terça-feira, 28 de junho de 2016

AINDA SOBRE AS DELAÇÕES REGIAMENTE PREMIADAS (E ESPETÁCULOS MIDIÁTICOS)


Corruptos e corruptores fazem acordos e voltam para as suas casas bilionárias. E o povo?

Do Jornal do Brasil

Delinquentes continuam desfrutando do produto de seus roubos, enquanto o brasileiro sofre
O que se vê nesses acordos de leniência e nesses processos da Lava Jato é o correto levantamento policial, em que corruptores e corruptos são identificados com uma rapidez que não se via na mesma polícia do passado. 
Por exemplo: nas privatizações, houve vários grampos feitos, principalmente no BNDES, entre gabinetes de ministros. E muitos trechos a imprensa divulgou na época, nos quais um falava a outros: "Não se preocupe, 'autoridade 1', eles não levaram a Vale, mas vão levar a Telemar." 
Entre os supostos delinquentes do lobby se encontravam parentes de autoridades importantes. Hoje, não existe mais isso. Se descobre a autoridade, os parentes da autoridade, os corruptos e os corruptores. 
O que se estranha é que os corruptos e corruptores, desde que delatores, pelos acordos de leniência que fazem - e o JB por várias vezes já fez este protesto - voltam para as suas casas, que não são casas, são verdadeiras mansões de valores bilionários. 
Saem da prisão que o povo paga, onde desfrutam de seus tempos de criminosos, e voltam para as suas mansões que construíram com dinheiro roubado, para passar quatro ou cinco anos em prisão domiciliar aqui no Brasil. Depois, vão gastar suas fortunas em dólar.
Os prejudicados, que foram demitidos, perderam seus planos de saúde, perderam seus empregos porque o país quebrou, vão viver eternamente na miséria. Enquanto isso, os verdadeiros culpados, corruptos ou corruptores, vão viver eternamente na abundância do produto de seus butins aqui ou no estrangeiro. Eles, seus filhos e netos. 
Que justiça é essa?
(Fonte: Jornal do Brasil - AQUI).

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Enquanto isso, juntando-se aos esforços dos que se empenham em que o processo de impeachment alcance o esperado desfecho, espetáculos midiáticos se desenvolvem ignorando solenemente bobagens, isso mesmo, bobagens constitucionais intituladas 'presunção de inocência' e 'devido processo legal', a exemplo do que se está a ver em relação ao ex-ministro Paulo Bernardo, para cuja prisão preventiva, em si descabida, se promoveu cerco policial por terra e ar, como bem acentuou a mulher de Bernardo, senadora Gleisi Hoffmann, em discurso proferido na tribuna do Senado da República - AQUI.

O combate à corrupção é inquestionavelmente louvável, mas a observância de escrúpulos é essencial. Mandá-los à danação é coisa de AI-5.

NONSENSE CARTOON


Esmaeli Babaei. (Irã).

segunda-feira, 27 de junho de 2016

SOBRE AS PEDALADAS


A desmoralização do argumento das pedaladas

Do laudo de perícia elaborado por comissão composta por três técnicos do Senado relativamente às contas do governo federal em 2015:

.Foram cumpridas "as metas estabelecidas na LDO /2015";

."Conclui-se que o Poder Executivo cumpriu as metas de resultado fiscal";

."Os decretos de contingenciamento foram suficientes para assegurar o cumprimento das metas de resultado fiscal 2015";

.(Inexiste ato atribuível diretamente à presidente da República no que respeita a atrasos de transferências a bancos públicos).

Se eventual crime de responsabilidade capaz de embasar o impedimento do presidente da República depende não só de ato ato concreto, mas da existência de DOLO, a pergunta que se impõe é: ONDE ESTARIA O TAL CRIME DE RESPONSABILIDADE?

Há um argumento final dos ansiosos pelo impeachment. No que tange a ele, transcrevo observações feitas por Fernando Brito - aqui -:

"A história dos decretos estarem em desacordo com as metas se desmancha no reconhecimento da própria comissão de perito de que “o Poder Executivo cumpriu a meta estabelecida”. O argumento de que “estavam em desacordo com as metas vigentes na ocasião” não se sustenta pela simples razão de que, primeiro, créditos orçamentários não se confundem com despesa – que são determinadas pelo ato de empenho, que é a reserva de recursos para o pagamento de determinado compromisso – como porque, enquanto não aprovada a modificação na Lei Orçamentária proposta em razão da revisão das metas, vale o montante de créditos da lei anterior, que pode ser remanejado por simples decreto presidencial.
É bom lembrar que Eduardo Cunha, de julho a dezembro, bloqueou a votação das modificações do Orçamento e o PSDB se empenhou até o final para que o ano se encerrasse sem que a nova Lei fosse votada para que, aí sim, o Governo Dilma incorresse em crime de responsabilidade fiscal por ter efetuado despesas em desacordo com a lei orçamentária.
Estariam fazendo tanto esforço à toa?"
Aguardemos os argumentos dos patrocinadores do impedimento - e seus apoiadores midiáticos...

