quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

TRUMP: NADA PREVALECE, TUDO É RELATIVIZÁVEL


Marian Kamensky. (Eslováquia).

DA SUTIL ENGENHARIA DE PERCEPÇÃO


Comercial vende carro e ética na política detonando bomba semiótica

Por Wilson Ferreira

Bombas semióticas 2, A Missão! O Império Contra-ataca! Após as recentes pesquisas revelarem que Lula está mais vivo do que nunca, liderando com folga todos os cenários eleitorais para 2018, e que ainda seus principais adversários estão se desgastando com a evaporação do mar de rosas que, acreditava-se, seria o País pós-impeachment, o complexo jurídico-midiático reage. Depois de novos vazamentos seletivos e busca de mais espécimes assustadores do “Brasil profundo” para figurar na capa de revistas semanais, retiram mais uma vez do paiol midiático a artilharia pesada das bombas semióticas. Dessa vez, em um comercial para TV da GM Brasil o qual se posiciona sobre temas como “ética” e “política” para vender o novo Chevrolet Cruze.  Mais uma vez, a tática de engenharia de percepção – por meio de gestalt, cores e a palavras metonimicamente contaminadas, bombas semióticas criam um pano de fundo para tornar mais crível o cenário político do momento. Reforçam subliminarmente pautas, slogans e clichês disseminados liminarmente pela grande mídia. Um exemplo de como a criação publicitária torna volátil a fronteira entre consumo e cidadania.

Depois dos resultados da pesquisa CNT/DMA mostrando que o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva venceria as eleições 2018 em todos os cenários, acendeu-se a luz amarela do maior partido de oposição na era lulo-dilmista: o complexo grande mídia e Judiciário.

Mesmo com todos os escândalos associados ao PT denunciados pela Operação Lava Jato, com todas as manchetes diárias sobre um grandioso triplex no Guarujá, um suntuoso sítio em Atibaia e, agora, um curso para o filho de Lula supostamente pago pela Odebrecht, mesmo assim Lula continua favorito com folga para as próximas eleições. E o que é pior: revelando o desgaste dos oponentes Temer, Aécio e Alckmin – corroídos pela crise econômica que contrariou a expectativa de um mar de rosas após o impeachment e os respingos das delações premiadas e vazamentos nos outros partidos.

E pior ainda: colou-se à imagem de Lula, além do “sebastianismo” (sobre esse conceito messiânico na política clique aqui), a nostalgia de um país que viveu tempos melhores com o crescimento da Classe C, a expansão do crédito e do consumo.

A reação do complexo jurídico-midiático foi imediata: a ministra Carmen Lúcia decide pelo sigilo das delações que estavam sob custódia de Teori Zavascki – será que ele pagou com a própria vida? (clique aqui) Aliás, por que as investigações sobre as causas do suposto acidente aéreo desapareceram da mídia? 
  
Claro, a decisão pelo sigilo é a senha para iniciar a estratégia dos vazamentos seletivos que atingirão alvos selecionados, de acordo com a conjuntura política do momento. E Lula novamente é o alvo da vez depois dos alarmantes números das pesquisas.


Espécimes de águas turvas


A segunda reação é novamente buscar no fundo das águas turvas do Brasil profundo exemplares obscuros, psicóticos e paranoicos, como fez a revista IstoÉ: a utilização de um espécime chamado Davincci Lourenço que teria levado uma mala cheia de dinheiro para Lula num período em que supostamente viveu na intimidade da cúpula da construtora Camargo Correia. Enquanto isso, Davincci fazia vídeos com gravíssimas denúncias sobre pernilongos geneticamente alterados pelo PT para criar a epidemia de Zika e desviar a atenção do povo dos problemas de corrupção da Dilma, além de posar como sniper, vestindo camiseta do FBI e com o símbolo da Polícia Federal de fundo...

Agora, do fundo do paiol da grande mídia, ressurge a grande arma detonada durante a crise política iniciada pelas grandes manifestações de rua de 2013: as bombas semióticas.

A General Motors do Brasil estreou nova campanha publicitária nesse domingo (19) se posicionando sobre os temas da “ética” e “corrupção” como estratégia de promoção de vendas dos novos Chevrolet Cruze hatch e sedan.


O comercial


Exibido nos canais Globo, Band, AXN e Sony, o comercial mostra planos gerais de ruas desertas do Centro do Rio de Janeiro que logo depois são ocupadas com manifestantes empunhando placas e faixas exigindo ética e combate à corrupção, com a indefectível presença de policiais de choque com escudos. “Somos um povo que aprendeu a exigir mudanças e que está mudando para servir de exemplo”, inicia a locução feminina em off.

“Que não aceita menos que o justo”, continua, com imagens estilizadas de engravatados sendo conduzidos por agentes também estilizados da PF com locuções de telejornal ao fundo dizendo: “esquema de corrupção iniciado em 2009...”.

“Que cansou da malandragem...”, a palavra “malandragem” com tom jocoso, entrando com som de cuíca ao fundo e um gari varrendo “santinhos” de políticos no chão de uma calçada. “E que acelera na direção certa!”, conclui a parte político-ideológica do comercial para depois, metonimicamente, o comercial associar mudanças políticas com a troca do seu carro pelo novo Chevrolet Cruze.

O que são bombas semióticas?


