sábado, 24 de fevereiro de 2018

TEMER DIZ QUE INTERVENÇÃO FOI LANCE DE MESTRE


Miguel.

OPERAÇÃO PENTE FINO


Zé Dassilva.

MENESCAL E A BOSSA NOVA

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Incrível depoimento do capixaba Roberto Menescal a Rolando Boldrin no programa Sr. Brasil

                                         (Menescal fala a Boldrin)

Retalho colorido

Por Geraldo Hasse

Era reprise de um programa apresentado no ano passado, mas o conteúdo veio com sabor de novidade no domingo de carnaval 11 de fevereiro de 2018.
- Como foi que nasceu a batida da bossa nova? - perguntou o Sr. mestre de cerimônias.
- É que a gente não sabia tocar samba -- respondeu na lata Menescal, explicando, com extrema sinceridade, que cada tocador de violão tinha uma batida diferente nas cordas do instrumento. Havia o Baden Powell. O Carlinhos Lira. O Sérgio Castro Neves. Até o veterano Dorival Caymmi tinha um modo peculiar de tocar. Aí chegou o João Gilberto com seu dindindon... O pessoal do jazz nos Estados Unidos se ligou na batida da bossa nova...
- E como nasceu o nome Bossa Nova?
- A Silvinha Telles, que era cantora profissional, nos convidou pra dar uma canja num show dela na Hebraica, do Rio. Juntamos a turma em dois taxis e fomos pra lá. Subimos por uma escadaria em curva e tinha lá um cartaz escrito assim:
“Hoje Silvinha Telles com o grupo Bossa Nova”.
Ficamos achando que o tal grupo Bossa Nova pudesse ficar chateado com a gente. Então perguntamos ao diretor cultural da Hebraica qual era a situação. E ele:
- Ah, não, botei esse nome aí porque não sabia nada de vocês.  
- Oba - falou Menescal. - Agora já temos nome!
Na conversa com Boldrin, Menescal revelou que a turma dele, no Rio, queria fazer um tipo de música livre do tom pesado do samba-canção, aquelas músicas com letras sobre amores impossíveis, dor de cotovelo, paixões desesperadas.
“A gente tinha 18 anos, queríamos viver a vida numa boa”, explicou o autor do Barquinho e de outras 500 canções.
O pessoal da bossa nova queria cantar a alegria de viver que ressurgia em 1956, início da era JK.  
A bossa nova foi construída em apartamentos do Rio de Janeiro, que logo deixaria de ser capital federal embora os cariocas continuassem achando que nunca a Cidade Maravilhosa deixaria de ser o centro do Brasil…
Num desses apartamentos cariocas morava a família da capixaba Nara Leão, que se tornou a vozinha característica da bossa nova, até que foram chegando ao palco outras vozes: Bethania, Gal etc.
Ouvindo depoimentos como esse de Roberto Menescal, que carrega em si o despojamento característico dos capixabas, a gente percebe que o pequeno-grande Espírito Santo também faz parte da colcha de retalhos que constitui a maior riqueza brasileira – a MPB.  -  (Aqui).

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Para conferir o Sr. Brasil acima referido, clique AQUI.

ESTUDANTES AMERICANOS CONTRA O LOBBY DAS ARMAS


Adam Zyglis. (EUA).

EUA: MULTIPLICANDO O TERROR

        - Relaxem, crianças, sou o seu novo professor de matemática.

Stephane Peray. (Tailândia).

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

VOLTANDO À ODEBRECHT

                    (O fatídico pdf - com a curiosa data de sua criação: 07.fev.2018)

A pantomima de Moro e do TRF4 com os e-mails de Marcelo Odebrecht

Por Luis Nassif

A pantomima em torno da delação da Odebrecht não para de criar fatos novos.
Ontem, os e-mails entregues por Marcelo Odebrecht ao juiz Sérgio Moro vieram acompanhados das seguintes curiosidades:
  1. Foram apresentados na véspera do encerramento da ação, após a oitiva de todas as testemunhas.
  2. Foram entregues no mesmo dia em que o Tribunal Regional Federal da 4a. Região se negou a ouvir o advogado Rodrigo Tacla Durán, que afirmou à CPMI (da JBS) que pode demonstrar adulterações feitas nos documentos entregues pela Odebrecht na delação de seus executivos.
  3. Foi entregue na véspera do prazo para que a Polícia Federal conclua a perícia sobre os sistemas utilizados pela contabilidade paralela da Odebrecht.
  4. Vieram desacompanhados das vias eletrônicas. Apenas um pdf foi entregue. E aqui o fundamental. Nas propriedades do pdf consta que ele foi criado em 07/02/2018, mesma data em que, originariamente, a Polícia Federal deveria ter entregue o laudo sobre os sistemas de contabilidade paralela do grupo.  -  (AQUI).
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Independentemente de quaisquer poréns (até mesmo no que tange à impertinência processual, à vista da data em que apresentados), o JN tratou de, no mesmo dia do 'advento' dos 'novos' e-mails, dar ampla divulgação às novas 'provas'. Trata-se de mais uma 'novidade' deste caso emblemático, tantas vezes 'noticiado' pela grande mídia e somente esmiuçado por alguns segmentos da chamada blogosfera, como o Jornal GGN e o Diário do Centro do Mundo.
Mas a marcação cerrada sobre a questão de provas supostamente forjadas e artifícios afins relativamente ao caso Odebrecht e outros está vindo com até maior ênfase é do blog Duplo Expresso, editado por dois brasileiros, Wellington Calasans (na Suécia) e Romulus Maya (na Suíça). Tal blog, editado em país 'imunizado' contra interferências de quem quer que seja, vem sendo um verdadeiro tormento para os condutores da Lava Jato. A pantomima acima, de que trata Luis Nassif, já comparece por lá, en passant. Para conferir as análises de Wellington, Maya e parceiros diversos, tanto do Brasil como do exterior, clique AQUI ou AQUI.

