quarta-feira, 5 de agosto de 2015

PASSARIM


Dario Castillejos. (México).

SOBRE TRAPAÇAS E GOLPISMOS FINANCEIROS


Golpes bilionários

[...]

No livro “Golpes Bilionários – Como os maiores golpistas da história enganaram tanta gente por tanto tempo”, o finlandês Kari Nars elenca dez trapaças financeiras de grandes proporções, começando com a bolha da South Sea Company no século XVIII e terminando com o caso Madoff em 2008. Os tipos de fraudes variam desde escândalos corporativos, como o da própria South Sea Company, o da companhia elétrica Enron e o da líder mundial em fósforos na década de 30 Swedish Match Company (STAB), a esquemas financeiros sustentados por pirâmides como o do pioneiro Carlos Ponzi, o do fundo de investimento International Overseas Service (IOS), de Bernard Cornfeld, o do clube de investimento finlândes WinCapita e o da empresa Bernard L. Madoff Investment Securities.

O livro ainda conta casos bizarros como o da venda de terras em um país fictício na América Central em 1820 e a tentativa de venda da Torre Eiffel por um golpista que se passava por representante do governo francês a negociantes de ferro-velho.

As fraudes corporativas têm como características realçar os aspectos positivos e mitigar os riscos. Assim, receitas são infladas, dívidas, camufladas e despesas, reduzidas. A Enron se utilizou de firmas offshore para escamotear prejuízos. No caso da South Sea Company, a administração alardeava contratos de monopólio com as colônias espanholas na América do Sul, embora efetivamente apenas um navio britânico de porte médio pudesse fazer o comércio com México, Chile e Peru uma vez ao ano. A STAB falsificou um título do governo italiano para fazer parte do seu ativo, cujo valor hoje corresponderia a 1,3 bilhão de libras.

[...]
O Center for Financial Research & Analysis (CFRA) listou sete estratégias usadas por fraudadores corporativos: (i) registrar lucros prematuramente ou de qualidade questionável; (ii) registrar lucros falsos; (iii) reforçar a receita com ganhos obtidos em uma única operação; (iv) transferir despesas atuais para um período anterior ou futuro; (v) deixar de registrar ou reduzir impropriamente passivos financeiros; (vi) transferir receita atual para um período futuro e (vii) transferir despesas futuras para o período atual como um custo especial.

Já as fraudes relacionadas ao esquema de pirâmides têm outros atributos. O golpista alardeia que possui o conhecimento de uma operação financeira complexa, o que acaba por dar credibilidade. Carlo Ponzi, por exemplo, dizia que realizava operações de arbitragem com cupom-resposta, valendo-se do diferencial de câmbio entre os Estados Unidos e a Itália. Mas essas operações são apenas fachada, pois o dinheiro arrecadado não é aplicado em qualquer ativo. Logo, o investimento não possui qualquer lastro. O dinheiro dos novos aplicadores serve para pagar o resgate dos investidores anteriores. O esquema se sustenta, porque a rentabilidade atrativa mantém os investidores, reduzindo o número de resgates. Mas, em situações de restrição de liquidez, como ocorreu durante a quebra do banco Lehman Brothers, o esquema entra em colapso, pois os pedidos de resgate superam as entradas, o que causou a quebra do fundo de Bernard Madoff e do clube de investimento WinCapita.

O livro pouco menciona o Brasil. [...]  Após ter seu esquema descoberto, Carlo Ponzi foi contratado por uma companhia aérea que fazia o trajeto entre Brasil e Itália. Assim, ele veio morar no Rio de Janeiro onde acabou falecendo em janeiro de 1949 após ter sofrido um derrame. [...]. (Fonte: aqui).

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Em geral, tem-se de um lado um espertalhão disposto a auferir grana a qualquer custo, seja lá contra quem; de outro, rentistas adeptos da 'lei de gérson', igualmente obcecados em levar vantagem - e uma frouxa vigilância (desídia das autoridades, deficiência/inexistência de legislação rigorosa). Sintomaticamente, toda vez que se libera/estimula a ação desbragada do Livre Mercado, mais aumentam os riscos de maracutaias - a exemplo do que se viu no festival de espertezas que culminou no desastre financeiro de 2008/9 (hipotecas fajutas, derivativos amalucados, manipulações alucinadas), abalando sistemas econômicos mundo afora, cuja turbulência persiste até os dias que correm.  

CARTUM NADA QUIXOTESCO


Liberati.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

EMPRESA MUITO FAMÍLIA


Vida de Suporte.

COMO (NÃO) ANDA A APURAÇÃO DA SONEGAÇÃO


CNJ aceita denúncia contra juiz da Operação Zelotes

A Corregedora Nacional de Justiça, ministra Nancy Andrighi, determinou a notificação do juiz Ricardo Augusto Soares Leite, responsável pela 10ª Vara Federal do DF, onde tramita o processo referente à Operação Zelotes. A decisão foi motivada por uma representação feita pelo relator da subcomissão da Câmara dos Deputados que acompanha as investigações sobre o esquema de corrupção no Conselho de Administração de Recursos Fiscais (Carf), deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS). Pelo esquema, grandes empresas e escritórios de advocacia pagavam propina a membros do Carf, órgão que é a última instância administrativa para discussão tributária entre contribuintes e Fisco. O prejuízo aos cofres públicos pode chegar a R$ 20 bilhões.

No pedido de providências, o deputado Pimenta solicita que seja instaurada sindicância para apurar a conduta do juiz, criticado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal de prejudicar a apuração dos fatos. Ricardo Leite indeferiu os pedidos de prisão temporária de 26 investigados e não concedeu a prorrogação do monitoramento das escutas telefônicas e de e-mail dos envolvidos. Além disso, o juiz determinou o sigilo das investigações, pois, segundo ele, “provocaria desnecessária exposição da intimidade dos investigados perante os meios de comunicação”.

De acordo com a decisão da Corregedora Nacional de Justiça, ministra Nancy Andrighi, o juiz Ricardo Augusto Soares Leite tem 15 dias para prestar informações.

Em maio, a Corregedoria do Tribunal Regional Federal da 1ª região já havia acatado representação do Ministério Público Federal contra o magistrado. Dados do Portal da Transparência revelam que, em 2014, a 10ª Vara Federal do DF – que está sob responsabilidade de Ricardo Leite – teve 499 processos julgados, enquanto, no mesmo período, a 12ª Vara teve 1537, número três vezes superior.

(Para continuar, clique aqui).

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A solução do caso de desídia e leniência está nas mãos do CNJ, uma vez que denúncia/pressão da mídia sobre o meritíssimo, nem pensar, obviamente... 

TORRE DE BABEL REVISITADA


Liberati.

