sexta-feira, 29 de maio de 2015

SMART HAICAI


QUANTO MAIS O TEMPO PASSA
MAIS NOS EMPENHAMOS EM CURTIR
PRISÃO EM MASSA

O MAR NÃO ESTÁ PRA TUBARÃO


Waldez.

SOBRE O FINANCIAMENTO EMPRESARIAL DE CAMPANHAS POLÍTICAS


"Juristas e parlamentares demonstram que seção de quarta-feira, onde se aprovou o financiamento privado para campanhas eleitorais, feriu cláusulas do artigo 60 da Constituição

....
Apareceu um obstáculo intransponível à votação de quarta-feira, quando 330 parlamentares refizeram a decisão da véspera para aprovar uma PEC dizendo que “é permitido aos partidos receber doações em recursos financeiros ou de bens estimáveis em dinheiro de empresas privadas de pessoas físicas ou jurídicas.” Em outro parágrafo, a mesma PEC votada na quarta-feira autoriza os candidatos a receber diretamente o mesmo tipo doação.

O obstáculo intransponível à aprovação da PEC encontra-se no artigo 60 da Constituição Federal. Ali, prevendo uma situação muito semelhante a que se viu nos últimos dias, quando a emenda rejeitada na terça-feira foi reapresentada e votada no dia seguinte, os constituintes de 1988 definiram uma cláusula clara e rigorosa.

Diz o parágrafo quinto do artigo 60: “A matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida por prejudicada não pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa.” Assim, em 23 palavras, a Lei Maior do país simplesmente proibia aquilo que aconteceu. Conforme a Constituição, que ninguém tem o direito de desobedecer, seria necessário esperar uma nova sessão legislativa — ou seja, 2016 — para reapresentar a emenda. Até lá, o financiamento de campanha não poderia “ser objeto de nova proposta.”

“É uma decisão nula, sem valor legal”, adverte o jurista Luiz Moreira, ex-integrante do Conselho Nacional do Ministério Público e organizador de uma dezena de livros sobre Direito. “O próprio Congresso poderia reconhecer isso. Ou caberia ao Supremo resolver a questão.” O artigo 60, que tem uma subseção “Da emenda a Constituição” não abre nenhuma brecha a apresentação de uma nova PEC, sobre a mesma “matéria constante”, antes do ano que vem.

A análise de Luiz Moreira não é uma visão isolada. Um dos mais influentes parlamentares do PT, Alessandro Molon, nos últimos dias movimentou-se na mesma direção. Na quinta-feira, um dia depois de ter sido apanhada de surpresa diante da operação de Eduardo Cunha para refazer a votação perdida, a bancada do PT e demais aliados do governo começou a reagir, através de um mandado de segurança que deve ser apresentado (nesta) sexta-feira ao Supremo, e que já recolheu 63 assinaturas de parlamentares até o início da noite de hoje. Além de questionar o parágrafo quinto, o mandato também recorda uma exigência do parágrafo primeiro do mesmo artigo 60.

Ali se define uma etapa anterior, com as condições para se apresentar uma emenda a constituição. Pela leitura do parágrafo primeiro vê-se que mesmo que não houvesse o veto legal a reapresentação da emenda já vencida, a proposta que acabou vitoriosa, do deputado Celso Russomano, não poderia ter sido apresentada. Isso porque a Constituição exige o apoio de “no mínimo” um terço dos parlamentares. Ainda que se tentasse supor generosamente que, na condição de líderes, Russomano e o líder do PTB que apoiou expressamente a proposta, poderiam falar por suas bancadas, integralmente, seriam apenas 59 deputados — quando o mínimo exigido é de 171.

A Constituição admite a reapresentação — no mesmo ano — apenas de um projeto de lei comum e não de uma emenda constitucional. Mesmo neste caso, é obrigatório que o projeto de lei tenha o apoio da maioria dos parlamentares para ser levado a votos uma segunda vez. Mas a emenda aprovada na quarta-feira, de número 28, pretendia, justamente, dar nova redação a três parágrafos do artigo 17 da Constituição Federal. (...).

Nada tinha a ver com Constituição. “Não estamos diante de um caso de quebra de regimento, que também é muito grave,” diz Luiz Moreira. “Ocorreu uma violação da Constituição.” Este é o terreno mais adequado para o STF examinar a questão, se os ministros assim julgarem conveniente. Respeitosos da autonomia entre os Poderes, os ministros não gostam de intervir em conflitos internos do Legislativo, como já deixaram claro em outras oportunidades. Mas têm obrigação de se manifestar diante de uma possível violação constitucional. “Está claro que ocorreu uma violação da Constituição”, afirma Alessandro Molon (PT-RJ). “E isso é assunto para o Supremo.





(De Paulo Moreira Leite, sobre a questão do financiamento empresarial de campanhas políticas, post intitulado "Um caso claro de violação da Constituição" - aqui.

Uma coisa é certa: se o STF conhecer - considerar passível de apreciação - o mandado de segurança de que se trata, é possível que a matéria suscite acaloradas discussões. Por exemplo: matéria constitucional pode ser apresentada de forma fatiada, como se viu no caso em questão? Como assim, de forma fatiada? Assim: primeiro, foi submetida a votação, e rejeitada, proposta de inclusão na Constituição da possibilidade de empresas privadas realizarem doações para candidatos; em seguida, outra proposta, que resultou aprovada, versou sobre doações de empresas privadas para partidos políticos. Não teria sido o caso de proposta única referir-se à possibilidade de campanhas políticas serem financiadas mediante doações de empresas privadas?
O assunto pode dar pano pra manga. Ou não).

BLATTER PLEITEIA LEVITAÇÃO, DIGO, REELEIÇÃO


Marian Kamensky.  (Eslovênia).

TIJOLO QUENTE


Milt Priggee. (EUA).

FAO DESTACA EFICÁCIA DAS AÇÕES DO BRASIL NO COMBATE À FOME


Em 12 anos, Brasil reduziu população subalimentada em 82,1%

O relatório "O Estado da Insegurança Alimentar no Mundo 2015", divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), nesta quarta-feira (27), destaca os avanços brasileiros na redução do número de pessoas em situação de fome nos últimos anos. O Brasil é o país, entre os mais populosos, que teve a maior queda de subalimentados entre 2002 e 2014, que foi de 82,1%. No mesmo período, a América Latina reduziu em 43,1% esta quantidade.

Entre os mais populosos, o país também é aquele que apresenta a menor quantidade de pessoas subalimentadas. São 3,4 milhões no Brasil, pouco menos de 10% da quantidade total da América Latina, que é de 34,3 milhões. “O relatório confirma o esforço e reconhece a trajetória do Brasil na ação de redução da pobreza e do combate à fome”, ressaltou a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello.

               Brasil: No topo do ranking da eficácia alimentar

“O Brasil, ao contrário de outros países do mundo, sempre foi um grande produtor de alimentos. E, mesmo assim, a população passava fome. O nosso problema não era a disponibilidade de alimentos, o nosso problema era acesso aos alimentos e à renda. E isso conseguimos alcançar com políticas públicas”, explicou.