PESOS E MEDIDAS


(De um dos principais representantes da mídia corporativa, exercitando seus dotes seletivos. E pensar que a bolada de 113 milhões corresponde ao triplo da do senhor Geddel... 
Vi aqui).

JUÍZES SE (I)MOBILIZAM EM DEFESA DO AUXÍLIO-MORADIA

Brum.
....
Entreouvido perplexo:

- Em sua manifestação na sessão plenária do STF, a PGR Raquel Dodge dirá que auxílio-moradia é dever do Estado, não havendo, pois, que se falar em extinção/moralização.
- O MP também é presenteado com o 'benefício'. Logo, a atuação em causa própria não poderia se dar de outra forma.

ANUNCIADA GREVE DE JUÍZES EM DEFESA DO AUXÍLIO-MORADIA


Duke.

OPERAÇÃO DESMONTE







(De Luiz Roberto Bolognesi, mensagem reproduzida no blog Conversa Afiada, post "Snowden e Lava Jato: objetivo era acabar com os Brics" - aqui -, 'a partir de sugestão de Guilherme Estrella, o geólogo que descobriu o pré-sal'.

Luiz Bolognesi, roteirista, produtor e diretor de cinema, é graduado em jornalismo pela PUC SP e foi redator do jornal Folha de S Paulo e da Rede Globo.

De fato, em matéria de desmonte do emergente capitalismo brasileiro, a Lava Jato não poderia ter feito melhor). 

TRUMP: SOLUÇÃO É ARMAR PROFESSORES


Arcadio Esquivel. (Costa Rica).

TEACHER TRUMP

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A solução segundo Trump


Christo Komarnetski. (Bulgária).

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

TACLA DURÁN VOLTA À CENA

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O senhor Tacla Durán, ex-advogado da Odebrecht, foi objeto de diversas postagens neste blog, especialmente a partir de seu gravíssimo depoimento (por teleconferência) à CPMI da JBS no final de novembro de 2017. Um dos posts oferece uma visão consistente da situação: "Da série A Indústria da Delação Premiada (Parte 13): O Caso Durán / O que Tacla Durán disse na CPMI que precisa ser aprofundado" - AQUI -, publicado em 1º de dezembro. Estranhamente, a mídia brasileira silenciou quanto ao assunto, que, mais estranhamente ainda, nem sequer foi mencionado no relatório final da referida CPMI. Afinal, por que motivo(s) o tema está sendo tratado, ao menos aparentemente, com tamanho descaso?
(Notas: [1] O 'retorno' do advogado à mídia decorre de processo em curso contra um certo Grupo Triunfo; [2] Não se está a emitir juízo de valor ou qualquer insinuação acerca das alegações/acusações do senhor Durán por ocasião do depoimento no alto citado, mas tão somente a questionar o alheamento de quem de direito relativamente ao assunto).


Tacla Durán, novamente, chama a atenção para sua situação com Lava Jato

Jornal GGNO advogado Rodrigo Tacla Durán, em nota pública, voltou a abordar temas que são mal interpretados pela grande mídia e inobservados pela Força-Tarefa da Operação Lava Jato. Fala da situação fiscal de sua empresa, considerada como 'empresa regular' pela Receita, após vasculharem todas as transações ali ocorridas, devidamente declaradas e com impostos recolhidos. Uma investigação que durou anos, com inúmeras prorrogações e a pedido da Força-Tarefa da Lava Jato.

Vivendo em Madri, e sendo espanhol (Nota deste blog: Durán conta com dupla nacionalidade), Tacla relembra a todos que tem endereço fixo e conhecido pelas autoridades, tanto espanholas quanto brasileiras, inclusive o juiz de piso Sérgio Moro. O advogado foi investigado pela Receita Federal da Espanha, que concluiu não haver irregularidade ou delito envolvendo-o, o que levou à negativa de extradição por parte do governo espanhol.

O advogado colabora com a Justiça, tanto da Espanha quanto de outros países, e não sofreu condenação criminal. Lembra o advogado que o procurador Douglas Fischer, da Secretaria de Cooperação Internacional do Ministério Público Federal, recomendou o envio à Espanha de quaisquer provas contra ele em poder de Moro e dos procuradores de Curitiba, conforme determina a legislação em acordos e tratados internacionais. Moro e a Lava Jato não informaram a Justiça da Espanha em nada, o que está em desacordo com a lei.

Por fim, Tacla Durán lembra, a quem de direito, que parlamentares apresentaram denúncia junto à Procuradoria Geral da República, requerendo investigações sobre irregularidades ocorridas durante as negociações de seu acordo de colaboração com a Força Tarefa do Paraná, em março de 2016. Esse fato impede que tanto os procuradores do Paraná quanto o juiz de piso Sérgio Moro conduzam processos e investigações contra ele, 'uma vez que todos têm interesse direto no desfecho de quaisquer causas envolvendo' seu nome.  -  (Aqui).

Leia a nota a seguir.

