quarta-feira, 22 de março de 2017

DA SÉRIE OS EXCESSOS DO JUIZ MORO


Moro pisou na bola ao criminalizar blogueiro

Por Helena Chagas

A liberdade de expressão e de imprensa é um assunto extremamente sensível para jornalistas, veículos de comunicação, dirigentes e proprietários de órgãos da imprensa. Não é surpresa nenhuma, portanto, ver em altos de página de grandes jornais a notícia da condução coercitiva de Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania. Atitudes desse tipo são sempre consideradas ameaças ao princípio da liberdade de informação, e se há algo que une o sempre disperso establishment midiático é isso – mesmo quando atingem um blogueiro de campo ideológico oposto ao deles.

O juiz Sergio Moro tem sido sempre hábil na relação com a mídia, alimentando-a de informação e tendo nela um dos principais sustentáculos do sucesso da Lava Jato. Graças a isso, conquistou o apoio que ainda tem hoje da maior parte da sociedade. Mas não há dúvidas de que pisou na bola ao determinar a condução coercitiva de Guimarães e, principalmente, com a nota da Justiça Federal justificando o episódio poucas horas depois.

Não cabe à Justiça, nas circunstâncias, dizer se a informação postada num blog é jornalística ou não, e se o sujeito, que faz o Blog há mais de dez anos, é jornalista ou não. Muito menos qualificar o tipo de blog que ele faz. Depois que o Supremo Tribunal Federal decretou que não é necessário o diploma de jornalismo para exercer a profissão, ficou tudo muito fluido no nosso mercado.

O certo é que Guimarães, como tantos outros fazem todos os dias, deu uma informação que se comprovou correta, a de que o ex-presidente Lula seria levado em condução coercitiva. E, assim como tantos outros que antecipam informações, não pode ser criminalizado por isso. Ao ir em cima do blogueiro, que divulgou uma informação incômoda, e deixar todos os demais vazamento impunes, Curitiba passa a impressão de que age com dois pesos e duas medidas, e de que quer controlar não só a informação, mas a imprensa.

O melhor caminho para o juiz, agora, seria reconhecer o erro e pedir desculpas.

(Fontes: site 'Os Divergentes' - aqui -, e Jornal GGN - AQUI).

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Procedem, pois, as observações inseridas no post "Respostas no vento", com que este blog expressou sua perplexidade diante de mais um excesso do incensado juiz Moro.

E assim segue o Brasil, cuja Constituição Federal é simplesmente vilipendiada, desrespeitada, desprezada por tantos, especialmente alguns dos que teriam a obrigação de administrar a justiça, dos que teriam a incumbência de fiscalizar o cumprimento das leis em geral e dos a quem caberia agir como guardiões da Carta Magna.

DIETA DA AUSTERIDADE


Bruno Aziz.

O MANTIQ E O BRASIL


Acalanto triste (porém esperançoso) para um país em ruínas

Por Sebastião Nunes

Uma releitura brasileira de um dos textos fundamentais da poesia oriental, o "Mantiq ut-tair"

Certo dia, o rei dos pássaros deixou cair uma pena, uma simples pena, bem no centro do maior deserto da Terra.

Mas era uma pena tão magnífica, de tal forma maravilhosa, que os pássaros que a encontraram, muitos anos depois, não tiveram a menor dúvida: era uma pena de seu rei.

            A descoberta correu de bico em bico e, dentro de mais alguns anos, todos os pássaros do mundo visitaram o deserto e viram, deslumbrados, a primeira prova verdadeira da existência de seu desconhecido rei.       
            Sabiam, por velhas lendas, que o rei dos pássaros tinha construído seu ninho no ponto mais alto da mais alta montanha da Terra.
            Também sabiam, narrado de pais para filhotes, que o nome secreto de seu rei queria dizer “trinta pássaros”.
            Cansados de sua antiga anarquia, decidiram procurar o rei, um rei que jamais fora visto. E começaram a quase infinita aventura.
            Mais de um milhão de pássaros, de todas as espécies conhecidas, levantaram voo em direção ao cume da mais alta montanha da Terra.
            Havia pássaros tão leves que eram levados pelo vento. E havia pássaros tão pequenos que mediam só alguns mínimos milímetros.
            Havia pássaros tão velozes que, em um único dia, percorriam a mesma distância que os pássaros mais lentos levavam um mês para percorrer.
            Voaram dia e noite, só parando quando estavam exaustos. Dormiam apenas algumas horas, beliscavam um punhado de sementes e de folhas e retomavam o voo.
            Atravessaram sete enormes florestas, cheias de pântanos, rios, lagos e animais ferozes.
            Sobrevoaram sete vales, alguns tão largos que pareciam não ter fim.
            Milhares e milhares de pássaros caíram de cansaço e não puderam continuar buscando seu rei.
            Muitos outros milhares morreram de fome ou de sede, sobre desertos vastíssimos e oceanos intermináveis.
            Houve os que feriram gravemente as asas, de tanto batê-las durante dias e dias de voo contínuo, e foram deixados para trás.
            Houve os que desapareceram durante furiosas tempestades de neve. E os que sumiram durante tempestades de areia.
            Houve os que desapareceram dentro de furacões terríveis. E os que caíram ofuscados pelo sol escaldante dos trópicos.
            Um dia, finalmente, depois de muitos e muitos anos, trinta pássaros pousaram no ponto mais alto da mais alta montanha da Terra.
            Estavam quase mortos de fome, cansaço e sede. Molharam os bicos com a neve eterna que cobria o solo. E adormeceram quase imediatamente.
            Quando acordaram, o sol nascia fulgurante sobre a vastidão gelada.
            Então eles se olharam uns aos outros, durante muito e muito tempo. Sem cansaço, fome ou sede. Mas também sem alegria e sem tristeza.
            E nesse profundo olhar, sem espanto e sem surpresa, descobriram que eles eram o verdadeiro rei dos pássaros. E que o rei dos pássaros era cada um deles, e todos eles juntos.
           