A publicação aponta também que o país alcançou todas as metas das Nações Unidas em relação à fome. O Objetivo de Desenvolvimento do Milênio (ODM) era de reduzir pela metade a fome e o da Cúpula Mundial de Alimentação era de reduzir pela metade os números absolutos de subalimentados. O Brasil é um dos 29 países que conseguiram alcançar essas duas metas. “O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que está em processo de formatação, tem o objetivo de reduzir até menos de 5% até 2030. Desde o ano passado, nós já conseguimos alcançar esta meta”, contou a ministra.


As ações de segurança alimentar desenvolvidas e o Programa Bolsa Família foram citados como cruciais para o crescimento inclusivo que o Brasil alcançou. “A proteção social pode estabelecer um círculo virtuoso de progresso à população pobre com melhores salários, empregos e rendas”, destaca o relatório. “Estes programas reduziram significativamente a desigualdade de renda - entre 2000 e 2012, a renda média do quintil [20%] mais pobre da população cresceu três vezes mais rápido que a dos 20% mais ricos.”

A ministra Tereza Campello explica que o país agora enfrenta um novo desafio. “O Brasil saiu do Mapa da Fome. Temos a primeira geração de crianças alimentadas, que estão na escola e não vão repetir a trajetória de seus pais. E nos deparamos com o Brasil vivendo problemas de saúde típicos de países desenvolvidos, como a obesidade. E, principalmente, a obesidade infantil”, destacando que é um dos principais temas que serão tratados pelos governos e sociedade durante a 5ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, no segundo semestre deste ano. (Fonte: aqui).

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Que o Brasil evolua mais e mais nesse exemplar trabalho.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

TRAPAÇAS F. C.


Luscar.

A ARTE DE GANHAR $ NO GRITO


Paixão.

ECOS DO ESCÂNDALO FIFA


"No mini-editorial lido por William Bonner depois da cobertura do Jornal Nacional sobre o escândalo da FIFA, o Grupo Globo fez que não era com ele.

Nenhuma menção, obviamente, ao fato de que a empresa foi multada pela Receita Federal em mais de 600 milhões de reais por sonegar impostos na compra das transmissões das Copas de 2002 e 2006, tendo usado o artifício de montar uma front company (jeito chique de dizer empresa laranja) de nome Empire no refúgio fiscal das ilhas Virgens Britânicas.

A Globo faz de conta que João Havelange não é igual a Ricardo Teixeira, que é igual a José Maria Marin, que é igual a Marco Polo Del Nero, com nuances aqui e ali. Com isso, afastou a pergunta óbvia: por que só agora a emissora resolveu tratar de corrupção no futebol? Por que fez uma reportagem laudatória a Ricardo Teixeira quando ele deixou o cargo de presidente da CBF?

A Globo faz de conta que J. Hawilla era apenas “dono de uma afiliada”, evitando outra pergunta óbvia: será que o ex-repórter comprou as emissoras da TV TEM da família Marinho usando dinheiro de propina?

Tudo indica que sim, já que a promotoria de Nova York foi clara: o esquema envolvendo U$ 150 milhões em propinas funcionou durante 24 anos!!!

Ricardo Teixeira está metido no esquema até a medula. Ele é o “co-conspirator” de número 13 mencionado nos documentos da Justiça dos Estados Unidos, já que era presidente da CBF quando foi assinado o contrato da entidade com a Nike. É apenas uma questão de tempo até que seja chamado a se explicar, se não for indiciado no prosseguimento das investigações do FBI.

Mais cara de pau que a da Globo só a exibida pelo tucano Walter Feldman, o novo secretário-geral da CBF.

Criticado por Juca Kfouri numa coluna da Folha de S. Paulo, Feldman enviou uma carta ao jornal fazendo uma previsão que, considerando as notícias das últimas horas, só pode ser vista como piada."





(Do jornalista Luiz Carlos Azenha, em seu blog, post intitulado "Globo levou 24 anos para descobrir Havelange, Teixeira e José Maria Marin; previsão de tucano Feldman se torna piada" - aqui.

A previsão feita por Walter Feldman na carta citada por Azenha é a seguinte: "A CBF com Marco Polo será a base de transformação do novo futebol brasileiro").

TRAPAÇAS F. C.


Nate Beeler. (EUA)

HAICAI DA BOLA


o negócio tá feio
e o problema
é o recheio

NADA A VER COM ET


"Numa noite de 1938, o cineasta Orson Welles assustou milhares de ouvintes que acompanhavam a rádio CBS. Ele narrava e dirigia a dramatização de um livro de ficção, “A guerra dos mundos'', contando a invasão da Terra por marcianos. Nos Estados Unidos, muita gente pensou que se tratava de jornalismo e se desesperou.

A invasão dos extraterrestres foi anunciada em forma de boletim noticioso, mas não era verdade.

A prisão de José Maria Marin (ontem) de manhã também é difundida pelo jornalismo e parece tão improvável quanto um ataque marciano. Porém é verdade.

Não que o ex-presidente da CBF não tenha feito por merecer, cabe à Justiça julgá-lo no curso de processo sobre corrupção.

Mas um cartola indo em cana soa improvável demais para ser verdade.

O que será que a essa hora estão pensando outros ex-mandachuvas da entidade, João Havelange (presidiu a velha CBD) e Ricardo Teixeira, ambos com mais serviços prestados ao futebol que Marin, se é que me faço entender?

E o sucessor, ex-vice e fiel aliado de Marin, Marco Polo Del Nero? O novo presidente da CBF que os bajuladores promovem como renovador do futebol.

Será que prenderam mesmo o Marin na Suíça?

Não será pegadinha aprontada por algum herdeiro artístico do grande Orson Welles?"





(De Mário Magalhães, em seu blog, post intitulado "Surpreendente, prisão de Marin soa como transmissão de invasão alienígena" - aqui.

Não há que se falar em ET ou Orson Welles. Mas o assunto tem, sim, a ver com Contraste entre Mundos. No caso, mundos bancários e judiciais. É que os meliantes do futebol utilizaram, em parte, os serviços do sistema bancário norte-americano na realização de suas transações fraudulentas, o que resultou na entrada da Procuradoria de Justiça norte-americana no circuito e acionamento do FBI.

Nos EUA, escreveu, não leu...  Bernard Madoff que complemente a frase).

NONSENSE CARTOON


Kap.

A GUERRA CONTRA A MORALIZAÇÃO DO FUTEBOL


Futebol: "turma do 7 x 1" abre guerra contra a moralização

Por Bepe Damasco

A chamada MP do Futebol, que estabelece o parcelamento da dívida gigantesca dos clubes com a União, estimada em 3,5 bilhões de reais, mas exige contrapartidas sérias de gestão responsável, virou o alvo da vez do mundo conservador do futebol, avesso por motivos óbvios a quaisquer mudanças que lhes retire poder e reduza as margens para a locupletação às custas de um dos traços mais marcantes da nossa cultura, que é o futebol.

