economia] a se mover na direção de atividades de produtividade mais alta”, afirma o texto. Essa frase remete a uma nota de rodapé que diz: “O aumento do salário mínimo foi uma resposta à crise no Brasil e contribuiu para aumentar os salários e a distribuição de renda”.

Em seguida, o texto acrescenta: “As reformas do modelo neoliberal no mercado de trabalho precisam ser cuidadosamente reavaliadas da perspectiva da redução da vulnerabilidade do emprego''.

(Para continuar, clique aqui).

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A posição da ONU, amplamente favorável aos programas sociais e à política de aumento real do valor do salário mínimo implementados pelo Brasil, já era conhecida há algum tempo, mas agora foi manifestada expressamente. Por mais que os neoliberais e seus parceiros insistam em desmoralizar tal política, o fato é que o modelo está servindo de exemplo para o mundo.

O economista Armínio Fraga, por exemplo, já anunciado como gestor da área econômica de eventual governo Aécio Neves, já teria apontado a insustentabilidade do aumento do valor real do salário mínimo, ao tempo em que defende o advento de "algum desemprego" como forma de contenção do ímpeto inflacionário. Eis aí duas das "medidas impopulares" que Aécio Neves já declarou estar pronto para anunciar.

Esperamos que o Brasil prossiga com firmeza em sua estratégia social, aprimorando-a permanentemente.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

FLAGRANTES DA VIDA DA REALEZA (I)


Thiago.

NO ORIENTE MÉDIO, AMARGAS PERSPECTIVAS


Naturei Karta: "O Judaísmo rejeita o Sionismo e o Estado de Israel"

Por Lilian Milena

Milhares de pessoas ocuparam as ruas de Nova York (...). Os protestos foram organizados em regime emergencial pelo movimento Naturei Karta, formado por judeus ortodoxos contrários à existência do Estado de Israel na Palestina.

Os manifestantes seguravam cartazes com fotos de crianças feridas pelo ataque israelense na faixa de Gaza junto à frase “O estado de Israel e sua atrocidade”, outras faixas diziam “Solução! Desmantelamento pacífico do estado israelense” e “Judaísmo rejeita o sionismo e o Estado de Israel”.

O sionismo - movimento político ideológico criado no início do século passado que defende a existência de um Estado judaico na Palestina – divide hoje a população judaica mundial. O eixo favorável se baseia nas perseguições históricas do povo judeu na Europa, defendendo, portanto, à necessidade da constituição do estado no território da Palestina, terra em que os hebreus, povo que originou a nação judia, ocupou há 2000 anos.

A esse movimento se opõe o Naturei Karta (do aramaico "guardiões da cidade"), grupo criado em 1937, a partir de um racha do movimento Agudas Yisroel, fundado em 1912, com o objetivo de combater o sionismo.

Numa carta entregue aos Palestinos da Faixa de Gaza, em julho de 2009, escrita pelo braço norte-americano do movimento, eles lamentam a existência do Estado de Israel. “Os judeus verdadeiros são contra a desapropriação dos árabes de suas terras e casas. De acordo com a Torá [livro sagrado na religião judaica], a terra deve ser devolvida a vocês [Palestinos]”.

Essa linha religiosa dos Neturei Karta, que diz seguir rigorosamente os ensinamentos do judaísmo, aponta que hoje os judeus não têm direito de ocupar em massa a “Terra Santa”, localizada na Palestina. Isso decorre de uma crença religiosa que os impede de ter domínio sobre qualquer território, mas que os orientam a viver pacificamente nos países onde tiverem que viver. A criação do Estado de Israel, descrita nos livros sagrados, na verdade, é retratada como um evento divino que deverá ocorrer após a vinda do Messias, ao mesmo tempo, não tem nada a ver com o mundo material, de um Estado criado através das mãos humanas.

“[Os sionistas] têm usado a Torá para legitimar seu roubo, alegando que eles têm direito a terra, mandando para fora os palestinos, enquanto, na verdade, a Torá proíbe explicitamente isso. Ainda mais audazes alegam que [a Palestina] era uma terra sem povo para um povo sem terra. Deveriam parar de dizer isso, porque naqueles dias não existia a cobertura suficiente dos meios de comunicação imparciais, e contavam com o apoio das potências ocidentais”, destacam na carta aberta aos palestinos da Faixa de Gaza.
                                         
Por serem contrários á constituição do Estado de Israel, os membros do Naturei Karta estão espalhados em vários países. Em 2012, eles passaram a ser mais conhecidos entre os brasileiros após o intenso compartilhamento de um vídeo do discurso do rabino e membro do grupo Dovid Weiss durante uma de suas manifestações.

“Todos os rabinos que viveram no velho Estado de Jerusalém, antes de 1948, podem lhes dizer como viviam e coexistiam pacificamente com seus vizinhos árabes, como tomavam conta das crianças, uns dos outros, durante o Yom Kippur [mês considerado sagrado no calendário judeu]”, cita Weiss no vídeo.

Weiss denuncia também que judeus ortodoxos antissionistas que vivem em Israel sofrem constantemente repreensões ou espancamentos. Eles são chamados por judeus favoráveis a constituição do Estado na Palestina de “antissemitas”. Semita é um termo que, usualmente, refere-se aos judeus, apesar de designar os povos originários de uma mesma língua na região do Oriente Médio, e isso inclui hebreus (judeus) e árabes.

Entenda o conflito mais recente
Há nove dias Israel iniciou ataques aéreos à Faixa de Gaza. O Estado afirma oficialmente que a operação é de caráter defensivo, com o objetivo de interromper o lançamento de foguetes palestinos contra o território israelense. O conflito começou após a morte de três adolescentes israelenses encontrados no dia 12 de junho na Cisjordânia. Segundo os meios de comunicação de Israel, os jovens teriam sido sequestrados enquanto pediam carona por membros do partido palestino Hamas, que nega a autoria dos crimes.

Dias após o aparecimento dos corpos dos três adolescentes, um palestino foi raptado e queimado vivo. A população da Palestina se revoltou e passou a fazer protestos locais queimando carros e fechando ruas. Paralelo a esses acontecimentos uma série de morteiros começaram a ser disparados de Gaza em direção às colônias israelenses.  Israel prendeu seis judeus extremistas que teriam participado da morte do garoto palestino, sendo que três confessaram o crime.

Ainda assim o conflito não cessou e o exército israelense iniciou uma série de ataques aéreos que mataram até o momento 208 civis. O Estado procura agora negociar o cessar fogo com o Hamas, partido que ganhou as eleições legislativas da Palestina em 2007.

Mas para que um acordo ocorra o Hamas exige não apenas a paralisação dos bombardeios, como o fim das restrições impostas aos Palestinos por Israel que dificultam a circulação de pessoas e mercadorias palestinas. A sanção foi imposta desde que o Hamas tomou o poder em 2007, atingindo profundamente a economia da nação. (Fonte: aqui).

A CHEGADA DE ARIANO


S. Salvador.

NO SERTÃO DE ARIANO


Sid.

MINHA IMPRESSÃO SOBRE SUASSUNA


Os textos, palestras e entrevistas de Ariano Suassuna espelham fielmente a máxima imortal de Leon Eliachar: humor é a arte de fazer cócegas no raciocínio dos outros.

ECOS DA LUA


Fausto.

SAI DE CENA SUASSUNA


Ariano Suassuna se vai

A tarde desse dia 23 de julho trouxe a triste notícia: morreu Ariano Suassuna. O escritor sofreu um AVC (acidente vascular cerebral) no dia 21, foi operado e entrou em coma induzido. (Ontem) à tarde não resistiu. Sua saúde já estava frágil desde o ano passado, quando sofreu um infarto e, logo depois, um aneurisma cerebral.