Nota de esclarecimento (De 22.02.2018)
1.      No dia dia 25 de abril de 2017, após dez pedidos de prorrogação de uma investigação iniciada em 14 de julho de 2015, a Receita Federal encerrou o procedimento de fiscalização contra meu escritório de advocacia sem lavrar auto de infração. Ou seja: toda minha movimentação financeira foi corretamente declarada e os respectivos impostos recolhidos.

2.      Conforme certidão emitida pela Receita Federal no dia 20 de fevereiro de 2018, anteontem, o escritório Tacla Duran Sociedade de Advogados tem situação fiscal regular.

3.      Todos os trabalhos prestados para o Grupo Triunfo foram indevidamente apreendidos em novembro de 2016, durante busca e apreensão ilegal autorizada pelo juiz Sérgio Moro, desrespeitando o sigilo profissional e outras prerrogativas, conforme despacho da presidência da OAB-SP.

4.      Sou espanhol, vivo em Madri com minha família, meu endereço é conhecido pelas autoridades espanholas e brasileiras. O juiz Sérgio Moro tem meu endereço. A Justiça espanhola negou minha extradição e, no dia 19 de dezembro de 2017, a Receita Federal da Espanha encerrou fiscalização contra mim concluindo que eu não cometi qualquer irregularidade ou delito.

5.      Nunca sofri qualquer condenação criminal e tenho colaborado com a Justiça Espanhola e de diversos países. Embora o procurador Douglas Fischer, da Secretaria de Cooperação Internacional do Ministério Público Federal, tenha recomendado o envio para a Espanha de supostas provas contra mim em poder do juiz Sérgio Moro e dos procuradores de Curitiba, conforme determinam acordos e tratados internacionais, até hoje isso não foi feito, ao arrepio da lei.

6.      Há uma denúncia apresentada por parlamentares junto à Procuradoria Geral da República, requerendo investigação sobre irregularidades  ocorridas durante negociações do meu acordo de colaboração com a Força Tarefa do Paraná em março de 2016, o que torna impedidos tanto os procuradores da Lava Jato, quanto  o  juiz Sérgio Moro,  de conduzirem processos e investigações contra mim, uma vez que todos têm interesse direto no desfecho de quaisquer causas envolvendo meu nome. (Rodrigo Tacla Durán).

DE COMO PHILIP MARLOWE VOLTOU À AÇÃO (CAPÍTULO 10)

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Para ler os capítulos anteriores, clique AQUI.
Sebastião Nunes, autor da série, é natural de Bocaiuva, MG, escritor, editor, artista gráfico e poeta. É também titular de um blog no Portal Luis Nassif OnLine.

O país dos canalhas - Capítulo 10 - A cama em que Tiradentes morreu
Por Sebastião Nunes
Correu em Brasília, à boca pequena, que fora encontrada em Ouro Preto uma das mais controversas relíquias do Brasil Colonial: a cama em que Tiradentes morreu.
– Como? – perguntará você. – Mas Tiradentes não morreu enforcado, com todos os privilégios e em plena luz do dia?
– Besteira – respondo eu, Philip Marlowe, detetive particular de Los Angeles, criação imortal de Raymond Chandler, trabalhando atualmente no país dos canalhas.
– Besteira grossa – repito. – Num país de mentira como o Brasil, em que um advogado chinfrim pula de galho em galho que nem macaco, puxando sacos de todos os tamanhos até ser entronado por um congresso de mentira num trono de golpista como presidente da república, só me resta gargalhar. E gargalhei:
– Ah, ah, ah, ah, ah, ah, ah, ah!

NO CAMINHO DA CAMA
Voei de Brasília para Belo Horizonte, então peguei um táxi com destino a Ouro Preto, antiga pátria do ouro e de pilantras portucalenses, origem de parte dos milhões de ladrões que proliferaram pelo Brasil nos séculos futuros.
Cheguei e fui direto ao Museu da Inconfidência. Lá estava ela, modelada em legítimo jacarandá-cabiúna: macia, confortável, linda de morrer.
Já me preparava para tirar um cochilo naquela maciez e certificar-me de que era a legítima cama do Tiradentes moribundo quando fui atravessado por um senhor gordo, de óculos e gravata borboleta, que me advertiu:
– Viver é muito perigoso. Mas viver no Brasil dos canalhas, não sendo canalha, é perigosíssimo!
Pulei da cama de um salto.
– Puxa, Guimarães Rosa, quanto prazer!
– A cama é falsa – disse Rosa, me piscando um olho.
– Falsa? – repeti espantado.
– Falsa como a República dos Canalhas que se estabeleceu no Brasil. Ou você quer coisa mais falsa que um presidente fake chamado Miguel Temeroso? Um senador fajuto apelidado Amnésio Naves? Um eterno golpista tipo Joseph Serrote? Um ladrão do tamanho do Sérgio Cobreiro? Outro ladrão da espessura de Ednardo Cunha? Além do congresso vendido e do STF de ministros pilantras que só legislam em causa própria?
– De fato – concordei. – O Brasil está mergulhado na República dos Farsantes.
– Bom título para um romance. Pensarei nisso.
E assim, sem mais nem menos, Rosa desapareceu. Fiquei sozinho até que...

