terça-feira, 23 de setembro de 2014

J. CARLOS DE ASSIS E A COMUNICAÇÃO OFICIAL


As realizações escondidas de Dilma num Governo que não sabe se comunicar

Por José Carlos de Assis

Tenho grande simpatia pela monumental obra de progresso social sob os governos do PT. Na mesma medida, tenho restrições a sua política macroeconômica. Fazendo um balanço, fico com o lado positivo do ganho social: em nenhum outro país do mundo aconteceu nos últimos anos um desenvolvimento social tão amplo quanto no Brasil, no qual a concentração de renda diminuiu sensivelmente, o salário mínimo teve aumentos reais  consistentes, milhões de pobres ascenderam socialmente, o IDH aumentou e o desemprego caiu para os mais baixos níveis históricos.

Tudo isso aconteceu num contexto de crescente concentração de renda no mundo, sob os auspícios do neoliberalismo, e com destaque nos países industrializados avançados, notadamente nos gloriosos e ricos Estados Unidos da América e na Europa. É que os governos do PT fizeram uma mágica curiosa: sem transigir com o neoliberalismo e o Consenso de Washington (se o tivessem feito o crescimento teria sido maior), fizeram uma política fiscal moderadamente desenvolvimentista e favorável aos mais pobres. Claro, tiveram um grande auxílio na frente externa: as importações minerais e agrícolas da China.

Por que, então, há tanta oposição a Dilma numa fração significativa das classes médias? Será porque as classes médias não gostam do que ela e Lula fizeram pelos pobres? Certamente que não. Os brasileiros são generosos pela própria natureza. Se uma significativa fração deles está contra Dilma, a razão principal é que está desinformada. Este Governo padece de uma monumental incompetência no campo da comunicação social. Ele nem consegue apontar o que faz de bem, nem se defender dos que o acusam por algum mal.

A comunicação é a chave do relacionamento do governante com o povo. Lula é, sabidamente, um craque nisso. Entretanto, se acovardou diante do maior massacre de mídia que algum governante brasileiro, em todos os tempos, sofreu direta e indiretamente: o noticiário do processo do mensalão.

Com quatro horas diárias na televisão por assinatura, mais algo como uma hora por dia de manhã e à noite em cadeia de tevê aberta, durante quatro meses, era impossível que, sem réplica consistente,  qualquer cidadão brasileiro não se convencesse, seguindo as palavras do “imparcialíssimo” ministro Joaquim Barbosa,  de que o Governo do PT havia sido tomado por uma quadrilha de malfeitores.

Ao não contar a verdadeira história do chamado mensalão, uma irregularidade eleitoral chamada caixa dois de campanha, a direção do PT deixou que grande parte da opinião pública brasileira se convencesse de corrupção ativa e passiva, formação de quadrilha, pagamentos mensais de votos de deputados do próprio partido e o inacreditável “domínio do fato” que serviu para condenar Dirceu.

Ao que tudo indica, Lula confiava na Justiça do STM. E a direção do PT se omitiu na obrigação política de fazer uma verdadeira narrativa dos fatos, relegando a tarefa a cada advogado que cuidava especificamente do seu cliente, não do conjunto do processo, ou a alguns jornalistas independentes, como Jânio de Freitas, Luís Nassif, Paulo Henrique Amorim e eu próprio.

Não obstante, Lula sobreviveu ao massacre em sua reeleição. E a direção do PT achou que o assunto estava morto, no sentido de que não influiria nas eleições futuras, pelo que não era necessário um esclarecimento a seu respeito. Acertou de novo, porque Dilma foi eleita em 2010 pelo grande eleitor.

Mas para uma fração crescente do eleitorado, o mensalão resistiu no subconsciente coletivo como o símbolo máximo da corrupção no Brasil. Dilma, que está longe de ser uma boa comunicadora, e que nem de longe foi contaminada concretamente pelo mensalão, acaba sendo uma vítima indireta dele por causa do silêncio covarde do PT, que entregou sem resistência a vida, a honra e a liberdade de seus grandes líderes na construção do primeiro governo.

Coisa parecida ressurge agora no escândalo forjado da Petrobrás,  onde um bandido confesso se torna cúmplice da imprensa golpista para tentar denegrir a imagem do governo do PT. Não se vê por parte da direção do PT uma pronta resposta. O silêncio é uma espécie de confissão de culpa. Como não é uma boa comunicadora, Dilma contra-ataca com números. Os números são expressivos e convincentes. Mas tem o sabor de um poema concretista, sem emoção, ou com a emoção de pedradas. Assim mesmo ela consegue ter um desempenho fantástico nas pesquisas, confirmando o enunciado de Lenin segundo o qual “a verdade (mesmo quando não dita) é revolucionária”.

Sinto que as coisas começam a ficar favoráveis a Dilma a despeito de suas próprias dificuldades comunicativas e da incompetência brutal de seu Governo nessa matéria. Vou dar um exemplo concreto. Li há alguns dias o relatório do PPA 2013-2015, que é uma espécie de prestação de contas de doze anos de Governo realizado pelo Ministério do Planejamento. É um show de realizações nas áreas sociais da saúde, educação, combate à miséria, promoção do emprego, desenvolvimento regional etc. Não vi nada disso na comunicação do Governo. Essa TV Brasil é um instrumento inútil de prestação de contas, pretendendo apenas copiar a tevê aberta em debates insossos de uma forma caricata. A comunicação do Governo se restringe a dar dinheiro para seus detratores Veja e Globo, a discriminar desfavoravelmente a imprensa média e pequena, e a ignorar seus próprios aliados na imprensa.

Mais do que isso, a própria função do planejamento está subestimada. No Governo militar havia planejamento centralizado federal, que em seu tempo, sob Reis Velloso, teve seus méritos. Nos anos da abertura, quando prevalece o pacto democrático, isso não seria possível no formato autoritário anterior. Foi difícil e demorado encontrar um meio caminho de convergência entre o planejamento central e as demandas sociais no nível dos estados e dos municípios. É o que está acontecendo agora, com grande eficácia, na forma de planejamento participativo territorial.

No último dia 17, para minha surpresa, reuniu-se em Brasília o Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Planejamento, para tratar de planos plurianuais territoriais participativos. Dito de forma burocrática, isso não tem o menor significado. Na prática, é a efetiva democratização do planejamento, algo que só um governo popular poderia realizar. É da iniciativa de Dilma, orgânica e racional, não de Lula, geralmente inorgânico e emocional. Infelizmente, a comunicação do Governo é incapaz de refletir esse avanço no plano da ação estratégica governamental. Só tomei conhecimento do fato por acaso. (Fonte: aqui).

HOMOFOBIA


Laerte.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

SOBRE A DESIGUALDADE QUE NÃO HOUVE


"O "Serviço de Atendimento ao Colunista" da agência de notícias está tendo muito trabalho para orientar quem tentou usar o IBGE como bucha de canhão.

Com pesar, a grande agência de notícias "Manipulated Press" informa que mordeu a língua de tudo o que disse, na véspera, a respeito da redução da desigualdade no país.

A comemoração que havia feito, com direito a champagne (espumante, nem pensar!), muitos Vivas! e convivas, foi por água abaixo.

A faixa de boas vindas à festa, com os dizeres "a caminho dos velhos tempos", foi vista hoje de manhã em uma lixeira.

O IBGE estava errado. O Brasil está melhor, e não pior. Como instituição séria que é, assim que identificou e corrigiu o erro, o Instituto pediu desculpas.

Bem diferente do que acontece com o pessoal da "Manipulated Press". Por exemplo, se seu veículo de imprensa apoiou uma ditadura sanguinária (para usar uma redundância), a orientação é que você espere pelo menos até se completar o aniversário de 50 anos do golpe para proferir o tradicional "desculpe a nossa falha".

A "Manipulated Press" é a agência imaginária mais atuante do mundo. Pensamos nela como em relação às bruxas: não acreditamos que ela exista, mas que existe, existe.

No Brasil, reúne "editores autoritários e proprietários de mentalidades oligárquicas" – para tomarmos emprestada uma frase de um dos livros do grande jornalista Bernardo Kucinski.

Em um lance de sorte, pegamos uma linha cruzada do SAC (Serviço de Atendimento ao Colunista) da agência.

Temos que agradecer à qualidade dos serviços de telefonia no país por essa oportunidade – um setor, aliás, que é preservado dos ataques da "Manipulated Press".

Pelo jeito, estão chovendo reclamações e pedidos de orientação de colunistas aflitos.