Ariano Suassuna nasceu , em João Pessoa, na Paraíba, e morou no Recife (PE) uma vida inteira. De sua lavra, obras inesquecíveis como O Auto da Compadecida, peça teatral que se tornou cinematográfica, e também  romances como A Pedra do Reino e O Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta.

Indo para o Recife, em 1942, concluiu os estudos secundários e iniciou, em 1946, a Faculdade de Direito, onde conheceu Hermilio Borba Filho, parceiro na criação do Teatro do Estudante de Pernambuco e do Teatro Popular do Nordeste.

Conciliou carreira de escritor com a advocacia, resolvendo largar esta última para se tornar professor na Universidade Federal de Pernambuco.

Foi a cabeça por trás do Movimento Armorial, que propunha a criação de arte erudita a partir de elementos da cultura popular nordestina. Teve várias de suas obras traduzidas para o inglês, francês, espanhol, alemão, holandês, italiano e polonês.

É membro da Academia Pernambucana de Letras, da Academia Paraibana de Letras e da Academia Brasileira de Letras.

Foi muito para a cultura brasileira. E, para homenageá-lo, nada melhor que deixá-lo falar. É um bálsamo para a alma saber que sua obra permanece e frutificará sempre. (Clique aqui para ir à fonte deste post e ouvir Suassuna).

quarta-feira, 23 de julho de 2014

ARIANO SUASSUNA


"FIZ PACTO COM DEUS" 

- relembre entrevistas do escritor: aqui.

DESFECHOS DE PASADENA


.1  
- PGR arquiva representação contra Dilma por compra de Pasadena

Nesta terça-feira (23/7), o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, determinou o arquivamento da representação para apurar supostas irregularidades praticadas pelo Conselho de Administração da Petrobras – presidido à época pela presidente Dilma Rousseff – na operação de compra da refinaria de Pasadena, no Texas, em 2006.

De acordo com Janot, apesar da compra da refinaria nos estados não ter se concretizada em um bom negócio para a Petrobras, é impossível concluir que os membros do Conselho de Administração da estatal tenham cometido algum delito.

“Ainda que se esteja diante de uma avença malsucedida e que importou, aparentemente, em prejuízos à companhia, não é possível imputar o cometimento de delito de nenhuma espécie aos membros do Conselho de Administração, mormente quando comprovado que todas as etapas e procedimentos referentes ao perfazimento do negócio foram seguidos”, disse Janot.

Segundo apuração da PGR, a decisão do Conselho de Administração estava alinhada com o planejamento estratégico da Petrobras e foi adotada seguindo todos os procedimentos legais. De acordo com a Procuradoria, uma justificativa para o caso seria o fato de o conselho não ter recebido informações adequadas sobre a transação, apenas um resumo executivo que indicava a regularidade da instrução do negócio, inclusive no que diz respeito ao preço.

Janot afirmou ainda que a responsabilidade pelos eventuais prejuízos ocorridos deverá ser apurada pelos órgãos de controle e os possíveis reflexos penais deverão ser investigados, se for o caso, pelas instâncias ordinárias, caso encontrem provas para tanto. O Ministério Público Federal apura a compra da refinaria de Pasadena em procedimento que tramita na Procuradoria da República no Rio de Janeiro.

A representação arquivada nesta terça (23/7) é de autoria dos senadores Randolfe Rorigues (Psol-AP), Cristovam Buarque (PDT-DF), Ana Amelia (PP-RS), Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), Pedro Taques (PDT-MT), Pedro Simon (PMDB-RS), Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) e do deputado federal Ivan Valente (Psol-SP). (Para continuar, clique aqui).

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.2 
- TCU condena 11 diretores da Petrobras por prejuízo de US$ 792 mi na compra de Pasadena

...mas o Conselho de Administração da companhia, presidido à época por Dilma Rousseff, foi isentado de culpa. Prevaleceu, para o TCU, a alegação apresentada publicamente pela presidente, consistente em que dados cruciais sobre o negócio deixaram de constar da ficha técnica apresentada pela diretoria da Petrobras ao referido Conselho. (Fonte: aqui).

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PGR e TCU concluíram seu trabalho e restou constatada a inculpabilidade da presidente. Consagra-se a máxima: quando surgem acusações e suspeitas, é preciso que se aguarde a apuração definitiva. É a observância da presunção da inocência.

Da mesma forma deve-se proceder relativamente ao caso da construção do aeroporto em Cláudio (MG) pelo governo Aécio Neves.

OS GANHOS DOS BANQUEIROS COM OS PLANOS ECONÔMICOS:


Planos econômicos e lucros dos bancos

Por Altamiro Borges

Os banqueiros são insaciáveis. Lucram quando a economia está em dificuldades, elevando os juros e demitindo trabalhadores. Lucram quando a economia cresce, abusando das tarifas e da agiotagem no crédito. E lucram, até, quando planos econômicos penalizam o conjunto da sociedade. Nesta segunda-feira (21), a Procuradoria Geral da República (PGR) divulgou estudo que demonstra que os bancos tiveram um lucro bruto de R$ 21,87 bi em decorrência dos pacotes impostos pelos governos José Sarney e Collor de Mello. Segundo o jornal Valor, este novo cálculo, bem mais modesto, já foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), que discute o ressarcimento dos poupadores.

“O número apresentado corresponde à aplicação de recursos da chamada ‘faixa livre’ de depósitos da caderneta de poupança, e abrange o período de junho de 1987 a setembro de 2008. Com a entrega do novo cálculo, o STF poderá retomar o julgamento dos processos que discutem se os bancos devem ou não aos poupadores diferenças na correção da poupança durante os planos econômicos das décadas de 1980 e 1990. A fixação da data para retomar o julgamento dependerá do futuro presidente da Corte, o ministro Ricardo Lewandowski, que também é relator de um dos processos”. Na estimativa anterior, o lucro dos bancos com os planos econômicos foi calculado em R$ 441,7 bilhões.

Mesmo com a brutal redução dos valores, as poderosas instituições financeiras devem contestar o novo cálculo para adiar ainda mais o julgamento no STF. Através de uma ação da Confederação Nacional do Sistema Financeiro (Consif), em 2009, os bancos choramingaram e argumentaram que o ressarcimento das perdas teria impactos dramáticos na economia. Seria o caos total. O valor agora foi reduzido, mas o terrorismo prosseguirá. Os banqueiros não aceitam qualquer redução nos seus lucros astronômicos. Eles são insaciáveis! (Fone: aqui).

ECOS DA COPA


Pelicano.

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Do Bola Dividida (Rede TV): 67% dos torcedores acham que Dunga não chegará à Copa 2018.

Mas...

Como diria o supersticioso otimista: "Minha equação: Felipão brilhou na Copa de 2002, voltou na de 2014 e fracassou. Dunga fracassou na de 2010, retorna na de 2018 e leva a taça!"

"Tudo é possível", opina o Sobrenatural de Almeida. "Ou não".

DA SÉRIE COISAS QUE VI NA ÉPOCA DA COPA (V)


Uma lista de melhores filmes de todos os tempos feita por gente de Hollywood

Do O Globo

Listas de melhores filmes pipocam aos montes. Em tamanha quantidade que seria até mesmo impossível listá-las. Mas quem melhor para apontar os melhores longas da história que não os próprios agentes da indústria cinematográfica? A revista "The Hollywood Reporter" convocou nomes de Hollywood para escolher seus favoritos. Sem surpresas, o primeiro "Poderoso Chefão", de Francis Ford Coppola, encabeça o ranking, com a continuação do longa aparecendo em sétimo lugar.

