sexta-feira, 24 de outubro de 2014

ELEIÇÕES 2014: A PASSEATA DA CASHMERE


"(...) barões dos negócios e financistas não são conhecidos por tomar as ruas. No entanto, em 22 de outubro milhares deles (foram cerca de 10 mil, segundo os tucanos) acabaram no centro de São Paulo em apoio a Aécio Neves. (...) foi um espetáculo talvez sem precedentes na história das eleições, e não apenas do Brasil.

Vestidos com camisas com iniciais bordadas e bem passadas empunhavam bandeiras de Aécio. Socialites bem vestidas protegidas com pashminas para se proteger do frio fora de época entoavam frases anti-PT.

Todos tiravam selfies com iPhones caros (a maioria das manifestações brasileiras são assuntos para Samsungs mais baratos). A única coisa que faltou nessa 'Revolução da Cashmere' foram as taças de champagne - e o próprio senhor Aécio Neves, que estava em campanha em Minas Gerais.

Os revolucionários de cashmere não parecem incomodados (com o fato de a campanha de Dilma Rousseff afirmar que Aécio Neves é um representante da elite...). Eles estão fartos de intervencionismo de Dilma e muitos avaliam as políticas macroeconômicas como irresponsáveis e responsáveis por levar o Brasil para o baixo crescimento e a alta inflação. A maioria está desesperada para ver Dilma pelas costas."





(Da revista britânica The Economist, que acompanhou a mobilização de eleitores de Aécio Neves anteontem à noite na Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo, e classificou o movimento como a "Revolução da Cashmere" - em referência à lã macia usada em roupas que não costumam ser baratas. A publicação, registre-se, anunciou, em data anterior, apoio ao candidato, o que não a levou a silenciar sobre o inusitado ato.

Não há informações sobre se o pessoal da revista Veja compareceu à manifestação. Mas, mesmo em espírito, certamente ela estava lá).

DA SÉRIE FLAGRANTES DA CORRIDA ELEITORAL


Amorim.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

ELEIÇÕES 2014: SOBRE FACTOIDES, GOLPES E FRAUDES


Como se montam as fraudes eleitorais

Por Luis Nassif

Nas eleições para presidente dos Estados Unidos, em 1877, William Smith, um dos principais acionistas da Western Telegraph - dona da primeira agência de notícias do país, a Associated Press - juntou-se com o The New York Times para eleger o candidato republicano Rutherford Hayes.

No final da campanha, os institutos de pesquisa davam vitória ao democrata Samuel Tiden por 200 mil votos. Com o controle que detinha sobre as informações e com acesso às pesquisas, o editor do NY Times identificou dúvidas dos democratas em relação aos votos de uma parte do sul do país.
Montou-se um gigantesco esquema de fraude que garantiu a vitória a Hayes.

Em 1982, a Globo montou um sistema nacional de apuração usando como software a Proconsult. O sistema tinha um algoritmo que subtraia votos do MDB e repassava para a Arena. A intenção era desmobilizar a fiscalização do MDB para permitir a fraude na hora da apuração.

No Rio, Leonel Brizola percebeu e botou a boca no trombone - na época, ainda existia o trombone do Jornal do Brasil. No Rio Grande do Sul, Pedro Simon acreditou e desmobilizou a fiscalização. Perdeu as eleições, com os votos em branco sendo preenchidos em favor da Arena.

A fraude na era eletrônica
Vamos supor que estivesse em curso, no Brasil, alguma tentativa de fraudar as eleições. Como seria?
Teria que se valer de um quadro eleitoralmente equilibrado. Temos.

Na véspera da eleição, terias que ocorrer algum fato novo que "explicasse" eventual reviravolta do candidato da oposição. Poderia ser a indicação de um Joaquim Barbosa para Ministro da Fazenda? Alguma denúncia nova, sobre a qual se fizesse enorme alarido?

Depois, teria que ter o controle sobre pontos chave do sistema eletrônico.  A volatilidade dos votos, nessas eleições, encobriria eventuais golpes e as ondas captadas pelas pesquisas poderiam ser potencializadas nos lugares certos.

Obviamente estamos falando em tese, com uma visão nitidamente conspiratória.

Mas, digamos que em pontos chave dos desenvolvedores do sistema de votação existissem empresas no mínimo suspeitas. A matéria O histórico de favorecimento e irregularidades nas licitações das urnas eletrônicas  sobre as licitações no TSE mostra um quadro bastante confuso.

Ficaria mais confuso se se levantassem os novos controladores dessas empresas.

Uma das líderes é a Módulo, empresa tradicional que trabalha no segmento de segurança desde os anos 90.

Recentemente, ela foi adquirida por Sérgio Thompson Flores. Quem é ele?

Funcionário público de carreira, nos anos 90, ele foi beneficiado pelo BNDES de Fernando Henrique Cardoso com consultoria na área de privatização. Ganhou dinheiro e sede de sangue.

Depois disso, meteu-se em várias embrulhadas sempre buscando a bala de prata, a grande jogada. Jamais se contentou com o trabalho normal de fazer crescer sua empresa.

Aliou-se a Luiz Fernando Levy, da Gazeta Mercantil, e tentou um golpe para assumir a empresa. Depois, meteu-se em rolos com Tanure, que adquiriu a Mercantil. Mais tarde, passou a prestar serviços a Daniel Dantas, do Opportunity. Na auditoria realizada na Brasil Telecom, depois que saiu das mãos de Dantas, Thompson Flores aparece em inúmeras reuniões com Humberto Braz, o executivo operacional junto à mídia.

Quando começou a febre do etanol, montou um fundo de investimento sediado em Londres, captou dinheiro de incautos para um projeto amalucado de comprar usinas antigas em regiões economicamente inviáveis. Quebrou.

Depois disso, adquiriu a Módulo. Qual sua intenção? Desenvolvê-la sem balas de prata? Um empresário que passou a vida tentando a grande tacada tentando agora uma carreira convencional?

A segunda empresa-chave das apurações é um rolo interminável. É do mesmo grupo que controlava a empresa anterior, entrou em nome de parentes e, durante algum tempo, teve participação acionária de Wilson Nélio Brumer, atualmente caixa de campanha de Aécio Neves.

Pode ser coincidência, teoria conspiratória. Mas seria medida de prudência se a Abin e a Policia Federal colocassem seus técnicos para uma auditoria completa e um acompanhamento do sistema antes da apuração. (Fonte: aqui).

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Haveria 'n' formas de se tentar fraudar eleições, 'n' alternativas de se tentar evitar a derrota a qualquer custo. A revista Veja, por exemplo, estaria preparando um golpe desesperado de última hora: envolver a presidente Dilma e o ex-presidente Lula com o lamaçal da corrupção da Petrobras.

O site Muda Mais, AQUI, aborda essa nada edificante atitude da notória Editora Abril.

Outros sites, como Brasil 247, também se manifestam sobre o ato tresloucado de Veja: 

"A menos de 72 horas das eleições presidenciais, a revista Veja, da família Civita, antecipa sua edição, e publica uma capa que poderá entrar para a história do jornalismo brasileiro como um dos mais sórdidos golpes contra a democracia; a revista da Marginal Pinheiros publica trechos de mais um vazamento seletivo da delação premiada do doleiro Alberto Youssef; "O Planalto sabia de tudo!", teria dito Youssef; "Mas quem no Planalto?", perguntou o delegado;  "Lula e Dilma", respondeu o doleiro; só mesmo o desespero, após a reversão das pesquisas eleitorais, poderia justificar uma manobra golpista tão escancarada; baixaria sem limites." (AQUI).