Um colunista reclama:

- "E agora? O que vamos dizer? Vamos ter que reconhecer que os dados ainda são bons?
- Cê tá maluco? De jeito nenhum. Inventa alguma coisa. Você pode dizer que o analfabetismo piorou.
- Como assim? Não piorou? O analfabetismo caiu. De 8,7%, em 2012, para 8,5% em 2013. Só não foram os 8,3% divulgados antes pelo IBGE. Mas o analfabetismo caiu. Melhorou.
- Caramba, seja firme, mantenha a linha! Ninguém vai perceber esse detalhe. Só capricha na manchete. Diga que o dado está pior que o divulgado antes pelo IBGE. Já tá todo mundo fazendo isso. Vai ajudar a fazer parecer que aumentou, "capice?"
- Entendi, mas pode não ser suficiente. Que mais vocês têm aí para distribuir pra gente?
- Vou te mandar um "print" de como dizer que o governo Dilma está prejudicando o IBGE a fazer um bom trabalho.
- Como assim? Não dá. Todo mundo falava o contrário. Você não viu o artigo da Cantanhede?
- Que artigo?
- Um em que ela diz o seguinte, deixa eu ler aqui na tela: "Na contramão das estatais e dos órgãos de governo, o IBGE resistiu ao aparelhamento e às ingerências indevidas e continua dando valiosas contribuições para a compreensão do país e para detectar o ritmo dos avanços nas mais diferentes áreas. Doa a quem doer."
- Olha, isso nem saiu daqui. Tem até erro de Português: é doa "em quem" doer.
- E tem mais. Ela diz que "o que importa é que o IBGE resistiu à pressão do Planalto via senadores amigões, e continua cumprindo seu papel de pesquisar, divulgar, analisar e, assim, contribuir para o entendimento e o planejamento do país, seja quem for o (a) presidente. O IBGE é nosso!".
- Dane-se a Cantanhede! Ela que se vire. Finge que você nem leu isso aí.
- Mas eu também já escrevi coisas parecidas.
- Caramba, essa não. Então o jeito vai ser você usar aquela frase: "esqueçam o que escrevi".


A linha caiu assim que meus créditos acabaram. Maldita telefonia cara!"




(De Antonio Lassance, post intitulado "Agência 'Manipulated Press' lamenta que desigualdade não tenha aumentado no Brasil", aqui).

AMARGA PRIMAVERA SUDESTE


Duke.

CARTUM INTRANSITÁVEL


Amorim.

SOBRE O ESTADO ISLÂMICO


Seis fatos sobre o grupo Estado Islâmico

Por Vanessa Martina Silva

Após autoproclamar um califado no Iraque e na Síria, o EI (Estado Islâmico), anteriormente chamado EIIL (Estado Islâmico do Iraque e Levante), agora busca ampliar seus territórios e estender sua influência até a capital iraquiana Bagdá. O grupo ganhou notoriedade internacional devido à crueldade com que trata os prisioneiros e à perseguição de “infiéis”, que são crucificados, obrigados a pagar taxas e a se converter ao Islã.

No final de semana, enquanto o mundo muçulmano comemorava o fim do Ramadã, o grupo divulgou um vídeo mostrando a crueldade com que supostos soldados iraquianos são mortos pelos integrantes do EI. As imagens revelam dezenas de soldados sendo executados um a um, como relatou a agência Reuters.

Conheça seis fatos sobre o grupo, que se desvinculou da Al-Qaeda e disputa com ela a liderança na causa jihadista mundial:

1. Califado: Califa é literalmente o sucessor do profeta Maomé que deve ser reconhecido como chefe da nação e líder da “umma” (comunidade de muçulmanos de todo o mundo). A lei aplicada é a lei islâmica (sharia). O líder do califado do Estado Islâmico é Abu Bakr al-Baghdadi.

Baghdadi convocou recentemente os muçulmanos de todo o mundo a se unir à batalha e ajudar a construir um Estado islâmico no território recentemente conquistado. "Muçulmanos: corram para seu estado! Sim, é seu Estado! Pois a Síria não é para os sírios e o Iraque tampouco para os iraquianos. A terra é de Allah”, clamou.

2. Escritório para casar com terrorista: As jovens que desejam se casar com um dos insurgentes podem recorrer a uma agência de matrimônio localizada na cidade síria de Al-Bab. Os recrutadores aceitam candidatas solteiras ou viúvas entre 15 e 46 anos, como informou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos na última segunda-feira (28/07). O procedimento é relativamente simples. As jovens registram seu nome e endereço no pedido e, em seguida, os combatentes as procuram para pedi-las oficialmente em casamento.

3. Excursões de lua-de-mel: Duas vezes por semana, é organizada uma excursão para casais em lua-de-mel, como informou a Reuters. O ônibus sai de Raqa, no norte da Síria, e vai até a província de al-Anbar, no oeste do Iraque. Mas, apesar do “romantismo”, os casais não podem ficar juntos. De acordo com a lei do grupo, as mulheres devem se sentar na parte traseira do veículo e seus esposos na frente, enquanto ouvem o motorista entoar cânticos jihadistas.

4. Não à mutilação genital: Na última semana, diversas agências de notícias divulgaram um suposto comunicado do grupo determinando que todas as mulheres do califado seriam circuncisadas — prática também conhecida como mutilação genital feminina — como "se fazia antigamente na cidade sagrada saudita de Medina". A notícia no entanto, foi desmentida por jornalistas. O repórter freelancer Shaista Aziz afirmou que “esta história é falsa e serve para comover a audiência ocidental”. Segundo ele, o grupo comete diversas outras “atrocidades”, mas não esta.

5. Estado petroleiro: Graças ao financiamento conseguido por meio da venda de gás roubado, o Estado Islâmico tornou-se uma das organizações terroristas mais ricas do mundo e independente do patrocínio de algum Estado. O grupo domina diversos campos de petróleo sírios e em meados de julho tomou o controle de um campo de gás de Sha'ar, a leste de Homs, na Síria. De acordo com a Reuters, o petróleo é vendido a intermediários na Síria e depois enviado para refinarias na Turquia, Irã ou Curdistão.

Além disso, para não ter que gastar com a compra de armamentos, o grupo roubou um expressivo material bélico norte-americano que anteriormente pertenceu ao Exército iraquiano.

6. Crucificação, perseguição aos cristãos e impostos: Diversos “infiéis” estão sendo condenados a penas severas, como apedrejamento, execução e até crucificação pública. Segundo o Observatório Sírio, o grupo realizou diversas crucificações de cristãos que não quiseram se converter ao islã. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que a "perseguição sistemática" de minorias étnicas e religiosas em Mossul pelos jihadistas pode representar um crime contra a humanidade.

Não muçulmanos também são obrigados a pagar um imposto, conhecido como jiziya, ou entregar suas posses e deixar a cidade, o que contribui para aumentar o financiamento do grupo. (Fonte: aqui).

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Papa Francisco: Deus não pode ser usado para justificar violência. Aqui.

O TERROR, MUNCH, O TERROR


Manny Francico. (Filipinas).

domingo, 21 de setembro de 2014

A COLUNA DOMINICAL DE JÂNIO DE FREITAS

              O jornalista Jânio de Freitas, da Folha de São Paulo.

O escândalo do silêncio

Por Jânio de Freitas

São mais de quatro meses de intensa presença, na política e na imprensa, do múltiplo escândalo envolvendo o doleiro Alberto Youssef, negócios passados da Petrobras com as refinarias Abreu e Lima e de Pasadena, e a corrupção do ex-dirigente da estatal Paulo Roberto Costa. Já é um escândalo mais longo que o desnudamento da Presidência de Collor, de pouco mais de três meses. E, por certo, é o escândalo mais obscuro de todos para a opinião pública, apesar de duas CPIs e vários inquéritos da Polícia Federal com a Procuradoria da República.

Uma de suas faces, porém, está bem nítida. É a obediência à regra fundamental dos escândalos brasileiros de corrupção.

Sem estar sob segredo de Justiça, a investigação sobre as atividades do doleiro Alberto Youssef resultou em razoável quantidade de informações públicas. Mas confusa o bastante para que não se saiba, até hoje, como e quem formou a tal montanha de R$ 10 bilhões que Youssef teria posto no exterior por meios ilegais. O custo da refinaria Abreu e Lima, dezenas de vezes maior do que o previsto, tem números, mas não tem a explicação. Os envolvimentos de políticos na corrupção delatada por Paulo Roberto Costa têm alguns nomes, mas os negócios que se ligariam a esses nomes ficam silenciados.