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            Este acalanto é baseado no poema “Mantiq ut-tair”, um dos textos fundamentais da poesia oriental. O título original pode ser traduzido por Discurso ou Diálogo dos pássaros. Foi escrito no século XII pelo poeta persa Farid ud-Din Attar. Jorge Luis Borges em sua “Nueva antología personal” (EMECÉ Editores, Buenos Aires, 1968) publicou um resumo do poema. Sem esse denso e profundo resumo, eu jamais teria tentado recriar a grandiosidade do texto original.
            Ilustrado pelo autor, foi publicado em 2000 pela Editora Dubolsinho, com o título “O rei dos pássaros”. A mais recente reedição é de 2013. (Fonte: AQUI).

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Belo acalanto baseado no poema 'Mantiq ut-tair'. Bem no clima do dia mundial da poesia, que por sinal transcorreu ontem, 21. 

FLAGRANTE DA VIDA SURREAL


Gilmar Fraga.

RESUMO DA ÓPERA


Tacho.

SOBRE OS ARTISTAS E A POLÍTICA


"Artistas são seres políticos. Pergunte aos gregos, a Shakespeare, a Brecht, a Ibsen, a Shaw e companhia -todos lhe dirão para não estranhar a participação de artistas na política.

A natureza da arte é política pura. Numa democracia saudável, artistas são parte fundamental de qualquer debate. No Brasil de Michel Temer, são considerados vagabundos, vendidos, hipócritas, desprezíveis ladrões da Lei Rouanet.

Diante de tamanha estupidez, fico pensando: por que esses caras têm tanto medo de artistas, a ponto de ainda precisarem desqualificá-los dessa maneira?

Faz um tempo, dei muita risada ao ver uma dessas pessoas, que se referia com agressividade a um texto meu, dizer que todo bom ator é sempre burro, pois sendo muito consciente de si próprio ele não conseguiria "entrar no personagem".

Talvez essa extraordinária tese se aplicasse bem a Ronald Reagan, rematado canastrão e deus maior da direita "let's make it great again". De minha parte, digo que algumas das pessoas mais brilhantes que conheci são artistas.

Esse medo manifestado pelo status quo já fez com que, ao longo da história, artistas fossem censurados, torturados e assassinados. Os gulags de Stálin estavam cheios de artistas; o macarthismo em Hollywood também destruiu a vida de muitos outros. A galera incomoda.

Uma apresentadora de TV fez recentemente sua própria lista de atores a serem proscritos. Usou uma frase atribuída a Kevin Spacey, possivelmente dita no contexto de seu papel de presidente dos EUA na série "House of Cards".

A frase era a seguinte: "a opinião de um artista não vale merda nenhuma". Certo. Vale a opinião de quem mesmo? Invariavelmente essas pessoas utilizam o chamado argumento "ad hominem" para desqualificar os que discordam de suas opiniões.

É a clássica falácia sofista: eu não consigo destruir o que você pensa, portanto tento destruir você pessoalmente. Um estratagema ignóbil, mas muito eficaz, de fácil impacto retórico. Mais triste ainda tem sido ver a criminalização da cultura e de seus mecanismos de fomento, cruciais para o desenvolvimento do país.

Aliás, todos os projetos sérios de Brasil partiram de uma perspectiva histórico-cultural, como os de Darcy Ribeiro, Caio Prado Jr., Sérgio Buarque de Holanda e Gilberto Freyre.

Ver o ministro da Cultura dando um ataque diante do discurso de Raduan Nassar só faz pensar que há algo mesmo de podre no castelo do conde Drácula. Mesmo acostumado a esse tipo de hostilidade, causou-me espanto saber que o ataque, na semana passada, partiu de uma peça publicitária oficial da Republica Federativa do Brasil.

Sempre estive em sintonia com a causa do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto); fiz com eles um vídeo que tentava explicitar o absurdo dessa proposta de reforma da Previdência.

O governo ficou incomodado e lançou outro vídeo, feito com dinheiro público, no qual me chama de mentiroso e diz que eu fui "contratado" -ou seja, que recebi dinheiro dos sem-teto brasileiros para dar minha opinião. O vídeo é tão sem noção que acabou suspenso, assim como toda a campanha publicitária do governo em defesa da reforma da Previdência, pela Justiça do Rio Grande do Sul.

Um governo atacar com mentiras um artista, em propaganda oficial, é, até onde sei, inédito na história, considerando inclusive o período da ditadura militar.

Mas o melhor é o seguinte: o vídeo do presidente não conseguiu desmontar nenhum dos pontos levantados pelo MTST.

O ex-senador José Aníbal (PSDB) escreveu artigo em que me chama de fanfarrão e diz que a reforma só quer "combater privilégios". Devo entender, então, que o senhor e demais políticos serão também atingidos pela reforma e abrirão mão de seus muitos privilégios em prol desse combate? E o fanfarrão ainda sou eu?