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ADENDO DE POR VOLTA DA MEIA-NOITE:

A notícia mereceu a primeira posição no 'home' do UOL, poucas horas depois foi rebaixada para a condição de 'notícia trivial' - e há pouco acabou de sumir por inteiro. Sinal de que as conclusões dos peritos senatoriais pegaram em cheio os propósitos dos entusiastas do impeachment!

CARTUM DA PROPINA GENERALIZADA

Duke.
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Entreouvido nos bastidores:

- A corrupção ampla e geral faz a tranquilidade do corrupto, que se empenha ao máximo em disseminá-la. É que, na visão dele, quanto maior o número de corruptos, maiores as chances de se garantir a impunidade!

- Essa aí, meu caro, era a concepção reinante até pouco tempo atrás. Ultimamente, a quantidade de corruptos se mantém importante, mas o que pesa, mesmo, é a ENGENHOSIDADE do corrupto: quanto mais engenhoso ele for, maiores as chances de, com uma bem bolada DELAÇÃO, garantir a impunidade, preservar boa parte do montante roubado, usufruir as benesses patrimoniais e, se ostentar pretensões literárias, como Sérgio Machado, escrever e publicar best-seller relatando fatos e artimanhas que, evidentemente, o coloquem como mocinho em meio a notórios amigos do erário!

O REINO UNIDO, A UNIÃO EUROPEIA E A INGLATERRA


É bom para a Europa continental se livrar do peso inútil da Inglaterra

Por José Carlos de Assis

A Inglaterra jamais deveria ter sido aceita na União Europeia. Ela demorou 20 anos para integrar o Mercado Comum Europeu e, quando aderiu ao grupo, impôs condições especiais para escapar da disciplina comum em vários aspectos. Desde o regime colonial, com o mercantilismo privado, ao liberalismo econômico, imposto artificialmente a outros povos em benefício próprio, o Império britânico atuou em seu favor em detrimento dos outros. É uma ironia da história que a maioria de seu próprio povo escolha agora o isolacionismo.
Ao contrário do que supõe a grande imprensa mal informada, a União Europeia perderá muito pouco com a saída da Inglaterra. Esta, ao contrário, deve perder no processo a Escócia e a Irlanda do Norte, além de um mercado de 500 milhões. Nessa altura, os líderes conservadores ingleses, velhas raposas que tinham e têm consciência das desvantagens da separação, já se deram conta de que cometeram um suicídio ao convocar o referendo como um capricho político. Entre os próprios cidadãos já se notam “arrependidos”.

A derrubada da libra e a queda muito menor do euro indicam a forma correta como os especuladores, em  geral mais espertos do que a maioria dos políticos, avaliam a situação comum. É óbvio que a saída inglesa não tem como abalar muito a União Europeia. Teria sido muito pior se a Inglaterra tivesse aderido ao euro. Nesse caso, um terremoto financeiro, impulsionado pela especulação na City, teria abalado a Europa e o mundo. Afastada essa hipótese, a Inglaterra, que foi sábia ao rejeitar o euro, sujeita-se agora a outras fraquezas.
É uma economia decadente, incapaz de reagir aos estímulos da política monetária, mesmo porque tem resistido conservadoramente à expansão fiscal. Nesse sentido ela tem desperdiçado a vantagem indiscutível de um banco central articulado ao Tesouro, a despeito das lições nesse sentido da política econômica de Barack Obama. É bom não esquecer que, ao lado da Alemanha de Merkel e da França de Sarcozy, a Inglaterra de Cameron ajudou a impor em 2010 à zona do euro – embora estivesse fora dela – a contração monetária e fiscal que derrubou a recuperação mundial da crise de 2008.
É difícil deixar de desejar à Inglaterra o futuro que ela merece, tendo em vista as políticas conservadoras que impôs a suas áreas de influência desde o século XIX. Ela terá de beber o fel representado por uma economia embalada pela especulação financeira, e pela subordinação da economia real à pletora dos derivativos. Enquanto isso, sem ter de carregar o peso da economia inglesa, a União Europeia terá oportunidade de rever suas políticas contracionistas a fim de evitar a continuidade do desastre econômico – o que talvez seja uma lição para o BC e o Ministério da Fazenda no Brasil.
No balanço europeu, a saída da Inglaterra favorece a possibilidade de uma política econômica menos ortodoxa e necessariamente expansionista, à qual se tem recusado a Alemanha, até aqui com o seu fervoroso apoio. Talvez Itália e França façam um jogo mais equilibrado em favor do crescimento, voltando, no caso do presidente francês François Hollande, ao discurso favorável à retomada dos investimentos na Europa por ocasião de sua eleição, logo frustrada. Enfim, do ponto de vista objetivo ou político, a Inglaterra é um peso inútil para a União Europeia, que só tem a ganhar com sua saída. (Fonte: aqui).
(José Carlos de Assis é economista, professor, doutor pela Coppe/UFRJ).