O elo que reúne todas essas omissões: nenhuma pode ser preenchida sem a revelação, também, do lado corruptor. No qual estão as empreiteiras fortes, como OAS, Odebrecht, Queiroz Galvão, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Engevix, Mendes Júnior, Coesa (da OAS), e por aí em diante. As intocáveis, portanto.

CONTRAPÉ
Uma situação original na disputa dos presidenciáveis, proporcionada pelo candidato sorriso.

Se as duas atitudes decorreram de análises internas do PSDB, não está claro. Mas a opinião divulgada por Fernando Henrique, de que Aécio Neves deveria passar ao ataque a Dilma, deixando Marina a salvo, foi seguida pelos discursos do candidato com apelos ao eleitorado "para tirar o PT do governo".

Como a maior possibilidade de "tirar o PT" é de Marina, e não de Aécio, o sentido final daquelas duas colocações é o mesmo: o voto útil. Nela.

Mas a opinião de um e a prática do outro, um disfarçado jogar da toalha, davam-se exatamente quando o eleitorado concedia algum alento a Aécio, como indicado nos dois e três pontos captados pelo Datafolha e pelo Ibope. Era o candidato contra seus apoiadores. E ainda foi fazer o seu apelo no Nordeste, onde não consegue colher nem milho.

MUDANÇA
Caso se confirme e inclua mudança de direção, a venda do controle do Ibope à inglesa WPP vai sacudir as relações entre meios de comunicação, publicidade e público leitor/ouvinte/espectador.

Lá por meado do século passado, o então incipiente grupo Globo e o Ibope tiveram gravíssimo incidente. Como era próprio do comando de Roberto Marinho, não houve meios tons. A ofensiva adotou a tática arrasa-quarteirão.

Desde o acordo de paz, muitas emissoras de sucesso do Rio e, depois, também de São Paulo se insurgiram contra o que seria o sistema de apuração do Ibope. Em vão. É compreensível que, para as mesmas ou para as sucessoras, novos donos possam significar novas perspectivas. (Fonte: aqui).

A QUEDA

Remedio.

BRASIL: O PNAD APÓS AS CORREÇÕES DEVIDAS


Dados corretos do PNAD mostram que a desigualdade caiu no país de 2012 para 2013

Por Marcello Casal

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou na noite de hoje (19) uma correção da análise de dados e microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) divulgada ontem (18), o que levou a erro em alguns resultados das estimativas. O índice de Gini, por exemplo, que mede a desigualdade no país, em 2012 estava em 0,496 e, em 2013, caiu para 0,495, o que mostra redução na desigualdade, ao invés do aumento  para 0,498 divulgado ontem.

Apesar de o percentual de pessoas que ganham até um salário mínimo ter ficado em 25,2% da população ocupada em 2013, e não 24,8%, a desigualdade diminuiu porque a taxa dos que ganham de cinco a 20 salários mínimos passou de 7,6% para 7,3% entre as duas análises e os que recebem mais de 20 salários mínimos permaneceu em 0,7%.

De acordo com o diretor de Pesquisa do instituto, Roberto Luís Olinto Ramos, todos os dados puros estão corretos, mas houve um erro técnico que superestimou a população das regiões metropolitanas do país, o que influenciou em outros dados, como o índice de Gini.

"Basicamente o que aconteceu foi um erro técnico que afetou alguns estados e algumas variáveis. A pesquisa é por amostra, não cobre a população inteira. Existe um processo onde você pega a amostra e projeta com um peso. Da amostra para o todo, houve um problema restrito às regiões metropolitanas de sete estados que têm mais de uma região metropolitana, onde foi considerado o peso da região metropolitana do estado inteiro, e não apenas o da capital".

O problema ocorreu nos estados do Ceará, de Pernambuco, da Bahia, de Minas Gerais, de São Paulo, do Paraná e do Rio Grande do Sul, onde existem regiões metropolitanas nas capitais e também em outros municípios, e levou à mudança nas análises nacionais, além das regionais. (...).

(Para continuar, clique aqui).

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Houve redução da desigualdade, ponto. 

Tão logo divulgados os dados incorretamente apontados pelo IBGE, as oposições teceram críticas ferozes em face da estagnação da desigualdade verificada de 2012 para 2013. Reforçando as oposições, a mídia deitou e rolou: letras garrafais sobre o fracasso. A Folha chegou até a alardear que a desigualdade "aumentou", para em seguida retificar para "estagnou".

Eis que agora, constatado que houve redução da desigualdade, o que demonstra a eficácia das políticas adotadas pelo Brasil, o bloco opositor, decepcionado, se concentra na "incompetência do IBGE", e fim de papo.

Seria de bom tom o bloco opositor ser contemplado com a seguinte indagação: "Sim, mas, e quanto ao fato de ter havido redução da desigualdade, o que você tem a dizer?"  

BRASIL FORA DO MAPA DA FOME


Kayser.

MUSSUM FORÉVIS


Ótimo livro lembra que Mussum foi também original no samba

Por Mauro Ferreira

O cantor e compositor Almir Guineto costuma ficar com todo o crédito pela introdução do banjo na roda de samba. Mas o fato é que o cantor, percussionista e humorista Antônio Carlos Bernardes Gomes (Rio de Janeiro, 7 de abril de 1941 - São Paulo, 29 de julho de 1994), o Mussum, também teve participação decisiva na criação do instrumento resultante da interação entre o banjo e o cavaquinho. Foi de Mussum, aliás, a ideia de acoplar as cordas do cavaquinho ao banjo para amplificar o som do instrumento, usado pioneiramente nesse novo formato em Samba Exportação (RCA Victor, 1971), quarto álbum do grupo carioca Os Originais do Samba.

O relato da invenção de Mussum é feito na página 142 da excelente biografia do artista, escrita pelo jornalista paulista Juliano Barreto e recém-lançada pela editora Leya para lembrar os 20 anos da morte do músico eternizado como humorista no imaginário nacional. Mussum Forévis - Samba, mé e Trapalhões é alentada biografia deste carioca hoje mais lembrado por ter composto o quarteto Os Trapalhões com Renato Aragão, Dedé Santana e Mauro Faccio Gonçalves (1934 - 1990), o Zacarias.

Dono de texto fluente, o autor reconstitui a vida de Mussum com a profundidade esperada de uma biografia. Para estudiosos da história da música brasileira, o livro presta valioso serviço ao documentar a trajetória do grupo Os Originais do Samba, formado nos anos 1960 por músicos que circulavam nos morros do Rio de Janeiro (RJ). Juliano Barreto mostra que o grupo teve peso na cena musical nacional entre a segunda metade dos anos 1960 e a primeira da década de 1970.

Descendentes de um grupo chamado Os Sete Modernos, Os Originais do Samba surgiram em 1965 a partir de violento racha no grupo anterior. Mussum tocava reco-reco n'Os Originais. De início, o grupo atuou na noite carioca, participando de espetáculos do produtor e empresário gaúcho Carlos Machado (1908 - 1992) quando este já começava a ser destronado como o rei da noite carioca. Mas foi na cidade de São Paulo (SP), na era dos festivais, que Os Originais começaram a ser notados e levar público para seus shows. Sempre antenada, Elis Regina (1945 - 1982) orquestrou um convite para que o grupo a acompanhasse na defesa de Lapinha (Baden Powell e Paulo César Pinheiro, 1968) na primeira Bienal do Samba, festival produzido pela TV Record em 1968. Daí em diante, o grupo viveu uma fase de consagração, gravando na RCA, a partir de 1969, uma série de álbuns que consolidaram seu estilo próprio de cantar e tocar samba com um suingue que encantou os executivos gringos da indústria fonográfica na França, no Midem de 1971, quando Os Originais foram - ao lado do cantor  paulista Jair Rodrigues (1939 - 2014) - a principal atração brasileira da feira internacional do mercado de discos. Atento ao suingue personalíssimo do grupo, Jorge Ben Jor - então no auge do sucesso - deu em 1969 um samba, Cadê Tereza?, que impulsionou as vendas do primeiro álbum d'Os Originais. Outros discos e sucessos se seguiram - como Do lado direito da rua direita (Luiz Carlos e Chiquinho, 1972), Esperanças perdidas (Adeilton Alves e Délcio Carvalho, 1972) e Tragédia no fundo do mar (Assassinato do camarão) (Ibrain e Zeré, 1974) - a ponto de Mussum ter dúvidas se devia aceitar o convite para ingressar no programa Os Trapalhões, na TV Tupi, e dedicar mais tempo à carreira de humorista que havia começado meio por acaso nos anos 1960.

