sábado, 23 de agosto de 2014

PROMESSAS FAZEM PARTE DO JOGO


Brum.

ELEIÇÕES 2014: AS OPÇÕES ESTÃO POSTAS


"A aposta em Marina Silva é de alto risco por várias razões.

Dilma Rousseff e Aécio Neves representam forças claras e explícitas e são personalidades racionais.

Dilma defende um neo-desenvolvimentismo com uma atuação proativa do Estado e Aécio a volta ao neoliberalismo de Fernando Henrique Cardoso.

Em 2011, o pânico em relação à inflação tirou Dilma do prumo. Mas ela tem ideias claras sobre o país e sobre o que quer: política industrial, investimentos em infraestrutura, aprofundamento do social.

Podem ser apontados inúmeros vícios de gestão, mas também tem feitos consagradores, como a própria política do pré-sal, a construção da indústria naval, o Pronatec, Brasil Sem Miséria e um conjunto de obras – especialmente na área de energia.

Mesmo sua teimosia mais arraigada não chega perto do risco da desestabilização – apesar do terrorismo praticado por parte do mercado.

***
Com Aécio, a economia será submetida novamente a uma política de arrocho fiscal. Haverá refluxo na atuação do BNDES, fim das políticas de incentivo fiscal, redução da ênfase nas políticas sociais, interrupção no processo de reaparelhamento técnico do Estado. Se venderá novamente o peixe da “lição de casa” e do pote de ouro no fim do arco-íris.

Assim como FHC, Aécio estará ausente do dia a dia. Mas certamente se cercará de um Ministério de primeira grandeza e há uma lógica econômica por trás de suas propostas.

Até onde pretenderá chegar com o desmonte do Estado social, é uma incógnita. Mas age com racionalidade.

***
Já Marina é uma incógnita completa.

Primeiro, pelos grupos que a cercam e que querem um pedaço desse latifúndio. E ela não tem um grupo para chamar de seu, a não ser para o tema restrito do meio ambiente.

Haverá uma disputa dura para saber quem a levará pela mão: economistas de mercado, os grandes empresários paulistas, ambientalistas radicais, os egressos do PSB e – se Marina se consolidar – os trânsfugas do PSDB paulista.

***
O segundo dado é o mais confuso: a personalidade de Marina que nunca foi de admitir ser conduzida por ninguém.

Os que conviveram com Marina no governo reforçam algumas características:
  1. Dificuldade em entender economias industriais.
  2. Baixo pique operacional. Praticamente não conseguiu colocar de pé nenhuma de suas propostas à frente do Ministério do Meio Ambiente.
  3. Jogo de cintura nenhum.
Tudo isso seria contornável, não fosse um aspecto de sua personalidade: teimosia e voluntarismo exacerbados. No governo Lula era quase impossível a outros Ministros definir pactos com Marina. Nas vezes em que era derrotada, costumava se auto-vitimizar.

Os empresários paulistas que apoiaram sua candidatura estavam atrás do símbolo político, o Lula de saias, o Avatar dos novos tempos. Vice de Eduardo Campos seria o melhor dos mundos, pois o presidente asseguraria a racionalidade do governo.

Colocaram como seus porta-vozes economistas, importaram o brasilianista André Lara Rezende, que encontrou a melhor síntese para casar o livre mercadismo com as propostas ambientalistas de Marina: o país não pode crescer para não comprometer o equilíbrio do meio ambiente mundial. Quem chegou, chegou, quem não chegou não chega mais.

***
Experiências recentes do país indicam que o componente pessoal, a psicologia individual é um ponto relevante na análise de figuras públicas.

Resta saber se o país está disposto a pagar para ver.

Para os mercadistas: aguardem um mês de campanha antes de iniciar a cristianização de Aécio, para poder entender melhor a personalidade de Marina.

É preferível um Aécio na mão que duas Marinas voando."



(Luis Nassif, post "É preferível um Aécio na mão que duas Marinas voando" - aqui.
O que diz Neca Setúbal, conselheira de Marina Silva, sobre diretrizes em perspectiva - aqui ).

RENTISTAS QUEREM ABOCANHAR (POR INTEIRO) O BANCO CENTRAL


Por um Banco Central independente do mercado financeiro

Carlos Cordeiro

A sinalização da candidata Marina Silva de conceder autonomia ao Banco Central, anunciada pela coordenadora de sua campanha Maria Alice Setúbal, uma das principais acionistas do Banco Itaú, tem o mérito de trazer esse importante tema para a agenda do debate nacional e de delimitar com mais clareza os projetos que estão em disputa nas eleições de outubro.

A Constituição de 1988 confere ao Banco Central o papel de zelar pela estabilidade do poder de compra da moeda e pela solidez do sistema financeiro. Sua diretoria é nomeada pelo(a) presidente da República e sancionada pelo Senado Federal. Para cumprir essas funções, dispõe de um conjunto de instrumentos de política monetária, entre elas o manejo da taxa básica de juros, dos depósitos compulsórios e da taxa de redesconto.

Na prática, o BC já goza hoje de autonomia absoluta em relação ao Poder Executivo, a ponto de frequentemente adotar medidas que vão na contramão da política econômica do governo e contra os interesses da sociedade. Ao contrário, as diretorias do Banco Central nas últimas décadas vêm atuando em defesa do mercado financeiro. É tamanha a promiscuidade que quase todos eles, quando deixam o BC, vão trabalhar nos bancos. Não é por outra razão que o Bacen é popularmente conhecido como "o sindicato nacional dos banqueiros".

Mas o mercado financeiro quer mais do que isso. Ele não perdoa a "heresia" dos dois últimos governos de usar os bancos públicos para expandir o crédito e reduzir juros e spreads após a crise de 2008, e a posterior redução da taxa Selic.

Numa ponta, o mercado exige autonomia total do Banco Central, assegurada em lei, com poderes para estabelecer suas próprias regras e mandatos. Isso significa institucionalizar um quarto poder, paralelo e permanente no centro de decisões estratégicas do país, formado pela casta financeira, sem passar pelo voto popular. É o assassinato da democracia.

Na outra ponta, o mercado financeiro mobiliza todo o seu poder para derrotar nas urnas o atual governo, que considera excessivamente intervencionista e um entrave para a liberalização total dos mercados.

Recentemente, o Santander aconselhou seus clientes de alta renda a votarem contra a reeleição da presidenta Dilma Rousseff. Não é mera coincidência o fato de a promessa de autonomia do BC num eventual governo Marina Silva parira de uma das principais acionistas do Itaú.

Isso tudo ajuda a esclarecer qual é o jogo que está sendo jogado e mostra para a sociedade brasileira a urgência de se fazer o debate sobre qual o sistema financeiro que o Brasil precisa e qual o papel do Banco Central.

Nós defendemos um BC independente dos bancos e a democratização do sistema financeiro, com a participação da sociedade. (Fonte: aqui).

................
É meio restrito se falar em 'bancos' ou 'banca privada' como principais interessados na autonomia do Banco Central. O certo é dizer 'rentistas', 'mercadistas', por aí, termos que compreendem o universo habitado por especuladores de todos os matizes e procedências. Afinal, o que pretendem os entusiastas da autonomia do Banco Central, a não ser dominar o pedaço visando a alavancar seus ganhos, seja lá como for?

A MARCHA


Angel Boligan.

EUA: SOMBRIA REALIDADE (II)

              "Você tem o direito de permanecer calado, subrepresentado e pobre".

Patrick Chappatte. (EUA).