O restante do top dez mistura filmes de variadas épocas. "O mágico de Oz", de 1939, e "Cidadão Kane", de 1941 dividem espaço com "Um sonho de liberdade" (1994) e "Pulp fiction" (1994). "Casablanca", de 1942, vem em sexto, com "ET", de 1982, em oitavo, "2001: Uma odisseia no espaço", de 1968, em nono lugar, e "A lista de Schindler", de 1993, fechando a primeira parte da lista.

Ao todo, mais de 2 mil atores, produtores, diretores, roteiristas e executivos, entre outros membros da indústria, entraram na brincadeira. Mas a revista conta que muitos não gostaram da ideia de primeira. Caso de Vince Gilligan, criador de "Breaking bad". "Para mim, é como ter um pacote tamanho família de Doritos e alguém te dizer que você só pode comer cinco deles", disse. Mas, no fim das contas, ele topou o desafio e, entre seus preferidos, listou "Yojimbo", de Akira Kurosawa, de 1961.

Entre as surpresas, revelou-se um caráter mais comercial em detrimento das usuais escolhas dos críticos. O clássico oitentista "De volta para o futuro", de 1985, ficou em 12º lugar, à frente do épico "Lawrence da Arábia", de 1962, que apareceu na 23ª posição.

Comédias como "Monty Python e o cálice sagrado" e "Apertem os cintos... O piloto sumiu", comumente ignoradas em listas do tipo, foram lembradas. Outros filmes queridinhos ficaram de fora: caso de "La dolce vita", de Federico Fellini. Os longas do agente 007 também não figuram na lista, mas a ausência pode ser explicada pela pulverização dos votos entre os 23 filmes sobre o James Bond.

A votação ainda aponta tendências interessantes. Diretores, roteiristas e agentes escolheram "Poderoso Chefão", enquanto diretores de fotografia apontaram "2001: Uma odisseia no espaço". Já os advogados da indústria apostaram em "Um sonho de liberdade".

Sabendo da polêmica que listas deste tipo podem causar, a própria revista lembra que a votação não tem a intenção de ser um guia definitivo. Como o cineasta Michael Bay, da franquia "Transformers", disse: "seu filme favorito pode mudar de um dia para o outro".

Veja a lista completa:

1. "O Poderoso Chefão" (1972)

2. "O Mágico de Oz" (1939)

3. "Cidadão Kane" (1941)

4. "Um sonho de liberdade" (1994)

5. "Pulp Fiction" (1994)

6. "Casablanca" (1942)

7. "O Poderoso Chefão 2" (1974)

8. "E.T." (1982)

9. "2001: Uma odisseia no espaço" (1968)

10. "A lista de Schindler" (1993)

11. "Guerra nas estrelas" (1977)

12. "De volta para o futuro" (1985)

13. "Os caçadores da Arca Perdida" (1981)

14. "Forrest Gump" (1994)

15. "... E o vento levou" (1939)

16. "O sol é para todos" (1962)

17. "Apocalypse Now" (1979)

18. "Noivo neurótico, noiva nervosa" (1977)

19. "Os bons companheiros" (1990)

20. "A felicidade não se compra" (1946)

21. "Chinatown" (1974)

22. "O silêncio dos inocentes" (1991)

23. "Lawrence da Arábia" (1962)

24. "Tubarão" (1975)

25. "A noviça rebelde" (1965)

26. "Cantando na chuva" (1952)

27. "Clube dos cinco" (1985)

28. "A primeira noite de um homem" (1967)

29. "Blade Runner - O caçador de andróides" (1982)

30. "Um estranho no ninho" (1975)

31. "A princesa prometida" (1987)

32. "Star Wars: Episódio V - O Império Contra-Ataca" (1980)

33. "Fargo" (1996)

34. "Beleza americana" (1999)

35. "Laranja mecânica" (1971)

36. "Curtindo a vida adoidado" (1986)

37. "Dr. Fantástico" (1964)

38. "Harry & Sally - Feitos um Para o Outro" (1989)

39. "O iluminado" (1980)

40. "O clube da luta" (1999)

41. "Psicose" (1960)

42. "Alien" (1979)

43. "Toy Story" (1995)

44. "Matrix" (1999)

45. "Titanic" (1997)

46. "O resgate do soldado Ryan" (1998)

47. "Quanto mais quente melhor" (1959)

48. "Os suspeitos" (1995)

49. "Janela indiscreta" (1954)

50. "Jurassic Park" (1993)

51. "O grande Lebowski" (1998)

52. "A malvada" (1950)

53. "Gênio indomável" (1997)

54. "Butch Cassidy" (1969)

55. "Taxi Driver" (1976)

56. "Brilho eterno de uma mente sem lembranças" (2004)

57. "O cavaleiro das trevas" (2008)

58. "Crepúsculo dos deuses" (1950)

59. "Thelma & Louise" (1991)

60. "O fabuloso destino de Amelie Poulain" (2001)

61. "Amor, sublime amor" (1961)

62. "Intriga internacional" (1959)

63. "Feitiço do tempo" (1993)

64. "Mary Poppins" (1964)

65. "Touro indomável" (1980)

66. "O Rei Leão" (1994)

67. "Avatar" (2009)

68. "Monty Python e o cálice sagrado" (1975)

69. "Gladiador" (2000)

70. "Um corpo que cai" (1958)

71. "Quase famosos" (2000)

72. "O jovem Frankenstein" (1974)

73. "Todos os homens do presidente (1976)

74. "Banzé no Oeste" (1974)

75. "A ponte do Rio Kwai" (1957)

76. "Brokeback Mountain" (2005)

77. "Os caça-fantasma" (1984)

78. "12 homens e uma sentença" (1957)

79. "Wall-E" (2008)

80. "Sindicato dos ladrões" (1954)

81. "Amadeus" (1984)

82. "O Senhor dos Anéis: A sociedade do anel" (2001)

83. "Duro de matar" (1988)

84. "Inception" (2010)

85. "Seven" (1995)

86. "A bela e a fera" (1991)

87. "The Lord of the Rings: The Return of the King" (2003)

88. "Quem quer ser um milionário" (2008)

89. "Coração selvagem" (1995)

90. "Amnésia" (2000)

91. "Rocky: O lutador" (1976)

92. "Up" (2009)

93. "Contatos imediatos do terceiro grau" (1977)

94. "O franco atirador" (1978)

95. "Doutor Jivago" (1965)

96. "O labirinto do fauno" (2006)

97. "Apertem os cintos... O piloto sumiu" (1980)

98. "Cães de aluguel" (1992)

99. "Bonnie e Clyde (1967)

100. "Os sete samurais" (1954)

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Fonte: aqui (Comentários diversos podem ser lidos aqui).

PALESTINA À MÍNGUA


Eduardo Galeano: Pouca Palestina resta. Pouco a pouco, Israel está apagando-a do mapa

Para justificar-se, o terrorismo de Estado fabrica terroristas: semeia ódio e colhe álibis. Tudo indica que esta carnificina de Gaza, que segundo os seus autores quer acabar com os terroristas, conseguirá multiplicá-los.