Aceitado o convite, o tocador de reco-reco - como Mussum se denominava - passou a ser cada vez mais, e para sempre, humorista. Adicionados ao progressivo declínio d'Os Originais do Samba a partir da segunda metade dos anos 1970, os crescentes compromissos assumidos com Renato Aragão e Cia. levaram Mussum a sair - a rigor, a ser saído pelos colegas, irritados com seus constantes atrasos - do grupo que ajudou a fundar e pelo qual lutou nos tempos das vacas magras.

A biografia de Juliano Barreto retrata Mussum sem reverência excessiva. Juliano Barreto ressalta a espontaneidade do artista - que circulava em todos os ambientes sem pose e sem afetação, cativando as pessoas com o carisma e simplicidade já conhecidos dos habitantes do Morro de Mangueira - sem deixar de expor no (ótimo) livro todos os matizes da personalidade do artista. (Fonte: aqui).

CARTUM DE REINALDO


Reinaldo.

sábado, 20 de setembro de 2014

INTERNET 100% DOMINADA


NSA cria projeto para vigiar "qualquer dispositivo, o tempo todo"

Alguns documentos recentemente exibidos por Edward Snowden revelam o plano da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA) para “mapear toda a internet profundamente, incluindo qualquer dispositivo, em qualquer lugar, o tempo todo”.

De acordo com um relatório divulgado no dia 14, pela publicação alemã Der Spiegel, a NSA e o seu parceiro britânico GCHQ têm o objetivo de mapear toda a internet, e não apenas os grandes canais de tráfego, tais como cabos de telecomunicações. Ambas também procuram identificar dispositivos como roteadores. O “programa permite a criação de um mapa interativo de internet global em tempo quase real”, afirma o relatório.

O plano chamado de “Treasure Map” (ou Mapa do Tesouro, em português) foi revelado pela primeira vez no ano passado pelo jornal The New York Times. Mas, na época, os oficiais de inteligência disseram que ele não seria usado para a vigilância, e sim apenas para entender a rede de computadores.

Mais grave do que parece
Entretanto, o relatório da Der Spiegel traz detalhes sobre como o projeto Treasure Map desempenha um papel muito mais agressivo. Aparentemente, ele ajudaria em uma “guerra cibernética”. Entre os alvos da NSA e da GCHQ estão a Deutsche Telekom, proprietária da T-Mobile, e NetCologne, outra empresa de telecomunicações alemã.

Além disso, o relatório da Der Spiegel sugere que o programa permite que o NSA "monitore as redes dessas empresas", vigie "os dados que viajam através deles" e espione "os dispositivos finais de clientes das companhias." (Fonte: aqui).

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A realidade é uma só: ninguém sabe a quanto chega o poder da NSA. Uma série de posts aqui publicados deixa isso bem claro. Em junho do ano passado, p. ex., postamos: EUA: a misteriosa NSA. Outro aspecto interessante diz respeito aos 5 OLHOS.

Enfim, a NSA reina desde sempre.

SHOW NACIONAL: PROIBIDO PARA TODAS AS IDADES

              Navio Cidade de Ilhabela: produção brasileira.

O "navio clandestino" de uma mídia que não ama o Brasil

Por Fernando Brito

Segunda-feira à tardinha, o ilustre cidadão e a esclarecida cidadã que cruzaram a ponte Rio-Niterói “deram por falta” de um imenso navio azul, coberto de torres, que se encontrava à direita de quem sai da ponte, logo após a Base Naval de Mocanguê.

Não que fosse um navio digno de se notar: afinal, tem apenas 345 metros de comprimento e 58 de largura, o que resulta numa área de três campos de futebol “padrão Fifa”. Nem que, por “baixinho”, pudesse escapar à visão de quem passava: afinal, tem 30, 3 metros de altura máxima, o que chega perto da metade do imenso vão central da ponte.

Pois acredite o amigo leitor que este navio, cujos complicadíssimos módulos de convés, que filtram, separam, processam e deixa prontos para irem para os tanques de armazenamento nada menos que 150 mil barris de petróleo por dia e 6 milhões de metros cúbicos de gás natural, partiu “incógnito”, quase às escondidas, para o campo de Sapinhoá Norte.

Lá, ele vai tirar este mundo de petróleo do pré-sal da Bacia de Campos.

Porque Sapinhoá, que opera hoje com apenas três poços  ligados à plataforma Cidade de São Paulo, reúne os maiores poços em produção já registrados no Brasil, com médias que superaram 42 mil barris por dia. E lá há poços que esperam apenas por um navio-plataforma para produzir.

O Cidade de Ilhabela saiu quietinho, tendo como companhia apenas a bruma da tarde (...).

Em outras terras, o gigante sairia escoltado por recadores e seus apitos, batizado por jatos d´água merecidos por um herói que, durante 20 anos, vai dar ao Brasil, todos os dias, perto de US$ 15 milhões.

Isso mesmo, todos os dias, com o petróleo nos preços de hoje e sem contar o gás.

Mas que horror!

Não se pode deixar que notícias assim se espalhem. É uma mau exemplo.

Independência é só aquele quadro dos cavalos à beira do riacho e de um homem de bigodes e espada na mão.

É preciso silêncio total na mídia.

E a Petrobras, devassada e detratada todos os dias na imprensa, “republicanamente” apanha quieta.
Senão, é capaz de dizerem que o navio sumiu porque o Paulo Roberto Costa deu sumiço nele.

 Guardou na garagem de casa, quem sabe? (Fonte: aqui).

CARTUM DE REINALDO


Reinaldo. (Clique aqui).

TERAPIA DA FOFOCA


Ao falarmos dos outros, revelamos muito sobre nós mesmos

Por Yannik D'Elboux

Existe uma frase atribuída a Sigmund Freud, o criador da psicanálise, que traz os seguintes dizeres: "Quando Pedro me fala de Paulo, sei mais de Pedro do que de Paulo". Se a sentença foi realmente proferida por Freud, não se sabe. Entretanto, o significado da mensagem faz sentido.

Para o médico e psicanalista Mauro Hegenberg, professor do Instituto Sedes Sapientiae, que realiza cursos, estudos e atendimento clínico na área de psicologia, a frase é precisa, já que cada um revela um pouco de si mesmo a partir do que identifica no outro. "Isso porque projetamos nos outros aquilo que está em nós mesmos", explica.

Na concepção da psicanálise, cada indivíduo tem uma visão única de mundo, formada ao longo da vida em função de sua educação e suas experiências, que influenciam o modo de perceber as pessoas. "São essas imagens, ideias e conceitos que projetamos nas pessoas quando pensamos nelas ou falamos sobre elas", diz Hegenberg.

Diferentes estudos na área de psicologia mostraram que bastam apenas poucos segundos para formarmos uma opinião sobre alguém. Uma pesquisa da Universidade de Glasgow, na Escócia, concluiu que até menos do que isso é suficiente: em apenas meio segundo, os entrevistados tiveram suas primeiras impressões após ouvir um simples "olá".

A maneira como julgamos alguém ou o que falamos a respeito dele estão intimamente relacionados com o nosso jeito de ser, na opinião do filósofo Jorge Claudio Ribeiro, livre-docente em Ciência da Religião da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo. "Se sou otimista, vou destacar aspectos mais positivos daquela pessoa", exemplifica.

Para Ribeiro, além da influência da biografia de cada um naquilo que mais salta aos olhos quando analisamos o outro, existe, também, o peso do momento. "As circunstâncias que estamos vivendo também condicionam o nosso pensamento", acrescenta.

O que incomoda?

Muitas vezes aquilo que tanto incomoda no outro pode ter relação com uma característica que a pessoa também possui, mas não aprova e nem sempre enxerga. "Se aquilo não tivesse nada a ver com as minhas dificuldades, não incomodaria, eu nem perceberia", diz a psicoterapeuta cognitivista-comportamental Betania Marques Dutra, professora da Faculdade Salesiana Maria Auxiliadora e do Instituto Brasileiro de Hipnoterapia, no Rio de Janeiro (RJ).

Betania acredita que a forma como encaramos a atitude e o comportamento dos outros tem ligação com o que pensamos acerca de nós mesmos. "Quando o outro está me afetando de maneira bastante significativa, pode ser que ele esteja interferindo na ideia central que tenho de mim mesmo", afirma.

O professor da PUC-SP observa que uma pessoa também é capaz de nos perturbar quando nos provoca de algum modo. "Às vezes, o outro me incomoda porque é melhor do que eu, por exemplo. E eu não quero melhorar, estou acomodado", analisa Jorge Ribeiro.