Bombas semióticas não se prestam à inculcação político-ideológica: isso já é feito diariamente pela pauta do jornalismo e colunistas da grande mídia. Sua função pertence à engenharia de percepção mais ampla e atmosférica – reforçar o noticiário dominante criando subliminarmente um pano de fundo, um horizonte de eventos ou uma paisagem de signos com gestalts, cores e sutis alusões a slogans e clichês do cenário político do momento.

Em outras palavras: reforçar através da estética e da percepção em filmes, vídeos publicitários, clipes da Internet etc. a memória do conteúdo já absorvido cognitivamente pelo noticiário – sobre a série das bombas semióticas analisadas pelo Cinegnose clique aqui e aqui.

E o comercial da GM é um caso exemplar dessa estratégia semiótica.

(a) O caminho inverso


Em primeiro lugar chama a atenção o caminho inverso tomado pela aproximação Publicidade/Política. Se em 2013 as manifestações “espontaneamente” tomaram slogans publicitários como “Vem pra rua” (comercial da Fiat para a Copa das Confederações) e “o gigante acordou” (comercial do uísque Johnnie Walker) transformando em palavras de ordem e hashtags, agora um comercial exorta os brasileiros a não mais tolerarem a corrupção diante da proximidade das eleições presidenciais 2018.

E convoca novamente os brasileiros irem para as ruas... com o novo Chevrolet.

A GM faz uma espécie de recall para os manifestantes e paneleiros, agora silenciosos diante das tentativas do governo do desinterino Temer em “estancar essa porra de sangria” das investigações da Lava Jato.

Porém, um recall tão seletivo quanto os vazamentos das delações premiadas, como sempre, mantidas em sigilo.



(b) Contaminação de cores e gestalt


Todo o comercial faz um jogo de contaminações metonímicas nas quais imagens e palavras tomadas isoladas tem um sentido. Mas próximas ou colocadas em sequência tem um significado completamente outro.

Depois da introdução mostrando manifestantes nas ruas, que termina com imagem do estádio do Maracanã lotado na Copa (alusão ao período 2013-2014 das grandes manifestações de rua), entra a locução “um esquema que começou em 2009” (recorte arbitrário da história da corrupção brasileira – tudo parece ter começado exclusivamente no período lulo-petista) para, em seguida entrar o gari que varre santinhos eleitorais na rua.

A sequência é um primor subliminar de Gestalt, cores e movimento. Temos o som de cuíca ao se falar em “esquema de malandragem” – o estereótipo carnavalesco de “jeitinho brasileiro” associado preconceituosamente a uma suposta índole brasileira. Mas, contraditoriamente, tudo só começou em 2009...

Nos “santinhos” varridos em plano fechado vamos a previsível cor vermelha e uma estrela estilizada na mesma cor sob a sigla PCE de um partido genérico. Pode parecer paranoia desse humilde blogueiro, mas numa estratégia de engenharia de percepção, vermelho, estrela e “PC” (“Partido Comunista”) são alusões sugestivas e contaminantes em um comercial de poucos segundos e com muito movimento e deslocamento de planos de câmera.

Mais além: ao lado desse “santinho” há um de outro partido. Nele vê-se uma mulher sorridente. Não se identificam as iniciais do partido, mas um número bem destacado em amarelo: “73”. Mas a gestalt torna-se ambígua com o movimento da vassoura que varre o lixo eleitoral – em movimento a gestalt confunde-se com “13”, número do PT - veja fotos acima.


(c) Acelera!... o Chevrolet ou Doria Jr.?


Mas a alusão mais explícita vem imediatamente depois: “... e que acelera na direção certa...”. Depois do vermelho, da estrela e do 13 sendo varridos, temos uma inacreditável alusão ao slogan de João Dória Jr. (PSDB-SP) na eleição à Prefeitura de São Paulo: a exortação “Acelera São Paulo!”.

Esse slogan  foi ainda inspirado em outro usado em 2011 num projeto da Secretaria Estadual de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia do governo Alckmin (PSDB-SP) – “Acelera SP”.

Obviamente o leitor deve estar pensando: “que blogueiro paranoico! (ou "petralha"?) Você não é muito diferente do espécime usado pela revista IstoÉ! O comercial pede apenas para que o consumidor acelere o novo Chevrolet Cruze...”

Esse pensamento somente incorreria numa ingenuidade semiótica. Ou, pior: em analfabetismo visual. Claro que tomado da forma literal e isolada, a exortação “Acelera!” é unicamente voltada ao consumidor. Mas quando “acelera!” vem acompanhado de toda uma digressão político-ideológico-partidária, o verbo é imediatamente contaminado e, dessa vez, voltado para o cidadão. Como toda bomba semiótica, apenas reforça subliminarmente pautas, slogans e clichês disseminados liminarmente pela grande mídia.

Por isso, quando um comercial pretende se posicionar sobre ética e política para vender um produto, fica a questão: a mensagem publicitária está dirigindo-se para o consumidor ou para o cidadão? Certamente para a criação publicitária, essa questão não se coloca. Afinal, para o universo publicitário no qual acelerar um carro é a mesma coisa que acelerar um país para o futuro, consumo e cidadania são a mesma coisa. O que torna-se semioticamente perigoso e volátil: as palavras ficam perdidas em um reino metonímico no qual slogans de marcas de uísque e de carros facilmente viram slogans “apartidários” para gente supostamente politizada. (Fontes: Blog Cinegnose - AQUI; e Jornal GGN - aqui). 