O governo federal, depois de incontáveis reuniões com o movimento Bom Senso (uma muito bem-vinda articulação de jogadores de futebol na luta por seus direitos), jornalistas e especialistas em futebol, editou a Medida Provisória nº 671. A MP prevê o parcelamento das dívidas em até 240 meses. Mas, ao aderirem, os clubes ficam obrigados a publicar demonstrações contábeis auditadas, manter em dia salários, encargos trabalhistas e impostos.

Além disso, os clubes só poderão gastar até 70% de sua receita com salários do futebol. Um órgão estatal será criado para fiscalizar o cumprimento da lei. A MP estabelece sanções para os clubes que não a cumprirem, tais como o rebaixamento e o impedimento de participar de competições. Seus dirigentes, assim como acontece em qualquer empresa, responderiam judicialmente por má gestão, podendo chegar até mesmo à perda de seus bens pessoais.

Pronto. Um texto moralizador como esse bastou para deixar em pé de guerra a cartolagem da CBF, da esmagadora maioria dos clubes e seus fiéis aliados na política. "Temos balizados fundamentos jurídicos, constitucionais, que levam a crer que a Medida Provisória tem rasgos dramáticos de inconstitucionalidade que não podem ser admitidos."

Adivinha quem disse isso à revista CartaCapital da semana passada? Foi o atual presidente da CBF, Marco Polo Del Nero? Não. Por acaso teria sido um dos muitos parlamentares da bancada da bola no Congresso Nacional? Também não. Então, só pode ter sido um dirigente de clube, que morre de medo da responsabilização judicial? Outra vez não. A declaração é do ex-deputado tucano Walter Feldman, novo secretário-geral da da CBF.

"Agora vai". Embora hoje seja filiado ao PSB, e tenha inclusive sido um dos coordenadores da campanha presidencial derrotada de Marina Silva, no ano passado, Feldman é um digno representante do jeito tucano de ser. Ninguém espere, portanto, da gestão Del Nero/Feldman qualquer reconhecimento de que a entidade deve satisfações à sociedade e aos poderes públicos, uma vez que, a despeito de ser uma entidade privada, usa bens simbólicos públicos, como a camisa verde e amarela da seleção e a paixão popular pelo futebol, para amealhar milhões.

O vexame histórico dos 7 x 1 para a Alemanha na Copa do Mundo, os 3 x 0 para a Holanda, e todas as péssimas partidas do Brasil na Copa do Mundo, em nada abalaram as convicções dos dirigentes do futebol brasileiro, seja de clubes e federações, seja da CBF. Continuam no seu voo cego rumo à destruição completa de um dos grandes patrimônios do povo brasileiro. Com raras exceções, nosso cartola sente urticária só de ouvir falar em responsabilidade fiscal, em auditorias externas, em punições para o mau gestor e, claro, na possibilidade de um dia ter de responder na Justiça por seus atos.

O fato é que o verdadeiro futebol brasileiro, hoje, é jogado na Alemanha, Inglaterra, Itália, Espanha e França. Por isso, os meninos andam pela ruas das nossas cidades vestindo as camisas do Barcelona, Real Madrid, Bayern de Munique, Chelsea, Manchester United e por aí vai. Botequins e lojas de eletrodomésticos ficam abarrotados de boleiros nos jogos da Champions League. Enquanto isso, os poucos torcedores que se submetem aos altos preços, à falta de segurança e às dificuldades de acesso para assistirem partidas de futebol no Brasil se deparam com um festival de horrores.

É cada dia mais comum jogos entre times brasileiros registrarem em média 80 faltas ou 100 erros de passe. Quem suporta isso? Eu mesmo, um apaixonado por futebol desde que me entendo por gente, uso o seletor de canais para passar batido pela grande maioria dos jogos. É triste ver jogador da outrora maior escola de futebol do planeta errando passes de um metro de distância. E o pior é a banalização dessa indigência técnica. Grande parte da crônica especializada prefere ignorar essa triste realidade, ou justificá-la com bobagens do tipo "o futebol de hoje é muito competitivo" ou "o jogo está muito pegado." Como se houvesse incompatibilidade entre empenho e talento. Lamentável! (Fonte: aqui).

................
O texto acima foi produzido antes da eclosão do monumental escândalo que abala as estruturas do futebol mundial, e em que a CBF é uma das principais protagonistas. Aguardemos um pouco, portanto, para conhecer as repercussões dos últimos acontecimentos sobre a postura de dirigentes e seus parceiros relativamente à MP do Futebol. É positiva a expectativa do governo federal quanto à aprovação da Medida Provisória.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

A CASA CAIU


Do jornalista Juca Kfouri, em seu blog, post sob o título 'A casa caiu' - AQUI -, a propósito do monumental escândalo de corrupção que abala o futebol mundial.

Diante de tantas ilicitudes, há quem esteja a perguntar: Até quando José Maria Marin terá seu nome intitulando a sede da CBF?

COMEÇA A SER DETONADA A CORRUPÇÃO NO FUTEBOL


Thiago.

ADEG INFORMA: REFORMA POLÍTICA: REFORMADO O PODER DE CUNHA


Ronaldo.

CÂMARA REJEITA CONSTITUCIONALIZAR FINANCIAMENTO EMPRESARIAL PARA CANDIDATOS


Em abril de 2014, quando 7 ministros do Supremo Tribunal Federal já se haviam manifestado sobre ADIN (Ação Direta de Inconstitucionalidade) que questiona o financiamento empresarial de campanhas políticas e o assunto já estava decidido, em razão do placar observado - 6 votos pela derrubada do financiamento empresarial contra um pela manutenção -, o ministro Gilmar Mendes, em vez de proferir seu voto, optou por pedir vista do processo, e desde então a matéria está encalhada na Corte. 

Eis que na madrugada de hoje, 27, treze meses depois do curiosíssimo pedido de vista, a Câmara, para surpresa de caciques políticos de alto coturno, rejeitou proposta de incluir na Constituição a permissão de que as empresas financiem as campanhas políticas - providência que tinha exatamente o objetivo de evitar que o STF proíba as empresas de financiarem os candidatos!

Resta ainda à Câmara deliberar sobre a possibilidade de as empresas realizarem doações aos partidos políticos, que repassariam os valores aos candidatos.

Isso, claro, se o ministro Gilmar se mantiver irredutível em sua determinação de segurar o processo.

(De repente, ocorre-me parafrasear o velho Machado de Assis: O inesperado tomou assento na assembleia dos acontecimentos!).

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ADENDO

Na noite de hoje, 27, a Câmara constitucionalizou a possibilidade de as empresas realizarem doações nos moldes acima expressos. Praticamente, temos a volta à realidade anterior - para satisfação de muitos, inclusive do ministro Gilmar.

EGOS: GUERRA SEM PAZ

               Tolstoi - por Netto.