LAVA JATO: DIRCEU E A VERSÃO SANTOS LIMA


"A prisão de José Dirceu foi a menos surpreendente de quantas a Lava Jato faz desde março do ano passado. Se justificada ou não, vamos saber quando os integrantes da Lava Jato apresentarem em juízo o que veem como provas convincentes. A carga pesada de acusações apenas verbais, feitas pelo procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, desde logo criou uma imprecisão sujeita a reparo histórico e atual. Foi quando definiu Dirceu como "o instituidor e beneficiário" do "esquema" de corrupção na Petrobras.
 
Dizê-lo instituidor é aliviar de um grande peso acusatório os empreiteiros e ex-dirigentes da Petrobras que têm feito delação premiada e, por isso, são chamados pelos componentes da Lava Jato de "colaboradores". Ainda que não seja por deliberação, a transferência de responsabilidades, concentrando-as em um só, é como um prêmio adicional à delação já premiada.
 
A corrupção na Petrobras investigada pela Lava Jato seguiu o "esquema" praticado há décadas pelas grandes empreiteiras nas licitações e acréscimos de custo, em contratos com estatais e administração pública. Se houve um "instituidor" do "esquema", seu nome perdeu-se na desmemória do tempo.
 
Caso o Ministério Público e a Polícia Federal se dessem ao trabalho de verificações retroativas, tanto encontrariam histórias de honestidade como de vidas enriquecidas a partir de passagem por um cargo alto na Petrobras. Mas, no Brasil, nem por curiosidade é acompanhada a evolução das condições de vida de políticos e ex-dirigentes públicos.
 
Na geração atual dos funcionários elevados a dirigentes corruptos da Petrobras, Pedro Barusco, que é tido como o mais inteligente dos delatores premiados, já explicou que vem desde meados da década de 90, ao menos desde 1997, as transações com a atual geração de dirigentes de empreiteiras.
 
Também resulta como prêmio adicional aos delatores já premiados a ideia de que o "esquema na Petrobras repetiu o do mensalão". Um nada tem a ver com o outro. Na Petrobras, o dinheiro manipulado estava embutido no custo de obras e de serviços ou bens como sondas. No mensalão, os meios envolvidos foram banco e publicidade.
 
No caso pessoal de Dirceu, chama atenção a disparidade entre as toneladas de atribuições que o procurador Santos Lima lhe despeja e a sua espera quase passiva, em casa, pelos emissários da Lava Jato. Quem se soubesse autor de tantos e tão graves atos ilegais, e da gana de é que alvo, saberia também que o esperava uma condenação esmagadora. José Dirceu teve farta oportunidade de fugir. Com a experiência de quem entrou e viveu no Brasil da ditadura com rosto e nome mudados, e levou vida tranquila por anos, poderia evaporar por aí sem dificuldade.
 
José Dirceu ficou, à espera. Não quis fugir. Isto tem um significado. Não há como deixar de tê-lo. As suposições a respeito podem variar, sobretudo ao compasso das posições políticas, mas só o próprio Dirceu mostrará qual é."





(De Jânio de Freitas, na Folha, texto intitulado "Dirceu outra vez", reproduzido no Jornal GGN - aqui.

A análise acima, além de muito bem posta, suscitou comentários os mais diversos, muitos dos quais bastante perspicazes - inclusive sobre o procurador Santos Lima e sua singular postura de notabilíssimo, infalível e incomparável operador do direito. Vale a pena clicar no 'aqui', acima, e refestelar-se). 

O NEOFEUDALISMO E AS MEIAS VERDADES DA MÍDIA


Para o neofeudalismo a meia verdade da mídia basta

Por Luiz Flávio Gomes

“Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes” (Albert Einstein). Minhas crônicas desta semana ainda não foram totalmente compreendidas. Somos, no entanto, verde-amarelos, logo, persistentes. Vamos ver a de hoje. Nós, os senhores neofeudais invisíveis (plutocratas, oligarcas cartelizados e, sempre que possível, ladrões cleptocratas do dinheiro público), atribuímos a culpa de toda corrupção a quem a merece, ou seja, ao Estado, às empresas estatais, ao petismo, aos agentes públicos e, particularmente, aos políticos. Só em parte, evidentemente, isso é verdadeiro. Nós, os verdadeiros donos do poder (financeiro e econômico), do mercado, das empresas e das corporações, também somos corruptos (mais precisamente, somos os corruptores). Mas nós não aparecemos. Somos invisíveis.