EUA: SOMBRIA REALIDADE


Pobres e invisíveis, no coração do império

EUA superaram apartheid aberto e elegeram Obama presidente – mas Ferguson expõe drama dos bairros negros, em tempos de desemprego e decadência
Por Eugene Robinson | Tradução: Gabriela Leite
Desta vez, o fogo vem da invisibilidade. Nossa sociedade espera que a polícia mantenha longe dos nossos olhos e mentes os afro-descendentes desempregados e com pouca educação formal. Quando, de repente, sobem ao palco, iluminado pelos flashes e pela centelha dos coquetéis molotov, simulamos surpresa.
A última causa da agitação em Ferguson, no estado de Missouri, meio-oeste dos EUA, foi a morte do garoto de 18 anos de idade, Michael Brown. Segundo uma testemunha, ele foi parado por um policial branco por andar na rua, e não na calçada. O oficial, Darren Wilson, atirou em Brown pelo menos seis vezes. Duas das balas atingiram sua cabeça. Aí temos novamente a narrativa familiar: outro homem negro desarmado, assassinado injustamente. Brown, portanto, junta-se a uma lista longa e triste, que parece não ter fim.
Este enredo é indiscutível. Para sustentar que etnia não é um fator importante nestes encontros fatais, seria preciso citar exemplos de jovens brancos e desarmados sendo mortos pela polícia ou por autoproclamados vigilantes. Nomes e datas, por favor.
Mas a violência em Ferguson evoca uma narrativa mais profunda e fundamental sobre o que afro-americanos têm feito, e o que tem sido feito a eles, nas décadas após as manifestações urbanas dos anos 1960 — o fogo anterior.
Tentado a concluir que nada mudou nos Estados Unidos? Por favor, repare que o comandante da patrulha de rodovias de Missouri, escolhido para disciplinar a ação da polícia local, é negro. O procurador geral que interrompeu suas férias na ilha de Martha’s Vineyard para ordenar uma investigação no Departamento de Justiça e uma terceira autópsia é negro. E, é claro, o presidente e comandante-em-chefe — que também interrompeu férias para discursar sobre a crise em Ferguson — é negro.
Note também que essa evidência inegável de progresso na questão de raça — ela teria sido inimaginável quando o Harlem explodiu, em 1964, após a polícia ter atirado em um garoto de 15 anos — não faz diferença aparente para os jovem que se agitam pelas ruas de Ferguson.
E por que não? Porque os enormes ganhos obtidos por alguns afro-descendentes não apenas deixaram outros para trás, mas fizeram sua situação mais desesperadora e sem esperanças do que era, cinquenta anos atrás.
Quando a inquietação em Ferguson acabar, prevejo que haverá uma enxurrada de jornalismo ambicioso tentando afirmar o status da parte negra dos Estados Unidos. A maior parte destas análises serão ignoradas porque irão contradizer o que os norte-americanos veem todos os dias com seus próprios olhos.
Milhões de afro-americanos tiraram proveito das oportunidades criadas pelo movimento de direitos humanos para ascender à classe média — e, em alguns casos, mais além, como mostram os exemplos do Presidente Obama e do Procurador-Geral Eric Holder.
Mesmo assim, milhões de outros norte-americanos negros não alcançaram a classe média. Este grupo, atolado na pobreza e desocupação, descobre que os caminhos que outros percorreram estão bloqueados. Eles vivem em bairros com escolas decadentes, que não conseguem prepará-los para a economia de hoje. Empregos seguros de operários, com salários altos, são algo do passado. Tendências raciais no policiamento significam que eles têm muito mais probabilidade de serem detidos e presos por ofensas pequenas e não violentas, tais quais posse de droga, do que os brancos, ao cometerem os mesmos crimes.
Cada vez mais, este afro-descendentes que foram deixados para trás estão invisíveis. Seus bairros ou sofrem especulação imobiliária — o que significa que eles não podem mais morar lá — ou são simplesmente evitados pelo desenvolvimento. O que acontece em bairros negros e pobres tem cada vez menos a ver com a vida diária da classe média norte-americana, branca ou negra.
Ainda em Ferguson, e em alguns outros cantos pelo país, milhões de jovens, homens e mulheres, crescem sabendo que as cartas estão sendo postas contra eles. Por acaso Michael Brown tinha um chip em seu ombro? Segundo seus amigos e família, não, apesar da loja de conveniências sugerir o contrário. Seria compreensível se tivesse? Será que ele teria se perguntado se crianças brancas, vivendo em partes mais afluentes da cidade, são incomodadas frequentemente pela polícia por perambular pela rua?
Brown não tinha registro na polícia. Ele tinha se formado no ensino médio. Estava prestes a entrar em uma faculdade técnica. Dado o local de onde ele vem, é difícil chegar a algo muito melhor — e fácil fazer coisa bem pior.
Agora que as ruas estão cheias de raiva incoerente — e a violência deve ser fortemente condenada — podemos compreender a luta de Brown. Momentaneamente, pelo menos. Depois que a fumaça passar, ficaremos cegos novamente. (Fonte: aqui).

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

PROPAGANDA ELEITORAL EM 3D


Pelicano.

O ADEUS DE CYBELE, DO QUARTETO EM CY



Sai de cena Cybele, do Quarteto em Cy

Cybele de Sá Moreira, integrante do Quarteto em Cy, morreu ontem, dia 21, aos 74 anos. Cybele teve uma isquemia pulmonar. (...).

O Quarteto em Cy foi formado na década de 1960, pelas irmãs baianas Cyva, Cybele, Cynara e Cylene. Da família Sá Leite, elas nasceram em Ibirataia, na Bahia, ligadas a um projeto sociocultural, acabaram por se aproximar da música. Logo de início tiveram apoio de Vinicius de Moraes e Carlos Lyra, formando assim o Quarteto em Cy, que remete à primeira sílaba de seus nomes.

O primeiro disco veio em 1964, com composições de Edu Lobo, Ruy Guerra, Baden Powell, Moacyr Santos e Vinicius.

              Cynara (ao lado de Tom) e Cybele (com Chico Buarque a seu lado).

Por 40 anos, o grupo teve várias modificações. Em 1967, Cynara e Cybele se desligaram do Quarteto, pois não queriam arriscar a sorte no mercado fonográfico americano, formando então uma nova dupla. Neste ano, elas defenderam “Carolina”, de Chico Buarque, no Festival Internacional da Canção, e ficaram em terceiro lugar.

Cybele se casou, em 1969, com o jornalista, radialista e dublador Marcílio Freire, com quem teve um filho. Freire morreu em 2003, aos 66 anos.

Inahiá Castro é a autora do livro “As Meninas do Cy”, que relata várias passagens da vida musical das irmãs, com várias histórias engraçadas. O lançamento do livro foi no ano passado, junto com um show comemorando os 50 anos de trajetória musical do grupo. (Fonte: aqui).

................
POST AQUI PUBLICADO EM MARÇO DE 2013:


As meninas do Quarteto em Cy com Oscar Castro Neves, Pelé, Dorival Caymmi e Vinicius de Moraes. O poeta Vinicius foi quem abriu o caminho musical para as baianinhas, por volta de 1963, no Rio de Janeiro. Com a palavra Cyva Leite, líder do Quarteto (blog AQUI): "Sempre dizemos que o Vinicius foi o nosso padrinho, porque foi quem incentivou o Quarteto e acreditou em nós. Foi decisivo para nossa carreira. Ele dizia que falava tanto em nós e andava nas festinhas conosco, que o pessoal já o estava chamando de 'Cynicius'."

Ao longo de suas cinco décadas de atuação, o Quarteto em Cy (que continua firme e forte) passou por diversas alterações em sua formação, todas elas com a presença de Cyva. Clique AQUI para ler ótima entrevista com ela.


