segunda-feira, 31 de agosto de 2015

MASSACRE NO MEDITERRÂNEO


Osama Hajjaj. (Jordânia).

OS REFUGIADOS E A UNIÃO EUROPEIA

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Refugiados X European Union


Luo Jie.

ANOS 80


André Dahmer.

SOBRE ÁLCOOL E (OUTRAS) DROGAS


As pessoas são solidárias na traição e no alcoolismo, mas odeiam drogados

Por Gerivaldo Neiva

Em 1936, o cantor Vicente Celestino gravou uma canção que se transformaria em um clássico de estrondoso sucesso por várias décadas: O Ébrio! É lembrada até hoje pelos mais antigos e também pelos amantes da música brasileira. Mais do que uma canção, a história do ébrio ganhou as telas do cinema em 1946 e permaneceu em cartaz por duas décadas pelas cidades do interior do Brasil.
A música retrata a história de um cantor de sucesso que teve muitas mulheres, mas que terminavam fugindo com outros homens, apesar de lhe jurarem amor eterno. Terminou se casando com uma fã, mas também essa mulher fugiu com outro homem, deixando-lhe uma filha. Assim, mesmo abalado, voltou a cantar por amor à filha, mas entrou em desgraça quando a filha morreu e entregou-se à bebida, tornando-se o “O Ébrio”.
Nos versos finais da canção, um último pedido: “Quando eu morrer, à minha campa nenhuma inscrição. Deixai que os vermes pouco a pouco venham terminar este ébrio triste e este triste coração. Quero somente que na campa em que eu repousar, os ébrios loucos como eu venham depositar os seus segredos ao meu derradeiro abrigo e suas lágrimas de dor ao peito amigo”.
Muitas gerações de ébrios por este Brasil afora se solidarizaram com a história desse homem e cantaram essa música com forte emoção, como se fosse a sua própria história. Aliás, mesmo os abstêmios cantaram “O Ébrio” e foram solidários ao pobre homem. Assim, pode-se dizer que os homens são, de fato, solidários a outros homens na desgraça e sofrimento causados por uma mulher. Nessa solidariedade masculina aos traídos, o álcool e a embriaguez são plenamente justificáveis e compreende-se naturalmente que um homem beba até a morte para esquecer uma traição. É como se fosse um destino trágico e inevitável.
Noutra canção mais recente, também cantada e por ébrios e abstêmios, Reginaldo Rossi narra a história de um homem que recebeu uma carta de seu grande amor avisando que iria se casar e, por isso mesmo, em uma mesa de bar, adverte ao garçom: “E pra matar a tristeza, só mesa de bar. Quero tomar todas, vou me embriagar. Se eu pegar no sono, me deite no chão”.
Mais uma vez, é marcante a solidariedade masculina aos traídos e bêbados. Absolutamente normal, portanto, que o pobre homem traído “tome” todas por motivo de sua desilusão amorosa e até caia no sono e seja deitado no chão em pleno bar. É sempre um coitado que bebeu para esquecer uma desilusão e a mulher uma ingrata e sem coração.
Por fim, para ficar apenas em clássicos da música brasileira, Waldick Soriano, também em uma mesa de bar, lamenta ao garçom amigo que a formosa dama de vermelho já lhe pertenceu, como se fosse um objeto, e agora morre de ciúmes até do perfume que ela deixa no salão. Novamente, o pedido ao garçom: “Apague a luz da minha mesa, eu não quero que ela note em mim tanta tristeza. Traga mais uma garrafa, hoje eu vou me embriagar. Quero dormir para não ver outro homem em meu lugar”.
Nesta lógica da solidariedade às desilusões amorosas dos homens, o álcool tem o papel de “reduzir os danos” das dores e (é) aceito culturalmente como solução para um momento em que é preciso fugir da realidade cruel através da completa embriaguez, desconsiderando completamente os males à saúde do usuário que o álcool pode causar. Sem esquecer, evidentemente, que sempre haverá uma carteira de cigarros e um cinzeiro nas mesas de bar.
Mais do que afogar mágoas, no entanto, o álcool também povoa o imaginário musical brasileiro como motivo de alegria, deboche e fonte inspiradora. Assim, absolutamente normal que Vinícius de Moraes tenha ao lado um bom copo de uísque durante seus shows e que Zeca Pagodinho não faça questão de disfarçar que é um amante da cerveja e que beba sem a menor cerimônia em suas apresentações. Nesses casos, o álcool encoraja e inspira o artista. Não é uma droga e nem causa mal à saúde do usuário.
Viajando bem mais longe no cancioneiro popular brasileiro, os mais antigos certamente se divertiram com a personagem de Inezita Barroso, retratado na canção “Marvada Pinga”.  A mulher é uma autêntica alcoolista, pois bebe em todas as situações, seja noite ou dia, não atende os conselhos do marido e se embriaga até cair: “Eu bebi demais e fiquei mamada, eu cai no chão e fiquei deitada. Ai eu fui prá casa de braço dado. Ai de braço dado, ai com dois sordado. Ai muito obrigado!”
Até mesmo as antigas marchinhas de carnaval fazem referência à cachaça e ao comportamento de se embriagar como algo natural e divertido. Alguns exemplos: “Pode me faltar o amor (Disto eu até acho graça), só não quero que me falte a danada da cachaça”, na marchinha “Cachaça não é água”, e “Não vai dar? Não vai dar não? Você vai ver a grande confusão que eu vou fazer bebendo até cair. Me dá, me dá, me dá, oi! Me dá um dinheiro aí!”, na marchinha “Me dá um dinheiro aí”.
Além dessas canções, o leitor, certamente, há de se lembrar de várias outras em que o álcool e a embriaguez servem de consolo para homens traídos e abandonados por suas mulheres. Nessas canções, as razões das mulheres não existem e os homens são apresentados como pobres coitados que precisam afogar suas mágoas na cachaça. Para este texto, por fim, utilizei apenas exemplos clássicos da música brasileira, mas sei que os atuais sertanejos e pagodeiros também fazem muitas referências ao álcool e a embriaguez como solução para suas sofrências. [1]
Pois bem, são décadas de bebedeiras e embriaguez embalando as noites dos bêbados traídos e os sonhos dos abstêmios, que parecem se colocar em lugar deles para quando também forem vítimas de traição um dia. A canção já está pronta. Basta cantá-la e se embriagar para reduzir os danos da desilusão amorosa (de) que um dia serão vítimas. É a antecipação gostosa do sofrimento. É como colocar-se no lugar do outro por um sentimento que ainda virá, ou não.