Faz parte do jogo do poder noticiar os corrompidos, não os corruptores. Dois exemplos: 1º) Veja o escândalo do ISS no município de São Paulo: a mídia mostra os fiscais corruptos, quase nunca nós, os corruptores. Esse é um dos mais eficientes truques do exercício do poder; 2º) Todos ouviram dizer que Eduardo Cunha teria recebido 5 milhões de dólares de propina. Você sabe quem teria pago essa propina? Pouca gente sabe. Os delatores dizem que foi a Samsung e a Mitsui. As coisas estão mudando no Brasil em nosso desfavor. 
Sempre há cretinos que querem mudar as regras do jogo que sempre nos foram muito favoráveis. A instituição da impunidade tem tradição e merece respeito.
Se existe um campo em que nossa organização neofeudal vem conseguindo uma eficaz comunicação (doutrinação) com a população, esse é o da grande mídia, nossa fiel aliada na arte das manipulações. A regra de ouro é a seguinte: não é preciso propagar mentiras, basta não contar toda a verdade. O assunto corrupção é, como todos podem imaginar, um dos mais sensíveis para nós, porque pode implicar alguma vulnerabilidade para nossa estrutura (que os maldosos apregoam ser mafiosa). Vemos nisso uma calúnia e um exagero. Mas é inegável que neste campo da cleptocracia contamos com uma forte e triunfante tradição.
São mais de 500 anos de prática contínua, sendo Pero Borges, o primeiro corregedor-ouvidor-geral da Justiça, nomeado pelo rei em 17/12/1548, juntamente com Tomé de Souza, o Governador-Geral, um dos nossos baluartes inesquecíveis: foi nomeado para cá depois de ter surrupiado grande soma de dinheiro na construção de um aqueduto, em Elvas (no Alentejo) (veja E. Bueno, em História do Brasil para ocupados, organizado por L. Figueiredo, p. 259). Para o cidadão comum e os neovassalos (neoservos ou neoescravos), que contam com 7,2 anos de escolaridade em média, no entanto, sempre é bom recordar: a História explica, mas não escusa. Dos deveres éticos e morais somente nós, os senhores neofeudais invisíveis, estamos dispensados.
Por meio da corrupção já alcançamos alguns trilhões de dólares ao longo desses cinco séculos de neofeudalismo. A corrupção, ao lado do parasitismo (extrativismo e exploração de tudo e de todos – veja Manoel Bomfim, A América Latina), são dois dos grandes esteios de sustentação dos nossos prósperos negócios. O Brasil não seria jamais oligarquicamente rico (com serviçõs públicos deploráveis) se não existissem tais fontes. A corrupção, no entanto, deve sempre ser noticiada como coisa do funcionário público, do Estado, das empresas estatais, dos políticos.
Quando se divulga que mais da metade dos parlamentares eleitos em 2014 tem problemas com a Justiça (clique aqui para ver a lista dos políticos e suas implicações policiais ou judiciais), isso reforça nosso discurso: oferecemos a prova de que eles é que são os exclusivos corruptos (não nós). Trata-se de uma propagação massiva do discurso da antipolítica (somente os políticos não valem nada: essa é a mensagem diária). Dizemos que a corrupção está indissoluvelmente (e exclusivamente) ligada aos políticos. Nós, os senhores neofeudais corruptores, continuamos na sombra. O poder é exercido dessa maneira.
Eis uma amostra do nosso discurso (O Globo 26/7/15: 18): “Grande peso do Estado na economia explica a corrupção: a Polícia Federal, desde 2002, faz mais operações contra os criminosos do colarinho branco porque a corrupção aumentou muito no Brasil. E por que a corrupção aumentou? Basta ver os dois maiores escândalos dos últimos tempos: mensalão e petrolão. Em ambos o epicentro reside nas empresas estatais. A corrupção é imensa no Brasil em razão da grande participação do Estado na economia, sendo as estatais eficazes gazuas de arrombamento de cofres públicos; essas empresas oferecem múltiplas oportunidades de falcatruas; o petrolão lulopetista é a prova concreta de que há uma relação direta entre estatização e corrupção; nestes 13 anos de poder lulopetista um grupo político voraz encontrou nessas empresas amplas oportunidades de financiar, com caixa dois, seu projeto político e eleitoral; sem essa grande participação do Estado em setores que movimentam muito dinheiro, não haveria como o PT e aliados se financiarem com propinas”.
Não precisam falar mentiras, bastam as meias verdades. Não se joga a culpa em nós, os corruptores, sim, nos corrompidos. Não se fala de dezenas de países estatalistas (como os escandinavos) onde tudo funciona bem, com baixíssima corrupção. Isso acontece em virtude do capitalismo distributivo (que é uma palavra impronunciável aqui). A lógica é controlar a patuleia (as massas rebeladas) com informações rasas. Jamais botar o dedo na estrutura do poder. O buraco é mais em cima. Mas Ícaro sabe que não pode se aproximar do Sol. (Fonte: aqui).
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Luiz Flávio Gomes é jurista e professor. Fundador da Rede de Ensino LFG. Diretor-presidente do Instituto Avante Brasil. Foi Promotor de Justiça (1980 a 1983), Juiz de Direito (1983 a 1998) e Advogado (1999 a 2001). 

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O articulista foi preciso ao apontar a causa principal da corrupção:  a estrutura do poder. Permeando-a, a tal busca da governabilidade, que, na prática, submete o Estado. À espreita, interesses diversos, inclusive midiáticos (o 'quarto poder'). Quanto à corrupção em si, um exemplo emblemático de análise seletiva: muito raramente é feita alusão ao afrouxamento das salvaguardas jurídicas, como se viu no governo FHC, que tornou sem efeito, para a Petrobras (que se pretendia ver privatizada; daí o neologismo "Petrobrax"), as cautelas da Lei de Licitações (Lei 8.666/93), substituindo-as pelas do "Procedimento Licitatório Simplificado" (Lei 9.478/97), o qual passou a regular licitações da Petrobras de forma 'mais ágil', mas cuja frouxidão convertia chefes de área em "donos da situação", investidos do direito de deliberar sobre quase tudo, sem maiores atropelos. Essa frouxidão normativa, aliás, foi considerada por juristas como Celso Antonio Bandeira de Mello a 'mola' estimuladora da corrupção, que, insuflada e exercitada por empreiteiras cartelizadas - com o estímulo de servidores corruptos, ávidos por vantagens escusas - alastrou-se por outros segmentos.

OBAMA ATACA USINAS POLUIDORAS

Rainer Hachfeld. (EUA).
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Entreouvido - devidamente traduzido - nos bastidores do Tea Party:

"Irã, Cuba, Obamacare, defesa de leis contra o livre acesso a armas de fogo, ultimato às usinas a carvão, daqui a pouco - absurdo dos absurdos! - o fim de Guantánamo... Afinal, onde é que esse sujeito vai parar?!"

EUA: PRÉ CANDIDATO DONALD TRUMP PROMETE TEMPO BOM


Daryl Cagle. (EUA).

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

O LUCRO DOS BANCOS NUM CENÁRIO CONTRASTANTE


"Na esteira da recessão violenta que está batendo recordes de desemprego, parada de investimentos, lojas vazias, paralisia da indústria, surge o espantoso crescimento do lucro dos bancos EM PLENA CRISE.

No 2º Trimestre de 2015, terminado em junho passado, o Bradesco cresceu seu lucro em 16,36%, quando o PIB regride em quase 2%. O Itaú cresceu 16,98% e o Santander 18,59%.

Como se explica? A política de alta da taxa SELIC, pela qual são remunerados os depósitos compulsórios recolhidos no Banco Central é uma das explicações. POR QUE REMUNERAR O COMPULSÓRIO? O recolhimento em vez de uma correção do excesso de liquidez passa a ser um ótimo negócio para os bancos e um absurdo gasto para as finanças públicas.

Considerando uma base de R$ 400 bilhões no compulsório (oscila entre 360 e 400 bilhões) os bancos vão receber do BC R$ 55 e 58 bilhões de juros, pagos pela população brasileira.
Pior ainda, como o compulsório é muito bem remunerado, desestimula os bancos de emprestar à industria e ao comércio.

Para que correr riscos, se o BC, com risco zero, paga tanto?

Alguém viu o "mãos de tesoura"  Joaquim Levy tocar no assunto?  Está aí uma despesa pública monumental.

Entre os juros do compulsório e o custo dos swaps cambiais que vê chegar a R$ 130 bilhões este ano - diferença entre o valor recebido em reais pela venda de dólares e o valor do dólar na hora da entrega -, o BC vai custar ao Tesouro quase R$ 200 bilhões em 2015. E o Levy correndo atrás de quirelas na Educação, Saúde e cortando quase todo o PAC.

É isso que dá Ministro da Fazenda empregado de banco.

Enquanto isso os esplendorosos lucros dos bancos são um INSULTO aos milhões de desempregados no Brasil."




(De André Araújo, no Jornal GGN, post intitulado "O espantoso lucro dos bancos" - aqui.