NO MEIO DO CAMINHO
... preparando-me para um cochilo de verdade na cama de mentira, vejo surgir um senhor magricela, também de óculos, careca e de queixo quadrado.
– E como eu palmilhasse vagamente/ uma estrada de Minas... – começou ele, pigarreando com voz cavernosa.
– Ora, quem diria! – espantei-me novamente. – Carlos Drummond de Andrade em carne e osso!
– Nem carne nem osso, meu filho – respondeu ele tristemente. – Tudo o que você vê não passa de sombra, difusão e confusão de quem foi e não é mais.
– O que pensa do Brasil atual, caro mestre? – indaguei sem perda de tempo, tentando tirar ouro daquele nariz de poeta. E arrematei: – Se permite a um falante de língua inglesa chamá-lo de mestre...
Com voz mais cavernosa, assim me respondeu:
– O poeta/ declina de toda responsabilidade/ na marcha do mundo capitalista/ e com suas palavras, intuições, símbolos e outras armas/ promete ajudar/ a destruí-lo...
Fez uma pausa, pigarreou e concluiu, miseravelmente soturno:
 ...como um verme.
Olhei para ele, que também me encarou, triste como sempre.
– Mas não adianta, não é? – disse ele. – Com palavras, intuições e símbolos não conseguiremos nada.
Balancei a cabeça concordando. Mas não seria melhor dar um pouco de esperança ao descarnado fantasma do grande poeta? “Não”, pensei, “a esperança cabe aos vivos”.

O FIM DA PICADA
O fantasma desapareceu e voltei a ficar sozinho no país de mentira com a cama de mentira. Tiradentes foi realmente enforcado e estamos sendo enforcados lentamente em nossas vãs tentativas de construir um país de verdade.
Não havia mais ninguém no museu. Nas paredes e no chão, quadros, móveis e objetos diversos lembravam – quase distraidamente – o passado de um país que não deu certo.
E então, muito lentamente, a cama começou a sumir. Depois sumiu o museu. Depois a cidade de Ouro Preto. Depois o estado de Minas Gerais. Depois um enorme país chamado Brasil.
“Melhor assim”, pensei. “Melhor o nada do que o pesadelo”.
(Fonte: Aqui  -  Continua)

PODE NÃO SER BEM ASSIM

Jarbas.
....
Entreouvido enigmático:
'Quem paira sobre quem?'.

A SOLUÇÃO MORA AO LADO


Santiago.

FOTO NÚMERO UM

                         (O olhar da menina)

Capa da Folha, edição de 21 de fevereiro de 2018.

Uma revista, com fuzil na mão, a uma criança é uma agressão inaceitável aos pobres dos morros do Rio de Janeiro.  -  AQUI.

PITACO NA EDUCAÇÃO






('Tweet' de Anderson Junior, que teve o mérito de despertar nos leitores preocupados com a Educação a lembrança de um dos propósitos maiores do pedagogo Paulo Freire, falecido em 1997, o de, mediante o processo educacional adequado, incutir a consciência crítica da cidadania como forma de consolidar a dignidade humana.  Fonte: Aqui.


Nota: Pinçamos daqui o recorte de jornal acima destacado)

DOIS VÍDEOS


De olho nos vídeos

1.  O que defende o General Augusto Heleno, ex-comandante brasileiro da missão de paz da ONU no  Haiti, para que o Exército assegure êxito no trabalho como interventor no Rio de Janeiro (em resumo: carta branca): Programa Globo News Painel, 17.02 - AQUI.

2.  O que diz o líder do PT na Câmara, deputado Paulo Pimenta, a propósito da recusa do TRF4 em atender ao pedido (negado reiteradamente pelo juiz Moro) da defesa do ex-presidente Lula consistente na oitiva de Tacla Durán, ex advogado da Odebrecht e conhecedor de curiosíssimos 'segredos' contábeis, bem como manobras em torno de delação(es) premiada(s) no âmbito da operação Lava Jato - AQUI.

PERSPECTIVAS BRASIL

                                         
Darío Castillejos. (México).

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

EUA: A IMPLOSÃO DO DEPARTAMENTO DE ESTADO AMERICANO E A INSIGNIFICÂNCIA DO BRASIL

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Enquanto o nosso País segue, lamentavelmente, descendo a ladeira, convém tomar ciência dos humores da Metrópole. Com a palavra André Araújo, consultor e analista, colaborador emérito do site Jornal GGN, coordenado pelo jornalista Luis Nassif.