Apesar de o outro servir com frequência de espelho, refletindo quem somos e o que pensamos do mundo, nem tudo que vemos é a nossa própria imagem. Aspectos que repudiamos também aparecem e causam revolta. "O outro também pode me incomodar porque vai contra uma série de valores que prezo", ressalva Ribeiro.

Para Mauro Hegenberg, devemos estar atentos ao que falamos e pensamos dos outros. "Cabe sempre a reflexão do porquê aquela pessoa nos incomoda, em que ela nos atrai ou repele, o que admiramos nela ou invejamos", sugere.

A visão que temos de alguém, segundo Jorge Ribeiro, é sempre limitada. Por essa razão, ele acredita que nenhum julgamento deveria ser definitivo. "Tenho compromisso com o que estou vendo, mas também com a limitação do que estou vendo", diz. (Para continuar, clique aqui).

FOFOCA PICLES

Waldez.


.Todo bisbilhoteiro tem instintos homicidas: só pensa em matar a curiosidade.


.Masoquista portador de dupla personalidade tem a satisfação de num dia falar mal de si mesmo; no outro, do outro propriamente ele.


.Quando lançava uma fofoca contra alguém, e tal fofoca de repente se materializava, para ele era, verdadeiramente, uma feliz coincidência.


.Fazer ouvidos moucos às fofocas é burrice, dizem as más línguas.


.Encontrar alguém avesso a fofocas é mais difícil do que achar agulha em palheiro. Aliás, cá entre nós, dizem que a tal agulha nada tem de agulha: não passaria de mero alfinete.  

CARTUM DA INVOLUÇÃO


Manny Francisco. (Filipinas).

DA SÉRIE AULAS DO TEA PARTY

              - Há pessoas que veem racismo em todos os lugares que olham!

Tony Auth. (EUA. 1942-2014).

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

DA SÉRIE PESOS E MEDIDAS


"Eu quero saber. Não é possível que a revista 'Veja' saiba alguma coisa e o governo não saiba quem está envolvido. (...) Não reconheço na revista 'Veja' nem em nenhum outro órgão de imprensa o status que tem a Polícia Federal, o Ministério Público e o Supremo. Não é função da imprensa fazer investigação. Eu não pré-julgo e não comprometo a prova. (...)".




(De Dilma Rousseff, ao informar, nesta data, que vai pedir ao STF acesso aos depoimentos prestados pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa na Polícia Federal, em que ele teria apontado o envolvimento de autoridades do governo em um suposto esquema de corrupção na estatal. O pedido será feito após a Polícia Federal e o Ministério Público Federal haverem negado pleito em igual sentido, sob o argumento de que o sigilo do depoimento tem que ser mantido até que a Justiça transforme o caso em ação penal.

Dilma sustenta que não pode tomar decisões com base em disse-me-disse.

Enquanto isso, o disse-me-disse de Veja funciona como verdadeiro ucasse, decreto irrecorrível, martelo batido, prova provada, condenação fatal...

Aguarda-se para ontem ucasse midiático dando conta do seguinte: o pedido de acesso por parte de Dilma configura pretensão descabida; a quebra de sigilo judicial por Veja e quem mais se dispuser à façanha, liberdade de imprensa).

TRABALHO: AMEAÇAS À ESPREITA

Ilustração: Berni.

Decisão do STF pode flexibilizar leis trabalhistas

Por Bruno Pavan

A Consolidação das Leis do trabalho (CLT) é sempre motivo de debate entre diversos setores da sociedade. Em época de eleição, promessas de “modernização” dos direitos trabalhistas arrancam suspiros de empresários em todo o país. Mas, a maior ameaça a esses direitos neste momento está em outra casa: o Supremo Tribunal Federal.

O Supremo, em votação eletrônica, considerou de “Repercussão Geral”, em maio deste ano, o Recurso Extraordinário com Agravo (ARE) 713211 da empresa Celulose Nipo Brasileira S/A (Cenibra). Isso significa que a corte considerou esse recurso de relevância elevada no sentido jurídico, político, econômico ou social.

A ação teve origem em uma denúncia formalizada pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Extração de Madeira e Lenha de Capelinha e Minas Novas em 2001, que retratava a precarização das condições de trabalho no manejo do eucalipto para a produção de celulose. O Ministério do Trabalho, por sua vez, constatou que existiam contratos de prestação de serviços para a atividade de manejo florestal e considerou que a atividade-fim da empresa havia sido privatizada. (Nota deste blog: em se tratando de atividade-fim, a lei impõe o vínculo formal mediante Carteira de Trabalho; no caso a atividade foi desrespeitada, razão pela qual o Ministério Público do Trabalho teria agido corretamente ao questionar a relação de trabalho).

Vitor Filgueiras, pesquisador do Centro de Estudos Sindicais de Trabalho (CESIT) e do Instituto da Economia da Unicamp, alerta para o risco que uma decisão favorável à Cenibra poderia ter para a legislação trabalhista brasileira, já que ela vai se tornar um parâmetro para todas as outras.

"Se a empresa for absolvida pelo STF, é como se houvesse uma mudança de fato na lei trabalhista. Essa decisão não será isolada e vai servir de referência para todas as outras. Na prática, significaria que nenhuma empresa precisará mais contratar ninguém com carteira assinada. Vai liberar geral”, afirmou.

A Cenibra questiona as decisões contrárias nas outras instâncias da Justiça tendo como base o argumento de que não existe definição jurídica sobre o que sejam exatamente “atividades-meio” e “atividades-fim” no Brasil.

Vitor refuta o argumento e explica que a criação da súmula 331 do TST, que autoriza a terceirização do trabalho em algumas atividades, é uma demanda empresarial que surgiu após um forte lobby na década de 1980.

“É uma contradição em termos. Foram as próprias empresas, na década de 1980, que fizeram uma grande pressão para que se aprovasse a súmula 331. O embasamento era sempre que aumentaria a eficiência se as empresas focassem apenas na atividade-fim. Mas o que o capital faz, nesse caso, é testar os limites da legislação pra que consiga avançar cada vez mais nessa flexibilização”, criticou.(Fonte: aqui).

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Enquanto isso, o PL 4330/2013, que consagra a terceirização, tramita no Congresso Nacional, ameaçando conquistas trabalhistas...

ELEIÇÕES 2014: INSTITUTOS NA BERLINDA


Amorim.

CRÍTICA TELEVISIVA


Para entender a decadência da Globo

Por Luis Nassif

Não vou arriscar análises sobre imagem de apresentador A ou B. Como telespectador eventual do Jornal Nacional (nenhum desprezo, apenas o fato que meu eletroeletrônico diário é o computador) sempre admirei a imagem e a postura firme e sóbria de Fátima Bernardes e a discreta informalidade de  Patrícia Poeta, especialmente na campanha da Copa. Quando não avança além das chinelas, o próprio William Bonner, é um senhor apresentador.

Houve desgaste recente devido à perda de rumo do Jornal Nacional, de trocar o estilo sóbrio por uma informalidade forçada e, principalmente, pela agressividade vulgar do âncora opinativo, expondo ao ridículo as imagens mais valiosas do jornalismo.

Mas esses fatos estão dentro de um contexto mais amplo, que não tem poupado nenhum setor, mais o jornalismo, também a teledramaturgia: a entropia que tomou conta da Globo, visível nas futricas da rádio corredor.

A Globo está enferma, atacada pela doença do burocratismo, com grupos de influência que se organizam aqui e ali, impõem nomes, ocupam espaços e derrubam competidores.

No tempo de Roberto Marinho havia a chamada voz do dono, uma hierarquia clara, com  comando, mas se reportando o tempo todo para o patrão: José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, Armando Nogueira, Evandro Carlos de Andrade, debaixo deles um estado maior de primeira, como Daniel Filho, Roberto Talma, Alice Maria.

Roberto Marinho não se atinha apenas às informações internas, mas também às externas. Lembro-me de uma entrevista que fiz a respeito do Diário Carioca com o poderoso Evandro Carlos de Andrade - um dos últimos comandantes de fato da Globo - e seu receio de sofrer eventuais intrigas de Jorge Serpa, conselheiro externo de Roberto Marinho.

Com a morte de Roberto Marinho, os herdeiros terceirizaram  a gestão jornalística e artística da Globo. Sem uma estrutura de comando clara, a corporação passou a ser tomada por várias disputas internas, nas quais o fator audiência passou a ser utilizada não como bússola para ajustes, mas como arma de destruição interna.