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Mas a saída do Reino Unido da UE produz, sim, impacto geopolítico. A questão dos refugiados e a própria política de imigração, já periclitantes, sofrerão baques expressivos, o que se verá nos próximos dois anos, que é o tempo previsto para que o rompimento seja implementado. Não à toa a primeira-ministra da Escócia declarou - aqui - que seu país poderá vetar a decisão traduzida no referendo fatal...

CARTUM PREMIADO

Ronaldo.
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Entreouvidos:

."O sortudo Sérgio Machado está que não cabe em si de contentamento. O plano foi para lá de bem sucedido. As condições recebidas como prêmio - AQUI - superam os melhores sonhos! Ele não sabe como agradecer!"

."Olha só o que diz Fernando Brito a propósito da premiação de Fernando Pessoa, dono da UTC: 'Seja ladrão, aponte o dedão e ganhe o perdão'. O título da nota de Brito - AQUI - também merece destaque: 'Promoção! Roube muito, devolva pouco, e passe só um ano em casa com tornozeleira'"

UM ANALISTA ARGUTO REFLETE SOBRE A CONJUNTURA


Quem é presidente

Por Jânio de Freitas

É passável que Michel Temer negue haver conspirado para o afastamento de Dilma Rousseff. Ou que faça acrobacias mentais para afirmar que foi muito votado, sim, para vice. Não se esperaria que fosse mais veraz do que incapaz de respostas respeitáveis. Mas intitular-se presidente, como se viu repetidas vezes na entrevista a Roberto D'Ávila (GloboNews), não é apenas um feito a mais de fragilidade ética.
Dilma Rousseff não perdeu o título conquistado nas urnas. A ele foi acrescentado, para o decorrer do processo de aprovação ou recusa do seu impeachment, um adjetivo apropriado: presidente afastada. Tal afastamento, por sua vez, não se inclui nos casos de vacância da Presidência citados pela Constituição e, só eles, resultantes em posse de novo presidente. Além do mais, o regime constitucional brasileiro não comporta dois presidentes.
Como nos casos de licença presidencial, para viagem, tratamento de saúde, outros motivos pessoais, a Presidência fica exercida sucessivamente pelo vice ou pelo presidente da Câmara, o do Senado ou o do STF (Supremo Tribunal Federal), sem que a qualquer um deles seja transferido o título de presidente. Em todas essas hipóteses, mesmo o título de presidente interino (transitório, temporário) é impróprio, por se utilizar de um título ainda aplicável ao detentor original.
O título de Temer é vice-presidente em exercício da Presidência. Ou, simplificado, vice em exercício.
Intitular-se presidente indevidamente pode ser visto como usurpação de direito alheio, legítimo e exclusivo. O provável é que haja quem o veja até como falsidade ideológica, passível de processo criminal. Em princípio, impeditivo do exercício da Presidência.
Se não apreciar o título correto, o vice em exercício Michel Temer tem uma alternativa para manter, sem maior erro, a denominação que prefere. Como a de presidente não terá legitimidade, pode contrabalançá-la: presidente ilegítimo.
Tem até a utilidade do duplo sentido.
INVERSÕES
Numerosos senadores, inclusive do anti-PT, reagiram à batida da Polícia Federal, em busca do ex-ministro Paulo Bernardo na residência da senadora Gleisi Hoffmann, em imóvel do Senado. A PF agiu sem a autorização da única instância autorizada a dá-la -o Supremo Tribunal Federal. Admitir que a direção e delegados da PF não soubessem dessa exigência seria depreciá-los por muito pouco. O mesmo se pode dizer do juiz que, sem competência para tanto, emitiu a autorização.
O que talvez se torne explicável pela relação de Paulo Bueno de Azevedo, da 6ª Vara Federal Criminal de SP, com sua orientadora Janaína Paschoal -a coreográfica advogada que recebeu dinheiro do PSDB para fazer um parecer sobre o impeachment de Dilma (Em tempo: que se saiba, não é em coreografia política que o juiz se faz orientar).
De fato, há erros demais para um só episódio. Mas se o Senado ainda não percebeu, na atual inversão de autoridade e de preceitos os senadores estão ultrapassados no status institucional. Têm situação ainda muito melhor que a dos deputados, mas inferior à da Polícia Federal, de parte do Ministério Público e de parte do Judiciário. Na semana passada, até o Supremo precisou reagir, por intermédio do ministro Teori Zavascki, à apropriação de atribuições judiciais suas pela Polícia Federal.
É a sério essa observação. Estamos a caminho, já entrados nele, de muitas inversões radicais, para um novo regime. Seria melhor começar a observá-lo.
PRÊMIO
O delator e empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da UTC, foi condenado pelo juiz Sergio Moro a oito anos e dois meses. De liberdade, para desfrutar sua riqueza feita sabe-se como. A pena não passa do papel (e sem trocadilho). 
(Folha de São Paulo, edição de 26.06; texto reproduzido no Jornal GGN - aqui).

SOB O DOMÍNIO ABSOLUTO DO CAPITAL


Nani.