Ontem, 18,03.2013, tivemos a satisfação de ver o Quarteto em Cy, acompanhado de Georgiana de Moraes, filha do poetinha, oferecer belíssima homenagem a Vinicius por conta de seu centenário de nascimento. Foi marcante o show no Artes de Março, promovido pelo Teresina Shopping.

DA SÉRIE TÉCNICAS DE ABORDAGEM


Mello.

MARINA E A OBSERVAÇÃO À LUZ DE VELAS


"Marina Silva entrou na campanha batendo em Dilma Rousseff. Em sua primeira entrevista depois que o PSB oficializou a candidatura, ela foi para cima da presidente:

“É lamentável que tenhamos desde 2002 a ameaça de apagão. Eu digo lamentável porque nós temos há 12 anos a mesma pessoa à frente da política energética do nosso país, inicialmente como ministra (de Minas e Energia), depois como chefe da Casa Civil e agora como presidente da República”.

Compreensivelmente em busca de espaço na campanha, Marina mostrou-se desatualizada em matéria de fantasmas criados pela oposição para tentar colocar o governo na defensiva.

O “apagão” foi uma miragem que veio depois do fantasma da hiperinflação e antes da Copa que não ia acontecer. Era simples factoide, destinado a criar uma ambiente de pessimismo artificial, num país que está longe, muito longe, de ser uma nação sem problemas - mas onde se vive o mais baixo desemprego da história, onde os mais pobres realizaram conquistas inegáveis, inclusive na instalação de luz elétrica, que hoje só não atinge absolutamente 100% de todas as residências porque sempre haverão aqueles lugares perdidos e distantes num país imenso.

O que se procurava, com o fantasma número 2, era nivelar a gestão Lula-Dilma com o governo FHC no qual ocorreram, efetivamente: o governo foi obrigado a organizar um racionamento de energia, produto de uma visão política que não compreendia a necessidade do Brasil crescer e não tomou, é claro, as providências que tornariam isso possível.

O desagradável, no caso, é que a crítica de Marina ajuda a encobrir seu próprio papel nessa história. Como ministra do Meio Ambiente, ela fez o possível para atrapalhar o esforço legítimo do governo Lula para garantir o suprimento de energia que permite a uma pessoa assistir TV, tomar banho quente, ligar o computador e até ler um livro à noite - ter acesso à civilização, enfim.

Se é possível apontar falha de projeto aqui, uma decisão errada ali na atuação de qualquer autoridade, em qualquer época, a atuação de Marina leva a outro balanço no campo de energia. Consistiu em impedir investimentos que iriam ajudar os brasileiros pobres, desamparados, a vencer atrasos históricos.

Apoiada numa visão excludente do meio ambiente, pela qual o progresso social pode ser sacrificado em nome da preservação ambiental, sua passagem de cinco anos pelo ministério do Meio Ambiente foi orientada em grande medida para combater a construção de hidrelétricas importantes, responsáveis pela energia mais limpa que se conhece. Se as obras não foram impedidas, foi porque ela não tinha força para isso. Não era apoiada pela maioria dos ministros nem por Lula. Mas Marina fez o possível para atrasar projetos, adiar licitações. Derrotada nas questões de mérito, dava espaço para entreves burocráticos. Jogou duro contra (a hidrelétrica de) Santo Antônio que, ao lado de Jirau, elevou em 10% o potencial energético do país.

Terceira maior usina do mundo, construída após demoradas negociações e inúmeras concessões ambientais, que reduziram em larga medida seu potencial energético original, Belo Monte só pode seguir em bom ritmo depois que ela deixou o governo. Nunca deixou de fazer uma campanha permanente contra a construção de Angra 3 e de outras usinas nucleares, principal fonte de energia em países cujo padrão de vida é exemplo para o mundo, como França e Alemanha.

Sete anos depois de deixar o governo Lula, Marina quer mais energia. Em vez de cobrar, seria mais honesto fazer uma autocrítica, certo?"



(De Paulo Moreira Leite, post intitulado "Marina fala do que não entende", aqui).

DA SÉRIE A COERÊNCIA MÍOPE DOS NEOLIBERAIS


Eduardo Giannetti e a intolerância de um liberal

Por Luiz G. Belluzzo, Ricardo Carneiro, André Biancarelli e Pedro Rossi

Em evento organizado na última segunda-feira pela consultoria Empiricus (que vem se notabilizando pelo pessimismo militante e previsões sobre o “fim do Brasil”), o porta-voz econômico da candidatura do PSB afirmou: “A Unicamp é um produto típico do regime militar”. O professor Eduardo Giannetti é um intelectual sofisticado, filósofo e economista, assumidamente um liberal – que a princípio defende e respeita a pluralidade de pontos de vista. Nesse episódio, esteve mais próximo de gente bem menos refinada, como o blogueiro Rodrigo Constantino.

De acordo com o relato da Rede Brasil Atual, quando questionado sobre a formação dos economistas do governo, suas palavras foram: “O regime militar é culpado disso (…) um grupo que se fecha religiosamente em torno de um pensamento desconectado do mundo”.

Indo além, sacou da cartola um suposto seminário “em 1978” em que Celso Furtado teria sido desqualificado em Campinas, com suas ideias consideradas “de interesse da ‘burguesia’, enquanto a preocupação dos presentes ao encontro seria ‘a luta de classes, o imperialismo’”. Como cereja do bolo, teria afirmado que “o bolchevismo não aparece em países democráticos”.

Salvo algum engano do repórter, lamentamos o tom e os termos. Mas antes de tudo não conseguimos compreender o raciocínio do especialista em ideias econômicas. A desqualificação que procura obstruir o debate vem baseada em desconhecimento da instituição que critica de forma rasteira.

Celso Furtado foi o ponto de partida das reflexões originais dos fundadores do instituto, é Doutor Honoris Causa por esta instituição e parece pouco provável que suas ideias tenham algum dia sido contestadas aqui com este nível de argumento. Nem por este lado. A propósito, falar em “bolchevismo” e recorrer a este suposto episódio levanta a dúvida sobre quem está de fato com a cabeça em décadas passadas.

A Unicamp foi um dos centros que aglutinou o pensamento crítico brasileiro durante o período militar. Assim como outros economistas hoje no campo liberal – como Edmar Bacha e Pedro Malan, por exemplo – seus professores discutiram rigorosamente o significado das opções econômicas da ditadura e denunciaram seu caráter excludente. Ao contrário de “fechamento”, o que marcou a instituição naquele período de pouca abertura para a contestação foi sempre a busca do debate público, a explicação da realidade brasileira e de seus problemas reais. E assim se manteve ao longo das décadas seguintes, em vários outros temas.

Se o conteúdo destas explicações hoje desagrada a quem não participou daquele debate, é outro problema. Discordamos de Giannetti e do discurso do “Estado que não cabe no PIB”, da privatização dos bancos públicos e da redução dos gastos sociais. Mas jamais vincularíamos suas ideias à falta de inteligência ou a motivações religiosas. Muito pelo contrário, são claros os interesses econômicos e financeiros a sustentar tais posicionamentos.

Além disso, a pluralidade política dos economistas da Unicamp desautoriza qualquer generalização ou associação direta. No instituto estudou a presidenta da República, mas também quadros que serviram a outros governos antes de 2003. São professores da casa o atual presidente do BNDES e o ministro da Casa Civil, mas também tiveram grande importância em sua história José Serra e Paulo Renato Costa Souza.

