segunda-feira, 6 de julho de 2015

ECOS DA LAVA JATO, DA CONTRA-INFORMAÇÃO E DA ESPIONAGEM


A operação Lava Jato, a defesa nacional, a contra-informação e a espionagem

Por Mauro Santayana

Em suas críticas ao tamanho do Estado e na defesa da privatização a qualquer preço, os neoliberais tupiniquins se esforçam por defender a tese de que o poder de algumas das maiores nações do mundo “ocidental”, os EUA à frente, teria como únicos, principais esteios, o capitalismo, a livre iniciativa e o livre mercado, e defendem, sempre que podem, alegando a existência de “cabides de emprego”, e o grande número de ministérios, a diminuição do setor público no Brasil.
A informação, divulgada na semana passada, de que, com três milhões e duzentos mil funcionários, o Departamento de Defesa dos EUA é o maior empregador do mundo, tendo em sua folha de pagamento, sozinho, mais colaboradores que o governo brasileiro, com todos seus 39 ministérios, mostra como essa gente tem sido pateticamente enganada, e corrobora o fato de que a tese do enxugamento do estado, tão cantada em prosa e verso por certos meios de comunicação nacionais, não é mais, do ponto de vista da estratégia das nações, do que uma fantasia que beira a embromação.
Dificilmente vai se encontrar uma nação forte, hoje – como, aliás, quase sempre ocorreu na história – que não possua também um estado poderoso, decidida e vigorosamente presente em setores estratégicos, na economia, e na prestação de serviços à população.
Enquanto em nosso país, o número total de empregados da União, estados e municípios, somados, é de 1,5% da população, na Itália ele passa de 5%, na Alemanha, proporcionalmente, ele é de 80% a mais do que no Brasil, nos EUA, de 47% a mais e na França, também um dos países mais desenvolvidos do mundo, de 24% da população ativa, o que equivale a dizer que praticamente um a cada quatro franceses trabalha para o Setor Público.
Esses dados derrubam também a tese, tão difundida na internet, de que no Brasil se recebe pouco em serviços, comparativamente aos impostos que se  pagam. Por aqui muitos gostariam de viver como na Europa e nos Estados Unidos, mas ninguém se pergunta quantos funcionários públicos como médicos, professores, advogados, técnicos, cientistas, possuem a mais do que o estado brasileiro, os governos dos países mais desenvolvidos do mundo, para prestar esse tipo de serviços à população.
E isso, sem ter que ouvir uma saraivada de críticas a cada vez que lança um concurso, e sem ter que enfrentar campanhas quase que permanentes de defesa da precarização do trabalho e da terceirização.
Aos três milhões e duzentos mil funcionários, cerca de 1% da população norte-americana, fichados apenas no Departamento de Defesa, é preciso agregar, no esforço de fortalecimento nacional dos Estados Unidos, centenas de universidades públicas e privadas, e grandes empresas, estas, sim, privadas, ou com pequena participação estatal, que executam os principais projetos estratégicos de um país que tem o dobro da relação dívida pública-PIB do Brasil e não parece estar, historicamente, preocupado com isso.
Companhias que, quando estão correndo risco de quebra, como ocorreu na crise de 2008, recebem dezenas de bilhões de dólares e novos contratos do governo, e que possuem legalmente, em sua folha de pagamento, “lobistas”, que defendem seus interesses junto à Casa Branca e ao Congresso, que, se estivessem no Brasil, já teriam sido, neste momento, provavelmente presos como “operadores”, por mera suspeição, mesmo sem a apresentação de provas concretas.
Da estratégia de fortalecimento nacional dos principais países do mundo, principalmente os ocidentais, faz parte a tática de enfraquecimento e desestruturação do Estado em países, que, como o Brasil, eles estão determinados a continuar mantendo total ou parcialmente sob seu controle.
Como mostra o tamanho do setor público na Alemanha, na França, nos Estados Unidos – ampla e propositadamente subestimado no Brasil – por lá se sabe que, quanto mais poderoso for o Estado em um potencial concorrente, mais forte e preparado estará esse país para disputar um lugar ao sol com as nações mais importantes, em um mundo cada vez mais complexo e competitivo.
Daí porque a profusão de organizações, fundações, “conferencistas”, “analistas” “comentaristas”, direta e indiretamente pagos pelos EUA, muitos deles ligados a braços do próprio Departamento de Defesa, como a CIA, e a aliança entre esses “conferencistas”, “analistas”, “filósofos”, “especialistas”, principescos sociólogos – vide o livro “Quem pagou a conta? A CIA na Guerra Fria da Cultura”, da jornalista inglesa Frances Stonor Saunders – etc, com a imprensa conservadora de muitos países do mundo, e mais especialmente da América Latina, na monolítica e apaixonada defesa do “estado mínimo”, praticada como recurso para o discurso político, mas também por pilantras a serviço de interesses externos, e por ignorantes e inocentes úteis.
Em matéria de capa para a Revista Rolling Stone, no final da década de 1970, Carl Bernstein, o famoso repórter do Washington Post, responsável pela divulgação e cobertura do Caso Watergate, que derrubou o Presidente Richard Nixon, mostrou, apresentando os principais nomes, como centenas de jornalistas norte-americanos foram recrutados pela CIA, durante anos, a fim de agir no exterior como espiões, na coleta de informações, ou para produzir e publicar matérias de interesse do governo dos Estados Unidos.