No início da campanha eleitoral, um analista político observou que o que estaria por vir em termos de sujeira e apelação ultrapassaria tudo o que até então se registrara na história das campanhas eleitorais do Brasil. E então emitiu frase concisa e emblemática definidora do quadro futuro: "O jogo será rasteiro".

ELEIÇÕES 2014: ESPETACULAR: BRASIL 100% MOBILIZADO


Duke.

FRAGA E O BB


Do Sindicato dos Bancários do DF:

Ou Armínio Fraga desconhece o BB ou está escondendo o jogo

Em debate de cerca de 40 minutos promovido via teleconferência na sede da Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (Anabb) nesta segunda-feira (20), o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga demonstrou total desconhecimento sobre o papel do Banco do Brasil como agente de desenvolvimento econômico e social do país.

Tentando desfazer os estragos das declarações feitas ao Instituto Liberal no passado, quando afirmou que não saberia dizer o que sobraria dos bancos públicos num eventual governo tucano na presidência, Armínio abordou de forma genérica três pontos que vê como positivos na gestão do BB: competitividade, meritocracia e governança.

Ao longo de quase uma hora de debate, Armínio teve rompantes de desconhecimento que surpreenderam a todos, ao afirmar, por exemplo, que não sabia o número de funcionários, o de agências, carteira de crédito e o resultado do banco.

Outro ponto das declarações de Armínio que chamou a atenção foi quando perguntado sobre os bancos que desempenham um papel regional, como o Banco da Amazônia e Banco do Nordeste. “Não parei para pensar nisso”, disparou.

A íntegra do debate será disponibilizada no site da Anabb e reproduzida pelo Sindicato nesta terça-feira. (Fonte: aqui).

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Há quem ache, incluindo este escriba, que Fraga desconhece o BB e está escondendo o jogo.

O PAPA É UP


Tom Janssen. (Suécia).

ELEIÇÕES 2014: O SUCESSO PARCIAL DO CATASTROFISMO MIDIÁTICO


"Datafolha do otimismo" sugere derrota da mídia na cobertura econômica

Do Jornal GGN

A leitura da pesquisa Datafolha divulgada nesta quarta-feira (22) mostra que o brasileiro não engoliu o terrorismo midiático feito em torno da gestão econômica de Dilma Rousseff (PT) nos últimos anos. Essa é a avaliação do cientista político da UFRJ e coordenador do projeto Manchetômetro, João Feres Júnior.

Segundo o Datafolha, caiu de 50% para 31% o número de eleitores que acham que a inflação vai aumentar - patamar mais baixo registrado desde 2007. O número de crentes que o desemprego vai diminuir saltou de 23% para 31%, e aqueles que acham que a situação econômica do País vai melhorar após as eleições cresceu de 32% para 44%. Apenas 15% imaginam que vai piorar, independentemente do vencedor da disputa presidencial.

A Folha de S. Paulo usou os dados da nova pesquisa para justificar que a sensação positiva em torno da economia está diretamente relacionada à eleição. Trocando em miúdos: o eleitor de Dilma está otimista porque está confiante na reeleição da petista e na consequente melhora do setor. O eleitor de Aécio Neves (PSDB) é tão convicto quanto o eleitor de Dilma e também aposta que a economia ficará melhor com a possibilidade de vitória tucana.

Mas, segundo Feres Júnior, a explicação para o otimismo do brasileiro chama-se “horário eleitoral gratuito”. Em entrevista ao GGN, ele argumentou que a mídia tem feito, há anos, uma cobertura derrotista e quase uníssona da situação econômica durante o governo Dilma, e que somente a intervenção da propaganda petista pode justificar a mudança de pensamento do eleitorado.

Os dados do Manchetômetro ajudam a comprovar a tese do noticiário tendencioso. Desde 2013, o laboratório observou que o Jornal Nacional, O Globo, Estadão e Folha publicam um volume monstruoso de reportagens negativas sobre economia, passando para o seu leitor ou telespectador que vivemos uma crise à parte - embora o desemprego esteja em 5% e a inflação, dentro da banda da meta.

O expediente negativista não se alterou durante o período eleitoral. Desde que a campanha começou oficialmente, lá em meados de julho, 260 reportagens ruins para Dilma foram publicadas, ante 27 positivas e 64 neutras (dados atualizados em 21 de outubro de 2014).

           Economia na mídia, de julho para cá: a prevalência das abordagens negativas.

“Se você olhar ao redor do mundo, verá que os Estados Unidos estão em um ciclo de pouco crescimento e estagnação, a Europa está em crise, a China está desacelerando, e nós estamos relativamente bem. Mas o eleitorado estava submetido somente à informação da mídia, fora do período de campanha. É só notícia ruim; e mesmo quando é notícia boa, há sempre um recorte ruim. 'Caiu a taxa de desemprego, mas caiu menos do que no mês passado’, por exemplo. Na época da campanha, há mais informação no horário eleitoral de rádio e TV, e nos debates. Ou seja: a grande mídia perde o monopólio informativo. Isso mexe com o eleitorado. As pessoas começam a pensar na experiência pessoal”, apontou Feres Júnior. (Para continuar, clique aqui).

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Não obstante as ponderações acima, destaquei no título "o sucesso parcial do catastrofismo midiático". Por quê? Simples: sem esse meticuloso catastrofismo da mídia - anos e anos de pauladas diárias - a candidatura Dilma Rousseff teria percorrido caminho mais positivo do que o observado. E não foi só o ânimo do (e)leitor o alvo permanente da mídia; o foco foram também os empresários. Quantos planos de expansão de investimentos foram adiados ou até descartados em função do temor incutido nos empresários pelo noticiário? Um exemplo: empresários de norte a sul com certeza acreditaram no propalado "apagão elétrico" que iria conflagrar o País ('previsão' lançada por 'analistas' em muitos inícios de ano).

CARTUM DO PAREDÃO


Amorim.

CARTUM NONSENSE


Aytoslu. (Turquia).

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

ELEIÇÕES 2014: SILÊNCIO PESADO


Ao longo da campanha eleitoral, o Ibope acompanhou assiduamente o desempenho dos candidatos. No segundo turno, começou ensaiando dobradinha com o Datafolha. Foram duas rodadas de pesquisas. De repente, silêncio total. 

Enquanto isso, o Datafolha divulgou nesta data a quarta pesquisa do segundo turno, praticamente repetindo a anterior.

Voltamos então ao Ibope. Paulo Henrique Amorim especula - aqui -: A rede de agências de publicidade inglesa WPP, dona da Ogilvy, e um dos maiores conglomerados do mundo de agências de publicidade, comprou o Ibope, e não vai meter a mão nas cumbucas em que o Globope mete em período eleitoral. (Mensagem embutida: a WPP, ao contrário da Folha...).

Trata-se, claro, como dito, de especulação. Mas o fato é que a ausência do instituto numa hora como essa não pode deixar de causar estranheza.

ELEIÇÕES 2014: VENTANIA ELEITORAL


Santiago.

POLÍTICA EXTERNA: OS QUE QUEREM O BRASIL DE NOVO SEM SAPATOS


"O diplomata Celso Lafer, chanceler durante o governo Fernando Henrique Cardoso, teve seus minutos de fama em 2002. Diante de exigências das autoridades de segurança, ao chegar nos Estados Unidos em missão oficial, o ministro tucano tirou os sapatos. De meias, aceitou o ultraje colonial contra o pais que deveria representar com altivez.

Este episódio virou símbolo de uma época.

A política internacional brasileira funcionava como apêndice dos interesses norte-americanos, submetida à estratégia econômica do governo tucano.

A dinâmica do desenvolvimento não era determinada pela expansão do mercado interno, mas pela atração incondicional de capitais internacionais.

Privatizações e juros estratosféricos eram os principais elementos financeiros de sedução. Uma diplomacia submissa, sem sapatos, o instrumento político para conquistar o favorecimento das potências ocidentais.