Sem dúvida, o contraste entre o estágio atual da economia e o lucro dos bancos causa profunda estranheza. Mas o fato é que a matéria é para lá de complexa, e a contingência, ao final, pode ser compreendida. Uma faceta: os bancos são os principais agentes da rolagem da dívida pública brasileira; sem ela, a contínua rolagem, nada feito, mas o problema é que a moeda de troca - os juros impostos por eles - são escorchantes. Os bancos são os maiores rentistas do sistema; a dívida pública, por sua vez, é a triste sombra que persegue o Brasil desde a Colônia, o Império, a República Velha, e por aí vai. É a saúva implacável. E quando o país atravessa momentos de dificuldades, mesmo que momentâneas, aí mesmo é que ela age implacavelmente).

DIÁLOGOS A JATO (I)


- Se as deliberações judiciais devem ser marcadas pelo equilíbrio, imparcialidade e ponderação, como explicar a espetacular decretação de prisão preventiva de José Dirceu quando ele já cumpria pena em face da AP 470, pena essa administrada pelo STF, fora do alcance, portanto, do juiz de primeira instância?

- ...

CARTUM INCIDENTAL


Carlos Ruas.

LAVA JATO: AÇÕES EM CURSO


"Preso preventivamente pela Polícia Federal nesta segunda-feira (3), o ex-ministro José Dirceu é apontado pelas autoridades da Operação Lava Jato como um dos principais mentores e beneficiários do esquema de corrupção na Petrobras. Embora delações premiadas tenham apontado que a formação de cartel e pagamento de propina ocorram desde a década de 1990, durante o governo FHC, a força-tarefa da Lava Jato investiga casos de corrupção a partir de 2004, quando Lula chegou ao Planalto e petistas graúdos como Dirceu tiveram espaço para formar o primeiro escalão da Petrobras.
Segundo informações da Agência Brasil, os investigadores disseram nesta manhã que Dirceu, na chefia da Casa Civil, nomeou Renato Duque para Diretoria de Serviços da Petrobras, onde foi iniciado o esquema de superfaturamento de contratos. “Creio que chegamos a um dos líderes principais, que instituiu o esquema Petrobras e que, durante o período como ministro, aceitou que o esquema existisse e se beneficiou do esquema também”, disse o procurador federal Carlos Fernando Lima.
Para Lima, Dirceu, que foi condenado na Ação Penal 470 (Mensalão), "foi beneficiário" do esquema na Petrobras. "Queremos mostrar que ele e Fernando Moura [também preso] foram os agentes responsáveis pela instituição do esquema Petrobras desde o tempo do governo Lula. Desde aquela época [da Casa Civil], passando pelo mensalão, pela condenação [pelo Supremo Tribunal Federal], pelo período em que ele ficou na prisão. Sempre com pagamentos. Esses são os motivos com os quais estão baseadas a prisão”, explicou o procurador.
Na visão do Ministério Público Federal, Fernando Moura é um dos principais “líderes” da Lava Jato ao lado de Dirceu, por ter levado o nome de Renato Duque ao ex-ministro. Ambos foram presos sob a justificativa de que, apesar do mensalão, continuaram agindo na Petrobras e recebendo recursos. O irmão de Dirceu também detido nesta segunda por ter visitado empresas investigadas para supostamente fazer cobrança de pagamentos.
Prestação de serviços
De acordo com o delegado da Polícia Federal Igor Romário de Paula, a 17ª fase da Lava Jato tem como “essência” a corrupção. Ela abrange, além das empreiteiras já investigadas, empresas de prestação de serviços de limpeza e informática para a Petrobras. O delegado federal Marco Antonio Ancelmo acrescentou que em todo o período de investigação da Lava Jato, a empresa JD consultoria, de José Dirceu, não comprovou efetivamente a prestação de serviços.
Dirceu foi preso em Brasília, onde cumpriu regime domiciliar pelo mensalão, e levado para a Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal. Ele aguarda liberação do STF para ser transferido para Curitiba, onde estão concentradas as ações da Lava Jato.
Lula
Perguntado se o ex-presidente Lula poderá vir a ser alvo das investigações, o procurador afirmou que nenhuma hipótese pode ser descartada. “Não se descarta nenhuma hipótese de investigação. Não vamos dizer que estamos investigando ninguém da gestão anterior, ninguém da atual gestão. 
Dilma
Segundo informações da Folha de S. Paulo, o governo Dilma Rousseff recebeu a prisão de Dirceu como um aviso de que é preciso, a partir de agora, fazer um esforço maior para blindar a presidente da repercussão negativa do caso. Para petistas, a prisão do ex-ministro divide opiniões: uns acham que é "mais do mesmo". Outros, que funcionará como uma "pá de cal" sobre a já deteriorada imagem da agremiação."




(Do Jornal GGN, post intitulado "Lava Jato quer provar que Dirceu instituiu corrupção na Petrobras" - aqui.
Enquanto isso, segundo a Folha, discute-se se preso pode ser preso de novo, enquanto preso: 
"... a discussão se dá em torno da remoção ou não de Dirceu, já que ele se encontra em prisão domiciliar, cumprindo pena por conta do processo do mensalão. Os advogados de Dirceu estão nesta discussão com os policiais, já que a autorização para remoção depende do Supremo Tribunal Federal.
Segundo magistrado consultado pela reportagem da Folha, em tese é possível que Dirceu seja levado para um estabelecimento prisional. Em tese. Segundo ele, embora a situação não seja comum, já houve autorização, por exemplo, de uma pessoa ter decretada permanência em carceragem em nova condenação mesmo com direito a prisão domiciliar " - aqui.
O mal do Brasil: Corrupção - e toda ação que vise a combatê-la e puni-la deve ser apoiada e louvada. Porém, no trato com a Corrupção, alguns dos males são: a) a seletividade na escolha dos indícios de Corrupção a serem apurados; b) a gradação do ritmo de apuração dos indícios: nuns, celeridade total; noutros, passos de tartaruga - ou o simples engavetamento/arquivamento; c) vazamentos seletivos; d) espetacularização e politização - quando convenientes).

CARTUM EXPRESSIONISTA


Liberati.

OLD PHOTO


Rio de Janeiro, 1980. O poeta Angenor de Oliveira, o Cartola, em sua casa no Morro da Mangueira. Foto de Walter Firmo.

"Cartola me convidou para comer um feijãozinho na casa dele e eu fui", disse Walter, quando da abertura de exposição na galeria Nikkon, São Paulo, no final do ano passado, oportunidade em que a foto, até então inédita, foi mostrada.

Fernando Rabelo, em cujo blog constam os dados acima, observa: "O que mais me impressiona é que Cartola faz um gesto de despedida. No mesmo ano ele viria a falecer".

Angenor de Oliveira, o Cartola, é o cara que disse, entre outras: "As rosas não falam/ simplesmente as rosas exalam/ o perfume que roubam de ti".

SÍNDROME DA LAVA JATO


Schulz.

domingo, 2 de agosto de 2015

AGOSTO, UM DESENHO SOMBRIO, MAS...