A implosão do Departamento de Estado

Por André Araújo

O Departamento de Estado é o mais antigo ministério do governo americano, criado em 1789.
O Secretário de Estado é o terceiro na linha de sucessão do Presidente dos EUA e chefia um enorme organismo com seis Subsecretários para Armas, Direitos Humanos, Assuntos Econômicos, Administração, Assuntos Políticos e Assuntos Diplomáticos, tem 17 Enviados Especiais para temas estratégicos, 17 Representantes Especiais para temas específicos, 6 Embaixadores Extraordinários para assuntos de situação, 14 Coordenadores de questões de crises permanentes e conflitos localizados, 7 Conselheiros Políticos e 63 chefes de Birôs de seis  áreas geográficas do planeta como a do Hemisfério Ocidental, zona contínua que vai do Canadá à Argentina, englobando o Brasil.
A Administração Trump nunca teve  uma agenda para relações internacionais e portanto não dá importância alguma ao Departamento de Estado, hoje chefiado pelo ex-CEO da Exxon, Rex Tillerson. Sem agenda para essa área crucial, Trump também não tinha nomes para a vasta máquina diplomática. A partir desse vácuo poucos nomes foram indicados porque Trump e seu grupo conhecem poucos nomes de especialistas. Sem indicar nomes os cargos passaram a ser chefiados por interinos, como o que cuida do Brasil, o Bureau do Hemisfério Ocidental, antigo Assuntos Latino Americanos, chefiado desde o primeiro dia do governo Trump por um Francisco Palmieri, funcionário permanente do Departamento. O nosso conhecido Thomas Shannon, que foi Embaixador dos EUA em Brasília até o governo Dilma e era o nº 3  na hierarquia do Departamento (Subsecretario de Assuntos Políticos) no segundo mandato do governo Obama, acaba de se aposentar (...).
Por trás desse descaso com o Departamento de Estado está a visão de mundo de Trump, ou melhor, a falta de qualquer visão de mundo, Trump desconhece rudimentos de geopolítica e da História que lhe dá embasamento.
Diplomacia é em larga medida memória e acumulação de ações que vêm de um longo passado, para dominar a área é preciso ter o registro da História antiga e recente, Trump simplesmente não conhece e não registra esse enorme campo de ação do Governo dos EUA.
Outros Presidentes também tinham escasso capital intelectual diplomático, como Truman e Reagan, mas partiam da plena consciência disso e se aconselhavam com os grandes nomes da área e com os especialistas do Departamento de Estado. Já o Presidente Trump simplesmente não opera desse modo, age no completo improviso em relações internacionais, uma área da politica onde não há o menor espaço para improvisar porque cada ato gera reação de outros atores da arena internacional cuja repercussão é preciso prever com antecedência, cada ação gera uma contrarreação.
Há um outro importante organismo em Washington que também opera na área de planejamento estratégico em relações internacionais, o Conselho Nacional de Segurança da Casa Branca (NSC), organismo de assessoramento direto do Presidente; seu chefe tem o título de Assessor de Segurança Nacional do Presidente.
O espaço do NSC em relação ao Departamento de Estado é cambiante, depende do Presidente. Às vezes o NSC tem voz mais forte que o State em áreas de conflito, como por exemplo a guerra da Síria e as ameaças da Coreia do Norte, temas macro estratégicos de crises perigosas que exigem uma visão mais geopolítica e militar do que a diplomacia regular de relações normais entre Estados.
BRASIL E MÉXICO, POTÊNCIAS REGIONAIS
Dos anos 30 até os anos 80 a América Latina teve dois interlocutores de peso em Washington, por razões diversas. O México moderno nasceu de uma Revolução em 1910 e tornou-se o farol da esquerda latino-americana. O México estatizou seu petróleo em 1938 e tornou-se desde então uma fortaleza da esquerda continental: na Guerra Civil Espanhola era o refúgio dos Republicanos, recebeu mais de 300 mil refugiados da derrota contra o General Franco e nunca reconheceu o governo franquista, só restabeleceu relações com a Espanha após a morte de Franco. Foi no México que nasceu a Revolução Cubana de Fidel Castro e por décadas o México teve uma política exterior confrontacionista com Washington e disso se orgulhava.
Mas a partir dos anos 80 esgotou-se o ciclo revolucionário e o México tornou-se uma das principais plataformas neoliberais americanizadas, deixou de ser potência ideologicamente forte para ser uma zona franca dos EUA, hoje colhe as consequências do desprezo trumpista que cuspiu na cara desse Pais icônico ao propor um muro, como a separar leprosos de puríssimos americanos.
A outra e muito mais importante potência regional foi o Brasil, único Aliado dos EUA a enviar tropas na Segunda Guerra em boa escala, infantaria mais artilharia e mais aviação, ÚNICO pais latino-americano a ter essa participação REAL que não foi pequena. Como Pais aliado foi convidado a ser a potência ocupante da Áustria no fim do conflito, o governo Dutra não aceitou para assim confirmar sua mediocridade estratégica.
Desde então o Brasil teve em três fases uma politica externa independente de potência regional, no Governo JK, no governo militar de 1954 e no governo Lula. O Brasil nesses três períodos teve fases de protagonismo importante, JK por sua iniciativa criou a Aliança para o Progresso e o Banco Interamericano de Desenvolvimento, o Governo Militar de 64 operou forte presença na África portuguesa e no Oriente Médio, enfrentou os EUA na questão nuclear e no reconhecimento de Angola.
No governo Lula o Brasil se projetou por toda a América Latina e África, com presença importante econômica e geopolítica, havia um projeto de áreas de influência concreto, depois liquidado pela cruzada moralista.
Hoje o Brasil se encolheu a um nível desprezível de presença estratégica internacional, está na escala do Paraguai ou pouco mais que isso, não se afirma, não age, se esconde para não ter que atuar em questões chaves.
O BRASIL NO GOVERNO TRUMP
O Secretário de Estado Rex Tillerson iniciou em 1º de fevereiro sua primeira viagem pela América Latina, México, Jamaica, Colômbia, Peru e Argentina. Assim como no ano passado fez o Vice Presidente dos EUA, Tillerson evitou o Brasil, maior pais da América Latina, o que soa algo bastante estranho, pouco usual, chocante.
Perguntei a um amigo, com mais de 30 anos no Departamento de Estado e que lá é considerado um “expert” em Brasil o porquê dessa posição de evitar o maior Pais do continente.
A resposta veio rápida, a situação política do Brasil é considerada por demais confusa e imprevisível, sem interlocutores representativos. É impressionante a perda de capital geopolítico da maior potência regional, o Brasil caiu rapidamente de uma estrela ascendente na cena internacional em 2010 para um pária a ser evitado em 2018, isso em se tratando do País chave para vários temas, como o do clima e da capacidade de intervenção através das forças de paz da ONU, função na qual o Brasil é o maior protagonista entre todos os países desde há décadas, com 9 Missões simultâneas em 2015 e na chefia da maior delas, a do Congo (General Santos Cruz).