O Brasil, naquela época, tinha como principal projeto a integração na Área de Livre Comércio das Américas, a ALCA. Proposto pela Casa Branca, esse bloco eliminaria todas as barreiras alfandegárias e extra-alfandegárias nos mercados ao sul do Rio Grande, com exceção de Cuba.

A indústria norte-americana, beneficiada pela capacidade tecnológica e o poderio financeiro, ganharia um novo mercado com 500 milhões de consumidores potenciais, além de acesso mais fácil a matérias-primas e mão-de-obra barata. As demais nações consolidariam um perfil extrativista e agroexportador.

Tal modelo, calcado no aprofundamento dos laços de dependência, era de interesse do agronegócio e do capital financeiro local. O primeiro grupo lucraria com a abertura comercial. O segundo, com a intermediação de negócios, o crédito ao consumo e o financiamento das trocas internacionais. Estas eram, e continuam sendo, as frações de classe mais vinculadas ao PSDB.

Alguns setores industriais conseguiriam sobreviver, mas o Brasil estaria condenado a perder sua cadeia produtiva, vítima da desnacionalização, com a exportação de empregos industriais para o norte do continente. Mesmo a agricultura de alimentos, menos competitiva que a de grãos, estaria sob perigo de sucumbir às grandes corporações.

Iniciativas regionais
Este processo foi bloqueado com a eleição de Hugo Chávez e Lula, logo seguida por novas vitórias progressistas na América Latina. A ALCA foi fulminada no novo cenário. Abriu-se espaço para uma outra estratégia de crescimento, na qual o Brasil tornou-se peça decisiva.

Talvez em nenhuma outra questão foi tão profunda a mudança conduzida pelas administrações petistas. O centro da política internacional passou a ser o esforço para a integração autônoma da América Latina, como espaço prioritário para a consolidação da própria economia brasileira.

Nos últimos doze anos, além da expansão do Mercosul, assistimos a criação da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) e da Comunidade dos Estados Latinoamericanos e Caribenhos (Celac). O comércio e o investimento dentro do bloco subcontinental cresceram fortemente, abrindo fronteiras para um caminho de desenvolvimento através do qual os países sulistas preservem e ampliem sua soberania industrial, alimentar e financeira.

As iniciativas regionais foram complementadas pela construção de pontes com a África e a Ásia, além do fortalecimento de relações com as demais nações emergentes.

A principal conquista dessa ofensiva foi a consolidação do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) como aliança geopolítica. A criação de um banco comum dessa coalizão, decidida na Cúpula de Fortaleza, em julho deste ano, pode ajudar a romper com a hegemonia das potências ocidentais sobre instituições financeiras que controlam o crédito mundial.

Ao longo dos últimos doze anos, o Brasil multiplicou por quatro suas exportações e quintuplicou seu intercâmbio comercial. Diversificou parceiros e encontrou novos mercados. Apesar das enormes dificuldades internacionais, começou a lenta transição entre o predomínio da venda de bens e serviços para a centralidade da exportação de capitais e tecnologia.

Os avanços não foram apenas econômicos ou regionais. O país vem desempenhando papel de relevo na luta pela superação do mundo unipolar que emergiu do colapso soviético.

Ganhou destaque o empenho pelo direito dos povos à autodeterminação, contra as guerras de agressão, pela democratização das instituições internacionais, contra o neocolonialismo e pela defesa ambiental.

Propósito restauracionista
Infelizmente este temário pouco foi discutido na atual campanha presidencial. Mas o PSDB não deixa dúvidas que gostaria de dar um cavalo de pau na política internacional estabelecida pelo PT.

Seu principal porta-voz para esta agenda, o diplomata Rubens Barbosa, tem deixado claros os fundamentos da orientação que gostaria de implantar. Vale a pena ler sua entrevista recente para o Opera Mundi.

Alegando defender “uma política externa pragmática, fugindo das ideologias”, o ex-embaixador brasileiro em Washington sustenta que o país não deve mais “ficar amarrado ao Mercosul”. A opção seria estabelecer unilateralmente acordos de livre-comércio com a União Europeia, o Japão e os Estados Unidos.

Também critica a relação dos governos petistas com Cuba e seu afastamento da abordagem norte-americana sobre direitos humanos, sempre funcional para deslegitimar processos nacionais que fogem do controle da Casa Branca e se chocam contra seus interesses.

A linguagem melíflua mal esconde o propósito restauracionista. A verdade é que o programa tucano representa alternativa antagônica ao curso seguido por Lula e Dilma em política internacional.

A eventual eleição de Aécio Neves teria fortes consequências regionais, provavelmente abalando o atual desenho geopolítico latino-americano e enfraquecendo o diálogo sul-sul. Não é à toa a torcida descarada e pró-tucano das elites financeiras internacionais e seus meios de comunicação.

Os centros imperialistas de poder não querem outra coisa: o Brasil, novamente sem sapatos, facilitaria enormemente a manutenção de sua hegemonia planetária."




(De Breno Altman, diretor editorial do site Opera Mundi. Post intitulado "Aécio deixaria Brasil sem sapatos" - aqui).

O QUE VAI PELAS REDES


Edra.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

A QUESTÃO DA ÁGUA EM SÃO PAULO


A uma semana do racionamento de água

Por Nabil Bonduki

Com quase nove meses de atraso, o governo Alckmin e a Sabesp não poderão mais fugir do racionamento de água em São Paulo. É inevitável: o governador está apenas esperando passar o 2º turno da eleição presidencial para tomar uma medida que deveria ter sido decretada em fevereiro deste ano, quando ficou evidente que não haveria água suficiente nos reservatórios para manter o atendimento normal à população paulistana e ainda havia tempo para prevenir uma situação que se configurava catastrófica.

Embora a presidente da Sabesp, Dilma Pena, tenha afirmado, em depoimento à CPI da Câmara Municipal, que foi técnica a decisão de não adotar o racionamento – ao contrário do que propunha relatórios da própria empresa, que recomendaram a medida em janeiro deste ano – o governador, de forma irresponsável, empurrou o problema com a barriga para, primeiro, garantir sua reeleição e, em seguida, não prejudicar a campanha de seu candidato a presidente.

As consequências desse verdadeiro “estelionato eleitoral” serão ainda muito mais graves para a população de São Paulo. Para manter o atendimento normal, o que não era mais possível frente à forte seca que estamos vivendo, o governo Alckmin resolveu estressar todos os recursos hídricos que abastecem a região metropolitana até secar os reservatórios, o que torna sua recuperação muito mais lenta e, portanto, prolongará a crise. E, ainda, promoveu cortes de água sem informar previamente à população, o que significa descumprimento da lei e do contrato de concessão entre o município e o estado.

Para além da forte estiagem que atinge o estado, a gravidade da crise da água é resultante de decisões conjunturais orientadas pelo quadro eleitoral e pelo modelo de gestão adotado pelo PSDB na área de saneamento, o que transformou a Sabesp em uma empresa cuja rentabilidade e dividendos cresce com o consumo de água, em especial no município de São Paulo, que contribui com 52% do faturamento total da empresa. Como a empresa vive da venda de água, ela nunca se empenhou verdadeiramente em promover o uso sustentável e racional desse recurso escasso. A cultura do desperdício foi estimulada, como se houvesse fartura.

Assim, desde 2010, a Sabesp retira do Cantareira mais do que é reposto. Em 2013, o nível do sistema baixou continuamente: em janeiro de 2013, estava com 52,3%; um ano depois estava com 22,2%. A falta de chuvas no verão de 2014 acendeu a luz vermelha: a água iria acabar!