De outro lado, mesmo que drogas declaradas ilícitas, principalmente maconha e cocaína, sejam consumidas há quase tanto tempo quanto o álcool, a presença dessas drogas na cultura musical brasileira não tem a mesma aceitação ou foram violentamente rejeitadas e marginalizadas por uma cultura etílica e preconceituosa. Da mesma forma, os artistas que fizeram referências a essas drogas em suas canções, ou que assumiram publicamente o consumo delas, são ainda hoje marginalizados e censurados como desviantes da virtude e da beleza da arte.
A pecha de “drogado” para artistas que deram contribuição fantástica para a história da música brasileira ainda é algo utilizado para desclassificar seu talento ou a qualidade de sua obra musical. Assim, por exemplo, Cazuza e Renato Russo compuseram as mais belas canções da música pop brasileira, mas apesar disso são ainda vistos por muitos como coitados que se deixaram levar pelos prazeres mundanos e pelas drogas. Cássia Eller pode ter emprestado as mais originais interpretações a letras de belas canções, mas perde tudo isso ao assumir a condição de lésbica e usuária de drogas ilícitas. Elis Regina, uma das mais belas vozes femininas do Brasil, também passa a ser vista com desconfiança quando se anunciou que teria morrido em decorrência de overdose de cocaína e, dentre tantos outros, Chorão também não passa de um drogado.
Não esquecendo, evidentemente, de outras figuras malditas para o imaginário moralista de nossa época, referidos como talentosos e de brilhante futuro, mas que entraram no “mundo das drogas”, tornaram-se pobres drogados e morreram por causa delas, como se a droga fosse a causa, e não a consequência de suas histórias de vida. Assim, deixa-se apenas os registros das trajetórias inquietantes e desafiadoras de Janis Joplin, Jimmy Hendrix, Kurt Cobain, Amy Winehouse, dentre outros.
O caso mais emblemático na recente história da música brasileira, no entanto, foi a prisão dos componentes da banda Planet Hemp. A banda foi criada em 1993 por Marcelo D2 e Skunk, fez grande sucesso e foi uma das principais bandas de pop rock dos anos 90. Seus integrantes apoiavam explicitamente a legalização da maconha e foram acusados de fazer apologia ao uso de drogas, culminando com a prisão dos integrantes da banda, em 1997, decretada por um juiz de Brasília, que também proibiu a execução das músicas da banda na capital do país.
Por ironia do destino, esse mesmo juiz foi afastado da magistratura, em 2013, sob acusação de ter recebido propina no valor de $ 40 mil para conceder a liberdade a um traficante. Na ocasião, a banda se manifestou: “Desintoxique-se! E, ao falar isso, não estamos nos referindo a nenhum tipo de substância. Desintoxique a sua percepção! Preste atenção em quem realmente diz ser a voz da justiça desse país, condenando a liberdade de expressão de forma atroz e reflita se é essa a representação que você realmente aceita para si”. [2]
E assim, recheada de hipocrisias e interesses escusos, a grande mídia brasileira encarregou-se de fortalecer este preconceito com relação às drogas declaradas ilícitas, mas nunca teve pudor algum de ganhar muito dinheiro veiculando publicidade de álcool e tabaco. Em consequência, essa forma de criminalizar usuários de drogas ilícitas terminou por disseminar tabu e preconceito absolutamente injustificáveis, incutindo na ideia da população em geral que álcool e tabaco possibilitam diversão e alegria, enquanto maconha e cocaína seriam drogas malditas e a causa de todos os males da humanidade, violência e criminalidade.
Por conta disso, resultado de meros preconceitos e tabus alimentados pela grande mídia, vê-se jovens e adultos embriagados e alterados se reportarem a skatistas que passam em frente ao bar em que se divertem como vagabundos  e maconheiros; vê-se agentes da segurança pública prenderem e matarem jovens pobres e negros como perigosos traficantes; vê-se delegados de polícia indiciando, de forma caolha, uns como simples usuários e outros como traficantes; vê-se membros do ministério público agindo da mesma forma e, por fim, vê-se juízes condenando esses jovens a penas de prisão em regime fechado em penitenciária. Entorpecidos, agem como se fossem os bons disseminando suas bondades em favor de um impossível “mundo sem drogas”. Em defesa dessa “bondade”, pode-se prender, torturar e matar.
Nesta lógica perversa, finalmente, o personagem ébrio de Vicente Celestino pode beber até morrer; o personagem de Reginaldo Rossi pode se embriagar e ser colocado no chão; o personagem de Waldick Soriano também pode se embriagar e dormir bêbado para não ver outro homem com sua ex-mulher e a personagem de Inezita Barroso pode também se embriagar todos os dias, cair de bêbada e, naqueles bons tempos, ser levada para casa nos braços de dois complacentes soldados. De outro lado, os artistas que tornaram público o uso de substâncias proibidas por lei ou que as mencionaram em suas obras, são pobres drogados e, absurdamente, podem ser presos por fazerem apologia ao uso de drogas. Pior do que isso, serão eternamente malditos os que se tornaram dependentes dessas substâncias e morreram em decorrência do uso abusivo e descontrolado. Esquecem, todavia, que morreram em consequência de suas histórias de vida, suas tragédias pessoais e familiares e que as drogas apenas serviram de alívio para suas dores, ou seja, morreram de vida, e não de drogas.
Por tudo isso, uma nova percepção para a problemática das drogas passa, necessariamente, como bem dito pelos músicos da banda Planet Hemp, pela desintoxicação das mentes e pelo desentorpecimento da razão. Só assim, sem nenhum preconceito com relação aos que afogam seus sofrimentos na embriaguez, haverá compreensão e respeito aos que, no uso de sua liberdade, preferem alterar sua percepção do mundo ou enfrentar as adversidades da vida utilizando-se de outras substâncias. Neste sentido, conclui-se que a luta pela descriminalização e legalização do uso de quaisquer drogas é, essencialmente, uma luta pela democracia plena e pela efetiva liberdade. (Fonte: aqui).
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Gerivaldo Neiva é Juiz de Direito (BA) e membro da Associação Juízes para a Democracia.