Do ponto de vista teórico, o curso de Economia, conhecido por apresentar Marx e Keynes a seus alunos, também estuda obviamente Hayek, Friedman e seus discípulos mais recentes. A existência de um eixo teórico que organiza o curso não significa bloqueio ou desconhecimento de outras abordagens.

Quem faz isso, aliás, é a maioria das escolas convencionais de economia, em atitude muito questionada nos últimos tempos. Se estar “conectado” significa este tipo de postura, agradecemos mas rejeitamos o conselho.

No final das contas, a caricatura geralmente feita dos economistas da Unicamp revela uma vontade de reinar sozinho em um debate onde só há uma alternativa, a do liberalismo econômico. E que todos que pensem diferente sejam desqualificados. A “nova política”, no caso específico da política econômica, tem como ingrediente principal um velho conhecido: o Estado Mínimo.

Conheça a página do Brasil Debate, e siga-nos pelo Facebook e pelo Twitter. (Fonte: aqui).

................
O curioso é constatar que, mesmo após a desmoralização sofrida em razão do desastre mundial eclodido em 2008, os entusiastas do neoliberalismo continuem a pregar a ditadura do Livre Mercado e a arvorar-se de donos da verdade, como se nada tivessem a ver com a hecatombe provocada pelo modelo por eles defendido...

CENA ELEITORAL


Ivan Cabral.

O MERCADO DE NOTÍCIAS


Sobre "O mercado de notícias", de Jorge Furtado

Por Antonio Mello

Sou fã de Jorge Furtado, desde Ilha das Flores. Acompanho seus filmes e seu trabalho na televisão. E também as postagens que faz em seu blog.

Com esse espírito, fui assistir a seu último filme, "O Mercado de Notícias", cheio de boas expectativas. Afinal, este blog trata do assunto desde que o inaugurei há nove anos.

Mas, se não cheguei a me decepcionar, saí um pouco frustrado. O filme promete mais do que entrega - ou eu é que fui esperando mais, por culpa do talento incrível que Jorge Furtado tem de misturar realidade e ficção, extraindo o máximo dos temas de seus trabalhos.

A cozinha dessa vez não alcançou o resultado esperado. Os ingredientes estavam ali, mas não houve a mágica que os transformasse num grande filme.

Os depoimentos dos jornalistas não trouxeram novidade alguma para quem acompanha a discussão do jornalismo praticado no Brasil. Tirando a declaração peremptória de Janio de Freitas de que o jornalismo de hoje é negócio e que o comercial manda no noticiário (ele não disse com essas palavras, mas o sentido é esse), o resto foi mais do mesmo.

Mas o filme tem dois grandes momentos, que fazem que valha a pena assisti-lo, ao menos por eles: a elucidação da farsa da bolinha de papel que atingiu Serra em 2010 e o caso do Picasso falso do INSS. Hilários, impagáveis, e um verdadeiro trabalho de reportagem com a qualidade e o humor característicos de Jorge Furtado.

Vá ver o filme, sem as expectativas exageradas que eu tinha quando fui assisti-lo. Vale a pena. Especialmente se você gosta do assunto, ou então, ao contrário, se você acha que o jornalismo de hoje é feito por bravos jornalistas e repórteres que vivem e distribuem notícia com  a intenção de informá-lo com "a verdade dos fatos". Neste último caso, você vai levar um susto. Leve-o.

"O Mercado de Notícias" tem um site onde podemos assistir aos depoimentos dos jornalistas na íntegra, além de encontrarmos outras informações sobre ele. Vale a visita.

Salve, Jorge.

E você, já viu o filme? O que achou? (Fonte: aqui).

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

CARTUM ANGELICAL


Tiago Recchia.

SOBRE O SUS E SUA IMAGEM


"Para confrontar a presidente e candidata Dilma Rousseff, que, na entrevista ao Jornal Nacional, ousou replicar as acusações da bancada, a Globo requentou a pesquisa já divulgada pelo Datafolha há alguns dias sobre a saúde pública e privada no Brasil. Mas descobriu números que não gostaria de noticiar e jogou estas informações para o pé da matéria: "Para os entrevistados que disseram ter utilizado algum serviço do SUS, 26% consideram a qualidade do atendimento como ruim ou péssima; 44% avaliam como regular; e 30% consideram a qualidade boa ou excelente".

Percebe-se que a avaliação é de quem usou o SUS. O que a Globo fez: misturou alguns dados para dar impressão de que 93% desaprovam o sistema. Ou mais especificamente:

1. Considerou alguma insatisfação como insatisfação total
2. Não discriminou dados de saúde pública e privada
3. Enfatizou a soma daqueles que consideram o sistema com "ruim" ou "péssimo" com os que o consideram "regular".
4. Não diferenciou a opinião daqueles que usam o sistema de atendimento em postos e hospitais da opinião daqueles que não o utilizam para estes fins.

Para acentuar "a má avaliação" sobre o SUS, a Globo contou com depoimentos de representantes da APM (Associação Paulista de Medicina) e do CFM (Conselho Federal de Medicina) que utilizaram-se de "retórica da vingança" contra o Governo. É bom lembrar que estas entidades foram totalmente contra a vinda de médicos do exterior para atender pessoas no interior e nas periferias.
Um dos entrevistados chegou a afirmar que "é o pior momento do sistema de saúde em 40 anos" de profissão. O que é mentira, já que o SUS tem pouco mais de 25 anos.

Emissora e entidades sonegam outras informações
Pior que produzir matéria com fins eleitorais, no entanto, é o que veem fazendo as entidades e a grande imprensa contra o Sistema Único de Saúde. Podemos elencar algumas informações que poderiam servir de base para a avaliação da população brasileira.

O que a Globo, a APM e o CRM escondem da população:

1. Que a responsabilidade do SUS é compartilhada entre municípios, estados, Distrito Federal e União.

2. Que a atenção básica, por exigir adequação a realidades locais, pesa mais sobre a gestão dos municípios.

3. Que o SUS, que atende 100% da população, conta com pouco mais do dobro da receita das empresas de saúde privada, que atendem 25%.

4. Que, embora as empresas privadas tenham quase o dobro da receita da Saúde Pública por habitante, ainda assim assistem a um aumento de 400% no número de reclamações em dez anos (as críticas ao setor privado foram ocultadas na pesquisa).

5. Que este número não aparece na mídia, porque estas empresas são grandes anunciantes.

6. Que programas do SUS são bem avaliados pela população: Farmácia Popular, vacinações e SAMU, etc.

7. Que todo mundo usa o SUS, embora não saiba (Campanhas de vacinação, por exemplo).

8. Que quando se diz que a saúde de SP é a melhor do país, se está dizendo apenas que o SUS de SP é o melhor do país, embora seja mentira. Estados do Sul, Distrito Federal e até Minas Gerais são mais bem avaliados.

9. Que conquistas do SUS, como redução da mortalidade infantil e maternal, combate a AIDS, campanhas de vacinação, etc, são reconhecidas em todo o mundo por agências internacionais.

10. Que a isenção fiscal, com dedução de gastos de saúde no imposto de renda, retira dinheiro da saúde pública

11. Que nenhum país com mais de 60 milhões de pessoas (Inglaterra ou França) ousou ter um plano universal e gratuito (ou seja, sem nenhuma forma de co-participação financeira ou desconto dos salários)

12. Que a participação social é um princípio do SUS. E portanto a população mais do que usuária poderia ser motivada a participar de conselhos municipais e estaduais.

13. Que o balanço da saúde pública no Brasil de agora é melhor que há mais de 25 anos pelo simples fato de que não havia saúde universal e gratuito. E isso foi destacado recentemente por um relatório do Banco Mundial.