Conclusão: criou-se tal ambiente de insegurança que praticamente matou a criatividade da empresa.

Nos tempos de Boni, o lançamento da programação anual da Globo era uma celebração. Os últimos programas de impacto da Globo foram lançados inacreditavelmente por sua sucessora, uma senhora auditora com parca experiência em TV.

Depois dela, nada mais. Envelhecem os programas, os apresentadores, os repórteres. Não há um lançamento novo, uma ousadia nova.

O melhor do jornalismo televisivo da Globo foi a Globonews, última obra do talento discreto de Alice Maria.

Na teledramaturgia, o quadro não é diferente. Cadê os musicais maravilhosos, que marcaram a vida de gerações? Cadê a criatividade da programação infantil? Cadê as novelas inovadoras?

Dia desses assisti a alguns capítulos de novela e, agora acostumado com as séries norte-americanas, me espantei com o estilo de interpretação. Lembrava em muito o padrão mexicano de alguns anos atrás, com caretas, caras indignadas, olhares desafiadores, boca dura e sobrancelhas levantadas, de Sarita Montiel.

Julguei que fosse específico daquela novela. Assisti outras: o mesmo padrão.

É evidente que, com o avanço da TV a cabo e da Internet, a TV aberta experimentaria um esvaziamento. Mas, no caso da TV Globo, está sendo acelerado pela perda da seiva vital: a ousadia que aparentemente morreu quando o burocratismo se impôs sobre a criação. (Fonte: aqui).

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Além da internet e do burocratismo, haveria o 'ibopismo', a perspectiva do fim do reinado do Ibope, responsável solitário pela aferição de audiência, fator chave da arrecadação de verbas publicitárias (privadas e públicas): instituto alemão estaria prestes a estrear no Brasil. (Nota: Fato novo: 'Ibope está sendo vendido para grupo inglês WPP' - aqui).

Haveria, também, certo nervosismo em face das eleições, cujos resultados podem determinar o início das ações visando ao fim dos monopólios econômicos midiáticos, o que significaria, aliás, o atendimento de diretriz estabelecida pela Constituição Federal.

Por último, uma observação: mesmo tecnicamente decadente, o padrão global se mantém em nível bastante superior ao de suas concorrentes.

SELVA DE SETAS


J. Bosco.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

THE NEW YORK TIMES: BRASIL FORA DO MAPA DA VERGONHA

 

"O governo brasileiro saudou, nesta terça-feira, um novo relatório das Nações Unidas que, pela primeira vez, mostra o maior país da América Latina fora do Mapa da Fome.


“Deixar o Mapa da Fome é um marco histórico para o Brasil. Estamos muito orgulhosos porque a superação da fome era uma prioridade para o Estado brasileiro”, disse a ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, em comunicado.


(…)


De acordo com o relatório, o número de brasileiros subnutridos caiu mais de 80% em 10 anos.


Campello disse que o resultado foi conseguido através de uma “combinação de políticas públicas que garantiram mais renda para os brasileiros mais pobres, o aumento da oferta de alimentos e uma consolidação da rede de proteção social do Brasil.”


Ela se refere aos investimentos realizados na agricultura familiar, aumento do salário mínimo e do Bolsa Família, um programa federal que oferece bolsas em dinheiro para famílias pobres que mantêm seus filhos na escola.


(…)


Ela também mencionou um programa (...) que fornece refeições para 43 milhões de crianças e jovens todos os dias."

 

.The New York Times, edição de 16.09, artigo intitulado "Brazil Removed From UN World Hunger Map" 

SEGUE FIRME O PROGRAMA DE COMBATE À ISENÇÃO


ONU e mídia: Como esconder a realidade

Por Luciano Martins Costa

Brasil, Venezuela, Chile, Cuba e México são os países da América Latina que venceram a fome estrutural. Essa informação consta de um relatório da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), que registra os avanços na luta global contra a insegurança alimentar. Cerca de 805 milhões de pessoas ainda têm que lutar por comida no dia a dia em todo o mundo, e a maioria delas se concentra em regiões afetadas por conflitos ou por condições climáticas adversas. O relatório completo, com 57 páginas em inglês, pode ser obtido no site da entidade (ver aqui).

Os principais jornais brasileiros usam como fonte o resumo distribuído pela FAO, onde se pode ler, por exemplo, que o Brasil foi um dos primeiros países do mundo a atingir o principal objetivo de desenvolvimento do Milênio e as metas da Cúpula da Alimentação. O documento será um dos destaques da 69ª Assembleia Geral das Nações Unidas, que se realizará no dia 23 deste mês.

Um dos requisitos para o sucesso do programa, segundo o relatório, é a manutenção de políticas de combate direto à fome crônica, sustentadas por medidas colaterais destinadas a criar uma estrutura de atendimento a outras necessidades das parcelas mais carentes da população. No Brasil, o núcleo de ataque ao problema alimentar foi o programa Fome Zero, seguido pelo complexo de medidas agregadas no conjunto das bolsas de apoio ao desenvolvimento humano, a partir de um sistema que assegura disponibilidade, acesso, estabilidade e utilização de meios para manter uma nutrição segura.

Apesar das turbulências políticas que se sucederam em várias partes do mundo e dos efeitos perversos da especulação financeira no processo da globalização – que produziu uma grande crise econômica mundial –, a última década registrou um avanço histórico na luta contra o mais grave flagelo da humanidade – a falta de alimentos suficientes para sustentar a vida.

O principal suporte dos números da FAO vem do desempenho dos países asiáticos e latino-americanos citados no documento, entre os quais se destaca o Brasil.

Notícia envergonhada

Sob o ponto de vista de um jornalismo comprometido com a busca objetiva dos fatos mais relevantes, essa seria a manchete: “ONU confirma sucesso na redução da fome”. Numa abordagem jornalística, essa frase representaria a síntese a ser tirada do relatório intitulado “O estado da insegurança alimentar no mundo - 2014”, porque os índices declinantes da desnutrição crônica mostram que a fase mais difícil foi ultrapassada, com a superação de barreiras estruturais para a oferta segura de alimentos em grande parte do planeta e a passagem para a etapa seguinte da melhoria da qualidade de vida – a da construção da cidadania.

Mas o que faz a mídia tradicional do Brasil?

O Jornal Nacional, da TV Globo, destinou exatos 37 segundos à notícia – tempo que se dedica diariamente ao boletim meteorológico –, destacando que, “vinte anos atrás, 14,8% dos brasileiros viviam na miséria; agora, esse índice é de menos de 2%”. Uma reportagem sobre a causa da morte do ex-jogador de futebol Hideraldo Luiz Bellini – ocorrida em março –, a encefalopatia traumática crônica, doença degenerativa ligada a esportes de contato, mereceu um minuto a mais.

O Estado de S.Paulo foi o jornal que deu maior importância ao documento, com um título em alto de página, na editoria “Metrópole”, no qual se lê: “Brasil sai do mapa da fome, afirma ONU”.

A Folha de S. Paulo subverte a informação mais importante, num texto de duas colunas de 9 centímetros de altura em que tenta desqualificar o teor do relatório, com o título: “3,4 milhões passam fome no Brasil, diz ONU”. Logo abaixo, afirma que “Órgão dirigido por ex-ministro de Lula adota novo cálculo e elogia combate à desnutrição”.

O Globo dá uma no cravo, outra na ferradura. “ONU: 800 milhões de pessoas passam fome no mundo”, diz o título da reportagem, seguido por uma linha fina onde se lê: “Relatório cita Brasil como destaque positivo; desde 1990, famintos do país caíram de 14,8% para 1,7% da população”. O jornal carioca também faz referência ao assunto no material sobre a disputa eleitoral, com texto em que a presidente Dilma Rousseff comemora o anúncio da FAO.

Só para lembrar: a imprensa hegemônica do Brasil sempre se opôs aos programas de redução da miséria, que tiveram, entre seus inspiradores, a ex-primeira-dama Ruth Cardoso e o senador Eduardo Suplicy. Agora que os resultados se consolidam, a notícia fica escondida.

Como diria aquele apresentador da televisão: “É uma vergonha!” (Fonte: aqui).

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O JN foi além: deixou no ar a insinuação de que poderia ter havido alguma, digamos, ajudinha: destacou o fato de que o principal dirigente da FAO é o ex-coordenador do Fome Zero no Brasil...

NO VALE DA NOVA POLÍTICA...


Nani.

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Beto Albuquerque, candidato a Vice na chapa de Marina Silva, confessa: "Ninguém governa sem o PMDB" - aqui.