Se o governo enfrentasse a sonegação das empresas, as isenções tributárias descabidas e não fosse vassalo dos credores da dívida pública, poderíamos discutir melhor o que alardeiam como rombo da Previdência.

Mas eles não querem discutir nada, nem mesmo as mudanças demográficas, um debate válido. O governo quer é votar logo a reforma, acalmar os credores, passar a conta para o trabalhador e partir para a reforma trabalhista antes que o povo se dê conta.

Tenho uma má notícia: no último dia 15, havia mais de um milhão de pessoas nas ruas do país. Parece que não é só dos artistas que eles deverão ter medo."





(De Wagner Moura, nota intitulada "Quem tem medo de artista?", publicado na Folha, edição de ontem, 21, e reproduzido em sites, a exemplo do Conversa Afiada - aqui.

Wagner Moura é ator. Protagonizou, entre outros, os filmes 'Tropa de Elite' - 2007 - e "Tropa de Elite 2' - 2010 -. Em 2016, foi indicado ao prêmio Globo de Ouro pela série 'Narcos' - Netflix). 

terça-feira, 21 de março de 2017

HAICAI DE CLIMÉRIO


Climério Ferreira, Clodô e Clésio são irmãos e nasceram no Piauí. Notáveis compositores - é deles, por exemplo, 'Revelação' -, estreitaram, bons anos atrás, parceria com cantores como os cearenses Fagner e Ednardo. Com Ednardo, aliás, Climério compôs 'Enquanto Engoma a Calça' - aqui.

RESPOSTAS NO VENTO


1. À vista da Constituição Federal, a condução coercitiva somente será passível de acionamento no caso de a parte haver deixado de atender a intimação anteriormente feita pela autoridade judicial. O TRF4 decidiu, porém, que, em se tratando de Lava Jato, tal exigência poderá ser dispensada, visto que a citada Operação, no entendimento daquela corte, se reveste de caráter excepcional, podendo, em decorrência, qualquer cidadão ser desde logo conduzido coercitivamente. A Carta Magna, porém, não dá conta dessa particularidade, não prevê que em situações classificadas como 'excepcionais' sejam admitidas exceções.

2. O STF, Guardião da Constituição (Art. 102, 'caput'), decidiu tempos atrás que a atividade jornalística pode ser exercida independentemente de o cidadão ter formação (diploma) em comunicação. Isso aconteceu por ocasião da análise da chamada Lei de Imprensa, em vigor desde o regime militar, que foi tornada sem efeito por constituir 'entulho autoritário'.

3. É nesse contexto que se insere a condução coercitiva, nesta data, do blogueiro Eduardo Guimarães, titular do Blog da Cidadania (AQUI), onde, no final de fevereiro de 2016, informou-se que o ex-presidente Lula seria objeto de condução coercitiva - que ocorreu no dia 4 de março, também 'sumariamente', ou, sem aspas, ao arrepio da Carta da República.

4. Presentes a Constituição Federal e o seu Guardião, estaria o senhor Eduardo obrigado a romper o sigilo da fonte? Caso um blog não seja considerado atividade jornalística, teria o blogueiro assegurada a liberdade de expressão, garantia igualmente alinhada na Constituição? Os equipamentos de trabalho poderiam ser retidos pela autoridade?

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Dicas de leitura:

a) "Eduardo Guimarães fala de arbitrariedades da PF em condução coercitiva", no Jornal GGN - AQUI;

b) "Com o caso Eduardo Guimarães, Moro atravessa o Rubicão", de Luis Nassif - AQUI.

MINHA QUERIDA IMPRESSORA


André Farias.

DA SÉRIE RISCOS DO PÓS ESTARDALHAÇO

Tacho.
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CONVÉM LEMBRAR, PORÉM, QUE O VOLUME MOVIMENTADO PELOS 21 FRIGORÍFICOS QUE ESTÃO NA MIRA DA  POLÍCIA  REPRESENTA MENOS DE 1% (UM POR CENTO) DO TOTAL EXPORTADO PELO SETOR EM 2016. (FOLHA, EDIÇÃO DESTA DATA, COLUNA PAINEL)

ENQUANTO ISSO, SEGUE FIRME O PROCESSO DE PRECARIZAÇÃO DO TRABALHO EM NOSSO PAÍS: A TERCEIRIZAÇÃO, QUE JÁ FOI APROVADA PELO SENADO, ESTÁ NA PAUTA DA CÂMARA  E A IMEDIATA APROVAÇÃO ESTARIA ASSEGURADA - APÓS O QUE BASTARÁ A SANÇÃO DO SR. TEMER. 

EM VISTA DO QUE, PARECE LÍCITO INDAGAR: A ESPETACULARIZAÇÃO DA FRAUDE DA CARNE  TERIA SIDO TÃO SOMENTE UMA CORTINA DE FUMAÇA VISANDO AO 'ESQUECIMENTO' DA LISTA JANOT E À TRANQUILA APROVAÇÃO DA TERCEIRIZAÇÃO?