Muitos deles estavam ligados a grandes companhias, jornais e agências internacionais, como a Time Life, a CBS, a NBC, a UPI, a Reuters, a Associated Press, a Hearst Newspapers, e a publicações como o New York Times, a Newsweek e o Miami Herald, marcas que em muitos casos estão presentes diretamente no Brasil, por meio de tv a cabo, ou têm seu conteúdo amplamente reproduzido, quando não incensado e reverenciado, por alguns dos maiores grupos de comunicação nacionais.
Assim como a CIA influenciou e continua influenciando a imprensa norte-americana dentro e fora do território dos Estados Unidos, ela, como outras organizações oficiais e paraoficiais norte-americanas, também treina, orienta e subsidia centenas de veículos, universidades, estudantes, repórteres, em todo o mundo, em um programa que vem desde antes da Guerra Fria, e que nunca foi oficialmente interrompido.
O próprio Departamento de Defesa, o Departamento de Estado, a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional, USAID, o Fundo Nacional para a Democracia, NED, o Conselho Superior de Radiodifusão, BBG, e o Instituto dos EUA para a Paz, USIP, bancam atividades de “desenvolvimento de meios” em mais de 70 países, em programas que mantêm centenas de fundações, ONGs estrangeiras, jornalistas, meios de informação, institutos de “melhoramento” profissional, e escolas de jornalismo, com um investimento anual que pode chegar a bilhões de dólares.
Além deles, são usados, pelo Departamento de Estado, o Bureau de Assuntos Educacionais e Culturais, (Bureau of Educational and Cultural Affairs, BECA), o Bureau de Inteligência e Investigação, (Bureau of Intelligence and Research, INR) e o Bureau de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho (Bureau of Democracy, Human Rights, and Labor, DRL), que apenas no ano de 2006 organizou, na Bolívia, por exemplo, 15 diferentes “oficinas” sobre “liberdade de imprensa e expressão”, além do Escritório de Diplomacia e Assuntos Públicos (Office of Public Diplomacy and Public Affaires, OPDPA).
“O que nós estamos ensinando – explica Paul Koscak, porta-voz da USAID – é a mecânica do jornalismo, na imprensa escrita, no rádio ou na televisão. Como fazer uma história, como escrever de forma equilibrada … tudo o que se espera de um verdadeiro profissional de imprensa.”
Isabel MacDonald, diretora de comunicação da Fairness And Accuracy in Reporting (FAIR) – Imparcialidade e Transparência na Informação – um observatório de meios de comunicação de Nova Iorque sem fins lucrativos, não tem, no entanto, a mesma opinião.
Para ela, “esse tipo de operação do governo norte-americano, a despeito de sua alegada defesa das normas da objetividade, trabalha, na verdade, contra a democracia, apoiando a dissensão sufocante, e divulgando informações deliberadamente falsas que são úteis para os objetivos da política exterior dos Estados Unidos.’
Um exemplo clásssico desse tipo de resultado, quanto aos objetivos norte-americanos, foi o envolvimento de Washington, denunciado pela comissão legislativa Church-Pike, no Congresso dos EUA, com o financiamento a jornais de oposição na América Latina, como o grupo “El Mercúrio” do Chile, por exemplo, na conspiração que levou ao golpe militar contra o presidente eleito de orientação nacionalista Salvador Allende, em 1973.
Em abril de 2015, a Associação dos Jornalistas Chilenos decidiu expulsar de seus quadros o dono do Grupo El Mercúrio, Agustín Edwards Eastman, de 87 anos, por violação do código de ética, depois que documentos oficiais revelados nos Estados Unidos mostraram, em 2014, que ele havia recebido dinheiro da CIA para publicar informações falsas contra o governo chileno.
A diferença entre os Estados Unidos, que se dizem “liberais” e “privatistas”, e na verdade não o são, e o Brasil, que cede a todo tipo de pressão, na tentativa de provar, todos os dias, que não é comunista nem estatizante, é que, mesmo quando envolvidas com corrupção – considerada uma espécie de “dano colateral” que deve ser “contornado” e “absorvido”, no contexto do objetivo maior, de permanente fortalecimento do complexo-industrial militar dos EUA – a existência das principais empresas de defesa norte-americanas nunca é colocada em risco.
Apenas como exemplo, a Lockheed Martin, uma das principais companhias de aviação e de defesa dos EUA, pagou, como lembrou André Motta Araújo no Jornal GGN outro dia, entre as décadas de 1950 e 1970, mais de 300 milhões de dólares, ou 3.7 bilhões de dólares em dinheiro de hoje, de propina para autoridades estrangeiras, entre elas – para quem acha que isso só acontece em paises “sub-desenvolvidos” – o então Ministro da Defesa da Alemanha Ocidental, Franz Joseph Strauss, os ministros Luigi Gul, e Maria Tanassi, o Primeiro-Ministro Mariano Rumor e o Presidente da República Italiana, Giovanni Leone, o general Minoru Genda e o Primeiro-Ministro japonês Kakuei Tanaka, e até o príncipe Bernhard, marido da Rainha Juliana, da Holanda.
E alguém acha que a Lockheed foi destruída por isso ? Como também informa Motta Araújo, seus principais dirigentes renunciaram alguns anos depois, e o governo norte-americano, no lugar de multar a empresa, lhe fez generoso empréstimo para que ela fizesse frente, em melhores condições, aos eventuais efeitos do escândalo sobre os seus negócios.