Além do previsto

Por Jânio de Freitas

Tremei, cidadãs e cidadãos. Já não bastam as vozes do impeachment, a fúria dos bolsonaros, a pauta-bomba de Eduardo Cunha que não é para a Câmara mas sobre o país. Nem bastam as manifestações programadas pelo SOS Militares e pelo PSDB de Aécio, nem mesmo a Lava Jato. Tremei cidadãs e cidadãos, que além do mais, e sobre todas as coisas, faz agosto.
Se em melhor tempo alguém, nestas páginas, concluiu que a solução para Dilma é a que Getúlio se deu, não por acaso em certo agosto, não é exagero que o novo agosto chegue anunciado por uma "bomba caseira" lançada no Instituto Lula. Bombas são assim domesticamente inofensivas, "caseiras", até que matam uma dona Lida, uma criança na calçada, ou moradores de rua, que para eles o azar não tem fim. Bombas não costumam ser solitárias. É bem possível que a bomba de agora seja vista, depois, como um ponto inicial. Nem sugiro de quê.
No agosto tão previsto surge, porém, algo que ninguém ousara prever. Por falta do precedente apesar de todos os agostos. Ou por um saldo de crença no bom senso onde se teme que falte. O imprevisível foi trazido pelo jovem procurador Deltan Dallagnol, um dos cruzados e porta-voz da Lava Jato.
Seria no máximo extravagante o enlace entre exposição dos feitos da Lava Jato e a oração que Dallagnol fez, para seus irmãos de fé, em uma igreja batista no Rio –com convite a jornalistas para a conveniente propagação da mensagem. A da fé aliada à Lava Jato ou só a outra, não se sabe. A outra que, ficou claro, foi uma das finalidades da assembleia, senão "a" finalidade da exposição entremeada de citações bíblicas: Dallagnol pediu que seus irmãos de fé acompanhem a página de determinado pastor na internet, que difunde o espírito cruzado da Lava Jato. E foi mais longe: concitou à mobilização dos crentes para uma agenda de manifestações "contra a corrupção". Entre elas, uma pregação que se pretende de âmbito nacional.
Quando? No 16 de agosto que os pregadores do impeachment de Dilma escolheram para voltar à rua.
Deltan Dallagnol fez a palestra na condição de participante de inquéritos da Procuradoria da República e de integrante da chamada Operação Lava Jato. Sua exposição e os gráficos exibidos foram os mesmos feitos dias antes na TV, sem as conotações religiosas e sem a convocação. Como porta-voz da Lava Jato em ambas, na segunda exposição pôde fazer o que na anterior não cabia: a convocação que expressa uma definição política e o propósito do grupo de trabalho que ele integra. Tanto que nenhuma voz desse grupo tomou a providência de retificá-lo na definição e na incitação que fez, e que muitos meios de comunicação noticiaram.
Por meio de Deltan Dallagnol, a Lava Jato se assumiu como ação política –o que os princípios e os fins da Procuradoria da República não admitem.
A RE-UNIÃO
Apesar de tudo, agosto promete alguma diversão.
Os adeptos do impeachment dividiram-se depois da reunião de Dilma com os 26 governadores e o governador do DF. Uns silenciaram sobre o resultado, para poderem falar em derrota de Dilma. Outros, como Aécio e a cúpula do PSDB, perderam a voz. Mas o fato é claro: Dilma teve uma vitória política, talvez muito além da esperada.
Foi um jogo de alto risco para os dois lados. Não seria surpreendente que se apresentasse uma dissidência entre os governadores, recusando as propostas de Dilma e inutilizando a reunião. Para os governadores, o risco está no teste que aceitaram, ao comprometer-se a tanger suas bancadas para o apoio, no Congresso, à contenção de gastos e à derrubada dos novos e altos gastos aprovados por comando de Eduardo Cunha. Os governadores apostaram na sua duvidosa força política.
Embates em vários Estados, embates na Câmara entre os cumpridores do acordo feito no Planalto e o desacordo total anunciado por Eduardo Cunha e sua pauta-bomba. Até lá, vigora a imagem de rara unanimidade entre os 27 governadores. (Fonte: Folha; texto reproduzido aqui).
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Convém lembrar: o Ministério Público é instância opinativa; independentemente da pose de certos procuradores, o fato, triste para alguns deles, é que o MP não tem, digamos, poder de mando. Quem delibera é o Judiciário, independentemente do juízo externado pelo MP. É certo, porém, que os integrantes do MP estão obrigados a observar a liturgia do cargo - onde o estrelismo e a espetacularização não tem guarida -, coisa que o procurador Dallagnol deveria estar respeitando, sob pena de enquadramento por parte de seus superiores - coisa que também, pelo visto até aqui, não está sendo cumprida. Daí o fato de ele, serelepe, estar pintando e bordando, sob aplausos de muitos, como a revista Época.
No mais, muitas vezes se 'pinta' agosto de um jeito, dado o clima reinante, mas o futuro é coalhado de incógnitas... e de repente fatos novos aparecem, modificando a paisagem. Como diria o outro: a ver.

APOCALIPSE NOW


Arionauro.

O TERRENO MOVEDIÇO DA POLÍTICA NUCLEAR


A caixa preta dos programas nucleares

Por André Araújo

Cinco países do mundo tem armas nucleares autorizadas, são os membros do Conselho de Segurança; três tem, não autorizadas: Índia, Paquistão e Coreia do Norte; Israel tem mais não declara e não discute a questão; a África do Sul chegou a ter, mas desmantelou a parte bélica de seu programa; cerca de 11 países tem programas nucleares em diferentes estágios; o Brasil é um caso especial e mais adiantado que os demais países: é o único fora dos cinco do C.S. que está fabricando um submarino nuclear.

Desde o primeiro programa, Projeto Manhattan, de 1944, até os atuais, todos os programas nucleares tem grande parte de sua atividade tratada de forma sigilosa e em muitas etapas de forma clandestina.  Há um mundo científico oficializado e há um mundo clandestino de espionagem, contrabando, compra de cérebros, de fórmulas, de pesquisas, de materiais controladíssimos, mas que também se compram por baixo do pano.

O Iraque, ao tempo de Saddam, operou um programa nuclear, mas talvez o caso mais descarado de operações clandestinas tenha sido o do Paquistão, que comprou no varejo e no atacado tudo o que estava à venda na área, gastou bilhões de dólares nessa tarefa, toda ela clandestina. Em seguida, o Irã: gastou cerca de 36 bilhões de dólares no seu programa, parte semi-oficial, parte completamente clandestina, escondida em cavernas de montanhas, comprando tecnologia onde estivesse à venda, importando cientistas, contrabandeando material para seu ciclo; existe um vasto mercado clandestino de todo o ciclo nuclear, na praxe do "pagando, acha".