SOBRE A INDIGESTA CARNE FRACA


Xadrez da Carne Fraca no Estado de Exceção

Por Luis Nassif

Peça 1 - os policiais celebridades criados pela mídia

(...) o delegado Maurício Moscardi Grillo (é) jovem, passou no concurso da Polícia Federal e é delegado há apenas cinco anos. E destoa dos colegas por dois pontos relevantes.
Primeiro, pelo exibicionismo. Ao contrário dos procuradores da Lava Jato, a PF sempre primou pela discrição. Grillo gosta dos holofotes, é boquirroto e cultiva frases de efeito, que possam repercutir na mídia.
Segundo, porque é um empreendedor de sucesso. Em 2015 inaugurou o San Marino Residence Hotel, em sua cidade, Bauru, mostrando uma desejável preocupação em garantir o futuro. É um prédio de quatro andares, de propriedade de uma empresa dele e da esposa, com capital social registrado de R$ 100 mil (https://goo.gl/ytIjUS).
Grillo é filho do titular da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan), Antônio Grillo Neto, engenheiro conceituado na cidade, cujo prefeito é Clodoaldo Gazetta, ex-Partido Verde e atualmente no PSD (Partido Social Democrático), do Ministro Gilberto Kassab.
Moscardi Grillo é agressivo com os críticos, truculento nas ações, e cioso de suas prerrogativas de autoridade. Reprovado no psicotécnico no concurso para Delegado, sua primeira missão foi no Acre. Com suas pirotecnias, prendeu 17 pessoas na Operação G7. Três anos depois, a Justiça Federal do estado absolveu todos os acusados.
Coube a ele, também, prender Guido Mantega do Hospital Alberto Einstein, não respeitando o estado grave de sua esposa.
Foi denunciado pelo jornalista Marcelo Auler por ter utilizado verbas secretas da PF, em 2015, para reformas nas instalações da PF em Curitiba (https://goo.gl/uFGdsv) criando uma área social no prédio que abriga o Grupo de Investigação Sensível (GISE) e a Delegacia de Repressão a Entorpecentes, ambas chefiadas na época por ele. Os gastos foram feitos no mesmo momento em que o delegado solicitava mais verbas para a Lava Jato.
Com as denúncias, perdeu o comando das duas estruturas. Mas, graças às boas ligações com o Judiciário do estado, conseguiu uma sentença impondo censura às reportagens.
Para conseguir o resultado, Moscardi praticou um ato que pode ser classificado de litigância de má fé. Ingressou com três ações em juizados distintos, sendo que duas tramitaram paralelamente, a fim de burlar o sistema do juiz natural do feito (https://goo.gl/pE6pOa).
A juíza Vanessa Bassani não apenas ordenou a censura como condenou o jornalista à chamada tutela antecipada – pagar antecipadamente R$ 35.200,00 ao delegado.
Criticado por outros veículos, o delegado fez um mea culpa na revista Veja. E continuou fustigando os jornalistas com ações.
Não ficaram nisso as estripulias do delegado Moscardi. Responsável pela primeira investigação sobre o grampo encontrado na cela do doleiro Alberto Yousseff, em março de 2014, cometeu erros tão primários que lançaram a desconfiança de que foram propositais, para garantir um resultado favorável à cúpula da Superintendência Regional do DPF no Paraná (SR/DPF/PR) (https://goo.gl/PDPJso).
Delegados críticos da operação foram atacados rapidamente pelos delegados de Curitiba, aliados aos procuradores e aos repórteres policiais dos jornalões.
Representaram ao MPF contra dois colegas que apuraram as incorreções nas investigações. Em pleno feriado de 11 de agosto, Dia do Advogado, o procurador Daniel Coimbra apresentou à Justiça Federal denúncia contra os dois delegados, classificando-os de “dissidentes”. No final da semana seguinte, o policial repórter do Estadão noticiou o fato com destaque, visando atingir os dois delegados (https://goo.gl/s4prmI).
O juiz Danilo Pereira Junior, da 12a Vara Federal de Curitiba rejeitou a denúncia, apontou erro do MPF, e absolveu os dois acusados, lembrando o óbvio: era responsabilidade sua alertar os superiores sobre atos que supunham criminosos. Só se se provasse que estavam contando inverdades propositadamente poderiam ser processados.
Nas mãos desse delegado, exibicionista e imaturo, foi colocado o destino de mais de dez anos de esforços brasileiros para ampliar as exportações de carne pelo mundo. Ao conduzir a Carne Fraca, “a maior operação da história da PF”, Moscardi Grillo provocou desconfianças em todos os compradores de carne brasileira, trazendo a maior ameaça ao setor desde a febre aftosa. Depois do alarido da Operação, China, União Europeia, Chile e outros países suspenderam a compra de carne brasileira.
Peça 2 - a narrativa do jornalismo e da PF
O relatório de Moscardi na Operação Carne Fraca assemelha-se em tudo ao jornalismo que hoje se pratica. O repórter-polícia e o polícia-repórter saem sempre atrás de um grande caso, mesmo que seja um caso qualquer, com um objetivo claro: confirmar a suspeita, superdimensionar o escândalo e garantir a manchete. A verdade não lhe importa, tem nuances, tem circunstâncias que podem relativizar e enfraquecer a matéria. Interessa, então, a escandalização a seco – que rende manchetes.
No meu livro “Jornalismo dos anos 90” preparei um capítulo inteiro sobre as diversas formas de manipulação da notícia.
Vamos a uma lição do antijornalismo da Operação Carne Fraca:

Manipulação 1 - Frases fora do contexto

Uma das formas de escandalização é retirar frases do contexto.
Na peça jornalística da Carne Fraca, reproduzem um diálogo grampeado. E concluem que estão misturando papelão na carne.
Quando escrevi meus dois textos críticos à operação, Facebook, Blog, Twitter foram invadidos por multidões de bolsonaristas com o refrão único: “Então você é a favor de comer papelão”.
Nos dias seguintes, a suspeita foi ironizada por vários especialistas. Bastaria a consulta a um técnico para poupar o relatório desse vexame. Mas a opinião técnica poderia reduzir a escandalização.