Ao invés de planejar, com participação da sociedade, um racionamento socialmente justo e eficiente, e de informar previamente à população, para reduzir o consumo e se preparar para enfrentar as dificuldades futuras, Alckmin manteve uma gestão temerária dos recursos hídricos, objetivando não descontentar os eleitores.

Assim, gastou-se com normalidade a pouca água que se dispunha, deixando o problema estourar mais adiante, quando a eleição estivesse ganha. A única medida tomada para reduzir o consumo foi criar um bônus para dar descontos a quem economizasse mais de 20% do consumo histórico. Descartou-se o racionamento e a penalização para quem consumisse acima da média. O resultado foi irrisório: uma redução de consumo de apenas 5%. Chocante foi o fato de que, durante a crise, um em cada quatro “clientes” da Sabesp aumentou o consumo.

As demais medidas para manter o atendimento “normal” estão levando ao colapso os principais sistemas que abastecem a RMSP, em um efeito dominó. O Alto Tietê e o Guarapiranga passaram a atender regiões antes abastecidas pelo Cantareira, que teve sua vazão reduzida. Ainda assim, em maio de 2014, o nível do Cantareira atingiu 5% e o governo do Estado começou a retirar água do seu volume morto, que não deveria ser utilizado salvo em situações emergenciais; e em novembro, essa reserva estará esgotada. O Alto Tietê está abaixo de 10% de sua capacidade e o Guarapiranga – que não está afetado pela seca – atingiu 45,8%, tendo perdido 11,5% de sua capacidade nos últimos quarenta dias.

O governo irá utilizar o 2º volume morto do Cantareira. Não existe outra solução para garantir o abastecimento, a cada dia mais precário. É o fim do fim dos recursos hídricos da região. Por sorte, as eleições ocorrerão em uma semana e o governo poderá tomar as medidas que deveriam ter sido tomadas há nove meses.

Com essa gestão temerária, tudo indica que em 2015 a situação será ainda mais grave do em 2014. Com as represas vazias, mesmo que as chuvas de verão ocorram nos níveis históricos, a recuperação das represas será lenta e chegaremos ao início do período seco em situação muito pior do que estávamos no ano passado. Os índices de chuvas de setembro e outubro, no entanto, ficaram muito abaixo da média histórica, o que mostra que poderemos ter um verão mais seco do que o normal. Nesse caso, estaremos perto de uma tragédia sanitária e econômica, cuja responsabilidade será de Alckmin.

Desconhecendo os efeitos imprevisíveis das mudanças climáticas, o governo acreditou que a crise seria passageira. Para justificar, a presidente da Sabesp afirmou que outra seca como essa somente vai ocorrer, estatisticamente, daqui a 3378 anos! Não é o que estamos vendo. Foi com argumentos como esse e, sobretudo pensando em ganhar eleições iludindo a população, que o governo Alckmin “planejou” enfrentar a crise hídrica. E agora? (Fonte: aqui).

* Nabil Bonduki, arquiteto e urbanista, é professor titular de planejamento urbano no FAU-USP. É vereador, relator do Plano Diretor Estratégico e membro da CPI da Sabesp na Câmara Municipal de São Paulo. Foi Secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente.


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Os primeiros alertas sobre a necessidade de investimentos teriam surgido em relatórios emitidos em 2004. Para se ter uma ideia da situação, algo em torno de 40% da água são desperdiçados em vazamentos na rede de abastecimento. A ampliação da capacidade de armazenamento de água também é providência reiteradamente reclamada - e nada. Agora, o que se vê é uma gravíssima ameaça à população de São Paulo e do Brasil, uma vez que as repercussões no campo econômico se farão sentir. Em visita ao Brasil, funcionária da ONU atribuiu à má gestão estadual o agravamento da realidade. Como diz o articulista: E agora?

CARTUM DE CLAYTON


Clayton.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

ELEIÇÕES 2014: ASSIM FALOU ZECA BALEIRO


"O direito à oposição e o anseio pela alternância de poder são pressupostos básicos de um estado democrático. Desejar e acalentar o sonho de mudanças também é uma natural aspiração de todo cidadão.

Acho o governo Dilma criticável, como todo governo o é. Acho o PT criticável também, como todos os partidos o são. Como todo brasileiro, anseio por mudanças que urgem, embora reconheça que há mudanças políticas em curso neste governo que são louváveis. De qualquer modo, embora Dilma tenha seus pontos vulneráveis, não vejo adversário digno de sucedê-la. Mudar por mudar não me parece conveniente. Um dos argumentos mais usados pelos detratores da atual presidente e seu partido é o de que “estão há muito tempo no poder”. Esquecem que os tucanos há 20 anos ocupam o trono do governo de São Paulo (e há tempos vêm cometendo pecados sem perdão como o desmando irresponsável que gerou a crise de abastecimento de água no estado), isso sem falar nas oligarquias do Maranhão, há 48 anos roendo o osso do poder, e a de Alagoas, há outros tantos anos se perpetuando na política local (e estes casos nem devem ser levados em conta, pois, além de antidemocráticos, são imorais).

Um governo comprometido socialmente deve dirigir o olhar primeiramente aos desfavorecidos, aos excluídos do jogo social, isso é óbvio. Este governo que aí está fez isso. E o que não faltam no Brasil são pessoas vivendo em quadro de pobreza extrema, privadas dos direitos básicos de cidadão, massa de manobra barata para oligarcas usurpadores. Quando o buraco é muito fundo – e o fosso social no Brasil é pra lá de fundo -, não há como não ser assistencialista, infelizmente. Uma das frases feitas que mais me indignam neste pobre debate político (debate entre aspas) é a máxima hipócrita de que “é melhor ensinar a pescar do que dar o peixe”. Ora, como ensinar a pescar um sujeito devastado pela fome e pela doença?

Outro argumento usado à exaustão é o da corrupção, e não podemos nos enganar - todos os partidos, quando ocupam o poder, caem em tentação, para nossa desgraça. A diferença básica neste Fla-Flu de corruptos é que os do PSDB seguem impunes, os do PT nem tanto. Só a punição exemplar desses bandidos somada à vigilância social mais ferrenha poderá fazer banir esta "cultura da corrupção" que hoje impera no país, ou ao menos reduzir os seus índices.

Não sou petista nem sou apegado a partidos ou candidatos. Voto com independência. No primeiro turno, meu voto foi dividido entre candidatos do PSOL, do PSB e do PT. Isto me parece coerente. Se nos próximos anos aparecer uma grande e confiável liderança política de outro partido, não hesitarei em mudar meu voto, desde que seu projeto tenha viés socialista, único projeto político que penso ser viável no mundo de hoje. Isto também me parece coerente.

O que não me parece coerente é ver a ex-candidata Marina Silva, arauta da “nova política”, anunciando seu apoio à candidatura Aécio Neves. Todos sabemos que a sua trajetória de luta contra os barões malfeitores do Acre a aproxima ideologicamente mais do PT, e não foi à toa que ela assumiu a pasta do Meio-Ambiente no governo Lula. Isto que ela agora faz é velha politicagem, jamais nova política. Sabemos para onde miram os políticos do PSDB, e no que vai resultar um novo governo tucano (e faço questão de afirmar o mesmo repúdio às alianças eleitoreiras do PT com velhos caciques paroquiais como Sarney, Collor e Calheiros).

Se a intenção de parte do eleitorado era destronar o PT e Dilma a qualquer custo, então que votasse num partido mais à esquerda (sim, eles existem) e não num partido que reza na cartilha do datado neoliberalismo que levou à convulsão social e ao desemprego massivo países europeus sólidos como França e Espanha, e que quase levou o Brasil à bancarrota, na era FHC. Este, por sua vez, sociólogo pós-graduado na Universidade de Paris, tem como hobby disparar frases infelizes, como a recente declaração preconceituosa e separatista sobre os nordestinos e seu voto, segundo ele, catequizado.Com todo o respeito que possa merecer, o ex-presidente está na Idade Média da Sociologia.Avançamos muito nos últimos anos em termos de “pensamento social”. Não há porque retroceder.