DROGA DE PROGRAMAÇÃO


Will Leite.

domingo, 30 de agosto de 2015

OS ESTADOS UNIDOS E AS ARMAS

                                     'Reforma da lei sobre armas já'

Adam Zyglis. (EUA).

O DNA AFETIVO E SUAS LEMBRANÇAS


"Tem dias de saudades boas, dias que mergulho meu ser nas brumas de pensamentos vadios e lembro de onde vim, quem me fez feliz e o que gostava de fazer. De deitar no colo de minha mãe e ver TV. De tomar café com leite após duas horas de piscina gelada no raiar de um novo dia - no Clube do Trabalhador, do Sesi, onde treinava natação das 5 às 7 da manhã, por causa de uma costela que crescia pouco perto do coração. 

Do cheiro de incenso e de melodiosas canções de adoração, quando "ajudava" missa.

Do pão com manteiga que levava para lanchar no Pio XI, e que após três aulas sentado em cima dele, numa bolsa de pano da Varig, que minha mãe me deu, o calor glúteo derretia a manteiga. Como era bom. Do meu amigo Preto. Menino-amigo-irmão que dominava a arte de fabricar tudo: carro de lata, pipa, patinete, e zarabatanas de mamoeiro. Deus o tenha. 

Da harmonia de meus pais nas horas das refeições. 

De respirar na brecha da parede, no 1º andar do beliche em que dormia. Até hoje gosto de uma brecha de parede pra respirar. De ouvir sons misteriosos vindo do "beco", ao lado da janela da cama, e ficar petrificado de medo. De comer umas frutinhas na calçada do colégio, morrendo de fome, ao voltar pra casa. De caminhar uns 4 km do colégio pra casa, todos os dias fazendo uma das rotas possíveis. De nadar, do som da água, de sentir-me peixe dentro dela, nadando peito. 

De Nininha, sempre cobrando "não se sujar". 

De uma árvore que subia nela, e brincava com Zeni. Dos sertões da Paraíba e o rio seco, a ponte e a trilha do sítio de meu avô. De tomar banho no barreiro, cor de ferrugem, e com todos os monstros do mar em seu interior. De meu avô paterno ralhando mansamente quando matei mais avoantes do que comeria. De minha espingarda, sempre lustrosa, e minha fabriqueta de munição. 

De subir no telhado de casa para empinar papagaio. 

De descer as calçadas do colégio Estadual da Prata de patinete. De visitar meu pai no Senai e me perder por labirintos das oficinas, revirar lixos atrás de tocos de madeiras e de ferro, e todo mundo ao me ver dizer: "é o filho do Evandy." De ver minha mãe usando um estranho aparelho que secava o cabelo, de vê-la feliz e falante, e vaidosa. De sair com eles passeando num velho TL e parar num pé sujo, para comer costela de porco, porco caipira, e na mesa um litro de farinha e muitos limões. Nunca mais comi costelas tão apetitosas daqueles porcos criados soltos pelos quintais das cidades. 

Meninas, antes de virarem adultas chatas. 

De esperar a banda passar, na rua Antenor Navarro, saindo do Senai e desfilando frente de casa. Até hoje gosto dos dobrados. Do meu grupo de estudo do ginásio e científico Ismenia Mangueira, Ângelo, Digna, Silvana e Marilene. 

Lembranças de tanta infância e juventude boa. 

Como meus pais foram terapêuticos em nossa criação. Nunca ouvíamos palavras de rancor, de murmuração, de rabugice, de desânimo, de fofoca ou inveja. Eles eram felizes com o que tinham, e davam valor a tudo. Tudo era bênção. O único luxo a que se permitiam era fazer prestações nos ambulantes que passavam vendendo enciclopédias e livros. Todo mês tinha algo novo chegando. Imagino o quanto de esforço e renúncia fizeram para comprar a Delta Larousse, a Barsa, a Coleção Monteiro Lobato, a Tecnirama. 

São lembranças de um tempo que nunca se extinguirá, pois que virou DNA afetivo em meu coração. 

"No roçado do meu coração
Há um tempo de plantar saudade
Há um tempo de colher lembrança" - Ednardo, em 'Flora'"





(De Ricardo de Faria Barros, o Ricardim, em seu blog, post intitulado "Saudades dormidas" - aqui.

O blog de meu velho amigo Ricardim, 'Bode com farinha', de excelente conteúdo, merece atenta leitura.

Nota: Tomei a liberdade de fracionar o texto acima, para facilitar a leitura).

NONSENSE CARTOON


Amorim.