DE REPENTE, QUANDO A LAVA JATO DÁ MOSTRAS DE PARTIR PRA CIMA...


Dobradinha Temer-Empresários: O fim da Lava Jato e do seu emprego

Por Leonardo Sakamoto

Que o governo interino de Michel Temer defenda publicamente que a Lava Jato precisa ter um ponto final, isso é compreensível. Afinal de contas, se a operação continuar, o fisiológico PMDB faz pufff! e desintegra no ar. Em outras palavras, é questão de sobrevivência.
O mais divertido tem sido observar que setores do empresariado nacional trocaram o usual filtro solar fator 60 (para peles brancas e sensíveis, claro) por óleo de peroba a fim de bater bumbo junto com o governo interino. Dizem que se faz necessário informar qual a data limite da operação para que a economia volte a crescer.
O que acontece com uma infecção em que o tratamento com antibióticos é suspenso antes da hora? A parte mais forte e resistente da bodega permanece e infesta tudo de novo. Mas a questão para o empresariado-peroba não é a depuração do sistema político e econômico – caso contrário defenderiam que PT, PMDB, PSDB, DEM e boa parte dos partidos fossem escrutinados de cima a baixo e os comprovadamente culpados por desvios públicos – que aumentam o custo Brasil – pagassem por isso.
Não, o empresariado-peroba ajudou a colocar Michel lá e quer que Michel fique porque Michel prometeu que fará o “jogo sujo''.
O que inclui aprovar as leis que ampliam a possibilidade de terceirização da força de trabalho e que garantem que a negociação entre empresa e trabalhadores passe por cima da CLT. Mas também a imposição de tetos para investimentos em educação e saúde pública, a redução do combate ao trabalho escravo e infantil, a revisão das leis de licenciamento ambiental e, como esquecer, uma reforma previdenciária que mexerá com direitos adquiridos dos mais pobres para preservar o bolso dos mais ricos. Isso sem contar a demanda por deixar as grandes empresas sonegadoras em paz.
Ou seja, tudo o que é visto do lado de cima como entrave ao desenvolvimento e, do lado de baixo, como mínimo alívio para uma vida de merda.
Afinal de contas, por mais que os governos eleitos do PSDB e do PT tenham distribuído bananas aos seus eleitores e adotado medidas que eles não haviam informado em suas campanhas eleitorais, não teriam coragem de impor a tungada nos direitos dos trabalhadores que espreguiça no horizonte. Apenas um governo que não foi eleito e que não poderá ser reeleito – e, portanto, não possui compromissos com nada além de si mesmo e patos amarelos – teria essa possibilidade.
O que isso significa? Que parte do empresariado-peroba não estava nem aí para o combate à corrupção e queria mesmo alguém para fazer o que ninguém faria.
Em outra circunstância, uma greve geral começaria a ser desenhada para evitar esses retrocessos. Mas o rolo compressor está sendo ligado no Congresso Nacional e o que se ouve é que não há força de mobilização para tanto. Bem, garanto que a situação no final da ditadura era bem pior e aconteceu o que aconteceu.
“Nenhum direito a menos'' é um belo bordão para fazer parte de inflamados discursos da esquerda acadêmica, para enfeitar cartolinas em esparsas manifestações de rua ou produzir memes que viralizam triunfantes nas redes sociais. A gente, da classe média intelectualizada, pira nessas coisas.
Enquanto isso, a classe trabalhadora segue assistindo a tudo bestializada sem saber ao certo o que está acontecendo porque suas fontes principais de informação não deixam isso claro ou não pintam o quadro completo e poucos são os movimentos sociais que têm feito um trabalho de base para reconstrução. Porque isso significaria reconhecer os profundos erros dos grupos que se autointitularam de esquerda para, a partir daí, avançar. Dessa forma, o povão só se dará conta de que foi atingido por uma bala quando já estiver sangrando no chão.
Como já acontece, mas não de forma metafórica, com os jovens negros pobres da periferia sem que percamos um segundo de sono por isso.
E ainda vai ter Olimpíada.
Vai, Brasil!
(Fonte: aqui).
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De repente, quando a Lava Jato dá mostras de partir pra cima... 
E por que só agora? Por que não o fez antes? Muitos sustentam que a prioridade das prioridades era criminalizar o PT. Como a mídia iria ficar feliz com isso, a cobertura amplamente favorável estaria garantida. Foi o que se viu. Se os trabalhos tivessem sido desde logo estendidos aos partidos simpáticos à mídia, o fracasso da Operação Lava Jato seria inevitável. Sem o auxílio luxuoso da mídia corporativa, nada feito. Enfim, tudo conforme o 'manual da Operação Mãos Limpas' elaborado há duas décadas na Itália e esquadrinhado de fio a pavio pelas autoridades condutoras da Operação nestas plagas...
Ao que se saiba, de março de 2014 até os dias atuais, pouco ou nada se tinha ouvido da então oposição e a classe empresarial reinante. Protestos contra alegados/comprovados abusos... zero. Lamentações no que tange a impacto negativo sobre a atividade econômica... zero.
Eis que agora, quando a Lava Jato dá mostras de partir pra cima...

domingo, 26 de junho de 2016

SELFIE PASCAL


Alisson Affonso.