O Brasil é um caso único, porque desde a década de 40 teve cientistas e centros de pesquisas, a partir de César Lattes, Mario Schenberg e muitos outros esteve à frente da maioria dos países na pesquisa e no desenvolvimento e na continuidade com o Almirante Alvaro Alberto, pioneiro da Marinha no programa nuclear brasileiro, dos mais respeitados e acompanhados do mundo, infelizmente paralisado no governo Collor e quase liquidado no de FHC.

Lembremos que o programa nuclear americano, concentrado no laboratório de Los Alamos, foi intensamente espionado pelos soviéticos, que conseguiram detonar sua bomba em 1949 com a ajuda da trinca de espiões ingleses como Kim Philby, Donald Mac Lean e Guy Burgess e muitos outros como Alger Hiss, Klaus Guchs, o casal Rosenberg.

No submundo dos programas nucleares existem em todos os programas contas secretas para comprar materiais sem documentação, para trazer cientistas sem visto e sem autorização, para comprar conhecimento científico que não pode ser vendido. Todos os programas nucleares tiveram graves problemas gerenciais e financeiros, começando pelo Manhattan. No caso do Irã e do Paquistão a maior parte dos gastos foi paga em malas de dinheiro, uma vez que transferências bancárias não se usam para programas clandestinos intensamente combatidos, como o do Irã.

O Brasil teve contas secretas para pagar esses gastos que não deveriam deixar rastro. Tem um cientista na Romênia que pode ajudar muito em um elo do ciclo mas não podemos trazê-lo oficialmente, então vamos mandar dinheiro por doleiro para a Holanda, lá um portador arranja passagem para ele e a esposa, ai ele embarca de Bucareste a Paris e depois Rio. Isso aconteceu muitas vezes, o dinheiro vem de conta secreta. No caso do programa brasileiro a conta era gerida pelo Almirante Othon. O valor merreca (em termos de um programa nuclear) que se alega que ele recebeu (com nota e recibo)  em seis anos e que justificou sua prisão pode ter tido destinação desse tipo mas evidentemente que ele não pode colocar na mesa para toda a mídia ver onde gastou o dinheiro de uma conta desse tipo.

Na já longa história dos programas nucleares que surgiram no mundo a partir de 1944, o Brasil tem a primazia em um ponto: pela primeira vez na história dos programas nucleares a Polícia entra no assunto, prende o responsável pelo programa e escracha tudo para a mídia. Nunca antes no mundo se viu semelhante coisa, em um campo que em todo o planeta é coberto por um manto de sigilo e proteção que é da própria natureza da atividade.

Não é a toa que o New York Times está se deliciando com o escândalo, era tudo o que os EUA mais gostariam de ver.

Os EUA são inimigos históricos do programa nuclear brasileiro e tudo de ruim que pode acontecer com ele atende aos interesses dos Estados Unidos. (Fonte: aqui).

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Em face de diversas abordagens feitas a propósito, o caso do Almirante Othon aparenta ser bem mais complexo do que o que está exposto acima (sem prejuízo da relevância da tese de Araújo, também reforçada por outras fontes, como se vê AQUI), e o dilema se revela inevitável: apurar os indícios e proceder segundo a lei ou relevar eventual ilicitude pessoal em decorrência do interesse nuclear que o assunto envolve? 

Quanto ao Irã, a abordagem feita por André Araújo guarda relação com a versão elaborada pelos críticos relativamente àquele país, não necessariamente caracterizada pela fidedignidade. Aliás, diante da obscuridade que cerca o tema política nuclear, é até natural que as especulações prosperem.

BICHINHOS DE ESTIMAÇÃO


Caros Ruas. (No UmSábadoQualquer).

GALILEU GALILEI


Chris Madden. (Inglaterra),

sábado, 1 de agosto de 2015

OS TUIUIÚS E A CAMPANHA PELA PRIVATIZAÇÃO DA PETROBRAS


"Em março 2014, é instalada a operação Lava Jato. Chefiada pelo juiz Sérgio Moro, que ganhou o prêmio de personalidade do ano da Globo, e cuja mulher trabalha para o PSDB do Paraná e também assessora empresa de petróleo estrangeira. Como se não bastasse, os delegados federais que compõem a operação fizeram campanha para o candidato do PSDB, Aécio Neves, e chegaram ao absurdo de chamarem, no blog de campanha tucana, Lula e Dilma de anta.

Os procuradores que formam a força tarefa da operação Lava Jato, no governo de FHC, criticavam o Procurador Geral da República, Geraldo Brindeiro, nomeado por FHC, conhecido como Engavetador Geral da República, pois engavetava as denúncias, principalmente as de corrupção. Lamentavelmente esses mesmos procuradores, na época conhecidos como “Tuiuiús”, agora sepultam o período FHC na Petrobrás, apesar de várias vezes citado nas delações do Lava Jato.

Ignoram também as delações diretas contra os parlamentares do PSDB, já que os ex-governadores de Minas Gerais do PSDB, Aécio Neves e Antonio Anastasia. foram citados, em delação premiada, e nunca foram sequer convocados a depor. Furnas também foi citada como tendo uma diretoria que pagava propina ao senador tucano Aécio Neves, através de sua irmã. E o juiz Sérgio Moro, ao invés de investigar Furnas está investigando a Eletronuclear. Os tuiuiús viraram tucanos e a operação Lava Jato totalmente controlada pelo PSDB e à mercê de sua política.

E não por acaso, o juiz Sérgio Moro foi assistente da ministra Rosa Weber do STF na AP 470, conhecida como mensalão, e lá também o mensalão do PSDB, que foi anterior ao do PT, não foi julgado e os crimes estão prescrevendo!

A Globo, inimiga inconteste da Petrobrás, ligada ao grupo Time Life dos EUA, apoiou a ditadura militar em nosso continente, patrocinada pelos EUA. A Globo fez campanha sem sucesso pela privatização da empresa na década de 90, comparando a Petrobrás a um paquiderme e chamando os petroleiros de marajás. Isso no governo de Fernando Henrique Cardoso - FHC. Conseguiram quebrar o monopólio mas não conseguiram privatizar graças à força do povo. Mas eles não desistem!

A Petrobrás responde ao apoio da sociedade e, em 2006, desenvolveu tecnologia inédita no mundo, descobrindo com isso o pré-sal. Nessa área, a Petrobrás já produz 800 mil barris por dia, o suficiente para abastecer, sozinho (o pré-sal), países como Uruguai, Paraguai, Peru e Bolívia. O pré-sal é a maior descoberta de petróleo do mundo moderno! Em 2010, a Petrobrás faz a maior capitalização do planeta, em todos os tempos; arrecadou U$ 70 BI. Em 2015, vende, de forma relâmpago, U$ 2.5 BI em títulos a serem resgatados em 100 anos. Também em 2015, ganha pela terceira vez o “Oscar” da indústria do petróleo e ainda torna-se uma das principais produtoras de óleo do planeta, entre as empresas de capital aberto. É preciso que a sociedade saiba que, há 62 anos, a Petrobrás abastece o país de combustíveis, ininterruptamente, e financia, com os impostos que paga, 80% das principais obras do país, conhecida como PAC. A Petrobrás gera 85 mil empregos de petroleiros próprios e cerca de 400 mil empregos contratados, fora os empregos indiretos.