Votarei em Dilma e, caso ela seja eleita, terá em mim um crítico implacável de seu governo. É assim que entendo o que chamam de democracia. O resto é balela.

P.S.: Peço aos internautas que queiram comentar, criticar ou divergir do meu texto, que o façam civilizadamente, com argumentos embasados, não com ofensas ou baixarias. De baixo, já basta o nível do debate dos nossos candidatos na corrida eleitoral."



(De Zeca Baleiro, cantor e compositor, em 17.10.2014. "Um Voto Crítico, Mas Convicto" - aqui.
Falou e disse).

ÁGUA NIHIL


Hamza Akin. (Turquia).

ELEIÇÕES 2014: SOBRE A SECA PAULISTA


Um eleitor alkmista poderia muito bem pensar: fui ludibriado. Por que só agora, depois da reeleição consumada, se revela o caos da água em sua plena extensão? Não adianta acionar o desculpômetro, ou atribuir o ônus a outrem: a responsabilidade sobre o assunto é do Estado. Qual o montante distribuído aos acionistas em Nova York a título de dividendos? Dos lucros da Sabesp, quanto foi aprovisionado para investimentos em obras capazes de evitar o problema da escassez de água? Se há anos se antevia a situação hoje observada, por que o governo do Estado cruzou os braços?

Em paralelo: Se o governo federal não tivesse providenciado a interligação da malha elétrica nacional, como estariam hoje as regiões do País em que se verifica carência de água nos reservatórios hidrelétricos locais? Inexorável apagão.

O que se fez em São Paulo relativamente à água é lamentável, para dizer o mínimo.

ÁGUA QUE NÃO VEM - OU A INAUGURAÇÃO


Miroslav Bartak. (República Checa).

ELEIÇÕES 2014: MUDANÇAS NO DATAFOLHA (E ALGO SOBRE A ISTOÉ/SENSUS)


Pesquisa Datafolha divulgada há pouco mostrou pela primeira vez Dilma Rousseff na frente, no segundo turno. Dilma aparece com 52% dos votos válidos - 3 pontos a mais que na última pesquisa - contra 48% de Aécio - 3 pontos a menos.

Embora a diferença seja de 4 pontos, é considerada no limite do empate técnico - já que a margem de erro de 2 pontos é contada para cada candidato. Tecnicamente, tanto a disputa pode ser considerada empatada, como - no limite superior - Dilma poderá estar com 54% dos votos válidos contra 46% de seu adversário.

Em relação à convicção dos eleitores, 45% dão certeza do voto em Dilma contra 41% dos que votarão em Aécio. No item rejeição, pela primeira vez Aécio passou Dilma: 40% de rejeição contra 39% de Dilma. (Fonte: aqui).

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Explicado o motivo por que (ao contrário do ocorrido na semana anterior) a pesquisa IstoÉ/Sensus - dando 12% de dianteira para Aécio Neves! - foi divulgada antes do fechamento do pregão Ibovespa da sexta-feira passada: é que tomaram conhecimento de que a pesquisa Datafolha seria divulgada hoje, e não terça-feira, como 'de praxe'. Aparentemente, era a forma de faturar, mais uma vez, uma boa grana. Pelo visto, deu certo. 
Que a Comissão de Valores Mobiliários adote as providências que se impuserem.
Quanto aos números acima: reflexo, quem sabe, do bom e elucidativo desempenho da presidente no debate da Record. 

ELEIÇÕES 2014: CAPRICHANDO NOS PESOS E MEDIDAS


"Legal que FHC tem direito de resposta automático e sempre garantido.

Já o pessoal do PT precisa entrar na justiça, e mesmo quando ganha, não leva, pois a mídia tem o Gilmar Mendes para ajudá-los com uma decisãozinha monocrática básica."



(Comentário de Jorge Luis, leitor do Jornal GGN, aqui, a propósito do fato de o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso haver obtido da Folha de São Paulo a publicação "instantânea" de carta em que tenta rebater um artigo de Elio Gaspari, publicado após a presidente Dilma Rousseff passar a martelar que sua administração não interfere em investigações ou empurra sujeira para baixo do tapete, ao contrário do que se observava no governo FHC, em que a sociedade conheceu a figura do "engavetador-geral da República". A presidente tem indagado, em debates e propagandas eleitorais, sobre o paradeiro dos suspeitos de corrupção dos governos do PSDB, para em seguida afirmar que estão "todos soltos".

FHC tenta esclarecer cada um dos cinco escândalos elencados pela presidente, os mesmos que Gaspari explicitara em seu artigo. Sobre a compra de votos para aprovação da emenda constitucional da reeleição, os argumentos do ex-presidente são facilmente desmontados pelo relato do jornalista Fernando Rodrigues - aqui. Quanto ao escândalo do cartel do metrô de São Paulo, FHC se apressa em dizer que "não houve cartel". Distraído, esqueceu o que falou sobre o assunto - aqui - o  ex-governador José Serra, uma das 45 pessoas que estão sendo ouvidas pela polícia por suspeita da prática de malfeitos relativos a licitações em sucessivos governos do PSDB. Etc, etc.

Parece o caso de filosofar, como um antigo e folclórico personagem piauiense: Às vezes, em lugar de mandar carta, é preferível dar o calado como resposta...).

ELEIÇÕES 2014: TSE PROÍBE ALUSÃO AO AEROPORTO DE CLÁUDIO, MG

           "Torre para aeronave... aqui num pode pousá, num pode filmá, e num pode comentá!"

Aroeira.

ELEIÇÕES 2014: RECORD, UM SÓBRIO DEBATE


Sobre o debate na Record: enquanto setores da mídia destacam que "tédio sobressai" (em razão da ausência de perguntas de jornalistas), o debate me pareceu elucidativo, e logo mais saberemos a sua repercussão.

Aécio Neves, político de carreira, tem traquejo verbal, credencial que não foi bastante para suplantar a performance da presidente. Dilma Rousseff me pareceu segura e objetiva ao falar sobre temas diversos, como corrupção (aliás, leia aqui post incisivo de Eduardo Guimarães), a vertente mais explorada por seu oponente (que, por sinal, não está muito bem na foto tirada pelo analista Ricardo Melo, da Folha de São Paulo).

Enquanto Aécio exibia habilidade em fazer diagnóstico e 'pinçar defeitos' nas realizações de Dilma, a presidente tinha 'café no bule': obras e iniciativas Brasil afora. Quem estava em ponto qualquer do Brasil poderia muito bem concluir: "É, aqui na minha terra tem reflexo positivo da administração da Dilma". Isso pesa.

Ao final, como sempre, os 'onipresentes' aplausos entusiásticos da seleta plateia, louvando, claro, Aécio, o preferido de 74% dos eleitores de alta renda. O que, apresso-me em frisar, é perfeitamente democrático.

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Dicas de leitura:


.Dilma vence debate na Record..., por Renato Rovai - aqui.


.Aécio, na Record: "Sou absolutamente fiel aos trabalhadores", por Luiz Carlos Azenha - aqui.


.Arrogância de Aécio no debate da Record, por Rodrigo Vianna - aqui.


.Dilma acertou o tom, por Fernando Brito - aqui.