Manipulação 2 - Escandalização do nada

O relatório denuncia, em tom grave, que os frigoríficos misturavam ácido ascórbico na carne. Novo pânico instalado nos consumidores. Havia risco de espalhar escorbuto pelo país.
Foram necessários dois dias para se descobrir que o tal ácido ascórbico é a Vitamina C.
Dizem os manuais
Existem muitos agentes redutores e oxidantes comuns em nosso dia a dia. Na medicina e na indústria, um dos agentes redutores mais conhecidos é a vitamina C, cujo nome químico é ácido L-ascórbico ou simplesmente ácido ascórbico.
O ácido ascórbico em solução aquosa possui uma facilidade excepcional para ser oxidado, portanto essa característica faz com que ele seja um ótimo antioxidante. Isso significa que ele protege outras espécies químicas de se oxidarem, em razão do seu próprio sacrifício.
Ora, colocar Vitamina C na carne, além de prática habitual, não chocaria os leigos. O que faz, então, o delegado Moscardi:
“Eles usavam ácidos e outros produtos químicos para poder maquiar o aspecto físico do alimento. Usam determinados produtos cancerígenos em alguns casos para poder maquiar as características físicas do produto estragado, o cheiro”.
Pronto, a Vitamina C se transforma em ácido letal.

Manipulação 3 – não relativização dos fatos

No caso da Carne Fraca, em dois anos de investigações foi feito apenas um exame bacteriológico. Foram encontradas irregularidades em apenas 3 frigoríficos. Não se mencionaram em nenhum momento todos os sistemas paralelos de inspeção, exigidos pelos países compradores.
Peça 3 - Blairo, Temer e as barganhas políticas
O desastre da Carne Fraca é filho direto do impeachment.
Há muito tempo se sabia dos esquemas corruptos do Ministério da Agricultura no Paraná.
Na campanha do impeachment, o deputado Sérgio Souza, PMDB, exigiu manutenção do chefe dos fiscais Daniel Gonçalves Filho para votar contra o impeachment. A então Ministra Katia Abreu e a presidente Dilma Rousseff não toparam.
Em 4 de agosto de 2016, já havia movimentação contra o esquema de corrupção do Ministério da Agricultura no Paraná (https://goo.gl/NsVcqg). O Sindicato Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários (ANFFA Sindical) denunciou nomeações políticas autorizadas pelo Ministro da Agricultura Blairo Maggi
“Ainda segundo o Delegado Sindical Daniel Teixeira 'a categoria está perplexa com a nomeação de Gil nestas condições e ainda com a hipótese aventada por ele de nomear a recém exonerada Chefe do SIPOA-PR Maria do Rocio Nascimento'. Na opinião de Daniel Teixeira 'essa manobra está parecendo uma grande costura política entre PP e PMDB para a manutenção do status quo da gestão da SFA-PR'”.
Provavelmente a operação apurou a caixinha para Sérgio Souza e para o Ministro da Justiça Osmar Serraglio. Mas não foi mencionada no relatório devido à prerrogativa de foro de ambos.
Peça 4 - a responsabilidade dos ruralistas
Muitos ambientalistas se indignaram com a defesa da pecuária brasileira que, segundo eles, mantém mão de obra escrava e afeta o meio ambiente.
Ora, o caminho é lutar pelo aumento das investigações, das punições contra esses crimes específicos, não pela destruição do setor.
Mais de dez anos atrás, Blairo Maggi sentiu que os problemas com meio ambiente poderiam afetar as exportações de soja. E tomou uma série de medidas para reduzir o dano, depois que foi contemplado com o troféu Motoserra de Ouro.
As ameaças à produção brasileira não estão apenas nas barreiras fitossanitárias, mas também no chamado dumping social, dos quais o crime mais grave é o da situação análoga à escravidão. Se não forem atacadas firmemente, os problemas ambientais e sociais afetarão mais as exportações brasileiras do que dez operações Carne Fraca.
Peça 5 - os problemas do Estado de Exceção
Moscardi é cria direta do estado de exceção defendido pelo Ministro Luís Roberto Barroso. Só uma situação de exceção para permitir a um delegado inexperiente e inepto mobilizar mais de mil agentes da PF e comprometer a imagem da pecuária brasileira em todo o planeta.
Na outra ponta, um presidente medroso, que não ousa a mínima crítica contra a Operação, porque a qualquer momento delegados ou procuradores podem vazar delações contra ele. E quem deveria comandar a operação é um Ministro da Justiça cúmplice e beneficiário dos fiscais corruptos denunciados.
Quanto tempo mais demorará para cair a ficha que o maior risco enfrentado pelo país é o fator Temer? A estrutura do Estado está sendo desmanchada, com aparelhamento até de áreas estratégicas.
(Fonte: Jornal GGN - aqui).
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Este blog reproduziu ontem, 20, um desenho intitulado 'Cartum diversionista', em que Temer diz "Quanto mais Carne Fraca...", um outro personagem complementa: "Menos Lava Jato. Saquei!"
Pois um leitor do Xadrez acima parece ter seguido o raciocínio de Frank, autor do cartum, observando o seguinte:
"Acho que esta coluna está enganada, ou melhor, estamos sendo enganados. Acho que esta operação deveria se chamar boi de piranha, pois ela foi criada por um único motivo, desviar a atenção da opinião publica das atividades do congresso, pois no dia 21 será votada a lei da terceirização de serviços. Qual é o setor que vai ser mais beneficiado com estas novas regras?, logicamente o agronegócio, em particular os frigoríficos que em certas épocas do ano ficam ociosos, variando de região para região. Podem estar perdendo agora, mas a longo prazo os ganhos serão muito maiores Eu não duvidaria que foi tudo combinado com exportadores, distribuidores, importadores e o governo controlando. No próximo mês ninguém fala mais."
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No Brasil desse tempo sombrio, vive-se o surrealismo em estado bruto.