A Lockheed, conclui André Motta Araújo em seu texto, vale hoje 68 bilhões de dólares, e continua trabalhando normalmente, atendendo a enormes contratos, com o poderoso setor de defesa norte-americano.
Enquanto isso, no Brasil, os dirigentes de nossas principais empresas nacionais de defesa, constituídas, nesses termos, segundo a Estratégia Nacional de Defesa, em 2006, para, com sede no Brasil e capital votante majoritariamente nacional, fazer frente à crescente, quase total desnacionalização da indústria bélica, e gerir alguns dos mais importantes programas militares da história nacional, que incluem novos mísseis ar-ar, satélites e submarinos, entre eles nosso primeiro submersível atômico, encontram-se, quase todos, na cadeia.
O Grupo Odebrecht, o Grupo Andrade Gutierrez, o OAS e o Queiroz Galvão têm, todos, relevante participação na indústria bélica e são os mais importantes agentes empresariais brasileiros da Estratégia Nacional de Defesa. Essas empresas entraram para o setor há alguns anos, não por ter algum privilégio no governo, mas simplesmente porque se encontravam, assim como a Mendes Júnior, entre os maiores grupos de engenharia do Brasil, ao qual têm prestado relevantes serviços, desde a época do regime militar e até mesmo antes, não apenas para a União, mas também para estados e municípios, muitos deles governados pela oposição, a quem também doaram e doam recursos para campanhas políticas de partidos e candidatos.
Responsáveis por dezenas de milhares de empregos no Brasil e no exterior, muitos desses grupos já estão enfrentando, depois do início da Operação Lava-Jato, gravíssimos problemas de mercado, tendo tido, para gaúdio de seus concorrentes externos, suas notas rebaixadas por agências internacionais de crédito.
Projetos gigantescos, tocados por essas empresas no exterior, sem financiamento do BNDES, mas com financiamento de bancos internacionais que sempre confiaram nelas, como o gasoduto do Perú, por exemplo, de quase 5 bilhões de dólares, ou a linha 2 do metrô do Panamá, que poderiam gerar centenas de milhões de dólares em exportação de produtos e serviços pelo Brasil, correm risco de ser suspensos, sem falar nas numerosas obras que estão sendo tocadas dentro do país.
Prisões provocadas, em alguns casos, por declarações de bandidos, que podem ser tão mentirosas quanto interesseiras ou manipuladas, que por sua vez, são usadas para justificar o uso do Domínio do Fato – cuja utilização como é feita no Brasil já foi criticada jurídica e moralmente pelo seu criador, o jurista alemão Claus Roxin – às quais se somam a mera multiplicação aritmética de supostos desvios, pelo número de contratos, sem nenhuma investigação, caso a caso, que os comprove, inequivocamente, e por suposições subjetivas, pseudo-premonitórias, a propósito da possível participação dessas empresas em um pacote de concessão de projetos de infra-estrutura que ainda está sendo planejado e não começou, de fato, sequer a ser oficialmente oficialmente estruturado.
O caso Lockheed, o caso Siemens, e mais recentemente, o do HSBC, em que o governo suiço multou esse banco com uma quantia mínima frente à proporção do escândalo que o envolve, nos mostram que a aplicação da justiça, lá fora, não se faz a ferro e fogo, e que ela exige bom senso para não errar na dose, matando o paciente junto com a doença.
Mais uma vez, é necessário lembrar, é preciso combater a corrupção, mas sem arrebentar com a Nação, e com alguns dos principais pilares que sustentam nossa estratégia de desenvolvimento nacional e de projeção nos mercados internacionais.
No futuro, quando se observar a história do Brasil deste período, ao tremendo prejuízo econômico gerado por determinados aspectos da Operação Lava-Jato,  mutíssimo maior que o dinheiro efetivamente, comprovadamente, desviado da Petrobras até agora, terá de ser somado incalculável prejuízo estratégico para a defesa do país e para a nossa indústria bélica, que, assim como a indústria naval, se encontrava a duras penas em processo de soerguimento, depois de décadas de estagnação e descalabro.
No Exército, na Marinha, na Força Aérea, muitos oficiais – principalmente aqueles ligados a projetos que estão em andamento, na área de blindados, fuzis de assalto, aviação, radares, navios, satélites, caças, mísseis, submarinos, com bilhões de reais investidos – já se perguntam o que irá acontecer com a Estratégia Nacional de Defesa, caso as empresas que representam o Brasil nas joint-ventures empresariais e tecnológicas existentes vierem a quebrar ou a deixar de existir.
Vamos fazer uma estatal para a fabricação de armamento, que herde suas participações, hipótese que certamente seria destroçada por violenta campanha antinacional, levada a cabo pelos privatistas e entreguistas de sempre, com o apoio da imprensa estrangeira e de seus simpatizantes locais, com a desculpa de que não se pode “inchar”” ainda mais um estado que na verdade está sub-dimensionado para as necessidades e os desafios brasileiros?
Ou vamos simplesmente entregar essas empresas, de mão beijada, aos sócios estrangeiros, com a justificativa de que os projetos não podem ser interrompidos, perdendo o controle e o direito de decidir sobre nossos programas de defesa, em mais um capítulo de vergonhoso recuo e criminosa capitulação ?