Desde 1948, os palestinos vivem condenados à humilhação perpétua. Não podem nem sequer respirar sem autorização. Têm perdido a sua pátria, as suas terras, a sua água, a sua liberdade, tudo. Nem sequer têm direito a eleger os seus governantes. Quando votam em quem não devem votar, são castigados. Gaza está a ser castigada. Converteu-se numa ratoeira sem saída, desde que o Hamas ganhou legitimamente as eleições em 2006. Algo parecido ocorreu em 1932, quando o Partido Comunista triunfou nas eleições de El Salvador.

Banhados em sangue, os habitantes de El Salvador expiaram a sua má conduta e desde então viveram submetidos a ditaduras militares. A democracia é um luxo que nem todos merecem. São filhos da impotência os rockets caseiros que os militantes do Hamas, encurralados em Gaza, disparam com desleixada pontaria sobre as terras que tinham sido palestinas e que a ocupação israelita usurpou. E o desespero, à orla da loucura suicida, é a mãe das ameaças que negam o direito à existência de Israel, gritos sem nenhuma eficácia, enquanto a muito eficaz guerra de extermínio está a negar, desde há muitos anos, o direito à existência da Palestina. Já pouca Palestina resta. Pouco a pouco, Israel está a apagá-la do mapa.

Os colonos invadem, e, depois deles, os soldados vão corrigindo a fronteira. As balas sacralizam o despojo, em legítima defesa. Não há guerra agressiva que não diga ser guerra defensiva. Hitler invadiu a Polônia para evitar que a Polônia invadisse a Alemanha. Bush invadiu o Iraque para evitar que o Iraque invadisse o mundo. Em cada uma das suas guerras defensivas, Israel engoliu outro pedaço da Palestina, e os almoços continuam. O repasto justifica-se pelos títulos de propriedade que a Bíblia outorgou, pelos dois mil anos de perseguição que o povo judeu sofreu, e pelo pânico que geram os palestinos à espreita. Israel é o país que jamais cumpre as recomendações nem as resoluções das Nações Unidas, o que nunca acata as sentenças dos tribunais internacionais, o que escarnece das leis internacionais, e é também o único país que tem legalizado a tortura de prisioneiros. Quem lhe presenteou o direito de negar todos os direitos? De onde vem a impunidade com que Israel está a executar a matança em Gaza? O governo espanhol não pôde bombardear impunemente o País Basco para acabar com a ETA, nem o governo britânico pôde arrasar a Irlanda para liquidar o IRA. Talvez a tragédia do Holocausto implique uma apólice de eterna impunidade? Ou essa luz verde vem da potência 'manda chuva' que tem em Israel o mais incondicional dos seus vassalos? O exército israelita, o mais moderno e sofisticado do mundo, sabe quem mata. Não mata por erro. Mata por horror. As vítimas civis chamam-se danos colaterais, segundo o dicionário de outras guerras imperiais.

Em Gaza, de cada dez danos colaterais, três são meninos. E somam milhares os mutilados, vítimas da tecnologia do esquartejamento humano, que a indústria militar está a ensaiar com êxito nesta operação de limpeza étnica. E como sempre, sempre o mesmo: em Gaza, cem a um. Por cada cem palestinos mortos, um israelita. Gente perigosa, adverte o outro bombardeamento, a cargo dos meios massivos de manipulação, que nos convidam a achar que uma vida israelita vale tanto como cem vidas palestinas. E esses meios também nos convidam a achar que são humanitárias as duzentas bombas atômicas de Israel, e que uma potência nuclear chamada Irã foi a que aniquilou Hiroshima e Nagasaki.

A chamada comunidade internacional, existe? É algo mais que um clube de mercadores, banqueiros e guerreiros? É algo mais que o nome artístico que os Estados Unidos assumem quando fazem teatro? Ante a tragédia de Gaza, a hipocrisia mundial destaca-se uma vez mais. Como sempre, a indiferença, os discursos vazios, as declarações ocas, as declamações altissonantes, as posturas ambíguas, rendem tributo à sagrada impunidade. Ante a tragédia de Gaza, os países árabes lavam as mãos. Como sempre. E como sempre, os países europeus esfregam as mãos.

A velha Europa, tão capaz de beleza e de perversidade, derrama uma ou outra lágrima enquanto secretamente celebra esta jogada de mestre. Porque a caça aos judeus foi sempre um costume europeu, mas desde há meio século essa dívida histórica está a ser cobrada aos palestinos, que também são semitas e que nunca foram, nem são, antissemitas. Eles estão a pagar, em sangue, na pele, uma conta alheia.

(Este artigo é dedicado aos meus amigos judeus assassinados pelas ditaduras latino americanas que Israel assessorou).

Fonte: aqui.

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Em vários conflitos mundo afora a ONU interveio (Bálcãs, Timor etc), ocupando as áreas conflagradas, procurando pacificá-las. Por que tal não ocorre relativamente a Gaza? Falta de apelo palestino não é, conforme se vê aqui...

OLD CARTUM


Carlos Estevão. (Brasil. 1921-1972).

DE COMO FABRICAR ALGOZES


FBI incentivou atos terroristas em operações infiltradas, afirma ONG

O FBI encorajou e até mesmo pagou muçulmanos americanos para incitá-los a cometer atentados durante operações infiltradas, montadas depois dos atentados do 11 de setembro, segundo um relatório da ONG Human Rights Watch (HRW) divulgado nesta segunda-feira (21).

Em muitos dos 500 casos de terrorismo analisados por tribunais americanos desde 2001, "a promotoria americana e o FBI tiveram como objetivo muçulmanos americanos em operações clandestinas de contraterrorismo abusivas, baseadas na condições religiosa ou étnica", denuncia o informe da HRW.

A conceituada organização estudou 27 casos, com a ajuda da Escola de Direito da Universidade da Columbia. Foram examinados os processos de investigação, acusação e as condições de prisão de dezenas de pessoas. Foram compilados 215 testemunhos, entre acusados, processados, advogados, juízes e promotores.

"Em alguns casos, o FBI pode ter criado terroristas a partir de pessoas que respeitavam a lei, ao sugerir a ideia de realizar ações terroristas ou ao encorajar o alvo a agir", diz o texto, que considera que metade das condenações são resultado de operações infiltradas. Em 30% dessas situações, o agente infiltrado joga um papel ativo na tentativa de atentado.

"Muitas das pessoas nunca teriam cometido um crime, se as forças de ordem não as tivessem estimulado, impulsionado e até mesmo pago, para cometer atos terroristas", explicou Andrea Prasow, uma das autoras do trabalho.

O relatório cita o caso de quatro indivíduos de Newburgh (Estado de Nova York) acusados de ter planejado atentados contra sinagogas e uma base militar americana. De acordo com o juiz do caso, o governo "proporcionou a ideia do crime, os meios e lhes abriu o caminho", transformando em "terroristas" pessoas "de uma bufonaria digna de Shakespeare".

Segundo a ONG, o FBI busca pessoas vulneráveis, com problemas mentais ou intelectuais.
Outro do caso apresentado é de Rezwan Ferdaus, de 27 anos, condenado a 17 anos de prisão por pretender atacar o Pentágono com pequenos drones carregados de explosivos. Um agente do FBI reconheceu que Fergus apresentava "claramente" problemas mentais, mas que isso não impediu o policial infiltrado de planejar o atentado. (Fonte: aqui).

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Este século vem sendo pródigo em matéria de surgimento de teorias da conspiração. O pior é que de repente surgem informações originárias do chamado mundo real que tornam 'palatáveis' até mesmo as mais fantasiosas especulações...