KEYNES E A QUEDA DO PIB


Uma técnica nazista para explicar a queda de 1,9% do PIB no trimestre 

Por José Carlos de Assis

O mantra dos economistas neoliberais martelado pela grande mídia para explicar a queda de 1,9% do PIB no segundo trimestre em relação ao primeiro é a falta de “confiança” na economia. Isso é mais ou menos como dizer que a culpa pelo sentimento de culpa é a culpa. Se o PIB caiu, é óbvio que muitos empresários deixaram de investir; e se deixaram de investir, é óbvio que não tiveram confiança no desempenho futuro da economia. Mas por que não tiveram confiança? Os neoliberais e a mídia que lhes serve nada dizem a respeito.
Um garoto esperto da cadeira de Introdução à Economia poderia esclarecer isso com um comentário na ponta da língua: deixaram de investir porque não tem demanda; não tem demanda porque o investimento caiu; e o investimento caiu porque o único investidor que pode investir sem se preocupar com a demanda é o Estado, e os investimentos e gastos do Estado, em vez de aumentarem, foram cortados em função do arrocho de Joaquim Levy. O investimento público, eis a questão, é a chave da queda e da retomada.
O que disse acima é uma síntese da doutrina keynesiana. Por que, então, os neoliberais falam em “confiança” como o elemento mágico de empurrar a economia? Simplesmente porque querem um Estado mínimo, com medo de um Estado maior e mais eficaz que implicaria transferência de renda para os pobres através de impostos e do gasto público. Contudo, como a queda da economia é um fato, e não ideologia, eles são obrigados a arranjar um culpado, e o culpado passa a ser a repetição de um mantra, confiança, que não explica nada pois é pura empulhação.
Em outra oportunidade disse que a técnica nazista de controle da opinião pública era se apropriar de determinadas palavras e distorcer seu significado, fazendo uma lavagem cerebral nas pessoas pela repetição. Estamos vendo que não é necessário um Goebels para fazer a mesma coisa no Brasil contemporâneo. Temos um Goebbels coletivo na grande imprensa, que, curiosamente, não faz isso por um partido, mas exclusivamente em favor do sistema financeiro especulativo. Claro, não é de graça. A banca são seus maiores anunciantes. (Fonte: aqui).
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J. Carlos de Assis, jornalista, economista, doutor pela Coppe/UFRJ, autor do recém-lançado 'Os sete mandamentos do jornalismo investigativo'.

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A partir de tudo isso, conclui-se: nos últimos tempos, alguém está, dia a dia, recebendo as mais entusiásticas homenagens no cenário econômico-midiático brasileiro - e esse alguém não é Keynes.
Ao que consta, desistiu-se do 'projeto CPMF', face à resistência de 'n' instâncias. Ora, tal resistência seria mais do que previsível. 
Enquanto isso, no que tange à previsão constitucional do imposto sobre grandes fortunas - que pouparia os pobres e a classe média - nenhuma palavra...

sábado, 29 de agosto de 2015

ANGEL BOLIGAN


Angel Boligan.

O DISCURSO


Rafael Correa. 

NAVA NOEL: ENCONTRO DE TITÃS


O encontro de Pedro Nava e Noel Rosa em BH no carnaval de 1935

Por Sebastião Nunes

– Saco! – resmungou Pedro Nava ao entrar no Café Estrela e encontrar as mesas vazias. Era sábado de carnaval e fugira do Rio para rever os amigos. Pediu um chope, que bebeu encostado no balcão, contando nos dedos: Mário Casassanta, Guilhermino César, Ascânio Lopes, Gustavo Capanema, Aníbal Machado, Abgar Renault, Emílio Moura, João Alphonsus, Milton Campos, Afonso Arinos... Parou em 10. Nenhum deles e nenhum dos outros. De tanta gente conhecida, ninguém.

            – Que foi que houve, Olímpio? – perguntou ao garçom. – Parece que a cidade está morta. Aqui era mais animado antigamente.

            – É carnaval, né, doutor Nava? Durante o dia fica animado, mas, a essa hora, só nos clubes ou nos bares. Se procura seus amigos, pode esquecer. Nunca aparecem nos sábados e domingos.

            Como diria décadas depois Fernando Brant, “sábado é dia de amador”, ele, que só frequentava bar de segunda a sexta.

            – Então o que é que faço, Olímpio? Não posso ficar aqui sozinho, enchendo a cara. Ninguém tem telefone e não quero ir na casa deles. Me dá um conselho.

            – Por que o senhor não vai pra um cabaré? Tem o Elite na Avenida Bias Fortes, o Montanhês na Rua Guaicurus...

            – Grande ideia! Dá pra você chamar um táxi? Montanhês, aqui vou eu!

DENTRO E FORA DO TÁXI

            Enquanto descia rumo à zona, Nava rascunhou num pedaço de papel um bilhete para os amigos ausentes: “O que há de terrível na vida mundana é a perda de tempo – a troca inútil de visitas, jantares e almoços de cortesia, as obrigações de missas de sétimo dia, de casamentos, ação de graças, bodas de ouro e prata. Velórios. Tudo isto é motivo de encontros tantas vezes desagradáveis, com outros que não os verdadeiros amigos, sobretudo nas casas cujos anfitriões fazem inevitavelmente ímpares, convidando para refeição e pondo juntos, à mesa, pessoas que reciprocamente teriam vontade de se verem – uma no enterro da outra”.

            Esboçou um sorriso. “Não está ruim”, pensou relendo o falso bilhete. “Vale como treino. Se um dia escrever memórias, aí está um bom começo. O diabo é que não encontrei nenhum dos amigos verdadeiros, nem pra remédio”!

            Desceu, pagou e respirou o ar carregado de fumo e álcool. Cafetões de sapato preto e branco vigiavam nas esquinas. Mulheres seminuas iam e vinham rebolando. Homens tímidos de todas as idades olhavam disfarçadamente, escolhendo. Bares cheios, vidas vazias. “Puta merda!”, sentiu um arrepio e franziu a testa. “Preciso tomar cuidado com frases de efeito. Ser modernista não dá o direito de filosofar besteira”.