PETROBRAS: CORRUPÇÃO SISTÊMICA DESDE OS ANOS OITENTA


Petrobras: corrupção ocorria desde 1986 (mas a Lava Jato tem em 2003 seu marco inicial)

Do Jornal GGN

Na mira da 38ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada na manhã desta quinta-feira (23), há a suspeita de que o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) angariou aproximadamente US$ 40 milhões, durante 10 anos, para alimentar as campanhas de seus correligionários.
 
A investigação levantou dados de que o esquema se mantém desde 1980, por meio dos "grandes operadores" Jorge e Bruno Luz, que intermediavam os repasses dentro da Diretoria Internacional.
 
Na tentativa de se chegar aos dados de que as propinas também seriam repassadas a políticos do Partido Progressista, na Diretoria de Abastecimento, e do Partido dos Trabalhadores, na de Serviços, os investigadores tentaram sacar o máximo de informações possíveis de delatores, como Nestor Cerveró, Paulo Roberto Costa e do ex-senador Delcídio do Amaral.
 
Entretanto, o que encontraram é que Jorge e Bruno Luz, pai e filho que atuavam no esquema, formavam o que os investigadores denominaram de "operador dos operadores", atuando desde 1986 na Petrobras, durante o governo do peemedebista José Sarney. 
 
Com esses dois nomes, o que se conseguiu foi traçar a suspeita de que os principais beneficiários do esquema eram caciques do PMDB, como Renan Calheiros (AL), Jader Barbalho (PA), José Sarney e Silas Rondeau, ex-ministro de Minas e Energia.
 
Ainda, apesar de constatada a atuação dos operadores desde 1980, o procurador da República responsável por essa etapa da investigação admitiu que a restrição da Lava Jato foi nas atividades desses lobistas apenas nos últimos 10 anos. 
 
"São talvez os maiores operadores [de propinas] da área Internacional da Petrobras”, disse o procurador Diogo Castor de Mattos, em entrevista coletiva. "Há informações de que [Jorge Luz] atua [intermediando propinas] desde a década de 1980. Isso demonstra como era sistêmica a corrupção na Petrobras. A Procuradoria Geral da República estima que Jorge e Bruno Luz operaram US$ 40 milhões em dez anos, pagos tanto a agentes públicos quanto para agentes políticos".

Dentro da investigação, suspeita-se que na compra das sondas Petrobras 10.000 e Vitória 10.000, houve o repasse de US$ 5,5 milhões a Jader Barbalho e a Renan Calheiros, por ordem do ex-diretor da estatal Nestor Cerveró, e intermediados por Jorge Luz e pelo lobista Fernando Falcão. "Há pagamentos [operados pelos Luz] para agentes políticos com foro privilegiado, inclusive senadores do PMDB", confirmou o procurador na coletiva.
 
Segundo ele, a delação de 2014 do ex-diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, já demonstrava o envolvimento do lobista junto ao PMDB. "Costa explica que, para permanecer no cargo, foi obrigado a destinar propinas para o PMDB. Em seguida, fala que foi procurado pelo investigado [Jorge Luz], que se apresentou como representante do PMDB. Há dois contratos, de fornecimento de asfalto e aluguel de tancagem, com repasses [para propinas] oriundos da diretoria de Abastecimento", narrou. (Aqui).

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Os notórios Pedro Barusco e Nestor Cerveró já confessaram, há tempos, que vinham 'agindo' desde a década de 1990. Barusco foi mais específico: estabeleceu em 1997 o início de sua locupletação (em pleno governo Fernando Henrique, que, aliás, meses atrás afirmou ser impossível tomar conhecimento de falcatruas num universo tão vasto de empresas públicas). 

Agora, o procurador Mattos constatou que os operadores peemedebistas atuam "desde a década de 1980", e que "isso demonstra como era sistêmica a corrupção na Petrobras".

Muitos sustentam que a Operação Lava Jato fixou como marco inicial o ano de 2003 (início do governo petista) porque - a exemplo do observado na Mani Pulite, a italiana Operação Mãos Limpas - precisava assegurar desde logo a, digamos, simpatia da mídia e demais instâncias. Faz sentido.

CARTUM BELICOSO

Mário.
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Ao que o otimista arguto observa, enigmaticamente: "Vai ver, nem era preciso."

CARTUM DE TODOS OS CARNAVAIS


André Farias.

ENTRA EM CENA O APOSENTÔMETRO


A CUT lançou ontem, 22, o “Aposentômetro”, uma calculadora que ajudará os trabalhadores a saber com que idade se aposentarão, caso seja aprovada a Reforma da Previdência proposta pelo governo federal. Para tanto, bastará ao interessado/a informar gênero, data de nascimento e tempo de contribuição para o INSS.

O projeto - fonte de preocupação da classe trabalhadora (clique aqui) - aumenta a idade mínima para 65 anos, tanto para homens quanto para mulheres, do campo e da cidade, e aumenta o tempo de contribuição de 15 anos para 25 anos. 

Para acessar o "Aposentrômetro", clique AQUI.