Que do pré-sal, através dos royalties, 75% irá para a educação e 25% para saúde; e 50% do Fundo Social vai para educação. O que representa uma revolução social! Isso se conseguirmos barrar a emenda 131/15 do senador José Serra, do PSDB, que quer mudar a lei de Partilha para favorecer a americana Chevron, conforme denúncia interceptada pelo Wikileaks entre a petroleira Chevron e o senador José Serra, feita em 2009. ... “Deixa esses caras (do PT) fazerem o que eles quiserem. As rodadas de licitações não vão acontecer, e aí nós vamos mostrar a todos que o modelo antigo funcionava… E nós mudaremos de volta”...

A operação Lava jato produz notícias negativas contra a Petrobrás diariamente, e a Globo divulga instantaneamente, isso há mais de ano. Notícias positivas, como a Petrobrás ter ganho o “Oscar” da indústria do petróleo teve que ser nota paga em O Globo e na grande imprensa. Notícia negativa é de graça e a todo instante!

É preciso combater a corrupção, mas a corrupção de todos. Aliás, pela primeira vez, corruptos e corruptores estão indo para a cadeia e o dinheiro roubado sendo confiscado. Mas o que a operação Lava Jato está tentando fazer, com apoio da Globo e do PSDB, é entregar a Petrobrás aos gringos e com isso inviabilizar aquilo que a presidente Dilma denominou 'nosso passaporte para o futuro!'"




(Do SINDIPETRO, Sindicato dos Petroleiros do Estado do Rio de Janeiro, texto intitulado "Operação Lava Jato, a picaretagem contra a Petrobrás para entregá-la aos EUA" - aqui).

CARTUM INTOLERÁVEL


Alpino.

O PAPEL DO GOOGLE


O Google e a manipulação midiática

Por Mauro Santayana

Quando as grandes empresas de internet surgiram, nascidas nas universidades, e não nos grandes grupos de comunicação que já existiam, houve esperança de que elas viessem a contribuir para a consolidação de um ambiente de produção, publicação e troca de informações realmente livre.

Um novo espaço que privilegiasse o indivíduo no lugar do Sistema, ajudando-o a libertar-se do deletério domínio da mídia tradicional, umbilicalmente ligada, de parte a parte, por milhares de tentáculos, aos maiores grupos empresariais privados, que, no mundo inteiro, e em cada país, trabalham para manter o status quo e defender seus interesses, entre eles o de continuar - mesmo depois do surgimento da Rede Mundial de Computadores - a manipular e a explorar, do nascimento à morte, o homem comum.

Website mais visitado do mundo, e a marca mais valiosa do planeta, com aproximadamente 25.000 funcionários, um enorme faturamento e bilhões de usuários, o Google parecia ser uma dessas empresas, voltada, como rezava a missão inicial do “navegador” criado por Larry Page e Serguey Bryn, para “tornar a informação mundial universalmente útil e acessível.

A primeira impressão, era a de que o Google buscava, ao menos aparentemente, uma aura de identificação e comprometimento com os “melhores” valores, que se refletia no lema “dont be evil” - “não seja mau”, e outros slogans relacionados de sua “filosofia corporativa”, como “você pode ganhar dinheiro sem fazer o mal”, ou “você pode ser sério sem um terno”.

Uma impressão reforçada - teoricamente - pelo fato do Google não perder uma oportunidade de declarar seu “marcante” comprometimento com a neutralidade da internet, como diz, quase sempre, seu vice-presidente e “Chief Internet Evangelist”, Vint Cerf, quando afirma que “não se pode permitir que os provedores de acesso controlem o que as pessoas veem e fazem online.”

No entanto, o Google, além de ter tido problemas em vários países do mundo no quesito privacidade, sempre esteve estreitamente ligado à comunidade de informações norte-americana, como revelaram jornais como o "The Huffington Post", no ano passado, reproduzindo e-mails divulgados pela "Al Jazeera America", trocados entre o Presidente da NSA (Agência Nacional de Segurança) dos EUA, o general Keith Alexander, o Presidente do Google, Erick Schmidt, e um dos seus fundadores, Serguey Bryn, nos anos de 2011 e 2012.

Afinal, por que o Google - em uma excelente jogada de relações públicas - por meio do seu presidente Erick Schmidt - fez questão de receber na sede da empresa a Presidente brasileira Dilma Rousseff em sua recente visita aos Estados Unidos ?

Não apenas porque o Brasil é o quinto país do mundo em usuários de internet ou abriga o único "Centro de Desenvolvimento Tecnológico do Google" na América Latina.

Mas também, e principalmente, porque no auge do escândalo de vigilância global da NSA, e dos "Five Eyes" - a aliança de espionagem anglo-saxônica que reúne os EUA, a Austrália, o Canadá, a Nova Zelândia e o Reino Unido e “parceiros privados” - em que Edward Snowden desnudou ao mundo o gigantesco sistema de monitoramento em massa e a íntima correlação entre agências de informação dos EUA e grandes empresas norte-americanas que dominam o negócio da internet - incluindo, como vimos, o Google - foi Dilma Rousseff que liderou a reação mundial aos EUA, suspendendo sua visita de Estado aos Estados Unidos, e aliando-se à Chanceler alemã Angela Merkel, na apresentação e aprovação, na ONU, por 193 países - contra a vontade de Washington - das diretrizes de uma “lei de internet mundial”, a resolução sobre “O Direito à Privacidade na Era Digital”.

Diante do gigantismo do Google e do dinheiro que aplica em marketing - incluindo um bilhão de dólares para um fundo de filantropia - é preciso prestar atenção em detalhes para encontrar provas de seu claro comprometimento com o status quo e as forças mais conservadoras em cada país em que atua.

Talvez a mais evidente delas, que pode passar - e essa é a sua função - despercebida pela maioria dos leitores, é a presença de uma seção denominada de “Sugestões dos Editores”, que se pode ver no alto da tela, na coluna da direita, da página inicial do Google Notícias.

Dependendo do momento em que estiver olhando, o leitor pode se deparar com chamadas para matérias prosaicas, como dicas de beleza, dietas etc.

Mas, na maioria das vezes, ele terá chance encontrar, “casualmente”, no mesmo espaço, no Brasil, por exemplo - mas não apenas em nosso país - o mesmo tipo de conteúdo reacionário, anacrônico e fascista que intoxica maciçamente a internet brasileira, hoje, o que leva, naturalmente, qualquer leitor mais atento a se perguntar: que raios de “editores” são esses? 