            Passou pelos leões de chácara, um de cada lado da porta, e entrou no Montanhês. Um tango sincopado e langoroso marcava o tempo. A mistura de vozes, risos e gritos dava a impressão de mercado. Subiu os doze degraus sagrados do grande templo da boemia belo-horizontina. Deu de cara com o enorme salão, tão seu conhecido de tantos porres memoráveis. Casais de dançarinos profissionais se enlaçavam com seriedade, seguros da própria exibição. Em volta, neófitos desajeitados imitavam os movimentos dos mestres. Nava bocejou: o mesmo de sempre.

GAGO APAIXONADO

            De repente ouviu ali perto, o som elevando-se acima da orquestra:

            Mu-mu-lher em mim fi-fi-zeste um estrago.
            Eu de nervoso estou-tou fi-ficando gago...

            Não entendeu o restante. Viu, numa mesa próxima, um rapaz desconhecido e três mulheres novas e bonitas. O cantor batucava numa caixa de fósforos e parecia indiferente ao tango e ao burburinho.

            “Estranha queixada para um cantor”, constatou o médico Nava. “Esse sujeito tem a mandíbula diminuída. Deve ser a Síndrome de Pierre Robin, coitado. Quase com certeza foi no parto. É feio, mas simpático. Pelo jeito as moças estão se divertindo”. Aproximou-se para ouvir melhor.

            Te-teu co-coração me entregaste
            De-de-pois-pois de mim tu o to-toma-maste
            Tu-tua falsi-si-sidade é pro-profunda
            Tu tu tu tu tu tu tu tu
            Tu vais fi-fi-ficar corcunda!

            Nava riu alto e a turma da mesa o encarou. Não teve outro jeito senão se apresentar com um sorriso, estendendo a mão ao rapaz de queixo curto.

            – Muito prazer. Meu nome é Pedro Nava. Ouvi sem querer e achei engraçado.

            O rapaz sorriu de volta. Parecia acostumado a interrupções.

            – Prazer. Noel Rosa. Puxe uma cadeira se estiver sozinho. Estas são Aracy, Marília e Juraci, velhas amigas.

PAPO QUE VAI, PAPO QUE VEM

            Nava puxou uma cadeira. Noel pegou um copo, encheu e entregou ao recém-chegado. Bebiam cerveja.
          
            – Se quiser uma cachacinha é só pedir ao garçom – disse Noel. – A mistura esquenta e sobe rapidinho. À saúde de vocês. Não brindo à minha porque vai de mal a pior. – E fez uma careta engraçada, como se brincasse consigo mesmo.

            – Nunca te vi por aqui – disse Nava. – Tenho vindo pouco porque me mudei pro Rio. Mas de vez em quando apareço com uns amigos.

            – Que puta coincidência! – espantou-se Noel. – Sabe que sou carioca? Só estou aqui em tratamento. Enquanto me trato, me divirto.

            – Sei que não é lugar pra isso, mas sou médico e fiquei curioso. Posso saber o que você tem?

            – Nada de grave – brincou Noel. – Só uma tuberculose avançada. O clima de Belo Horizonte é considerado bom para o meu caso, então me expulsaram pra cá.

            – E você, doente como está, passa a noite bebendo?

            – Bebendo só, não. Hoje mesmo cantei na Rádio Guarani. Como minha mulher está grávida e é menor, ficou em casa. Então aproveito pra namorar. Beber é só uma forma de ficar alegre. E ajuda com as namoradas, não é mesmo, garotas?

            – Então vamos beber, se você quer assim.

            Nava ergueu o copo e brindaram. Depois continuou:

            – Gostei bastante do que estava cantando. Muito original. Não parece com os sambas que conheço. Nada de sentimentalismo barato.

            – Não, mesmo – disse Noel. – Nem um pouco sentimental. Já imaginou um cara doente como eu cair no sentimentalismo? Ia pro buraco depressinha.

            – E gastando as noites na farra, não vai do mesmo jeito?

            – Ah, não, seu doutor! Conselho, não. Se quer beber com a gente, tudo bem. Mas se é pra me botar pra baixo, esquece.

            – Desculpe, Noel – arrependeu-se Nava. – Não tive intenção. Deve ser a força do hábito. Mania de consultório, sabe como é? Então vamos esquecer e voltar ao que interessa. Tenho muitos amigos escritores e foi por isso que resolvi passar o carnaval em Belo Horizonte. Só que não encontrei ninguém. Você compõe muito? Tenho a impressão de que já vi seu retrato em alguma revista, mas não tenho certeza. Que música estava cantando quando cheguei?

            O rosto de Noel se iluminou.

            – Ah, é um sambinha humorístico. “Gago apaixonado”. Já compus mais de 100 músicas, talvez umas 200, nem sei direito.

            – Mas você é muito novo. Não deve ter nem 25 anos – disse Nava.

            – Tenho 26, mas comecei cedo, componho desde os 19. Estudei medicina um ano e parei. Também já gravei vários discos. Sozinho ou com parceiros. Sabe que é divertido, compor e cantar? Escute esta. E voltou a cantar, com sua voz fraca e afinada, acompanhado pela caixa de fósforos. As garotas marcavam o ritmo tamborilando na mesa. Nenhum deles ouvia a orquestra. O Montanhês era um palco iluminado, e era todo deles naquele momento.

            Eu hoje estou pulando como sapo
            Pra ver se escapo desta praga de urubu
            Já estou coberto de farrapo
            Eu vou acabar ficando nu
            Meu terno já virou estopa
            E eu nem sei mais com que roupa
            Com que roupa que eu vou
            Pro samba que você me convidou

            “Esse cara é um gênio” – espantou-se Nava. “Como é que nunca ouvimos falar dele? Eu não ouvi, nenhum amigo me falou nada. Será preconceito nosso?”