CERTAS EXPRESSÕES


Bier.

terça-feira, 22 de julho de 2014

RAÍZES DA VIOLÊNCIA


A vida, e não álcool e drogas, é a causa de crimes e mortes

Por Genivaldo Neiva

Houve um tempo, quando atuava como juiz de vara criminal, que procurava relacionar todos os crimes que resultavam em ação penal com o uso de álcool e outras drogas. Assim, por exemplo, quando um dependente de drogas praticava um crime de furto de um botijão de gás no quintal da vítima, logo meu cérebro fazia uma espécie de sinapse e relacionava aquele crime ao uso de drogas. Ou então, quando uma pessoa embriagada, sem motivo aparente, causava lesão corporal na vítima, a mesma sinapse relacionava o crime ao uso do álcool. Em crimes de homicídio, quase sempre, meu cérebro descobria que o réu havia feito uso de alguma substância entorpecente. Mesmo quando se tratava de crime movido por ciúme ou sentimento parecido, pesquisava até encontrar algum tipo de droga no caso. Assim, o motivo principal era o ciúme, mas o réu sempre se encorajava para praticar o crime com alguma droga, lícita ou ilícita.

 Depois de muitas condenações em regime fechado e o sentimento de realização da justiça e contribuição para a paz social, colecionava muitos casos que comprovavam minha tese. Por exemplo, o caso dos amigos que bebiam juntos e se mataram a facadas depois que um referiu-se à irmã do outro como “gostosa”; o caso do amigo que matou o outro a facão, depois de beberem juntos, por motivo da cobrança de uma dívida ínfima; o caso do marido que matou a mulher, em uma festa de São João, depois de muitas doses de licor, pelo fato de ter a mesma dançado forró com um antigo namorado; o caso do padrasto que bebia e abusava sexualmente da enteada; o caso do rapaz, completamente embriagado, que matou um gay que lhe passou a mão na bunda; o caso do rapaz, também completamente embriagado, que matou o que lhe chamou de “viado” e também o que matou, nas mesmas circunstâncias, o que lhe chamou de corno...

Aparentemente, apenas aparentemente, portanto, todos esses crimes estariam relacionados ao álcool e outras drogas. Nesta compreensão, os furtos e roubos tinham como causa motivadora as drogas ilícitas e os homicídios tinham o álcool como causa motivadora, ou seja, as pessoas furtavam, roubavam e matavam porque usavam álcool e outras drogas. Logo, nesta lógica rasteira, consequentemente, seria possível vivermos em uma sociedade sem crimes se as pessoas não usassem drogas, sejam lícitas ou ilícitas.

Esta lógica, aparentemente incontestável, no entanto, depois de tantas condenações, reincidências, novas e mais condenações, terminou me encaminhando também a um aparente paradoxo: como é impossível pensar um mundo sem as drogas – a causa de todos os males? - sempre haverá crimes. O paradoxo é aparente, pois nem todas as pessoas que se drogam, sejam por drogas lícitas ou ilícitas, cometem crimes e mesmo pessoas que não se drogam de nenhuma forma também cometem crimes. Logo, crimes se relacionam com a vida e, portanto, enquanto houver homens haverá crimes. Dito de outra forma, crimes não tem as drogas como causa, mas a própria vida. Assim, enquanto houver vida, haverá crimes.

Sendo assim, portanto, por trás de cada crime haverá sempre pessoas e suas histórias. Antes do crime, por consequência, existe a vida e suas tragédias. Haverá, assim, um nascimento, uma família, uma infância, uma adolescência, parentes, amigos, inimigos, vitórias, derrotas, sonhos, pesadelos, oportunidades agarradas e perdidas, desigualdade social, virtudes, defeitos, experiências, vícios, abstemia, mortes, amor, saudades, depressão...

Aos poucos fui aprendendo, tendo a vida e a injustiça social como professores, que a vida e as tragédias pessoais precedem as leis e o Direito e que a justiça, baseada apenas nas leis, não tem a menor possibilidade de julgar as tragédias humanas e problemas sociais e, muito menos, reparar as marcas deixadas pelos crimes. A pena de morte, prisão perpétua ou indenização em dinheiro não reparam a dor pela morte de uma pessoa e quem matou outra pessoa jamais se livrará da condição de assassino, mesmo após o cumprimento de uma pena privativa de liberdade por muitos anos.

Absurdamente, por fim, não se cometem crimes e nem se matam por causa do álcool e outras drogas, mas por causa da vida e suas tragédias. Drogar-se, portanto, é um ato de quem é vivo e é por causa da vida que se mata e morre. O jovem pobre, negro, sem escolaridade e formação profissional, excluído e periférico não furta e rouba porque se tornou dependente do crack, mas porque usar crack, furtar e roubar são consequências de sua história de vida. Da mesma forma, quem mata depois de se embriagar não mata porque está bêbado, mas porque a vida lhe transformou em bêbado e o torpor da embriaguez fez aflorar o sentimento descontrolado que a civilização pensou que até então estaria sob controle.

            O Direito, por fim, não pode ter a pretensão de julgar crimes como se eles não fossem parte da vida de quem os comete e que um julgamento por parte de um juiz de direito teria a força de restabelecer vidas e relações humanas através de uma pena privativa de liberdade. Da mesma forma, o Direito não pode ser o álibi para que juízes violem garantias fundamentais em nome de uma justiça que cada vez mais se envergonha dos que usam seu nome em vão.

* Juiz de Direito (Ba), membro da Associação Juízes para a Democracia (AJD), membro da Comissão de Direitos Humanos da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e Porta-Voz no Brasil do movimento Law Enforcement Against Prohibition (Leap-Brasil). (Fonte: aqui).

A SELEÇÃO E A SÍNDROME DO SETE


Tiago Recchia.

IMPRENSA EM QUESTÃO: UMA DENÚNCIA E SEU TÍTULO


"Os leitores da Folha de S. Paulo foram surpreendidos no domingo (20/7) por um ataque indireto ao senador Aécio Neves, candidato do PSDB a presidente da República. “Minas fez aeroporto em fazenda de tio de Aécio”, dizia a manchete do diário paulista. No texto logo abaixo, o jornal conta que, quando governador, em 2010, Aécio mandou construir, com dinheiro público, um aeroporto na fazenda de um tio, que o senador usa regularmente para visitar uma propriedade da família.

A obra custou R$ 14 milhões e só serve à família do senador ou a aeronaves que ela autoriza, pois o governo de Minas nunca entregou à ANAC, Agência Nacional de Aviação Civil, os papéis necessários à sua homologação. Portanto, objetivamente, a instalação segue sendo uma obra privada feita com dinheiro público.

Na mesma edição e em texto de tamanho proporcional à reportagem que faz a denúncia, a assessoria do senador responde que a escolha do local levou em conta apenas aspectos técnicos, não considerando que a propriedade do imóvel favorecia diretamente o então governador.

O Estado de S. Paulo reproduziu no mesmo dia a denúncia da Folha, em um texto mais curto, incluindo a defesa de Aécio Neves, acrescentando que no local havia uma pista construída em 1983 por seu avô, Tancredo Neves, quando era governador do Estado. Ou seja, a família se beneficia das instalações há mais de trinta anos, agora modernizadas com recursos do Estado. Ou há outra interpretação para a sequência de notícias?

Na segunda-feira (21), os dois jornais paulistas voltam ao assunto, para oferecer um amplo espaço à defesa do candidato tucano, e o Globo entra na história, publicando com destaque a justificativa de Aécio Neves, sem ter publicado antes a denúncia.