Para amenizar a 'negação' da "nova política" (aspas, aspas), faz a ressalva de que a ideia de Marina é governar com os melhores de cada partido, incluindo o PMDB. 

E quem vai definir quem são os melhores de cada partido? O PSB? E se os partidos 'premiados' discordarem da(s) escolha(s) do PSB?

Nova política. Sei.

PLEBISCITO: ESCÓCIA PODE SAIR DO REINO UNIDO


 Pat Bagley. (EUA).

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Entenda o curioso plebiscito separatista escocês

Por Otavio Luiz R. Junior 


A Escócia não possui um hino oficial. Mas, se o plebiscito marcado para o dia 18 de setembro de 2014 resultar na vitória dos defensores da independência escocesa, é bem provável que o hino Flor da Escócia venha a ser o escolhido para tal finalidade. A letra é uma espécie de elegia aos combatentes escoceses na histórica Batalha de Bannockburn, ocorrida em 1314, na qual se antagonizaram as tropas inglesas de Eduardo II e as forças de Robert Bruce, um senhor feudal escocês, que liderou vários clãs em favor da independência da Escócia.

Quem assistiu ao filme Coração valente, que teve Mel Gibson como ator principal, pode recordar da cena de encerramento, quando Robert Bruce combate as forças inglesas e faz renascer a esperança escocesa por uma pátria livre dos dominadores ingleses.

Esses fatos históricos infelizmente foram retirados de seu contexto e de suas dimensões temporais. A indústria do cinema, o interesse particular de Mel Gibson em achincalhar com os ingleses (o que ele fez em outros filmes, como O patriota e Galípoli), a ação de líderes independentistas escoceses (especialmente ativos nos últimos 30 anos) e uma parcela engajada de historiadores fez com que se construísse um mito sobre a identidade nacional escocesa. Diga-se de passagem que esse não é um privilégio da Escócia. O insuspeito historiador marxista britânico Eric Hosbawm, em seu livro A Invenção das Tradições, expôs o processo de construção das “tradições nacionais” na Europa do século XIX e primeira metade do século XX. Jovens nações como a Alemanha e a Itália precisavam justificar-se historicamente e demonstrar a antiguidade de seus laços com os povos que ocupavam seus territórios atuais. Até em reação a isso, em França, Inglaterra e Escócia semelhantes processos entraram em marcha.

Ainda com base em Eric Hobstawm, torna-se possível acompanhar o surgimento de “tradições” como o kilt (o saiote escocês), o tartan (os padrões em xadrez, usados nos tecidos de procedência escocesa) e até mesmo a gaita de foles. Nenhum desses objetos foi uma criação genuína e antiga da Escócia, mas apropriação de tradições alheias ou formulações originais dos séculos XVIII e XIX, com finalidades comerciais ou nacionalistas.

No período do Romantismo, com o surgimento dos autores nativistas, como sir Walter Scott, o ideal de um passado escocês foi transfigurado para a literatura. Chegou-se ao ponto de se acreditar em uma mistificação, que foram os poemas fraudulentamente criados por James Macpherson e atribuídos a uma personagem inexistente dos tempos gaélicos.

A vitória escocesa em 1314 deveria ser vista como um combate entre senhores feudais, que não possuíam com grande clareza a noção sobre estados soberanos. Afinal, o rei Eduardo também se considerava mais um nobre normando, com pretensões ao trono de França, do que um soberano autocrata das então pobres e pouco rentáveis terras das ilhas britânicas. Diferentemente, contudo, foi a união pessoal das coroas inglesa e escocesa, ocorrida em 1603, quando o rei Jaime VI, da Escócia, tornou-se também Jaime I, rei da Inglaterra, por uma daquelas intrincadas operações de sucessão dinástica tão comuns na Europa medieval e moderna. Lembrem-se da união ibérica, que arrastou Portugal para o domínio espanhol, após a morte fatídica de D. Sebastião, na Batalha de Alcácer-Quibir.

Com a união pessoal das coroas escocesa e inglesa, sob a regência de uma dinastia da Escócia, um escocês governou as ilhas britânicas até 1649, quando Carlos I, o sucessor de Jaime I, foi levado ao cadafalso após a Guerra Civil inglesa, liderada por Oliver Cromwell.

A morte de Oliver Cromwell, o Lord Protector e ditador britânico em sua curta experiência republicana, levou ao fim da chamada Commonwealth of England, graças à restauração da dinastia Stuart. O novo rei Carlos II, filho do decapitado Carlos I, era um homem pragmático e não cometeria os erros de seu pai. Sua habilidade foi coadjuvada por sua esposa, a portuguesa Catarina de Bragança, uma mulher extremamente conscienciosa de seu papel na monarquia recém-restaurada e que trouxe para a Inglaterra o hábito de se beber chá, introduzido em Portugal pelos navegadores das Índias. A propósito, esta é outra “tradição inventada”, pois nada tem de genuinamente inglesa. (...).

(Para continuar, clique aqui).

DOS CONTRASTES DAS FONTES INFORMATIVAS


"Bem, um pouco de humor não faz mal a ninguém. E FHC se tornou uma espécie de bufão da política brasileira.

Há uma série de declarações dele feitas numa das festinhas, realizada ontem, organizada por João Dória Jr, o mesmo que produz concursos de Poodle para madames paulistas.

Todas as suas frases, como que saídas de um personagem de Eça de Queiroz, são engraçadas.

As campeãs seguem abaixo:

E logo subiu o tom, até um pouco acima do que costuma adotar nessas ocasiões. “Eu acordei há alguns dias e li as revistas [semanais de informação]. Eu sou uma pessoa de energia. Mas confesso a vocês que fiquei golpeado [ao ler reportagens sobre supostos desvios na Petrobras].”

Hum, quer dizer que o sr. Cardoso sentiu-se golpeado depois de ler a Veja?

Pois bem, ontem entregaram na minha portaria o livro O Brasil Privatizado, do Aloysio Biondi, com apresentação de Janio de Freitas e prefácio de Amaury Ribeiro Jr, relançado há alguns dias pela Geração Editorial.

FHC, outrora um acadêmico respeitado, deveria valorizar materiais que vem acompanhados de documentos, como jamais é o caso da Veja.

Mas é o caso do livro de Biondi.

Pensando bem, melhor que FHC não leia.

Se ele se sentiu “golpeado” lendo as historias de carochinha da Veja, não creio que terá condições psicológicas de enfrentar uma leitura baseada em documentos autênticos, como é o livro de Biondi.
O fato de seu nome estar presente em toda parte, já que foi ele o grande artífice das privatizações corruptas que tanto prejuízo trouxeram ao Brasil durante seu governo, também não deve fazer bem à sua saúde, se ele lesse o livro.

Faria bem à saúde do brasileiro, contudo, se não tivéssemos uma mídia tão corrompida, e que insistisse mais nas denúncias e no esclarecimento do que (no que) realmente aconteceu na privataria tucana.



(De Fernando Brito, em seu blog Tijolaço, post intitulado "Humor: FHC diz que leu a Veja" - aqui


Eis a capa de "O Brasil Privatizado", de Aloysio Biondi, com apresentação de Jânio de Freitas e prefácio de Amaury Ribeiro Jr., desnudando o processo de privatizações realizadas no governo FHC).

DA SÉRIE LIÇÕES ELEITORAIS DEFINITIVAS


           AGRESSÕES RECÍPROCAS IMPLICAM QUEIMA CONJUNTA DE 
              IMAGEM.
 
Thiago.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

A MÍDIA E SUA PAUTA BANAL


O jornalismo das desimportâncias

Por Luciano Martins Costa

Os jornais de terça-feira (16/9) consagram o princípio do novo jornalismo brasileiro: é a crônica dos acontecimentos irrelevantes. Isso quer dizer, rigorosamente, que as notícias selecionadas pelos editores das principais casas de comunicação do país não guardam uma relação direta com o valor que deveriam ter para o público.

Não se pode formular uma ideia do contexto político a partir de declarações colhidas entre as protagonistas do poder político, da mesma forma que não é possível formular uma opinião sobre a circunstância econômica com base nos fatores expostos isoladamente no noticiário sobre economia e negócios.

Fica-se sabendo, por exemplo, pelo Globo, que a apresentadora Patrícia Poeta deixa oJornal Nacional, substituída pela colega Renata Vasconcellos, e somos apresentados ao resumo da carreira de uma e outra, como se o mensageiro fosse a mensagem. Também somos informados de que a ex-ministra Marina Silva, candidata do PSB à Presidência da República, critica o modelo de exploração do pré-sal e se queixa de ser criticada por fazer críticas.