            Saíram dali os dois, bastante altos, horas depois. Levavam uma garrafa de cachaça, que bebiam no bico. Subiram a Rua São Paulo, continuaram pela Avenida Afonso Pena, desceram a Rua Tamoios, passaram ao lado do Parque Municipal e entraram debaixo do viaduto. Fedia o velho fedor ardido. Mendigos dormiam enrolados em pano sujo e jornal. Sentaram-se num canto e continuaram o papo e a cantoria – principalmente a cantoria –, que só terminou quando apareceu um guarda desconfiado, ordenando que fossem curtir a ressaca em casa. O sol despontava entre fiapos de nuvens. Nunca mais se viram. Estranhamente, o memorialista Pedro Nava jamais registrou o encontro em seus livros. Tantos anos depois, persiste o mistério: por que o esquecimento voluntário?
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(Fonte: aqui).

AMARGO NONSENSE


Liang Lung. (China).

CARTUM SINÉRGICO


Vida de Suporte.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

QUESTIONANDO LEIS


"A partir dos Estados Unidos, foram editadas leis copiadas pelo mundo afora com características de "leis especiais" de natureza penal que, focando objetivos aceitáveis por toda a sociedade, (visto que) ninguém é a favor de terrorismo, lavagem de dinheiro e corrupção; mas o problema é que criaram mecanismos de investigação e punição extravagantes, dando um poder excessivo ao aparelho judicial-policial que os usam com fins de Poder. O "Patriot Act", lei do governo Bush filho, prendeu em grande quantidade indivíduos sem processo legal em Guantánamo, onde até hoje muitos estão em um limbo jurídico, sem culpa formada, em nome da lei.

Além das leis anti-terrorismo, dois tipos de leis se implantam no mundo com essas características de punições extravagantes para crimes de ofensividade relativa: as leis de lavagem de dinheiro e leis anticorrupção.

Penas maiores que de assassinato, latrocínio, estupro seguido de morte, que são os crimes tradicionalmente de maior apenamento nos códigos, são comuns nessas leis especiais. Mas o que dá características "fascistas" a esse tipo de leis é o poder excessivo dado ao aparelho judicial, que passa a operar como "Comitê de Salvação Pública", acima do Poder político do Pais, com características messiânicas e salvacionistas, em ondas persecutórias.

Geralmente nos Estados Unidos e no resto do mundo leis desse tipo são aprovadas de forma açodada e sem muitos debates, em Parlamentos desatentos ou anestesiados, que não esmiuçaram as ferramentas autoritárias implícitas no texto ou após comoção na opinião pública, caso do "Patriot Act", fruto dos atentados de 11 de Setembro.

As leis de lavagem de dinheiro são um caso especial. A pretexto de perseguir um crime consequente a outro crime, por exemplo tráfico de drogas ou corrupção, se voltam contra milhares de transações do mundo real onde não há crime mas que podem gerar suspeita de crime. Com isso, infernizam a vida de milhares de cidadãos para no palheiro tentar encontrar um criminoso. O padrão considerado "limpo" nesse mundo conceitual é o cidadão que vive de salário e tem uma vida controlada mês a mês. Mas, no mundo dos negócios, dos empreendimentos, do aventureirismo de ideias novas, da exploração de territórios e setores, há múltiplas variações na circulação do dinheiro que tem potencial para cair na malha dos fiscais da lavagem. Se um irmão empresta para outro 150.000 reais e coloca na conta do irmão essa quantia, passa a ser alvo de lavagem de dinheiro. Se alguém paga um imóvel com 200 mil Reais em dinheiro vivo, o cartório vai denunciá-lo obrigatoriamente; conseguiu-se criminalizar a posse de dinheiro vivo como sinônimo de lavagem e suspeita de crime. Se o cidadão tem dinheiro em casa, a princípio a Polícia confisca porque "deve" ser criminoso; no entanto em nenhuma lei há proibição de alguém guardar dinheiro em casa; mas aí a prova da inocência passa a ser do infeliz apanhado com dinheiro.

As leis anticorrupção travam, por suspeitos, milhares de potenciais negócios em todos os setores. O problema não é a perseguição do crime REAL, verdadeiro, é a captura na rede para pegar um marlim de milhares de outros peixes que não se quer pegar mas que vem no arrastão.

O mega problema gerado por essas leis é a INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. O suspeito precisa provar que é inocente. As leis "fascistas" violam assim sua própria Constituição, fonte da legitimidade das leis; nessas leis todos são suspeitos até prova em contrário, o que dá um poder extraordinário à autoridade que opera a Lei,  rompendo-se a partir dessas Leis um princípio não só das Constituições mas da própria Declaração Universal dos Direitos do Homem, que vem desde a Revolução Francesa. Nesse sentido essas são LEIS FASCISTAS porque atingem direitos fundamentais do cidadão, a pretexto de protegerem a sociedade.

Os departamentos de COMPLIANCE para evitar o risco de perseguição judicial indevida no âmbito dessas leis são hoje em muitas empresas o MAIOR E O MAIS CARO DEPARTAMENTO, centenas de advogados e pessoal de apoio fazendo um trabalho que não produz nada e não contribui para geração de riqueza; criou-se mundialmente uma burocracia de COMPLIANCE para satisfazer essas leis travadoras do progresso e do crescimento.