O conjunto do noticiário serve de modelo para o leitor entender o estilo que deverá marcar a imprensa hegemônica até o fim da campanha eleitoral: para amenizar as suspeitas de que tende para um dos lados da disputa, dá-se, como se dizia antigamente, uma no cravo, outra na ferradura.

Aeroporto particular
O cuidado em amenizar o efeito da reportagem diz muito sobre a atenção que a imprensa dedica ao seu candidato preferencial. Diante de um fato que induz claramente à conclusão de que a família Neves transformou um antigo campo de pouso em aeroporto particular com dinheiro público, e que a decisão de tocar a obra foi feita pelo então governador Aécio Neves, qual é a alternativa?

Já que não se pode esconder o fato, cria-se na própria denúncia a condição propícia à defesa. A começar pelos títulos: tanto na Folha como no Estado, não foi o então governador quem autorizou o uso de dinheiro público no interesse da própria família: foi “Minas”. Ora, “Minas” não pratica atos de ofício, “Minas” não assina autorização para obras com ou sem licitação. Quem assina é o governante, e o governante é agora candidato a presidente da República.

Alguém imagina uma manchete do tipo “Brasil propõe regulamentação de Conselhos Sociais?” Não: em condições normais de relativa autonomia, os jornais personalizam os atos oficiais.

De que, então, tratava a manchete da Folha no domingo? Tratava do cuidado mínimo que o jornal precisa dedicar à cobertura da disputa eleitoral, porque o engajamento permanente e descarado em uma ou outra candidatura pode prejudicar outros interesses da própria empresa que edita o diário. Por exemplo, se o público desenvolver a convicção de que a Folha apoia explicitamente uma candidatura em detrimento das outras, quanta confiança será depositada em futuras pesquisas do Datafolha?

Então, se determinado fato não pode deixar de ser publicado, porque a omissão colocaria em risco a credibilidade do jornal, dá-se um jeito de preservar no que for possível a reputação do candidato acusado.

Em nenhuma outra ocasião, nos muitos escândalos que a imprensa reportou nos últimos anos, a autoria foi desviada do personagem central para a figura diáfana do Estado. Apenas como referência, no caso que tinha como acusado o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda, não se leu nos jornais que “Brasília é condenada por improbidade administrativa”.

Mas no caso do aeroporto privado feito com dinheiro público, não foi o então governador quem cometeu o malfeito: foi “Minas”."



(Comentário para o programa radiofônico do Observatório, 21/7/2014, proferido por Luciano Martins Costa e disponibilizado aqui, intitulado "Não foi o governador, foi Minas").

O VOYEUR


Wolfgang Theiler.  (Alemanha).

30 ANOS ATRÁS, NO APAGAR DA DITADURA...

              Vila Socó, Cubatão, fevereiro de 1984.

Incêndio na Vila Socó pode ter matado 500

Número oficial de vítimas da tragédia, ocorrida na época da ditadura militar, é de 93

Documentos inéditos revelam que uma tragédia que aconteceu há 30 anos na Baixada Santista pode ter sido a maior já causada por um incêndio no País. Na Vila Socó, em Cubatão, em vez dos 93 mortos registrados oficialmente pela ditadura militar, o número total de vítimas fatais pode chegar a 508.

O Jornal da Band teve acesso com exclusividade ao processo do caso, que foi desarquivado no fim de maio a pedido da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).

Em 1984, ano da tragédia, Cubatão era uma área de segurança nacional e 6 mil pessoas moravam em palafitas construídas em um terreno perto de tubulações da Petrobrás, onde foram instalados tubos que transportam até hoje derivados de petróleo.

Naquela época, o governador André Franco Montoro classificou a tragédia como “imprevisível”. Apesar disso, o que houve foi um erro de operação e um vazamento de 700 mil litros de gasolina, sem que nenhum plano de evacuação fosse posto em prática.

Um documento assinado por cinco legistas revela que mais de 300 crianças podem ter morrido. Os peritos ainda relatam que havia 300 crianças matriculadas em escolas da região, mas que apenas 60 voltaram às aulas. A conclusão foi que grande parte dessas crianças foi reduzida a cinzas por causa da temperatura.

Ninguém foi responsabilizado criminalmente pelo desastre. O Ministério Público chegou a denunciar 24 pessoas, entre elas, o presidente da Petrobras, Shigeaki Ueki, mas a ação penal foi trancada em segunda instância.  Moradores e familiares receberam uma pequena indenização e casas em um bairro vizinho. (Fonte: aqui).

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Era assim que as coisas funcionavam no regime ditatorial. O abafamento era onipresente, e valia para tudo: tragédia, tortura, execução, corrupção etc. 
E pensar que de quando em vez aparece um saudosista desinformado (ou desonesto esclarecido) a pregar o retorno dos militares, atropelando o Estado Democrático de Direito... 

NO LABORATÓRIO MIDIÁTICO DE MANIPULAÇÃO...

Duke.

DA SÉRIE COISAS QUE VI NA ÉPOCA DA COPA (IV)

               O escritor Eduardo Galeano. (Por Juan Manuel).

Um gole de Galeano

Por Francielly Balianca e Diego Torres

Montevidéu tem seus próprios ventos, que se parecem, em muito, com crônicas de cidade pequena. Além de estreita, antiga. Onde prédios velhos se tocam no alto do céu e olhos se cumprimentam nas praças regadas de folhas. Cafés que falam muitas línguas recebem durante o dia linguagens de todas as partes. São gestos de histórias vizinhas contracenando com sentimentos interioranos que a capital uruguaia abriga em si. Não deixam de captar os olhares, as vozes, as vidas.

Uma das ruas mais antigas de Montevidéu é também a que abriga o Café Brasileiro, um dos espaços mais charmosos de Ciudad Vieja, com arquitetura típica do século 19. Ali, onde o vento do lado de fora parecia fazer a curva para o continente, foi que esperamos pelo encontro com Eduardo Galeano, um dos maiores escritores de nossa América Latina.

Enquanto contávamos os minutos para sua chegada, as fotografias nas paredes revelavam a proximidade que o autor tinha com o local. Eram inúmeras fotos suas. Não seria, então, coincidência estarmos ali, em um lugar escolhido por ele, naquela manhã de sábado. Devia ser seu mais aconchegante quintal, no qual nos acomodamos logo, sem saber se pelo apreço visual da madeira fria que estruturava o local, ou pelo cheiro de um café tão tipicamente próximo ao nosso. As duas coisas, talvez.

Galeano chegou acompanhado de sua filha Florência, e entrou sorrateiro, sem que escutássemos o barulho de seus passos. Quando nos demos por encontrados, tomou-nos as mãos e cumprimentou-nos carinhosamente.

“Veja se isso aqui não parece um romance policial”, atestou. “Quando olhei vocês dois aqui sentados, disse logo à Florência: são eles!”, sorriu com um humor de quem se sente em casa. Não demoramos a deixar nossos olhares curiosos de tudo focarem em seus olhos azuis, capazes de iluminar todo o ambiente.

Antes mesmo de o café chegar, contamos a ele o motivo que nos levara ali – uma tenra admiração junto à vontade de estabelecer conversa com vozes e olhares. O que falaríamos a um jornalista que já havia concedido inúmeras entrevistas a tantos veículos? Que a conversa fluísse, pois. Que pudéssemos assentar em um sábado de sua vida e compreender o que as histórias e a despretensão de estar ali, junto a ele, nos trouxessem às mãos.