Com a palavra, o STF, o Ministério da Defesa, e a consciência da Nação, incluindo a dos patriotas que militam, discreta e judiciosamente, de forma serena, honrosa e equilibrada, no Judiciário e no Ministério Público. (Fonte: aqui).

NA CÚPULA PARADISÍACA...


Rico.

LUIZ CARLOS MACIEL, FILÓSOFO, ESCRITOR, 77, DESEMPREGADO


O caso do filósofo Luiz Carlos Maciel, do Pasquim

Por Arthur Gama

A hipocrisia brasileira – que se encrespa contra todo tipo de preconceito e assumiu a vanguarda mundial pelo reconhecimento dos direitos humanos de homossexuais, negros e quem quer que por alguma razão seja discriminado socialmente, e acaba de quebrar os grilhões da aposentadoria compulsória de magistrados aos 70 anos – podia dormir sem o inesperado anúncio do filosofo e escritor Luiz Carlos Maciel acaba de publicar na internet:
“Um tanto constrangido, é verdade, mas sem outro jeito, aproveito esse meio de comunicação, típico da era contemporânea e de suas maravilhas, para levar ao conhecimento público o fato desagradável de que estou sem trabalho e, por conseguinte, sem dinheiro. É triste, mas é verdade. Estou desempregado há quase um ano. Preciso urgentemente de um trabalho que me dê uma grana capaz de aliviar este verdadeiro sufoco. Sei ler e escrever, sei dar aulas, já fiz direções de teatro e de cinema, já escrevi para o teatro, o cinema e a televisão. Publiquei vários livros, inclusive sobre técnicas de roteiro, faço supervisão nessas áreas de minha experiência, dou consultoria, tenho – permitam-me que o confesse – muitas competências. Na mídia impressa, já escrevi artigos, crônicas, reportagens… O que vier, eu traço. Até represento, só não danço nem canto. Será que não há um jeito honesto de ganhar a vida com o suor de meu rosto? Luiz Carlos Maciel. lcfmaciel@gmail.com
No país que que quebra e criminaliza preconceitos de todo tipo – de cor, raça, gênero, região – é espantoso que o envelhecimento seja tão duramente perseguido com o afastamento compulsório dos idosos de atividades econômicas, profissionais, culturais – da própria vida útil.
Gaúcho, nascido em 1938, professor de teatro, com referências no currículo de temporadas na Universidade da Bahia (nos tempos de Glauber, Ana Adler, João Augusto e Eros Martins Gonçalves) e no Carnegie Institute, de Pittsburgh, nos Estados Unidos e idolatrado no Rio como intérprete do filósofo Herbert Marcuse e autor de textos no Pasquim (segundo a lenda, era um craque em psicanálise e admirado por Millôr Fernandes, extremamente seletivo na seleção de amigos), Luiz Carlos Maciel marcou época na Rede Globo, onde talento e validade artística são medidos de forma implacável pelo sucesso comercial. Casado com a bela e talentosa atriz Maria Cláudia, protagonista de novelas, filmes e peças de teatro, não lhe faltava nada para fazer o encanto dos cariocas. Escrevia livros, teleteatro, dirigia espetáculos.
De repente, sumiu. Tal como Maria Claudia, que teve problemas com as cordas vocais, depois voltou milagrosamente recuperada e novamente sumiu. Imaginava-se que estava recolhido, ensinando ou trabalhando discretamente em algum jornal ou editora.
Agora, com esse anúncio patético – um SOS desesperado, ainda por cima dando sinais de humor com a frase “O que vier, eu traço. Até represento, só não danço nem canto.” – Luiz Carlos Maciel joga na cara da sociedade brasileira o abandono dos idosos. Se ele, um intelectual com tal bagagem, confessa-se sem dinheiro, imagine os idosos sem currículo e sem referências…
Aliás, há neste momento outro sinal escandaloso da repugnância nacional pela velhice. O fracasso da novela Babilônia, que apesar do grande elenco e dos autores famosos está perdendo em audiência para os outros três seriados da Globo, inclusive Malhação, está sendo atribuído aos papéis das atrizes Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg, que brilham como um casal homossexual ativo (e além de ativo, intelectual e passional). Segundo analistas da área de pesquisa, o público aceita e idolatra Fernanda em papéis cômicos e Nathalia em papéis dramáticos de velhinha caduca ou coadjuvante, jamais no vigor humano e sexual que desfrutam além dos 80 anos.
A expectativa de sobrevivência atém dos 70, além dos 80, em condições físicas e mentais normais, é um castigo para homens e mulheres brasileiras que pretendam exercitar plenamente seus papéis profissionais e resistam à aposentadoria. Como está demonstrando, via Internet, o filósofo Luiz Carlos Maciel, 77 anos, notável saber, desempregado. (Fonte: aqui).
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Leitor voraz da imprensa em geral e da imprensa alternativa, foi com Luiz Carlos Maciel, via semanário O Pasquim, que me inteirei sobre contracultura, literatura e cinema americano e inglês em plena ebulição da luta pelos direitos civis e da mobilização contra a guerra do Vietnã. Maciel editava no Pasquim a coluna UNDERGROUND, e era lá que, para usar a gíria da época, nos inseríamos no contexto. O término da coluna, em 1971, não significou a ruptura do filósofo com seus leitores: passamos a ter acesso a textos em outras fontes, inclusive da imprensa 'consagrada'.
Que o velho parceiro Maciel encontre oportunidade de trabalho o quanto antes.

O ARAUTO DA AUSTERIDADE


Waldez.

A REAÇÃO DE ZEUS


Samuca.

domingo, 5 de julho de 2015

GRÉCIA: DIAS MELHORES PODERÃO VIR


Grécia: povo festeja nas ruas vitória do 'Não'

A maioria dos gregos disse "não" à adoção de mais medidas de austeridade no país proposta pelos credores do país, a chamada troika: o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Central Europeu (BCE) e a Comissão Europeia (CE). Em referendo realizado neste domingo, com mais de 80% das urnas apuradas, a opção "não" vencia com 61,5% dos votos, contra 38,5% do "sim". Com isso, o país voltará a negociar com os credores.

Ainda é incerto, no entanto, se a Grécia permanecerá na zona do euro. ("Referendo grego: com mais de 80% das urnas apuradas, 'não' está na frente". O Globo - aqui).

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Tsipras propôs, dias antes do referendo, a retomada das negociações com a troika, desta feita em condições mais atenuadas (em outras palavras: com novas concessões do governo grego), mas Angela Merkel deu o ultimato: ou a adesão da Grécia a todas as exigências, ou nada; e mais: qualquer nova conversa, só depois do referendo, como se ela estivesse convicta do 'sim'. Merkel comemorou 70 anos de idade nesta semana. Ironia...

O NÃO GREGO À AUSTERIDADE


"Não", com mais de 60%, caminha para vitória histórica na Grécia

Por Fernando Brito

O país ficou sitiado.
Bancos fechados, caixas  automáticos sem dinheiro, supermercados sem produtos e uma intensa campanha de ameaças e chantagens.
Ainda assim, o “não” ao ultimato da União Europeia – ou mais especificamente da Alemanha – sobre a Grécia parece caminhar para uma vitória estrondosa entre os gregos.
Muito mais do que até mesmo as pesquisas de boca de urna – mudando os resultados que previram durante a semana – haviam previsto.
Os resultados, com cerca de 22% % dos votos apurados, que reproduzo no gráfico acima e que podem ser acompanhados ao vivo neste link, são acachapantes.
A partir de amanhã, insistir com uma agenda de arrochos inaceitáveis como condição para um acordo entre os credores e a Grécia não será diferente de uma “ocupação financeira”, um ato de guerra da Europa contra os gregos.
Pior, vai despertar uma onda de oposição ao controle da União Europeia sobre as finanças e as políticas internas da Itália, Espanha e Portugal, os mais endividados, e será gasolina pura sobre o referendo no Reino Unido sobre a manutenção do país na UE.
O que estão falando os gregos é compreensível, é entendido em qualquer parte do mundo.
O poder do capital financeiro internacional, de sua mídia e dos políticos que, em relação a ele, conformam-se que sequestre o destino dos povos não pôde contra a coragem de um governo de chamar o povo a falar.
Não, isso não resolve os problemas da Grécia.
Mas abre caminho para que se busque uma solução de  mínimo equilíbrio, e não a queda, de joelhos, da soberania de um povo. (Fonte: aqui).
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A repulsa do povo grego à austeridade imposta pela UE parece encaminhar-se para a consolidação, com 22% dos votos apurados. Se restar efetivamente configurada, a repercussão geopolítica - e econômica, obviamente - será monumental. Aguardemos.