14. Que, se não fosse o sistema de ressarcimento, seu plano de saúde seria mais caro.

15. Que, em tratamentos como diálise, o plano de saúde não garante muito mais que o quarto. O resto é responsabilidade pública, embora o plano não diga.

16.Que o Ministério da Saúde não faz mais campanhas porque tem que pagar pelo espaço ocupado em televisão, que, no entanto, é uma concessão pública.

17. Que hospital municipal é de responsabilidade, pasmem, municipal (controle e gerência), estadual é do estado, e federal é da União.

18. Que os números jogados no pé da matéria apontam para uma saúde "minimamente razoável" (ora, se 74% concordam que é de regular a bom, então é minimamente razoável).

19. Que os sistemas universais e gratuitos de países modelos como França e Inglaterra contam com três vezes mais recursos per capita que o SUS, simplesmente porque são países como esta proporcionalidade de PIB per capita.

20. Que vários tipos de transplante estão com a fila zerada ou quase zerada

21. Que existem hospitais de referência no SUS, como a rede Sarah, o Inca, e o Hospital de Barretos para o câncer.

22. Que, ao fazer campanha contra a CPMF, a mídia contribuiu para reduzir o financiamento do sistema. Bastava lutar pela vinculação da receita, por meio de uma emenda constitucional.

23. Que, ao sonegar milhões em impostos, como já comprovado, a empresa está prejudicando também a receita para a saúde.

24. Que tudo acima já deveria ser de conhecimento da população, se a Globo se comportasse, dentro do jornalismo, como uma emissora séria."



(De Weden, no Jornal GGN, post intitulado "SUS é bom para 30% dos usuários, regular para 44% e ruim para 26%" - aqui.
As entidades médicas acima referidas, que ora se empenham ao máximo em reforçar a oposição da Globo ao SUS, me parecem, digamos, comprometidas, uma vez que o até aqui bemsucedido Programa Mais Médicos - que aquelas entidades abominam - vem se revelando medida eficaz, para satisfação das populações de centenas e centenas de municípios Brasil afora. Parece evidente que a opinião de tais entidades médicas, constrangidas pelos fatos, seja invariavelmente contrária a quaisquer programas e iniciativas do governo federal...).

OLD CARTUM


Sampaulo.  (Jornal Zero Hora, Porto Alegre - 1994).

CENA ELEITORAL TUPINIQUIM


Ykenga.

OS MÉRITOS DO HORÁRIO ELEITORAL

Benett.

Horário eleitoral: espaço democrático

Por Laurindo Lalo Leal Filho

O horário eleitoral, para começar, de gratuito não tem nada. As emissoras recebem compensações do Tribunal Superior Eleitoral pelo tempo despendido, que acaba sendo um oásis de informação e debate diante do cotidiano partidarizado da mídia eletrônica. Durante 45 dias, entre 19 de agosto e a antevéspera das eleições, as emissoras de rádio e TV abertas (mais as dos poderes legislativos e executivos transmitidas por cabo) são obrigadas a reservar determinados espaços em suas programações para que partidos e candidatos se apresentem.

Por lei, os programas devem ser transmitidos em dois horários. Na televisão, das 13h às 13h30 e das 20h30 às 21h. No rádio, das 7h às 7h30 e das 12h às 12h30. São os raros momentos em que temas excluídos­ ou demonizados pelo telejornalismo convencional aparecem na tela. Claro que aberrações político-eleitorais que vão dos palhaços aos aerotrens também surgem, mas isso faz parte do jogo.

O importante é a independência editorial desses momentos. Só neles o rádio e a TV livram-se das imposições políticas, comerciais e religiosas das emissoras. Mas como toda a liberdade, essa também não é absoluta. A lei eleitoral estabelece os limites, e a Justiça especializada cuida do seu cumprimento.

Graças a isso, um dos mais importantes instrumentos existentes para o exercício da democracia – o direito de resposta – é aplicado sempre que necessário. Infelizmente, fora do período eleitoral, por uma decisão equivocada do Supremo Tribunal Federal, presidido à época pelo ministro Carlos Ayres Britto, o direito de resposta deixou de existir em lei, embora garantido pela Constituição.

No caso do horário eleitoral, a resposta tem de ser veiculada em, no máximo, 24 horas após a transmissão da cena considerada ofensiva pela Justiça. Se a infração ocorrer durante a programação normal das emissoras, o prazo para reparação é de 48 horas – e de 72 horas quando se tratar da mídia impressa.

Como se vê, não é apenas no horário eleitoral que cabe o direito de resposta. Qualquer programa, telejornal, auditório, novela que fizer propaganda contra ou a favor de um partido ou candidato estará sujeito a sanções. É por isso que muitos apresentadores de rádio e TV se insurgem raivosamente contra a lei eleitoral alegando cerceamento à liberdade de expressão. Alguns podem até ser sinceros e predispostos a discutir as eleições de maneira equilibrada. No entanto, conhecendo nossa mídia não seria surpresa se, na ausência da lei, as emissoras se transformassem de forma descarada em agentes de propaganda partidários.

Programas eleitorais obrigatórios e uma legislação que coíba o uso irresponsável de um meio de comunicação são dois exemplos que deveriam ser ampliados para o cotidiano da comunicação. No primeiro caso, trata-se do direito de antena, prática consagrada em vários países democráticos, mas inexistente no Brasil.

As concessões de rádio e TV não podem ter suas grades de programação preenchidas apenas por conteúdos de interesse de seus controladores. Como espaços públicos, devem ser abertos para outras vozes organizadas existentes na sociedade. Hoje só os partidos políticos, de forma restrita, têm esse direito.

Além deles, “organizações sindicais, profissionais e representativas das atividades econômicas, bem como outras organizações de âmbito nacional” deveriam ter o mesmo direito, “de acordo com a sua relevância e representatividade e segundo objetivos a definir por lei, a tempos de antena no serviço público de rádio e televisão”, como diz com clareza a Constituição de Portugal. No mesmo sentido, França, Países Baixos, Alemanha e Espanha, por exemplo, também garantem que partidos e movimentos sociais tenham espaço no rádio e na TV. Além da Argentina, que consagrou essa prática em sua nova Lei de Meios Audiovisuais.

Por aqui, em vez de avançarmos no mesmo sentido, até a Voz do Brasil, uma das poucas áreas públicas de comunicação ainda não privatizadas, vê-se ameaçada pelas forças do mercado. (Fonte: aqui).

................
É fato, como ressalta o articulista, que certos candidatos e partidos fazem mau uso do espaço que lhes é reservado no horário eleitoral, mas isso também faz parte do jogo e não pode ser utilizado como pretexto para cerceamento do direito.
Quanto ao programa radiofônico A Voz do Brasil, após tentativa frustrada de extingui-lo, segmentos partidários empenham-se agora em 'flexibilizar' o horário de apresentação: cada emissora escolherá a hora que lhe aprouver (num certo período do dia, fixado em lei). Caso a iniciativa prospere, será o fim, na prática, do A Voz do Brasil. 
Voltando ao horário eleitoral: achar um desenho adequado pra ilustrar o texto acima foi um sufoco: a malhação é a tônica. Ainda bem que localizei um cartum do excelente Benett.

ELEIÇÕES: MENSAGEM ENIGMÁTICA


Nani.

................
Ao que diz o outro: Eu não sei, mas tenho boas expectativas!