CALMA, TUPÃ JÁ ENSINOU O ESSENCIAL

Mariano.
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"O novo presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Antonio Fernandes Toninho Costa, que assumiu o cargo em janeiro deste ano, provocou sua primeira polêmica frente ao cargo ao declarar, ao jornal Valorque é preciso que as aldeias "sejam auto sustentáveis" e é preciso "ensinar os índios a pescar".
Ainda na entrevista, Toninho Costa disse que o momento da "Funai assistencialista" não cabe mais. A afirmação não foi bem aceita pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi). "Talvez ele pudesse inverter as palavras, deixar os indígenas ensinarem a Funai a pescar. Ele é que está chegando agora, então seria bom ensinar (a ele) o rumo, abrir o espaço para um diálogo com os povos indígenas que são aqueles que sabem para onde querem ir", afirmou o secretário-geral do Cimi, Gilberto Vieir, em entrevista à TVT.
O secretário-geral do Cimi disse que a indicação de Toninho Costa, no primeiro momento, agradou os movimentos sociais que atuam junto aos povos indígenas e lembrou que o novo presidente da Funai viveu muitos anos em áreas de demarcação, trabalhando diretamente com os indígenas e possui comprovada formação acadêmica na área.
Entretanto, Gilberto lembra que a Funai terá dificuldade mais para atuar nas questões de saúde, educação e nos conflitos de terra em áreas críticas, como no Mato Grosso do Sul, pois a fundação atua com poucos colaboradores e um orçamento cada vez mais enxuto, por causa da política de cortes na área social promovidas pelo governo Temer. "Ele pega a Funai em um momento extremamente conturbado, na parte financeira, nas próprias iniciativas que o governo Temer tem feito, com uma portaria limita a demarcação de terra. É esse o contexto do presidente da Funai, que tem o orçamento reduzido", explica. (...)."
(Para ler na íntegra o post "Novo presidente da Funai diz que 'é preciso ensinar índios a pescar'", da redação da Rede Brasil Atual, clique AQUI).

OLD CARTOON


Yuryi Kosobukin. (Ucrânia. 1950-2013).
Em algum lugar do passado.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

CARTUM DE TODOS OS CARNAVAIS


Tiago Recchia.

DE COMO O ESTADO NACIONAL SE PERDEU


"A Constituição de 1988 desmontou o Estado nacional brasileiro, um ente que vinha desde 1822 mantendo a unidade do País, enfrentando enormes desafios por todo esse período histórico. Nesses quase dois séculos, o Brasil enfrentou uma guerra externa de grande porte nas suas fronteiras, várias revoluções, salvações, coluna Prestes, sublevações (1935 e 1937), lutas fratricidas (guerra Farroupilha no Rio Grande do Sul), revoltas populares e religiosas (Canudos e Contestado),  foi um dos Aliados na Segunda Guerra; o Estado brasileiro soube se defender e manter a integridade nacional atuando com toda força disponível sem melindres e sem vacilações.