UMA ABORDAGEM SOBRE A SITUAÇÃO GREGA


A maior tragédia grega

Por Arnóbio Rocha

Diante dos últimos embates entre a Troika (FMI, UE e BCE) contra o Povo Grego, o corajoso governo de Alexis Tsipras, da Syriza, coalizão de Esquerda, resolveu desafiar as imposições convocando um plebiscito que pode definir a saída da Grécia da Zona do Euro, criando um impasse sem precedente na UE, o default geral e a não aceitação de mais ajustes.
Dois anos atrás, publiquei o livro Crise 2.o: Taxa de Lucro Reloaded, em que parte do Capítulo V (o Lado B da UE) tratava justamente da questão grega. O fato novo: a eleição de Alexis Tsipras para primeiro-ministro, com a plataforma de ser contra a política de Austeridade, imposta pela Troika e os ajustes criminosos, e agora o confronto final desenhado. Pouco teria acrescentar ao texto abaixo.
A tragédia grega
Acompanhamos neste último ano o desenrolar dos acontecimentos da Crise Mundial, em particular na Europa, e nesta com especial carinho, o destino grego. As tragédias se sucederam nestes últimos dois anos ao país, uma queda vertiginosa de sua Economia, que nunca fora realmente forte, mas com a adesão ao Euro, parecia uma oportunidade de mudar o destino de um dos países mais pobres da Europa. Todos os esforços do povo grego para aderir ao Euro foram jogados fora por uma elite corrupta e entreguista. Os bilhões de Euros que aportaram no país, boa parte foi desviada para uso privado e mesquinho.
Enquanto a farra do dinheiro fácil circulava na Zona do Euro, parecia que tudo ia bem, mas a Grécia já acumulava grandes déficits fiscais; alguns culpavam (pela crise) a mal sucedida Olimpíadas, em que gastaram quase 15% do PIB do país  em obras que nada mudaram a economia ou a dinâmica de desenvolvimento. O custo altíssimo e a imensa corrupção levaram rapidamente ao vermelho todas as finanças. A combinação de corrupção e ineficiência estatal, incapaz de cobrar impostos dos mais ricos, causa espécie: o setor de construção naval, quase a metade da riqueza do país, é isento de impostos com norma constitucional que o protege.
Rapidamente, após o estouro da crise em 2008, na Zona do Euro, a Grécia faliu, a exemplo de Irlanda e Portugal, os três países mais pobres do acordo. A situação grega foi a pior de todas, até agora: em apenas 2 anos o PIB do país recuou 20%, a sua dívida pública quase que dobrou, atingindo mais de 160% do PIB. O desemprego saltou de 12 aos 28,% (entre os jovens de aproximadamente 60%). No ano de 2011, nos últimos 8 meses 11% dos médicos saíram da Grécia. Em pouco mais de 1 ano se formou uma massa de sem teto em Atenas de mais de 50 mil pessoas. A fome e a miséria viraram rotina. Um empobrecimento ainda maior retrocedeu o país ao pré-Euro.
Obrigada a pedir o resgate à Troika, esta foi impiedosa: em setembro de 2011, a Alemanha (...) impôs ao povo grego um governo tecnocrata, liderado por Papademos, por coincidência um dos homens que tinham feito o último swap de contas gregas junto ao (banco) Goldman Sachs, seus ex-patrões, que deu um prejuízo de mais de 300 milhões de Euros. A intervenção e monitoramento do dia a dia da vida da Grécia apenas pioraram as condições da Economia. 6 meses depois do Governo tecnocrata, as eleições aprofundaram a crise, com nenhum grupo conseguindo formar um governo.
Foi preciso novas eleições com vitória da Direita pró-acordo, mas apesar do empenho de Angela Merkel, ameaçando diretamente os gregos a não votarem em Alexis Tsipras, da Syriza, essa obteve um resultado estupendo, dando-lhe a chance de ficar com a segunda bancada no parlamento, ganhando mais forças diante de pacote tão desumano imposto aos gregos pela Troika, como bem observou: “Vamos fazer uma oposição em benefício do povo grego. Em nenhuma hipótese vamos apoiar as medidas de austeridade. Elas não podem ir além”.
Na Grécia há uma cláusula eleitoral segundo a qual o partido que ganha a maioria dos votos nomeia 50 deputados a mais, uma coisa esdrúxula, que elevou a participação da Direita de 79 cadeira a 129, enquanto a Syriza ficou com 71 cadeiras, os “socialistas” caíram de mais de 100 cadeiras para 33.  A diferença é que agora os termos do acordo com a Troika não serão assinados por todos os parlamentares, como fizeram em outubro, por exigência da Alemanha (ou todos os partidos assinavam o acordo ou não daria a ajuda), uma humilhação jamais vista, nem em rendição de guerra. Um parlamento que não aceita divergência.
O Estadão diz em longa matéria em que não demonstra tanto otimismo com a “vitória de Pirro”:  ”O resultado oficial, quando confirmado, dará direito a Samaras de costurar a formação de um governo de coalizão, que deve ser integrado por Nova Democracia, Pasok, Esquerda Democrática e, possivelmente, Gregos Independentes. Os dois primeiros partidos são considerados “pró-austeridade”, por seu compromisso com os termos do programa de socorro de € 130 bilhões concedido pela União Europeia, pelo Banco Central Europeu (BCE) e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI)".
Os imensos sacrifícios impostos não serão cumpridos, os acordos precisariam de 50 anos de muito esforço e miséria para ser cumprido. Até o FMI acha que tais metas não são exequíveis, segundo o Jornal Estado de São Paulo: ” fontes do Wall Street Journal disseram que o FMI está pressionando os governos dos países da União Europeia a tomarem medidas para aliviar as exigências feitas à Grécia em troca de ajuda financeira. Segundo essas fontes, o FMI está enfrentando descontentamento entre seus países membros por causa das altas quantias que a instituição emprestou a países da zona do euro. As pressões do FMI, que têm sido evidentes nas reuniões entre seus representantes e funcionários da zona do euro, são uma reação às evidências crescentes de que a recessão profunda enfrentada pela Grécia tirou o programa de ajuda ao país do caminho estabelecido no começo deste ano. Os funcionários do FMI argumentam que a dívida da Grécia precisa ser reduzida para níveis sustentáveis antes de o Fundo liberar mais bilhões de euros para evitar que o país fique sem recursos. Segundo as fontes, a maneira mais eficaz de fazer isso seria os credores multilaterais da Grécia concordarem em perdoar parte da dívida. Mas essa proposta enfrentaria oposição firme de alguns governos de países da zona do euro, entre eles a Alemanha, que já emprestaram 127 bilhões de euros para a Grécia e estão intransigentes na posição de que os gregos não devem esperar receber mais concessões”.