LOUVAÇÃO A UM CHARGISTA QUE MERECE SER LOUVADO


"Passou da hora de eu pedir desculpas ao Aroeira por tantas vezes em que, batendo palmas, tomo emprestado para este blog suas charges. É que, quando talentoso, o chargista, em uma imagem, tem a capacidade de dizer o que o blogueiro não consegue em mil. O Pedro Cardoso, não sei se citando alguém, disse certa vez que o riso é a verdade inesperada. Aroeira é, desde há muito tempo, o grande chargista do golpe, um título que, tenho certeza, ele adoraria não ter."





(De Fernando Brito, em 'post scriptum' ao post "'Esqueceram de mim'?, o drama de Temer com a Lava Jato", publicado no blog 'Tijolaço' - aqui.



Aroeira é, de fato, o que se pode chamar de chargista monumental.

A propósito, seria de bom tom que blogueiros em geral, ao fazerem uso de charge para enriquecer seu texto, indicassem expressamente o NOME do autor do desenho, independentemente de o trabalho estar por ele assinado).

ENFIM, UM TIME DE CARTOLAS VIRTUOSOS


Nani.

O XADREZ DOS FANTASMAS


O xadrez dos fantasmas de Temer e as eleições indiretas

Por Luis Nassif

Definição 1 - Os novos inquilinos do poder

Há dois grupos nítidos dentre os novos inquilinos do poder.
Um, o PMDB de Michel Temer, Eliseu Padilha, Moreira Franco, Geddel Vieira de Lima e Romero Jucá, grupo notório.  O outro, um agrupamento em que se somam grupos de mídia, Judiciário, Ministério Público Federal e mercadistas do PSDB. Vamos chama-los de PSDB cover, pois inclui as alas paulistas e os mercadistas cariocas do PSDB. A banda de Aécio Neves é carta fora do baralho.
Por vezes, o PSDB cover provoca indignação. Já o grupo de Temer provoca vergonha, um sentimento amplo de humilhação de assistir o país governado por grupo tão suspeito, primário e truculento. E menciono esse sentimento não como uma expressão individual de repulsa, mas como um ingrediente político que será decisivo nos desdobramentos políticos pós-impeachment, que rabisco no final.
O grupo de Temer quer se apropriar do orçamento com vistas às próximas eleições. O PSDB cover quer se valer da oportunidade para reeditar as grandes tacadas do Real.
Temer e seu grupo são mantidos na rédea curta, com denúncias periódicas para mostrar quem tem o controle do processo. Deles se exige espaço amplo para as articulações financeiras do PSDB cover e o trabalho sujo para desmontar qualquer possibilidade da oposição nas próximas eleições.
Definição 2 - A estratégia econômica
Ao longo de 2013 e 2014 Dilma perdeu o foco da política econômica e deu início à sequência de isenções fiscais, arrebentando com as contas públicas. No final de 2014 havia um grande passivo das chamadas “pedaladas”.
Um pouco antes de vencer as eleições, Dilma anunciou publicamente a substituição do Ministro da Fazenda Guido Mantega por Joaquim Levy, provocando ressentimentos em Mantega.
Passadas as eleições, foi aconselhada a zerar os passivos ainda em 2014.
Demitido em público, mas ainda Ministro, Mantega recusou-se a tomar as medidas necessárias. Indicado Ministro, mas ainda não empossado, Joaquim Levy também preferiu postergar.
Assumindo Levy, Dilma anuncia a estratégia da chamada contração fiscal expansionista. Ou seja, um enorme choque fiscal que devolveria a confiança aos agentes econômicos que voltariam a investir.
Os empresários ficariam tão encantados com o choque fiscal que nem ligariam para a queda da demanda, aumento da capacidade ociosa, taxas de juros estratosféricas. Como diria Gil, “andar com fé eu vou”. E fomos.
O primeiro desastre foi o anúncio do plano a seco, como primeira manifestação de Dilma. Foi um suicídio político.
No meio do ano estava claro o fracasso da estratégia que, ao derrubar ainda mais a economia, ampliou a recessão, a queda de receitas e, consequentemente, os desajustes fiscais.
Passou-se todo o segundo semestre discutindo a revisão da política, sem que nada fosse feito. Levy acabou saindo antes deixando armada a bomba fiscal e a política.
Mudou-se a estratégia para a flexibilização fiscal reformista.
Consistiria no governo assumir um resultado fiscal menor no curto prazo, para absorver a perda de receita. E, para reconquistar a confiança do mercado, em vez do ajuste fiscal, uma reforma fiscal.
Flexibilizaria no curto prazo, para devolver um pouco de fôlego à economia. E acenaria com reformas de médio prazo, visando devolver a confiança no equilíbrio fiscal.