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

ELEIÇÕES 2014: ACIONADA LEI DA FICHA LIMPA


Lei da Ficha Limpa impugna 497 candidatos

Candidatos que já tiveram alguma condenação na Justiça ocuparam o segundo lugar de impugnações pela Lei da Ficha Limpa: foram 59 casos. Os candidatos que tiveram contas rejeitadas, no exercício de algum cargo público, lideraram o ranking do pente fino: 254, mais da metade. Em terceiro lugar, foram impugnados pela Ficha Limpa candidatos condenados por ato doloso de improbidade administrativa, que ocasionaram lesão ao patrimônio público e enriquecimento ilícito – foram 37.

“O elevado número de impugnações representa, infelizmente, o descaso com a Lei Eleitoral, e mesmo com a Justiça Eleitoral, por parte dos candidatos e partido”, disse o procurador regional eleitoral em Minas Gerais, Patrick Salgado Martins.

Para o procurador, a Lei da Ficha Limpa começa, este ano, a ter maior peso sobre políticos condenados por mau uso do dinheiro público ou por desvio de conduta.

O estado de São Paulo foi o que liderou: 78 impugnações pela lei, seguido do Rio de Janeiro, com 38, e Pará, com 31.

Os dados foram coletados a partir de uma ampla pesquisa do Ministério Público Eleitoral, por meio do Sisconta Eleitoral, o sistema que armazena o banco de dados de inelegibilidade fornecidos pelo Judiciário, tribunais de contas, casas legislativas e conselhos profissionais.

“Se não fosse o cruzamento de dados do Sisconta Eleitoral, as Procuradorias teriam de detectar as inelegibilidades de cada candidato, um a um, no exíguo prazo de cinco dias”, expôs a dificuldade o coordenador do Grupo Executivo Nacional da Função Eleitoral (Genafe), André de Carvalho Ramos.

A Lei da Ficha Limpa, este ano, foi responsável por quase 500 ações. Mas outras 3.618 candidaturas também foram impugnadas pelo Ministério Público Federal por outras irregularidades nos pedidos de registro.

Ainda cabe à Justiça Eleitoral julgar os pedidos e decidir pelo deferimento ou não dos registros. (Fonte: aqui).

................
É o que se pode chamar de lei salutar.

ELEIÇÕES 2014: ACIONADA LEI DA FICHA LIMPA

.
TEATRO DO ABSURDO
Cena que, espera-se, não mais será vista:


Kayser.

ELEIÇÕES 2014: ACIONADA A LEI DA FICHA LIMPA


J. Bosco.

SELFIE, A COMPULSÃO IRRESISTÍVEL


Mania de 'selfies' pode estar passando dos limites, diz pesquisador

Da BBC Brasil

Registrar os momentos com vídeos, atualizações de status e selfies é inevitável, mas podemos estar ultrapassando os limites. É o que pensa o pesquisador Andrew Hoskins, da Universidade de Glasgow, na Escócia.

Ele está em São Paulo para o Fórum Permanente de Gestão do Conhecimento, Comunicação e Memória, onde falará sobre como as tecnologias digitais estão mudando a maneira como os acontecimentos atuais se tornam memória.

Manter-se conectado a todo momento, segundo Hoskins, já é parte integrante da experiência de estar em qualquer lugar e se tornou uma espécie de compulsão. Isso ajudaria a explicar, por exemplo, a polêmica levantada pelos autorretratos tirados durante o funeral de Eduardo Campos. (Fonte: aqui).

................

Grzondziel.

De fato, a obsessão é incontrolável...

NONSENSE



S. Salvador.

ESE TIPO SOY YO

Roberto Carlos por Fernandes.

Êxito na América Latina reitera força d'aquela canção do Roberto' de 2012

Lançado esta semana por Roberto Carlos na América Latina, nos Estados Unidos e na Península Ibérica, o EP Ese tipo soy yo - versão hispânica do EP Esse cara sou eu, lançado no Brasil em novembro de 2012 - foi direto para o topo da parada de singles do iTunes em nada menos do que onze países (Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, México, Paraguai, Peru, Panamá, Republica Dominicana e Venezuela). O êxito do disco nesses onze países reitera a força e a vocação para hit daquela que pode ser considerada a última grande canção do Roberto. Mesmo que não resista a comparações com os clássicos empilhados pelo Rei nas paradas dos anos 1960 e 1970, Esse cara sou eu (Roberto Carlos, 2012) - rebatizada Ese tipo soy yo na versão em espanhol escrita por Roberto Livi - é canção que gruda na mente. É uma música simples, mas envolvente, capaz de passar sua mensagem com clareza - qualidade de toda grande canção do Roberto. Talvez por isso mesmo Esse cara sou eu tenha devolvido ao cantor brasileiro a fama de grande vendedor de discos em escalada avassaladora nas paradas que parece já estar se repetindo no mercado latino-americano.

Quando ninguém mais esperava nada de Roberto, inclusive a gravadora Sony Music, eis que o Rei  comprovou sua majestade e sua aliança com o público em época de impopularidade na mídia graças às suas controvertidas tomadas de posição favorável em relação à proibição prévia de biografias não autorizadas. Tanto que Esse cara sou eu já tem lugar de honra na história de Roberto. Lugar que está sendo ampliado com a edição na América Latina de Ese Tipo soy yo, EP que traz versões em espanhol (todas de Roberto Livi) das mesmas quatro músicas do EP brasileiro. O funk melody Furdúncio (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 2012) virou Loco por ella. La mujer que amo é a versão em espanhol de A mulher que eu amo, canção lançada pelo Rei na trilha sonora da novela Viver a vida (TV Globo, 2009). Já Tu regresso é a versão de A volta, fiel à gravação feita por Roberto em 2004 com sua versão da música lançada em 1966 nas vozes da dupla Os Vip's.

Não, esse cara de 73 anos ainda não é carta fora do jogo da indústria do disco. (Fonte: aqui).

................
Manter-se em evidência cinquenta e tantos anos depois do estrelato não é pra qualquer um.  Vai ver, Roberto inspira-se em seu ídolo Tony Bennett, que, aos 88, completados no último dia 3, continua firme no show bizz americano.

AGRURAS DE CONSUMIDOR


Kayser.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

REPLAY D'O HORROR



"Vincent Price, mago dos filmes de terror classe 'b', perde feio para Roger Abdelmassih. Price pontificava na ficção, enquanto o doutor Horror praticou na vida real seus atos horrendos, parte dos quais motivou sua condenação a 278 anos de reclusão. Eu disse parte dos quais porque há denúncias de novas práticas ilícitas de autoria do meliante, reveladas pela revista acima.

Cumpre registrar que Abdelmassih fugiu para o Líbano, país com o qual o Brasil não celebrou tratado de extradição." (Post aqui publicado em 15.05.2011).

................
A prisão de Abdelmassih - pela Polícia Federal brasileira -, aconteceu nesta data, no Paraguai. O ex-foragido foi condenado pelo estupro de 39 clientes e de uma funcionária de sua clínica de reprodução assistida em São Paulo, entre os anos de 1995 e 2008.
Espera-se que não venha a ser contemplado com novo habeas corpus.

ECOS DA INQUIRIÇÃO


"Dos 16 minutos cronometrados, Dilma falou 10 minutos e meio; Bonner, 4 e meio, e Patrícia quase 1 minuto. Dá 65% para ela e 35% para eles. Dilma pronunciou 1.383 palavras, contra 980 da dupla (766 só do Bonner), o que dá 60% x 40%. Isso é escore de debate, não de entrevista. A dupla encaixou 26 acusações ao governo e ao PT; algumas, com ponto de exclamação.