Estamos agora em uma fase de inédita vulnerabilidade causada por autonomias mal resolvidas, judicialização da atividade legislativa,  pruridos, incapacidades e melindres em agir por quem tem a obrigação de fazê-lo, abrindo um processo de fragmentação do poder à custa do Estado nacional. Nenhuma grande nação, das dimensões geográficas continentais do Brasil, é governável sem um Poder centralizado forte e atuante que comande  e lidere o conjunto do País. Um País não é uma soma de territórios autônomos empilhados ou uma colcha de retalhos mal costurada e esgarçada; ou há forte unidade de interesses e propósitos ou não é um Pais, é apenas um território com um síndico para o dia a dia.
Os três maiores blocos de poder geopolítico de hoje, EUA, Rússia e China, estão sob comando de governantes autoritários e centralizadores, ditando as regras do mundo.
Um dos muitos e graves erros da Constituição de 88 é dificultar, quase impedindo, a intervenção federal nos Estados. Sem o risco de intervenção os governadores administram seus estados com grande tolerância para o erro e para o desmando. Nas constituições de 1891 e 1946 o risco de intervenção mantinha os governadores dentro dos trilhos. Sem esse risco eles cometem os maiores desgovernos tranquilamente, como caudilhos em seus
feudos, e se conservam no palácio sem maiores perigos.
Mais erro ainda foi dar autonomia financeira às corporações jurídicas, que se tornaram ilhas de regalias, privilégios e desperdícios, assim como uma inédita autonomia financeira às universidades, coisa única no planeta, o que canalizou toda verba orçamentária para aumentar salários e regalias de professores e funcionários. Aliás, autonomia financeira no Brasil corre como água de enchente para a folha de salários e benefícios.
O Congresso brasileiro custa R$ 10 bilhões por ano, grosso modo R$ 6 bilhões para a Câmara e R$ 4 bilhões para o Senado; (é o) segundo congresso mais caro do planeta. A Constituição de 1946 mantinha no Tesouro o controle da despesa dos demais poderes porque o conceito era de autonomia funcional, que não se confunde com autonomia para gastar dinheiro público sem instância de controle.
As "autonomias" são o coração da Constituição de 88 como reação ao Poder Militar que ela visava desconstruir através do excesso de ilhas de poder e direitos individuais ao infinito.
Temas de segurança pública, que afetam o País todo e não só um Estado, são claramente questões de segurança nacional, de alçada do Poder central. As facções criminosas são novo poder, de caráter nacional e claramente seu controle não afeta apenas uma região,  mas atinge o País todo e se projeta para fora do País, é claramente assunto federal.
Governos de Estados, ao permitir o descalabro dos presídios, é um caso típico de  intervenção corretiva e necessária, não sobra nada da autoridade estadual. Mas absolutamente nada aconteceu! Governadores e seus secretários permanecem calmamente em suas cadeiras, a terceirizada do presídio continua recebendo suas faturas milionárias. Como pode  fatos desse porte, noticiados em todo o mundo pelo seu horror, não ter a mínima punição de nenhuma autoridade, nem da gestora particular do presídio no caso do Amazonas? Ela foi suspensa, cancelada ou mesmo advertida? Vão segurar o pagamento? Não se vê noticia, tudo parece normal, o contrato de valores estratosféricos continua operando. Nos demais Estados muito movimento e pouco resultado, parece que o problema único é dar uma satisfação à mídia e não resolver a causa do descalabro penitenciário na sua base.
O que aconteceu em Manaus é um fato nacional e não local, merece ação pronta e imediata do Poder central, porque afeta a segurança e a imagem de todo o País e não só do Amazonas ou do Rio Grande do Norte ou de Roraima.
Não sobra nada que se salve na administração estadual, nem o contrato de terceirização dos presídios, no caso do Amazonas uma peça de ficção, nem as ações e atitudes dos secretários da área. O complexo penitenciário sob controle dos seus hóspedes e não do Estado, mas a responsabilidade é sempre do Estado.
Logo alguém na ONU vai propor uma administração internacional para a Amazônia brasileira visto a incapacidade dos locais de gerir a região da maior reserva florestal do planeta. As demonstrações de desgoverno são tantas e tão frequentes que o Brasil passa atestado de perda de controle em uma área estratégica. Se não conseguem controlar um presídio, como controlarão as fronteiras e a maior floresta tropical do mundo? 
O Brasil está dando sinais diários de um Estado nacional em decomposição, que aceita suas empresas serem processadas sem reação pelo governo dos EUA como se estivéssemos no tempo da China da Imperatriz Viúva, quando todos tiravam lascas do poder imperial. O Estado nacional existe e assim será reconhecido quando mostrar claramente o domínio do território em todos seus aspectos, especialmente naqueles que são privativos do Estado, como prender pessoas.
Repete-se em outros Estados a mesma anomia e desorganização para administrar presídios. Se não conseguem dar conta de um espaço limitado como um presídio como governarão o Estado federado? O Governo central tem que estar acima dos Estados federados com comando sobre todo o território nacional, não é possível aceitar situações-limite que, por contaminação, expandem o risco além fronteira do Estado, tornando-se mais ainda um caso de projeção nacional.
A nova configuração geopolítica representada pelo esfacelamento de Estados no Oriente Médio e consequente fluxo de refugiados, que mudam o modus vivendi europeu, pela saída do Reino Unido da União Europeia e pela eleição de Trump apontam para um declínio da democracia e para um aumento do autoritarismo, o que exigirá Estados nacionais mais fortes.
O Brasil conviveu por mais períodos com Estados fortes do que com Estados fracos, como é o da Constituição de 88; o caos institucional de hoje é inédito na história do Brasil.
O Segundo Império foi um Estado forte e muito respeitado, a Primeira República era respeitadíssima e com uma força que não hesitava em afirmar o poder central até com bombardeio de cidades (Salvador 1922). A aristocracia governante derrubada pela crise de 29 foi sucedida por um estadista com visão nacional, vasta cultura, claros ideais, hábil no uso do poder em várias molduras. Vargas era na alma um autoritário e sua origem era da mesma aristocracia da Primeira República que derrubou. Ele apenas tinha maior grandeza.
A República de 46 conseguiu o equilíbrio entre democracia e comando, entrou em crise de Presidentes problemáticos, entre 1961 e 1964, sucedida por um regime autoritário que soube centralizar novamente o poder, com evidente reforço do Estado central, sem entrar no mérito histórico. No regime de 46, Juscelino governou o País com mão de ferro, protegido e armado pela espada do Marechal Lott, sufocou duas insurreições, enfrentou Lacerda com lacração de emissoras de rádio e tv, encarava crises de peito aberto e por ter poder conseguiu criar do nada a nova capital Brasília em prazo incrivelmente curto.
A reação ao regime de 64 nos deu uma Constituição que desmontou a centralização e criou um conceito de poder fracionado em partidos, MP, Judiciário, governos estaduais, dando a sensação de que ninguém manda no Brasil, impedindo o Estado central de governar. O poder do Planalto vira uma geleia sem forma, sem cara, sem objetivos de longo prazo,  sem estratégia macro. Não há como um grande Pais ser governado nesse caos instituído pela Constituição de 1988, sem linhas claras de poder, uma Lei Magna plena de direitos a indivíduos e grupos e manca de deveres a cidadãos e governados. Se achou que dando autonomia a todos se evitaria o autoritarismo; ao invés, enfraqueceu até a raiz o Estado nacional e deu poder a corporações, grupos, movimentos, causas, partidos e agora até facções criminosas de âmbito nacional que têm o domínio de fato de presídios onde detêm a chave e  fazem entrar armas e o que quiserem. Grupos novos, aí incluindo uma mídia com grande apetite de poder, nascem no vácuo do Estado, são o resultado desse vácuo e, uma vez estabelecidos, são de difícil controle em Estados democráticos.
O apogeu da fragmentação do Estado está no sistema partidário, que impede o Chefe de Estado de governar porque sua primeira tarefa é agradar a "base aliada", esfacelando seu governo em fatias incoerentes com Ministros e Secretários absurdamente inadequados, tudo à custa do poder do Estado central. Cada qual tira um pedaço desse Estado e o que sobra é uma carcaça desfigurada (...).
As gerações de políticos brasileiros, que vieram após o fim do regime militar de 1964, (perderam) a noção clara do Estado Nacional que fazia parte da alma dos políticos da República de 1946. A geração da Constituição de 88 pensa muito mais em democracia do que em Estado, um grave erro.
O Estado Nacional como expressão e conceito PRECEDE a democracia, que é apenas uma forma de governo, não é o Estado. Um Estado Nacional, que é a representação final do território, da população presente e futura e da História de seu passado formativo, independe e é superior à forma de governo. O Estado existe integralmente com monarquia, oligarquia, ditadura ou democracia, porque é um ente superior à forma de governo, é o navio onde todos estão e, se esse navio afundar, afundam todos, qualquer que seja o timoneiro.
Quando o Departamento de Justiça dos EUA estende sua jurisdição com a maior naturalidade sobre pessoas físicas e jurídicas brasileiras que nada fizeram nos EUA para lá serem processados, e quando essa pretensão não merece qualquer reparo do Governo do Brasil, como se fosse algo natural e aceitável, com o apoio entusiasmado de jornalistas importantes à jurisdição estrangeira sobre o Brasil, o conceito de País regrediu.
Jornalistas esportivos acharam ótima a ação do FBI sobre dirigentes esportivos brasileiros sem perceber o desprezo sobre a soberania brasileira. Muitos elogiaram a tutela americana sobre nosso futebol, um deles, dos mais famosos, dizia "agora a coisa é com o FBI, agora a coisa é séria", sem perceber que a justiça é parte da soberania e, se aceitamos a justiça estrangeira, estamos abrindo mão da soberania brasileira sobre assuntos nossos e não do estrangeiro.
Ainda hoje, comentaristas das mídias impressa e eletrônica elogiam a ação do Departamento de Justiça sobre empresas brasileiras, sem perceber ou desconhecendo o que seja um Estado nacional que deve ser respeitado. Não enxergam que o capital político representado pelo Estado é infinitamente maior que ações individuais de justiça sobre pessoas.
A recuperação da economia depende do fortalecimento do Estado nacional através de uma nova Constituição, onde esse princípio centralizador tenha um peso muito maior que na Constituição de 88, disruptiva, fragmentaria, desintegradora, tornando o Pais ingovernável.
A democracia não pode estar acima do princípio do Estado nacional, que é o passado pela História, o presente pela sobrevivência da população e o futuro pela continuidade de novas gerações.
A anemia do Estado nacional nos dias atuais torna-o refém do mercado financeiro a quem se entrega o Banco Central como carta de fiança para permitir ao governo existir, uma situação que vem desde a presidência FHC até hoje, nos dando nostalgia de comandantes da economia poderosos como Oswaldo Aranha, Roberto Campos e Delfim Neto, que em situações de muito maior vulnerabilidade econômica mantinham o mercado financeiro sob rédeas, e não o contrário, como hoje acontece, onde o Ministro da Fazenda e o presidente do Banco Central são ambos delegados do sistema financeiro no Governo.
O interesse do Estado supera em tudo o interesse da justiça, de causas, da moral e da ética. A ética do Estado é a sua preservação e fortalecimento. O Brasil de hoje, numa saga suicida, trata de desmontar os fundamentos da economia de base, de suas empresas de infra-estrutura com décadas de experiência acumulada, de sua vibrante cadeia de óleo e gás, de sua nascente indústria naval, de sua iniciativa única no Hemisfério Sul de construção de um submarino nuclear, tudo sacrificado no altar de uma cruzada anti corrupção, ao mesmo tempo que outras formas de corrupção, desperdício e ineficiência prosseguem a um custo infinitamente maior que a corrupção de propinas, a corrupção dos mega salários, a corrupção de infindável construção de prédios para a alta burocracia, a corrupção dos estúpidos juros altos sobre a dívida pública que poderia ser financiada por muito menos. A corrupção dos contratos de swap cambial para manter o dólar baixo a favor do mercado financeiro, está custando, em apenas um ano (2015), R$ 207 bilhões ao Tesouro, nunca alardeados pela mídia, que comemora com banda de música a recuperação de propinas de 2 ou 4 bilhões como se fosse uma vitória assombrosa, deixando passar a boiada muito maior.