Mas os outros membros da Troika (além do FMI, UE e BCE) não parecem dispostos a qualquer recuo, aliás exigem mais sacrifícios;  o pacote de exigências aos gregos exigia um corte imediato de 11,5 bilhões de Euros no orçamento, o equivalente a 15% do total, apenas até setembro de 2012, uma tarefa gigantesca, impossível de ser cumprida. Uma missão da Troika esteve em Atenas (lembram quando vinham ao Brasil?) para fiscalizar o cumprimento das metas. Segundo a Agência Dow Jones, “O ministro de Finanças da Grécia, Yannis Stournaras, afirmou hoje que o país pode colocar milhares de servidores públicos em uma reserva especial de trabalho com salários reduzidos, para ajudar o governo a atingir a meta de cortar mais 4 bilhões de euros nos gastos orçamentários”.
A resposta que os gregos (obtiveram da) Troika devido estarem distantes da meta: deveriam punir mais ainda o funcionalismo público, pois  “Segundo Stournaras, o governo grego ainda precisa finalizar uma quantia significativa de cortes que fazem parte do pacote de austeridade de 11,5 bilhões de euros nos próximos dois anos, exigido pela troica de credores internacionais […]. Os números não são fáceis de encontrar; os 11,5 bilhões de euros são um número significativo e nós ainda não o alcançamos. Falta cerca de 3,5 bilhões a 4 bilhões de euros”, comentou o ministro após se encontrar com o presidente grego, Karolos Papoulias, para informá-lo sobre os últimos desdobramentos econômicos e a recente reunião com a troica. O plano de austeridade precisa ser aprovado para que a Grécia obtenha a próxima parcela do segundo pacote internacional de resgate. No acordo de resgate, a Grécia se comprometeu a demitir quase 15 mil servidores públicos até o fim deste ano, ou encontrar outra forma de reduzir o funcionalismo. Entretanto, os esforços anteriores para criar uma reserva especial de trabalho, com cerca de 30 mil empregados, ficaram bem aquém da meta. No fim, apenas mil servidores foram colocados nessa reserva, enquanto outros 9 mil tiveram as aposentadorias antecipadas. Stournaras disse que não haverá demissões compulsórias de servidores públicos, mas afirmou que a ideia da reserva especial de trabalho ainda está sendo estudada. “Nós ainda estamos analisando esse assunto. As negociações estão em andamento e vão continuar até o fim de agosto (2012)”, comentou.
(...).
O Eurogrupo, que reúne os ministros das finanças da Zona do Euro, sempre trabalha com uma Grécia fora do Euro: as últimas reuniões, em especial na última semana de agosto de 2012, as simulações de impactos na Zona do Euro com esta saída da Grécia foram analisadas, concluindo-se que pouco mudará o panorama geral. O centro, da preocupação do Eurogrupo são Espanha e por tabela Itália, a situação grega passou a ser questão menor, no fundo acham que o que tinham que fazer já foi feito, agora “lavam as mãos”.
Xenofobia explodiu na Grécia
A eleição de deputados pela extrema-direita grega, representada pelo partido Aurora Dourada, foi um indicativo de um sentimento neofascista crescente entre os gregos. A revolta se amplia contra os estrangeiros que vivem no país: calcula-se em 500 mil, quase 5% da população, a maioria vinda da África ou leste europeu, que têm a Grécia como porta de entrada. As milícias incentivadas pelo Nova Aurora atuam livremente, espancando e intimidando os “sem papéis”, viraram braço auxiliar da repressão estatal.
Para piorar a situação, segundo o site EuroNews, o Governo usa a repressão aos imigrantes como arma política, oferecendo à Alemanha, em especial, a garantia de que estes estrangeiros não mais passariam por seu território, e numa demonstração de força lançou uma ofensiva contra os “sem papéis”. De acordo com a matéria do site “A luta contra a entrada ilegal de asiáticos e africanos que fazem da Grécia a porta de entrada na Europa está a ser utilizada como arma política pelo governo de Atenas. A polícia deteve cerca de seis mil pessoas por entrarem ilegalmente na Grécia, onde há 500 mil imigrantes ilegais e 800 mil legais. 1.600 ‘sem papéis’ serão deportados para os países de origem nas próximas semanas. 4.500 agentes participam na operação contra clandestinos, com a qual o governo conservador grego tenta recuperar, como prometeu, o controlo das ruas contra a imigração ilegal. O ministro NIKOS DENDIAS pediu calma: “Peço à população que apoie esta operação para que não se voltem a produzir, em Atenas e progressivamente noutras regiões do país, cenas que são uma ofensa à nossa civilização.”
A recessão prolongada de mais de cinco anos seguidos levou os gregos ao desespero, os empregos precários, antes feitos pelos imigrantes ilegais, amplamente tolerados, agora são disputados pelos gregos, que querem expulsar os imigrantes, pois sem estes empregos acusam-nos pelo aumento da criminalidade: reportagem do Euro News diz-se que “as associações ligadas à esquerda consideram que o governo agita esse fantasma da concorrência dos estrangeiros no mercado de trabalho" [...], Tassos Anastasiades, da associação KEERFA: “Estão a tentar os propósitos racistas para desviar a atenção da população do que realmente está a ocorrer com as finanças, no quotidiano, e põe-se a culpa nos imigrantes de todas as coisas que estão mal na Grécia”.
A situação é insustentável, a relação é clara, o desencadear da Xenofobia está intimamente ligado à eleição da extrema-direita, “desde as eleições de junho, o partido de extrema direita ‘Aurora Dourado’ tem representação parlamentar pela primeira vez na história". Os ataques contra os imigrantes multiplicaram-se de forma alarmante. Diversas organizações constataram o aumento da violência racista no país. Cerca de 130 mil imigrantes ilegais entram, anualmente, na Grécia, a0 maioria pela fronteira com a Turquia, pelo Rio Evrosa. Durante a operação xenius Zeus, o governo enviou para a zona 2.500 agentes suplementares para proteger a linha de demarcação da fronteira.
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Austeridade que mata
Países inteiros, como a Grécia, foram devorados pela crise, os seguidos planos de Austeridade só fizeram piorar a economia, os números dizem muito mais, segundo o Estadão: “a economia da Grécia contraiu-se em um ritmo mais acelerado do que o estimado anteriormente, confirmando que o país permanece em recessão, em meio à queda dos gastos do governo e das exportações. Segundo dados divulgados pela agência de estatísticas Elstat, o Produto Interno Bruto (PIB) grego encolheu 6,3% no segundo trimestre deste ano, em relação ao mesmo intervalo ano passado. A estimativa inicial, divulgada no mês passado, era de queda de 6,2% no período. Ainda na mesma base de comparação, o PIB grego caiu 6,5% nos três primeiros meses de 2012 e teve contração de 7,3% entre abril e junho de 2011."
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O quadro acima relatado mostra a situação grega nos anos 2011/2. Desde então, a retração econômica acentuou-se. Daí o que hoje se observa.