Em cima da falta de presença há mais um fator que prejudica no momento o Brasil, a chefia do Itamaraty em mãos não profissionais; o atual chanceler não é diplomata, como foram todos os chanceleres desde o início do governo Lula, uma política externa profissional.
Nas piores situações de crises políticas domésticas em países, um diplomata de grande peso na chefia do Ministério do Exterior traz consigo um acúmulo de capital político de relações construídas com outras chancelarias  que permite operar por confiança pessoal: o “networking” diplomático é uma reserva fechada, os diplomatas se reconhecem; regimes fracos precisam de diplomacia forte, é uma lição da História; a França napoleônica derrotada usou o Príncipe de Talleyrand como chanceler, o maior dos diplomatas para um País vencido em Waterloo, e com isso saiu por cima no Congresso de Viena de 2015.
O regime militar de 1964 tinha o lastro de um Roberto Campos, diplomata de primeira linha, que dava um aval político ao regime; o atual governo deveria ter colocado no Iramaraty um diplomata de primeira linha no nível de um Botafogo Gonçalves, um Roberto Abdenur, um Marcos Azambuja,  lastros para qualquer governo que tem pouco tempo e capital  para operar na área internacional onde se avalia se um governo é fraco ou forte, e daí partem as relações de poder.
A mesma crítica serve para o Governo Trump: colocar Rex Tillerson, um executivo sem experiência prévia na área diplomática, é um risco e um erro, por mais qualificado que seja o executivo, da mesma forma que seria um erro a Exxon nomear como CEO um diplomata aposentado.
Como consequência dessa insignificância do Brasil nas relações internacionais, fomos dispensados de dar opinião em temas ultra críticos onde normalmente o Brasil seria um dos primeiros a opinar, como o tema Venezuela; o Brasil tem as maiores fronteiras com a Venezuela no continente, e quanto ao conflito na Síria o Brasil tem a maior diáspora sírio-libanesa do mundo.
Por uma dessas ironias da História entramos nessa zona de insignificância ao mesmo tempo que um governo de amadores em Washington também joga os EUA numa diminuição de seu papel internacional.
Nossa última grande referência no Departamento de Estado, o Subsecretário de Assuntos Políticos e ex-Embaixador no Brasil Tom Shannon, que fala português fluentemente, um grande conhecedor e amigo do Brasil, acaba de deixar o Departamento.  Na plataforma geográfica de uma das cinco Subsecretarias Adjuntas o Brasil está sob o guarda chuva da Subsecretaria do Hemisfério Ocidental, novo nome da antiga e muito mais prestigiosa Subsecretaria de Assuntos Latino Americanos, que já teve ocupantes de grande peso político como Otto Reich e o próprio Tom Shannon.
No Governo Bush Jr. Otto Reich, amigo íntimo dos Bush pai e filho, foi, além de Subsecretário para a América Latina, Embaixador Extraordinário do Presidente para a região. Como Subsecretário foi Reich, assessorado por William Perry, conselheiro político do Departamento e especialista em Brasil, quem costurou em dezembro de 2002 os acordos de apoio do Governo Bush ao recém eleito Presidente Lula, apoio esse crucial para deslanchar o Governo do PT nos primeiros meses de 2003, abrindo as portas de Washington e de Wall Street para apoiar um governo até então visto com desconfiança. Foram esses acordos entre Reich e Jose Dirceu que deram o lastro fundamental junto ao Governo Bush no primeiro mandato, uma obra de engenharia política de primeira, costurada por gente competente.
Fico imaginando se um Palmieri, que hoje ocupa o posto de Otto Reich, poderia tecer tal arranjo com o País mais importante do continente. Nunca iria funcionar, falta-lhe lastro político essencial além de conhecimento da região, que Reich, cubano de nascimento e ex-Embaixador em Caracas durante o primeiro governo Chavez, tinha de sobra; Reich estava sempre no Brasil, conhecia fazendas do interior e os restaurantes de São Paulo, circulava bem nos ambientes do poder em S.Paulo e Brasília.
O Governo Trump não tem operadores diplomáticos e políticos de alto nível para tarefas internacionais. Diplomacia não é território para amadores, nunca foi, mas hoje temos em Washington um governo de amadores que vem da Casa Branca e se espalha pelos Ministérios.
O método Trump de governar NÃO combina com profissionais porque ele mesmo é um amador em política, o profissional de peso e caráter não fará o que Trump mandar, porque quase sempre Trump está errado.
Tome-se o caso do Acordo Transpacifico. Sua negociação pelo Departamento de Estado levou 11 anos, duras e complexas tratativas para tentar conter a expansão econômica e geopolítica da China - o Tratado era CONTRA a China -, mas Trump entendeu na sua abismal ignorância que o Tratado era a FAVOR da China e mandou os EUA saírem do pacto, que já estava pronto.
Parece piada, mas é a realidade. A saída dos EUA do Transpacífico foi recebida pela China com grande alívio, Trump ajudou a China quando pensava que a estava combatendo.
O Departamento de Estado sentiu-se completamente desmoralizado e é por isso que os mais de cem postos importantes estão vagos, ninguém quer trabalhar nesse ambiente de caos e de falta de qualquer estratégia.
Soube pelos corredores do State de outro caso simbólico da Era Trump. O Presidente pediu vinte currículos para selecionar um Embaixador para um País asiático. O State mandou os vinte currículos, ao receber os currículos Trump os devolveu na hora dizendo “Não preciso mais. Ontem estive numa festa e encontrei uma moça inteligente que conhece  esse País, vou  nomeá-la Embaixadora”, e assim fez.
OS BENEFICIÁRIOS DA DIPLOMACIA TRUMP
O desmonte da diplomacia americana abre espaço para a expansão geopolítica da China e da Rússia,  com um papel renascido da França de Macron; elas agradecem a estupidez do conceito America First, que na sua versão real é America Alone; bordões não dão certo na área; a Doutrina America First resulta no ISOLAMENTO dos EUA, o que é incompatível com sua História e seu projeto de liderança global, que  traz mega benefícios econômicos e estratégicos. Se esses benefícios são mal distribuídos DENTRO dos EUA a culpa não é do mundo e sim dos defeitos do sistema econômico americano, que permite a super concentração de capital, que  beneficia os bancos e os ricos e prejudica a distribuição de renda e dos empregos; quem conduz o espetáculo são as multinacionais americanas que transferem produção para fora dos EUA, e não a China ou o México.
O mundo espera com a respiração suspensa para ver o que resultará dos quatro anos de um governo imprevisível e sem estratégia global, um governo errático, de surpresas contínuas e que não aprende com os erros.
Há uma única área onde o Governo Trump não tem maior interferência e se mantém blindada, o comando militar.
A cadeia de comando no Pentágono se mantém íntegra e nela Trump não faz bobagens, ao contrário, deu maior poder aos militares, que hoje comandam também áreas tradicionalmente de civis, como a chefia da Casa Civil (Chief of Staff) e o Conselho Nacional de Segurança.
Essa banda militar no Governo Trump é a única área de estabilidade que segura esse governo aventuroso, gerador da maior instabilidade geopolítica desde o fim da Segunda Guerra. 
Tempos interessantes, como diria Eric Hobsbawn.  -  (Aqui).