Por que Tolstoi achava Shakespeare um enganador

Por Paulo Nogueira

Aos 75 anos, depois de ter construído uma pirâmide literária com obras como Guerra e Paz e Ana Karênina, Tolstoi tentou destruir a reputação de ninguém menos que Shakespeare. Produziu um ensaio sensacional em que aponta defeitos indesmentíveis do Bardo, mas, como a história mostrou, a artilharia pesada tolstoiana não atrapalhou a glória de Shakespeare. Pela tentativa épica de reescrever a história da literatura, decidimos chamar o Conde Tolstoi para falar de Shakespeare em nossa série Conversas com Escritores Mortos.

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Conde Tolstoi, o que o senhor sentiu ao ler, pela primeira vez, Shakespeare?
Lembro da perplexidade que me assaltou. Esperava receber um sopro poderoso de prazer estético, mas tendo lido um a um os trabalhos considerados os melhores (Romeu e Julieta, Hamlet, Rei Lear e Macbeth) não apenas não senti deleite como fui tomado por um sentimento de repulsão e tédio.

Não teria sido uma impressão inicial, Conde?
Por algum tempo não consegui acreditar em mim mesmo, e durante 50 anos recomecei a ler Shakespeare de todas as formas possíveis, em russo, em inglês, em alemão… Numerosas vezes li os dramas, as comédias e as peças históricas, e sempre senti a mesma coisa: desgosto, irritação, raiva.

Conde, isso é uma blasfêmia literária, se o senhor me dá licença para ser franco.
Tenho hoje a convicção de que a glória indiscutível da qual Shakespeare desfruta, e que compele escritores atuais a imitá-lo e leitores e espectadores a descobrir nele virtudes não existentes, é um grande mal, como todas as mentiras.

                   Shakespeare - por Netto.

O senhor está, portanto, dizendo que o Bardo é um blefe…
Para mim, Shakespeare não é nem um grande gênio e nem sequer um autor mediano.

Prove, se puder!
Para ilustrar meu ponto, vou me deter em um dos dramas mais elogiados de Shakespeare, alvo de referências entusiasmadas da maior parte dos críticos, o Rei Lear.

Refresque por favor nossa memória, Conde…
O Rei Lear está acompanhado das filhas e dos genros, e começa a falar que, devido à idade avançada, decidiu se retirar. Vai dividir seu reino entre as filhas. Para definir o tamanho do que vai dar a cada uma, ele anuncia que aquela que disser que o ama vai receber mais.

Hmmm…
A filha mais velha, Goneril, afirma que meras palavras não podem expressar o tamanho de seu amor, que ama seu pai mais que a visão, o espaço e a liberdade. O Rei imediatamente mostra a ela em um mapa sua fatia de terras, rios etc. Depois faz a mesma pergunta à segunda filha, Regan. Ela diz que a irmã expressara o que ela sentia, apenas com menos força. Ela, Regan, o ama tanto que nada mais interessa. O pai a recompensa imediatamente. E então é a vez de sua favorita, a mais nova, Cordélia.

Hmmm…
Cordélia, que personifica todas as virtudes enquanto as irmãs simbolizam os vícios, afirma, como se estivesse querendo incomodar o pai, que o ama, mas que quando casar vai amar também o marido. Ao ouvir isso, o rei perde o controle e amaldiçoa a filha predileta.

O senhor entende que isso não faz sentido?
Não vou nem falar no linguajar pomposo do Rei Lear, o mesmo de todos os personagens de Shakespeare. O leitor, ou espectador, não pode compreender por que, ainda que velho e estúpido, o rei vai acreditar nas palavras das suas filhas falsas, com as quais certamente conviveu toda a vida, e vai duvidar do amor de sua filha favorita a ponto de bani-la. Por isso mesmo, o leitor ou espectador não consegue compartilhar os sentimentos das pessoas envolvidas na cena.

              Gravura séc. XVI: Shakespeare aos 33 anos - segundo o historiador Mark Griffiths.

A linguagem dos personagens do Bardo é falsa, então?
Falta a Shakespeare o meio mais importante, se não o único, de caracterizar os personagens – a individualidade, ou seja, um estilo de prosa adequado a cada um deles, personagens. Não existe isso nele. Todos os personagens falam não sua linguagem, mas o idioma shakespeariano, pomposo, nada natural, e no qual não só eles não se expressariam, mas nenhum ser vivente.

O senhor tem consciência de que seria guilhotinado na Inglaterra se dissesse lá estas coisas, não tem?
Aqueles que estão apaixonados, aqueles que estão se preparando para morrer, aqueles que estão lutando, aqueles que estão morrendo, todos eles falam de coisas profundamente inadequadas para a ocasião.

De onde vem então a fama do Bardo?
No começo do século XIX, quando Goethe ditava o pensamento filosófico e as leis estéticas, uma série de circunstâncias casuais o fizeram elogiar Shakespeare. Os críticos copiaram Goethe e começaram a escrever idiotices elogiosas, e a Europa foi se tornando fanática por Shakespeare.

Hmmm…
Entendo que, quanto mais rápido nos livrarmos da glorificação equivocada de Shakespeare, melhor para a literatura.

Conde? (Nota do entrevistador: O Conde não parece estar ouvindo. Parece prestes a ter uma nova explosão anti-Shakespeare.) Conde? Clap, clap, clap, De pé.  (Fonte: aqui).

ESPERANDO GODOT II


Marian Kamensky. (Eslovênia).

SOBRE JUSTIÇA E CORPORATIVISMO

 
"A Folha de São Paulo deste domingo ( 24-5-2015, pg. A11)  trouxe uma reportagem sobre o Projeto de Lei (PL) que visa reformar a Lei Orgânica da Magistratura e atender reivindicações diversas vindas do Judiciário. É difícil de acreditar que seja verdade, tantos são os  benefícios (privilégios), especialmente tendo em vista a situação conjuntural (e crises se repetem ao longo dos anos) e social do país (diferença de renda e benefícios entre setores sociais e profissionais). Difícil também por ser um Poder visto por grande parte da sociedade como fundamental na recuperação da moralidade, redução dos privilégios, na busca da Justiça etc. O PL contém reivindicações delirantes, mesmo para um pais como o Brasil, onde tudo parece ser permitido para quem tem poder. (...) agride princípios constitucionais, entre eles o da  equidade e da moralidade, e faria do Judiciário uma casta privilegiada, o que prejudicaria a imagem de respeitabilidade de que tanto necessita para contribuir na condução de nosso país a um novo patamar civilizatório. O estrago orçamentário seria apocalíptico, não só pelos recursos para atender (os benefícios pretendidos), mas também porque no outro dia os membros do Ministério Público de todos os níveis e entidades federadas exigiriam nivelação de benefícios, como prevê a Constituição Federal. Aliás, o PL também diz que todo beneficio obtido pelo Ministério Público deve ser estendido aos magistrados.
 