Seriam “editores” do Google? Ou “editores” voluntários, organizados em grupos de leitores?

Não. Trata-se de “editores” de veículos de informação “tradicionais”, que enviam suas “sugestões”, principalmente de artigos de opinião, ao Google, por meio de feeds.

Em suas informações sobre a seção, o Google explica que qualquer veículo pode enviar uma sugestão.

Mas quem escolhe quais e em que ordem essas sugestões irão ser publicadas na primeira página do "Google News"?

Se fossemos pensar no âmbito exclusivamente empresarial, compreende-se que, procurando fabricar de óculos a relógios, de carros a balões de reprodução de sinal de internet - e ampliando suas atividades para serviços correlatos de fornecimento de banda larga para usuários finais, que acaba de lançar nos EUA - o Google se sinta cada vez mais como parte do ambiente empresarial tradicional, voltado para ganhar dinheiro e lucrar com o consumidor final - no seu caso, bilhões de consumidores finais - com os quais estabelece contato, por meio de seu browser, todos os dias.

Também se compreende que o Google busque boas relações com grandes empresas jornalísticas dos países em que está presente, de onde busca - ainda - a maior parte do conteúdo informativo apresentado a seus usuários por seu motor de pesquisa, principalmente depois que foi proibido de indexar esse conteúdo -por ter se recusado a pagar por ele - , em países como a Espanha.

O problema é que, ao fazer isso - dar destaque às “sugestões dos editores” - um eufemismo para levar o consumidor a ter acesso destacado e facilitado, no alto de página, ao diktat da mídia tradicional, manipuladora e conservadora que predomina nos países em que atua, o Google está tomando uma atitude política, e também está renegando, descaradamente, o seu “GUIA DE NEUTRALIDADE DA REDE” e os princípios que ele evidencia, quando afirma que:

Neutralidade da rede é o princípio de que os usuários da Internet devem estar no CONTROLE DO CONTEÚDO QUE ELES VEEM e de quais aplicações eles usam na internet. A Internet tem operado de acordo com este princípio de neutralidade desde seus primeiros dias... Fundamentalmente, a neutralidade da rede é a igualdade de acesso à Internet. Em nossa opinião, as operadoras de banda larga não devem ser autorizadas a usar seu poder de mercado para discriminar candidatos ou conteúdos concorrentes. Assim como as empresas de telefonia não estão autorizadas a dizer aos consumidores para quem eles devem ligar ou o que eles podem dizer, as operadoras de banda larga não devem ser autorizadas a utilizar seu poder de mercado para controlar a atividade online.


E também está, na verdade, rasgando os compromissos assumidos com o público, quando do lançamento do seu serviço de notícias, em 2002, quando afirmou que havia criado um site “altamente incomum” que oferecia um serviço de notícias compilado UNICAMENTE por algoritmos de computador, SEM INTERVENÇÃO HUMANA, ressaltando que para esse serviço não empregava “editores, editores de gestão, ou editores executivos.

Como os usuários devem estar no controle do que eles veem? Como “unicamente” por “algoritmos de computador” e sem “intervenção humana” ?

São robôs os “editores” privados que determinam com suas “sugestões” no alto da coluna da direita, da página inicial do Google News, todos os dias, o que o leitor deve ler, nos países em que o Google atua, começando pelos Estados Unidos?

Desse ponto de vista, o Google pode não estar empregando “editores”. Mas nem precisa.

Ao menos nessa seção, o maior site de buscas do planeta preferiu terceirizar o trabalho de escolher o que seus usuários devem ler para os grandes grupos de mídia. Abrindo mão de estabelecer - por meio da internet - um marco na história da comunicação - um novo patamar na relação entre o indivíduo e o universo informacional, para transformar-se, como um mero aparelho de rádio ou televisão, em apenas mais um instrumento de repetição e disseminação do que dizem os maiores jornais e revistas de cada país em que atua. Delegando a essas empresas e jornais - que têm seus próprios compromissos e interesses - o direito de determinar o que eles acham que é mais importante e conveniente - para eles e seus anunciantes, é claro - que os usuários vejam e leiam.

Ainda em suas informações sobre o serviço, o Google diz que é possível para o leitor escolher com que “editores” prefere ter mais “vínculos”, e existe até mesmo uma barra deslizante para que ele possa “personalizar esta fonte de notícias”, mas a maioria dos usuários tem tempo, conhecimento, ou iniciativa para trabalhar com ela ?

E como fica isso no caso das centenas de milhões de usuários que acessam o Google News sem ter uma conta do Google, ou em “lan houses” e “cybercafés”- como ocorre na maioria dos países mais pobres - ou de seu trabalho, por exemplo?

Eles vão deixar de ler, e de ser influenciados, pelas chamadas dessa seção específica?

Seria mais honesto que - caso se visse a isso obrigado, mesmo considerando-se o público que já acarreta para os portais da mídia tradicional - o Google colocasse como publicidade claramente identificada, banners dirigidos para o conteúdo desses veículos na primeira página do Google News e cobrasse - claramente - por esse serviço.

Ao disfarçar esse conteúdo, colocando-o no alto da página, mas obedecendo ao mesmo layout, tamanho de letra etc, das chamadas normais de conteúdo automaticamente indexado, o Google mostra que tem reforçado, ao longo do tempo, de forma sutil, mas reconhecível, uma decisão clara: a de ficar ao lado do Sistema e não do cidadão, ajudando a reproduzir os esquemas de poder, dominação e manipulação que existem no mercado editorial e jornalístico de cada país, na rede mundial de computadores.

Transformando-se em um instrumento e uma extensão a mais da "fabricação do consenso", ou do consentimento, de que fala Noam Chomsky e do controle do sistema jornalístico tradicional sobre o homem comum, e contribuindo para estender o poder dos grandes grupos empresariais de comunicação de cada país sobre a opinião pública.

Com seus carros que andam sozinhos, o Google Earth, o novo serviço que permite chamar do Gmail para telefones, e suas ações no apoio à pesquisa científica e à filantropia, a marca Google pretende apresentar-se e ser identificada com uma empresa inovadora, que pareça estar voltada, como um farol, para o século XXI e o futuro.

Livrar-se dessa excrescência incômoda, do ponto de vista moral e político, deixando apenas os algoritmos, a busca temática, e o critério de relevância arimética, como mecanismos de escolha do leitor, na primeira página de seu serviço de notícias - isso, sim, faria do Google, ao menos aparentemente, uma marca realmente inovadora do ponto de vista da relação da mídia com a opinião pública.

Quem sabe, assim, o Google poderia abrir caminho para se transformar em uma companhia verdadeiramente global - da forma como pretende apresentar-se e quer que o público o reconheça - e não - como ele parece ser agora - uma mera extensão do poder do establishment norte-americano - e de seus prepostos locais - sobre a internet e os seus usuários em todo o mundo. (Fonte: aqui).