Nos quatro blocos temáticos (corrupção, mensalão, saúde e economia) Bonner lançou no ar 13 pontos de interrogação, e Patrícia, dois. A presidenta foi interrompida 19 vezes. Tomou dedo na cara de Bonner e de Patrícia, que reclamou de uma resposta com um soquinho na mesa. Isso não é comportamento de jornalista. Na entrevista com Aécio Neves – que muitos acharam “dura”, embora tenha sido apenas previsível – a dupla fez quatro interrupções e cinco reiterações de perguntas."



(De Ricardo Amaral, no Jornal GGN, post "A mensagem do JN: 'eles não gostam dela'" - aqui.
Comentário: sem comentário).

ELEIÇÕES LIVRES: A MARCA DO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO


................
Cartum selecionado no 6º Salão Internacional Medplan de Humor, cuja abertura aconteceu nesta Capital em 22 de junho de 2014. É a minha homenagem ao Estado Democrático de Direito.

BONNER EXTRAPOLOU


"Uma das primeiras lições num curso de jornalismo é que entrevistador não deve falar muito. Deve ser direto nas perguntas e buscar ser o mais objetivo possível. Não significa que deva ser leniente e bondoso com o entrevistado. Pode interrompê-lo, cortá-lo etc, mas não deve fazer discursos.

Willian Bonner não é um jornalista habituado a fazer entrevistas. É um apresentador. E mais do que nunca sua falta de qualidade para realizar um dos fundamentos básicos da atividade ficou evidente na noite de hoje. Em vários momentos ele foi absolutamente circular nas suas falas e até pouco educado. Lembrou Henry Maksoud nos tempos em que fazia um programa na Gazeta, cujo nome era Henry Maksoud e Você. Mas que era apelidado de Henry Maksoud e Eu. Porque só o entrevistador falava.

Isso compromete não só o desempenho do entrevistado, como da entrevista. Dilma não foi mal no Jornal Nacional. Foi razoável e dificilmente ganhou ou perdeu algo. Saiu, como se diz no popular, no zero a zero. Mas ficou evidente em alguns momentos que foi prejudicada não pela falta de condições de responder, mas pela confusão criada pelo entrevistador que fazia um monte de questões num longo tempo e queria respostas rápidas.

Dilma, por exemplo, respondeu que não falaria sobre o julgamento do Supremo. Bonner começou dizendo que “houve corrupção em várias áreas do governo” e citou vários casos. E as duas CPIs da Petrobras. Dilma respondeu que “os governos que mais estruturaram os mecanismos de combate a corrupção” foram os dela e o de Lula. Que a PF ganhou autonomia, que há relação respeitosa com o MP, que nenhum Procurador Geral da República foi chamado de engavetador etc. A resposta estava dada, mas aí Bonner apelou para o mensalão e soltou uma frase de efeito no meio de um monte de considerações. “Seu partido teve um grupo de elite comprovadamente corrupto”. Dilma respondeu que não faria julgamento de uma decisão do Supremo Tribunal. Neste momento o entrevistador só faltou pular da mesa e exigir que ela respondesse o que lhe parecia mais adequado.

Foram aproximadamente dois minutos da entrevista nesta querela. E ali havia clara intenção do apresentador em fazer discurso, não de fazer perguntas.

Nas outras questões, Dilma também foi apertada. Como, aliás, outros candidatos também foram. E se saiu bem. Explicou que na saúde ainda há muitos problemas a enfrentar, mas que acha que já houve melhoras significativas. “Contratamos mais 14.562 médicos e ampliamos a nossa (rede) de atendimento para mais de 50 milhões de brasileiros”, afirmou. E quando Bonner, tentou interrompê-la logo no começo de uma resposta falando que precisavam falar de economia, a presidenta deu-lhe uma resposta bolada: “Tenho maior prazer de falar da economia, Bonner”.

E foi muito bem ao falar de como o Brasil está enfrentando a crise econômica. “Não desempregando, não arrochando salários, não aumentando impostos. Qual era o padrão anterior?” Esse foi certamente seu melhor momento. Bonner falou de inflação alta e a presidenta teve de lhe informar o que todos os jornais têm registrado, que a inflação dos últimos meses é de 0%.

Ao final, a presidenta dialogou com a frase dita por Eduardo Campos e disse: “eu acredito no Brasil”.

Foi uma entrevista meio atarracada e Dilma sai do mesmo tamanho. Sem se ferir. O que, para quem está em primeiro lugar, recuperando a imagem do seu governo e que terá o maior tempo de TV, é uma boa notícia."





(De Renato Rovai, em seu blog, post intitulado "Bonner quis falar mais que Dilma na entrevista do Jornal Nacional". De fato, Bonner, quilométrico em suas perguntas, extrapolou.
Uma sugestão: que o tempo despendido nas perguntas dos entrevistadores passe a ser desconsiderado. As entrevistas passariam a ter 15 minutos líquidos: o cronômetro só correria para as falas do entrevistado).  

DA SÉRIE PRIORIDADES MODERNAS (II)


Duke.

A MIDIA E O PESSIMISMO MILITANTE


Quem está pior, a economia ou a mídia?

Por Fábio Jammal Makhul

Não é improvável um espectador do telejornal noturno ter o sono perturbado com vozes soturnas de apresentadores e analistas. Pelo que se vê e se ouve, não se sabe o que aquele apresentador sério quer dizer com “boa noite”. Afinal, a economia do Brasil pode estar à beira da bancarrota. Tampouco se perdoa o “bom dia” do apresentador da manhã, pois os jornais do dia também trarão o apocalipse. Não é para menos.

A preocupação com a economia move o dia a dia das pessoas, inclusive as que dormem mais cedo que os jornais noturnos. Ninguém passa um único e escasso dia sem fazer contas. Foi entendendo a importância dessa ciência, nem sempre exata, que o estrategista James Carville, do Partido Democrata, eternizou a frase “é a economia, estúpido!” Era 1992, e com esse aprendizado Bill Clinton superaria o favoritismo do republicano George Bush, o pai, demonstrando sintonia com as angústias cotidianas dos norte-americanos nesse quesito. Eis o segredo do homem que faria história no Salão Oval da Casa Branca pelos próximos oito anos: saber o que, com quem e por que estava falando.

O noticiário econômico cumpre vários objetivos. Um deles, saciar os humores do mercado financeiro, servir de ponte para suscitar apostas nos cassinos da especulação, detectar (ou criar) o clima do ambiente eleitoral, entre outros, inclusive informar de vez em quando. Porém, pelo que algumas pesquisas têm demonstrado, a opinião pública talvez não veja a economia do Brasil como a veem os especialistas.

Pesquisas do Datafolha apuram o índice de confiança do brasileiro em relação ao país. Numa escala de 0 a 200, um levantamento feito no início de julho revelou que a expectativa da situação econômica pessoal é de 160 pontos, sendo um dos “aspectos para os quais os brasileiros demonstram um sentimento positivo acima da média”, no relato do instituto. Já a expectativa da situação econômica do país­ registrou 102 pontos em julho, alta de 6 pontos na comparação com maio. Os eleitores brasileiros também foram consultados sobre a situação econômica pessoal e 48% esperam que ela vá melhorar nos próximos meses. Outros 38% acreditam que ficará como está. E apenas 12%, que vai piorar. Pela pesquisa, pode-se constatar que há um grande descompasso entre o sentimento positivo do brasileiro com relação à economia e o cenário catastrófico divulgado pela mídia tradicional.