PAPA FRANCISCO COMBATE A HOMOFOBIA


Steve Sack.

domingo, 19 de outubro de 2014

ELEIÇÕES 2014: O QUE ESTÁ EM JOGO É A REDUÇÃO DA POBREZA


A guerra é contra a redução da desigualdade

Por Weden, no Jornal GGN

Quando Getúlio Vargas, em maio de 1954, anunciou o aumento de 100% no salário mínimo, estava dando, sem perceber, o início à sua via crucis. Houve forte oposição midiática, partidária e de setores de empresariado, em consonância com a insatisfação da minúscula classe média da época, além de militares de alta patente (lembrar do Memorial dos Coronéis). Rapidamente, do "descalabro financeiro" que a medida "certamente representaria" até o "mar de lamas da corrupção" a retórica anti-getulista só precisaria de um pequeno salto. Três meses foram o suficiente para levá-lo ao suicídio.

Lição da história: a discussão moralista sobre o "mar de lamas" atribuída ao PT pela mídia e oposição - como se fosse maior que em outros períodos - é só a cortina de fumaça para o problema real que hoje mobiliza, principalmente, as classes A e B contra Dilma: ninguém nestes estratos sociais aguenta mais o processo de desconcentração de renda, iniciada com Lula (ver ao lado a diferença impressionante entre os índices de intenção de votos num e noutro candidato nestes segmentos).

Aumento do salário mínimo acima do crescimento do PIB, ganhos reais das classes mais baixas, profissionalização das empregadas domésticas, ascensão de grupos sociais das classes E para D e D para a C, políticas de transferência de renda, cotas para universidades, tudo isso produz um profundo incômodo nas classes A, B e, não podemos esquecer, a C tradicional.

Mais carros nas ruas significa que pobres desceram dos ônibus, atrapalhando o trânsito. Mais gente nos restaurantes significa que "terei" que procurar os mais caros - o mesmo nas escolas privadas. Em que momento da história vimos as classes A e B preocupadas com a saúde no país? Nunca. Até que uma "cambada" começou a adquirir planos e obrigou aqueles poucos usuários a migrar para planos mais caros.

A guerra atual é econômica. Encontrar o porteiro em Nova York realmente, como diria Danuza Leão, é insuportável.

Por isso cai como uma luva o pronunciamento de Armínio Fraga, afirmando que o salário mínimo está muito alto. É bem diferente ter que pagar R$ 750, ainda que míseros, para uma empregada doméstica fora os encargos, ou poder remunerar, como disse Delfim Neto, este "animal doméstico" com uns R$300 ou menos, que foi o SM que Fraga deixou quando saiu do governo em 2002.

Ora, um salário de 300 para uma jornada diária de 8 horas, e ainda quem sabe poder dormir no trabalho - naquele nojento "quartinho de empregada" - significa direito a mucamas, herdeiras da escravidão. Não ter este "direito" é demais para as classes mais abastadas. Ainda mais quando se sabe que ser abastado no Brasil é ganhar mais de 4 ou 5 mil reais.

Numa sociedade que atravessou o século com heranças escravagistas (basta ver quanto usineiros pagavam aos seus lavradores, antes da regulamentação do trabalho rural, ou como a mídia conservadora esperneou quando a Previdência passou, no governo Lula, a garantir a aposentadoria para camponeses), a ideia de uma sociedade mais igualitária ou, para ser mais preciso, menos "diferenciada" economicamente é um acinte.

A subida do salário mínimo referencia vários serviços: cabeleireiras podem cobrar mais - que abusadas - o pedreiro passa a querer "um absurdo", o condomínio ficou mais caro, porque o salário do porteiro está "pela hora da morte", e o motorista ousa me deixar na mão porque conseguiu coisa melhor: "Imagina, virou taxista e autônomo!". Tudo isso é insuportável para um país acostumado à transferência de renda às avessas.

Isso porque esta nação teve o desplante de saltar do vergonhoso penúltimo lugar entre os mais desiguais, à época de FHC, para a posição atual de 17o. em desigualdade - em 170 nações do mundo. É o fim dos tempos!

Há hoje 153 em melhores condições de igualdade (o tal índice Gini). Portanto, continuamos nos envergonhando. Mesmo assim, o governo petista que se cuide, se, reeleito, conseguir reduzir ainda mais a desigualdade... O ódio de classe tende a se elevar a níveis quase nazistas nos próximos anos.

Pois a guerra é eminentemente econômica. As classes A e B e a C tradicional (principalmente na faixa intermediária) querem aquele mundo de volta. Assim que retiradas todas estas conquistas, o pais voltaria à sua calmaria habitual. Uma calmaria de cada um em seu lugar. Uma calmaria covarde, mantida muitas vezes sob punhos fortes. Se necessário, a gente chama a PM para conter os rebeldes. Ou quem sabe reduz a idade penal, para trancafiá-los desde novos.

As velhas classes médias tinham orgulho da desigualdade. Afinal, a pobreza material do outro escondia, como um maquiador profissional, a própria pobreza moral de uma elite que parece ter, mesmo sem ter vivido, saudade da escravidão.

Em tempo: O complexo de vira-latas tem mesma idade da "Abolição". Ao ver aqueles pretos libertos "vadios" nas ruas, não se aguentava. Já não bastava o calor? "Que Paris é esta meu deus?". Coincidentemente, ou não, é o mesmo complexo que vem servindo para a atual revolta das elites.  (Fonte: aqui).

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A questão levantada é importante, mas não única. À redução das desigualdades aliam-se, entre outros: alinhamento diplomático e comercial do Brasil - BRICS, Mercosul... -; influência geopolítica da China no Cone Sul; Petrobras, enquanto empresa estatal e 'titular' do Pré-Sal... Há muita coisa no olho do furacão, muita coisa.

ELEIÇÕES 2014: QUANDO OS MUITO VIVOS IMPÕEM O JOGO


Petrobras: O juiz Sérgio Moro e sua estratégia de vazamento de depoimentos

Por Luis Nassif

Primeiro, a marcação do depoimento dos acusados em pleno início do segundo turno, para que, sem o segredo de justiça, trechos selecionados pudessem ser aproveitados para o jogo eleitoral.

Houve uma indignação geral contra o jogo do juiz Sérgio Moro e dos procuradores, por parte das redes sociais, de instituições nacionais e de operadores do direito. Para não dar margem a nenhuma dúvida sobre a partidarização do julgamento, Gilmar Mendes, o verdugo dos juizes justiceiros, o garantista dos seus, o homem que jogou o peso do STF contra o juiz De Sanctis, veio a público dar pleno apoio a Moro.

Os vazamentos pararam por alguns dias e voltaram contra o “outro lado”. Num assomo de isenção, liberou-se a parte do depoimento de Costa que implicava, dentre tantos muito vivos, um dirigente tucano morto e, nessa condição, fora do alcance do instituto do foro privilegiado, que tiraria o inquérito das mãos de Moro.

Dentro da estratégia atual, de emular todas as barbaridades das campanhas tucanas, o PT engoliu a isca, aprovou o método condenável - contra quem quer que fosse - e repercutiu o vazamento, tão irresponsável quanto os anteriores. E, com isso deu o aval de credibilidade aos vazamentos, como bem lembrou Aécio Neves no debate, liberando os vazadores para prosseguir na sua estratégia inicial.

Como não tem mais nenhum dirigente tucano muito morto, os próximos dias serão dedicados à retomada de vazamentos contra dirigentes petistas não muito vivos. (Fonte: aqui).

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Post deste blog, publicado no dia 17 (aqui):

Paulo Roberto Costa, o corrupto confesso ex-diretor da Petrobras, afirmou em depoimento haver pago propina, em 2009, ao falecido (em março deste ano) senador Sérgio Guerra, então presidente nacional do PSDB. Segundo o corrupto Costa, o pagamento visou a "esvaziar uma Comissão Parlamentar de Inquérito criada para investigar a Petrobras em 2009" - conforme relata o UOL, aqui.