PESADELO GREGO


Caó.

GRÉCIA: O VOO OU A QUEDA


Petar Pismestrovic.

LAVA JATO FAZ ESCOLA: DELAÇÃO VIROU DECRETO


Zop.

CORRUPÇÃO: CHARME E DESAPONTAMENTO


"Fui apresentado à corrupção pelo brilhantismo radiofônico de Carlos Lacerda; às tragédias que se seguem a denúncias morais vazias, pelo chocante episódio do suicídio de Getúlio Vargas. Ainda não estreara na vida adulta e aprendi a suspeitar do facilitário da difamação, mas sem por a mão do fogo por personagem pública alguma. O estandarte moralista acobertava o repúdio da classe média a políticas trabalhistas; o discurso popularesco cobrava dízimos posteriores pouco confessionais. Assim era, assim continua. Comparações internacionais não inocentam, tampouco devem ser desprezadas. O jogo entre a virtude aparente e o possível deslize impõe permanente vigilância e habilidade inovadora à esquerda no mundo inteiro. Não é diferente no Brasil.

O conflito entre esquerda e direita adotou tom agudo, na linguagem, nas ameaças anônimas ou declaradas, na hostilidade pública. O processo Lava Jato expressa claramente a estrutura de um confronto em que nenhum dos lados tem liberdade para sair sem prejuízo da posição em que se encontra. Do lado fortemente apoiado pelos conservadores, procuradores e juízes só podem se aventurar a mais severidade com risco de ingressar de vez na ilegalidade. Ao mesmo tempo, se se mostrarem mais de acordo com a rotina usual desses processos parecerá derrota, concessão às demandas da esquerda. À esquerda, por seu turno, está vedada a aceitação pacífica da tese de um esquema de extorsão e suborno operando na Petrobrás. Não lhe convém, contudo, nem está conforme a história ou o presente da esquerda, se solidarizar integralmente, sem restrição ou condições, com o destino dos investigados atuais ou futuros. O cabo de guerra ficará provavelmente estacionado onde se encontra, até a intervenção de terceiros, Executivo, Judiciário ou Legislativo. Ou seja, a polícia federal continuará prendendo, os procuradores investigando e os juízes interrogando, enquanto advogados, líderes partidários e agentes políticos insistirão na crítica de que o processo é politicamente discriminatório. Não têm muita saída, exceto se algum lance inesperado alterar a dinâmica do confronto.

Ao lado, Executivo, Judiciário e Legislativo olham uns aos outros sem ousadia para a iniciativa que desequilibraria o cabo de guerra em uma ou outra direção."






(De Wanderley Guilherme dos Santos, cientista político, no Jornal GGN, post intitulado "A corrupção, seu charme e desapontamento" - aqui.

O texto suscitou alguns comentários, entre os quais o seguinte, do leitor Lucinei:

"WGS é um gigante, mas... nenhuma palavra sobre a imprensa?
A Ciência Política é assim: partidos, governo, parlamento, relação entre poderes, procedimentos... e nenhuma palavra sobre o modo de produção de crenças e valores.
O texto inicia com a lembrança de Lacerda e do moralismo seletivo etc. Mas sabemos que não tiveram nenhum escrúpulo em considerar vago o cargo de Presidente em 64. Por que hoje duvidar que esse pessoal é capaz de tudo e qualquer coisa contra governos trabalhistas?
O jogo não está parado, não: está em pleno movimento. Depois que se concretizar não vai adiantar mais chamar de canalha quem é canalha. E não vai adiantar deitar teses e mais teses sobre o assunto também. Isso avilta a Ciência".