Além da remuneração, o PL propõe: a- auxilio creche (5% do salário); b- auxilio para cada filho estudante (5%); c- planos de saúde para cada cônjuge (10%) ; d- para cada filho (5%); e- um salário por semestre como prêmio de produtividade; f- aumento de 5% da remuneração a cada 5 anos, até atingir 35% da remuneração (pelo Ministro Luiz Fux, deveria ser a cada 3 anos, até atingir 60%), auxilio moradia, auxílio deslocamento, auxílio funeral, auxilio transporte se não tiver veículo e motorista fornecido pelo Poder Público. Há ainda previsão do direito a ressarcimento integral se o juiz ou um dos familiares despender recursos com tratamentos não cobertos pelos planos de saúde.
 
Teriam continuidade os 60 dias de férias, 13º, 5% de auxílio alimentação etc. Detalhe: como a remuneração mínima do juiz é de aproximadamente R$ 22 mil, cada 1% representa R$ 220,00, cada 5%, 1.100,00. (...).
 
O PL também propõe que mesmo preso em flagrante, o juiz não possa ser levado a delegacias de polícia, e, nas emendas desejadas por Fux, mesmo que seja condenado por improbidade, não perca o cargo ou então sua remuneração, algo ainda a ser esclarecido (...). Se não for verdade, espero que não seja, seria conduta lamentável do jornalista e do jornal.  Mesmo sendo improcedentes algumas informações, apenas a aprovação de 50% delas já seria, enfim, um  desastre moral, social e econômico.
 
É difícil para um cidadão comum acreditar nisso tudo, mas é o que consta. Esperemos que as lideranças do Judiciário se manifestem. O presidente de uma associação já se pronunciou... a favor do PL: é preciso atrair os melhores. Faltou explicar como poderemos conter o trombadinha de esquina, como falar de ética para o desempregado que começa a roubar, que basta reduzir a menoridade para 16 anos para reduzir a criminalidade. Teremos respaldo moral? Poderemos falar em valores vigentes na sociedade? Os que querem a aprovação dessa anomalia (pelo menos vista em conjunto) seriam os mesmos magistrados que na época do mensalão colocavam em cada voto inúmeras frases indignadas dizendo que o pais exigia moralidade de seus políticos?
 
Um dos maiores problemas do país é sem dúvida o corporativismo, especialmente dos três poderes da República e nos três níveis, municipal, estadual e federal. Os partidos políticos vivem disso. É mal que também atinge a sociedade em geral, (...) uma verdadeira lei da selva. Sem combatê-lo, sem um mínimo de desprendimento e contenção, não teremos jamais um país civilizado e decente, a lei será a da selva, para todos, mesmo para quem está no ápice da pirâmide."
 
 
 
 
(De Percival Maricato, no Jornal GGN, post intitulado "Poder Judiciário e corporativismo" - aqui.
 
Faltou dizer que as vantagens acima alinhadas não são computadas para efeito do teto constitucional de remuneração do servidor público. Assim, se o salário chegar, p. ex., a R$ 60 mil, tal valor será embolsado normalmente.

"O presidente de uma associação já se pronunciou... a favor do PL: 'é preciso atrair os melhores'.", consta no texto acima. Concordo plenamente: é preciso atrair os melhores para que dignifiquem a Magistratura. Da mesma forma que é imperioso atrair os melhores para que dignifiquem o Ensino, a Saúde etc).

PONTOS DE EQUILÍBRIO


Stefan Despodov. (Bulgária).

terça-feira, 26 de maio de 2015

DA SÉRIE TEMAS IGNORADOS PELO JORNAL NACIONAL


.Esquema de corrupção na Petrobras começou em 2002, diz executivo da Camargo Corrêa

Em depoimento à CPI da Petrobras, Eduardo Hermelino Leite, ex-vice-presidente da construtora Camargo Corrêa, afirmou que os pagamentos de propina pela Camargo Corrêa a funcionários da Petrobras e agentes políticos começou em 2002, último ano do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB). “Herdei uma prática e tive que administrar. Em meus depoimentos reconheci os ilícitos praticados junto à Petrobras. Recebi dos meus antecessores uma situação pré-existente. A situação preexistente consistia em contratos que foram celebrados através de consultorias a partir de 2002”.
- O texto completo do Congresso em Foco está aqui.

.CPI do HSBC votará quebra de sigilo de empresários e políticos

A CPI do HSBC no Senado, que apura possível sonegação fiscal e evasão de divisas de brasileiros vinculados a contas na agência daquele banco na Suíça, votará nesta 3ª feira (26.mai.2015) a quebra do sigilo fiscal de políticos e empresários citados no SwissLeaks. - a lista e outras informações estão aqui.

....
A CPI do HSBC não mereceu quaisquer referências no JN. Já o depoimento de Eduardo Leite foi destacado amplamente, mas observando o notório princípio da seletividade, segundo o qual nem tudo pode ser mostrado, a exemplo da informação acima.

A Globo, que chegou a nível primoroso de qualidade tecnológica (equipamentos, imagem digital, cenários sofisticados, onipresença mundial etc), há algum tempo declarou em editorial que se preocupa em observar, no dia a dia, a requerida isenção jornalística, principal diretriz de seu Código de Ética, diploma de que muito se orgulha.
Pelo visto - ou pelo não visto na edição de há pouco do JN -, a isenção continua persona non grata...

NO CAMPO DAS IDEIAS


Amorim.

A MOBILIZAÇÃO DOS RETRÓGRADOS PELO RETROCESSO DA EDUCAÇÃO


O assalto contra os professores brasileiros

Por Urariano Mota

Os conservadores, unidos na extrema-direita, disputam no congresso o troféu de quem é o autor da maior barbárie.

Comecemos pelo deputado federal Izalci Ferreira, do Distrito Federal.

Ele é autor do projeto de lei 867/2015, que inclui entre as Diretrizes e Bases da Educação Nacional o “Programa Escola Sem Partido”. O referido PL se encontra desde 6 de abril na Comissão de Educação e fixa como princípio legal, no artigo 3º, que “São vedadas, em sala de aula, a prática de doutrinação política e ideológica bem como a veiculação de conteúdos ou a realização de atividades que possam estar em conflito com as convicções religiosas ou morais dos pais ou responsáveis pelos estudantes”.

Embora o projeto de lei na Câmara dos Deputados esteja ainda tramitando, como uma ascensão geral da direita em diversos municípios brasileiros leis semelhantes estão sendo apresentadas, como em Santa Cruz de Monte Castelo/PR, que “se tornou o primeiro município brasileiro a possuir uma lei contra a doutrinação política e ideológica”, estando agora esperando sanção.

A isso se soma:

O Projeto de Lei 1411/2015, do deputado Rogério Marinho, do PSDB do Rio Grande do Norte, que prevê detenção de três meses a um ano, mais multa, a quem for enquadrado pelo novo ataque policial.  Se o "criminoso" for um profissional da educação, a pena será endurecida e aumentará em 1/3. Se um aluno alegar que teve notas baixas, que optou por abandonar o curso ou foi reprovado "em função do assédio ideológico", a punição será aumentada em 50%.  Imaginem vocês o grau de chantagem e calúnia que se arma contra os mestres realizada por filhinhos de papai relapsos e preguiçosos.