O que isso significa? Nada. O corrupto não apresentou prova(s). Simples palavras não podem ser consideradas sentenças judiciais irrecorríveis, e muito menos palavras proferidas por corrupto confesso obcecado por uma premiação judicial (...). 


Isso é válido - ou ao menos deveria ser - para todos os acusados de corrupção em circunstâncias como a acima exposta. Regra geral: Corrupto deve ser exemplarmente punido, após provada a corrupção. 

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EM TEMPO: 

Desde o primeiro turno, o candidato Aécio Neves vinha tratando as denúncias do corrupto Costa como sentenças irrecorríveis, com o beneplácito do Tribunal Superior Eleitoral.

Agora, o TSE resolveu impedir até mesmo a exibição (pela equipe da presidente, é óbvio) de notícias publicadas na imprensa há anos, pouco ligando se está ou não infringindo a Constituição Federal no que tange à liberdade de expressão.

Curiosamente, isso acontece justamente no momento em que a taxa de rejeição a Aécio se apresenta ascendente, fenômeno atribuído à divulgação de dados sobre a atuação do candidato quando governador de Minas...

Jânio de Freitas abordou o assunto com muita propriedade, na coluna intitulada CENSURA - aqui.

TRISTE PAISAGEM


Mohammad Ali Khalaji.

O PRÉ-SAL NA MIRA


Petroleiras americanas apoiam Aécio Neves, que promete mudar a Lei de Partilha: artigo publicado no site Bloomberg, traduzido por Isabel Monteiro, ressalta o óbvio: a torcida das petroleiras americanas (entre outras, claro) no sentido de que a Lei de Partilha (Lei 12.351/2010), que assegura ao Brasil ganhos justos relativamente ao Pré-Sal, venha a ser extinta.

Trechos:

"Neves (...) contratou um consultor da indústria e um funcionário envolvido nas  privatizações na década de 1990 para  redigir o seu programa de energia". (Na verdade é uma funcionária, como se verá abaixo);

."'Se Neves ganhar, ele vai abrir aos investidores estrangeiros', disse Robbert van Batenburg, diretor de estratégia de mercado na corretora Newedge EUA LLC, em entrevista por telefone de Nova Iorque. 'Essas restrições às importações e barreiras comerciais não nos ajudam. Se ele ganhar, ele vai reverter todas as restrições'". (Nota deste blog: Além do Regime de Partilha, o Brasil impôs a participação majoritária da indústria nacional em parte ponderável da produção/aquisição de equipamentos para exploração em águas profundas);

."Neves (...) se comprometeu a fazer mais leilões de direitos de exploração. Ele também está pensando em mudar a legislação que obriga a Petrobras (...)  a manter um mínimo de 30 por cento em todos os projetos na região chamada de pré-sal."

."Elena Landau, que aconselha Neves em matéria de energia, disse... 'Quando você tem a Petrobras como operadora única, você está limitando a capacidade' (...). (Elena Landau) foi apelidada de 'Dama de Ferro das Privatizações' pela imprensa brasileira depois de seu envolvimento nas privatizações de empresas públicas durante a década de 1990 no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. (...). 'As empresas estrangeiras não são muito valorizados por este governo, como se elas fossem irrelevantes', disse ela"

."A legislação resultante (após medidas adotadas no governo Lula) foi algo nunca antes visto na indústria. As empresas petrolíferas são livres para formar consórcios e lances contra a Petrobras. Se eles vencerem, eles precisam convidar o ex-rival para se juntar ao grupo, com uma participação de 30 por cento, e conceder-lhe o controle sobre as decisões do dia-a-dia.  Nenhuma empresa entrou no leilão contra a Petrobras, quando o Brasil colocou o modelo à prova. Ela leiloou os direitos para produzir a (o campo de) Libra, um campo com valor equivalente às atuais reservas provadas brasileiras, e apenas um grupo liderado pela Petrobras colocou uma oferta. 'O Monopólio do produtor estatal sobre o pré-sal precisa ser revisto', (disse) Adriano Pires, o consultor e co-autor do plano de Petróleo de Aécio Neves".  (Aqui).

Não será surpresa se grande parte da escandalização em torno da Petrobras tiver a ver com setores interessados em abocanhar não só o Pré-Sal, mas a própria estatal.

Adendo: Mas quanto a ter havido corrupção, não se discute, a começar pelo fato de o ex-diretor Costa ser corrupto confesso. E corrupção, sabemos, pode prejudicar, e muito, a imagem de qualquer pessoa, física ou jurídica. A atenuante, no caso, é que a corrupção está sendo investigada/apurada e poderá resultar num exemplar e monumental conjunto de punições, alcançando, além das pessoas físicas envolvidas, os dirigentes de empresas corruptoras e elas próprias, ou seja: agentes passivos e ativos, após comprovados os atos ilícitos, responderão por seus malfeitos, acontecimento inédito na história do  Brasil. 

DA SÉRIE CLÁSSICOS DA SÉTIMA ARTE


Sabotador

Por Marden Machado

Alfred Hitchcock já morava nos Estados Unidos havia três anos. Sabotador é seu quinto filme americano. Mais uma vez o mote recorrente do diretor se faz presente. Hitch adorava colocar um homem comum em uma situação incomum. A partir de uma ideia do cineasta, o roteiro foi escrito por Peter Viertel, Joan Harrison e pela escritora Dorothy Parker. A história é bem simples. Durante a Segunda Guerra Mundial, Barry (Robert Cummings), que trabalha em uma fábrica de aviões, testemunha uma sabotagem feita por um espião nazista. Para sua surpresa, ele é acusado do crime e, para provar sua inocência, precisa fugir e caçar o verdadeiro culpado. Hitchcock transforma uma história mediana em um suspense de primeira. Todos os elementos marcantes da narrativa hitchcockiana, que começaram a ser desenvolvidos em sua fase inglesa, ganham aqui uma espécie de "aprimoramento". Estas características evoluiriam ainda mais nos filmes feitos na sequência. Sabotador mantém nossa atenção continuamente, seja por suas reviravoltas inesperadas, seja pela intensidade do suspense provocado pela trama. (Fonte: aqui).

SABOTADOR (Saboteur - EUA 1942). Direção: Alfred Hitchcock. Elenco:  Robert Cummings, Priscilla Lane, Norman Lloyd, Otto Kruger, Alan Baxter, Alma Kruger, Dorothy Peterson e Clem Bevans. Duração: 116 minutos. Distribuição: Universal.

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Legítimo Hitchcock.

REDES SOCIAIS: PRÁTICAS E USOS


Julio.

sábado, 18 de outubro de 2014

A MÍDIA E A PACIFICAÇÃO NACIONAL


A grande pacificação nacional

Por Artur L - no Jornal GGN

Lembro quando na primeira eleição de Dilma, pouco após sua posse, a presidente foi ao aniversário da Folha de São Paulo, a uma entrevista no JN e ao programa de Ana Maria Braga, num gesto de paz aos grandes grupos de mídia, sinalizando que não havia guardado mágoas em relação ao jogo baixo praticado contra ela por essas organizações. Na ocasião, creio que você escreveu um artigo elogiando o movimento de Dilma e tratando-o como sábio e estratégico justamente por se tratar de um esforço para desarmar os espíritos incendiados pela guerra eleitoral.

À época, cá com meus botões, familiares e conhecidos, discordei da sua opinião por entender que a tensão se dava não por duas pessoas puxando uma mesma corda em sentidos opostos, mas por uma estar simplesmente segurando a corda enquanto que a outra sim, a está puxando fortemente. Ou seja, o país não estava, como não está, a meu ver, rachado por um ódio mútuo, mas por um ódio unilateral, nutrido pela seiva diária da mídia, e que incomoda na prática a cada quatro anos. No interstício ele fica latente, podendo inclusive ser minorado consideravelmente por efeito da percepção a mudanças positivas reais que afetem seu meio direta ou mesmo indiretamente. Ilustro esse efeito positivo na diluição da implicância com as ações acertadas de Haddad em São Paulo, que em algum momento deverão se reverter numa aprovação consistente.