O segredo do capitalismo é a liberdade de circulação de riquezas, é isso que gera riqueza nova. As "leis de lavagem e combate à corrupção" travam a velocidade de circulação, muitos empreendimentos nem se iniciam por medo de cair nesse tipo de farol vermelho que ignora o mundo real. No MUNDO REAL há muito dinheiro escondido, trilhões de dólares, por N razões, muitas vezes de família, de disputa entre casais, entre irmãos, entre pais e filhos estroinas, entre sócios de um mesmo empreendimento. Os ativos em grande parte líquidos hoje em fundos globais de investimento atingem US$ 73 trilhões de dólares, paralisados, muitos poucos novos grandes empreendimentos se veem hoje na África, na Ásia e na América Latina, há um medo generalizado de se movimentar dinheiro através das fronteiras por causa dessas leis congelantes que veem pecado e crime em qualquer negócio e são operadas por autoridades sem grande conhecimento do mundo real de negócios, mas ávidas do poder persecutório que engrandece seus cargos.

Os grandes surtos do capitalismo dos anos 1870-1914 e 1945-1975 se deram com GRANDE LIBERDADE de movimentação de capitais, de empreendimentos, de aventureirismo em negócios; hoje está tudo travado pela obsessão de que aí pode ter lavagem, propina, apavorando os homens de negócio e os aventureiros, que são fatores centrais na criação de riquezas.

O mundo pode entrar na ERA DO GELO do capitalismo pois há uma onda de ver crime em tudo, criada por grupos de vigilância essencialmente anti-capitalistas, de busca de transparência total, de direitos de minorias ao infinito, com pensadores aparelhando o mecanismo judicial para que o máximo de indivíduos com esse perfil de criadores de riqueza sejam perseguidos por não viverem de salário mensal controlado centavo a centavo, padrão ideal do mundo de Alice em que essas leis são editadas."




(De André Araújo, no Jornal GGN, post intitulado "Leis fascistas são um risco à Democracia e à Economia" - aqui).

JOGO DO TERROR


Waldez.

OS PROCESSOS E SUAS VISTAS


"...Luciana não tem prazo para fazer seu exame mais minucioso do processo e devolvê-lo ao plenário. (...) pode ficar dormindo com o processo pelo tempo que quiser. Pode imitar o ministro Gilmar Mendes, que em 2 de abril de 2014 pediu vistas da ação em que a OAB pede a proibição do financiamento privado de campanhas eleitorais (...). Embora a maioria dos ministros do STF já tivesse votado a favor da supressão do financiamento privado, um mal que assola o sistema político brasileiro e enseja a maioria dos casos de corrupção, o julgamento não pode continuar. (...)."





(De Tereza Cruvinel, jornalista política, post intitulado "Ação contra Dilma no STF: e se Luciana imitar Gilmar?" - aqui -, publicado ontem, 27.

O que este blog publicou anteontem, 26, sob o título "TSE: front adicional":

"(...). 

Então, é possível que venhamos a ter o seguinte diálogo, futuramente:

- Então, ministra Luciana Lóssio, quando é que a senhora devolverá o processo?

- Ora, ministro Mendes, devolverei o processo depois de o senhor devolver o que está em seu poder desde abril de 2014, relativo ao financiamento empresarial de campanhas políticas").

MITOLOGIA REVISITADA


Liberati.

PICLES SOBRE O ATO DE EDUCAR E SER EDUCADOR


Por Tião Rocha, antropólogo e pensador


1. Professor é aquele que ensina. Seu ofício é a ensinagem.

2. Educador é aquele que aprende. Seu ofício é a aprendizagem.

3. Educação é um fim, escola é um meio. (Os meios devem estar sempre a serviço dos fins a que se destinam).

4. Educação é algo que acontece somente no plural.

5. Não existe educação no singular. O “eu” sozinho não educa.

6. Para que haja educação são necessários, no mínimo, duas pessoas – o eu e o outro – (ou o professor e o aluno).

7. Educação não é o que eles, individualmente, trazem, mas o que eles trocam.

8. A gente só troca o que tem pelo que ainda não se tem. Isso se chama aprendizagem. (quem troca seis por meia dúzia, está perdendo tempo).

9. Educação, portanto, pressupõe aprendizagem. E a aprendizagem só ocorre se houver troca (do tipo ganha-ganha).

10. É possível fazer educação sem escola? Sim!

11. É possível fazer boa educação debaixo do pé de manga? Com certeza!

12. Mas é im-pos-sí-vel fazer boa educação se não tivermos bons educadores.

13. Só os bons educadores produzem a boa educação (o contrário, infelizmente, também é verdadeiro: os maus educadores produzem “caca” educacional).

14. O bom educador é aquele que cria uma pedagogia própria, autoral (e não fica apenas falando “entre aspas” e/ou citando pés de página).

15. O bom educador é aquele que aprende mais do que ensina, porque aprende a ver, ler e usar “o lado luminoso” de seus alunos e olhar sua comunidade pelo “lado cheio do copo”.

16. O bom educador não mede carência, mas potência. Deixa de ser um dependente do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e faz da sua escola a guardiã do Índice de Potencial do Desenvolvimento Humano (PPDH) dos seus alunos e sua comunidade.

17. Uma escola que se deseja excelente é aquela que identifica, mede e avalia o IPDH de seus alunos e comunidade e o utiliza pela sua capacidade de Acolhimento, Convivência, Aprendizagem, e Oportunidade (ACAO).

18. O educador, a nível de excelência, é aquele que constrói seu Plano de Trabalho e Avaliação (PTA) a partir de MDIs: – de quantas Maneiras Diferentes e Inovadoras eu posso: alfabetizar uma criança, não perder nenhum aluno, tirar um jovem da linha de tiro, mobilizar uma comunidade para zerar o analfabetismo, fazer da escola um centro de excelência, construir uma cidade educadora etc.

19. Toda escola pode transformar esses desejos e vontades em realidade plena. Basta querer e investir suas energias e seu “lado luminoso” nessas causas, porque elas fazem parte de sua governabilidade e não necessitam ser “terceirizadas”.