QUEM PODERÁ DAR FIM À RECESSÃO


Só o Estado pode dar fim à recessão

Por André Araújo

A partir da central de divulgação de projeções, conhecida como BOLETIM FOCUS, a mídia econômica toma o prognóstico dos departamentos de economia como sinal de sucesso da atual política econômica, ao considerar a projeção sobre uma melhora dos índices uma prova de que a economia saiu da recessão.

A partir desse cenário de faz de conta, a mídia econômica alardeia que a recessão acabou, em coro com o Ministro da Fazenda, sem que haja qualquer indicação de que a realidade reflita o desejo nesse teatro de luz e sombra.

Os economistas-de-manual levam a sério as projeções das consultorias e departamentos de economia de bancos, esse é o mundo deles, o das planilhas e projeções anunciadas sem temor do ridículo, como aquele em que a projeção do PIB de 2017 melhorou, era 0,48%, agora é 0,49%, como se isso tivesse alguma importância e como se um palpite fosse virar realidade, observando que quem faz esses cálculos recebe salário para montar essas tolices.

É uma base de raciocínio extraordinária, baseada em palpites. Tem tudo a ver. A atual política econômica é aquela em que o mercado financeiro, do qual fazem parte os bancos e consultorias, lhes favorece com o setor rentista acima da economia produtiva. São propagandistas de si mesmos, dão palpites de que a economia está indo no caminho certo, porque esse é único caminho que eles conhecem por formação e convicção, além de atender seus interesses.

Esses prognósticos não têm qualquer base real, são “wishful thinking”, desejos de que assim aconteça, é o mesmo processo da torcida que diz ao time “Agora vai, vamos ganhar de 3 a 1”.

Um dos truques dessa torcida é alardear que a inflação está caindo tanto que pode ficar abaixo da meta e que isso é um bom sinal. Mas uma INFLAÇÃO EM QUEDA É SINAL DE MAIS RECESSÃO E NÃO DE MENOS RECESSÃO. Essa é a sinalização UNIVERSAL de prosperidade Quando a atividade econômica ESQUENTA HÁ SINAIS DE MAIS INFLAÇÃO E NÃO DE MENOS.

Portanto, apontar queda de inflação como sinal de recuperação é uma contradição técnica na economia clássica. Os bancos centrais dos países mais importantes consideram alta de inflação como sinal claro de aquecimento da atividade econômica; aqui os “economistas de mercado” veem inflação abaixo da meta como sinal positivo para a recuperação da economia, porque veem nessa inflação menor um incentivo para o Banco Central baixar os juros básicos e em consequência para que os bancos também baixem os juros para as empresas e pessoas físicas. TUDO ISSO É TEORIA DE MANUAL, não acontece no mundo real da economia brasileira. A diminuição da taxa Selic sequer faz cócegas na taxa REAL de juros na mesa do gerente do banco, os bancos NÃO baixam os juros na ponta do tomador porque o BC baixou a Selic, não há essa correlação automática na economia produtiva, MAS essa conclusão está nos manuais onde eles aprenderam economia, continuamente propagandeada pelos comentaristas econômicos da grande mídia como se essa fosse a narrativa de uma realidade que todavia é apenas uma pós-verdade.

Apostar na retomada da economia e no fim da recessão a partir dessa TEORIA é um engodo completo; o fim da recessão depende de forças muito mais fortes do que uma teórica redução de juros pelos bancos aos seus tomadores finais mesmo que isso acontecesse.

Não há, no mundo real, uma COMPETIÇÃO entre bancos para ganhar clientes através de juros mais baixos. Nos anúncios de bancos nos EUA os concorrentes EXPLICITAM AS TAXAS que oferecem para tomadores de empréstimos, (mas) no Brasil isso JAMAIS aconteceu, os bancos não competem por meio de taxas de juros, não é da cultura bancária brasileira; anunciam serviços, atendimento digital, mas nenhum banco oferece taxas de juros mais baixas como apelo para ganhar mais clientes. Muito menos anunciam publicamente redução de taxas.

Os juros são altíssimos no Brasil por razões específicas da economia brasileira, a ideia de que a baixa da inflação leva o Banco Central a baixar a taxa Selic e por causa disso os juros caem na economia produtiva é FALSA e vendida como verdadeira por gente que sabe que ela é FALSA.

A inflação no centro da meta NÃO produz redução de juros na economia produtiva e, se essa baixa acontecer, isso NÃO tem maior impacto na retomada da atividade econômica, porque esta tem outros fatores de maior profundidade que vão muito além da taxa de juros; a economia brasileira não funciona por automaticidade de fórmulas prontas, essa economia tem um histórico de especificidades baseado na formação do País, na sua cultura popular e empresarial, em crenças e hábitos longamente entranhados na psique do brasileiro e na sua forma de tomar decisões sobre consumo e investimento, todos fatores IGNORADOS pelos economistas de manual que dominam a política monetária, cambial e fiscal desde o Plano Real e que insistem em impor política econômica baseada em modelos importados que não reagem da forma que eles esperam no Brasil.