Esses projetos, essas disputas, há quem os considere bobagens, idiotices. Mas isso não é uma besteira. É mais que besteira. Lembro que Hitler, no começo, também não era levado a sério. Por isso insisto: esses assaltos à inteligência, à civilização de humanismo e humanidades têm que ser levados a sério, muito a sério, a peito e inteligência.

Tentemos, na medida da pressa e das minhas limitações intelectuais, analisar rápido e breve alguns pontos dessa maré de conservadorismo que se alevanta no congresso nacional, que se tornou um congresso de volta ao século dezenove. Comecemos pelo projeto de lei do senhor Izalci, que perpetra o coice a seguir, com rima e tudo:

“São vedadas, em sala de aula, a prática de doutrinação política e ideológica bem como a veiculação de conteúdos ou a realização de atividades que possam estar em conflito com as convicções religiosas ou morais dos pais ou responsáveis pelos estudantes.”

Primeiro, o deputado não sabe, ou finge, e finge mal, não saber que em todo conhecimento existe ideologia, até mesmo nas mais abstratas ciências exatas. Pois o que deseja o conhecimento mais científico da natureza? – A verdade do mundo. E para que serve isso? Para o benefício e grandeza do próprio homem universal. Mas isso já é ideologia, e ele finge não saber. Em segundo lugar, observo que mestres sem conflito com as convicções religiosas ou morais dos pais dos estudantes é a própria negação do processo de ensino. Imaginem, por exemplo, o papel de professores que no sertão nordestino dessem legitimidade ao velho hábito de cicatrizar o umbigo de recém-nascido com fezes de gado. Ou que sacramentassem a morte de anjinhos, nome piedoso para a velha mortalidade infantil, com o ditado de que Deus quis assim, foi Deus quem transformou meu filho num anjinho.
   
Pior, qual o papel dos mestres diante da falta de humanidade secular de pais que  espancam e torturam filhos? Fazerem de conta de que nada sabem das contusões dos meninos e meninas que chegam às salas de aula marcados? Sim, pelo projeto deveriam até mesmo dizer: “todo pai tem o direito sagrado de matar os filhos”. É bíblico, está no sacrifício de Abrahão, que tentou oferecer o sangue do próprio filho, como se fosse um bezerro, ao Senhor, ao supremo Deus. O que dizer, ainda, dos preconceitos seculares contra a fé do povo nos terreiros de xangô ou candomblé? Que são, os cultos aos orixás, a força do demônio? Ou deveriam, como deve ser o papel de um educador, pregar o respeito às crenças dos marginalizados, e mais, punir com severidade qualquer expressão de zombaria aos descendentes africanos? Não, pelo projeto de Izalci, os professores devem ficar em paz com as ideias mais atrasadas e retrógradas que os alunos trazem de casa. Assim, devem fazer que não veem o bullying contra alunos menos viris, o insulto contra os diferentes, contra os gordos, miseráveis e deficientes físicos.   Mas aí, essa ausência de conflito com o bárbaro, essa paz com o opressor, será ainda educação? Será o processo de educação apenas uma técnica de B com A beabá?

Mas observem que o projeto desse, desse Izalci, é mais ambicioso em sua prática de fundamentalismo, como um  Estado Islâmico nacional: ele quer a censura, o expurgo de livros didáticos nas escolas brasileiras. Não basta ainda que a nossa pedagogia escolar não tenha assimilado a denúncia dos crimes e assassinatos dos anos da ditadura. Não, o projeto vai ao ponto de matar as conquistas dos primeiros anos de redemocratização – a saber, textos didáticos que não repetem mais as teorias do século dezenove. Insatisfeito, estende seus tentáculos até as avaliações de estudantes para o ingresso no ensino superior, aos vestibulares, e vai até as provas de concurso para o ingresso na carreira docente nas universidades. Como bem informa a Associação Nacional dos Professores Universitários de História: “O projeto de lei propõe diretrizes para o exercício das funções pelo professor, estabelece canais de recebimento de denúncias”.  O que é isso? É a volta, por decreto, do Estado Policial. É a perda da autonomia do ensino universitário, que será acoelhado, ajoelhado sob e sobre ferros.  Daí chegamos, ou somos empurrados para o talvez pior, o Projeto de Lei 1411/2015, do deputado Rogério Marinho, do PSDB do Rio Grande do Norte. Fala ele:

“A escola e o ambiente acadêmico precisam ser blindados de qualquer assédio ideológico e partidário, um crime covarde. É preciso garantir a liberdade de aprender. Praticar o assédio ideológico, impor a hegemonia, é total desrespeito e afronta ao direito do aprendiz em formar suas convicções a partir de experiências pessoais e baseadas na formação provida pela família e pela religião que adota”, escreveu, em sua página no Facebook.

Notem que aqui, mais uma vez, a educação universal é posta em oposição à chamada formação da família e da religião. E tem que ser disciplinada, a educação, ora, ora. Para maior ironia, esse projeto foi apresentado no dia 13 de maio deste 2015. Como ainda não havia quórum para derrubar a Lei da Abolição da Escravatura, para que voltasse a ser proclamada a escravidão, o projeto do tucano que envergonha o  Rio Grande do Norte  prevê a  detenção de três meses a um ano, e mais multa, a quem for enquadrado pela lei. Se o "criminoso" for um profissional da educação, a pena será endurecida e aumentará em 1/3. Se o aluno alegar que teve notas baixas, optou por abandonar o curso ou foi reprovado "em função do assédio ideológico", a punição será aumentada em 50%.

Quem pensou que essa câmara de deputados de Eduardo Cunha houvesse chegado ao fundo do poço com a terceirização geral de trabalhadores, saiba que estamos dando uma volta total no relógio da história. A direita nacional está saudosa e em marcha. Pelos projetos que apontam no horizonte, falar em Marx, em Darwin, será crime. Quem falar da grande revolta e literatura de Lima Barreto será banido das escolas, das universidades e preso. Mencionar Solano Trindade? Nem pensar. Abaixo Paulo Freire e tudo que leve o seu rastro de civilização. Os mestres hoje têm uma guerra absoluta pela frente: melhores e mais dignos salários, condições humanas de ensino, uma guerra total pela educação, enfim, antes do fim. (Fonte: aqui).

PHYSICAL


Waldez.

A LUTA CONTRA A IMPUNIDADE EXIGE COERÊNCIA


"Há uma demanda muito viva pelo fim do pacto histórico do país com a impunidade. Essa demanda, contudo, precisa abranger qualquer tipo de impunidade, do presente e do passado, ligada à corrupção ou à violência, sejam elas de particulares ou de agentes do Estado.

Também precisa compreender que é um sério equívoco associar-se a setores que defendem intervenção golpista, promovem o elogio às graves violações aos direitos humanos ocorridas durante a ditadura militar e até partem para medidas inócuas e inconstitucionais como a redução da maioridade penal.