PAISAGEM TROPICAL


Sinovaldo.

CARTUM DA TRANSIÇÃO


Darío Castillejos. (México).

ALGUMAS ABERRAÇÕES DA CHAMADA LAVA JATO

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Nesses tempos de intervenção na ordem do dia e de tentativa de imposição de 'pauta econômico-entreguista compensatória', é imperioso que não se perca o foco na operação Lava Jato, razão por que selecionamos a abordagem abaixo, de autoria do professor Afrânio Silva Jardim, autor de didáticos e sempre interessantes artigos. Ele é mestre em Direito pela Universidade Gama Filho e livre-docente em Direito Processual pela UERJ, onde atualmente atua como professor de Direito Processual Penal.


Algumas aberrações da chamada Lava Jato e a insólita condenação do ex-presidente Lula

Por Afrânio Silva Jardim

Como se costuma dizer: “perguntar não ofende”. Por isso, buscando ser acessível ao grande público, me utilizo desta forma mais didática para que mesmo pessoas leigas melhor compreendam algumas das questões técnicas que foram desconsideradas pelo nosso sistema de justiça criminal, no afã de condenar o ex-presidente Lula, em um inusitado Lawfare em nosso país.
Apesar de alguns aspectos positivos da Lava Jato, a verdade é que ela deixará sequelas indeléveis em nossa sociedade e também em nosso sistema penal e processual penal. Danos que perdurarão por gerações.
1 - MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
Que providências foram tomadas pelos Procuradores da República de Curitiba, diante da humilhação a que foi submetido, publicamente, o preso Sérgio Cabral?
Como sabem, em desrespeito à lei n.4898/65 e à Súmula vinculante n.11 do S.T.F., ele foi algemado e acorrentado pelos pés, como se fosse um escravo no século XIX, além de outras práticas coercitivas abusivas.