Há ainda uma ironia maior: com a baixa da inflação e a manutenção de juros altos nos bancos, a TAXA REAL de juros aumenta para o tomador: mantida a taxa nominal e reduzida a inflação, a taxa de juros na verdade pune mais o devedor.

O maior dano causado pelo Plano Real à economia brasileira foi a importação de MODELOS estrangeiros, suas fórmulas, teorias e ferramentas, sem adaptação a um longo histórico específico de nossa economia; a economia é uma circunstância como os sábios Keynes e Hirschman nos ensinaram: economia depende muito da política e da psicologia social, não há uma economia universal que funciona igualmente em todo lugar;  até a medicina necessita de adaptação a países, culturas, climas, hábitos;  a economia também necessita de adaptação: impor meta de inflação sueca ao Brasil é a loucura dessa escola e que nos levou a uma recessão  absurda, desastre único no mundo atual para um PAÍS RICO de recursos naturais, de empreendedores, de massa crítica de território e população.

A aposta de que os bancos brasileiros vão ajudar o País a sair da recessão é FALSA porque os bancos não têm nenhum incentivo a emprestar a juros baixos para empresas e pessoas físicas DEVIDO À PRÓPRIA RECESSÃO que tornou 60% dos CPF inadimplentes e grande parte das empresas em altos riscos de crédito já por seu excessivo endividamento.

Então a fórmula de que INFLAÇÃO NO CENTRO DA META conduz a TAXA SELIC EM BAIXA que leva a BAIXA DOS JUROS NOS BANCOS não funciona como saída da recessão porque os BANCOS NÃO VÃO BAIXAR OS JUROS E NEM VÃO EMPRESTAR devido à própria recessão, que aumentou excessivamente o RISCO DE CRÉDITO. Os bancos vão esperar o FIM DA RECESSÃO para voltar a emprestar, eles NÃO SERÃO OS AGENTES DO FIM DA RECESSÃO.

Quem pode dar fim à recessão é o ESTADO, que foi o instrumento ÚNICO do fim das grandes crises de 1929 e subsequentes; na crise de 2008 foi o TESOURO DOS ESTADOS UNIDOS que resolveu a crise com o programa TARP, que emprestou US$780 bilhões assumindo RISCO TOTAL, emprestou duas semanas após a crise, como medida extraordinária e necessária a empresas e bancos. O MERCADO  NÃO DÁ FIM  A RECESSÃO, a História Econômica está ai para documentar; quem resolve RECESSÃO E DEPRESSÃO é SÓ O ESTADO, é uma das funções maiores do Estado enfrentar crises, algo que particulares não têm força para fazer.

A  atual política econômica conta exclusivamente com o MERCADO para comprar concessões e os bancos emprestarem para com isso o País sair da recessão. As concessões, se forem bem sucedidas, NÃO TÊM VOLUME para causar qualquer impacto no emprego e na demanda e os BANCOS não vão irrigar a economia produtiva com empréstimos a juros baixos, e nem esse é um caminho lógico: só se toma empréstimos quando há perspectiva de crescimento, algo que começa na DEMANDA e não no investimento.

Todo um conjunto de ILUSÕES sem amparo na lógica, na história econômica, na história do pensamento econômico, vai empurrando a recessão com a barriga e com um discurso de auto engano, prometendo quimeras e micro feitos que nem sequer tocam no CERNE da recessão, que é falta de capacidade monetária para comprar produtos e serviços, devido a uma política econômica RECESSIVA, que tem como alvo provocar recessão para atingir metas de inflação não importa a que custo, o grande objetivo é proteger os ativos em Reais dos bancos, fundos de investimentos e dos especuladores de Nova York que precisam de inflação baixa e consequente dólar barato para retornar seu capital e ganhos no período.
A atual política econômica brasileira interessa ao mercado financeiro internacional e não interessa ao povo brasileiro, não é uma política NACIONAL em função do Brasil.  -  (Fonte: AQUI).

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Em passado não distante, os bancos públicos passaram à primeira posição em ativos operacionais no cenário nacional. O Banco do Brasil, campeão em aplicações entre todos os bancos atuantes no País, 'comandante' do agronegócio (e do PRONAF) e do varejo, liderava os demais agentes públicos no apoio a pessoas físicas e jurídicas. O BNDES, verdadeira agência de fomento, atuava em fronts estratégicos para o País. A CEF se esmerava em obras de infraestrutura, com destaque para a construção civil e em particular o Minha Casa Minha Vida. A banca privada, por sua vez, se mantinha pujante, mas sempre mirando seu filão histórico, os empréstimos varejo/produtos pessoa física, e tendo como norte o pré requisito da tendência positiva do mercado: há risco e incerteza quanto ao futuro? Bota o pé no freio, tira o corpo fora! 
Nos tempos atuais, enquanto a banca privada se mantém 'na dela', os bancos públicos estão sendo esvaziados - e a Selic, a taxa básica de juros de longo prazo, uma das âncoras do crédito, pode ser elevada a qualquer instante, comprometendo as possibilidades de financiamentos/investimentos de prazos alongados.
A pergunta é: como sair da recessão sem demanda e sem crédito?

CHUCK BERRY INTERESTELAR

Duke.
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Ontem, 20, publicamos cartum sobre Chuck Berry, o mestre dos reis do rock, morto no dia 18 aos 90 anos. Hoje repetimos a dose, com um cartum de Duke em cima da mesma ideia - mas com uma ótima variação - do cartunista norte-americano Milt Priggee.