A corrupção da perda de 20 ou 30% de grandes safras por falta de ferrovias e rodovias, a corrupção de uma imensa burocracia de inúteis que alimenta, esta sim, a corrupção para fazer andar os processos,  diligências, certificações, despachos, autorizações, vistorias, laudos, tudo multiplicado pela complexidade consumidora de tempo e energia dos poucos que ainda se atrevem a empreender em um País carente de empreendedores e produtores e abundante de improdutivos, encostados, burocratas pomposos que não geram riqueza.
Como foi possível o País comemorar a expulsão de construtoras brasileiras de nações da África e Américas sob o pretexto da luta anti-corrupção, que nos valerá prêmios da Transparência Internacional e perda de mercados que levaram décadas para conquistar? Estamos comemorando imensos prejuízos para o País? O Peru ficará puro com o fim das empreiteiras brasileiras ou estas serão substituídas por construtoras asiáticas que têm a corrupção no seu DNA? Como um Estado nacional perde mercados de difícil conquista em nome de causas moralistas que só o Brasil persegue como se fôssemos os purificadores do mundo?
De que nos vale perseguir construtoras brasileiras no Peru e no Equador? O que ganha o Brasil com isso? Aplausos de promotores americanos? E depois? Pela sua dimensão continental, que o faz um dos maiores Estados nacionais do planeta, o Brasil deveria ter uma projeção internacional muito maior do que tem, deveria ser claramente a principal potência regional e porta voz da América Latina e um dos players mais representativos do sistema global, porque é o maior pais emergente de formação e cultura ocidental. No entanto, o Pais se apresenta pequeno na arena das relações internacionais, modesto demais pela sua relevância, território, população e economia, tudo isso resultante de um Estado fragilizado, sem vigor e sem presença, uma regressão do papel muito maior que o Brasil teve no Império e no Estado Novo, quando foi um dos oito Aliados no teatro europeu. E, mesmo no regime de 64, quando reconheceu governos em África contra a determinação do Departamento de Estado, além de forte incursão econômica e estratégica no Iraque, uma política ousada de projeção de poder internacional. O Brasil foi o único país latino americano a participar diretamente da Segunda Guerra Mundial, depois iniciou um lento encolhimento internacional, pela pequenez de suas elites dirigentes, com lampejos fugazes nos governos JK e Geisel, depois vem o eclipse e hoje estamos no apagamento de um Estado humilde que aceita corregedoria do Departamento de Justiça americano como se isso fosse algo natural.
Os grandes impérios do passado foram construídos por aventureiros. O Império Britânico por corsários e trapaceiros, o Império Americano por pistoleiros e grileiros que atravessaram do Atlântico ao Pacifico lançando ferrovias atropelando o que estava à frente.
Impérios não foram construídos com beatos e nem com a Transparência Internacional e sim com grandes empreendedores cuja ficha jamais foi impecável, tal qual não é santificada a ficha do recém eleito Presidente dos EUA, país que hoje, através de seu Departamento de Justiça, nos dá lição de moral humildemente aceitas por obedientes alunos.
Não adianta combater os efeitos da corrupção sem combater suas causas, basicamente o sistema partidário, não adianta demolir um modelo político sem ter pronto outro para por no lugar. País algum, desde a Roma dos Césares, é governável sem políticos, bons ou maus; há que haver políticos para organizar o Estado. Demonizar todos os políticos torna o Estado ingovernável. Parece que é isso que o Brasil quer hoje, o desmanche do atual sistema político, sem reposição de outro modelo, fará o Estado brasileiro entrar numa cratera da qual pode não sair mais. Um Estado, por pior que seja, é melhor que o vácuo."