No mesmo episódio, a presidente da República que tenta a reeleição afirma que Marina Silva se faz de vítima mas não pode ignorar que em todos os partidos há sujeira embaixo do tapete – e cria o personagem Pessimildo. Também o ex-governador Aécio Neves, que é considerado carta fora do jogo por seus próprios correligionários do PSDB, tem seu protagonismo garantido, ao afirmar que Marina e Dilma são a mesma coisa.

O “noticiário” se completa com descrições detalhadas de agendas e temas distribuídos pelas assessorias de campanha, bem como um apanhado de “opiniões” de candidatos sobre temas polêmicos. Também está disponível uma lista de frases do dia planejadas por redatores e verbalizadas em eventos, tudo devidamente organizado para ocupar tempo e espaço na mídia.

No Estado de S. Paulo a mudança na bancada do Jornal Nacional também é notícia, assim como na Folha de S. Paulo: os dois diários paulistas publicam a mesma foto, uma selfie do apresentador William Bonner com as duas colegas que se revezam no telejornal. E o leitor fica suspeitando de histórias mal contadas, mas os jornais tratam o assunto como um affaire de celebridades.

Coletânea de nulidades

Vai ver, é apenas isso mesmo: tanto no caso dos apresentadores que fazem diariamente a interpretação daquilo que a Rede Globo considera relevante dizer aos telespectadores, como as declarações que os marqueteiros produzem para seus candidatos, tudo parece mesmo fazer parte de um esforço para entreter a clientela. Que outra razão haveria para destacar frases que não significam nada fora do contexto da propaganda eleitoral, a não ser a rendição do jornalismo ao entretenimento puro e simples?

O leitor e a leitora atentos apanham tudo que lhes é apresentado como o que há de mais significativo nos acontecimentos e manifestações escolhidos pelos editores para rechear as edições do dia, e temos uma coletânea de nulidades. Que proveito haverá de tirar o cidadão que se depara, por exemplo, com notícias sobre artistas que declaram apoio a esta ou àquela candidatura, se todos sabem que eles estavam ali para sair na foto, e tentar uma chance de, mais adiante, ser contemplados com o patrocínio oficial?

A rigor, não há diferença substancial entre esse noticiário na editoria de Política e as descrições da rotina de celebridades, uma vez que tudo se resume a performances planejadas justamente para chamar a atenção da imprensa. Um exemplo: num dia, o candidato Aécio Neves se apresenta numa central de favelas, e arrisca uns passos de dança; no dia seguinte, é a vez da presidente que tenta a reeleição fazer o mesmo programa, dizer as mesmas platitudes e ensaiar os mesmos passos patéticos.

Nenhuma dessas notícias, nenhum desses registros contribui minimamente para orientar o eleitor na importante escolha que deverá fazer daqui a vinte dias. Nenhuma dessas declarações, nenhuma dessas pantomimas ajuda a clarear o cenário político e esclarecer intenções, projetos de poder ou programas de governo sobre questões fundamentais que angustiam a sociedade.

É como se houvesse um pacto pela banalidade, que esconde o verdadeiro Brasil dos brasileiros. Trata-se apenas do jornalismo das desimportâncias. (Fonte: aqui).

POMBA DA PAZ: SEM CHANCE

              (EUA, Rússia, Ucrânia, União Europeia, Estado Islâmico, 'Rebeldes'...)

Petar Pismestrovic.

BIBLIOTECAS EM TEMPOS DIGITAIS


Afinal, pra que serve uma biblioteca em tempos digitais?

Por Christine Castilho Fontelles

Algumas práticas humanas se modificaram e outras sobreviveram ao longo da história. Talvez guiados pelo mesmo padrão que garantiu a evolução das espécies, segundo Darwin, nossa decisão está sempre pautada em assegurar perpetuidade. A educação, baseada nas trocas entre humanos, é uma delas. Seguimos aprendendo pelas experiências ofertadas e viabilizadas por educadores. É o que traz a possibilidade de criarmos juntos novos fatos para reduzir o enorme fosso que ainda hoje separa quem sabe de quem não sabe.

O cérebro superdotado e o polegar opositor são dois valiosos “equipamentos” que nos distinguem dos outros animais, inclusive de nossos “parentes” primatas, sendo o primeiro uma tremenda vantagem competitiva por meio da qual geramos conhecimento, inovação, ciência! E assim chegamos ao ponto desta prosa: a cultura digital. Uma tecnologia. Uma nova tecnologia para suportar o texto escrito. Já passamos pelas paredes das cavernas, papiro, argila, papel e, mais recentemente, a tela digital. Mais do que isso, o acesso ilimitado – até onde se tem notícia – a milhares de dados via internet.

Leia também: Especialistas apontam que a literatura é a base para o desenvolvimento integral das pessoas

Ou seja, somos bem aventurados – embora nem todos e nem ao mesmo tempo, uma vez que a internet banda larga no Brasil ainda não é um item disponível em escala nacional – com tecnologias que podemos escolher para acessar informação e até participar de educação à distância, algo que é realizado sempre com apoio de um tutor ou, nos casos de graduação e especialização, um professor que media as aulas. Ou seja, interfaces humanas.

Aprender a ler, diferentemente do que pensamos, é uma tarefa desafiadora e para toda a vida. Começa em casa, e até mesmo antes disso, ainda no útero materno, e se estende às escolas, às bibliotecas, usando todos os recursos tecnológicos dos quais dispomos – não há razão para abrir mão de nenhum.

Pesquisas apontam com clareza que são os professores, seguidos de perto pela mãe e depois pelo pai, os grandes responsáveis pela formação leitora de crianças e jovens. Como afirma o Prof. Luiz Percival Leme Britto, da Universidade Federal do Oeste do Pará e grande pesquisador da área, “não é que as pessoas não leem porque não querem, elas não leem porque não podem”, comentando o cenário de baixos índices de leitura e de competência leitora no Brasil, reforçando que é preciso ler e educar para ler “para além do cotidiano imediato, com níveis de complexidade variada, o que envolve a esfera de produção intelectual relacionada com a escrita, relativa à interação com os conhecimentos e valores formais, às ciências, às artes, à formação e ao estudo”.

Mas, afinal, quando ainda estamos falando de inclusão na cultura escrita, de educar para a leitura, para que serve uma biblioteca em tempos digitais? Eu diria que é para promover encontros entre leitores e não leitores, entre leitores e leituras, reproduzindo aquela experiência (de) que lançamos mão desde sempre para sermos educados.

Em Madri, a Casa del Lector (um nome de que gosto muito, porque deixa claro quem importa!) disponibiliza tablets com acesso gratuito a várias publicações. Por meio do “encontro” entre pessoas e suporte digital, eles estão interessados em formar leitores digitais a partir dos nove meses de idade. Já na Biblioteca Virtual do Instituto Ecofuturo, organização que há 15 anos promove encontros entre pessoas e conhecimento Brasil adentro, é possível encontrar e baixar gratuitamente materiais multimídia, como publicações em PDF, vídeo-oficinas e áudio livros. O objetivo é abastecer de boa prosa todos aqueles que estão empenhados em promover as competências de ler, escrever e argumentar com gosto e competência.

A biblioteca é esse lugar educativo, de acesso gratuito ao conhecimento estruturado pela escrita, pelo livro, impresso ou digital, onde encontramos um educador comprometido com essa tarefa. Um lugar de encontro com leitores, ideias, como vi semana passada numa biblioteca em uma escola na zona rural do Maranhão, onde conheci Iasmin, sua irmã Fernanda e o amigo Bruno, na faixa dos 13, 14 anos, completamente fascinados, mobilizados e convictos dos benefícios gerados por uma boa biblioteca, com um belo e diversificado acervo e educadores envolvidos em promover os “encontros” devidos. Sem que perguntasse, me disseram espontaneamente que gostariam de ser escritor, editor e bibliotecário, viabilizando um ciclo que é tão vital: se dispor a compartilhar uma ideia de mundo pela escrita, a viabilizar o amplo acesso a esta ideia e a promover o encontro entre uma ideia, um autor, um leitor e, quem sabe, um novo mundo, um mundo melhor, um mundo mais sustentável, com qualidade de vida para todas as vidas. (Fonte: aqui).

FIQUEMOS TRANQUILOS: NINGUÉM ESTÁ DE OLHO NO PRÉ-SAL


Tony Auth. (EUA. 1942-2014).