Em dezembro de 2015 a fogueira política parecia ter refluído. A proposta foi apresentada em janeiro de 2016, com os seguintes ingredientes:
1.     Pedido de autorização do Congresso para um déficit maior.
2.     Limites de gastos orçamentários.
3.     Reforma da Previdência.
Na proposta Nelson Barbosa, os limites de gastos orçamentários seriam definidos a cada quatro anos pelo Congresso. Substituir-se-iam os gastos obrigatórios por metas obrigatórias a serem alcançadas. Seja qual fosse o resultado, haveria a possibilidade de correção de rumos a cada quatro anos.
Em relação à Previdência, haveria um aumento na idade mínima, mas com uma longa regra de transição, de maneira a poupar quem já tivesse ingressado no mercado de trabalho.
Mas, àquela altura, a governabilidade já tinha ido para o espaço, graças à combinação da Lava Jato com Eduardo Cunha. A cada semana, a Lava Jato soltava uma bomba política e, após o recesso, Cunha soltava uma bomba fiscal.
A equipe de Meirelles pegou as propostas e turbinou com Red Bull.
Hiperflexibilizou no curto prazo obtendo autorização para um déficit de R$ 170 bilhões para pagar a conta do impeachment. Produzindo um buraco maior, pressionaria por reformas muito mais radicais do que as previstas pelo governo Dilma.
Em relação ao limite de gastos pretende amarrar o orçamento por 20 anos, em cima dos gastos de 2016, espremidos por dois anos de quedas de receitas. Se passar a PEC (Proposta de Emenda Constitucional), um grupo que não recebeu nenhum voto nas últimas eleições, membros interinos da junta de poder, definirá o orçamento para os próximos três presidentes da República.
Não é apenas isso.
A deterioração das contas públicas abrirá espaço para as famosas “tacadas” – termo que Rui Barbosa utilizava para as jogadas do encilhamento; e que os economistas do Real praticaram na política cambial e nas privatizações.
Os negócios estão caminhando a mil por hora.
1.     De cara, haverá a rentabilíssima operação de vendas de ativos públicos depreciados. O Projeto de Lei apresentado pelo senador Tasso Jereissatti vai nessa direção, ao inviabilizar qualquer recuperação de empresa pública e colocá-la à venda sem nenhuma estratégia setorial ou de valorização dos ativos.
2.     Nessa panela entrarão as vendas de participação do BNDES, com o mercado no chão.
3.     Se acelerarão as concessões com margens altas de rentabilidade, abandonando de vez as veleidades de modicidade tarifária.
4.     No caso da participação externa em companhias aéreas, por exemplo, havia estudos para autorizar até 49% podendo chegar a 100%, mas apenas dentro de acordos de reciprocidade com outros países. Já se mudou para autorização para 100%, sem qualquer contrapartida. Altas tacadas e altas comissões.
Estão no forno duas outras medidas complicadas. Uma, visando retirar do BNDES R$ 150 bilhões de recursos não aplicados; outra vendendo R$ 100 bi em ativos do Fundo Soberano.
No caso do BNDES, o governo Dilma tinha pronto medida colocando à disposição dos bancos comerciais os recursos não aplicados pelo BNDES, nas mesmas condições. Seria uma maneira de impedir o travamento dos investimentos.
Mesmo assim, a flexibilização do orçamento e a perspectiva do fundo do poço ter sido alcançado no primeiro trimestre, promoverá algum desafogo na economia nos próximos meses.
Definição 3 - Os desdobramentos políticos
E aí se chega no busílis da questão, no xeque pastor – o mais rápido do xadrez. Vamos compor esses quebra cabeças com as peças que se tem à mão.
Lembre-se: não são apostas cravadas nas hipóteses abaixo, são  possibilidades. Ou seja, tendo determinadas peças no tabuleiro, abre-se espaço para determinadas estartégias.

Peça 1 – o reino da democracia sem voto

Hoje em dia, se está no mundo que o PSDB cover pediu aos céus: uma democracia sem votos. O exército das profundezas, organizado por Eduardo Cunha, está prestes a ser desbaratado. O poder de fato é exercido hoje pela combinação da mídia com o Ministério Público, Judiciário e Tribunal de Contas, substituindo o sufrágio popular.
Essa combinação está permitindo mudanças constitucionais, derrubada de presidentes sem obedecer às determinações constitucionais, destruição de setores e empresas em torno da bandeira genérica da luta contra a corrupção.

Peça 2 - Michel Temer é um interino inviável.