Foi a deixa para que abordemos um dado precioso que marcou a trajetória de Chuck Berry e que ontem passou batido:  seu clássico 'JOHNNY BE GOODE' foi uma das 27 músicas enviadas para o espaço no Voyager Golden Record, discos fonográficos de bronze e banhados em ouro, enviados nas sondas espaciais Voyager 1 e 2 em 1977, por tempo indefinido e que já ultrapassaram a fronteira do Sistema Solar, trilhando algo em torno de 20 bilhões de quilômetros até o presente momento.

Em tempo: o comitê na NASA chefiado pelo astrônomo Carl Sagan selecionou para registro no Voyager Golden Record, além de saudações em 55 idiomas, 115 imagens, músicas e diversos sons naturais, incluindo registros de trovões, ventos, sons de baleia e ondas do mar.

E Chuck Berry, como já observado, está lá.

segunda-feira, 20 de março de 2017

UM NOVO SETOR NA MIRA DO MASSACRE


"Não há muito que falar. Apenas quero me unir aos que estão alertando. A tal “operação carne fraca” mostrou como é mal-intencionado o discurso que criminaliza “os políticos”, pois quem corrompe esses políticos são empresários e ninguém os estigmatiza.
Em segundo lugar, a Lava Jato vem servindo para massagear o ego de membros do Ministério Público e do Judiciário e para exterminar políticas públicas voltadas ao social, à distribuição de renda e à valorização do trabalho assalariado, pois substituiu um governo voltado para o social por outro antissocial.
Na última sexta-feira, a Lava Jato divulgou um balanço de quantos prendeu e condenou e de quanto dinheiro roubado recuperou.
Para resumir e simplificar: para recuperar cerca de 500 milhões de reais, a Lava Jato provocou uma paralisia da economia que gerou prejuízos da ordem de centenas de bilhões de reais. E ninguém acredita que a corrupção vai terminar por causa disso.
Um dos setores mais dinâmicos da economia brasileira era o setor da construção pesada. Usinas hidrelétricas, estradas, portos, aeroportos, hospitais etc. Esse setor era tão desenvolvido no Brasil que conquistou o mundo.
As empreiteiras brasileiras eram potências que geravam divisas e elevavam alto o nome do Brasil.
Roubavam tanto quanto milhões de outras empresas brasileiras que sonegam impostos e pagam propinas e nem por isso sofrem a mesma demolição.
Para quem não sabe, as empreiteiras brasileiras vão acabar todas nas mãos da China. As negociações estão adiantadas. Com isso, uma parcela gigantesca do PIB brasileiro vai para o vinagre.
Agora, é outro setor que afundou. O setor de carnes é um dos mais dinâmicos do país. Nossas carnes ganharam o mundo. Grupos como Friboi e BRF são vitais para o Produto Interno Bruto brasileiro e, assim como as empreiteiras, com o massacre de sexta-feira vão acabar na mão dos gringos.
Ninguém é a favor da corrupção a não ser os corruptos. E corrupção é o que não falta no Brasil. Mas querer que o combate à corrupção seja eficiente é uma coisa, querer que ele seja destrutivo, que jogue fora a água do banho da criança com a criança junto é outra.
Não era necessário o espalhafato da operação Carne Fraca. Tudo poderia ter sido feito na surdina, os culpados punidos, mas sem destruir a imagem do setor.
Quem vai lucrar com isso é a concorrência europeia, entre outras.
Os gringos virão cheios de dólares e comprarão nossas empresas a preço de banana enquanto nossos trabalhadores estarão afundados em jornadas intermináveis de trabalho sem direitos trabalhistas e recebendo salários aviltados.
A Lava Jato e os golpistas que favoreceu estão devolvendo o Brasil ao século 19. Vai demorar décadas para consertar o estrago que essa praga de gafanhotos fez, faz e ainda irá fazer, porque o ego dos investigadores ainda não foi suficientemente massageado."   



(De Eduardo Guimarães, post intitulado "Lava Jato vai devolver o Brasil ao século 19", publicado no Blog da Cidadania AQUI -, de que é titular.
Até ontem, quando os mais atentos percebiam os estragos que a Operação estava a impor aos interesses nacionais, dizia-se que isso era inevitável, decorrência natural da situação vergonhosa a que chegara a intimidade perniciosa entre economia e atividades partidárias, e que o cumprimento do dever suplantava quaisquer outras questões etc., etc. E agora, com a Carne Fraca? Como se explica tanta precipitação, tanto estardalhaço, tanta ausência de sensatez diante do comportamento reprovável de pouquíssimos servidores num universo amplo? Somente uma das diversas empresas arroladas foi investigada 'in loco', as demais entraram no buraco negro a partir de interceptações telefônicas e dos critérios de interpretação de seu conteúdo, interpretação, aliás, sujeita a eventual problema de miopia, como a atinente ao uso de papelão como recheio de carne - que parece infundada.
Por quantos anos as empresas nacionais tiveram de se empenhar para ganhar espaço no mercado externo? Quem está feliz com o desastre, além dos concorrentes dessas empresas? Quantos dias ou anos as empresas nacionais e as autoridades terão pela frente visando ao resgate de seus parceiros mundo afora e dos consumidores? Quantos empregos poderão deixar de ser gerados? Quais os impactos na cadeia produtiva nacional e sobre o PIB? 
E o pior é que ainda há quem defenda os absurdos perpetrados pelos donos da verdade).