(De André Araújo, advogado e analista geopolítico-econômico, post intitulado "Onde está o Estado Nacional?", publicado dias atrás no Jornal GGN - aqui.

Interessante o entendimento de que o Estado Forte deve prevalecer sobre a Constituição Federal. Talvez isso de alguma forma explique o fato de certas instituições nacionais se comportarem como verdadeiros Estados Fortes, cada uma cuidando de seus próprios interesses corporativos e/ou entrando no gordo rol de transgressores da Carta Magna e seus dispositivos gerais, a exemplo dos que cuidam de remuneração, comunicação/concessões e certos direitos e garantias individuais e coletivas. 

É imperioso ressaltar, por fim, a projeção alcançada pelo Brasil nos governos Lula e Dilma, mediante a ampliação das parcerias comerciais mundo afora e consolidação da influência na América Latina - além do fortalecimento do mercado interno nacional, capitaneado pelo combate à miséria, redução dos desequilíbrios regionais e ousadas políticas de investimentos públicos em infraestrutura, pesquisa e outros empreendimentos estratégicos, como os atinentes à área do petróleo. Tais méritos, para desgosto de muitos, não há como desconhecer).  

CARNAVAL FATAL


Nani.

FUTEBOL: GLOBO X YOUTUBE

                                   Atletiba: clássico adiado; domingo, 19

Globo vive saia-justa no futebol

O impedimento da Federação Paranaense de Futebol, provavelmente a mando da Globo, de transmissão pelo Youtube do jogo entre Atlético-PR e Coritiba pelo estadual, é tão anacrônico como achar que boa parte da mídia impressa não será engolida pela internet. A emissora e a FPF acertaram os direitos do campeonato sem tratar adequadamente com os donos do espetáculo – os clubes -, que foram atrás de melhor retorno financeiro.

Aroeira.

O Flamengo já havia no início deste ano feito jogo duro com a Globo e cobrou para o campeonato estadual mais pelos direitos de imagem do que os outros times grandes cariocas, e ainda pediu para que o dinheiro não passasse pela Federação de Futebol do Rio. E foi atendido.
Dum.

A Globo corre para manter o produto futebol na casa com exclusividade – considerado um dos poucos a ter espaço na grade da TV no futuro próximo, por conta da internet (cita-se que na Europa a transmissão no Youtube de partidas de futebol já é uma realidade); e os clubes sabem disso. 

(Para continuar, clique aqui).
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Dica de leitura: AQUI.

LAVA JATO: OS PRÓXIMOS PASSOS DA CONJUNTURA

Glauco.