O primeiro gole de cappuccino veio quando comentamos sobre as propagandas políticas que vimos a caminho do encontro, e sobre as eleições presidenciais que também acontecerão esse ano no Uruguai. Galeano não demorou a enfatizar suas percepções sobre o assunto, apontando, com os dedos pouco acima da mesa, para as ruas que cercavam o Café.

“Eu não entendo a política uruguaia”, afirmou. “A divisão partidária me confunde. Aqui, dentro de um partido que se assume como ‘esquerda’, existem frentes conservadoras e outras de extrema esquerda que disputam entre si. Então, antes do embate eleitoral, existe uma discussão de quem é que lidera o partido. Nunca vou entender isso”,completou, afirmando ainda a dificuldade que há em se estabelecer uma linha de governo dessa forma.

Governo Dilma
Comentamos o quanto também é dificultoso no Brasil estabelecer identidade com um dos mais de 30 partidos existentes. “Eles deixam complexo o que é extremamente simples”, retomou, interpedisselando a si mesmo com a cabeça, colocando mais um gole do seu cappuccino sem açúcar na garganta. Sobre o governo de Dilma Roussef, afirmou que é um bom governo, de forma geral.

“Teve muitos erros e acertos, mas uma coisa é fato: o governo Dilma é claramente uma continuidade do governo Lula, o que não é ruim. Continua com boas políticas sociais e de base, no entanto, por conta do perfil de política do PT, que vem mudando nas últimas décadas, Dilma se preocupou demasiadamente com o modo de fazer política através das muitas alianças, e isso pode ter atrasado medidas importantes à população”, destacou.

Quando se tratou de política, o autor de As Veias Abertas da América Latina não ousou deixar de lado o peso histórico das ditaduras militares que se espalharam pelo continente no século 20.

Jornalista exilado por duas vezes, Galeano esteve no Brasil em anos de chumbo, quando trabalhava para um jornal de Montevidéu, e seu editor pediu que escrevesse sobre a realidade social brasileira com a ditadura.

“Ele pediu que eu fosse ao Brasil, mas, por ter ido diversas vezes ao país, disse que o faria do Uruguai mesmo. Insistiu e eu fui até o Rio de Janeiro. Queria que eu visse o modo como as pessoas viviam a ditadura nas ruas. O que mais me chamou a atenção foi uma frase em um muro, que pedia que o governo brasileiro ‘fosse logo entregue nas mãos de Charles Elbrick’, embaixador estadunidense na época”, assinalou, rindo do quanto aquela frase era certeira ao resumir suas impressões sobre aquele período. “Aquilo materializava a insatisfação diante dos rumos que o país tomava”, concluiu.

Observávamos a naturalidade com que Galeano enunciava. Era terno ao fazê-lo. Não havia dúvidas de que sua sutileza com as palavras, expressa principalmente em O Livro dos Abraços, que contou-nos ser seu preferido, também se refletia na calma e tranquilidade de sua fala.

Ao se tratar de anos ditatoriais, contamos o quanto veículos brasileiros têm trazido à tona as memórias da resistência com relação ao regime militar. Citamos o exemplo das histórias que retratam a realidade das universidades brasileiras na época e o quanto esses espaços, que sempre foram considerados centros de resistência e formação ideológica social, foram claramente reprimidos pelo governo.

Havia temor ante o crescimento de ideias opositoras, o que culminava na infiltração de pessoas ligadas à ditadura no espaço universitário e a exclusão de alunos e professores considerados rebeldes. Hoje, a sobrevivência destes locais representa um símbolo de resistência àquele governo. Sobre isso, relatou a maneira similar com que a ditadura uruguaia agiu naqueles anos.

“A memória tem mãos”
“A ditadura uruguaia agiu de forma parecida. Este Café, por exemplo, foi reconstruído pelas mãos da memória. Porque a memória tem mãos. Por três vezes, esse espaço foi destruído pela ditadura. Era considerado um local de típico encontro da classe intelectual daqui. Vinham com um caminhão durante a noite e desmanchavam o lugar. Arrancavam os pisos, retiravam as mesas e cadeiras, roubavam os lustres. No entanto, os frequentadores sempre tinham a disposição de reconstruir o Café através de suas lembranças em fotos e fatos”, contou-nos com brilho nos olhos que ora miravam em nós, ora nas paredes com fotografias de velhos conhecidos.

Lembrou-se também de uma vez que esteve em Leningrado – sua filha o corrigiu atentando ao atual nome, São Petersburgo –, quando as pontes da cidade, que foram destruídas pela guerra, estavam sendo reconstruídas por moradores através de fotografias. A memória parecia dar-lhe as mãos, ali.

O suspiro forte das lembranças abriu espaço para que nos entregasse dois de seus livros, Mulheres e Dias e noites de amor e de guerra, que trouxera especialmente para nos presentear. Assinou com doçura. “Abraços, Galeano”, desenhando um porquinho abaixo de seu nome. Também fez isso nos livros que trouxemos para receber sua assinatura.

Quando perguntado sobre a escolha desse animalzinho, não demorou a dizer que “alguns escritores escolhem dragões e serpentes como mascotes de suas obras e assinaturas. Eu escolhi o porquinho, pois ninguém o havia escolhido. Gosto do porquinho”. Sua graça fez com que todos à mesa sorrissem.

A ele, entregamos presentes escolhidos com cautela. O livro Deus Foi Almoçar, do escritor paulistano Férrez, e o filme O Som ao Redor, do diretor recifense Kléber Mendonça Filho. Não poderíamos deixar o autor de Futebol ao Sol e à sombra partir sem indagá-lo sobre uma de suas maiores paixões. Qual seria, então, sua opinião sobre o futebol sul-americano?

Futebol
Galeano foi preciso no chute. “Ele continua sendo uma característica muito forte de nossa cultura, mas as atuais condições do esporte no mundo, baseadas na comercialização do futebol, fazem com que nossos jogadores sejam vendidos muito cedo, o que provoca pouca contribuição ao nosso modo de jogar”, respondeu. Completou dizendo que, no entanto, os jogadores sul-americanos têm um histórico de mudanças através de pequenas revoluções.

“Há um movimento no Chile em que os jogadores se uniram e começaram a fazer parte da tomada de decisão na liga. O Bom Senso Futebol Clube também é outro exemplo. O futebol não pode se render à política de interesses que atualmente dirige os clubes”, reiterou. Comparou esse exemplo ao da Democracia Corintiana, que surgiu na década de 1980, liderada por Sócrates, “que era muito meu amigo”, ressaltou. Finalizou com uma pergunta que um dia fizeram a Sócrates sobre essa amizade, que também levantara nossa curiosidade. “Sócrates respondeu: ‘O Eduardo fala de futebol e eu falo de política. É simples’”, sorriu com a intimidade contada.

O relógio batia meio-dia, mas o charme matinal uruguaio não nos tirava o sentimento de que ainda pareciam nove da manhã. Galeano aproximou-se da mesa tanto quanto se achegou a nós. Perguntou-nos onde vivíamos no Brasil. “Vivemos entre São Paulo e Rio de Janeiro”, respondemos. Como conviesse, perguntamos se lhe agradavam cidades como as nossas, mas nosso Eduardo foi enfático ao negar o apreço às grandes metrópoles.

“Não gosto de cidades grandes, como São Paulo. Elas têm caos demais. Gosto de Montevidéu porque consigo compreendê-la. Não se pode compreender uma cidade como São Paulo. Por isso escolhi viver aqui e sempre para cá voltar”, disse. Entreolhamo-nos pelo tempo em que o termo compreensão ressoou no ambiente.