Enquanto isso, o juiz Moro, muito a contragosto, se viu compelido a garantir, mesmo que mediante a concessão de prazo exíguo, o direito de defesa de uma das rés do processo Lava Jato, conforme notícia divulgada no site Conjur, reproduzida no Jornal GGN:

Em despacho, o juiz federal Sergio Fernando Moro reclamou da decisão do Supremo Tribunal Federal que o obrigou a conceder à defesa dos executivos da OAS investigados na operação “lava jato” acesso às gravações de áudio e vídeo de delações premiadas. Moro — responsável pelos processos decorrentes da operação em primeira instância — havia enviado aos advogados a transcrição dos depoimentos e negou acesso aos vídeos por não ver “necessidade de a defesa ter acesso à gravação dos depoimentos". Para a 2ª Turma do STF, postura violou Súmula Vinculante 14 do Supremo.

No despacho, assinado no dia 26 de junho, Moro dispara: “Muito embora as defesas já tenham tido acesso anterior aos mesmos depoimentos reduzidos a escrito e tenham tido a oportunidade de ouvir as mesmas pessoas em juízo, sob contraditório, com o que não há qualquer conteúdo novo, resolvo conceder às defesas o prazo adicional de três dias para, querendo, complementarem suas alegações finais”.

A decisão da 2ª Turma foi tomada em agravo regimental. A defesa dos executivos da OAS, feita pelos advogados Edward Rocha de Carvalho e Roberto Telhada, havia entrado com uma Reclamação no Supremo pedindo o acesso aos vídeos. O pedido fora negado pelo relator, ministro Teori Zavascki, por entender que ele estava prejudicado, devido ao acesso às gravações.

No agravo, a 2ª Turma reconsiderou a decisão. O entendimento é do próprio ministro Teori. Para ele, ao negar o envio das gravações aos advogados, Moro violou a Súmula Vinculante 14, que garante à defesa o acesso “aos elementos de prova já documentos em procedimento investigatório”.

Moro avaliava que o acesso às transcrições era “suficiente para o exercício da ampla defesa”. Já o Supremo avaliou que não havia motivo para sonegar o acesso às gravações. A Lei das Organizações Criminosas, a que define a delação premiada, de fato fala em sigilo dos colaboradores. Mas como forma de proteger a imagem deles e o andamento das investigações.

Só que a mesma lei, ensina o ministro Teori, diz que o sigilo termina quando a denúncia é oferecida. E no caso dos executivos da OAS, o caso já está na fase das alegações finais da defesa antes da sentença de mérito...).

A ARTE DE FAZER GATO E SAPATO


Lute. (A propósito das estripulias de Cunha, como essa).

sábado, 4 de julho de 2015

GRÉCIA: TACADA FINAL


Kap. (Espanha).

MERKEL X TSIPRAS: GRÉCIA DIVIDIDA


Christo Komarnitski. (Bulgária).

A EMPOLGANTE FINAL DA COPA AMÉRICA


Tiago Recchia.

RACISMO: KAMEL REVISITADO


Morais: 'Somos ou não racistas, Ali Kamel?'

Do Brasil 247

A enxurrada de ofensas racistas feitas entre esta quinta e sexta-feira contra a jornalista Maria Júlia Coutinho, da TV Globo, contraria a tese do diretor-geral de jornalismo da mesma emissora, Ali Kamel, que escreveu o livro "Não somos racistas".
"Macaca", "preta imunda", "rolo de fumo", "vai fazer essas previsões na senzala" e "o tempo está preto hoje" foram apenas alguns dos comentários absurdos e maldosos que puderam ser registrados no Facebook, muitos já apagados. O alvo de todos eles era a 'garota do tempo' do JN.
O escritor e jornalista Fernando Morais questionou Kamel, pela rede social, depois da polêmica. "O autor do livro abaixo é o jornalista ali kamel, diretor-geral de jornalismo da tv globo, onde trabalha a também jornalista maria julia, que vem sendo vítima de agressões racistas... na página do jornal nacional na internet. afinal, somos ou não somos racistas, ali kamel?".
Lançado em 2006, no auge da discussão sobre cotas raciais em universidades públicas brasileiras, o livro defende a tese de que não somos racistas, mas que se colocássemos em prática o sistema de cotas, poderíamos nos tornar. O texto foi bastante criticado, principalmente por não usar informações de pesquisas e análises, mas apenas uma visão pessoal do jornalista e sociólogo.
A relação do episódio com o livro não veio só de Morais. Vários internautas lembraram da publicação ao escrever mensagens em solidariedade à jornalista. "Cadê o chefão global da Maju, Ali Kamel, pra relançar o livro 'Não Somos Racistas'?", perguntou @dukechargista. "Aliás... o @realwbonner bem que podia entrevistar o Ali Kamel, seu chefe, e perguntar ao vivo: somos ou não um país, racista?!", postou @edugoldenberg.
"Será q o Ali Kamel vai aderir à campanha #SomosTodosMajuCoutinho? Alguém avisa a ele para tirar o livro 'Não somos racistas' de circulação", provocou @Esquerdosa. A conta do PT na Câmara no Twitter publicou: "Diretor de jornalismo da Globo, Ali Kamel, escreveu livro 'Não somos racistas'. Ataque à jornalista do JN o desmente".
O movimento de apoio a 'Maju', como é conhecida, foi intenso. Primeiro do próprio Jornal Nacional, que divulgou um vídeo com uma mensagem de William Bonner, Renata Vasconcelos e a equipe do programa, também de outros jornalistas, como da revista Época, e incontáveis internautas que não se cansam de chamá-la de "talentosa" e "linda", em retribuição aos xingamentos.
"Isso é o que despertam os que movem ódios! Basta de racismo! E racismo é crime! ela nos orgulha pq é competente, profissional, mulher e é negra! Basta de racismo!", escreveu a deputada Maria do Rosário (PT-RS), ex-ministra dos Direitos Humanos. (Fonte: aqui).
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O assunto mereceu bom espaço na edição de ontem, 3, do JN, com um incisivo desagravo à jornalista Maria Júlia.