Agora a lei não é mais para todos? Existem funcionários públicos acima das leis e da Constituição Federal, que proíbe tratamento degradante ou cruel a qualquer pessoa presa?
2 - O ATUAL PODER JUDICIÁRIO “TEM LADO”?
Será que a Ministra Carmen Lúcia ainda não percebeu que, em toda a sociedade capitalista, como a nossa, há uma divisão de classes sociais com interesses distintos?
Se percebeu, por que ela, enquanto Presidenta do S.T.F., foi jantar com grandes empresários e jornalistas ligados à mídia empresarial, passando informações sobre o futuro funcionamento daquele tribunal?
Por que ela nunca jantou com líderes sindicais, líderes populares e jornalistas ligados às mídias alternativas ???
Como cidadãos, não temos o direito de pensar que grande parte do nosso Poder Judiciário “tem lado”?
3 – O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL PODE DEIXAR DE APLICAR UMA REGRA JURÍDICA POSITIVADA E CONSAGRADORA DE UM PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL?
PRISÃO COMO EFEITO DE ACÓRDÃOS RECORRÍVEIS (que dispensa a demonstração de sua necessidade).
De duas, uma: ou o S.T.F. declara inconstitucional o artigo 283 do Cod.Proc.Penal, que consagra o princípio da presunção de inocência, ou ele tem de aplicar a regra jurídica, que é clara e objetiva.
Fora daí é cinismo e puro ativismo judicial, violador do Estado de Direito.
Vejam a regra que o S.T.F. se nega a aplicar:
ARTIGO 283: Ninguém poderá ser preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente, EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA CONDENATÓRIA TRANSITADA EM JULGADO, ou, no curso da investigação ou do processo, em virtude de prisão temporária ou prisão preventiva. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011).
4 – SERÁ QUE NÃO HÁ LIMITES PARA TANTOS DISPARATES?
O Ministério Público Federal, em alegações finais, pugnou pela condenação do réu Aldemir Bendine, ex-presidente da Petrobrás e do Banco do Brasil, a uma pena de 30 (trinta) anos de reclusão !!!
Será que não têm mais noção do senso do ridículo a que estão expondo o Ministério Público???
Em que livros estudaram estes desorientados punitivistas ???
Em 16 anos, no Tribunal do Júri da Capital do Rio de Janeiro, participando de julgamentos de homicídios bárbaros e cruéis, jamais presenciei um juiz-presidente fixar uma pena tão alta e desproporcional. Aliás, em 31 anos do Ministério Público, jamais tomei ciência de uma sentença com pena de prisão tão elevada !!!
Mais do que perplexo, estou preocupado com o que está ocorrendo com o Ministério Público Federal !!!
5 - CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA
Caso Lula. Alguém sabe explicar por que o juiz Sérgio Moro se negou a ouvir o testemunho do sr. Vaccari, referido pelo corréu Léo Pinheiro como participante direto das supostas tratativas para alienação do triplex pela OAS, fato este contundentemente valorado na insólita condenação do ex-presidente Lula???
Que juízo de conveniência teria predominado na decisão do juiz Sérgio Moro???
"Art. 209. O juiz, quando julgar necessário, poderá ouvir outras testemunhas, além das indicadas pelas partes.
§ 1o Se ao juiz parecer conveniente, serão ouvidas as pessoas a que as testemunhas se referirem."
6 - Alguém sabe explicar se os Procuradores da República, para atuarem nos processos penais, são previamente lotados em órgãos de atuação ou execução, cuja atribuição esteja prevista em algum ato normativo, segundo critérios objetivos e impessoais???
Em outras palavras: como obedecer à regra expressa na Constituição Federal da INAMOVIBILIDADE dos membros do Ministério Público se eles não são lotados em órgãos dos quais não possam ser removidos??? Cargo público e órgão de atuação não são coisas distintas?
Ainda em outras palavras: alguém sabe explicar se o Ministério Público respeita o chamado "princípio do Promotor Natural", que visa assegurar a independência funcional de seus membros, independência esta expressamente prevista na Constituição Federal???
7 – Caso Lula. COMPETÊNCIA DO JUIZ SÉRGIO MORO
Alguém sabe explicar que tipo de conexão deslocou a competência da justiça estadual de São Paulo (Comarca de Guarujá) para o juízo da 13.Vara Federal de Curitiba ??? (caso do Triplex da OAS, que dizem que é do ex-presidente Lula).
Ainda: se houvesse alguma espécie legal de conexão, ela seria com qual outro crime da competência do juiz Sérgio Moro?
Ainda: se houve a conexão, por que modificar uma competência se não haverá unidade de processo e julgamento?
8 – ALGUÉM SABE EXPLICAR COMO PODEMOS TER EXECUÇÃO PROVISÓRIA DA PENA DE PRISÃO DIANTE DO QUE ESTÁ ESCRITO NO ARTIGO DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL TRANSCRITO ABAIXO ?
"Art. 283. Ninguém poderá ser preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente, em decorrência de sentença condenatória TRANSITADA EM JULGADO ou, no curso da investigação ou do processo, em virtude de prisão temporária ou prisão preventiva. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011)".
9 - ALGUÉM SABE EXPLICAR SE HÁ ABUSO DE ACUSAÇÃO?
De que forma um ocupado Governador de Estado, como o do Rio de Janeiro, pode também ser, simultaneamente, chefe de mais de 12 organizações criminosas diferentes??? Caso Sérgio Cabral.
10 - CONDENAÇÃO QUE NÃO INDIVIDUALIZA O CRIME QUE O RÉU TERIA COMETIDO???
Alguém sabe explicar por que a 8ª. Turma do Tribunal Federal da 4ª. Região não disse quando, onde, como e nem de que forma o ex-presidente Lula RECEBEU o apto. Triplex de Guarujá, como pagamento de indevida vantagem, não sendo ele funcionário público e sendo este fato desvinculado de sua atividade como Presidente da República? Não é esta a conduta imputada ao ex-presidente?
Será que, na realidade, o ex-presidente foi condenado por condutas penalmente atípicas, tais como: gostar de um imóvel; visitar um imóvel; ter sido o tríplex lhe destinado; ter sido o tríplex lhe reservado; estar interessado na aquisição de um tríplex; ter sido um imóvel lhe atribuído; ter sugerido a realização de obras em um imóvel que poderia adquirir no futuro??? 
Tais condutas, apesar de não serem delituosas, foram referidas no acórdão para legitimar uma condenação absurda.
11 – Os acordos de cooperação premiada (delação premiada) podem conter cláusulas que contrariem expressamente o que está disposto no Cod.Proc.Penal, na Lei de Execução Penal e no próprio Cod.Penal ???
12 – O Conselho Nacional do Ministério Público pode legislar sobre o Direito Processual Penal?
As suas Resoluções 181/17 e 183/18 podem derrogar o sistema que está consagrado no atual Código de Processo Penal?
13 – Enfim, diante disto tudo pergunto: como afirmar que estamos em um verdadeiro Estado de Direito???  -  (Aqui).