As Comissões de Anistia e de Mortos e Desaparecidos Políticos do Brasil têm pela frente a importante missão de fazer valer as recomendações constantes do relatório da Comissão Nacional da Verdade. Essas recomendações repetem determinações da Corte Interamericana de Direitos Humanos ao Brasil, já reconhecido como inadimplente nesse campo por Resolução da própria Corte, aprovada em outubro de 2014.

Entre as recomendações estão a punição dos crimes praticados por agentes da ditadura e a desmilitarização das polícias militares. Mas estes objetivos parecem desconectados do momento presente, em que se vê pedidos de intervenção militar e manifestações de apoio a uma polícia que executa mulheres grávidas e garotos de 10 anos apenas por viverem próximos ao mundo do crime.
Assim, cabe às Comissões de Anistia e de Mortos e Desaparecidos Políticos do Brasil, como órgãos de Estado, exercerem, antes de tudo, um papel institucional de sedimentar os valores democráticos no país.

Para tanto, lembram que a impunidade dos corruptos de hoje apenas tem lugar porque ainda somos um país marcado pela cultura autoritária, na qual certos agentes públicos e privados 'têm o direito' de praticar ilícitos e não responderem por eles, de nenhum modo, como se estivessem acima das leis, como ainda vem ocorrendo no Brasil em relação aos crimes da ditadura.

A responsabilização desses crimes do passado não só é fundamental para a consolidação da democracia, como para que essa herança histórica de abuso de poder seja extirpada.

A violência do presente também é preocupante. Medidas como a criação de Comissões da Verdade da Democracia, que vêm dando voz a familiares extremamente pobres, que têm seus filhos executados sumariamente pelas polícias militares, são muito bem-vindas para a afirmação do Estado de Direito no Brasil.

Enquanto estivermos vivendo essa verdadeira guerra declarada entre policiais e os chamados "pequenos criminosos", os índices de violência vão apenas aumentar e toda a população estará cada vez mais desamparada. Com as devidas ressalvas, não há ninguém seguro com uma polícia que vem ficando conhecida pela truculência e pela destruição de provas como forma de assegurar a sua impunidade.

E a solução não está em mudar um número na lei (de 18 para 16 anos a maioridade penal), pois isso não fará com que esses jovens, já marcados pela indignidade e pela morte, deixem de entrar para o crime. A solução passa, obviamente, por medidas de educação, mas principalmente por uma reforma profunda nas diversas estruturas policiais.

Sim, é preciso avançar em todos esses pontos, mas com a clareza de que a defesa da quebra da ordem constitucional, a volta a um passado de violações e a passividade com crimes gravíssimos não são soluções para quem quer verdadeiramente um país sem impunidade."





(De Eugênia Gonzaga e Paulo Abrão, no jornal Folha de São Paulo, texto intitulado "A luta contra a impunidade exige coerência", reproduzido no Jornal GGN - aqui.

Eugênia é mestre em direito pela PUC-SP, procuradora regional da República e presidente da Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos. Abrão é doutor em direito pela PUC-Rio e presidente da Comissão de Anistia.

Enquanto isso, admiradores e arautos do justiçamento pintam e bordam país afora - e os marcelos resendes e datenas da mídia se incumbem de bradar aos quatro ventos pela redução da maioridade penal e pelo advento constitucional da pena de morte).

CONCERTO MUNDIAL


Marian Kamensky. (Eslovênia).

O TUBO ENERGÉTICO


Turbina eólica sem hélices promete ser eficiente e segura para geração de energia

O modelo não possui hélices, é mais barato e tem uma eficiência maior do que os clássicos modelos do tipo “cata-vento”

A primeira turbina a ser lançada deverá conseguir produzir 4 quilowatts de energia.
 
O modelo batizado de Vortex Bladeless foi criado pela empresa espanhola de mesmo nome e promete ser uma boa alternativa ambiental para a geração de energia. A empresa fabricante se baseou em um efeito aerodinâmico conhecido como “vorticidade” para criar a turbina.
 
Como o vento ignora as estruturas fixas, as mudanças de fluxo geram um padrão cíclico de vórtices.
Essas forças são suficientes para fazer uma estrutura fixa oscilar e entrar em ressonância com as forças laterais do vento.
 
Com essas instabilidades aerodinâmicas é possível gerar energia e é isso que a Vortex Bladeless faz. Ela possui o formato de uma torre que em vez de aparar a força dos ventos, as utiliza por meio de sua oscilação. A eletricidade é gerada a partir deste movimento. O dispositivo é composto por um mastro fixo, um gerador de energia e um cilindro oco de fibra de vidro.
 
David Suriol, um dos fundadores da empresa, explicou para o site Renewable Energy Magazine os benefícios da nova turbina. “Nosso gerador de energia eólica não tem partes móveis em contato, o que elimina a necessidade de lubrificação e reduz o desgaste. Além disso, sabe-se que uma estrutura só pode ter uma certa frequência de oscilação, o que limita o número de horas de trabalho. No entanto, graças ao sistema de acoplamento magnético de auto ajuste, a Vortex pode operar numa gama mais ampla de velocidades de vento”.
 
O protótipo passa por uma fase de testes e já foi aprovado em túneis de vento controlados. O próximo passo é testá-lo ao ar livre que é onde ele deve funcionar. A primeira turbina a ser lançada deverá conseguir produzir 4 quilowatts de energia e poderá ser aplicada em uso residencial e comercial.
 
Mesmo coletando 30% menos energia, se considerada a mesma área em usinas tradicionais, a Vortex Bladeless é tão mais barata e ambientalmente benéfica que representa 40% a menos nos custos para sua produção de energia. As despesas operacionais do sistema também são 50% menores.
 
Para o futuro, a companhia pretende acoplar placas solares às turbinas, para maximizar a produção e criar modelos para a produção eólica offshore. Além de todas essas vantagens, seu design evita acidentes com aves já que não possui hélices como os modelos normais. (Fonte: aqui).

segunda-feira, 25 de maio de 2015

ENTREMENTES, REVENDO O SEMANÁRIO O PASQUIM...


Duke.

O CINEMA DE ORSON WELLES

Netto.

A Dama de Shanghai

Um homem se envolve em uma trama criminosa ao ser contratado para trabalhar no iate do marido de uma sedutora mulher.

Com este simples fio de história, Orson Welles construiu mais um de seus grandes filmes, um exercício de cinema autoral único, em que o seu gênio criativo mais uma vez se impõe em prol de uma narrativa densa, com um tratamento visual impressionante.
Um filme onde as aparências são simples reflexos em espelhos
“Orson Welles sempre é descrito, e merecidamente, como inimitável”, disse François Truffaut. É um dos nomes mais conhecidos e respeitados dentre os diretores de cinema, seja pela fama do seu primeiro trabalho, “Cidadão Kane”, seja por ter realizado uma das filmografias mais geniais do século XX. Orson Welles escreveu, dirigiu e estrelou mais esta obra-prima de sua carreira e do cinema noir. “A Dama de Shanghai” é o seu quinto filme, e surgiu de uma necessidade financeira do diretor para a produção de uma peça teatral. O ponto de partida foi uma conversa telefônica entre Welles e Harry Cohn, chefão da Columbia, que o pressionava por um novo filme. Ao olhar em volta, o cineasta deu com o título de um livro numa banca – “A Dama de Shangai”, um romance de Sherwood  King. O estúdio comprou os direitos, mas quando o leu, Welles descobriu que era péssimo, mas manteve o ótimo título, escrevendo uma nova história.
 