20. Uma escola, a nível de excelência, é aquela que “não deixa nenhum aluno para trás” ou que “não perde nenhum aluno” ou que garante a todos, sem exceção, a aprendizagem de tudo o que todas as crianças e jovens precisam e podem aprender, no seu tempo e no seu ritmo, para serem os melhores e mais felizes cidadãos do mundo.
....
(Fonte: aqui).

A EUROPA E OS IMIGRANTES

                                                 (Tapete vermelho)

Joep Bertrams. (Holanda).

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

O PESO DAS REDES SOCIAIS


João Zero.

A APROVAÇÃO DO PROCURADOR


No processo em que o Senado aprovou o novo mandato de Rodrigo Janot como procurador-geral da República, tudo correu muito bem: na Comissão de Constituição e Justiça, após 10 horas de sabatina, recebeu 26 votos favoráveis e apenas um contrário; no plenário, em deliberação rapidíssima, seu nome foi referendado por 59 votos a favor, 16 contrários e uma abstenção.

No desenrolar, nenhum fato, digamos, surpreendente: as intervenções na sabatina contemplaram o esperado; o senador Collor espumou à farta, certamente a única reação destoante. Collor é um dos treze senadores alvos de inquérito da operação Lava Jato.

Uma observação: causou certa curiosidade o fato de o senador Cássio Cunha Lima insistir no sentido de que a votação em plenário fosse adiada para a próxima semana. As ponderações aconteceram duas vezes, mas, como se viu, não alcançaram êxito. O fator tempo parece exercer grande influência estratégica...

No mais, louvamos o retorno do procurador-geral, devidamente consagrado.
....

Adendo 
a) Foi pertinente a indignação de Collor quanto aos vazamentos seletivos por parte dos condutores da Lava Jato; 
b) Não passou despercebida a 'soberba' de Janot ao sugerir o fim da lista tríplice, passando o mais votado a ser automaticamente o procurador-geral. O PGR não é eleito diretamente pelo povo. Sem o respaldo do Executivo e do Senado, nada feito.

RADICALIZAÇÃO SE ALASTRA


Ivan Cabral.

CONFIRMADO: VEJA SABIA DA ILICITUDE DE SEU ATO

"Pouca gente notou uma coisa.
O depoimento de ontem do doleiro Youssef desmascarou o crime jornalístico da Veja às vésperas das eleições.
Lembremos.
A Veja deu no sábado, um dia antes do turno decisivo, uma capa em que afirmava que Dilma e Lula sabiam de tudo no escândalo da Petrobras.
Era uma afirmação amparada exatamente em Youssef.
Pela gravidade da acusação e pelo tom peremptório do texto, o leitor era induzido a acreditar que Youssef tinha evidências poderosas, como conversas gravadas ou coisa do gênero.
Mas não.
O que se viu ontem é que Youssef estava palpitando como qualquer transeunte.
Ele usou a expressão “no meu entendimento”. Trazido para o português coloquial, Youssef disse que estava por fora, e arriscava um palpite.
No contexto, ele poderia dizer sem provocar surpresa: “Não sei de nada, e se alguém souber por favor me avise.”
A declaração cândida de ignorância sobre a eventual participação de Lula e Dilma na roubalheira foi transformada criminosamente pela Veja numa peça cabal de incriminação.
Foi uma agressão não apenas a Dilma e Lula, mas também à democracia.
Quantas pessoas sobretudo em São Paulo, onde a revista montou uma operação de guerra contra Dilma e a favor de Aécio, não foram influenciadas pela falsa revelação?
É um episódio tão sinistro quanto a edição desonesta pela Globo do debate entre Collor e Lula, em 1989.
A única diferença é que então o crime compensou. Collor venceu. Agora, não compensou. Aécio perdeu.
Jamais a Globo pagou o preço pela trapaça, a não ser pelo lado moral, o que é muito pouco.
O mesmo tende a se repetir agora com a Veja.
Dilma, no fragor dos acontecimentos, disse na televisão que processaria a revista.
Mas cadê o processo?
Dilma deveria se inspirar em Romário, que reivindica uma (indenização) de 75 milhões de reais por uma conta fajuta na Suíça que a revista inventou para ele.
Citei outro dia o jurista alemão Rudolf von Ihering, um inovador do século 19. Ihering consagrou a ideia de que, quando você for vítima de injustiça, tem o dever de procurar reparação, e não apenas o direito.
Dever porque é um serviço que se presta à sociedade.
Ihering mostrou que a Justiça só avança quando as pessoas lutam pelos seus direitos.
Lula tem feito isso ao processar quem o calunia e difama.
Não é uma luta fácil no Brasil. Gentili acusou Lula de forjar o atentado ao Instituto Lula, e foi intimado a esclarecer na Justiça a acusação.
O juiz conseguiu entender que ali havia uma piada, numa interpretação de texto peculiaríssima.
Não é fácil, repito, procurar justiça no Brasil, mas é imperioso fazê-lo. Em algum momento decisões absurdas como a que favoreceu Gentili serão insustentáveis.
Não sei o que terá feito Dilma recuar da promessa de acionar a Veja.
Mas foi um erro.
A impunidade estimula outros crimes, ao passo que o enfrentamento, como o de Romário, previne futuras delinquências.
Youssef, involuntariamente, revelou o crime da Veja.
Mas tudo indica que a revista não será cobrada por isso.
É uma pena para o país.
Quem sabia de tudo eram os donos e os editores da Veja. E mesmo assim seguiram em sua mentira brutal e, tudo indica, impune."


(De Paulo Nogueira, no blog 'Diário do Centro do Mundo', post intitulado "O depoimento de Youssef deixou claro que a Veja cometeu um crime na véspera da eleição" - aqui.
E assim segue Veja, desvirtuando a ética, aplaudidíssima por tantos...).