Como é a mídia que desperta, alimenta, dirige e potencializa o ódio antipetista, ou de classe, ou de região - que não teria a resposta que tem se não houvesse uma boa dose de egoísmo e de orgulho ferido com o status abalado pela chegada de novos participantes num grupo antes exclusivo, das pessoas com formação universitária, com casa e carro e que viajava ao exterior -, minha tese é a de que a grande pacificação nacional começa e termina na mídia, passando no meio do caminho pela reforma eleitoral (leia-se financiamento público de campanha e voto não-distrital, o resto é menos importante) e pelo papel do Ministério Público.

Ressalto que se no lugar dessa mídia rasteira e mesquinha tivéssemos jornalismo real, nobre, que quer o bem do país e do seu povo, não nutrindo rancores, mas unindo e promovendo a compreensão, a diversidade e a inclusão, esse egoísmo e orgulho ferido ficariam eternamente num estágio embrionário, inofensivo, restrito a rápidos pensamentos que mal chegam a virar comentários no táxi ou na barbearia.

Seria desejável utilizar as eleições para um debate elevado, nobre, que ajudasse a pacificar o país, mas para isso precisar-se-ia combinar com os russos. Apenas a reforma econômica da mídia - regulamentando a Constituição e implementando seu espírito de forma efetiva no mercado de informação, juntamente com a criação e utilização de uma lei ágil, prática, justa e acessível de direito de resposta - conseguiria desarmar essa bomba quadrienal.

Registro também o papel tímido e muitas vezes omisso dos Ministérios Públicos estaduais e federal, no que tange às demonstrações de preconceito contra os nordestinos e os pobres, inclusive alimentadas continuamente pela mídia através de suas novelas, seus programas de rádio e de auditório, e suas reportagens sempre criadoras de estereótipos reducionistas e alienantes.

Espero ter contribuído com o debate. (Fonte: aqui).

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O texto acima e muitos dos comentários a ele, expostos na 'fonte', são interessantes. 

De fato, a Constituição Federal, em seu artigo 220, § 5º, proíbe taxativamente a formação, direta ou indireta, de monopólios ou oligopólios de comunicação. Para produzir efeitos práticos, porém, o dispositivo precisa ser regulamentado, providência a cargo do Congresso Nacional. O problema é: como alcançar a regulamentação, num Congresso tão fragmentado e amplamente dominado por forças conservadoras?

EBOLA PRESS


Steve Sack.

HORÁRIO ELEITORAL GRATUITO, VÍRGULA


"Quando dos preparativos para conseguir a aprovação de uma Emenda Constitucional que tornasse possível sua reeleição (nem a ditadura militar ousou mexer na proibição Constitucional de reeleição para cargos majoritários), FHC tinha dois problemas: conseguir número suficiente de parlamentares para aprová-la; e conseguir o apoio ou pelo menos a neutralidade da mídia, para enfiar a medida goela abaixo da população.

Os primeiros o grupo de FHC pagou à vista, comprando uma certa quantidade deles no atacado, a R$200 mil por cabeça. Já para as emissoras de rádio e TV:

Quando, em 1997, a reforma eleitoral que instituiu a reeleição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) foi aprovada, incluíram a “compensação fiscal”, após forte lobby da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert).
O valor do desconto nos impostos varia de emissora para emissora de acordo com o seu lucro [imagine o quanto a Globo leva ai], numa lógica em que, quanto maior o faturamento, mais desconto ela terá.
Somente de 2004 para cá, a reeleição de FHC custou aos brasileiros R$ 4,3 bilhões.

Emissoras de televisão e rádio privadas deixaram de pagar — entre 2004 e 2013, período analisado pelo DIA através de dados fornecidos pela Receita Federal — R$ 3,5 bilhões em impostos, com a desculpa de que o valor é um ressarcimento pelas transmissões de programas eleitorais. Somados aos R$ 839,5 milhões previstos para este ano pela Receita Federal, o Brasil terá aberto mão, ao fim de dez anos, de R$ 4,3 bilhões. A quantia é maior do que o PIB (total de riquezas produzidas) de 75 dos 92 municípios do Estado do Rio.
Os dados constam em relatórios divulgados no site do fisco, que não libera, no entanto, quanto cada emissora reteve de imposto. O órgão alega “sigilo fiscal”. Para o grupo Intervozes, que reúne especialistas e ativistas que militam pela democratização, liberdade e pluralidade nos veículos de comunicação, classificou como “escândalo” o valor da renúncia fiscal.
“O espectro pelo qual as empresas exploram rádio e TV pertence ao cidadão, que não deveria pagar para receber informações de interesse público, como as do programa eleitoral”, afirma Ana Mielke, porta-voz do coletivo, que faz parte do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação. [leia reportagem completa do jornal O Dia aqui]

Portanto, ao ouvir falar em horário eleitoral gratuito, proteste. Graças à emenda da reeleição de FHC são bilhões anualmente para emissoras de rádio e TV, noves fora todo o estrago que os mandatos do tucano fizeram ao país, especialmente com a privataria tucana.

E a gente ainda paga por isso.

E agora ainda querem voltar."



(De Antonio Mello, em seu blog, post intitulado "Graças a FHC, emissoras de rádio e TV recebem R$ 4,3 bilhões pelo horário eleitoral 'gratuito'" - aqui).

TERROR EBOLA


Manny Francisco.

ELEIÇÕES 2014: SOBRE INSTITUTOS, BOLSA E RENTISTAS


Na semana passada o instituto Sensus (Sensus/IstoÉ) tentou iludir o público com uma pesquisa fajutíssima atribuindo a Aécio Neves uma dianteira de mais de 17 pontos percentuais sobre Dilma Rousseff. Na segunda-feira, as ações da Petrobras e Banco do Brasil subiram astronomicamente, resultando em lucros polpudos para aplicadores diversos e mais polpudos ainda para os participantes do conluio, que certamente aplicaram quantias mais expressivas.

Na terça à noite, Ibope e Datafolha repuseram as coisas no lugar: empate técnico entre os candidatos. Mas a Sensus e seus parceiros já haviam colhido os saborosos frutos...

Ontem o tal instituto reincidiu na prática, com uma pitada adicional de esperteza:

"Uma onda de especulação eleitoral atingiu a Bovespa nos cinco minutos finais do pregão desta sexta-feira. A movimentação ocorreu devido à divulgação da pesquisa Sensus/IstoÉ ainda com o mercado aberto. Assim como na pesquisa da semana passada, o Sensus mostrou larga vantagem de Aécio Neves (PSDB) sobre Dilma Rousseff (PT), de 12,8 pontos percentuais. Porém, essa vantagem era ainda maior na pesquisa anterior, de 17,6 pontos.

A divulgação da pesquisa era aguardada para hoje, porém não é usual que os números saiam ainda com o mercado aberto, o que despertou a atenção dos operadores. “Alguém ganhou muito dinheiro com isso. Não faz sentido soltar pesquisa com mercado aberto e a pesquisa mostrar uma vantagem de votos desse tamanho”, disse a fonte, ao lembrar que os levantamentos feitos por Ibope e Datafolha nas duas últimas semanas apontam empate técnico na corrida ao Palácio do Planalto. (...)."

(Para continuar, clique AQUI).


A exemplo do que aconteceu relativamente à fajuta pesquisa da semana passada, vai ficar tudo por isso mesmo. E a Comissão de Valores Mobiliários?