Na época casado com o furacão Rita Hayworth, o filme ajudou a construir ainda mais os mitos envolvendo os dois, a união festejada entre a beleza e a sabedoria, que se traduz em imagens deslumbrantes, como um jogo de sombras e luzes compondo um quebra-cabeças visual que resume toda a obra desse genial arquiteto da narrativa cinematográfica.

O cinema noir foi muito mais um estilo visual do que um gênero cinematográfico. Este estilo é marcado por cores escuras e alto contraste, influenciado diretamente pelo cinema expressionista alemão. As narrativas sempre inteligentes e inspiradas em romances policiais, eram permeadas de paranoia, desconfiança, cinismo e niilismo. “A Dama de Shangai” é, portanto, um filme noir por excelência, onde Rita Hayworth chocou o público aparecendo de cabelos curtos e louros platinados. Ela interpreta Elsa ‘Rosalie’ Bannister, a típíca femme fatale que conquista o marinheiro Michael O’Hara, interpretado pelo próprio Orson Welles, um personagem que é envolvido inocentemente em uma perigosa trama de intriga e crime.
 
A fotografia deste filme é fantástica, luzes e sombras são muito exploradas e o jogo de câmeras contribui para o desenvolvimento da trama, onde os acontecimentos se tornam cada vez mais intricados e labirínticos. No filme ninguém é o que parece, identidades e intenções são reveladas e confundidas conforme o desenrolar da história. Uma trama que indica mudanças, não apenas no aspecto narrativo, mas também na própria maneira de fazer filmes. É um filme transitório, apresentando ainda elementos do cinema clássico, porém com aspectos daquele que viria a ser o cinema moderno, provando que Welles era, de fato, um cineasta a frente de seu tempo. 
Ao longo de sua carreira Welles realizou mais de vinte filmes, dentre eles outras grandes obras, como “Soberba” (1942), “A Marca da Maldade” (1958) e “O Processo” (1962). Porém, mesmo festejado como o autor daquele que é considerado o melhor filme de todos os tempos – “Cidadão Kane” – ele não conseguiu realizar nenhum grande sucesso de público. Welles morreu aos 70 anos, de ataque cardíaco. (Fonte: aqui).

CARTUM LUNAR


Stefan Despodov. (Bulgária).

MEMORIAL DAY


Nate Beeler.  (EUA).

(Cartum comemorativo do Memorial Day - celebração da vitória aliada sobre o nazismo).

A ESPIONAGEM AMERICANA NO BRASIL

               Rio, setembro de 1947: Harry Truman é recebido por Eurico Dutra no Rio.

Agentes eram informantes dos Estados Unidos no Brasil, revela historiador

Bem antes da espionagem de Edward Snowden e da era da internet, os Estados Unidos já tinham métodos para obter informações de outros países. Quase ninguém sabe, mas durante a Segunda Guerra Mundial, em 1943, o Brasil passou a sofrer uma espécie de acompanhamento da CIA.
O governo americano enviou ao país diplomatas, conhecidos como adidos trabalhistas, que fiscalizavam sindicatos e até a Assembleia de São Paulo.

(...)

Um passado que os brasileiros desconhecem, mas que agora vem à tona depois da análise de nove mil documentos do Departamento de Estado americano. O trabalho incansável de pesquisa foi feito pelo historiador da Unesp Eduardo José Afonso, em trabalho de doutorado para a Universidade de São Paulo (USP).

Em plena Era Vargas, um caso de espionagem internacional. "Eu descobri que havia uma forma de o governo americano ter um certo controle sobre os comunistas e indiretamente também sobre a sociedade brasileira, por meio de representantes do governo americano chamados adidos trabalhistas", explica Afonso.

Em 1943, o mundo acompanhava a Segunda Guerra Mundial e o Estado Novo de Getúlio Vargas era motivo de preocupação para os americanos. "O chefe das forças armadas e o general Dutra eram bem simpáticos ao modelo fascista. Então isso provocava um certo temor pela hegemonia capitalista do hemisfério."

(...)

Quem eram os adidos trabalhistas que espionavam sindicatos, políticos comunistas e até agiam dentro da Assembleia Legislativa de São Paulo? "Eles estavam aqui para registrar tudo o que fosse necessário para o conhecimento do governo americano, fizesse referência não só a partidos, mas que também tinha entrada e circulação tranquila entre sindicatos".

De acordo com o historiador, os adidos circulavam em todas as esferas, inclusive dentro do próprio governo de Getúlio Vargas. "(O adido) dizia: 'hoje eu estive com Vargas, apresentei minhas credenciais'. Isso se transformava em um documento que ia ao secretário de estado, era comunicado ao presidente dos EUA e, depois, havia um retorno, ou seja, de que maneira isso que está discutido nesses relatórios resultava em alguma ação no Brasil".

As pesquisas feitas por quase cinco meses por Eduardo José Afonso nos Estados Unidos indicaram que os espiões tinham até um manual de conduta. "A CIA produziu um manual para os agentes: como entender e se portar como os brasileiros. Por exemplo, é hábito entre os brasileiros, depois do almoço, palitar os dentes".

Bem antes da internet, as informações colhidas no Brasil eram repassadas quase em tempo real para os Estados Unidos. "Eles sabiam das coisas mais prementes no mesmo dia, porque as informações eram dadas através de telegramas".

O professor Eduardo José Afonso explica que os adidos fizeram uma radiografia minuciosa nos tempos em que estiveram no Brasil. "Nesses relatórios dos adidos, eles tinham preços de mercadorias, custo de vida, aumento dos produtos, tudo, tudo, tudo, tudo".

O trabalho de doutorado de Eduardo José Afonso sobre a espionagem praticada pelos adidos trabalhistas abrange o período de 1943 a 1952.

No entanto existem relatos de que os adidos estiveram no Brasil até o regime militar, a partir de 1964.

A história é pouco conhecida, mas agora começa a ganhar destaque e ajuda a entender a preocupação dos Estados Unidos com os demais países.

(...). (O trabalho) "era um raio-x perfeito". (Fonte: aqui).

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"A história é pouco conhecida". "...existem relatos de que os adidos estiveram no Brasil até o regime militar, a partir de 1964."

Ao contrário do que se vê acima, (1) a história é, sim, muito conhecida; (2) os adidos podem até ter encerrado seu trabalho a partir do regime ditatorial, mas o serviço de espionagem não sofreu abalos; muito pelo contrário: o Cone Sul foi amplamente monitorado...

domingo, 24 de maio de 2015

NONSENSE CARTOON


Pavel Constantin. (Romênia).