Eduardo foi se levantando com os presentes em mãos. Despedimo-nos com um cumprimento ainda mais carinhoso que o da chegada. “Ainda vamos nos rever”, disse, por fim. “As mãos da memória sempre trabalham por encontros assim”, quisemos entender. Agradeceu com os olhos. Agradecemos. Não como quando um livro termina por nos inspirar, mas, quando um novo nos segura logo na primeira página. “Até breve”, sentimos. (Fonte: aqui).

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Em 21 de abril, reproduzimos neste blog "Conversa com Galeano", aqui, colhido do blog de Cynara Menezes.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

45 ANOS DA CONQUISTA DA LUA (E DA CRIAÇÃO DA TEORIA DA CONSPIRAÇÃO)


Junião.

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...ao que o outro ET indaga: "O que lhe dá a certeza de que eles estiveram aqui 45 anos atrás?!"

OLD PHOTO


100 ANOS DA SELEÇÃO BRASILEIRA

No dia 21 de julho de 1914, o Brasil entrava em campo com Marcos de Mendonça, Píndaro, Nery, Lagreca, Rubens Salles, Rolando, Abelardo, Oswaldo Gomes, Friendereich, Osman e Formiga. Os gols da vitória canarinha por 2 a 0 foram marcados por Oswaldo Gomes e Osman contra o Exceter City Football Club, atualmente na quarta divisão da Inglaterra.

A base da seleção brasileira contava com sete jogadores que jogavam nos clubes cariocas Flamengo, Fluminense, Botafogo e América. Outros quatro atuavam em times paulistas que hoje têm pouca ou nenhuma expressão no futebol, casos de São Bento, Ypiranga e Paulistano. (Fonte: aqui).

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Balde de água fria é isso: dois dias após a fatídica partida Alemanha 7 X 1 Brasil, hecatombe ocorrida no dia 8 deste mês, em matéria externa de programa exibido no canal Fox Sports o repórter foi surpreendido pela 'entrada' de um automóvel meio baqueado em cuja lateral figurava a mensagem "7 X 1 - BRASIL MARCADO PARA SEMPRE". 

Marcado para sempre... É o que se pode chamar de lástima.

A FLÂMULA QUE OSTENTAS


Benett.

RUBEM ALVES: PALAVRAS FINAIS


"Sou grato pela minha vida. Não terei últimas palavras a dizer. As que tinha para dizer, disse durante a minha vida. Recebi Muito. Fui muito amado. Tive muitos amigos. Plantei árvores, fiz jardins. Construí fontes, escrevi livros. Tive filhos, viajei, experimentei a beleza, lutei pelos meus sonhos. Que mais pode um homem desejar? Procurei fazer aquilo que meu coração pedia.

Não tenho medo da morte, embora tenha medo do morrer. O morrer pode ser doloroso e humilhante, mas à morte, eis uma pergunta. Voltarei para o lugar onde estive sempre, antes de nascer, antes do Big Bang? Durante esses bilhões de anos, não sofri e não fiquei aflito para que o tempo passasse. Voltarei para lá até nascer de novo.

(Rubem Alves - setembro 1933; julho 2014 -, psicanalista, educador, teólogo e escritor brasileiro, é autor de livros e artigos abordando temas religiosos, educacionais e existenciais).

PERFIL DE UM JORNAL GLOBAL


"Tendo passado mais de um terço de minha vida de jornalista sob ditadura, tenho razões pessoais, além de políticas, para considerar a liberdade de imprensa como um valor supremo. Há um momento, porém, onde uma nuvem de dúvida passa pela minha cabeça. É quando vejo o Jornal da Globo. Aí fica patente o fato de que a opinião pública está sendo empulhada e manipulada numa extensão além de qualquer possibilidade de autoproteção.

Vou citar alguns fatos da última semana. A inflação baixou mas o Jornal da Globo, nas bocas de William Waack e Carlos Alberto Sardenberg, não só não reconheceu isso como antecipou novas altas da taxa básica de juros por causa da inflação. Fizeram isso também quando o Governo Dilma empurrou a taxa de juros para baixo. E intensificaram as pressões por mais juros quando a inflação teve ligeira subida, passando ao grande público a falsa impressão de uma eficácia definitiva entre aumento de juros e queda de inflação.

O avião da Malaysian Air Lines é derrubado sobre a Ucrânia. Aparentemente foi uma ação dos rebelde separatistas do Leste do país, mas nenhuma autoridade internacional, fora da própria Ucrânia, ousou culpar diretamente a Rússia. Exceto o Jornal da Globo. Auxiliado por um mapa, Waack exibiu a fotografia de Putin como a de um bandido que tivesse puxado o gatilho. Na sequência do noticiário, o locutor-comentarista-propagandista apresenta hipocritamente como uma “guerra” entre iguais o massacre israelense na Faixa de Gaza.

O Jornal da Globo não reconheceu a anexação da Crimeia pela Rússia como expressão de uma vontade popular apurada nas urnas. Apresenta a Rússia como uma nação expansionista omitindo o fato inegável de que a instabilidade ucraniana foi produto direto de intervenções ocidentais por razões geopolíticas; ou seja, pelo desejo de apertar o cerco sobre Moscou acrescentando mais um peão nas mais de 700 bases militares mantidas pelos Estados Unidos fora de seu território, a maioria contra a Rússia.

Jornalismo requer um certo grau de neutralidade, não obstante o fato de a neutralidade absoluta não ser possível. Entretanto, a parcialidade extrema através de um bem público como as ondas de televisão é abjeta. Em terminologia militar, condena-se o uso desproporcional de violência (como na atual “guerra” de Gaza). Usar o noticiário de televisão como instrumento de propaganda ideológica, no caso claramente a serviço das posições políticas norte-americanas, é um esbulho da sociedade brasileira pois poucos entre os milhões de telespectadores têm capacidade discricionária alimentada por fontes fora da própria televisão.

Não, não quero censura de Governo. Fiquei farto dela no tempo em que só tinha direito de opinião no Brasil a própria Globo, na medida em que a opinião da ditadura era a opinião dela. Mas torço para que, com a ajuda da Internet, a sociedade imponha à Globo a suprema censura de mudar de canal quando a manipulação ideológica do Jornal da Globo ultrapassar certos limites. Isso é comum nas democracias. Chegará a vez da nossa.

Entretanto, há uma pequena probabilidade de que eu esteja sendo injusto com a instituição Jornal da Globo. O problema talvez seja o caráter de seus locutores-propagandistas. Durante quase um ano, no início dos anos 90, escrevi uma das principais colunas de economia política no Globo, na página 7. Tinha total liberdade de opinião. Jamais Roberto Marinho ou outro dirigente do jornal me disse ou me mandou algum recado para deixar de abordar, ou abordar qualquer assunto. É fácil ver nos arquivos que defendi minhas ideias sem qualquer problema mesmo quando divergia da opinião editorial do jornal.

Isso me leva a pensar: será que Sardenberg, William Waack, Miriam Leitão não estão exagerando nas suas posições de extrema direita para supostamente agradarem seus chefes, quando os chefes talvez se contentassem com menos? Por exemplo: que tal se eles tentassem simplesmente ser mídias em sua acepção semântica, isto é, meios entre os fatos e o telespectador ou leitor, tentando, com honestidade, a imparcialidade possível? Será que seriam repreendidos pelos donos?"




(De J. Carlos de Assis - Economista, doutor em Engenharia da Produção, professor de Economia Internacional na UEPB, autor de mais de duas dezenas de livros sobre a Economia Política brasileira. Post "Os arautos da manipulação ideológica pela televisão" - aqui).