A última edição da revista Época revela mais uma ponta da parceria de Temer com o  coronel da reserva da PM paulista João Baptista Lima Filho, sócio da Argeplan, incluído em obras da Eletronuclear sem possuir experiência para tal. Lima foi citado pelo presidente da Engevix como receptador de R$ 1 milhão cujo destinatário final seria Temer.
Não é a primeira menção à parceria Lima-Temer.
Anos atrás, em um processo de divórcio de um ex-gestor do porto de Santos, ao detalhar as formas como o ex-marido amealhou patrimônio, foi mencionado especificamente o que ele recebia de propinas e o que era encaminhado para Lima e Temer.
Na época, o MPF e o Judiciário pediram arquivamento do caso. Agora, Lima reaparece na delação da Engevix. À esta altura, jornalistas e procuradores estão juntando mais elementos das parcerias.
Mais que isso: se a parceria com a mídia não impediu a denúncia das relações tenebrosas de Temer, o que impedirá a colheita no manancial de escândalos protagonizados por Eliseu Padilha e Geddel Vieira Lima? E ainda não se chegou ao tema central, da delação de Marcelo Odebrecht.
Não haverá blindagem capaz de garantir Temer. É uma relação ampla de delações com seu nome obrigatoriamente envolvido. Mesmo em nome da governabilidade, não será possível passar ao largo das evidências.
Em dezembro de 2014, por exemplo, a Secretaria de Aviação Civil (SAC), não mais sob controle de Moreira Franco, anulou licitação para contratação de empresa consultiva de engenharia, para monitorar todas as atividades do Fundo Nacional de Aviação Civil. O consórcio vencedor era formado pela Engevix e pela Argeplan Arquitetura e Engenharia.

Peça 3 – as eleições indiretas

Chega-se, finalmente, à perspectiva mais imediata de xeque, que não inclui a volta de Dilma.
Primeiro, tem-se o desafio da votação do impeachment. Passando ou não, tem-se a segunda barreira, no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Nos últimos dias, ventilou-se a tese Gilmar Mendes, de montar uma operação para supostamente legitimar Temer. Consistiria no TSE barrar Dilma e Temer. Pela Constituição, um mês depois haveria eleição indireta pelo Congresso, sem obrigatoriedade de candidaturas de parlamentares, mas com a promessa de Temer poder se candidatar e ser eleito.
Isto é o que se diz.
Se o custo Temer estiver muito alto, nada impedirá o PSDB cover de lançar Henrique Meirelles, abolindo os intermediários ou alguma articulação mais ampla passar pelo presidente do Senado Renan Calheiros. (Fonte: Jornal GGN - aqui).

................
Enquanto isso, a senadora Rose de Freitas (PMDB), líder do governo interino no Congresso Nacional, declara à Rádio Itatiaia:

"Por que o governo saiu? Na minha tese, não teve esse negócio de pedalada. Eu estudo isso, faço parte da Comissão de Orçamento. O que teve foi um país paralisado, sem direção e sem base nenhuma para administrar. A população não queria mais e o Congresso não dava a ela os votos necessários para tocar nenhuma matéria. E o país não podia ficar parado”, afirmou em entrevista à Itatiaia." 

A declaração da líder do governo interino inspirou, mui pertinentemente, o título da notícia: "Líder do PMDB no Congresso admite que pedaladas foram desculpa para tirar Dilma" - aqui.

A defesa da presidente eleita e (ilegalmente) afastada está intimada a render os mais comovidos agradecimentos à nobre senadora por sua inestimável contribuição.

ECOS DO BREXIT

.
.Plebiscito que sacode o mundo foi estimulado por Cameron anos atrás; 
.Petição por segundo referendo sobre a UE supera 2 milhões de assinaturas (aqui)

               
                  Cameron: "Pô, acho que pisei na bola ao sugerir esse
                  negócio de disputa por pênaltis...".

Kap. (Holanda).

UNIÃO EUROPEIA NA BERLINDA


União Europeia ameaça ruir. E agora?

Por Rodrigo Vianna

É a segunda vez que minha geração tem a sensação de ´fim-do-mundo-tal-como-o-conhecemos'

A frase acima é de Antonio Luiz M. C. Costa, e foi retirada do twitter do jornalista – que escreve sobre temas internacionais na revista CartaCapital. Antônio se refere, é claro, à decisão dos eleitores do Reino Unido, de sair da União Européia.

A primeira vez que nossa geração (dele e minha) teve essa sensação foi quando a União Soviética ruiu, há 25 anos. Agora é a arquitetura política do mundo capitalista que também ameaça desabar.

A decisão dos britânicos, tomada por estreita margem, se baseou num discurso conservador, de ódio aos imigrantes que estariam “roubando os empregos dos britânicos”. A ultra-direita avança, explorando o tema do nacionalismo. Isso é evidente no Reino Unido, nos EUA com Trump, na França e em boa parte do mundo europeu. E aí a política se entrelaça à economia…

A crise subprime de 2008, que arrasou os países do sul europeu, e deixou os Estados Unidos também em situação mais frágil, encerrou a temporada de bonança e otimismo – que de certa forma vinha desde o pós segunda guerra (com altos e baixos).

Vejam que a direita “liberal” britânica (falo especificamente de David Cameron, um conservador herdeiro de Thatcher, e que defendia a União Européia como forma de permitir mais circulação de capitais e mercadorias) foi atropelada pela direita quase fascista do “fora, imigrantes”.