Xadrez do PSDB no 2º tempo do golpe

Por Luis Nassif

Peça 1 - o fator Alexandre de Moraes

Analise-se, primeiro, a ficha de Alexandre de Moraes:
1.     Suspeitas de captar clientes entre grupos beneficiados por ele enquanto Secretário de Administração da gestão Gilberto Kassab na prefeitura de São Paulo.
2.     Estimulador da violência inaudita da PM paulista contra estudantes secundaristas, inclusive permitindo o trabalho de grupos de P2 contra adolescentes.
3.     Autor de um plano de segurança condenado unanimemente por todos os especialistas no tema.
4.     Acusação de plágio em suas obras e uma resposta ridícula, na sabatina do Senado: a de que manifestações em sentenças de Tribunais superiores (no caso, da Espanha) não contemplam direito autoral. Ora, ele copiou as manifestações sem aspas – isto é, apropriou-se do texto copiado.
5.     Nenhuma dúvida sobre a parcialidade com que irá se conduzir no Supremo Tribunal Federal (STF).
O que explicaria, então, a quantidade de apoios que recebeu de entidades e juristas, quase tão expressivos quanto as manifestações de indignação. (?)
Peça 2 - os apoios a Alexandre de Moraes
O que o Conselho Nacional de Procuradores Gerais do Ministério Público dos Estados, a Associação dos Magistrados do Brasil (AMB), o Ministro Celso de Mello, o diretor da Escola de Direito da FGV-SP Oscar Vilhena, a OAB nacional, a Associação dos Juízes Federais (AJUFE), a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), Gilmar Mendes, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima e a Procuradoria Geral da República (PGR) têm em comum, a ponto de hipotecar apoio à indicação de Moraes?
1.     São radicalmente antipetistas e tiveram papel no movimento de deposição de Dilma Rousseff.
2.     Compõem uma frente informal de apoio ao PSDB.
O apoio dado à indicação de Alexandre de Moraes inaugura o segundo ciclo da Lava Jato, de partidarização maior ainda do Judiciário, que será a grande marreta sobre a cabeça do lulismo.
Entra-se, agora, no segundo tempo do golpe, com a tentativa de institucionalização do protagonismo do Judiciário e do ataque final à candidatura de Lula em 2018.
Peça 3 - como será o segundo tempo
As características do segundo tempo estão dadas.
Em breve, haverá a explosão das delações da Odebrecht, de alto impacto, mas sem foco definido devido à extensão das denúncias. Durante algumas semanas se ouvirão os ecos da bomba. Depois, volta-se ao dia a dia da Lava Jato.
O fluxo de fatos e factoides surgirá de dois centros: o TRF4 (Tribunal Regional Federal da 4Região), julgando as sentenças de Sérgio Moro; e o Supremo Tribunal Federal (STF), analisando as denúncias de Rodrigo Janot.
No inferno, os réus sem prerrogativa de foro; no purgatório, alguns caciques do PMDB; no paraíso, o PSDB.
Com a garantia do voto de Alexandre de Moraes pela prisão após a confirmação de sentença em 2instância, e sabendo-se de antemão do posicionamento político dos desembargadores do TRF4, se terá a cada semana uma prisão nova a ser celebrada.
Já o ritmo das denúncias dos políticos com foro privilegiado dependerá exclusivamente da PGR, que já demonstrou à farta seu jogo, cuidando de asfaltar as estradas que o levam ao PSDB ao indicar como vice-procurador José Bonifácio Borges de Andrada, umbilicalmente ligado ao PSDB de Aécio Neves.
Janot é todo-poderoso, porque suas armas são fundamentalmente subjetivas – isto é, dependem exclusivamente de sua vontade.
Bastará acelerar as ações contra o PMDB e segurar as denúncias contra o PSDB para promover a cristianização final do PMDB (de Cristiano Machado, candidato a presidente abandonado por seus correligionários). Ou basta produzir uma denúncia inepta para assegurar a blindagem do réu.
Tem-se, então, todos os pontos críticos sob controle:
1.     Na PGR, Janot e Bonifácio.
2.     No Supremo, Gilmar, Toffoli, Alexandre, Barroso.
3.     No Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar, possivelmente Alexandre e novos Ministros nomeados por Temer.
4.     No Ministério da Justiça, alguém da confiança de Temer.
5.     Na PGR e na Polícia Federal, uma frente política cerrada contra o PT.
Peça 4 - a força tarefa da Lava Jato
A força tarefa da Lava Jato – juiz, procuradores e delegados – praticamente dá seu trabalho por encerrado. Agora, é apenas aguardar a confirmação das sentenças de Sérgio Moro e correr para o abraço.
Como profissionais aplicados, em todo caso, deixaram lotadas as estantes das delações, permitindo boa margem de manobra para a PGR. E continuarão trabalhando incessantemente para encontrar algo que inviabilize a candidatura de Lula.
A cada dia que passa fica mais nítida a semelhança da Lava Jato com o DOI-CODI: autonomia política, autonomia financeira, operações combinadas e, juntos, investigação, denúncia e julgamento. E, agora, começam a expandir a atuação em uma espécie de Operação Condor atualizada, tenho como fonte de informação a parceria com o FBI e a DEA visando a desestabilização das experiências progressistas na América Latina.
Peça 5 - a dificuldade do jogo de cena
Aí se entra em um terreno complexo: como administrar a malta, a opinião pública sedenta de sangue?
Na bomba Odebrecht, o sistema Globo e os jornalões certamente focalizarão preferencialmente no PT e no PMDB. Mas não haverá como esconder os malfeitos dos tucanos.
O jogo do PGR e da mídia é fundamentalmente hipócrita. Mas não há hipocrisia que resista à luz do sol. A cada dia que passa, mais nítida fica a parcialidade da mídia e de Janot. A recuperação de parte da popularidade de Lula é a prova mais significativa.
Com as revelações da Odebrecht, o leão se contentará apenas com a carne de petistas ou irá querer carne nova?
A cada dia que passa, novos veículos vêm se somar aos trabalhos pioneiros dos blogs, aplicando um dos princípios básicos do jornalismo: revelar o lado oculto da notícia. Há tempos a imprensa internacional rompeu a dependência dos órgãos de imprensa nacionais. É BBC, El Pais, Washington Post, New York Times, Guardian, todos de olho em um jogo de cartas marcadas.
Quanto tempo a hipocrisia nacional resistirá a essa devassa?  -  (Fonte Jornal GGN - aqui).