O jornal ou o caixa
O comerciante Mário Paixão da Silva, de 46 anos, tem uma pequena loja de roupas no centro do Recife (PE) há mais de 20 anos. E diz que basta conferir as vendas para saber se a economia está bem ou não. “Você acha que vou acreditar no jornal ou no meu caixa?”, brinca, ainda comemorando as vendas que fez durante a Copa do Mundo. “A gente precisa ser criativo e se reinventar a cada dia. Durante a Copa, por exemplo, troquei as tradicionais roupas da vitrine por camisas da seleção ou por peças que privilegiassem o verde e o amarelo. Vendi muito, não posso reclamar. E, nos últimos meses, minhas vendas estão no mesmo patamar dos anos anteriores”, diz.

Mesma opinião tem a auxiliar de serviços gerais Vilma Silva de Lima, de 57 anos. O noticiário econômico não é algo que a perturbe, ou atraia. Moradora de um bairro pobre de Camaragibe, região metropolitana do Recife, Vilma diz que as principais preocupações são com a saúde pública e a segurança. “Aliás, nas próximas eleições, vou prestar atenção no que os candidatos vão dizer sobre esses problemas”, afirma.

Com a aproximação do pleito, a mídia tradicional começa a definir candidatos que querem ajudar ou atrapalhar. E, diferentemente de quase um quarto do eleitorado, parece não estar indecisa, analisa o jornalista e sociólogo Venício Artur de Lima, professor titular de Ciência Política e Comunicação da Universidade de Brasília (UnB). Ele analisa o comportamento midiático em eleições há três décadas e tem vários livros sobre o tema.

Lima avalia que a profusão de informações parciais para privilegiar uns e prejudicar outros dá o tom. “Seguem a mesma conduta das eleições passadas, talvez de forma ainda mais exacerbada.”

O pesquisador pondera, porém, que o Brasil mudou e o eleitor está mais capacitado e dispõe de meios diversos de informação para decidir o voto. “Tenho uma visão diferente da que tinha quando comecei a estudar eleições, nos anos 80. As pessoas buscam muito mais informação fora do esquema da grande mídia. É claro que a TV aberta continua sendo a principal fonte de informação, mas as fontes alternativas têm peso muito grande desde 2006”, avalia. Isso não significa, observa Lima, que a mídia convencional não seja importante para influenciar comportamentos em longo prazo. “A percepção das pessoas sobre corrupção e a estigmatização dos partidos ainda é influenciada pela mídia, mas no comportamento eleitoral em si, o peso do que é publicado nos principais jornais, na TV e no rádio diminuiu, graças a meios que antes não existiam”, comenta.

Pessimismo militante
Usar o jornalismo econômico para fazer política no Brasil é uma estratégia que tem sido bastante criticada por Luis Nassif, jornalista econômico com 45 anos de experiência e organizador do portal GGN. Para ele, há muitas críticas à condução da política econômica do governo federal e vulnerabilidades que precisam ser enfrentadas – especialmente o desequilíbrio nas contas externas do país. “Mas nada que, nem de longe, se pareça com o quadro pintado nos grandes veículos. Aumentos de meio ponto percentual ao ano nos índices inflacionários são tratados como prenúncio de hiperinflação; acomodamento das vendas do varejo, em níveis elevados, como prenúncio de recessão”, comenta.

O que ele chama de “pessimismo militante” compromete a crítica necessária sobre os pontos efetivamente vulneráveis da política econômica e do processo de desenvolvimento do Brasil. “Há uma guerra política inaugurada em 2005, que sacrifica a notícia no altar das disputas partidárias. É evidente que há muito a melhorar no ambiente e na política econômica, mas quem está em crise exposta, hoje em dia, é certo tipo de jornalismo que acabou subordinando os fatos a disputas menores.”

O fotógrafo Alexandre Lombardi, de 38 anos, não gosta de generalizar uma má conduta da mídia. Ele não duvida que todo veículo favoreça um lado e prejudique outro. Lê os jornais tradicionais, procura na internet por blogs, fóruns de discussão e mídias sociais com pensamentos diferentes, mas desconfia à esquerda e à direita, e procura consistência:

“Gosto da pluralidade de pensamentos”, conta Alexandre, que mora em Sorocaba, interior paulista. “A internet deixou tudo muito fácil. É possível comparar versões. Analiso, converso com os amigos e formo a minha própria opinião. Não tiro conclusões baseadas em uma única fonte”, explica. Ele ainda não definiu candidatos para a próxima eleição, mas levará em conta as­ propostas, inclusive para a economia.

Transmitir confiança, credibilidade e consistência, com propostas claras, será o melhor meio de ganhar o voto do eleitor em outubro. Quem afirma é o publicitário Renato Meirelles, sócio-diretor do instituto Data Popular – empresa de pesquisa especializada no conhecimento das classes C e D, onde se concentra a maioria dos brasileiros. “O que vai decidir o voto é a capacidade das candidaturas de entender os problemas reais que o eleitor enfrenta e de oferecer perspectivas de futuro”, observa.

Para Meirelles, será, antes de tudo, uma eleição sobre o futuro e não de legado. “Os eleitores estão mais preocupados em saber o que vai levar o Brasil adiante e não o que trouxe o país até aqui. Isso ­coloca a discussão em outro patamar. Os candidatos devem fazer uma campanha muito mais propositiva em vez de ficar falando do passado”, explica. A queda na credibilidade da mídia, as novas tecnologias da informação e a recente ascensão social no Brasil criaram um novo formador de opinião que terá peso nestas eleições. Trata-se do jovem da classe C. “Esses jovens estudaram mais que os pais, estão mais conectados, contribuem mais com a renda familiar do que o jovem da elite. Ele é provedor de conteúdo em casa e sua opinião vai ajudar a definir o voto da família”, afirma Meirelles. (Fonte: aqui).

DA SÉRIE PRIORIDADES MODERNAS


Pavel Constantin. (Romênia).

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

ELEIÇÕES 2014: NOVIDADES NO FRONT

Ivan Cabral.

Os novos números do Datafolha já estão disponíveis - AQUI -, e dão conta de que, com a entrada de Marina Silva na disputa presidencial, haveria segundo turno, e Marina se sairia muito bem. Ou seja: confirmam-se as expectativas manifestadas por analistas diversos. Resta saber se se manterá em bons patamares ao longo dos dias.

Os números revelam também uma recuperação na avaliação de Dilma Rousseff, que, por exemplo, passa de 22 para 24% na votação espontânea. (Aécio: 11%; Marina: 5%).

Notícia paralela: a mídia vem, há meses, repercutindo a taxa de aprovação do governo Dilma Rousseff, índice que, em geral, tem oscilado negativamente desde as manifestações de junho de 2013. Eis que nesta pesquisa Datafolha a situação se inverteu:

Aprovação à gestão Dilma sobe 6 pontos

A taxa de aprovação do governo Dilma Rousseff teve alta de seis pontos percentuais no intervalo de um mês. Em julho, 32% dos eleitores consideravam a administração da presidente petista como boa ou ótima. Agora são 38% que a avaliam assim, o número mais alto desde abril.

No mesmo período, a reprovação a Dilma diminuiu também seis pontos. Antes, 29% classificavam o governo como ruim ou péssimo. Agora são 23% os que o julgam dessa forma.

Para 38%, o governo Dilma é regular, o mesmo número apurado no mês passado.

(Para continuar, clique AQUI).

................
Diante de percentuais tão expressivos, parece razoável indagar: o que explicaria tamanha reação positiva, no intervalo de um mês? Muitíssimo estranho esse fenômeno...

Alguns comentários interessantes podem ser lidos aqui. (Título de um deles: "Não é que subiu agora, é que antes não tinha caído...").

PROMESSAS FAZEM PARTE DO JOGO


Pelicano.