Sim, a “BREXIT” é uma vitória da direita extremada. E significa um solavanco sem precedentes na ordem política capitalista desde a Segunda Guerra. Mas o curioso é observar que parte da esquerda também apoiou a saída do Reino Unido da União Européia. E o fez por entender que a abertura de fronteiras e o enfraquecimento dos estados nacionais são uma plataforma que interessa sobretudo ao capital, mas não aos trabalhadores.

Ou seja: a “BREXIT” foi uma vitória da direita extremada. Mas significou o retorno de um velho tema que a esquerda (no mundo e também no Brasil) negligenciou nos últimos anos: a questão nacional.

Sim, é possível ser nacionalista de direita (valorizando o discurso xenófobo, preconceituoso, excludente). Mas é possível, também, ser nacionalista de esquerda, na medida em que nacionalismo possa significar o fortalecimento do estado nacional na luta contra o Imperialismo (essa palavrinha que parecia “fora de moda”) e os arranjos do capitalismo financeiro (a União Européia sob hegemonia germânica, claramente, é um desses arranjos, bem como a tentativa dos Estados Unidos de recolonizar a América Latina, ora em curso).

Notemos que no Brasil o projeto da direita extremada, que se reúne sob Temer, é nada menos do que liquidar a própria ideia de um estado nacional independente. O projeto é a submissão completa ao projeto capitalista comandado pelos Estados Unidos.

De certa forma, o renascimento do nacionalismo de direita na Europa (e no mundo) vai obrigar a esquerda a encarar esse dilema: vamos defender os estados nacionais como ferramenta de desenvolvimento e de garantia da democracia? Ou vamos nos concentrar nas batalhas transnacionais de combate à injustiça?

O importante pensador Slavok Zizek acaba de escrever sobre o tema. E ele acredita na segunda vertente: acha que não se pode combater o nacionalismo de direita com uma esquerda mais nacionalista – https://blogdaboitempo.com.br/2016/06/24/zizek-precisamos-entender-a-esquerda-que-apoiou-o-brexit/

Mas será que isso vale para nossa realidade? Brasileira e latino-americana?

Na Europa (e entre intelectuais brasileiros que transplantam para a América Latina temas europeus, sem levar em conta as condições locais), a tendência é geralmente olhar o nacionalismo como algo regressivo e conservador. Na Europa, historicamente, até, isso pode ser verdade – e por isso compreende-se a reflexão de Zizek…

Mas na América Latina ser de esquerda passa por defender um estado forte e democrático, capaz de capitanear o desenvolvimento (já que a “burguesia nacional”, no Brasil e em boa parte da América Latina, sonha mesmo é com um apartamento em Miami) e de reduzir as desigualdades.

A crise gerada pelo “BREXIT” pode ser uma chance para repensar essa questão. O nacionalismo está de volta. (Fonte: aqui).


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O REINO UNIDO DÁ UM SALTO NO ESCURO
O resultado do referendo britânico sobre a permanência (Brestay) ou saída (Brexit) do Reino Unido da União Europeia provocou choque no mundo com a vitória da campanha pela saída, que amealhou 52% dos votos (17,4 milhões contra 16,1 milhões). 
Entre as vítimas iniciais do Brexit estão a libra esterlina, derrubada a seu valor mais baixo desde 1986, e o primeiro-ministro David Cameron, que anunciou sua renúncia após seis anos no poder. 
A jogada não parecia tão arriscada em janeiro de 2013, quando Cameron, para contentar os eurocéticos no próprio partido, prometeu conquistar melhores condições para o país na organização e submeter a permanência a consulta até o fim de 2017, caso fosse reeleito em maio de 2015.
Cameron superestimara, porém, sua influência. Para Angela Merkel e a maioria dos líderes europeus, rever o Tratado de Lisboa estava fora de cogitação, ainda mais neste período conturbado. As votações e referendos necessários para alterá-lo teriam resultados imprevisíveis e desencadeariam crises políticas capazes de pôr a pique todo o projeto europeu.
A União Europeia podia ceder apenas medidas possíveis dentro das estruturas atuais. Mesmo para isso foi preciso pressionar a França, avessa a privilégios para Londres, e os países da Europa Oriental, contrários a restrições a imigração e remessas de seus cidadãos em território britânico.
Em fevereiro, Cameron voltou de Bruxelas com ganhos modestos, cuja aprovação depende em boa parte do Europarlamento. Mesmo assim, marcou o plebiscito para 23 de junho, por receio de a deterioração da situação da Grécia ou dos refugiados piorar o quadro.
Ganhou força a campanha pela Brexit, apoiada por partidos nacionalistas e xenófobos como o UKIP de Nigel Farage e Neil Hamilton, por conservadores como o ex-prefeito de Londres Boris Johnson e o ministro da Justiça Michael Gove e por correntes da esquerda radical, inclusive o Partido Comunista, o SWP (trotskista) e organizações operárias indianas e bengalis. 

(Para continuar a leitura do texto de Antonio Luiz M. C. Costa, clique AQUI).